O IPTU de São Paulo, a coceira e a falta de lógica

 

Por Julio Tannus

 

Em um país como este, salve-se quem puder!

 

1) Após aguentar por um bom tempo uma coceira pelo corpo, resolvi dar um basta. Procurei uma médica dermatologista. Saí de seu consultório esperançoso, com receitas e exames a serem feitos. Com o passar do tempo, não obtive nenhum diagnóstico e a coceira voltou.

 

Minha caminhada continuou sempre focada na ideia de dar um fim a esse sofrimento. Consultei uma clínica especializada em alergia e o resultado foi idêntico. Imediatamente consultei outro dermatologista e o resultado foi o mesmo: minha coceira persistiu.

 

Resolvi então apelar para uma médica dermatologista especializada em acupuntura. Parecia que finalmente estava chegando ao fim do túnel. Paralelamente foi recomendado que eu fizesse alguns exames na tentativa de encontrar a origem da coceira.

 

Recorri então a um dos mais conceituados hospitais para me submeter a um raio-x e ultrassonografia do abdômen total. O laudo da ultrassonografia dizia: “Discreta alteração textural hepática, com pequena área hipoecogênica junto à bifurcação portal (a tomografia computarizada pode trazer informações adicionais). Fui recomendado a fazer a tomografia. Dirigi-me então ao mesmo hospital para fazer uma tomografia computadorizada de abdômen total. O laudo dizia: “Achados da transição tóracoabdominal: acentuado enfisema pulmonar centrolobular e parasseptal e irregularidade cortical na porção lateral do 11º. arco costal esquerdo, podendo representar fratura consolidada”.

 

A dermatologista recomendou que eu fosse de imediato a um médico pneumologista para aprofundar o diagnóstico de “acentuado enfisema pulmonar”. Recorri então a um médico do próprio hospital onde havia realizado os exames. Após a leitura das imagens da ultrassonografia e da tomografia e de um exame clínico, eis o diagnóstico do médico especialista: “O senhor não tem absolutamente nada no pulmão, o laudo está totalmente equivocado”.

 

2) O cidadão, por problemas de segurança (teve sua casa assaltada), resolve mudar para um apartamento. Passados sete anos em sua nova residência, ele se dá conta que o valor do IPTU mais que dobrou no período. Como ele vive de aposentadoria, resolve consultar a Prefeitura de São Paulo sobre o porquê do aumento tão elevado, uma vez que sua aposentadoria não teve qualquer aumento, e sim as correções decorrentes da inflação. A explicação que conseguiu apurar para esse fato é que os imóveis na região foram muito valorizados.

 

E ele então arguiu: se sou proprietário de um imóvel e não tenho nenhuma intenção de comercializá-lo, porque um órgão público quer se beneficiar de sua valorização? Não seria o caso de obter vantagem sobre essa valorização apenas no caso de venda do imóvel?

 

E desfiou seu descontentamento e indignação para o atendente da Prefeitura: o retorno obtido com esse elevado aumento do imposto é inexistente! Continuamos com as vias públicas em péssimas condições, esburacadas, cheias de remendos mal feitos. A iluminação pública, no geral, é deficiente, propiciando todo tipo de insegurança aos cidadãos. Toda a vegetação não tem o tratamento adequado. Sem falar na falta de segurança. Que tristeza!

 

E agora nos vemos frente à frente com um Prefeito e Câmara de Vereadores aumentando mais ainda esse maldito imposto. Um dos argumentos usados é que o valor dos condomínios nesses bairros com imóveis mais valorizados são bem mais elevados que o IPTU. Raciocínio ridículo, para não dizer totalmente idiota. Ora, se descontarmos o valor dos impostos nas despesas de condomínios, que só no caso das despesas com funcionários acresce-se cerca de 50%, o argumento cai por terra.

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada
Co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung

4 comentários sobre “O IPTU de São Paulo, a coceira e a falta de lógica

  1. Esta questão do IPTU guarda uma lógica perversa no caso de imóvel único do cidadão , e demonstra claramente que os governantes não estão focados na população, mas na carreira de cada um deles.
    Nesta disputa PT e PSDB que leva a pior é a nação.

  2. Pois é Carlos Magno, essa conversa de que o aumento é para a classe média afim de beneficiar os mais pobres é pura demagogia. Como você aponta, é para benefício político apenas. Neste aspecto é preciso mudar radicalmente os objetivos da política, deixar de ser um eterno jogo para se manter no poder e passar a ser um exercício de cumprimento de programas político-partidário.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s