Conte Sua História de SP: no tempo em que eu vestia minissaia

 

Por Martha Catalunha

 

 

Estávamos desfrutando de merecidas férias de trabalho e faculdade, eu e minha melhor amiga, quando resolvemos ir ao maior refúgio em área verde paulistano, resultado de um dos primeiros grandes projetos do paisagista Burle Marx e do arquiteto Oscar Niemeyer: o Parque do Ibirapuera, cujo significado em tupi-guarani, curiosamente, é madeira podre. Só o conhecíamos no calor do alvoroço de sábados e domingos festivos.

 

Pensando na tranquilidade idílica que certamente o parque nos ofereceria, após o almoço rumamos para lá. Por sugestão minha, fomos de short medianamente curto, pois naqueles tempos, de saudade indizível, em que eu usava e abusava da minissaia, tínhamos as pernas perfeitamente apropriadas para deixá-las desnudas.

 

Lá chegando, começamos a caminhar tranquilamente em meio à garbosa natureza e seus ritmos buliçosos entre jardins, lagos, as 120 espécies de pássaros lá abrigadas ou migratórias, patos, gansos e marrecos, quando bruscamente, aproximou-se um rapaz de mais ou menos 30 anos que, forçosamente puxou assunto e nos passou a sensação desagradável de uma mente tosca e leviana.\

 

Tentamos deixá-lo de lado, contudo, ele não se fez de rogado e, imediatamente nos convidou a passear em seu carro. Agradecemos, dizendo que queríamos passear a pé pelo parque. Ele se afastou, e, após poucos minutos, passou por nós em seu carro, e nos fez uma abrupta saudação gritando alto e em bom som: – Suas putas!

 

Após nos refazer do susto, olhamos uma para a outra e combinamos nunca mais colocar short, a menos que estivéssemos em uma bela cidade à beira-mar com o imponente sol nos fazendo companhia.

 

Hoje, à luz do presente, em meio a tantas jovens com minissaias, shorts, calças rasgadas com barrigas de fora, grávidas ou não, em todos e quaisquer lugares, embalada em minha total visão libertária, questiono, porque o uso da minissaia estava de acordo com as convenções sociais vigentes, enquanto o short enquadrava mocinhas trabalhadoras e estudantes determinadas, em mulheres que desenvolviam suas atividades remuneradas através da volúpia de seus próprios corpos???

 

Mistérios de uma São Paulo do passado.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, no CBN SP, logo após às 10h30. Conte você também mais um capítulo da cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br

 

Falta de educação: o tênis no Ibirapuera e o Carnaval na Vila Madalena

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Sábado no ginásio do Ibirapuera, o tenista italiano Luca Vanni, que disputou uma emocionante semifinal com o brasileiro João Souza (Feijão), foi visivelmente prejudicado em determinados momentos pela má educação de alguns torcedores. Menos mal que venceu a partida.

 

Domingo e segunda, os brasileiros moradores da Vila Madalena foram enormemente perturbados por conterrâneos.

 

Em comum, a falta de educação!

 

No jogo de tênis, menos pela exigência de alto custo para a sua prática e mais pelo necessário silêncio para sua boa execução, a pretensão de massificação fica necessariamente descartada. Embora em grandes partidas sempre há a possibilidade da importação de público não habilitado ao esporte.

 

No bairro da Vila Madalena, tradicional pela vocação artística e pela mistura de residências, lojas, restaurantes e bares, tão defendida por alguns urbanistas que buscam a redução da mobilidade, o tumulto prova, ao menos, que tal modelo urbano não exporta mas importa mobilidade.

 

Para o tênis a sugestão é melhorar o sistema de controle do espectador com câmeras e pessoal treinado.

 

Para a Vila Madalena, as câmeras e a polícia deveriam resolver o problema. O que devemos temer é que a Prefeitura faça o que sempre tem feito. Quando a degradação começa, ao invés de coibir, regulariza.

 

Assim tem sido quando se trata de zoneamento. A nova lei pretendida não só vai regularizar o que foi degradado como criará potenciais zonas em locais que hoje são ilhas de conforto e qualidade de vida. Se duvida, visite a Avenida Morumbi em trechos ainda totalmente residenciais e, principalmente, a Alameda das Begônias. Ambas com proposta de corredor comercial.

 

Talvez tenha sido uma boa esta arruaça carnavalesca da Vila, se servir de alerta à Proposta de Zoneamento que será votada em breve.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

O vídeo que ilustra este post foi gravado pelo SOSego Vila Madalena. O grupo que incita à violência é o bloco Anti-Acadêmicos do Baixo Pinheiros.

Conte Sua História de SP: as árvores do vovô no Ibirapuera

 


Por Mônica Santos
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

Gostaria muito poder compartilhar com todos os paulistanos sobre a riqueza de conhecimento do meu Nono, Henrique Margulhano, nascido em 1922 na cidade de Mogi Mirim – São Paulo. Após se casar, aos 20 anos, se instalou no Jaçanã onde vive até hoje, ainda é bem conhecido na comunidade, mas era muito mais quando minha Nona era viva e os dois presidiam o curso de Noivos na Paróquia São Benedito. Eles foram casados por longos e amorosos 63 anos e o testemunho de vida serviu de inspiração para muitos casais. O Nono tem uma trajetória brilhante, completamente lúcido, carismático, lembra de todas as fases do dinheiro (do “réis” até o cruzeiro atual), da Revolução de 1932, dos desafios de comprar um imóvel em São Paulo, de como era a saúde, o Viaduto do Chá quando era uma plantação de chá, a chegada do Metrô.

 

Lembro que, enquanto eu entrava na 1ª série do 1º Grau, meu Nono estava fazendo “Mobral”. Talvez poucos lembrem desse trabalho que trouxe educação aos brasileiros que não puderam frequentar uma escola e foram trabalhadores braçais por longos anos. Depois que saiu da “roça”, como ele mesmo diz, e veio para São Paulo, trabalhou em vários locais desde limpeza de terreno, ajudante geral, linha do trem e, como sempre, amou a natureza, a terra, as plantações. As árvores sempre foram seu encanto, então,  conseguiu trabalho no Parque do Ibirapuera e teve o prazer de conviver com Niemayer. Esse capítulo da vida do Nono é fascinante. Conta que ele e o irmão plantaram praticamente todas árvores no Ibirapuera e, semanalmente, eram agraciados com abraço do Oscar Niemayer que, com sua simplicidade, fazia o Sr. Henrique mostrar, uma a uma, quais árvores havia plantando naquela semana.  É de brilhar os olhos.

 

Depois desse trabalho, o Nono entrou na Prefeitura de São Paulo, especificamente no Gabinete do Prefeito. Ele saiu em várias fotos na época porque ficava de terno azul marinho, alinhadíssimo,  exatamente em frente a porta de entrada da sala do Prefeito. Como é de se imaginar, o Nono foi muito querido por todos que trabalharam com ele, pela sua humildade e grande sabedoria adquirida durante a vida. Hoje, aos quase 91 anos, sonha ainda em ganhar na Mega Sena e comprar uma chácara, além de ajudar os cinco filhos, netos e bisnetos.

 

O texto é de Mônica Santos, mas o personagem desta história é o avô dela, Seu Henrique. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Agende uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa, pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou me envie seu texto: milton@cbn.com.br

Conte Sua História de SP: infância paulistana

 

Por Adriana Cavalcanti
Ouvinte-internauta

 

Ouça este texto sonorizado pelo Cláudio Antônio

 

Quando volto no tempo e penso em meus pais criando cinco filhos, sinto o maior orgulho de pertencer a esta família e a esta cidade tão linda chamada São Paulo. Uma das fases mais marcantes foi a minha infância. Imagine educar e ao mesmo tempo entreter cinco filhos na década de 1960.

 

Meus pais fizeram isso com maestria. Lembro como se fosse hoje de nossos piqueniques no Museu do Ipiranga e no Zoológico. Dentro de uma DKW Vemaguete Rio, de cor marrom, lá íamos nós – meu irmão e eu, os menores, no colo de minhas irmãs. No porta malas uma cesta com guloseimas e uma grande lata térmica na cor vermelha. Uma espécie de “cooler” à moda antiga. Inesquecível.

 

E foi também inesquecível nossa mudança do bairro do Ipiranga para o Jardim da Saúde. Foi em 1966 e eu tinha três anos, a menor da turma. Morávamos na Rua Loreto. Acho que na época havia cerca de quatro casas na rua, que ainda era de terra, assim como todo o bairro. Um lugar e uma época propícios para brincar sem se preocupar com os carros e a violência.

 

Um das brincadeiras era empinar pipa. Nos fins de semana, a família inteira empinava as pipas feitas por nós mesmos. Havia uma coleção delas pendurada na garagem de casa. Era uma delícia. Acho que meus pais se divertiam muito mais do que a gente.

 

Cresci naquele bairro. Meus irmãos e eu saíamos de casa cedo e só voltávamos na hora das refeições, geralmente acompanhados de alguns amigos. Brincávamos o dia inteiro nos fins de semana e durante as férias. O portão e a porta de casa ficavam sempre abertos.

 

As primeiras pedaladas também foram lá. Ganhei minha primeira bicicleta com seis ou sete anos. Era uma vermelha com rodinhas, que rapidamente foram retiradas pelo meu pai assim que aprendi a pedalar.

 

Um tempo que guardo bem na memória.

 

Hoje, tenho uma filha de 14 anos. Infelizmente, ela não sabe o que é brincar na rua. Mas com certeza aprendeu como aproveitar o que a cidade de São Paulo nos oferece. Ainda frequentamos o Museu do Ipiranga, o Zoológico e outros locais bacanas na cidade. Mas acabamos elegendo o Parque do Ibirapuera como o quintal de nossa casa. É lá que pratico as minhas corridas pela manhã e aproveito para assistir a São Paulo amanhecendo. É um momento único, encantador. É lá, no parque, que minha filha, desde pequena, e eu nos aventuramos pelas alamedas, brincamos, andamos de bicicleta e de patins. É lá também, no Ibirapuera, que conhecemos algumas pessoas maravilhosas que fizeram diferença em nossas vidas.

 

São Paulo é isso. Uma imensa cidade cheia de lugares especiais, para todos os gostos. Mas para aproveitá-la é preciso seguir o que aprendi com meus pais: viver intensamente ao lado de quem se ama.

 

Adriana Cavalcanti é personagem do Conte Sua História de São Paulo.Marque uma entrevista no Museu da Pessoa. Ou mande seu texto para Milton@cbn.com.br.

Ibirapuera, 56 anos

 

Parque do IbirapueraPor Devanir Amâncio
OMG EducaSP


Que vivam as suas águas e que não morram os seus peixes -, asfixiados, nunca. Que o olhar das autoridades sobre o parque, seja o mesmo olhar humano das pessoas que têm ou tiveram as suas vidas marcadas pela beleza de sua arquitetura e paisagem inspiradora. Que se faça com a sua drenagem ,tão importante e urgente , a drenagem das ideias.Que o sentimento público de descaso – com as suas vias mal concervadas ,bueiros entupidos , águas poluídas, calçadas esburacadas , banheiros insuficientes ,quase sempre sem papel – se faça substituído pelo sentimento do amor , da força da eficiência. Assim teremos um Ibirapuera mais vivo.

Vamos enxergar a beleza do parque sem destruí-la com as mãos.

Canto da Cátia: Marronzinho de bicicleta

 

Marronzinho de bicicleta

Esta é uma das duas bicicletas da CET que circulam pela área do estádio do Pacaembu, de segunda a sábado. No Ibirapuera, há cerca de 15 fiscais-ciclistas pedalando para controlar movimento de carros e pessoas. E bicicletas, também.

Ter marronzinhos pedalando ajuda os fiscais a passarem a enxergar as bicicletas como meio de transporte neste enorme aglomerado urbano que vivemos.

Conte Sua História de São Paulo: Festa da cidade

 

Entrevista_10Filha de ex-fazendeira do café e comerciante na capital, Maria Rosa Ascar chegou menininha em São Paulo carregada pelas mãos da mãe, após o pai ter morrido. Vieram mais oito dos 14 irmãos que viviam na mineira Nova Rezende e todos aqui foram estudar. Viveu com entusiasmo a festa dos 400 anos, comemorou ao lado de autoridades como o presidente Getúlio Vargas e assistiu a chegada da modernidade à capita: a escada rolante e o computador.

No depoimento gravado pelo Museu da Pessoa, durante a festa de aniversário de São Paulo, em janeiro deste ano, Maria Rosa lembrou de um dos primeiros bairros onde morou, a Bela Vista, e não conteve: cantarolou o amor pela capital.

Ouça o depoimento de Maria Rosa Ascar, sonorizado pelo João do Amaral

Você também pode participar. Agende seu depoimento ao Museu da Pessoa pelo telefone 011 2144-7150 ou pelo site www.museudapessoa.net. O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, às 10 e meia da manhã.

Foto-ouvinte: Estão desnorteados, em São Paulo

 

DSC00042

Por Luis F. Gallo
Ouvinte-internauta

“Situação inédita em nossa cidade,os dilúvios diários tem deixado também os patos e cisnes do parque Ibirapuera ‘desnorteados’. Me deparei com eles logo após uma tormenta dessas sob a Rosa dos Ventos, como que se procurando um rumo, um caminho. Estão ali se perguntando, o que fizeram por aqui ? Pra onde a gente vai ? Esse lugar tá muito louco ! Que medo … Serão só eles, com essas dúvidas?”

Olhar de Pétria: Obelisco do Ibirapuera

 

Obelisco do Ibirapuera

Visão privilegiada não apenas por “viajar” no helicóptero da CBN todas as manhãs, a repórter Pétria Chaves tem encontrado ângulos diferentes da capital paulista. Desta vez, teve atenção chamada para o Obelisco do Ibirapuera que faz pose ao lado da árvore de Natal. Sabe que é eterno no cenário paulistano, enquanto a decoração natalina, mesmo chamando mais atenção, é passageira.