Mundo Corporativo: “Relações públicas não faz milagre”

 

No Mundo Corporativo, Luiz Alberto de Farias, professor da ECA/USP e Faculdade Cásper Libero/SP, fala das estratégias e conceitos na área de relações públicas. Na entrevista, o autor do livro “Relações públicas estratégicas” (Summus Editorial) comenta como agir para atuar em crises nas corporações mas alerta que “relações públicas não faz milagre”.

O lobby na área pública, a parceria com a assessoria de imprensa e marketing, e a presença nas redes sociais foram temas abordados durante o programa que você assiste a seguir:

O Mundo Corporativo na CBN vai ao ar todo sábado no Jornal da CBN. E os ouvintes-internautas podem participar do programa, assistindo ao vivo, na internet, toda quarta-feira, às 11 da manhã, com perguntas enviadas para mundocorporativo@cbn.com.br e no Twitter @jornaldacbn

A lição da Dior ou de Galliano

 

Por Carlos Magno Gibrail

Natalie Portman, estrela Dior, se ofende com 'amor' de Galliano por Hitler

Na festa do Oscar nenhuma estrela ousou se apresentar com um Galliano. A internet divulgou um vídeo no qual o estilista da Maison Dior declarou amor a Hitler, e ofendeu um casal com expressões anti-semitas. Tudo isso em Marais num bar parisiense freqüentado por vanguardistas.

O desastre prenunciado para a marca não se confirmou. A rápida decisão da LVMH Louis Vuitton-Moet-Hennessy de Bernard Arnault de demitir Galliano, apoiada certamente na prova do vídeo, a manutenção do desfile parisiense e a atitude da equipe Dior, foram essenciais para mais uma vez comprovar que situações críticas podem ser transformadas em créditos para as marcas que demonstrem ética acima de tudo. E agilidade estratégica, ao anunciar, ontem, a compra da Bulgari, numa operação de 6 bilhões de dólares, deixando encantados Paolo e Nicola Bulgari, novos sócios da LVMH  e a Bolsa de Paris.

Ao mesmo tempo é lembrado que Hitler e suas façanhas anti-humanidade ainda causam admiração, o que alerta para que o mundo não se iluda e fique atento.

John Galliano nasceu em Gibraltar em 1960, filho de um encanador inglês e de uma espanhola, cursou a famosa Saint Martin´s School of Art of London. Graduou-se em 1984 apresentando uma coleção baseada em Les Incroyables, simpatizantes da realeza francesa na época revolucionária. Em 1987 ganhou o prêmio de melhor estilista britânico.  Era fascinado pela história e atento as novidades quando levou a inspiração de Matrix às passarelas. Em 1993 mudou para Paris e em 1995 foi para a Givenchy. Assumiu a Dior, do mesmo grupo, em menos de dois anos. A partir de 99 assumiu todas as linhas femininas da Maison Dior e a imagem da marca, ao mesmo tempo em que criava a sua coleção, que também pertence à LVMH.

De intérprete aprofundado da história, que fizeram dos desfiles Dior verdadeiras obras artísticas com dramaticidade e com ênfase sexual, Galliano abrandou posteriormente e apresentou coleções mais acessíveis ao prêt-à-porter. Levou a Maison ao bilhão de dólares. E trouxe a ele fama, reconhecimento, fortuna. Como aficionado da história bem que poderia ter se detido no passado recente de estilistas famosos, que mesmo sem ter arroubos nazistas apresentaram problemas existenciais e pessoais, como Marc Jacobs, Calvin Klein, Alexander McQueen,Yves Saint Laurent e de seu colaborador falecido por parada cardíaca Steven Robinson.

Definitivamente neste caso não usou os fatos, pois a irmã de Christian Dior por ocasião da segunda guerra mundial foi deportada ao campo de concentração nazista de Buchenwald.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e, às quartas, escreve no Blog do Mílton Jung

Razão e versão vistas por trás do lance

 

O lance do penâlti, indiscutível, de Fábio Rochemback no Gre-Nal desse domingo ganha destaque por uma cena inusitada. O quinto árbitro Alexandre Kleiniche está atrás do gol gremista e gesticula no momento em que o volante põe a mão na bola (confira no vídeo). Para parte dos torcedores do Grêmio foi uma contida comemoração em favor do Inter; na voz dele e de seus colegas, gesto casual provocado pela irregularidade do lance.

A defesa de Kleiniche, porém, não ajuda muito. Ele nega qualquer comemoração. Já Carlos Simon, que não tem a simpatia dos torcedores gremistas, disse que o auxiliar vibrou com a marcação correta do penâlti. Enquanto o presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Gaúcha, Luis Fernando Moreira, afirmou que “com uma mão ele bate no antebraço” para sinalizar Simon de que houve irregularidade. Não custaria terem alinhado a informação, antes de sairem falando por aí.

Kleiniche que é do quadro nacional de arbitragem me parece ter sido vítima mesmo da casualidade. Árbitro que é – ou bandeirinha -, atento a movimentação dentro do gramado, fez o gesto como reflexo da “defesa” ilegal de Rochemback. Nada mais do que isso.

Gosto muito de futebol, mas entendo pouco dessas peculiaridades. Por isso, não vou me ater as questões técnicas da arbitragem, tem gente bem preparada no Brasil para explicar isso tudo.

Prefiro falar de comunicação.

Ao contrário do que muitos imaginam, uma imagem não vale mais do que mil palavras. A cena em foco é prova disto. Não é objetiva. Por mais que seja reproduzida, cada um terá sua própria verdade. É uma daquelas que podem ser vistas milhares de vezes – aliás, já tinha mais de 13 mil acessos no You Tube, nesta tarde – e cada um vai enxergar o que bem entender, influenciado por sua consciência e conhecimento.

Para azar do personagem principal deste caso, todas as explicações que oferecer serão insuficientes. Quem quiser ver falta de isenção, verá; quem quiser dar ouvidos à sua inocência, dará.

Porém, na próxima partida que entrar em campo, no jogo mais distante que for trabalhar, Kleiniche não vai escapar. Alguém haverá de lembrar da reação dele.

No campo da comunicação, a regra é clara: A razão de um gesto jamais irá superar a versão.

Eles viajaram nas fotos

 

Leão Serva

Os caras sempre foram conhecidos pelo talento em outras áreas. Escrevem, inventam, medicam, consultam e ensinam. De repente tomam coragem e decidem se expor ao público através do olhar diferenciado que captaram com suas máquinas de fotografia. Manipulam as imagens sem pudor com o objetivo de torná-las ainda mais interessantes, oferecem além do que a própria lente seria capaz de enxergar. E, agora, tentam transformá-las em valores que dêem suporte ao Instituto Democracia e Sustentabilidade, recém-criado com a ideia de colocar a questão ambiental na agenda política brasileira.

Falo de Caio Tulio Costa, Leão Serva, Adolfo Lerner e Beto Ricardo que reuniram seus trabalhos fotográficos em mostra que está aberta, sempre após o meio-dia, no Espaço de Arte Trio, na rua Gomes de Carvalho, 1759, na Vila Olímpia. E que se encerrará no dia 1º de junho com a realização de um leilão em benefício à causa defendida pelo IDS.

Para ilustrar esta conversa, duas imagens que surgiram da polaroide do Leão, feitas a partir do mesmo ponto, para o mesmo lado, mas com intervenções que mudam seu significado.

De consciência

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De consciência” na voz da autora

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Olá,

Sou fã de carteirinha da tela mental. Aquela que vem no pacote básico do ser humano; branca como as telas de cinema, para que a gente projete o que quiser e produza a própria história. Cenário, iluminação, personagens, flashbacks, incursões no futuro, trilha sonora, efeitos especiais… a obra é nossa.

A tela mental é indispensável, por exemplo, na manutenção e treinamento da memória. Nosso cérebro armazena a informação mais facilmente se vier acompanhada ou for enriquecida com imagem: externa ou interna, vista ou criada por você. Visualização e compreensão turbinam a memorização.

Ela também é preciosa no aprendizado de idiomas. Você projeta a imagem do que ouve, associa som e imagem, e… ponto para você.

Nela podemos projetar anseios, e as imagens dão uma ideia do que seria o teu sonho transformado em realidade. O termômetro é bom; você vai perceber que enquanto pensa e assiste à projeção do teu pensamento, todos os teus corpos reagem. Fica mais fácil perceber quando se está sabotando ou envenenando através de pensamentos ou atitudes doentes. Por outro lado também vai ficando cada vez mais fácil sentir e perceber a leveza e a dança dos corpos quando se imagina algo que é bem vindo. Dá para começar a separar o joio do trigo.

Mas o que eu quero, mesmo, é convidar você a acionar a tua tela mental e comigo projetar a Vida como um jogo em 3 dimensões; um tabuleiro com pequenas depressões – quadrados vazios, como caixinhas sem tampas – a serem preenchidas. Você vai vivendo, pensando, falando, ouvindo, olhando numa e noutra direção, e escolhe que caixinha preencher, como e com o quê; desenhando assim a Vida. O tempo do jogo varia de jogador para jogador, e nunca se sabe quando vai mudar de fase e nem quando vai soar o apito final. Ao longo do jogo aparecem coringas que geralmente piscam e saracoteiam feito bagres ensaboados, e se a gente vacila, fica a ver navios.

Veja um tabuleiro não estático. Ele desliza normalmente para a esquerda, deixando à mostra um pouco do passado recente – para que se possa rever as últimas intervenções – o hoje sendo construído – desenhado, elaborado, destruído, rabiscado, ignorado – e parte do amanhã sonhado. Mas tudo pode acontecer. Tudo é possível enquanto se está jogando. Tempo é Vida.

Diferentemente dos jogos em que destreza manual e agilidade mental são predicados fundamentais, no jogo da Vida o trunfo é a consciência ampliada e afiada. Consciência da Essência e do Caminho. Capacidade de estar acordado, de ver, perceber e sentir, com todas as células de todos os corpos, a Vida que se oferece, se entrega aberta, receptiva à tua intervenção. Convidando eternamente para que você Viva.

Imagine, projete, modifique o sonho, retoque a cena e tente não perder os coringas.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de Comunicação e Expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung provocando imagens na nossa mente.