Avalanche Tricolor: a imortalidade ainda sabe jogar

Atlético-MG 1 x 1 Grêmio
Copa do Brasil — Arena MRV, Belo Horizonte (MG)

Gremio x Atletico-MG
Carlos Vinícius cabeceia e faz o gol de empate Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Eram 40 mil torcedores gritando contra. Do outro lado, um adversário traiçoeiro, acostumado às viradas. Houve sinalizadores arremessados no gramado e fumaça atrapalhando a visão. O temporal encharcou o campo sintético. Até as luzes dos refletores piscaram, como se ameaçassem apagar diante do que acontecia na arena mineira.

O Grêmio ignorou as intempéries — como tantas vezes fez ao longo de uma história que não nos deixa esquecer quem somos. Resistiu à pressão. Nem o gol sofrido na metade do primeiro tempo, que em outras circunstâncias poderia tornar o adversário imparável, abalou nossa defesa.

Doze minutos depois, o Grêmio foi ao ataque. Amuzu escapou e obrigou o zagueiro a fazer a falta. Da cobrança, ainda na intermediária ofensiva, nasceu o empate. Noriega, o Samurai Tricolor, lançou a bola na área, onde uma penca de defensores cercava Carlos Vinícius, o Pastor. Ele foi maior do que todos. Atropelou quem teve o atrevimento de se colocar entre ele e seu destino, subiu mais alto e desviou de cabeça para o fundo da rede.

Assim como na nossa Arena, aproveitamos todas as bolas que foram em direção ao gol. No primeiro jogo, duas bolas, dois gols: Carlos Vinícius e Samurai — opa, Noriega. Na partida de volta, bastou uma. O empate confirmou a passagem à final da Copa do Brasil.

O sistema defensivo também fez a sua parte. No primeiro tempo, deu mais espaço do que gostaríamos. No segundo, foi impecável. Weverton no gol dispensa comentários. Wallace, Kannemann e Balbuena foram gigantes. Noriega e Villasanti protegeram a entrada da área, especialmente depois da entrada de Dodi. João Pedro e Marlon cumpriram suas funções nas laterais, quando tiveram o apoio de Enamorado e Amuzu. Carlos Vinícius foi um guerreiro no ataque, sempre atento ao cheiro do gol.

Nas semifinais da Copa do Brasil, o Grêmio foi eficiente. Não foi brilhante nem deu espetáculo. Não era essa a missão. O time se propôs a lutar — como já havia feito na etapa anterior, quando eliminamos nosso arquirrival.

Agora, estamos na final!

Antes da decisão, porém, teremos um desafio ainda mais urgente: em quatro jogos pelo Campeonato Brasileiro, somar pontos suficientes para sair daquela zona que você sabe qual é e eu não me atrevo a chamar pelo nome. Agora com o prêmio extra de nos permitir estar na Libertadores em 2027.

A classificação devolve a confiança que se perdeu ao longo da temporada, entre resultados e atuações ruins no Brasileiro. A derrota no meio da semana, pelo modo como a aceitamos, levantou dúvidas sobre o nosso futuro na competição. A vaga na final, porém, mostra que a imortalidade que nos consagrou no passado ainda sabe jogar no presente.