Educação para criança surda-muda é possível

 

Gabriel com Márcia Furquin

A história de um menino surdo-mudo foi destaque na conversa de toda segunda-feira com Cid Torquato, no Cidade Inclusiva. Gabriel, 14 anos, estuda na Escola Municipal de Educação Especial Helen Keller, conhecida na capital paulista por sua habilidade em trabalhar com estudantes surdos. Ele está no terceiro ano do ensino fundamental, convivendo com crianças da idade dele e espaço adaptado para o desenvolvimento de diversos projetos que ajudam no desenvolvimento e na inclusão educacional.

Por não enxergar as gravuras, Gabriel teve a colaboração da professora Márcia Furquin e montou livros táteis com material que transmite a sensação dos ítens que estão nos desenhos. Árvores, por exemplo, surgem com cascas de tronco e folhas colados; para representar as escamas do peixe, paetês, enquanto a água é representada por gel.

De acordo com a descrição recebida por Cid Torquato, há mais material construído para tornar possível a comunicação com Gabriel. Um calendário na sala de aula ajuda o menino a acompanhar os dias da semana e a passagem dos meses; há ainda outro com o nome dos colegas e figuras que identificam se é menino ou menina.

A presença de Gabriel é um aprendizado para ele e para todos os demais que compartilham o seu desenvolvimento educacional. Segundo Torquato, a maior dificuldade para a criação de uma estratégia pedagógica para crianças surdas-cegas é a falta de experiência nesta área, a medida que são poucos os alunos – calcula-se de 250 a 300 no máximo – com esta deficiência.

Ouça o comentário de Cid Torquato no CBN São Paulo

Um final feliz para Luciana de Viver a Vida

 

Alinne Moraes no papel da tetraplégica Luciana

Casal no altar, pais reconciliados, viciado sorrindo pela recuperação e o vilão pagando seus pecados na cadeia para delírio da torcida. A síndrome do Final Feliz que contamina os autores de novelas está sob ameaça na recém-iniciada Viver a Vida, da TV Globo, graças ao destino traçado à personagem Luciana, modelo que após acidente ficou tetraplégica. A curiosidade é que a preocupação de que o autor Manoel Carlos decida “curar” Luciana no último capítulo é de parentes e profissionais ligados a pessoas com deficiência.

Desde a confirmação da sequela deixada pelo acidente de ônibus, tenho recebido mensagens de pais de jovens com deficiência, filhos que cuidam de pais que sofreram lesões de extrema gravidade na coluna e profissionais de saúde que se deparam com esta realidade diariamente. Temem que a hipocrisia leve a novela a apresentar uma transfusão mágica ou uma cirurgia milagrosa para “salvar” a vida da menina bonita.

Há duas semanas, ocomentarista Cid Torquato, do Cidade Inclusiva, anunciou no CBN São Paulo, o destino de Alinne “Luciana” Moraes, que ainda fazia o papel de modelo de passarela disputando beleza com a colega Helena que casou com o pai dela, Marcos. Ele foi afirmativo ao dizer que ao contrário de outras novelas, Manoel Carlos estava disposto a mostrar a realidade na vida de pessoas com tetraplegia, sem apresentar falsas esperanças.

“Quando encaramos a verdade, fica mais fácil agir naturalmente e é essa verdade dos fatos que faz com que o deficiente encare a sua realidade e passe a exigir respeito, a exigir o compromisso das autoridades frente aos tratamentos e, principalmente, faz com que o próprio deficiente tenha acima de tudo amor próprio e o respeito por si”. A opinião é da ouvinte-internauta Suely Rocha.

Em Viver a Vida, o final feliz não está na descoberta da cura de uma deficiência que limita o movimento do corpo, mas no combate ao preconceito que restringe a inclusão de um cidadão.

Só agora Santo André tem ônibus para deficiente

Por Adamo Bazani

Comil 1, ônibus adaptado para deficientes em Santo André


Parece incrível. Uma cidade do porte de Santo André, no ABC Paulista, com mais de 600 mil habitantes, só agora apresentou a população ônibus adaptados para pessoas com deficiência (com elevador e banco para obesos). Antes tarde do que nunca, como diria o velho jargão.

Nesta quarta-feira, com exclusividade, o Blog presenciou a entrega dos veículos. São os primeiros do Consórcio União Santo André. Na cidade, só havia dois ônibus, da Expresso Guarará, Caio Millenium II, com a adaptação, mas a empresa não participa do Consórcio. São 11 ônibus encarroçados pela Comil, modelo Svelto, Chassi Mercedes Benz, OF 1418. Eles vão operar linhas da de apenas uma empresa do consórcio formado por seis viações: a Viação Vaz.

“A empresa investiu cerca de 3 milhões de reais na compra dos veículos. Além de preparar os motoristas para operar os elevadores e os componentes, preparamos também para o convívio e atendimento aos deficientes que são cidadãos comuns como todos” – disse Gustavo Augusto de Souza Vaz, diretor da Viação Vaz, que opera cinco linhas na cidade.

Renata, primeira motorista da empresaAlém de apresentar os novos ônibus, a empresa contratou sua primeira mulher motorista: Renata Nogueira, de 37 anos.

“Trabalho há cinco anos dirigindo ônibus, nas Viações Imigrantes, Julio Simões, Veneza e Auto Viação ABC, mas para mim é um orgulho trabalhar com o deficiente, e ser a primeira mulher motorista de uma empresa” – conta Renata. A Viação Vaz vem da Viação Padroeira do Brasil, empresa que operava em Santo André desde os anos 40 e tinha apenas motoristas homens. A empresa Vaz assumiu a Viação Padroeira, trocando de nome, em 2002.

O gerente comercial da Comil, Fabrício Tascine, afirma que a estratégia da empresa é retomar mercado em São Paulo. Para isso, anunciou um Comil modelo Svelto Midi, um micrão com proporções menores que os apresentados em Santo André, no dia 1º de Julho.

“Nossa empresa conta com colaboradores especializados em adaptar os veículos. Já era mais que hora de isso acontecer. Desde o menor ônibus ao maior, hoje podemos oferecê-los com acesso a quem tem mobilidade reduzida. Afinal, o deficiente não precisa do transporte só para ir ao hospital. Ele tem o direito de trabalhar, passear e estudar, usando o transporte público”.

Já o representante de revenda da Mercedes Benz do Brasil, em São Paulo, Paulo Mendonça, afirmou que a marca vai se dedicar ao aprimoramento de chassis que atendam ao deficiente. “Independentemente do tamanho dos ônibus, grande, convencionais, midis ou micros, a idéia é priorizar o deficiente. Eu trabalho há mais de 30 anos no ramo e a mentalidade do empresário e do poder público em relação a isso mudou muito, e pra melhor. Seja carro com piso rebaixado ou com elevador, a demanda para tornar o deficiente mais incluso nas cidades é felizmente cada vez maior”

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E mais Paulista

Placas na Paulista

A nova sinalização na Avenida Paulista atende a demanda de pedestres que reclamavam da dificuldade para identificar o nome das ruas. A placa ficará nos protetores de ferros colocados nas esquinas, conforme imagem acima. “Aproveitamos e inserimos as primeiras plaquinhas em braile com todos os dados da rua”, explica Regina Monteiro, da Emurb. Segundo ela o projeto é um antigo sonho do órgão que pretende estender à toda cidade de São Paulo

Faça seu site acessível a todos

A preocupação para que os sites sejam acessíveis às pessoas com deficiência tem aumentado nos últimos tempos, conforme constatou o comentarista do Cidade Inclusiva, Cid Torquato. Recentemente, no CBN SP ele trouxe algumas fontes importantes para quem pretende adaptar sua página na internet e dar acesso a milhares de pessoas ansiosas pelo direito à inclusão.

A maior referência internacional é a ONG W3C cujo site do capítulo brasileiro é o www.w3c.br. Outro endereço que cabe ser visitado é o Acessibilidade Legal mantido pelo deficiente visual Marco Antonio de Queiroz que atende pelo sugestivo apelido MAQ.

A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoas Com Deficiência tem um portal acessível como não poderia deixas de ser. Apesar de que mesmo órgãos que tratam da causa do deficiente costumam provocar situações constrangedoras. De acordo com Elza Ambrósio, responsável pelo portal da Secretaria explica que  “empregamos o padrão web de acessibilidade e usabilidade com recursos que contemplam aumento de fonte para usuário com baixa visão, contraste que atende principalmente a pessoa daltônica, acessibilidade para diferentes leitores de tela, vídeos legendados que atendem à pessoa surda dentre outros”.

Ouça aqui o comentário de Cid Torquato sobre “sites acessíveis”

Ouça mais informações sobre acessibilidae no comentário Cidade Inclusiva RJ, por Gerogette Vidor

Foto-ouvinte: Vai encarar !

Cadeirante na rua

A calçada destruída e a falta de respeito impõem aos cadeirantes uma só opção se quiserem passar por este trecho na avenida Anhaia Mello, na Vila Prudente, zona leste da capital paulista: disputar espaços com os carros. É o que conta e mostra nesta foto o ouvinte-internauta Henrique Boney.

Foto-ouvinte: Assento inclusivo

Assento para obeso no Metrô

Os assentos azuis começam a ganhar destaque nas estações de Metrô de São Paulo e foram instalados com a intenção de atender as necessidades de pessoas obesas. A ideia é espalhar 350 bancos desses em 113 trens e nas plataformas das suas 55 estações. Os que se destinam aos obesos tem o dobro do tamanho dos assentos normais como se nota na imagem feita pelo ouvinte-internauta Daniel Aveiro. A cor azul passará identificar, também, os bancos específicos para pessoas da terceira idade, grávidas e mulheres com crianças no colo, substituindo a atual coloração cinza. Desta forma, o Metrô passa atender o padrão universal indicativo para pessoas com deficiência.

Moda inclusiva ganha destaque na televisão

Cid Torquato

O comentarista do quadro Cidade Inclusiva Cid Torquato foi personagem de reportagem publicada pelo Jornal da Record, segunda-feira, inspirada em tema discutido no CBN São Paulo, há duas semanas. A moda inclusiva, foco de concurso promovido pela Secretaria Estadual da Pessoa com Deficiência,  de São Paulo, ganhou espaço de destaque no principal telejornal da emissora. A necessidade de estilistas desenvolverem roupas para cadeirantes ou agregarem informações em braile nas etiquetas para facilitar a vida dos deficientes visuais foi relatada no depoimento do Cid e demais convidados.

Cidade Inclusiva: Criatividade na campanha pela inclusão

No bate-papo dessa segunda-feira, no Cidade Inclusiva, com o Cid Torquato, citamos a campanha do Governo Federal em favor da inclusão com o tema Iguais na Diferença que está rodando na internet. O filme criado pela Propeg para a Secretaria de Comunicação Social e Secretaria Especial dos Direitos Humanos é embaldo pela música “Condição” de Lula Santos e utiliza recursos que facilitam o acesso às pessoas com deficiência visual e auditiva: audiodescrição, ativado pela tecla SAP do televisor, e narração em libras e legenda. Neste último caso, com muita criatividade pois o texto foi inserido nas situações vivenciadas no filme. Outro aspecto interessante foi o meio explorado pela Presidência da República para divulgação do vídeo, publicando-o no You Tube. Está mais do que na hora de o poder público saber explorar os meios digitais que tendem a ser mais baratos do que a mídia tradicional.A letra de “Condição” parece feita sob encomenda. Acompanhe:

Eu não sou diferente de ninguém
Quase todo mundo faz assim
Eu me viro bem melhor
Quando tá mais pra bom que pra ruim

Não quero causar impacto
Nem tampouco sensação
O que eu digo é muito exato
E o que cabe na canção

Qualquer um que ouve entende
Não precisa explicação
E se for pensar um pouco
Vai me dar toda razão

A senhora, a senhorita e também o cidadão
Todo mundo que se preza
Nega fogo não

Eu não sei viver sem ter carinho
É a minha condição
Eu não sei viver triste e sozinho
É a minha condição
Eu não sei viver preso ou fugindo

Cidade Inclusiva: Moda para todos

A calça para o cadeirante não deve ter bolsos atrás e a costura tem de ser mais confortável. A camisa para o deficiente visual tem de ter identificação em braile. O blazer para o terno do executivo portador de deficiência tem de estar adaptado a necessidade dele. A estilista Daniela Auler que há 15 anos trabalha com moda, no Brasil, foi seduzida por esta ideia e quer incentivar seus colegas a enxergarem este segmento no mercado: a moda inclusiva.

Em São Paulo, a secretaria dos Direitos de Pessoa com Deficiência promove o Concurso Moda Inclusiva no qual estudantes são convidados a apresentar proposta para atender às demandas de portadores de deficiência. O Brasil tem 24,6 milhões de pessoas nestas condições, o que transforma este um mercado consumidor bastante expressivo, como chamou atenção o comentarista Cid Torquato que apresenta “Cidade Inclusiva”, no CBN SP, às segundas-feiras.

As inscrições para o concurso podem ser feitas até abril pelo site da secretaria dos Direitos de Pessoa com Deficiência .

Ouça a entrevista com a estilista Daniela Auler

Para enviar sugestões e comentários sobre o programa Cidade Inclusiva escreva para cidadeinclusiva@cbn.com.br