Avalanche Tricolor: ainda bem que no primeiro turno nós goleamos

 

Inter 1 (0) x (5) 0 Grêmio
Brasileiro – Beira Rio

 

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A grandeza de nossos feitos pode ser medida pelo esforço do inimigo em nos vencer.

 

Lembrei-me dessa verdade enquanto assistia ao clássico deste domingo, em Porto Alegre, apesar de não gostar muito de trabalhar com essa dicotomia quando trato do futebol, esporte que já foi palco de intolerância e mortes. Amigos e inimigos. Vida ou morte. Paz e guerra. É sempre perigoso usar essas expressões quando estamos diante de pessoas que nem sempre são capazes de compreender que a co-existência de paixões e opiniões é possível.

 

Feita a ressalva, volto ao futebol propriamente dito. Hoje era perceptível a necessidade que o adversário tinha de ganhar, uma questão de sobrevivência. De honra, talvez. Especialmente após a goleada retumbante que levou no primeiro turno, 5 a 0 – repito o placar para caso você já tenha esquecido. Não esqueceu, né?

 

Se jogávamos apenas futebol – ou tentávamos jogar futebol, pois deixamos muito a desejar, tendo como referência a qualidade do jogo que apresentamos até aqui neste campeonato -, do outro lado havia alguém jogando a vida. E talvez isto tenha feito diferença nas bolas divididas, na força imposta para superar o marcador, na insistência em chegar ao gol mesmo com a falta de talento.

 

É claro que para o torcedor um Gre-nal nunca é apenas um Gre-nal. Queremos ganhar todos, um atrás do outro, em casa ou fora e de goleada sempre, apesar de que estas costumam acontecer só de vez em quando e, ultimamente, a nosso favor.

 

A segunda-feira é sempre mais dolorida quando não é o nosso time que vence o clássico. Mas não se preocupe, caro e raro leitor gremista deste blog, se servir de consolo, nesta segunda-feira, aqui em São Paulo, a dor será bem maior para outros tricolores. Seis vezes maior.

 

Perdão, lá estou de novo falando em goleada.

 

É que isso não me sai da cabeça e parece que também não sai da cabeça do adversário, pois comemorou a vitória por um a zero de hoje como se tivesse ganhado a Copa do Mundo. Fez volta olímpica? Foi o que ouvi o locutor da televisão dizer. Deve ser exagero desse pessoal da crônica esportiva.

 

Para o Grêmio, o resultado atrasou o carimbo definitivo no passaporte para a Libertadores que, como você já sabe, é o nosso grande objetivo. Pelos meus cálculos é necessário apenas mais um ponto nos dois próximos jogos. Dadas as circunstâncias, até arriscaria dizer que do jeito que está já chegamos lá, pois mesmo que o Gremio não marque um só ponto e os adversários ganhem todas suas partidas, ainda teriam de golear em seus jogos, devido a grande vantagem no saldo de gols gremista.

 

Goleada? Desculpe-me, teimo em repetir a palavra que ainda soa mal no ouvido de alguns amigos gaúchos. Prometo não repeti-la mais até porque está na hora de me recolher e me preparar para a semana que se inicia. E, também, porque do Grêmio de hoje tenho muito pouco a escrever, já que, vamos ser sincero, deixamos a desejar.

 

Ainda bem que no primeiro turno nós goleamos, ops!

 

A foto deste post é do álbum Grêmio oficial, no Flickr

Avalanche Tricolor: Pai, obrigado!

 

Grêmio 5×0 Inter
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Time comemora a goleada no Gre-Nal (Foto álbum oficial do Grêmio no Flickr)

Time comemora a goleada no Gre-Nal (Foto álbum oficial do Grêmio no Flickr)

 

Fui cedo à igreja como sempre faço aos domingos. E na igreja que vou o padre é gremista. Não todos, mas o que reza as missas nas manhãs de domingo, José Bertolini, de quem já bem falei nesta Avalanche, o é. Para que não haja dúvida, ratifico, também, o que já escrevi por aqui: não vou a igreja porque ele é gremista nem por causa do futebol. No campo em que a bola rola, nossos deuses são profanos e nossas atitudes nem sempre são santas. De qualquer forma, é bom encontrá-lo por lá, pois fico sempre a espera de um cumprimento na porta da capela. Assim que cheguei, acenou com a mão aberta e os cinco dedos à mostra para em seguida balbuciar: e hoje, heim?! Que façamos por merecer, respondi de bate-pronto.

 

Lá dentro, na dinâmica que emprega, Bertolini aproveitou a data especial (e me refiro ao Dia dos Pais) para convidar os fiéis a falarem sobre seus pais. Antecipei-me na jogada, tomei o microfone e com duas palavras defini o meu, que você, caro e raro leitor desta Avalanche, já conhece muito bem, como incentivador e inspirador. Motivos não me faltam para descrevê-lo desta maneira e poderia, talvez, exemplificar com a escolha profissional que fiz, seguindo seus passos na carreira. Ou, ainda, lembrar as centenas de vezes em que esteve ao meu lado, sofrendo em cada jogada que me envolvia nas partidas de basquete e de futebol, esportes que pratiquei por muitos anos.

 

Hoje, porém, permita-me falar sobre apenas um dos aspectos que o tornaram tão especial para mim: a crença de que eu deveria ser gremista. Foi meu pai quem me guiou pela mão em direção ao Estádio Olímpico quando eu tinha seis anos de vida. E o fez usando sua autoridade de pai, pois percebeu que um primo de segundo grau tentava seduzir-me e levar-me a torcer para o time que, naquele ano, inaugurava seu novo estádio e quebrava sete temporadas seguidas de hegemonia regional do Grêmio. Fosse nos dias de hoje talvez sua atitude tivesse sido condenada, mas ao me ver com a bandeira do adversário na mão, tirou-a de mim e me passou um corretivo. Nada como um pai convicto de suas decisões e disposto a tudo para colocar o filho no caminho correto.

 

Neste domingo, foram intensas as lembranças provocadas graças a atitude de meu pai.

 

Lembrei de meu pai e a atitude dele ao ver nosso time trocar passes – olha eu aqui mais uma vez enaltecendo o passe – com precisão, rapidez e criatividade.

 

Lembrei de meu pai e a atitude dele ao ver nossos jogadores marcando com a força e a prudência necessárias para impedir que o adversário jogasse.

 

Lembrei de meu pai e atitude dele ao ver Marcelo Grohe comemorando com os punhos cerrados um das poucas vezes em que foi exigido.

 

Lembrei de meu pai e a atitude dele no golaço com o pé esquerdo de Giuliano, no segundo e no terceiro gols com o pé direito de Luan, no quarto marcado após o drible em velocidade de Fernandinho e no quinto em que o adversário capitulou jogando contra sua própria rede.

 

Lembrei dele até no pênalti desperdiçado (sim, a goleada poderia até ser maior), pois me ensinou que nada está perdido enquanto se tem dignidade para lutar. E que força o Grêmio demonstrou na partida desta noite!

 

Foram tantas as lembranças e alegrias nesta goleada dominical, proporcionadas pelo caminho oferecido por meu pai, lá em 1969, que só posso encerrar esta Avalanche com um agradecimento:

 

Pai, obrigado por eu ser gremista!

Avalanche Tricolor: ganhamos deles de goleada!

 

Inter 0 x 0 Grêmio
Campeonato Gaúcho – Beira Rio/POA-RS

 

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Tenho orgulho de ser gremista. Talvez fosse até dispensável dizer isso, afinal quem lê esta Avalanche ou, minimamente, acompanha minha carreira no rádio sabe bem de quanto torço para o Grêmio. Cresci próximo do estádio, aprendi a jogar futebol no campo de terra nos fundos do Olímpico e, por mais de dez anos, vesti a camisa 13 do time de basquete, treinando no ginásio sem teto que ficava ao lado. Nas arquibancadas do Monumental chorei por títulos conquistados e perdidos. Costumava chorar muito até porque sempre fui passional e me emocionava com facilidade. Ao começar minha vida como jornalista, em 1984, fui repórter de esportes da Rádio Guaíba e, como tal, fui escalado várias vezes para trabalhar como setorista do Internacional. Lembro de uma vez ter chegado ao velho Beira-Rio e uma foto minha com a camisa de basquete tricolor estar estampada no quadro de avisos da sala de imprensa. Havia sido recortada de reportagem que registrava meus dez anos de basquete, publicada no jornal editado pelo departamento de imprensa do Grêmio. Era brincadeira de colegas, no Inter. Talvez pelo meu profissionalismo, espero que seja isso, sempre fui muito respeitado, apesar de todos saberem da minha paixão.

 

Meu fanatismo pelo Grêmio nunca influenciou a relação com meu círculo de amigos, também. Um dos poucos que mantenho até hoje, desde os tempos de infância, é o Paulinho, que, aliás, jogou ao meu lado no time de basquete. Ele era colorado. Perdão! Ele é colorado, muito colorado! Filho do seu Valdemar e da dona Terezinha e irmão da Verinha, tudo gente muito boa e de um carinho contagiante. Preservamos a amizade mesmo eu tendo vindo para São Paulo, em 1991, e ele permanecido em Porto Alegre. Nas vezes em que visita à capital paulista a trabalho costumamos dividir uma garrafa de vinho para lembrar alguns momentos que vivenciamos em parceria no Sul. O futebol, apesar de nossas diferenças evidentes, sempre nos uniu, pois era motivo de gozação mútua. Se não me falha a memória, neste tempo todo, tirei mais sarro da cara dele do que ele da minha. Ou teria sido ao contrário? Coisa ruim a gente não lembra!

 

Cheguei a ver com o Paulinho algumas partidas de futebol juntos lá no Olímpico. Jamais um Gre-Nal. Nunca tivemos oportunidade de dividir arquibancada em um clássico por motivos mais do que óbvios. Gostaria de ter estado ao lado dele hoje à tarde no Beira-Rio e participado deste fato que chamou atenção de todos, em um momento de reação à estupidez que domina os estádios brasileiros. Tomara que esteja em Porto Alegre no próximo Gre-Nal e tenha a chance de convidá-lo a ver o jogo comigo na Arena. Ver gremistas e colorados lado a lado vibrando a cada chute a gol, sofrendo a cada risco de gol e xingando o juiz que impediu o gol foi, sem dúvida, marcante. Apesar do comportamento violento de uma minoria que se traveste de torcedor para revelar suas frustrações, fiquei feliz em saber que existem pessoas capazes de compartilhar suas paixões clubísticas sem enxergar nisso uma ofensa ao adversário. E mais feliz ainda em ver que este exemplo surgiu na minha terra natal. Espero que a ideia avance e vença a intolerância. Que não seja ato isolado, mas o início de uma transformação nos estádios.

 

O empate em 0 a 0 talvez tenha sido providencial, pois nada em campo poderia ser mais importante do que a vitória da civilidade. Desta vez, ganhamos deles de goleada, Paulinho!

O importante em uma amizade é saber conservá-la

 

Dos amigos

 

Dos amigos que ficaram dos tempos do Rio Grande do Sul – e saiba que foram muitos tempos, pois troquei o estado natal por São Paulo apenas em 1991, por necessidades profissionais -, tem um que me acompanha desde lá, mesmo que nossos encontros e conversas sejam raros. Paulinho, que é como teimo em chamá-lo a despeito da idade e da responsabilidade que lhe permite estar há 21 anos em uma das maiores forjarias do Brasil, ficou em Porto Alegre, enquanto eu, de mala e sem cuia, me despachei para a capital paulista em história que você, caro e raro leitor deste blog, deve conhecer minimamente, pois já a relembrei várias vezes – se um dia você quiser, desconfio que não queira, dedico outro post para escrever sobre aquela decisão que foi definidora na minha vida. Desde que deixei o Sul, chegamos a passar anos nos falando por telefone e apenas no dia de nossos aniversários. O dele, curiosamente, é dos poucos que não preciso anotar na agenda para lembrar: dia 2 de janeiro – apesar de os amigos sempre terem desconfiado que ele nasceu um pouco antes,e o pai, já prevendo a carreira esportiva que o guri se dedicaria, o registrou dias depois, o que lhe renderia um ano de vantagem. Essa história, claro, sempre ficou no campo da especulação jocosa dos amigos mais próximos, mesmo porque Seu Valdemar, o pai do Paulinho, é homem de uma correção que pouco se vê por aí.

 

Mesmo que nossos contatos sejam esparsos, quase toda vez que Paulinho vem a São Paulo, por compromissos profissionais, tentamos um encontro. Nem sempre é possível devido as diferenças de agenda e esta necessidade que tenho de estar cedo na cama para madrugar no dia seguinte, na rádio. O bom das férias é que podemos esquecer o relógio e, mesmo que o avião atrase e o trânsito atrapalhe, se pode esperar os amigos até a hora em que ele chegar, como aconteceu ontem à noite, quando o recebi para jantar. Como sempre, excelente oportunidade para atualizar as notícias da vida e relembrar passagens vividas juntos, especialmente porque ele foi meu companheiro de basquete, de namoros, de viagem – a maioria das vezes para Pinhal, no litoral gaúcho, ou para Garopaba, no catarinense -, e de muitas outras coisas que costumamos fazer na adolescência e juventude. Paulinho era mais sério e metódico; eu, menos organizado, me adaptava mais aos hábitos dele; ambos casamos mais ou menos na mesma época e tivemos filhos com a mesma idade; ele se separou de uma amiga da adolescência, casou de novo e hoje tem mais uma menina. Eu estou com dois meninos. Ao contrário dos pais, os filhos pouco se conhecem.

 

Por estranho que possa parecer, especialmente àqueles que desconhecem a tolerância e para os que vivem de esteriótipos, ele é colorado e eu, você já sabe, sou gremista. Diferença clubística que mais nos aproximou do que dividiu, pois as conquistas de um e de outro serviam para nos divertir, um dia em favor de um, um dia em favor de outro. Bem verdade que houve momentos em que o melhor era aguardar alguns dias antes de conversar com o amigo, mas nada que tivesse nos separado em definitivo. Para atrapalhar ainda mais o julgamento dos descrentes, apesar dele ser torcedor do Inter, desses de comparecer na arquibancada ao lado da família, fomos colegas de basquete no Grêmio, onde joguei por 13 anos, e a preferência dele pelo co-irmão não o impedia de brigar em quadra pela vitória. Até há alguns anos, ele guardava no apartamento, em Porto Alegre, uma camisa de basquete tricolor que acabou me presenteando por entender que estaria mais bem venerada na minha casa em São Paulo. Mal imaginávamos que aquela troca de endereço seria fatal para o destino da camisa de manga de regatas com o símbolo do Grêmio no peito e o número 12 nas costas. Ao ter a casa invadida por bandidos, a camisa foi roubada (assim como todo o restante da coleção, a bandeira oficial e a medalha de campeão da Copa do Brasil; além de outros objetos como menor valor sentimental tais como computadores, televisão, roupas, etc).

 

É difícil entender o que faz duas pessoas se transformarem em amigos e, principalmente, o que as faz permanecer nesta amizade mesmo com suas diferenças e distâncias. Muitos em condições parecidas se foram sem deixar história ou saudade. Às vezes, as facilidades de acesso e busca no Facebook forjam reencontros que logo se revelam fugazes. Deve haver alguma explicação baseada na filosofia ou na psicologia, porém o mais importante em uma amizade não são os motivos que a justificam, mas a própria existência dela. Portanto, conserve-a.

 

A foto que ilustra este post é do álbum de Davi_Vazquez, no Flickr

Avalanche Tricolor: uma goleada e uma grande ironia

 

Grêmio 4 x 1 Inter
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Com tantos gols assim, confesso, não sei por onde começar. Pelo primeiro, pelo segundo, pelo terceiro ou pelo quarto gol? Talvez pelo fim do jogo? É isso aí, até porque só no último apito do juiz é que percebemos que a vitória não apenas nos colocava no Grupo da Libertadores, mas, também, nos elevava a melhor posição que já ocupamos neste campeonato. E um terceiro lugar conquistado com exagerada dose de ironia. Sim, porque o time dos três volantes, às vezes quatro; do técnico retranqueiro, que tem como único mérito apontado pela crítica tomar poucos gols; de meio campo com futebol limitado e ataque pouco produtivo; destaca-se na tabela de classificação ou porque tem saldo de gol melhor ou porque tem número de vitórias maior.

 

(Gol do Grêmio!)

 

A ironia vai muito além, pois chegamos a esse ponto, a cinco rodadas do fim da competição, graças a uma goleada e no clássico regional. Sim, o time dos três volantes, às vezes quatro; do técnico retranqueiro … (ok, o resto você já sabe); marcou quatro gols em uma só partida, fora o baile. Digo isso sem culpa, pois não nos limitamos a desarmar o time adversário – e o fizemos muito bem, a tal ponto que a turma do lado de lá só apareceu na foto na hora de brigar. Jogamos ofensivamente, trocando bola com rapidez, lançando com velocidade, cruzando e chutando muito mais do que estamos acostumados.

 

(Opa, mais um gol do Grêmio!)

 

Você, caro e raro gremista que lê esta Avalanche, também foi alvo das muitas ironias que marcaram esse Grenal. Ou vai me dizer que nunca reclamou da presença de Ramiro no meio de campo? Tenho um amigo aqui em São Paulo, o Sílvio, gremista como nós, que sempre liga após as partidas. Nos últimos meses tem perguntando insistentemente o que faz de Ramiro titular do Grêmio. Não o culpo. Muitos outros têm a mesma dúvida. As estatísticas explicam parte desta preferência de Luis Felipe Scolari, pois ele é o jogador do Grêmio que mais acerta passes e um dos que mais roubam bola do adversário. Hoje, foi além dos números: fez o seu gol ao aparecer sozinho dentro da área e receber passe preciso de Luan.

 

(Gol do Grêmio de novo!)

 

Fique tranquilo: eu também fui vítima da ironia. Assim como parte dos torcedores, reclamei a bola presa nos pés de Luan quando, aparentemente, podíamos disparar no contra-ataque; esbravejei nos passes sem destino que se transformaram as primeiras jogadas dele; soquei o sofá quando sua lentidão o levava a ser desarmado pelo adversário. E, sem medo da contradição, adorei o gol cala-boca que fez ao chegar com velocidade, antes de todos os outros atacantes, na cara da goleira para receber o passe depois de excelente jogada de Dudu, que não apenas roubou a bola na intermediária como tabelou com Barcos, desconsertou o marcador e ofereceu de presente o gol que abriu a goleada desse domingo.

 

(O quê? Mais um gol do Grêmio!)

 

Irônico ainda foi saber que o jogador que menos jogou foi o que mais fez gols. Alan Ruiz entrou no segundo tempo, ficou apenas 15 minutos em campo e marcou duas vezes: na primeira, empurrou a bola para dentro do gol de cabeça, depois de cobrança de falta de Zé Roberto; na segunda, recebeu o passe de Giuliano e deixou seu marcador sentado no chão antes de chutar. Nos dois comemorou da mesma maneira e do mesmo lado do campo, com sorriso no rosto e mãos em forma de coração voltadas para as arquibancadas – onde, diz, estariam seus parentes. A consagração da goleada, porém, incomodou o adversário que foi reclamar do que entendeu ser uma ironia do nosso argentino.

 

E não é que era mesmo: a nossa vitória foi uma grande ironia; e uma grande goleada, também.

 

(Mais gol? Não, agora é da Chapecoense)

Avalanche Tricolor: Parabéns ao Inter!

 

Inter 4 x 1 Grêmio
Campeonato Gaúcho – Centenário (Caxias do Sul)

 

Você, caro e raro leitor deste Blog, talvez estranhe o título desta Avalanche sempre disposta a identificar do lado gremista méritos, inclusive quando estes praticamente não aparecem. A paixão que tenho pelo Grêmio, declarada desde sempre e escancarada em qualquer oportunidade que surge, me faz, mesmo diante dos maiores fracassos, fechar os olhos para nossas fraquezas e identificar como heróicos lances insignificantes. Quantas vezes, você já deve ter colocado em dúvida minha razão por elogios ao chutão que despacha a bola pela lateral, ao carrinho destemido de um dos volantes, à coragem do atacante que, isolado, briga aos trancos e barrancos com seus marcadores. Nunca fiz questão de escrever estas linhas com a razão, prefiro deixar este papel para os entendidos em futebol, aqueles que enxergam os times pela formação tática e posicionamento em campo, que tentam dar lógica para movimentos de um jogo que é, na essência, improvisação. Eles é que têm de justificar o bom e o mau futebol, apesar de muitas vezes não me convencerem com o que dizem e escrevem. Seja lá como for, não estou aqui para reclamar dos comentaristas, e é bom voltar logo para a origem desta minha conversa, antes que você abandone meu texto imaginando que esteja sofrendo alucinações (convenhamos, não faltariam motivos para tal). Estou aqui é para justificar a manchete deste post em espaço sempre destinado ao azul, branco e preto. E o farei com mais precisão e sem delongas no parágrafo seguinte.

 

O Inter fez por merecer o título que conquistou em mais esta temporada do futebol gaúcho. Desde o início da competição liderou seu grupo com boa vantagem em relação a seus adversários diretos, a ponto de encerrar a fase inicial com a melhor pontuação, o que lhe ofereceu o direito de jogar as partidas finais em casa, se não em sua própria casa, que passa por reformas, ao menos naquela que escolheu jogar. Apesar de não ter os números em mãos, e prefiro não acessar os sites de futebol para confirmá-los (peço-lho licença para não fazer isto neste fim de domingo, por razões que me parecem óbvias), sei que o melhor ataque do campeonato foi o colorado; se não teve a melhor defesa em número de gols tomados, era, sem dúvida, a mais bem postada e organizada. Chegou à decisão tendo vencido todas as partidas nas quais disputou com o time titular, a única derrota em toda a competição foi quando atuou com os reservas. Foi assim até a final, onde fez dois jogos impecáveis. O primeiro venceu de virada na casa do tradicional adversário e o segundo, desfilou em campo. Como diriam os mais antigos do futebol, fechou com chave de ouro e fez a volta olímpica no Estádio Centenário, de Caxias do Sul, no interior, diante de pouco menos de 20 mil torcedores. O Inter foi grande no campeonato estadual e mereceu ser campeão pela quarta vez consecutiva, no Rio Grande do Sul. Poderia até ser rebatizado de Interregional.

 

O Grêmio segue firme e forte na Libertadores.

Avalanche Tricolor: uma paixão que não se apaga

 

Inter 2 x 2 Grêmio
Brasileiro – Centenário/Caxias (RS)

 

 

O clássico Gre-Nal, como é conhecida a disputa entre Grêmio e Internacional, no Rio Grande do Sul, sempre foi apaixonante. Não por acaso, pesquisa recente que mediu o fanatismo dos torcedores, citada na última Avalanche deste blog, colocou o Grêmio em primeiro lugar, seguido de seu rival mais direto. As torcidas dos dois clubes gaúchos superaram até mesmo a paixão daquelas que são consideradas as maiores do Brasil. A vitória no Gre-Nal é capaz de se sobrepor a qualquer campanha sofrível na temporada. Ao fim e ao cabo, mesmo com resultados capengas, o torcedor vitorioso olha para o adversário e tasca: “da gente vocês não ganharam”.

 

Estes 22 anos vividos em São Paulo, me distanciaram dessa que é a maior rivalidade no futebol brasileiro. Cheguei a ensaiar a tese de que, para mim, muito pior é enfrentar o Corinthians, pois moro na cidade em que o rival predomina. Um revés que seja é suficiente para ter de suportar a flauta do adversário. Onde você pisa por aqui vai encontrar um corintiano devidamente paramentado com camisa, bandeira ou seja lá qual for o adereço fazendo alusão ao seu time. É dose para mamute. Claro que uma vitória como aquela da semana passada e a que espero que aconteça na próxima quarta-feira, pela Copa do Brasil, oferecem um sabor especial a este gaúcho refugiado em São Paulo.

 

Acreditei na ideia de que estava imune às pressões de um Gre-Nal até a bola começar a rolar neste domingo. Diante de um estádio acanhado para a dimensão da partida e indevidamente tomado pela torcida adversária, já que a pequenez de nossos dirigentes (e me refiro a todos eles) impediu que se colocasse número maior de ingressos à disposição dos gremistas, logo percebi que as mais de duas décadas de distância do Rio Grande do Sul não seriam suficientes para amainar essa paixão. O gol tomado logo no início do jogo, o gol contra que serviu para empatar ainda no primeiro tempo, a belíssima troca de passes que levou a virada no placar no início do segundo tempo e o pênalti convertido pelo adversário serviram para mostrar a emoção que esse clássico ainda exerce sobre mim. As disputas de bola, leais ou não, a marcação do árbitro, equivocada ou não, a reação dos técnicos ao lado do campo e dos jogadores no gramado, fiéis aos fatos ou não, me fizeram explodir de desejo. Gritei e esbravejei como não fazia há muito tempo. Como sempre fiz diante do clássico Gre-Nal nos tempos em que vivi em Porto Alegre.

 

A qualidade da partida, acima da média desse campeonato, e o fato de o empate ter nos mantido isolados na vice-liderança do Brasileiro talvez fossem suficientes para me deixar satisfeito neste fim de domingo. Sem dúvida, porém, minha maior felicidade está em saber que a paixão que alimentei pelo clássico Gre-Nal segue muito viva neste coração que bate gremista dentro do peito.

 

Em tempo: independentemente do sabor de um Gre-Nal, a vitória contra o Corinthians na próxima quarta-feira vai me deixar bem feliz, tenha certeza.

Avalanche Tricolor: um Gre-Nal em família

 

Grêmio 1 x 1 Inter
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Foram intensos estes dias em que comemorei os 50 anos, em especial pela presença da família. Estar com o pai quando se chega a essa idade é sempre animador, ao menos porque nos dá a sensação de que não somos tão velhos quanto os outros imaginam. E temos a chance de exercitar o papel de filho, o que sempre nos oferece a oportunidade de sermos ainda mais novos. Os irmãos também colaboram muito nesta tarefa porque não se cansam de nos lembrar de quando éramos crianças. Desde pequenos aprendemos juntos a torcer por um time de futebol lá no Rio Grande do Sul, e você, caro e raro leitor deste Blog, sabe bem da escolha que fiz. Se chega aqui pela primeira vez, bastará um pouco de atenção ao nome da coluna e a cor da escrita para ter a resposta certa.

 

Foi assistindo ao Grêmio no clássico gaúcho que encerrei estes dias agitados, em São Paulo. Boa partida do jogo vi atirado no sofá ao lado do meu pai, como já havíamos feito no passado muitas outras vezes. Aliás, foi com ele que aprendi a ter comedimento diante das conquistas temporárias de uma partida de futebol, mesmo que tenha alguns rompantes diante de lances incríveis como um carrinho salvador que despacha a bola para longe e o adversário para fora (que ninguém me leia) ou uma chegada firme que evite o ataque contrário e quem sabe ajude a armar o contra-ataque. No entanto, sei que boa sequência de ataque não significa gol, da mesma forma que a sinalização de pênalti pelo árbitro. Preferímos esperar a bola na rede para comemorar de verdade. Estamos convencidos há algum tempo que ter o domínio da bola, jogar melhor e se impor ao time contrário não são suficientes para chegarmos a vitória. Um vacilo e tudo se vai: uma falta mal marcada, um cartão não dado ou exagerado, lances fortuitos mudam o destino de um jogo.

 

O horário restrito do voo de volta para Porto Alegre nos tirou de frente da televisão e nos fez assistir ao restante da partida na tela do Ipad até quase a sala de embarque, em Congonhas. No que foi possível prestar atenção, enquanto dávamos preferência às lembranças do fim de semana, pouca coisa mudou desde aquilo que vimos no início da partida: houve mais faltas, mais expulsões, mais pressão e mais nenhum gol de ambas as partes. Terminou empatado o primeiro Gre-Nal na Arena. Menos mal – disse meu irmão ao saber do placar, pouco antes de se despedir. Pelo que jogamos não merecíamos um resultado negativo além disso terminar o fim de semana com um revés não estaria a altura da alegria que foi conviver estes dias com a minha família gremista.

Avalanche Tricolor: Gre-Nal não é mais Gre-Nal

Inter 2 x 1 Grêmio
Gaúcho – Caxias do Sul (RS)

 

Grenal

 

Tinha torcedor em cima do telhado e torcedor sobre a laje. Alguns se sentaram na beirada da caixa d’água, enquanto outros se esticavam no puxadinho de casas simples construídas no entorno do estádio Centenário, em Caxias do Sul, região da Serra Gaúcha. Lá dentro não era diferente pelo que se pode perceber nas imagens geradas pela televisão. Um enorme espaço vazio parecia separar os poucos torcedores que foram assistir à partida desta tarde de domingo, enquanto os jogadores tinham de se contentar com as condições acanhadas oferecidas para a prática do futebol.

 

Foi neste cenário interiorano e precário, com todo o respeito que os conterrâneos de meu pai merecem, que se disputou um dos mais acirrados clássicos do futebol brasileiro – ao menos é esta a fama do Gre-Nal, apesar de os últimos acontecimentos colocarem em dúvida essa afirmação. Pela segunda vez consecutiva, o Grêmio entra em campo para enfrentar seu tradicional adversário com um misto de jogadores das categorias de base e reservas do time principal. E olha que hoje a partida valia vaga à semi-final da Taça Piratini, o primeiro turno do Campeonato Gaúcho.

 

A decisão do técnico Vanderlei Luxemburgo me surpreendeu, pois sou de um tempo em que o Gre-Nal era o momento mais importante do futebol gaúcho. Ganhar ou perder era definitivo na carreira de muitos profissionais. Mexia com os instintos mais rudimentares dos torcedores. Ninguém aceitava nada além da vitória. Na imprensa, as emissoras de rádio faziam programas especiais a espera do Gre-Nal, e os jornais ganhavam cadernos extras com o título “Semana Gre-Nal”. Era lugar comum para escapar dos prognósticos a frase “Gre-Nal é Gre-Nal”. Ou seja, não havia como arrsicar qualquer palpite que fosse. O Estado parava, as famílias se dividiam e nenhum assunto era mais importante do que o clássico. Hoje, ao ligar para meu irmão, momentos antes do jogo se iniciar, ele saía de casa com a mulher e os filhos para almoçar. E o Gre-Nal? Se der eu vejo, desdenhou.

 

Atualmente, pelo que se nota, o Gre-Nal passou a ser apenas mais um jogo do calendário, quase um estorvo diante dos compromissos que o Grêmio tem de conquistar pela terceira vez a América do Sul e se candidatar à disputa do título mundial. Escala jogadores que se esforçam muito – não poderia ser diferente ao vestirem a camisa tricolor- e tentam se destacar quem sabe para ganhar uma vaga no grupo principal, mas que não têm o entrosamento dos titulares nem a qualidade deles – com as exceções de praxe.

 

Claro que o “co-irmão”, como dizem lá no Sul, não tem nada a ver com isso e disputa com unhas e dentes o que lhe é oferecido, até porque não se capacitou para almejar algo maior. Mas que o Gre-Nal está banalizado e desvalorizado, não tenho a menor dúvida. É uma pena.

Avalanche Tricolor: Gol, Ravens!

Inter 2 x 1 Grêmio
Gaúcho – Erechim (RS)

 

 

Desculpe, aí! Mas nesta Avalanche, o futebol virou secundário. O brasileiro, claro. Por que o americano é destaque. Explico por quê? Segundo meu amigo de Hora de Expediente Luis Gustavo Medina, o Teco, no SuperBowl, o grande show que é a final da NFL, em Nova Orleans, dos dois times que se capacitaram para a disputa, o Ravens, de Baltimore, é o time mais parecido com o Grêmio. Nem tanto pela cor quase azul no símbolo e detalhes na camisa predominantemente branca, mas pela forma de jogar e potencial em, com raça, superar todos os demais talentos (perceba a habilidade do nosso “volante” na foto acima). E não é que os “azuis” de Baltimore venceram por 34 a 31 o San Francisco 49ers, em uma partida emocionante e com direito a apagão? Neste período de entressafra, na qual os titulares gremistas estão centrados na Libertadores e o Campeonato Gaúcho está na mão de uma gurizada, o espírito da Imortalidade resolveu aterrisar em Nova Orleans e contaminar o ânimo dos gremistas do Ravens. E eu, que estive longe tanto do futebol brasileiro como do americano, nesse fim de semana, só tenho a comemorar: Gol, Ravens!