Avalanche Tricolor: Gre-Nal não é mais Gre-Nal

Inter 2 x 1 Grêmio
Gaúcho – Caxias do Sul (RS)

 

Grenal

 

Tinha torcedor em cima do telhado e torcedor sobre a laje. Alguns se sentaram na beirada da caixa d’água, enquanto outros se esticavam no puxadinho de casas simples construídas no entorno do estádio Centenário, em Caxias do Sul, região da Serra Gaúcha. Lá dentro não era diferente pelo que se pode perceber nas imagens geradas pela televisão. Um enorme espaço vazio parecia separar os poucos torcedores que foram assistir à partida desta tarde de domingo, enquanto os jogadores tinham de se contentar com as condições acanhadas oferecidas para a prática do futebol.

 

Foi neste cenário interiorano e precário, com todo o respeito que os conterrâneos de meu pai merecem, que se disputou um dos mais acirrados clássicos do futebol brasileiro – ao menos é esta a fama do Gre-Nal, apesar de os últimos acontecimentos colocarem em dúvida essa afirmação. Pela segunda vez consecutiva, o Grêmio entra em campo para enfrentar seu tradicional adversário com um misto de jogadores das categorias de base e reservas do time principal. E olha que hoje a partida valia vaga à semi-final da Taça Piratini, o primeiro turno do Campeonato Gaúcho.

 

A decisão do técnico Vanderlei Luxemburgo me surpreendeu, pois sou de um tempo em que o Gre-Nal era o momento mais importante do futebol gaúcho. Ganhar ou perder era definitivo na carreira de muitos profissionais. Mexia com os instintos mais rudimentares dos torcedores. Ninguém aceitava nada além da vitória. Na imprensa, as emissoras de rádio faziam programas especiais a espera do Gre-Nal, e os jornais ganhavam cadernos extras com o título “Semana Gre-Nal”. Era lugar comum para escapar dos prognósticos a frase “Gre-Nal é Gre-Nal”. Ou seja, não havia como arrsicar qualquer palpite que fosse. O Estado parava, as famílias se dividiam e nenhum assunto era mais importante do que o clássico. Hoje, ao ligar para meu irmão, momentos antes do jogo se iniciar, ele saía de casa com a mulher e os filhos para almoçar. E o Gre-Nal? Se der eu vejo, desdenhou.

 

Atualmente, pelo que se nota, o Gre-Nal passou a ser apenas mais um jogo do calendário, quase um estorvo diante dos compromissos que o Grêmio tem de conquistar pela terceira vez a América do Sul e se candidatar à disputa do título mundial. Escala jogadores que se esforçam muito – não poderia ser diferente ao vestirem a camisa tricolor- e tentam se destacar quem sabe para ganhar uma vaga no grupo principal, mas que não têm o entrosamento dos titulares nem a qualidade deles – com as exceções de praxe.

 

Claro que o “co-irmão”, como dizem lá no Sul, não tem nada a ver com isso e disputa com unhas e dentes o que lhe é oferecido, até porque não se capacitou para almejar algo maior. Mas que o Gre-Nal está banalizado e desvalorizado, não tenho a menor dúvida. É uma pena.

8 comentários sobre “Avalanche Tricolor: Gre-Nal não é mais Gre-Nal

  1. O “banguzinho” do Felipão era melhor do que o do Luxemburgo. Mas mesmo com um time misto, o tal “principal” deles teve dificuldades para vencer.

    Achei que nosso treinador pudesse entrar com os titulares, para lhes dar ritmo de jogo, já que o próximo compromisso na Libertadores é apenas dia 5 de março. Além disso, escalou o time num esquema pouco utilizado, o 3-5-2.

    Li uma declaração do presidente Fábio Koff, justificando o time reserva: “Quem quer ganhar tudo, não ganha nada”, disse. A questão não é ganhar tudo, apenas a Libertadores… e o Gre-Nal!

    Abs

  2. Tens razão,Mílton. Vou usar uma palavra que é rara no meu vocabulário para resumir o que fizeram com o nosso clássico:por isso e/ou por aquilo,AVACALHARAM o Gre-Nal (o corretor ortográfico deste pc que me desculpe,mas era só o que faltava eu,para aumentar a avacalhação, deixar de usar hífen ao escrever Gre-Nal). Seja lá como for,consolou-me ter visto o flamante técnico do Inter quase ser expulso pelo árbitro e,também,usar os tradicionais recursos de cambiar jogadores ao final do jogo para diminuir o ímpeto do adversário. “Eles” ganharam,mas não fizeram jus à diferença das escalações,isto é,o Grêmio com reservas e meninos recém saídos dos cueiros e o Inter com todos os seus titulares válidos.

  3. Sou do tempo em que o importante era ganhar dos colorados e com a vitória, vinha o título gaúcho a tiracolo.
    Os tempos mudaram e financeiramente hoje em dia vale muito mais ganhar a Libertadores do que o campeonato regional.
    Deve ser por isso, embora não concorde, que a direção relega tanto o regional, embora diga-se, muitas vezes para o torcedor, o importante é vencer “eles”.
    Mas ficou claro ontem, que com o time titular, seria mais uma vitória tricolor.

  4. Uma pergunta ao Sr Bruno !

    Onde foi que o expressinho deu calorão no Inter ? Não chutaram a gol, me diga qual defesa o Muriel fez ? O unico chute foi um penalti mandraque que o juiz inventou.

    Faço um favor, na proxima vez coloque o time master com P nunes, Jardel, Dinho etc e o Felipinho de treinador quem sabe pelo menos chutem ao nosso gol de verdade !
    Velho Milton teu time é muito fraco tanto titular como suplente, e olha que o tronco nosso nº 09 não jogou nada pq seria uns 4 a zero como no primeiro onde anularam 2 gols nosso na maior cara de pau. Isso foi ordem do koff ao Luigi ” por favor Luigi peça ao seus jogadores não golear nosso expressinho, porque vai acabar com a carreira de muito juniores e medalhões ali no meio ”

    abs fuiiiii !!

  5. Caro Jung !

    Não há dificuldade em falar de futebol, só estou expondo o outro lado da moeda, onde não foi citado aqui.

    O Inter em nenhum momento foi ameaçado, no penalti inventado, porque é muito dificil um juiz marcar aquele tipo de penalidade, foi que vosso time deu o unico chute a meta colorada !

    Abraço ao Grande Milton Jung onde aprendi a admira – lo graças a meu velho pai fã deste icone do RS !

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