Emendas parlamentares têm de ser públicas

 

A denúncia de que deputados estaduais vendem emendas parlamentares na Assembleia paulista expôs outra faceta da falta de transparência, no Estado de São Paulo. De repente se descobre que as informações sobre liberação de dinheiro público para atender os pedidos dos deputados não são públicas. Foi necessário surgir o interesse dos jornalistas em identificar para onde seguia o dinheiro das emendas para o Governo reagir, mesmo assim de forma parcial.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) alegou, durante feriado de Nossa Senhora Aparecida, que já liberou parte das emendas e, em breve, pretende divulgar todos os dados. Não é nenhum milagre nem favor ao cidadão, pois é um direito da sociedade ter acesso a estas informações. O absurdo é até hoje isto não ter sido apresentado com nome e sobrenome na internet.

Não surpreende, porém, as restrições. A própria Assembleia Legislativa esconde até agora a lista com o nome e o salários de seus funcionários. A Associação de Defesa da Harmonia da Ordem Constitucional teve de entrar com ação na Justiça para pedir que a relação dos funcionários nomeados nos últimos cinco anos fosse publicada no Diário Oficial.

A democracia digital se faz necessária em estados que se querem modernos. Esta prática torna possível o controle de cada medida e passos dados pelos funcionários públicos, tornando a fiscalização mais eficiente pela sociedade. O livre acesso à informação pública, discutido no Congresso Nacional e emperrado pelo ex-presidente Fernando Collor, impõe que os sites tenham dados sobre despesas das instituições, contratos e negócios fechados.

Infelizmente, os Governos e seus servidores ainda entendem, na maior parte das vezes, de que tornar públicas estas informações fragiliza o sistema. Começa que não cabe aqui discutir se há risco à segurança – mesmo que eu considere que não -, o que se quer é apenas que se a coisa é publica tem de estar publicada. Ao mesmo tempo, sabe-se por experiência em outros países que a divulgação de todos os dados de maneira aberta, democrática e com linguagem acessível a máquinas e pessoas tende a trazer benefícios econômicos para o Estado, pois possibilita planejamento apropriado e construção de gestões de pessoal e negócio mais competentes.

Aqui, aliás, temos mais um caso daqueles de que a aprovação de legislação específica sobre o tema seria apenas uma redundância, pois bastaria aplicar a Lei do Bom Senso – aparentemente revogada há alguns anos pelo poder público.

Cheque clonado, o seguro morreu de velho

 

Por Milton Ferretti Jung

Os bancos, com certeza, ainda são os locais mais confiáveis para que a gente deposite neles o nosso dinheiro. Os malandros de todas espécies, porém, vivem estudando maneiras de ludibriar a segurança das casas bancárias, muitas vezes, diga-se a bem da verdade, com safadezas bem sucedidas. Quando uma é descoberta, os patifes, imediatamente, inventam outras. Há espertinhos que tentam usar internautas ingênuos ou navegadores principiantes, para aplicar os mais diversos golpes. Quem lê seu correio eletrônico, por exemplo, é assediado com frequência a abrir e-mails supostamente enviados por bancos. Só hoje recebi mensagens de dois. Sou, entretanto, cliente de apenas um deles. Logo o deste, chegaram três. O assunto do e-mail era atualizaçãp de dispositivo. Bancos não costumam mandar e-mails para seus clientes por questões de segurança. Assim mesmo, existe quem, inadvertidamente, cai na esparrela. Conheço gente experiente em Internet que, se descuidou, sofreu momentânea bobeira e marchou nesse tipo de golpe. Outra mensagem muito usada é a que fala em “recadastramento de segurança”.

Tomei conhecimento na semana passada de outro golpe que está sendo aplicado, este mais novo e com tecnologia mais moderna. Pessoa de minhas relações foi consultar seu extrato e quase desmaiou com o que viu: sua conta estava no vermelho, eis que alguém, usando os dados de um cheque seu, que estava bem adiante do último que fora passado, havia feito retirada de certa importância, felizmente de pequena monta. Seu cheque tinha sido clonado. A vítima foi aconselhada a ir a uma delegacia para fazer um boletim de ocorrência. Lá, ficou sabendo que outras seis pessoas tinham adotado idêntico procedimento, visando a serem ressarcidas pela instituição bancária que também é vitimada pelo golpista.

Sei lá por que, nunca tinha ouvido falar em cheque clonado. Como eu, talvez várias pessoas estejam no mesmo caso. Para diminuir o risco que corremos de virar vítimas de vigaristas, conviria que controlássemos mais amiúde o extrato bancário. Sei que há quem não ligue para isso. Mas, como ouvia meu pai dizer frequentemente, seguro morreu de velho. Quem conhecia a trampa, que me desculpe. Escrevi o texto para alertar possíveis incautos.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Orelhão com internet grátis deve ser incentivado

 

A decisão de retirar os “orelhões” da Oi com internet grátis das calçadas de Ipanema, no Rio, chama atenção por uma série de aspectos que se misturaram no debate sempre acirrado que se desenvolve nas redes sociais e blogs.

Para relembrar: a concessionária instalou nove cabines que, além de servirem como telefone público, ofereciam wi-fi de graça a um raio de 50 metros. Os “orelhões” foram plantados nas calçadas da avenida Visconde de Pirajá, no bairro de Ipanema em um projeto-piloto que poderia – ou pode – se estender a outros pontos da cidade. Bastava estar próximo de um deles e você seria capaz de entrar na rede com seu Ipad, por exemplo.

A ideia de espalhar sinal gratuito de internet pelas cidades é bem-vinda, portanto a iniciativa da Oi, neste sentido, é correta e deveria ser incentivada. Imagine se cada orelhão se transformasse em um hotspot, a medida que seu uso como telefone público tem sido cada vez menor em função da popularização do telefone celular.

Você aí na rua da Praia, em Porto Alegre, passearia pela internet sem dificuldade; na avenida Ipiranga, em São Paulo, também; assim como fariam os passantes da Visconde de Pirajá, no Rio. Ninguém teria mais benefício do que os moradores de comunidades pobres que poderiam acessar serviços de internet disponíveis em seus celulares. Em tese.

Seria necessário entender melhor os aspectos técnicos e financeiros que envolvem esta operação, mas não deu tempo de testar a funcionalidade do negócio. Em uma semana, a prefeitura entendeu que o impacto visual e de circulação provocado pelas cabines era ruim e mandou retirar os equipamentos. Moradores de Ipanema, entrevistados na imprensa, concordaram com a decisão. Não encontrei nenhuma palavra de alguém que tenha acessado a internet pública e gratuita.

Do ponto de vista da mobilidade, cravar mais uma barreira arquitetônica nas calçadas não faz sentido mesmo. Cada dia se tira mais espaço dos pedestres, não bastasse o piso ser irregular e impróprio em muitas vias. É banca de jornal, banca de ambulante, armação de ferro para sustentar saco de lixo, puxadinho do comércio, canteiro mal acabado, carro estacionado irregularmente, além dos próprios orelhões. Aliás, estes exigem há algum tempo uma revisão em seu desenho, pois da maneira como foram projetados no Brasil se transformaram em uma armadilha para deficientes visuais, tema sobre o qual já conversamos neste blog.

A Oi deveria ter tido cuidado ao pensar em um novo modelo de cabine telefônica e buscar um desenho menos agressivo a paisagem urbana, que se parecesse menos com um totem publicitário, assim como identificar os pontos em que ficariam mais bem colocados. Algumas vezes as empresas parecem subestimar o bom gosto do cidadão e de forma prepotente tentam impor trambolhos arquitetônicos (o poder público, também). Talvez deva convocar a criatividade nacional em busca de uma linha mais apropriada para a paisagem urbana.

A prefeitura do Rio não deve, porém, desperdiçar a oportunidade gerada. Tem de convidar a empresa, sentar e conversar sobre como estes pontos de acesso a internet, acoplados aos telefones públicos, podem ser implantados com menor impacto urbanístico. Pois a ideia, era substituir os orelhões atuais – ou alguns deles – que já não são grande coisa e colocar equipamento mais moderno. Seria um grande exemplo para as demais cidades brasileiras.

E você, caro e raro leitor deste blog, não perca tempo. Recomende ao prefeito da sua cidade – mande e-mail, twitter, carta ou ligue de um telefone público – que procure as concessionárias de telefonia da região e tome a iniciativa de discutir maneiras interessantes e criativas de oferecer internet grátis ao cidadão.

Orelhão com wi-fi tem câmera e tamanho de orelhão (publicado às 18h50)

Está cada vez mais claro para mim que erros de comunicação estão por trás da polêmica sobre os orelhões com wi-fi grátis da Oi que foram retirados de Ipanema. E reforço: responsabilidade que deve ser dividida entre a empresa e a prefeitura. O leitor Julio Abreu foi em busca de mais informações sobre o equipamento e nos conta, em comentário publicado neste post (recomendo a leitura), que as cabines teriam também câmeras de vídeo com imagens monitoradas por serviço de segurança. A intenção era colocar estes equipamentos diante de escolas púbicas, substituindo os tradicionais orelhões, medida que ofereceria duplo benefício: vigilância e internet livre aos estudantes. Outro aspecto interessante é que o espaço ocupado pela cabine é o mesmo do orelhão e o desenho mais robusto se faz necessário para proteger os equipamentos que estão embutidos.

Uma vantagem – esta ressaltada por mim – é que o desenho do orelhão com wi-fi não impõe aos cegos o mesmo risco que os orelhões tradicionais.

Alexandre Gama: “Rede social não é mídia social”

 

A importância das redes sociais na publicidade é questionada pelo presidente da Neogama/BBH, Alexandre Gama, em entrevista ao Mundo Corporativo, que vai ao ar, neste sábado, no Jornal da CBN. Conversei com ele também sobre o cotidiano das agências e os caminhos para construir um ambiente de trabalho criativo. No bate-papo que você assiste a seguir, Alexandre critica a forma como está se fazendo propaganda, atualmente.


Esteja preparado para ser um trabalhador temporário de alto escalão

Na segunda entrevista da semana, que vai ao ar no domingo, falei com Sócrates Melo, que tem o desafio de encontrar profissionais temporários para as áreas de diretoria e gerência, demanda que têm crescido nas grandes e médias empresas. Ele é diretor de um dos maiores grupos de recrutamento especializado do mundo, a Robert Hal, e conta qual o perfil do trabalhador temporário

A partir de abril, o Mundo Corporativo terá apenas uma edição, no Jornal da CBN de sábado, às oito da manhã. E você poderá participar do programa, ao vivo, pela internet, às quartas-feiras, às 11 horas. As perguntas podem ser feitas pelo Twitter @jornaldacbn e no e-mail mundocorporativo@cbn.com.br.

Filha de JK desmente Kassab

 

DEM INTERNETA tentativa do prefeito Gilberto Kassab e seu novo partido, o PSD, de explorarem a imagem do ex-presidente Juscelino Kubitschek e se apoderarem do nome dele na internet com o domínio http://www.jk.org.br foi abortada no primeiro minuto de jogo. Depois da neta, Anna, ter lembrado que a memória de JK é patrimônio dos brasileiros, foi a vez da filha, Maria Estela, vir a público para acusar Kassab de ser mentiroso.

O domínio de JK aparece em uma lista de registros na internet feitos por Gilberto Kassab na qual aparecem o nome do novo partido e de duas outras agremiações com a qual teve ligação, o PFL e o DEM (de onde está saindo). Confira cliclando na imagem ao lado.

Maria Estela Kubitschek Lopes negou que Kassab tenha conversado com ela conforme afirmou aos jornalistas que o procuraram. Leia a nota completa:

Li, com absoluta surpresa, a declaração do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, de que teria conversado comigo sobre a utilização do nome JK como marca de fundação veiculada à sua nova agremiação partidária

Não é verdade. O prefeito jamais tratou desse assunto comigo. Se o tivesse feito, eu teria tido a oportunidade de manifestar a minha discordância com o uso do nome e da memória do Presidente Juscelino para fins partidários e pessoais.

A memória de JK é patrimônio dos brasileiros, está associada às grandes causas nacionais e não pode ser usada para fins menores da política.

Espero que o prefeito volte atrás na sua iniciativa, o que pouparia a família do Presidente Juscelino de iniciar uma ação judicial com objetivo de preservar a sua memória impedindo a utilização do seu nome por partidos e pessoas cujas trajetórias políticas não guardam qualquer afinidade com a vida e os ideais de JK.

PSD – Partido Social Democrático – era o partido de Juscelino até o regime militar extinguir todas as agremiações e impor o bipartidarismo. Do ponto de vista publicitário, ter vinculação com JK seria importante para Kassab e novos correligionários. Mas pelo visto vão ter de buscar ícones em outra freguesia.

Twitteiros culturais se encontram em São Paulo

 

Reproduzo a seguir convite do pessoal do Encontros de Twitteiros Culturais que se realiza neste sábado, em São Paulo. Eu estarei lá para falar da campanha CBN SP e #doeumlivro e o poder de mobilização do rádio:

Está marcado! Dia 19.03-11 sábado das 17 as 19 horas na Livraria da Vila da Fradique ( Rua Fradique Coutinho, 915 – Pinheiros SP), o 1º ETC_Sampa de 2011, o 9º encontro em São Paulo, com o tema: TWITTER E MOBILIZAÇÃO.

Convidados: Pedro Toledo presidente da ONG @unidosdadoze e Milton Jung jornalista – CBN @miltonjung, sob mediação de José Luiz Goldfarb @jlgoldfarb

Durante o ano de 2010, através do Twitter Paulo Toledo idealizou a criação de um espaço cultural para as crianças atendidas pelo Projeto de Futebol Unidos da Doze, Parque Dorotéia, Cidade Ademar, periferia de SP. E foi pelo Twitter que surgiu grande mobilização de apoio (incluindo campanha #Doeumlivro e rádio CBN) que culminou na inauguração da Sede da ONG com amplo espaço para leitura e cinema (apoio da Sec Estadual de Cultura).
Vamos passar a limpo esta linda e profícua experiência mostrando o poder de mobilização social do Twitter.

Você é nosso convidado, para acompanhar e twittar, vamos usar a hashtag #ETC_BR para unir o Brasil.

Pelo direito de opinar e escolher

 

A internet nos abriu inúmeras possibilidades e democratizou a transmissão de informação e opinião. Infelizmente, este espaço nem sempre é usado da melhor maneira possível e os abusos são frequentes em especial quando bárbaros se aproveitam do anonimato. É comum identificarmos na área destinada aos comentários ofensas pessoais, baixaria e despropósitos. Em muitos casos vira terra de ninguém ou de alguém que confunde aquilo com liberdade de expressão.

Foi muito dura a luta por este direito no Brasil. Por nascimento, minha geração já se apoderou quando boa parte da violência da ditadura havia passado. Peguei, na luta estudantil, apenas o fim deste processo e me orgulho daqueles que me antecederam e foram corajosos o suficiente para encarar a situação. Sei lá se eu teria tanta.

Por tudo isso, é justo o desejo de que os fóruns abertos para discussão pública fossem mais bem valorizados, explorados de forma a agregar valor à sociedade. Sempre foi esta a minha vontade. O que parece não foi assim entendido por alguns ouvintes-internautas que acompanharam o bate-papo com minha colega Ceci Melo que precede o Jornal da CBN – quatro escreveram reclamando, acusando-me de ser contra a liberdade de expressão.

O tema principal da conversa era a decisão da Justiça que condenou o rapaz que, por ciúmes e vingança, publicou na internet fotos nuas de sua ex-namorada e usou para isso o e-mail dela. Ceci ficou incomodada com o fato de que ao ler os comentários deixados em um site havia pessoas que defendiam a atitude do ex-namorado. Disse a ela para não perder tempo com estas mensagens. Não valem a pena.

E sustento esta posição. Precisamos selecionar o que lemos ( o que vemos e ouvimos, também). É um direito nosso (meu e seu, também). Deixei de ler comentários deixados em alguns sites e o faço apenas naqueles espaços que considero mais adequados, onde sejam publicados temas qualificados menos propensos a baixaria; blogs que apresentem argumentos coerentes mesmo que defendam posições diferentes das minhas; fóruns de discussão nos quais o moderador impede palavras de baixo calão e ofensas pessoais, por exemplo.

Diga-se, reproduzo este comportamento em relação a todas as mídias: livro, jornal, rádio e TV.

Nada disso, porém, pode ser confundido com algum interesse meu em cercear as opiniões alheias. Cada um escreve o que quiser, expõe sua personalidade como achar melhor, desnuda seu espírito nas palavras que publica, e assume a responsabilidade por seus atos (apesar de muitas vezes o fazer de maneira covarde); mas eu continuarei selecionando minhas fontes.

Neste blog que escrevo, os comentários têm moderação muito mais por uma questão de segurança do sistema, pois todas as opiniões são publicadas – exceção àquelas (raras) que contenham ataques pessoais a terceiros. Com frequência respondo a cada um que me dá a honra de usar este espaço para publicar sua opinião, hábito que mantenho desde quando a interação com o ouvinte-internauta era feita apenas por e-mail (começou em 1998, na CBN).

Faço este esclarecimento pois acredito na máxima de que comunicação não é o que digo mas o que você entende. E, pelo que li nas mensagens enviadas pelos ouvintes-internautas – duas no e-mail, uma no Twitter e uma neste blog -, não gostaria de que estes e outros mais que não se pronunciaram ficassem com a impressão de que defendo qualquer tipo de censura.

Convido-os, sim, a ajudarem a qualificar este espaço democrático conquistado pela sociedade, tomando-o para si e comentando com argumento e coerência – o que, me parece, já o fazem dada a qualidade das opiniões enviadas.

CBN SP em homenagem aos 457 anos da cidade na internet

 

Ouvintes no Pátio do Colégio no CBN SP 456

O CBN São Paulo em comemoração ao aniversário da cidade será apresentado no Pateo do Colégio e terá imagens transmitidas ao vivo pela internet. Os ouvintes-internautas poderão curtir as atrações musicais e entrevistas com os convidados especiais, apenas acessando o site da CBN.
O programa terá as participações de Zé Geraldo, cantor e compositor folk, e do grupo de chorinho Retratos que se apresentarão, a partir das 9 e meia da manhã.

Na sala de estar montada para receber os convidados, o assunto principal será os livros e a literatura, e para conversar conosco estarão por lá Sérgio Vaz, da Cooperifa, Pedro Herz, da Livraria Cultura, José Godoy, do Fim de Expediente, e José Luiz Goldfarb, da campanha #doeumlivro.

Eles não fugirão de responder a pergunta-provocação que marcou a semana em homenagem a cidade: “Que São Paulo você quer ter até o fim desta década?”.

Quem for até o Pateo está convocado a levar um livro para nos ajudar a construir a biblioteca da Associação Unidos da Doze, do Parque Doroteia, na zona sul da cidade. Se não der para ajudar agora, você ao menos conhecerá o trabalho desta turma que se mobiliza para a construção de um número cada vez maior de bibliotecas.

Lá também haverá um estúdio do Museu da Pessoa que gravará, em áudio e vídeo, depoimentos para o Conte Sua História de São Paulo, programa que vai ao ar aos sábados, no CBN SP. Portanto, prepare suas lembranças e registre mais um capítulo da nossa cidade.

Para chegar ao Pateo do Colégio veja as opções aqui. O CBN São Paulo espera você das 9 e meia ao meio dia.

Do Tempo


 

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Em que curva da estrada ficou a leveza de viver? Hoje, viver é perturbador. Muitas vezes, e cada vez com maior frequência, a vida traz a sensação vertiginosa da roda gigante, da montanha russa, e meus plexos se manifestam o tempo todo; não descansam, não se aquietam, nem mesmo enquanto durmo.

Ouça “Do Tempo” na voz e sonorizado pela autora

A gente hoje tem internet e pode conhecer, assistir, estudar tudo que quiser, sem sair de casa, a hora que bem entender. Biblioteca pública é um termo que criança desconhece. É evidente que podem deduzir da receita do termo, mas não têm ideia do que seja estar lá dentro. Sem saudosismo bolorento, mas é uma sensação que provavelmente nunca terão. Falar baixinho, de preferência não falar porque o sussurro mais tímido pode voar cegamente, atropelando, no vazio, o quase-absoluto silêncio.

Passava-se lá, uma tarde ou uma manhã inteira, selecionando fonte, lendo, selecionando e copiando dos livros o que se precisava estudar. Não havia máquina copiadora. Era no braço, mesmo. Uma pesquisa levava um tempão, isso se a gente pesquisasse um só autor. E não adiantava fazer na base do garrancho porque a gente não entendia depois e o trabalho era árduo demais para se atirar ao vento.

A gente hoje tem e-mail, que deixou no esquecimento o hábito de escrever à mão, enviar cartas, o correio, envelope, selo. Não é mais preciso enfrentar fila numa das agências, lamber o selo, colar no envelope e jogar a carta na caixa adequada; nacional, internacional, aérea…

Hoje temos carros velozes e estradas que, enquanto durarem, permitem que se desenvolva velocidade não permitida. E a gente tem cada vez menos tempo, está cada vez mais ansioso, sobrecarregado, irritado, sem-paciência, atropelando e sendo atropelado.


Há poucos anos, ninguém podia imaginar que um dia a gente se comunicaria instantaneamente, de e para os lugares mais longínquos da Terra, e que isso tudo seria feito através de uma rede internacional de máquinas que levam nossa palavra escrita, nossa voz, nossa imagem para encontrar outras imagens, outras vozes, outras escritas; sem fronteira, sem visto de entrada ou saída.

Vivemos tempo de mudança rápida e radical. Não tem como negar. E nos queixamos da falta de tempo, sem mesmo saber o que é o Tempo. Tempo é o tempo da música, sua batida, seu ritmo, ao qual é preciso se harmonizar se quisermos dançar. Entender o Tempo é entender a harmonia cósmica das fases da Lua, da sua influência nas águas, fora e dentro de nós. Tempo é a harmonia dos ciclos da Natureza, da qual nos afastamos para nos entregarmos de corpo e alma ao materialismo plástico. É triste, mas sempre há tempo.

Os Maias usavam o tempo para se harmonizarem, não para se engajarem numa competição com ele. Afirmaram que no dia 22 de dezembro de 2012, a Humanidade terá sua última oportunidade de escolher: sucumbir ou evoluir. Também predisseram que, de 1992 até 2012, teríamos tempos de tribulação, dificuldades que nos dariam a oportunidade de perceber nossa real relação com o Todo, e de eliminar medo e desenvolver, ou adquirir, respeito por si e pelo outro. Em tudo. Sempre.

Previram o eclipse solar de agosto de 1999, e que sua sombra delimitaria áreas de guerra, terrorismo e barbárie. E assim foi.

Dizem algumas profecias que nosso planeta entrará na Quinta Dimensão, ou seja, no tempo do não-tempo, quando estaremos preparados para entender que o tempo não é linear, nem medido pelo relógio, mas concomitante. Passado, presente e futuro vivendo
em harmonia.


Quando comecei a ter contato com esses pensamentos, tive dificuldade de entender. Hoje entendo um pouco melhor e vejo na psicanálise de vidas passadas, não uma regressão na linha do tempo material, mas um reconhecimento de todos os momentos que existem em nós, do passado, do presente e do futuro. Profecia, filosofia, pensamento religioso e alternativo vêm, há muito, anunciando o fenômeno que mexe com o campo magnético da Terra. Agora a ciência, mais cuidadosa e santomé, concorda com o pensar dos leigos e explica os porquês.

A mesma rede internacional de que falamos nos oferece um cardápio de possibilidades para que a gente navegue pelo assunto, escolhendo fontes que mais agradar. Você mesmo vai se conduzir e encontrar o caminho, se quiser.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

PS: Vamos comemorar a Limpeza na Prefeitura de Jandira. Há esperança! Que venha a meada atrelada ao fio.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

Faltam interação e transparência em site da Câmara

 

A interatividade e transparência defendidas em discurso, não aparecem com clareza no novo site da Câmara Municipal de São Paulo, no ar desde quinta-feira. A constatação é de usuários que testaram o serviço desenvolvido em três meses com a presença da Prodam e da Contexto (agência de publicidade), a um custo estimado de R$ 400 mil – segundo informações do vereador e vice-presidente da casa Dalton Silvano (PSDB).

Observações enviadas por e-mail e pelo Twitter, ou deixadas aqui no Blog, chamam atenção para o fato de que o site passou por uma recauchutagem mas avançou pouco em relação as suas funcionalidades. Um exemplo é o formulário de contato, comum em outros sites, que apenas ganhou nome mais pomposo: Mandato Participativo.

Foi Màssao Uéhara, do Adote um Vereador, que trabalha com web, quem fez vários alertas pertinentes, a começar pelo alto custo se levarmos em consideração que o sistema no qual se baseou a construção do site é um CMS – Content Management System – gratuito, que em português pode ser lido como sistema de gestão de conteúdo, bastante explorado pois reduz o custo da criação, contribuição e manutenção.

É comum grandes empresas usufruírem destas facilidades, criando sobre esta base pré-programada como ocorre, por exemplo, com este blog que você lê, desenvolvido pela Globo.com sobre a plataforma do WordPress. No caso da Câmara, o serviço é o Joomla, o que explica o fato de o site ter sido entregue em três meses. “A diferença é que (as empresas) não são órgãos públicos e não gastariam uma nota preta só para fazer uma maquiagem com algumas migalhas de avanços em relação a transparência e acessibilidade”.

Aliás, o ouvinte-internauta identificado por Franferr escreveu para pedir que a transparência começasse pela publicação, detalha, dos valores gastos no projeto.

Màssao criticou ainda falha na segurança do site que estaria vulnerável a ataque de hackers.

A maior frustração dele, porém, foi em relação a prestação de contas dos vereadores, pois se reproduziu o que havia no site anterior que não facilitava a pesquisa e comparação de dados. Na época em que se falou do investimento que seria feito no novo site sugerimos, inclusive, que a prestação de contas tivesse como exemplo o trabalho desenvolvido por Maurício Maia que reuniu as informações de forma simplificada como você pode ver aqui.

Sérgio Mendes, também do Adote, lembra que uma das ideias era que se tivesse maior interatividade com o eleitor e o debate fosse aberto a todos os cidadãos: “Onde ficarão as mensagens enviadas aos vereadores? Elas serão visíveis aos demais leitores do site? Poderão receber comentários?”. Nada consta até agora.

Cláudio Vieira, que acompanha o mandato do vereador Marco Aurelio Cunha (DEM), afirmou que o site “não consegue dar transparência total ao seu dono, o cidadão”.