Avalanche Tricolor: ao menos tricolor

 

 

Bahia 1×0 Grêmio
Brasileiro — Estádio Municipal do Pituaçu/BA

 

 

Vivemos uma noite tricolor, nesse sábado, aqui em São Paulo. Monumentos importantes, como o em homenagem aos Bandeirantes, que fica em frente ao Parque do Ibirapuera, receberam as cores verde, branca e vermelha, para marcar os 73 anos da República italiana. A “Tricolor” — como os italianos se referem à bandeira do país —- se fez presente na fachada da sede da prefeitura e da Fiesp, e na Ponte Estaiada, por obra e inspiração do cônsul-geral italiano na capital paulista, Filippo La Rosa.

 

O prédio do Terraço Itália, no centro da cidade, também foi iluminado pelas três cores em imagem que se destacou na noite chuvosa da capital. Eu estive logo ali ao lado, onde fica a sede do Circolo Italiano, que recebeu convidados para aplaudir meu amigo e colega Walter Fanganiello Maierovitch, juiz reformado, importante no auxílio ao combate a máfia e ao crime organizado, homem de discurso transparente e equilibrado, sempre atuante em defesa da justiça e uma voz forte em favor dos injustiçados. É palmeirense, fazer o quê, né!?! Ao menos torce hoje por um dos nossos ídolos, Luis Felipe Scolari.

 

Na mesa que estava reservada fiquei ao lado de gente boa como o narrador Oscar Ulisses, o comentarista Mário Marra e o âncora Roberto Nonato —- todos admiradores do bom futebol, assim como eu. Foi o Mário quem me sinalizou o placar final da partida que havia se realizado em Salvador. Era o mesmo que eu havia ouvido no aplicativo do rádio pouco antes de chegar ao local da festa.

 

Estava para estacionar o carro quando o locutor descreveu o lance que culminaria no gol adversário. Perdemos a bola no ataque, tomamos o contra-ataque e Geromel, na tentativa de evitar o gol, viu a bola bater no braço dele dentro da área. Cheguei a torcer por mais um milagre de Paulo Victor. Em vão. Subi para festa com o 1×0 nos ouvidos que, no fim, seria o placar fatal.

 

Além das ótimas companhias na noite que vivi nesta que é a maior cidade italiana fora da Itália, da boa mesa servida aos convivas e do orgulho de ver um amigo ser merecidamente reverenciado pela colônia tricolor, restou-me ouvir o consolo de um dos garçons que servia o vinho e me reconheceu como jornalista e torcedor do Grêmio: “ao menos quem ganhou foi um tricolor, seu Mílton!”.

 

E comandado por Roger Machado, que também é um dos nossos, pensei cá com minha gravata.

 

É, pode ser! Se tiver de ser alguém, que seja ao menos tricolor! Viva a Itália!

Conte Sua História de SP: quando a italiana descobre que o não é um sim

 

Ariella Segre
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Hoje, lembrei de um episódio que aconteceu comigo há muito tempo, logo que cheguei em São Paulo. Sou italiana e vim para cá há 50 anos. Acreditava que entendia perfeitamente o português, não teria o que temer.

 

Pois é … um dia entrei em uma linda loja na rua Augusta. Não lembro bem o que fui comprar. Mas pedi alguma coisa. A princípio, o vendedor meu ouviu com a máxima atenção. E assim que encerrei o pedido, ele disse: – pois, não! Virou as costas e foi embora para o interior da loja. Sem entender aquela reação e suas palavras, fiquei muito chateada e decidi fazer o mesmo, só que no sentido contrário. Virei as costas e fui-me embora.

 

De repente, o vendedor ressurgiu ofegante. E foi me alcançar quando eu já estava na calçada. Nas mãos, ele carregava o produto que eu havia pedido. Entendendo menos ainda, perguntei a ele por que afinal ele havia me respondido com um “não” tão seco, se tinha o produto a oferecer. Foi então, graças a explicação do vendedor, que descobri que no Brasil “pois não”não era não, era sim …

 

Ariella Segre é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha contar a sua história, também. Escreva para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: desde a chegada dos meus avós, a bordo do navio, em 1888

 

Claudemir Moscardi
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

No ano de 1888, no dia 31 de outubro, chegavam em Santos meus avós: Santi Moscardi e Patrina Moscardi. Casaram no navio de medo do que encontrariam no Brasil. Tiveram 14 filhos, todos na região de Jaguariúna, onde foram enviados para substituir a mão de obra escrava do café. Com a crise de 1929, o café já não valia mais nada.

 

E aí começa minha história

 

Meus avós vieram para o bairro do Ipiranga, na zona Oeste, trabalhar na tecelagem dos Jafet. Meu pai era o caçula, Honório Moscardi, com 21 anos. Casou com Maria Rosa Capone, que também trabalhou no café e nas tecelagens ,no Ipiranga. Tiveram três filhos: Vagner, eu e Antônio Carlos.

 

Vagner se formou engenheiro mecânico com 43 anos.
Antônio Carlos, engenheiro eletrotécnico.
Vagner teve dois filhos homens com Miriam.
Antonio Carlos teve dois filhos homens com Cristina.
Eu, também tive dois filhos: casal, com Regina.

 

Nós três trabalhamos na Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo. Estudamos à noite para mudar de vida. Com muita luta, nossos filhos foram estudar no Colégio Arquidiocesano, ali perto onde hoje tem a Estação Santa Cruz do Metrô.

 

Os filhos do Vagner são engenheiros formados pela Mauá, em São Caetano. Os do Antonio, um está na medicina da USP. Já é cirurgião urologista. Está nos Estados Unidos se aperfeiçoado em transplantes. O outro é designer. Estudou em Milão, na Italia.

 

Minha filha se formou na Escola de Comunicação da USP. É relações públicas. Meu filho, está no quinto ano da medicina também na USP

 

No relato desta família, que começa em meus avós, desembarcando em Santos, e segue no sacrifício de cada um de nós para que nossos filhos se formassem, agradeço a quem nos acolheu: São Paulo!

 

Claudemir Moscardi é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte você também outros capítulos da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br.

Avalanche Tricolor: tropeço nas férias, não muda humor nem busca pelo título

 

Sport 4×2 Grêmio
Brasileiro – Ilha do Retiro/Recife

 

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A lua quase cheia me acompanhou pela madrugada enquanto assistia ao Grêmio, na Itália (foto: Abigail Costa)

 

Havia um tempo em que assistir aos jogos do Grêmio quando estávamos no exterior era um desafio à parte. A internet não havia se expandido, a tecnologia era precária e as transmissões pela televisão não alcançavam tão longe. Alguns sites com endereços duvidosos e arquivos maliciosos pirateavam as imagens da TV, que nem sempre chegavam com a qualidade desejada.

 

Os tempos são outros. O sinal de internet está muito mais acessível e os aplicativos estão disponíveis, desde que você tenha a assinatura da TV a cabo ou do pay-per-view. Já havia visto partida a bordo de um avião, cruzando o Oceano Atlântico, na tela do meu celular, portanto minha estada na Toscana, na costa do Tirreno, não seria motivo para me deixar longe do Grêmio.

 

De estranho mesmo, apenas o horário, pois aqui na Itália estamos cinco horas na frente do Brasil, e, assim, o que era final da tarde de domingo para você, já era fim de noite para mim. O jogo se iniciaria antes da meia noite e se estenderia pela madrugada. Como meu compromisso nessas férias é esperar o sol chegar e descansar na beira da praia, dormir tarde também não seria um problema.

 

Ipad conectado à internet, tela ampliada, transmissão iniciada e uma noite de verão europeu agradável, com lua quase cheia no céu: o cenário era perfeito para curtir meu Grêmio neste meio de férias. Pra deixar a turma com inveja: o vinho estava servido, também.

 

Aquela bola no poste assim que o jogo começou era o sinal para que aumentassem meu entusiasmo pelo time e a expectativa pelos três pontos que nos colocariam na vice-liderança do Campeonato Brasileiro. Os fatos que se sucederam, porém, frustraram meu programa de férias.

 

Depois de estarmos perdendo por dois a zero e desperdiçando muitos gols, no primeiro tempo, bem que Geromel se esforçou para me devolver a satisfação nesta noite, na volta para o segundo tempo. A reação durou pouco e nossos erros defensivos se repetiram.

 

Deixar de somar três pontos fora de casa, não é uma tragédia. Tem gente desperdiçando esses pontos diante da sua própria torcida. Mas como temos pretensões que vão bem além da maioria dos que estão disputando este campeonato, não devemos simplesmente aceitar o resultado passivamente.

 

Roger terá muito que conversar e treinar, conversar mais ainda e treinar ainda mais, nos próximos dias, para ajustar o que nos falta e darmos o salto maior nesta competição: chegar à liderança e lá permanecermos.

 

Como confio no trabalho de Roger e do elenco, sigo em frente com minhas férias, tranquilo, porque não será um tropeço no caminho que irá me tirar o bom humor nem estragar o sabor do vinho.

Desligar é preciso!

 

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Foi-se o tempo em que nas férias tínhamos permissão para o isolamento,  era o momento de descansar o corpo e a mente. Do trabalho ficava-se afastado. Dos problemas do cotidiano, também. Todos a quilômetros de distância, que podia ser medida por linhas telefônicas precárias e caras. Para ligar em casa, ficávamos horas na fila e a conversa tinha de ser rápida para não inviabilizar o orçamento das férias. Estivéssemos no exterior, era mais fácil enviar um cartão postal, que tendia chegar ao destino depois de nós.

 

As notícias não circulavam. Quando muito apareciam estampadas na banca de jornal. Dependendo o lugar, chegavam à tarde. Em outros, só se alguém estivesse chegando à cidade. Lembro que em Nova York costumávamos ir até a rua dos brasileiros onde algumas tabacarias vendiam o Estadão, único jornal que desembarcava por lá nas asas das extintas Varig e Vasp. O que líamos tinha o sabor da novidade.

 

Hoje, assim que acordo, a tela do celular estampa as últimas do dia. O Twitter já me contou pedaços da história. E a caixa de correio eletrônico está cheia de pedidos e ofertas enviados por quem não sabe que você tem direito a férias.

 

Nestes últimos dias, os primeiros das férias, tenho sido bombardeado por tragédias.

 

Aqui na Itália, dois trens se chocam e 27 pessoas morrem. Teria havido falha humana, dizem os investigadores. Um agente de tráfego ferroviário não avisou ao outro que deixou passar despercebido e todos permitiram que dois trens pegassem a mesma via em sentidos contrários. Falha desse diacho da comunicação, o que nos remete a uma contradição moderna: ao mesmo tempo que estamos sufocados de informação, deixamos as essenciais de lado.

 

Além da comunicação, o acidente pode ter sido provocado pela corrupção, também. É o que diz a Autoridade Nacional Anti-Corrupção, Raffaele Cantone: o dinheiro roubado deixa de financiar obras de infraestrutura como as que duplicariam a linha onde ocorreu o acidente, que deveriam ter sido concluídas até o ano passado. Ainda não se iniciaram. Para ele, este é “um problema atávico do nosso país”. Do nosso também.

 

A imagem dos dois trens fundidos em ferro e morte destacada nos jornais e internet em seguida foi substituída pela de um caminhão conduzido por um terrorista, em Nice, na França. Ele atropelou e atirou contra a multidão que comemorava o 14 de julho, feriado nacional para celebrar os valores da Revolução Francesa. São 84 mortos até a última atualização. O motorista é um franco-tunisiano e foi morto por policiais.

 

Claro que eu poderia simplesmente desligar-me de tudo. Ao menos tentar. Deixar o computador fora do alcance ou o celular sem bateria. Talvez tivesse de restringir meu contato com as pessoas a um buongiorno ou uma buona sera, sem abertura para conversas do tipo: “che cosa succede?”.

 

Quem disse que consigo?

 

Aqui estou no computador, atualizando o blog para compartilhar com você, caro e raro leitor, as coisas que se sucedem – como se você não soubesse de tudo isso e mais um pouco. A impressão é que se não fizer isto, o cérebro vai transbordar de informação, o que me remete a percepção de Alain de Botton, filósofo do cotidiano, que  diz sermos todos viciados em notícia.

 

Para relaxar talvez a opção seja se ligar na sensação do momento e se transformar em um caçador de Pokemon. Aqui na Itália, aí no Brasil, ou em qualquer lugar que você navegar no noticiário, vai se deparar com informações sobre o novo jogo da Nintendo. Até autoridades públicas entraram na brincadeira como o prefeito Eduardo Paes pedindo que os monstrinhos cheguem para a Rio2016.

 

O problema é que pra se divertir tem de se conectar. E desligar é preciso!

Palazzo Ralph Lauren, em Milão: alto luxo e experiência única

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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A americana Ralph Lauren, famosa por ter como um de seus principais ícones a camiseta pólo com um cavalinho, é das poucas grifes que se mantém no auge do desejo do consumidor. E estamos falando de  marca que atua desde o luxo acessível até o altíssimo nível de suas coleções de edição limitada.

 

A luxuosa loja inaugurada no ano passado em Milão é apenas um dos exemplos que mostram como a marca se preocupa em oferecer a seus clientes mais do que produtos – e sim, experiências! Palazzo Ralph Lauren, em plena Via San Barnaba, é um “Invitation-Only Club”, ou seja, uma espécie de clube com acesso somente a convidados.

 

A view of the Milan Palazzo.

 

Em seus mais de 1000 metros quadrados, sofisticadamente decorados, a  Ralph Lauren recebe seus convidados com visitas marcadas para almoço ou drinques no terraço ou no salão do Milan Palazzo, antiga residência construída nos anos 1940. A grife possui um Chef para cuidar de cada detalhe das experiências gastronômicas.

 

O local é  para clientes de alto poder aquisitivo e celebridades, que durante suas compras, podem mergulhar inteiramente em uma experiência Ralph Lauren. A unidade reúne peças da linha Collection (feminina), ou seja, peças desfiladas nas semanas de moda, e a Purple Label, linha masculina com peças de edição limitada.

 

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Como no mercado do luxo a customização é essencial, no Palazzo Ralph Lauren não poderia ser diferente. Ali, clientes da marca tem a opção de customizar acessórios e peças sob medida para homens e mulheres. Engajar cada vez mais seus clientes – de maneira pessoal e encantadora tem sido um dos principais desafios para as marcas de luxo se manterem relevantes no mundo globalizado.

 

Ricardo Ojeda Marins é Coach de Vida e Carreira, especialista em Gestão do Luxo pela FAAP, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. É também autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

De descendência

 

Por Maria Lucia Solla

 

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Aos meus netos e seus descendentes.

 

Meu pai, o vovô Solla, nasceu no Brasil. Em São Paulo. Mais precisamente, na Lapa. Seus pais eram europeus jovens, que chegaram com suas famílias fugidas do caos que se abatia no continente europeu, àquela época. Guerra, escassez de tudo – principalmente de trabalho. Seus pais, meus bisavós, tomaram a difícil decisão de abandonar a vida que tinham por lá e de se aventurarem por países de outro continente, cuja língua não falavam.

 

Meu avô Pedro, pai do meu pai, nasceu na Espanha, e a vovó Deolinda, sua mulher, em Portugal. Vieram diretamente para o Brasil, de navio, como veio a maioria dos imigrantes.

 

Os pais da vovó Clélia, meus avós maternos, vieram da Itália, com um pé na Grécia – mas ficaram algum tempo em Buenos Aires, na Argentina. Amigos já estavam lá, e imaginaram que seria mais fácil enfrentar a nova vida em companhia; mas a vida não é previsível. Não sei o que aconteceu, e decidiram deixar a Argentina e se estabelecerem no Brasil, em São Paulo, e adivinha onde… na Lapa.

 

Sou péssima em História, mas eles conseguiram, não apenas sobreviver, mas viver.

 

Os avós que chegaram ainda muito jovens, o vovô Pedro e a vovó Deolinda, cresceram, se conheceram, se casaram e formaram a sua família. Os avós que vieram da Itália casados, o vovô Vito e a vovó Grazia, tiveram uma filha na Argentina, a tia Adélia, e mais dez no Brasil. Uma delas foi a minha mãe, a vovó Clélia.

 

Sem bolsa família, num ambiente totalmente estranho, língua diferente, costumes idem, mantiveram uma vida digna, de lutas, perdas e ganhos; e mantiveram unida a sua família. Colaboraram na construção de um Brasil de diversidade. Uma linda colcha de retalhos das mais diversas origens.

 

Hoje, no entanto, ficariam arrepiados se pudessem ler as manchetes dos jornais. O Brasil tem sido agressivamente assaltado, e estraçalhado, não por imigrantes, mas pela corja que se instalou nos castelos do poder.

 

Tenho medo do Brasil que vamos deixar para vocês, e tenho vergonha de fazer parte da população que é parte desta História.

 

Juízes vão para a cadeia, empresários só trabalham se pagarem propina, obras são superfaturadas, tráfico de influência é a mais nova e lucrativa profissão do mercado, jovens não têm educação minimamente decente, saúde púplica não existe, nosso dinheiro não vale nada, e agora somos nós que procuramos a via de saída para outros países onde não existam tantos ladrões.

 

A vida de vocês está começando, a minha acabando, e eu apenas confio na sabedoria da Vida, que dá a cada um de Seus filhos, o fardo que podem suportar.

 

A vovó espera que o fardo de vocês seja leve.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: o que é bom está cada vez melhor

 

Grêmio 2×0 Vasco
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Pedro Rocha comemora segundo gol do Grêmio (foto do Grêmio Oficial, no Flickr)

Pedro Rocha comemora segundo gol do Grêmio (foto do Grêmio Oficial, no Flickr)

 

As férias estão chegando ao fim. O que é bom dura pouco, dizem no popular. Prefiro pensar que o que é bom vive-se intensamente. É o que tenho feito desde que este período de descanso se iniciou. Este é o último fim-de-semana distante do trabalho e do Brasil. Amanhã começa a viagem de retorno.

 

Uma das boas coisas de não precisar acordar de madrugada para trabalhar é ver com calma, intensamente e na hora que for os jogos do Grêmio. O desse sábado, no horário da Itália, se iniciou às 11 e meia da noite e se estendeu até quase uma e meia da manhã de domingo. Quem estava preocupado com isso? Durmo a hora que bem entender porque no dia seguinte acordo quando estiver com vontade. Claro que dormir com essa sequência de bons resultados, seis vitórias em sete jogos, torna o sono ainda mais agradável.

 

Foi com paciência que assisti à partida contra o Vasco, a começar porque mais uma vez a internet teimou em me deixar na mão em alguns momentos cruciais do primeiro tempo. Mas, principalmente,porque sabíamos que,pela condição do nosso adversário e seu técnico, pegaríamos um time fechado e disposto a qualquer coisa para sair vivo da rodada.

 

Paciência acompanhada de muita troca de passe, dribles para furar o bloqueio e bolas correndo pelas laterais. Foi esta a fórmula que Roger usou para vencer mais uma vez. Sem esquecer da marcação com dois zagueiros que destruíram com o pouco que o adversário tinha a oferecer e dois volantes que sabem jogar com firmeza e categoria.

 

Lá na frente, Luan tem domínio de bola capaz de tirar o marcador do sério. E, com sua falsa lerdeza, aparece com frequência na frente dos zagueiros. Pedro Rocha tem coragem de enfrentar os adversários na velocidade, no drible ou na força. Giuliano está com o futebol reafirmado.

 

Como escrevi no início desta Avalanche, minha temporada de férias está chegando ao fim, período em que o Grêmio subiu com intensidade na tabela de classificação e eu, graças à tecnologia que me acompanha, tive oportunidade de vivenciar está ascensão. Antes de retomar o trabalho ainda tem um jogo pela Copa do Brasil. Torço para que “o que é bom” dure muito e fique cada vez melhor.

Avalanche Tricolor: orgulhoso por ter vencido mais uma batalha

 

Santos 1 x 3 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro/Santos (SP)

 

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Foi aqui, no alto da colina de Ansedonia, que se uniram as forças da infantaria e da cavalaria napolitanas para seguirem, por terra, em direção a Orbetello, província de Grosseto, onde se travava uma das mais importantes batalhas da Guerra Franco-Espanhola, iniciada em 1635. Já se passavam 11 anos, quando os franceses se aproximaram das terras dominadas pelos espanhóis, no mar Tirreno, na região de Toscana. Lá se engalfinharam em inusitado confronto de barcos a velas carregados por galeras contra o exército da Espanha, que contava com o apoio do Reino de Nápoles. O “Assedio di Orbetello”, em 1646, foi protagonizado por comandantes estrategistas e soldados heróicos, que misturavam ações tática e muita bravura.

 

Nesta semana, 369 anos depois, a batalha é celebrada por moradores de Orbetello que, vestidos à caráter e a partir de perfomances artísticas, desfilam pela rua da pequena cidade e preservam aquela história com orgulho. Foi envolvido nesse ambiente e aqui, do alto da colina de Ansedonia, hoje muito mais marcante pelas belas casas e paisagem natural, que, durante minhas férias com a família, assisti, na tela do meu computador, à chegada do Grêmio ao topo do Campeonato Brasileiro – e escrevo isso independentemente do que venha acontecer nas próximas horas, neste domingo de futebol no Brasil. Tanto faz o lugar que nos será reservado na tabela de classificação, pois o que buscávamos alcançamos: vencemos mais uma batalha.

 

Orbetello

 

É a quinta conquista seguida de uma série interminável de batalhas que teremos de enfrentar até o fim do campeonato. Essa foi apenas a décima-primeira. Mesmo após mais um desempenho vitorioso, é impossível imaginar que seremos vencedores sempre. Sabemos que nessa caminhada há o risco de somarmos perdas. Temos de estar prontos para esses momentos, conscientes de que o trabalho está sendo executado de forma correta. Conscientes de que uma batalha perdida deve servir para agregar forças e seguir em frente até a vitória final.

 

Hoje, na Vila Belmiro, o time impôs sua marca: jogadores se movimentado com velocidade e a troca de passe certeira. A marcação firme desde o campo adversário se repetiu apesar de estarmos jogando fora de casa e contra um time que não perdia por ali há 14 jogos. Mais uma vez, o gol veio cedo e resultado dessa nova disposição da equipe, imposta por Roger.

 

Somou-se o fato de os chutes a gol estarem mais precisos. Em muitos jogos desperdiçamos a oportunidade de resolver a partida, apesar das boas chances proporcionadas. Desta vez, não: aos quatro minutos, no primeiro ataque, fizemos 1 a 0, para desequilibrar o adversário; assim que começou o segundo tempo, 2 x 0, para desestimular a reação natural de quem volta reorganizado do vestiário; e a dez minutos do fim, quando já havíamos dado espaço para o 2×1, marcamos o terceiro. Pedro Rocha, Galhardo e Mamute tiveram a chance e … mataram!

 

Com Roger no comando, visão estratégica e jogadores dispostos a cumprir suas funções a qualquer preço, o Grêmio se transformou, calou os que previam o pior e desnorteou os críticos – aqueles que chamaram Luan de “moscão” e disseram que Rocha, nosso goleador, não era um atacante de verdade. Lembra? Eu não esqueço!

 

Nosso exército ainda precisa muito mais para chegar a grande vitória, mas vê-lo jogando da forma como jogou nessa tarde, em Santos, me deixou tão orgulhoso quanto os moradores de Orbetello com seus uniformes de guerra, do século 17.

O crime de injúria racial e o racismo

RACISMO

 

Tomo a liberdade de reproduzir neste blog, conteúdo do comentário de Walter Maierovitch, titular do quadro Justiça e Cidadania, que vai ao ar às quartas-feiras, no Jornal da CBN, quando falou sobre a questão do racismo:

 

O mês de agosto foi marcado por uma escalada racista.

 

No Brasil, o goleiro santista Aranha foi vítima de crime de injúria racista. Aranha foi ofendido na sua dignidade e decoro por uma torcedora gremista identificada.

 

Na Itália, o super-cartola do futebol, —Carlo Tavecchio—, perpetrou racismo ao afirmar que os estrangeiros negros comiam bananas antes de irem jogar em times italianos. E crime de racismo cometeram, também, os torcedores gremistas que entoarem, no estádio, um velho cântico a depreciar negros.

 

Atenção, atenção: o crime de injúria racial, que está no Código Penal, implica em ofensa a uma pessoa certa, determinada. A torcedora gremista dirigiu a ofensa ao goleiro Aranha.

 

No canto da torcida, o crime verifica-se quando não se tem por vítima uma pessoa certa ou pessoas determinadas. Ou seja, agride-se um número indeterminado de pessoa ao se menosprezar determinada raça, cor, etnia ou religião.

 

O crime de racismo não prescreve e não cabe fiança.

 

Já na injúria racista, o crime prescreve e cabe fiança. Cabe até prisão albergue domiciliar.

 

No crime de racismo, a ação penal depende apenas do Ministério Público. Já na injúria racial da gremista, a ação depende do querer do goleiro Aranha.

 

Num pano rápido, já temos leis criminais. Precisamos de educação e sensibilização para vivermos numa pacífica e respeitosa sociedade multicultura.