Avalanche Tricolor: orgulhoso por ter vencido mais uma batalha

 

Santos 1 x 3 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro/Santos (SP)

 

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Foi aqui, no alto da colina de Ansedonia, que se uniram as forças da infantaria e da cavalaria napolitanas para seguirem, por terra, em direção a Orbetello, província de Grosseto, onde se travava uma das mais importantes batalhas da Guerra Franco-Espanhola, iniciada em 1635. Já se passavam 11 anos, quando os franceses se aproximaram das terras dominadas pelos espanhóis, no mar Tirreno, na região de Toscana. Lá se engalfinharam em inusitado confronto de barcos a velas carregados por galeras contra o exército da Espanha, que contava com o apoio do Reino de Nápoles. O “Assedio di Orbetello”, em 1646, foi protagonizado por comandantes estrategistas e soldados heróicos, que misturavam ações tática e muita bravura.

 

Nesta semana, 369 anos depois, a batalha é celebrada por moradores de Orbetello que, vestidos à caráter e a partir de perfomances artísticas, desfilam pela rua da pequena cidade e preservam aquela história com orgulho. Foi envolvido nesse ambiente e aqui, do alto da colina de Ansedonia, hoje muito mais marcante pelas belas casas e paisagem natural, que, durante minhas férias com a família, assisti, na tela do meu computador, à chegada do Grêmio ao topo do Campeonato Brasileiro – e escrevo isso independentemente do que venha acontecer nas próximas horas, neste domingo de futebol no Brasil. Tanto faz o lugar que nos será reservado na tabela de classificação, pois o que buscávamos alcançamos: vencemos mais uma batalha.

 

Orbetello

 

É a quinta conquista seguida de uma série interminável de batalhas que teremos de enfrentar até o fim do campeonato. Essa foi apenas a décima-primeira. Mesmo após mais um desempenho vitorioso, é impossível imaginar que seremos vencedores sempre. Sabemos que nessa caminhada há o risco de somarmos perdas. Temos de estar prontos para esses momentos, conscientes de que o trabalho está sendo executado de forma correta. Conscientes de que uma batalha perdida deve servir para agregar forças e seguir em frente até a vitória final.

 

Hoje, na Vila Belmiro, o time impôs sua marca: jogadores se movimentado com velocidade e a troca de passe certeira. A marcação firme desde o campo adversário se repetiu apesar de estarmos jogando fora de casa e contra um time que não perdia por ali há 14 jogos. Mais uma vez, o gol veio cedo e resultado dessa nova disposição da equipe, imposta por Roger.

 

Somou-se o fato de os chutes a gol estarem mais precisos. Em muitos jogos desperdiçamos a oportunidade de resolver a partida, apesar das boas chances proporcionadas. Desta vez, não: aos quatro minutos, no primeiro ataque, fizemos 1 a 0, para desequilibrar o adversário; assim que começou o segundo tempo, 2 x 0, para desestimular a reação natural de quem volta reorganizado do vestiário; e a dez minutos do fim, quando já havíamos dado espaço para o 2×1, marcamos o terceiro. Pedro Rocha, Galhardo e Mamute tiveram a chance e … mataram!

 

Com Roger no comando, visão estratégica e jogadores dispostos a cumprir suas funções a qualquer preço, o Grêmio se transformou, calou os que previam o pior e desnorteou os críticos – aqueles que chamaram Luan de “moscão” e disseram que Rocha, nosso goleador, não era um atacante de verdade. Lembra? Eu não esqueço!

 

Nosso exército ainda precisa muito mais para chegar a grande vitória, mas vê-lo jogando da forma como jogou nessa tarde, em Santos, me deixou tão orgulhoso quanto os moradores de Orbetello com seus uniformes de guerra, do século 17.

O crime de injúria racial e o racismo

RACISMO

 

Tomo a liberdade de reproduzir neste blog, conteúdo do comentário de Walter Maierovitch, titular do quadro Justiça e Cidadania, que vai ao ar às quartas-feiras, no Jornal da CBN, quando falou sobre a questão do racismo:

 

O mês de agosto foi marcado por uma escalada racista.

 

No Brasil, o goleiro santista Aranha foi vítima de crime de injúria racista. Aranha foi ofendido na sua dignidade e decoro por uma torcedora gremista identificada.

 

Na Itália, o super-cartola do futebol, —Carlo Tavecchio—, perpetrou racismo ao afirmar que os estrangeiros negros comiam bananas antes de irem jogar em times italianos. E crime de racismo cometeram, também, os torcedores gremistas que entoarem, no estádio, um velho cântico a depreciar negros.

 

Atenção, atenção: o crime de injúria racial, que está no Código Penal, implica em ofensa a uma pessoa certa, determinada. A torcedora gremista dirigiu a ofensa ao goleiro Aranha.

 

No canto da torcida, o crime verifica-se quando não se tem por vítima uma pessoa certa ou pessoas determinadas. Ou seja, agride-se um número indeterminado de pessoa ao se menosprezar determinada raça, cor, etnia ou religião.

 

O crime de racismo não prescreve e não cabe fiança.

 

Já na injúria racista, o crime prescreve e cabe fiança. Cabe até prisão albergue domiciliar.

 

No crime de racismo, a ação penal depende apenas do Ministério Público. Já na injúria racial da gremista, a ação depende do querer do goleiro Aranha.

 

Num pano rápido, já temos leis criminais. Precisamos de educação e sensibilização para vivermos numa pacífica e respeitosa sociedade multicultura.

Avalanche Tricolor: da terra dos Portaluppi

 

Atlético PR 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Curitiba PR

 

 

Distante do Brasil, mas próximo dos Portaluppi. Daqui de onde estou, em direção ao norte, pouco mais de 400 quilômetros me separam da região de Verona, onde haveria registros da presença da família Portaluppi, que se dedicaria a função de notário, ainda no século 13. Pouco antes tem Milão, onde nasceu o arquiteto Piero Portaluppi, no finalzinho do século 19, que deixou sua marca em prédios e casarões, tendo ajudado no desenvolvimento urbano com seu talento e conhecimento. Impossível saber no momento em que publico este post se pendurado na árvore genealógica de algum deles estaria seu Francisco, casado com dona Maria, que adotou a cidade de Bento Gonçalves para criar seus 13 filhos, seis mulheres e sete homens, um deles, o único Portaluppi que realmente me interessava no fim da noite de sábado, aqui em Ansedonia.

 

A despeito de toda a riqueza histórica que me cerca na Itália e diante do Mar Tirreno que me acompanha nestas férias, estava antenado mesmo era na possibilidade do filho do Seu Francisco reconstruir em poucos dias a obra retorcida deixada por seu antecessor. Alguns minutos de jogo, assistidos na pequena tela do Ipad, através da minha caixa mágica que copia pela internet as imagens de meu televisor em casa, no Brasil, foram suficientes para perceber que estava exigindo de mais na reeetreia de nosso técnico. Renato já fez muito com a bola nos pés, inclusive aqui na Itália, quando jogou pelo Roma, na temporada de 1988/1989 e teve alguns bons momentos como técnico, a última com o próprio Grêmio, em 2010, mas para colocar o time em ordem precisará de tempo, bem mais do que alguns dias de treino. Não que seja necessário mudar muitos jogadores de lugar, mas terá de encaixá-los nas funções para as quais estão mais bem qualificados. As bolas chutadas por cima do meio de campo, a falta de companheiros mais bem colocados para receber o passe e o aparecimento de jogadores fora de posição revelam um desarranjo na equipe. Além disso, caberá ao nosso Portaluppi mexer com a cabeça e o ânimo de cada um deles para recuperar a alma sugada pela passagem de Luxemburgo.

 

No jogo mal jogado de sábado, que me fez dormir de madrugada, dado o fuso horário, ao menos a satisfação de ver, quase ao final, o lance mais bonito da partida, quando Maxi Rodríguez, há pouco tempo em campo, com precisão e distância, acertou lançamento no pé de Barcos, atacante que já incomodava por não deixar sua marca. A jogada certeira de Maxi e a retomada dos gols de Barcos, quem sabe, abrem esperança para que Renato Portaluppi nos devolva a satisfação de ver o Grêmio em campo. Enquanto isso não ocorre em definitivo, fico por aqui aproveitando as alegrias e prazeres que a terra dos Portaluppi têm a nos proporcionar.

Conte Sua História de SP: a casa da Avenida Brasil

 

No Conte Sua História de São Paulo, o depoimento de Ana Maria Mato Nardelli, gravado pelo Museu da Pessoa. Ana Maria chegou da Itália com 17 anos, ao lado da irmão e da mãe. O pai, comerciante bem sucedido, viaja muito ao Brasil, para fazer negócios. Lá no início da década de 1950, mandou buscar a família. Havia decidido morar de vez por aqui. Foram todos para uma casa alugada na Avenida Brasil com a Rebouças. Ana Maria conta que naquela época, as avenidas eram largas; as distâncias, enormes; e, apesar dos edifícios do Centro e a arquitetura francesa, boa parte da cidade ainda parecia selvagem. O clima de São Paulo também era bem diferente dos tempos atuais: mais úmido e frio, o que a fazia lembrar da Itália.

 

Ouça a história de Ana Nardelli, que foi ao ar na rádio CBN, sonorizada pelo Cláudio Antonio:

 

 

Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva um texto para milton@cbn.com.br ou agende uma entrevista em áudio e vídeo pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Milão: curadoria de moda

 

Por Dora Estevam

 

As passarelas da semana de moda de Milão – MFW – vieram cheias de estilo: cabelos moicanos, cabelos molhados, bolsas de bichos peludos, chapéus de cavalaria … Um calendário de desfiles que teve início no dia 20 e segue até 26 de fevereiro. As coleções apresentadas se referem as tendências de outono inverno 2013/14. As marcas Made in Italy garantem o sucesso do espetáculo: Gucci, Prada, Roberto Cavalli, Dolce & Gabanna, Versace, Giorgio Armani, além de estilistas novatos.

 

Como são muitas marcas e vários dias, fiz uma curadoria das marcas que desfilaram e separei para você o que eu achei de mais interessante. Gosto de colocar fotos tanto do desfile quanto dos bastidores, igualmente interessantes.

 

A Prada desfilou na tarde da quinta-feira (21/02), foi transmitido ao vivo pelo site e muitos puderam acompanhar ao vivo. O cenário foi bem parecido com o do desfile de inverno da marca masculina, e o gato veio no encerramento. As manequins apareceram com os cabelos molhados, que já é tendência, exibiram muitas saias, cinturas marcadas por diversos modelos de cintos, ora finhinhos, ora mais largos, em tons de prata, dourado e preto. Trouxeram as bolsas em couro e em estampa Vichy, que também apareceu na roupa. A trilha musical veio intercalada com Whispers, fade To grey de Visage e Des Orages Pour La Nuit, Gabriel Yared. Cabelos molhados e escorridos, Lindo!

De moda, cabelo e make a Fendi entende. O estilista da marca Karl Lagerfeld se inspirou nos Astecas para desenvolver a coleção de inverno. É da Fendi que vieram as bolsas peludinhas com bichos engraçadinhos e fofos, os listrados coloridos misturados aos tons mais escuros. O que o estilista mostrou foi uma mulher guerreira, urbana e contemporânea. Fendi reinterpreta o uso da pele através da fabricação da alta tecnologia e do artesanato, promovendo um estilo feminino dominador, quase tribal, dominador, animal. As saias e os vestidos em peles vieram acima dos joelhos. As calças no tornozelo. Na cartela de cores o bege, rosa cinza, preto, branco, rosa fluor, azul elétrico, marrom e roxo. Os materiais sofisticados como seda, couro, cashmere, vison, raposa, lantejoulas, cetim etc. A silhueta bem feminina e anatômica contrasta com as formas geométricas e arquitetônicas. As bolsas apareceram ora em couro ora decoradas com brilhos e franjas, as botas de amarrar com saltos espelhados e forradas com pele. Os cabelos moicanos e os óculos de sol bem ao estilo punk, cheios de atitude.

A passarela é sem dúvida o lugar de destaque onde conseguimos ver todos os modelos apresentados, um a um, da maneira que o estilista pensou a coleção. Porém, é nos bastidores que acontece toda a correria para os desfiles. Maquiadores com seus pincéis, modelos à espera do grande momento. Uma horinha que os fotógrafos de moda estão se especializando cada vez mais para registrar estes momentos. As modelos também, muitas colocam as fotos no Instagram e são mil vezes curtidas. Vamos ver algumas meninas nos bastidores do desfile da Fendi, já que acbamos de ver as fotos delas prontas na passarela.

E o que dizer da coleção da Versace? Feminina e sexy. As inúmeras combinações com as cores preto, branco e amarelo. As saias curtas esilhuetas ajustadas, sexys. As botas e pelos, glamour. Misturas

A marca Italiana Moschino trouxe para a passarela toda a referência londrina, paixão da estilista. As produções pareciam uniformes escolares da escola britânica escocesa. Uma coleção jovem, porém, com pitadas clássicas as quais remetem as insígnias nas roupas. Detalhe para os chapéus de cavalaria e os enormes brincos dourados, lindos!

A Dsquared2 veio cheia de androginia, elegante. Hora as meninas apareciam vestidas com terninhos masculinos, ora bem femininas com vestidos em seda fluido e silhueta ajustada ao corpo. Pelos, chapéus, sandálias com meias, lenços, gravatas borboletas, teve de tudo.

E o eleito para acabar este post foi o vídeo da Style.com que mostra a passarela, os comentários dos editores das principais revistas do mundo e a linha de frente. Enfim, a elegância da mulher italiana.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

Conte Sua História de SP: E nasce uma família na cidade

 

Do livro Conte Sua História de São Paulo (Editora Globo), reproduzo aqui o texto da ouvinte-internauta Luciana Gerbovi. “E nasce uma família na cidade” descreve como a família dela se encontrou na capital paulista:

 

Ouça aqui o texto sonorizado pelo Cláudio Antonio que foi ao ar nesse sábado, no CBN São Paulo

 

Foi São Paulo quem recebeu, em 1925, meu bisavô nascido e criado na antiga Iuguslávia. Por amos à família, à vida e à paz, saiu da cidade de Vela Luka carregando consido a esposa, um filho e três filhas, uma das quais se tornaria minha avó.

 

Foi São Paulo quem recebeu, anos depois, um adolescente também nascido na antiga Iuguslávia, que mais tarde se tornaria meu avô.

 

Foi São Paulo o lugar em que os então jovens iugoslavos se conheceram, casaram e tiveram três filhos, um dos quais seria meu pai.

 

Muitos anos antes daquele 1925 marcado pela chegada de meu bisavô, foi São Paulo quem recebeu meus trisavós, saídos da Itália e da Espanha, que aqui casaram e tiveram filhos e netor. Esses netos de espanhóis e italianos aqui se conheceram e tiveram seus filhos. A menina um dia seria minha mãe.

 

Foi em São Paulo, já na década de 1960, durante um trajeto de ônibus, que o jovem filho de iuguslavos e a jovem neta de espanhóis e italianos se encontraram, se apaixonaram e, a partir de então, protagonizam uma das mais belas histórias de amor e de respeito que conheço.

 

Foi também em São Paulo que esse casal teve sua primeira filha: eu.

 

Ainda que a vida profissional de meu paiu tenha me levado a passar a infância e a adolescência no interior do Estado, nunca deixei de estar em São Paulo: aqui mora toda a parte brasileira da história de nossas famílias.

 

Foi São Paulo quem me acolheu para os estudos de nível superior, onde encontrei grandes amigos e conheci o meu amor. É aqui que rpetendo ter e criar meus próprios filhos.

 

Foi, é e sempre será São Paulo

Look Milão, estilistas italianos

 

Por Dora Estevam

 

O mundo da moda está sempre pronto para oferecer novidades e surpresas para todos. O calendário da vez mostra a semana de moda italiana: Settimana della moda milanese. Desfiles diariamente de 19 a 25 de setembro, com tudo o que a moda tem de direito. A capital da moda, como é conhecida Milão, vem apresentando os desfiles dos estilistas italianos: Gucci, Prada, Roberto Cavalli, Dolce & Gabana, Versace e Giorgio Armani, ou seja, os grandes estilistas.

 


Acesse aqui para ver o line up completo da semana

 

Vamos ver algumas reproduções de quem já passou por lá para saber o que eles mostraram.

 

A começar pela marca Just Cavalli que está inaugurando a flagshipstyore em grande estilo com Deejay e muita sofisticação. A marca trouxe para esta estação (primavera-verão 2013) modelos de jaquetas e calças nos estilos funky, rock e techno, bem misturado mesmo. Embora aparente casualidade nos estilos os modelos são muito sofisticados.

 

 

A coleção da Etro foi inspirada nas pinturas orientais que a estilista Victoria Etro viu no Museu Reina Sofia de Madrid. Fauna, flora e romantismo declaram o espírito da marca nesta temporada.

 

 

Vamos curtir as maravilhas da coleção Versace. Quero todos, já! Uma coleção sexy e super feminina, nenhuma mulher poderá resistir.

 

 

Cheia de grafismos, estampas e florais chegou a coleção Moschino. Além do coloridão, batom vermelho, carregada nos acesórios prata nos olhos…cara de anos 60.

 

 

O pessoal da primeira fila encara as  lentes dos fotógrafos que querem mostrar ao mundo quem pode na moda. Celebridades, editores de grandes revistas como Vogue, Elle, Grazia..entre outras. É a turma do frontroll: Karine Roitfeld, Brian Boy, Anna Dello Russo.

 

 

Se nas passarelas é assim, quem vai assistir também não deixa por menos, os fashionistas, esditores e fotógrafos que circulam pelas ruas e corredores tchamam a atenção, street style Milan.

 

 

É isso, show de moda para vocês, beijos e até a próxima.

 

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung

Em família, pedalando na natureza de La Feniglia

 

Bicicleta em Ansedonia

 

Pedalar é uma das melhores maneiras de conhecer uma região, sendo assim não podia rejeitar o convite da família assim que cheguei a Ansedonia. Perto da casa onde estou aproveitando as férias, é possível alugar bicicletas a € 6 e andar o dia inteiro, a única obrigação é estar de volta antes das oito da noite, caso contrário você vai ter de ouvir poucas e boas do dono do negócio, que, por sinal, arrisca algumas palavras (e palavrões) em português, fruto do casamento com uma brasileira. Eles haviam descoberto o passeio alguns dias antes e não viam hora de me apresentar o programa que, sabiam bem, iria me agradar em cheio.

 

Antes de seguir em frente nesta história, dadas as imagens que tenho acompanhado da campanha eleitoral em São Paulo, considero ser importante o alerta aos raros e caros leitores do blog que, apesar de aparecer em fotos com uma bicicleta, não me lançarei candidato a prefeitura nem a vereador.

 

Dito isto, vamos as minhas pedaladas.

 

Pedalando em la Feniglia

 

Logo no primeiro dia de descanso éramos cinco embarcando em quatro bicicletas, lógico que o carona sobrou para mim, supostamente o mais bem preparado para pedalar em longa distância, já que a maioria dos meus companheiros de viagem não se atreve a “bicicletiar” quando está em São Paulo. O caminho sugerido não poderia ser mais inspirador, uma trilha de seis a oito quilômetros nas dunas de La Feniglia, uma reserva florestal que liga Ansedonia a Monte Argentario, tomada de pinheiros mediterrânicos que amenizam o intenso calor desta época do ano. Ao contrário do que se poderia imaginar, o terreno é firme e com subidas amenas, o que me permitiu percorrê-lo com tranquilidade, apesar do peso do meu carona. O trajeto segue em paralelo a praia e a cada um quilômetro você tem o acesso ao mar lhe convidando para uma parada. A trilha sonora, composta por uma enormidade de cigarras, embala cada pedalada. E a copa das árvores se encontrando criam a sensação de um extenso túnel verde com sombra e ar agradável.

 

Bicicleta na praia

 

Das muitas coisas legais neste caminho é saber que a qualquer momento você pode descansar na beira do mar. Antes de entrar na praia você encontra locais apropriados para estacionar as bicicletas, apesar de a maioria das pessoas preferir deixá-las o mais próximo possível das barracas. E são muitas as famílias que usam a bicicleta para chegar ao local, apesar de haver estacionamentos para carros nas duas pontas, do lado de Ansedonia e de Monte Argentario. Muitos combinam os dois tipos de transporte. Nossa intenção não era ficar na praia, portanto fizemos apenas um pit stop, entramos no mar, nos refrescamos e logo retornamos às bicicletas. É possível pedalar até o lado de trás desta faixa de areia de onde se consegue ver a cidade de Orbetello e o lago que a cerca e, se tiver fôlego, seguir em frente para cruzar por um santuário de pássaros. Um dos poucos obstáculos foi uma cobra que cruzou nosso caminho, que parecia bem mais assustada do que todos nós.

 

Orbetello

 

Desta vez, decidimos não entrar em Monte Argentário e retornamos pelo mesmo caminho, assim que avistamos a saída de La Feniglia. Em todo passeio encontramos famílias pedalando, muitas transportando sacolas, barracas e outros penduricalhos típicos de quem pretende ficar o dia à beira mar. E o dia merecia este descanso. Nós estávamos entusiasmados demais para pararmos por muito tempo em qualquer lugar, queríamos mesmo era pedalar e aproveitar toda a paisagem. E o fizemos com muito prazer.

Avalanche Tricolor: Com o Grêmio, onde eu estiver

 

Cruzeiro 1 x 3 Grêmio
Brasileiro – Belo Horizonte (MG)

 

 

O mar Tirreno desenhado pelas praias de La Feniglia mais a direita e o Monte Argentario ao fundo compuseram o cenário de onde assisti à partida desse domingo. Cinco horas a frente, quando o jogo se iniciava em Minas Gerais já deveria ser noite na Itália, mas em Ansedonia, cidade pequena ao sul da Toscana, o sol teima em permanecer no céu até pelo menos às nove horas e, em boa parte do primeiro tempo, o colorido provocado por seus raios no horizonte dividiu minhas atenções com o ótimo desempenho da equipe tricolor. A região onde estou ganhou espaço no noticiário internacional devido a barbeiragem do comandante Schettino que tombou o Costa Concórdia e matou 30 pessoas, local que virou atração turística que, confesso, não me interessei a visitar, pois são tantos os lugares históricos e bonitos nas redondezas que não me entusiasmaria com a desgraça alheia.

 

Para ter as imagens do Grêmio, em continente tão distante, me beneficie de um equipamento eletrônico que havia comprado na última viagem aos Estados Unidos. Com o SlingBox, uma pequena caixa preta que se conecta no modem da TV a cabo e na internet de casa, consigo acessar as imagens da minha televisão em qualquer ponto do planeta usando um celular, um tablet ou um computador. Com o aplicativo SlingPlayer devidamente instalado e uma conexão wi-fi à disposição, foi muito simples ver o jogo desse domingo. O equipamento não exige nenhum conhecimento muito apurado, é simples de ser ligado e acessado, basta ter as peças certas colocadas nos lugares certos – um pouco daquilo do que se viu na partida de domingo.

 

A escalação de Luxemburgo não teve invenção. Wesley e Gilberto Silva são os dois melhores zagueiros à disposição. Tony na ala direita se revelando cada vez mais competente e habilidoso para chegar na linha de fundo e Pará, na esquerda, como melhor opção que se tem até o momento. Os volantes Fernando e Souza são especiais, seja pela forma como marcam seus adversário seja pela tranquilidade com que saem jogando, coisa rara para gente da posição. Zé Roberto e Elano têm experiência, sendo que o primeiro é muito superior a maioria dos que estão jogando por aqui e o segundo, se estiver concentrado no futebol, pode fazer diferença. No ataque, Kleber e Marcelo Moreno. Não quero dizer que esta é a melhor escalação do Campeonato Brasileiro, mas, com certeza, é a melhor que o Grêmio tem para este campenato e, portanto, é com esta que devemos seguir em frente.

 

Nem mesmo a falta de um zagueiro na maior parte do jogo, provocada por mais um erro do árbitro, desequilibrou o Grêmio, que preferiu passar a bola e mantê-la em seu domínio a sorteá-la com chutões para o alto, como costumava fazer. De diferente em relação as demais partidas, o fato de que a posse de bola resultou em chutes a gol e, não por acaso, levou os dois atacantes a voltar a marcar.

 

O domingo me proporcionou duplo prazer. Além de aproveitar as praias e as incríveis paisagens desta região da Itália, pude apreciar o melhor desempenho do Grêmio neste ano. As férias vão terminar em breve. Que o futebol gremista se repita até o fim desta temporada !

Fim de férias

 

16 de julho, sexta-feira. Está lá na agenda. Dia de voltar ao trabalho.

Tive ‘meias’ férias este ano. Mas com cara de férias inteiras. Ao lado da família, reforcei laços, confirmei prazeres e, imagino, consegui transmitir a esta a necessidade que tenho de sempre estar ao lado dela.

Um dos momentos mágicos destes dias de descanso era o início de noite com o olhar voltado para o Mediterrâneo. Compartilho com você, caro e raro leitor deste blog, um desses instantes que encontrei na visita a Toscana.

Do lado de cá, Orbetello, que faz parte de um conjunto de pequenas cidades, desenhadas pelo mar, na região de Argentario. Do lado de lá, o sol.

Retomo nossa conversa nesta sexta-feira, no CBN SP e aqui no Blog. Até lá.