Avalanche Tricolor: isto é jogo de Libertadores

 

Huachipato 1 x 1 Grêmio
Libertadores – Talcahuano (Chile)

 

Huachipato x Gremio

 

Isto é jogo de Libertadores! Luta-se com as habilidades que se tem, supera-se as que carecem com coragem e nada pode ser tão difícil que não sejamos capazes de enfrentar.

 

Fez-se um gol para enaltecer os craques Zé Roberto, nosso melhor jogador nesta primeira fase, e Barcos, um atacante que impressiona mesmo sem marcar. Um golaço de “meia-bicicleta” que teve a participação desta dupla no início, quando a bola foi tomada na intermerdiária, e na conclusão da jogada. O que revela disposição e talento.

 

Ganhou-se um herói. O herói de uma perna só. Manquitolando, Werley vestiu a camisa tricolor com orgulho até o seu final, mesmo com dor. Nada lhe impediria de lutar até o fim (e mesmo depois do fim)

 

Sofreu-se com a pressão adversária e o empate. Chutões para despachar a bola foram necessários. Carrinho na bola, bola prensada e até mão na bola, também, fizeram parte do nosso repertório nessa noite no Chile.

 

E diante de tudo que se enfrentou dentro de campo e no jogo, por que fugir da luta (agora me refiro a campal)? Enfrentamos a violência, injustificável, após a partida, com a mesma garra e determinação que nos levaram a conquista da vaga.

 

Uma noite de Libertadores!

Avalanche Tricolor: do jeito que o Grêmio é

 

Grêmio 0 x 0 Fluminense
Libertadores – Arena

 

O torcedor tomou a Arena, vibrou o quanto pode, marcou cada jogada do adversário com vaias e teve paciência com os erros de seu time. Fez o que se esperava de uma torcida como a do Grêmio que tem orgulho de sua história.

 

Em campo, assistimos ao esforço de Zé Roberto, à segurança e talento de Fernando e às insistências de Pará. Tivemos a oportunidade de ver nosso time lutar de forma heróica contra a superioridade numérica e as limitações de alguns de nossos jogadores. Se não fizemostudo que queríamos, fizemos o que podíamos fazer.

 

O resultado em nada muda nossa caminhada na Libertadores. A decisão seria, independentemente do placar, na rodada final jogando fora de casa, contra tudo e contra todos. Do jeito que o Grêmio sabe e gosta de fazer.

Avalanche Tricolor: vencemos, mas o que interessa é quarta-feira

 

Grêmio 1 x 0 Cerâmica
Gaúcho – Arena Grêmio

 

Gremio x Ceramica

 

Jogo é jogo e treino é treino, diz uma das máximas do futebol. Se me permitem, vou estender a frase que tenta explicar os motivos que levam jogadores e times a se comportarem de forma diferente de acordo com as circunstâncias: Libertadores é Libertadores. É por isso que querer adivinhar o que acontecerá na próxima quarta-feira quando estaremos diante de mais um desafio na temporada com base no que fizemos nesses últimos jogos do Campeonato Gaúcho é quase impossível. Ânimo, disposição e receios são diferentes conforme o objetivo que se pretende alcançar. O esforço para impedir que a bola escape pela lateral é maior; busca-se no fundo da alma a respiração que pode fazer falta para impedir que o adversário chegue para o cruzamento; e da mesma forma a precisão no chute e no passe se diferencia, podendo até ser prejudicada de acordo com a capacidade de cada um de lidar com a pressão.

 

Ganhamos na noite de sábado de um adversário sem expressão e de campanha acanhada em um campeonato ainda mais limitado. E, mesmo assim, precisamos que um zagueiro atrapalhado desviasse a bola para dentro de seu próprio gol. Houve instantes de apatia em que o futebol foi esquecido, mas também momentos que me entusiasmaram pela iniciativa do time de se movimentar com velocidade e trocar passe de forma qualificada. Foram poucas as chances de ampliar o placar, apesar do domínio que tivemos. E as poucas foram desperdiçadas.

 

Se nem tudo se desenvolveu em campo como gostaríamos, nada diminuiu meu entusiasmo para a partida decisiva que teremos. O time com esta formação, sem invenção e mesmo sem Elano, tem maturidade e se entende bem. Há vacilos na defesa que podem ser resolvidos com a mesma disposição imposta na partida contra o Fluminense, no primeiro turno da Libertadores. E há insegurança de alguns jogadores que pode ser substituída a partir do grito do torcedor. Aqui está um ponto fundamental: a força de nossa torcida, sem a impaciência que temos demonstrado. Marco Antônio tem sido o alvo preferido pois é inferior a Elano e não convenceu até hoje. Vanderlei Luxemburgo aposta nele e diz que o jogador era escalado na posição errada. Espero que tenha razão. Torço para que nosso meio-campo cale os críticos (eu entre eles) e o vejo marcando o gol que nos dará a vitória. Foi assim que escrevemos nossa história: com superação.

 

Veja o caso de Pará, lateral que teve de migrar da direita para a esquerda em toda temporada passada, sem nunca se transformar em um diferencial. Está melhorando a cada partida, surge na linha de fundo com coragem, faz cruzamentos decisivos e retorna para a defesa com o mesmo vigor. Até aquele corte de cabelo estranho tem me parecido mais interessante. Só a alma tricolor explica estes fenômenos, esta mesma que, tenho certeza, vai se expressar no gramado da Arena na próxima partida da Libertadores. Até lá.

Avalanche Tricolor: assim é a Libertadores !

 

Caracas 2 x 1 Grêmio
Libertadores – Caracas (Venezuela)

 

Havia crateras na grama do estádio Olímpico da Universidade Central da Venezuela que, soube pelos narradores da SporTV foram feitas em partidas de rugbi e provas de atletismo, como arremesso de martelo, além do próprio futebol, praticado por oito diferentes clubes. O gramado da Arena, motivo de tantas reclamações pelo pouco tempo para ser implantado, poderia ser comparado a um tapete diante das condições oferecidas para se disputar o jogo desta noite, em Caracas.

 

Esta foi a primeira atividade esportiva oficial na Venezuela desde a morte do presidente Hugo Chavez, há uma semana, o que torna estranha a decisão da Conmebol de não autorizar a realização de um minuto de silêncio antes do apito inicial. Comoção e tensão se misturavam frente ao impasse político pelo qual enfrenta o país já em clima de eleição. Havia nervosismo nas ruas de Caracas, apesar de dentro do estádio se assistir à uma torcida adversária entusiasmada e um adversário disposto a impedir a repetição da goleada na semana anterior, em Porto Alegre.

 

Foi neste cenário que o Grêmio teve de enfrentar mais um desafio no caminho do Tri da Libertadores. Colocando a bola no chão e driblando carências e emoções, se fez forte para sair na frente no placar, no primeiro tempo, mas mesmo com futebol melhor não conseguiu resistir as falhas individuais. Ao contrário das duas partidas anteriores, tinha talento, porém não soube somar a raça que lhe diferencia. Perdeu muitas divididas em um jogo no qual o adversário marcava forte.

 

Em Libertadores é preciso se adaptar a todas as situações e saber que a vitória nunca chegará sem sofrimento. Menos ainda o título que sonhamos.

Avalanche Tricolor: talento e seriedade, raça e categoria

 

Grêmio 4 x 1 Caracas
Libertadores – Grêmio Arena

 

 

Driblamos as máximas do futebol, espantamos a tal maldição do Grupo 8 e, mais do que tudo, jogamos bola de verdade, nesta noite em Porto Alegre. A vitória se desenhou nas palavras de Vanderlei Luxemburgo pouco antes de a partida se iniciar, ao alertar para a necessidade de não se tomar gol, marcar muito forte o adversário, aproveitar bolas paradas e tudo isso durante os 90 minutos. Mal a bola começou a rolar e o discurso do técnico se traduziu em atos e fatos dentro de campo. Os venezuelanos, se já estavam abalados com a morte de seu presidente Hugo Chavez, ficaram estonteados com a forma como os gremistas ocuparam todos os espaços, impediram a troca de passe e a saída de jogo. Com a bola recuperada, tocavam com rapidez, se deslocavam com velocidade e esbanjavam talento.

 

Dizem por aí que a melhor defesa é o ataque, mas mostramos que a defesa bem armada, séria e competente pode fazer o ataque melhor ainda. Uma defesa que contava com a ajuda do ataque sempre que necessário, pois se Pará perdia a bola na tentativa do cruzamento na linha de fundo, quem impedia o contragolpe era Barcos, como anotei aos 34 minutos do primeiro tempo.  Os passes de calcanhar, os dribles em busca do gol e a movimentação inteligente para ficar mais bem colocado em campo me chamaram tanto atenção quando os carrinhos para impedir o avanço do adversário e as bolas despachadas para a lateral. 

 

Elano, impressionante; Zé Roberto, incomparável; Barcos e Vargas, a dupla dinâmica; André Santos de uma lado e Pará do outro, surpreendentes; e nossos zagueiros e volantes jogando o que sempre espero de zagueiros e volantes (e até um pouco mais). 

 

Talento e seriedade, raça e categoria. Este Grêmio promete muito na Libertadores.

Avalanche Tricolor: um drible nos prognósticos


Fluminense 0 x 3 Grêmio
Libertadores – Engenhão (RJ)

 

Diante de uma vitória como a desta noite, poucas palavras são necessárias. Diante da saga de um clube como este, todos os prognósticos são desnecessários. Driblamos a lógica, demos um chega pra lá no destino que tentam nos escrever. Ou você não lembra daqueles que já nos viam fora da disputa com apenas uma rodada realizada? O Grêmio mostrou, no Rio de Janeiro, porque é considerado Imortal. Não é porque jamais seremos vencidos, é porque jamais aceitaremos que a história seja contada antes de ser vivida. E, desta vez, lutamos com bravura, sim, como sempre deveríamos lutar. Mas sem abrir mão do talento. Porque estes não são excludentes.

 

Paro por aqui, pois escrevi lá em cima que poucas palavras são necessárias para falar desta vitória. E agora já é momento de pensarmos na próxima disputa, pois o sonho do tri da Libertadores ainda nos reserva árduas batalhas que precisarão ser sofridas e vencidas uma à uma.

Avalanche Tricolor: por que seria diferente?

 

Grêmio 1 x 2 Huachipato
Libertadores – Arena Tricolor

 

 

A Avalanche foi interditada, uma parte do estádio teve de ficar vazia, a chuva despencou e a luz apagou. No time, havia quem mal se conhecia nem falava a mesma língua. Na estreia, um adversário desconhecido mas de bom futebol, franco atirador na chave e disposto a surpreender. E um juiz trapalhão. E alguém imaginou que pudesse ser diferente? Nossa vida poderia ser mais simples? Claro que não. Somos fadados ao sofrimento e assim será até o fim desta Libertadores. Que venha o próximo jogo e que nos salve a Imortalidade!

Avalanche Tricolor: obrigado por me dar o direito de sorrir

 

Grêmio 1 (5) x 0 (4) LDU
Libertadores – Arena Tricolor

 

 

A bola rolava no gramado, jogadores lutavam contra um adversário duro e um árbitro mole e os torcedores empurravam o time à frente. Mas havia uma tristeza intrínseca iludida pelas emoções que o futebol nos provoca. Uma tristeza representada na tarja preta na manga das camisas tricolores e em faixas carregadas pela torcida. Sinais que lembravam a morte dos mais de 230 jovens em Santa Maria ainda muito presentes na memória do povo brasileiro, e gaúcho em especial. Qualquer cosquista, por maior satisfação que nos oferecesse, não seria suficiente para mudar a realidade do dia seguinte, quando a tensão do jogo se esvairia e perceberíamos como é fugaz a alegria diante da dimensão da tragédia ocorrida no interior do Rio Grande do Sul. Quis o destino, porém, nos dar o direito de sorrir por alguns instantes nesta noite. Um sorriso sofrido por tudo que envolvia o jogo e pela forma como a vitória chegou. E um sorriso particular pela conquista individual de Marcelo Grohe ao defender a última bola do jogo e calar os críticos incapazes de enxergar o ser humano acima de suas vaidades pessoais.

 

Obrigado, Grêmio, por me dar um só motivo para sorrir nesta semana.

 

Avalanche Tricolor: nada está decidido

 

LDU 1 x 0 Grêmio
Libertadores – Quito (EQ)

 

Os anos de luta nos deixam calejado, ensinam a entender os fatos por uma perspectiva mais ampla, nos afastam da frustração comum nos resultados negativos tanto quanto da ilusão provocada pelo sucesso fugaz. Por isso, independentemente do placar e do desempenho desta noite a 2,8 mil metros acima do nível do mar – o que deveria impedir jogos de futebol por se transformar em uma espécie de doping sem droga -, saímos de campo com a consciência de que nada se decide agora e se sonhamos seguir em frente na Libertadores temos que saber superar nossas carências e nosso adversário dentro da Arena, que, esperamos, se transforme em novo templo de conquista.

 

Quis os descuidos de 2012 que começássemos esta temporada sob o signo da decisão, nos obrigando a superação desde o primeiro momento, seja pelos dez dias afastados de casa, na tentativa de se adaptar a altitude, seja pelo esforço extra de correr por 90 minutos com menos gás à disposição, seja pelo risco de jogarmos fora todos os investimentos do ano ainda quando para alguns o ano sequer começou. A diretoria trouxe os jogadores que o técnico pediu, os jogadores ganharam tempo para se preparar, mesmo com o calendário apertado, e o time, claro, ainda precisa se conhecer. Vargas nem foi apresentado a todos seus companheiros, por exemplo.

 

Nosso próximo compromisso será dia 30 de janeiro, em Porto Alegre, na partida de volta com a LDU. E estaremos em campo tentando não ser influenciado, nem para o bem nem para o mal, pelo resultado dessa noite. Temos de ter os pés no chão, a cabeça no lugar e o coração na ponta da chuteira, não importando quantos gols precisamos fazer, quantas dificuldades ainda teremos de encarar, por que o Grêmio sempre tem de jogar desta maneira. Faz parte da nossa alma tricolor.

Avalanche Triciolor: Em família, feliz e na Libertadores

 

Grêmio 2 x 1 São Paulo
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

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Sozinho, sofredor e sempre acreditando, começo a assistir à decisão deste domingo emocionado com o estádio Olímpico tomado de gremistas. É das últimas vezes que veremos estas imagens do Monumental sacudindo com o pulo e grito dos torcedores, que, por merececimento, teriam de vir acompanhadas de uma excelente apresentação e a vitória, lógico. Como esperar tudo isso, porém, com quatro dos principais jogadores afastados, dois deles fundamentais para o time, casos de Elano e Kleber, e contra uma equipe que, foi o que ouvi durante toda a semana dos entendidos em futebol, tem feito atuações fabulosas? O revés no primeiro tempo, no instante em que o time apresentava-se melhor, resultado de dupla falha de Saimon, um dos que deixaram o estaleiro para formar a defesa, reforçava o ceticismo, sem apagar a esperança.

 

Aos poucos meu isolamento no sofá foi sendo substituído pela companhia da mulher, a primeira a se aproximar. Fez para me ver feliz, pois, mesmo tendo trabalhado com futebol por muitos anos, nunca admirou muito as partidas. Os meninos, como sempre, começaram o jogo diante do computador, apesar de que, com a habilidade que desenvolveram desde pequeno, são capazes de compartilhar a diversão digital com as emoções do jogo na TV. O resultado ruim em campo os fez se aproximar, talvez pelo mesmo sentimento que moveu a mãe, solidariedade. Sabiam quanto uma derrota naquelas condições, com aquela expectativa, com a chance desperdiçada de alcançar a passagem direta para a Libertadores iria calar fundo.

 

O menor se espremeu entre os pais. O mais velho chegou em seguida e se sentou no chão a frente do sofá. Para todos estarem ali em volta era porque percebiam que o momento exigia concentração total. Eram necessários mais do que os 45 mil torcedores que estavam no Olímpico. As tentativas de gol eram festejadas e as excelentes jogadas de Zé Roberto aplaudidas. Olhavam-me com piedade nas bolas perdidas e tentavam entender minha reclamação contra o árbitro mesmo quando ele acertava. O apoio deles me trouxe força e preocupação. Não gostaria de tê-los ali para compartilhar uma derrota. Seria marcante comemorarmos juntos uma virada que começou a se desenhar com a excelente – ou seria fabulosa? – apresentação do segundo tempo. Era outro time, outros jogadores, um futebol com mais personalidade.

 

Veio o primeiro gol do Guerreiro e a certeza de que o segundo se avizinhava. Veio o segundo com Moreno e a garantia de que nada mais poderia nos deter. Os torcedores gritaram “Fica Luxemburgo” e tive de explicar o por quê. Pediram “Fica Zé Roberto”e eu expliquei, também. Deram olé, foram superiores e comemoraram a vitória como se tivessem levado o título. E eu não precisei dizer mais nada. Apenas nos abraçamos, pois estávamos de volta à Libertadores no melhor estilo do Imortal Tricolor.