Foto-ouvinte: supermercado "recicla" livros

 

 

Uma das grandes redes de supermercados dos Estados Unidos, a Hannaford, criou espaços para a “reciclagem” de livros, nos informa o ouvinte-internauta Batista Neubaner, que acompanha a CBN pela internet, em Lowell, estado de Massachusettes. Os clientes deixam na loja os livros usados que serão depois “vendidos” por valores irrisórios. Algo como dois por U$ 1,00 ou quanto o leitor tiver no bolso para pagar. O dinheiro arrecadado vai para entidades filantrópicas com as quais o supermercado mantém convênio. A cada 15 dias, uma nova entidade é beneficiada. Ideia simples, fácil de ser executada, que abre espaço na estante do leitor e torna a leitura acessível a todos.

Vamos falar de jornalismo ?

 

As transformações sofridas pelo jornalismo e o impacto do desenvolvimento tecnológico nos meios de comunicação são alguns dos temas que serão discutidos no debate 25 Anos – O Contexto Jornalístico, promovido pela Editora Contexto. Estarei ao lado de Milton Leite, Pollyana Ferrari e Carlos Eduardo Lins da Silva, a partir das 7 horas da noite, no Teatro Eva Herz, da Livraria Cultura, na avenida Paulista. Uma coleção completa da série de jornalismo da Contexto será sorteada.

 

Por bibliotecas atrativas e no fim de semana

 

Texto publicado, originalmente, no Blog Adote São Paulo, da revista Época São Paulo

 

Trabalho de Eduardo Kobra quase finalizado

 

Em casa – leia-se, em Porto Alegre – não tinha uma biblioteca enorme à disposição, mas era muito comum ver meu pai com um livro na mão. Se não me falha a memória, ele gostava de romances policiais e talvez tenha sido isso que me impulsou a ler Agatha Cristie, primeira autora que aparece em minha lembrança literária, apesar de que antes dela, além dos infantis, havia aquela série clássica de brasileiros que fazem parte da lista de leitura obrigatória na escola – mas eu detestava ser obrigado a ler. A maioria deles fui conhecer somente mais tarde quando o hábito da leitura havia se transformado em um prazer e, isto, foi, sem dúvida, lição que aprendi, muito mais pelo exemplo do que pelas palavras, com meu pai. Foram poucas as bibliotecas que frequentei, se não me engano havia uma no colégio em que estudava, o Rosário, bem servida e estruturada, mas não dependia dela, pois, privilegiado, tinha livros ao meu alcance. Sei bem, porém, quanto estes equipamentos abrem as portas para o conhecimento em uma cidade e, por isso, espanta ver que 73% das pessoas jamais tiveram oportunidade de entrar em uma biblioteca no Brasil, conforme pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, feita pelo Ibope e encomendada pelo instituo Pró-Livro.

 

A cidade de São Paulo, foco de nosso olhar, apesar de ter das maiores redes de bibliotecas do País, como sempre ressalta a prefeitura em suas notas oficiais, também fica a dever a seus moradores quando o tema é acesso a literatura. Conforme o Observatório do Cidadão da Rede Nossa São Paulo, regiões como a de São Mateus e Cidade Ademar, onde vivem mais de 635 mil pessoas com 15 anos ou mais, não têm um só livro disponível à população em equipamentos públicos de cultura. Dos 96 distritos, 90 não conseguem oferecer 1 livro por morador, quando a meta recomendada pela Unesco é de, no mínimo, 2 livros por habitante adulto.

 

Bem verdade que a expansão da rede de CEUS, com seus prédios mais abrangentes e multifuncionais, permitiu que uma quantidade maior de livros estivesse ao alcance dos leitores, além de iniciativas como o ônibus-biblioteca e Bosques de Leitura, mantidos pela prefeitura, e as bibliotecas nas estações de metrô, resultado de trabalho da iniciativa privada – apenas para citar algumas ações interessantes. Mesmo assim ainda não é suficiente para tornar o paulistano um leitor apaixonado. Percebe-se, por exemplo, que as bibliotecas que existem são pouco atrativas – com as exceções de praxe – pois apesar de 67% das pessoas que responderam a pesquisa nacional do Ibope saberem da existência de uma próxima de casa, a frequência é muito reduzida.

 

Para amenizar este cenário, ao menos entre meninos e meninas do Parque Doroteia, no extremo sul da capital paulista, os criadores da Associação Esportiva Unidos Da Doze tiveram uma ideia simples e genial ao transformarem a pequena sala da entidade em biblioteca, graças a doações recebidas de diferentes instituições e pessoas dispostas a ajudar. A garotada que bate bola no campinho de futebol, enquanto descansa, estica a mão, pega um livro legal e começa a praticar um esporte ainda raro no Brasil: a leitura. Inclusive no fim de semana – informação que ressalto para chamar atenção da prefeitura que insiste em manter as bibliotecas municipais fechadas exatamente quando os jovens teriam mais tempo para aproveitar estes locais. Fico imaginando como seria bacana fazer das bibliotecas pontos de encontro e entretenimento cultural especialmente nas regiões em que são poucas as áreas de lazer.

“Que livro você está lendo nesta semana?”

 

A pergunta foi simples, mas provocou uma reação bastante interessante, transformando meu Twitter em uma rica biblioteca com sugestões dos ouvintes-internautas. Hoje, na conversa diária com Dan Stulbach, Zé Godoy e Teco, no Hora de Expediente, durante o Jornal da CBN, falamos sobre resultados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (Ibope/Instituto Pró-Livro), que, entre outros pontos, mostrou que os brasileiros leem quatro livros por ano, em média. Em seguida, perguntei pelo Twitter “qual o livro que você está lendo?” e recebi mais de 60 respostas. Alguns ouvintes-internautas pediram para que eu compartilhasse a opinião dos demais, criando uma enorme lista de sugestões. Aproveito para agradecer aos que tiveram a gentileza de citar “Jornalismo de Rádio” que lancei pela Editora Contexto, em 2004.

 

Veja as respostas enviadas, faça sua escolha, deixe outras sugestões nos comentários e boa leitura:

 

@ca_marcelino – Chatô, O Rei do Brasil… to na página 21 e já tô encantada!!!

@8Rosangela – A arte de ser leve de Leila Ferreira bem bacana.

@rcaldeirini – Quando é preciso ser forte DeRose

@sspyder @miltonjung Fenomenologia do Espírito do Hegel intercalado com a República.

@BaldinMP13 A Dance with Dragons – George R R Martin

@rbtravassos estou lendo Personal Branding – Arthur Bender

@analuizamarques e @30Ronaldoalves Jornalismo de rádio, Milton Jung

@ricsantos “Muito Além do nosso eu” do @MiguelNicolelis

@kelygouveia “Ficções”- Jorge Luis Borges.

@mandapraesse O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de Saramgo!

@kellypassos “A menina que brincava com fogo”

@tabgiannini Beyond the bounderies – Miguel Nicolelis

@AlmirVieira Os Meninos da Rua Paulo (relendo)

@VanderAbreu China Megatrends, John Naisbitt

@TCOSTAESILVA li “o X da questão” e ao contrário da maioria, achei ruim. Uma mistura de autobiografia c/ autopromoção e uma pitada de autoajuda!

@Manfredo O Tao da Física de Fritjof Capra

@julianodip e @flamacedo O livro do Boni

@Ana_Matta O Jardineiro Fiel

@Elkeane estou lendo o “Content Strategy for the Web” de Kristina Halvorson’s

@a_magrela Biografia de Olga Benário

@SaintCoast o Cemitério de Praga do Humberto Eco!

@FlavyaPereira Antologia Poética, Carlos Drummond de Andrade.

@tommaioral 1808

@tazerldeiascom Estou lendo Steve Jobs por Walter Isaacson.

@OdilPereira Nesta semana, estou lendo “O fio das missangas – Couto, Mia”.

@leontheroad PLO Omaha poker.

@Maracard estou lendo historia da alimentação no Brasil de Luiz da Câmara Cascudo.

@sandrosepa Os Miseraveis ( Victor Hugo ) muito bom !

@kattiabasile Estou lendo “Conversas com Mies van der Rohe” de Moises Puente .. onde ele fala sobre suas ideias basicas sobre arquitetura @jornaldacbn

@oandrebelizario Em Aguas Profundas do David Lynch

@Deyver Qual e a tua obra, do Mario Sergio Cortella

@ZayraNavarro Bom dia, estou me aprimorando com: Controladoria – Uma Abordagem – de Armando Catelli

@Rogeriawerneck Millenium – A menina que brincava com fogo. Excelente!

@betelnet “Ombudsman: o Relógio de Pascal” de Caio Tulio Costa

@InsolenteTemera Eu terminei “O clã dos doze apóstolos” de Olga Behar, jornalista da Colômbia. Grande sugestão para conhecer sobe Alvaro Uribe

@drsoares A Guerra dos Tronos: Festim dos Corvos

@claudiorsouza Como mudar o mundo, eric hobsbawn.

@thiago_osantos Relendo “o mundo é plano” Thomas Friedman

@KarlaPierri De amor e de sombra, Isabel Allende

@fabiik 1Q84 do Haruki Murakami!!!

@abtfkeury Estou lendo Metro 2033

@SabrinarGomide Cavalo de Tróia 1.

@Fvet66 Planos de Negócio Vencedores, de Rhonda Abrams.

@Qvivais Pai Rico, Pai Pobre, do Robert Kiyosaki e Etiqueta sem Frescura, da Cláudia Matarazzo.

@eleonorabfruet “Dois irmãos” de Milton Hatoum.

@luiskolle Milton, estou relendo “Multiplicando o Bem-estar” de Sérgio Buaiz

@vanessavcamargo Estou lendo Memórias de Sherlock Holmes, Arthur C. Doyle, da Ed. L&PM Pocket

@isabelcampos A primavera do Dragão

@marcostwt Deus e o Estado – Bakunin

@Pr_Begnalia “O Incomparável Jesus Cristo” do Dr. Amin Américo Rodor, Unaspress.

@PadreWesley07 Cristianismo puro e simples de C. S Lewis

@quasecubano A Humilhação, de Phillip Roth. Grande autor norte-americano.

@Liddiane A força de ser mulher, Lisa Bevere.

@AnselmoAndriolo Livro do Desassossego, Fernando Pessoa

@fjsp pode ser um #mangá? estamos relendo “Sandman: Caçadores de Sonhos” (1999), do @neilhimself e com ilustrações de #YoshitakaAmano

@rickaoi Bem vindo a bolsa de Valores. Marcelo Piazza.

@wandKernelpanic A menina que roubava Livros

@AndreaVecci “Sobre a China” Kissinger

@GustavoSemblano Os Donos do Poder, de Raymundo Faoro

@daniel_puzzi Da Euforia à Crise

@FlavyaPereira Antologia Poética, Carlos Drummond de Andrade.

Livros em biblioteca só se for em 3D

 

Trabalho de Eduardo Kobra quase finalizado

O acervo das bibliotecas de São Paulo perde cerca de 86 mil livros por ano e o volume de reposição é irrisório em uma combinação que acentua ainda mais a carência de material disponível à população. Atualmente, há 0,26 livros por morador adulto na capital quando a sugestão da Organização das Nações Unidas é de que sejam 2 por morador. O levantamento é do Observatório Cidadão, da rede Nossa São Paulo, que levou em consideração dados de 70 bibliotecas e pontos de leitura municipais (leia o trabalho completo aqui)

Enquanto isso, um artista paulistano está desenhando bibliotecas em 3D, em exposições públicas, nos Estados Unidos. Refiro-me à Eduardo Kobra e equipe que apresentaram o trabalho que ilustra este post no Sarasota Chalk Festival, considerado o maior evento de pintura em 3D do mundo. No desenho, destaca-se um menino admirado com a quantidade de livros no seu entorno – um realidade que, em São Paulo, só encontraremos em outra dimensão.

O rádio na cobertura do 11 de Setembro

 

Para lembrar os 10 anos dos atentados de 11 de Setembro, reproduzo neste post trechos do livro “Jornalismo de Rádio” (Editora Contexto), que publiquei em 2004, no qual, entre tantas histórias, conto como foi a cobertura na rádio CBN dos ataques nos Estados Unidos.

Para ler o texto completo sobre os bastidores desta cobertura da CBN, compre o livro aqui

E ouça aqui o plantão CBN com a primeira notícia sobre o atentado em Nova Iorque

Onze de setembro de 2001 se inicia, antecedido por uma cortina musical tocada na velocidade da emergência que marca as edições extraordinárias no rádio. O primeiro par[agrafo do mais dramático capítulo escrito pelo terrorismo internacional na era moderna é anunciado, ironicamente, em trinta segundos, tempo reservado na comunicação do mundo capitalista para a venda de produtos e a oferta de serviços. No texto improvisado que descreve a cena inicial do prédio em chamas, de 110 andares e 412 metros de altura, se oferece ao público o que seria a propaganda de maior impacto dos grupos anti-americanos.

Os meios de comunicação multiplicam a mensagem enviada por Osama Bin laden e pela Al Qaeda, através de pilotos suicidas e aviões-bomba. Cada veículo, usando de seus recursos característicos para conquistar o público ansioso pela informação. A televisão estava lá quando o segundo Boeing acertou a torre sul do World Trade Center, quinze minutos após o primeiro ataque, transmitindo ao vivo o “espetáculo”. O rádio propagou o feito terrorista narrando o acontecimento em off tube, como nos grandes jogos internacionais de futebol— sem precisar pagar pelos direitos de transmissão. A internet também calçou a cobertura nas imagens da TV, na noticia do rádio e nas informações das agências internacionais, a maioria levando em tempo real material colhido pela CNN.

Nas ruas, o pedestre tem atenção despertada pelo anúncio do painel eletrônico: “Terroristas arremessam aviões sobre WTC”. Na tela do telefone celular, o texto do serviço de mensagem informa; “Torres gêmeas em fogo, após ataque terrorista”. O pager na cintura da calça chama: “Terror no ar: avião com passageiros atinge Pentágono”. Jornais e revistas mobilizam redações para rodar o mais cedo possível uma edição extraordinária — prática abandonada desde o advento da internet.

A sociedade informativa, fenômeno na virada do Terceiro Milênio, acorda para viver o dia que ainda não acabou.

MAIS UM DIA DE TRABALHO

O CBN São Paulo, programa que apresento desde 1999, estava apenas começando. Era hora de falar do esporte com os destaques dos clubes. Antes, já havíamos passado em revista a tropa de repórteres. Cada um apresentando a informação que cobriria naquela manhã. Meteorologia, trânsito, estradas e aeroportos, informações da cidade — este é o nosso foco das 9h30 ao meio-dia, horário destinado ao noticiário local na rádio CBN, que tem boa parte da programação dedicada aos temas nacionais e internacionais.

Logo cedo, após ler um jornal diário, assistir aos telejornais da manhã e ouvir um trecho da programação da rádio, havia negociado com a produção, pelo viva voz do celular no carro, a pauta do dia. A produtora Fabiana Boa Sorte, na redação, havia feito o balanço das reportagens que poderiam entrar gravadas; conversado com o chefe de reportagem para saber quais assuntos seriam cobertos pelos repórteres; e feito varredura nos demais jornais impressos. Também já recebera, pelo correio eletrônico, sugestões de ouvintes e assessores de comunicação.

Ao entrar no ar, duas entrevistas estavam fechadas — ou seja, os convidados estavam disponíveis para falar sobre o tema nos horários propostos. Ainda se aguardava o retorno de um terceiro entrevistado. Não tinha sido encontrado pela produção até aquele momento. Alguém da assessoria dele ficara de telefonar de volta. Os comentaristas␣ tinham assuntos decididos. Os cartuchos com reportagens, sonoras e teasers gravados, estavam separados, cada um com sua devida cabeça redigida em laudas de computador. Ao operador de áudio Paschoal␣Júnior, que comanda a mesa de som responsável por levar a rádio ao ar, havia sido passada as orientações do que seria apresentado. Ele, por sua vez, havia feito algumas sugestões a partir de notícias que lera no jornal ou ouvira na programação da rádio, desde às seis horas da manhã. O pessoal da área técnica é parte integrante da equipe de jornalismo, e tem de ser consultado. Essa interação facilita o andamento do trabalho.

Em geral, buscamos tratar de questões relacionadas à vida do cidadão. Fatos que mexem com o dia a dia do paulistano. Ações de participação da comunidade, à medida em que a parceria com o poder público deve ser incentivada. Também orientam nossa pauta denúncias contra desrespeito aos direitos humanos e a fiscalização do que as autoridades públicas fazem com nosso dinheiro.

A minha frente, o computador recebia mensagens de todo o tipo. A quantidade de spams (material enviado para os correios eletrônicos sem autorização nem utilidade) é enorme e atrapalha a avaliação criteriosa daqueles que merecem alguma atenção.␣Já desperdicei meu tempo levantando a seguinte estatística: de cada vinte e-mails que aterrissam na caixa de correio eletrônico, cinco merecem ser abertos, dos quais três têm de ser respondidos e apenas um tem direito e respeito para ser registrado no ar. Além do correio eletrônico, navegava na internet em busca de informação e acessava as agências de notícias. Um televisor sobre a mesa, ao lado do computador, estava ligado na Globonews, canal de notícias 24 horas, da Rede Globo de Televisão. Entrávamos no ar para mais um programa. Mas era 11 de setembro de 2001.

FOGO NO AR

A agência internacional acabara de anunciar, em apenas uma linha, o incêndio na torre, em Nova York, provocado pelo choque de um avião, e a Globonews interrompia a programação para reproduzir imagens, ao vivo, da CNN. Pelo canal interno, todas as emissoras da CBN eram comunicadas de que em trinta segundos seria formada rede para notícia extraordinária. Imediatamente, quem estava no ar em Cuiabá, Curitiba, Maringá, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília ou qualquer ponto do país em que houvesse retransmissora da Central Brasileira de Notícias parou a entrevista, a reportagem, seja lá o que estivesse sendo apresentado, para ouvir o Plantão CBN, transmitido do estúdio em São Paulo.

Com base nas primeiras informações, anunciei o incêndio no World Trade Center, imaginando um acidente de avião ocorrido há apenas dez minutos. Disse que seria um Boeing 737, mas se descobriu em seguida que o avião era modelo 767, duas␣ vezes mais pesado e com quase o dobro de capacidade para transportar passageiros. Encerrado o plantão, continuamos em rede descrevendo as imagens. O apresentador da CBN no Rio de Janeiro, Sidney Rezende, passou a dividir o comando da programação.

Às 10h03, logo após a leitura do Repórter CBN — síntese noticiosa com duração de dois minutos, que vai ao ar de meia em meia hora —,transmiti ao vivo, o choque do segundo avião, com a voz revelando o impressionante da cena.

Até aquele instante ainda era difícil entender o que acontecia à nossa frente. Impossível não se emocionar, porém, com as imagens. Produtores no Rio e em São Paulo já haviam ligado para correspondentes em Nova York, em Washington e na Europa. Apuradores haviam levantado detalhes nas agências. Quem conhecia alguém nos Estados Unidos, correu para o telefone em busca de informação. Na redação, todos os monitores estavam sintonizados nas emissoras a cabo americanas. O escritório da BBC Brasil também foi acionado. E a cobertura se iniciara há apenas seis minutos.

DEU NO RÁDIO

O “espetáculo” do 11 de setembro foi planejado para ser transmitido pela televisão. A diferença de tempo entre o choque de um e outro avião nas torres gêmeas vai ao encontro dessa idéia. O primeiro, da␣ American Airlines, chamou atenção das emissoras americanas que circulam por Nova York com suas equipes móveis de alta tecnologia.

Quem anda pelas grandes avenidas de Manhattan se depara a todo o momento com os técnicos, sem a companhia de repórteres, em pequenos e ágeis furgões. Haveria tempo suficiente para se direcionar uma câmera para o prédio que se enxergava de vários pontos da ilha. Daí a facilidade para reproduzir, ao vivo e a cores, o segundo ataque.

O recado enviado pelo segundo avião, o Boeing da United Airlines, era claro. Se alguém não havia entendido até então o que estava acontecendo — e eu, que transmitia tudo aquilo, não entendia␣ mesmo — ali estava a verdade. Um ataque programado para se transformar em fenômeno midiático. A câmera era a única forma de contato do mundo com aquele cenário. A aproximação do local atingido era impossível. Toda e qualquer leitura que se fez naquelas primeiras horas foi construída a partir da imagem.

Apesar de o episódio ter privilegiado a televisão, como ocorre nos shows de entretenimento, no Brasil, o rádio teve papel importante na cobertura jornalística do 11 de setembro. No momento em que o ataque se iniciou, boa parte das pessoas não estava mais em casa. Encontravam-se no carro, a caminho do trabalho, ou haviam chegado ao escritório. Nas escolas e universidades, as aulas tinham começado. Muita gente se deslocava a pé nas ruas de comércio. Com esse quadro e com base em análise comparativa da audiência, arrisco dizer que a maioria da população ficou sabendo do atentado pelo rádio.

Números do Ibope deixam evidente a supremacia da programação radiofônica em relação à televisiva na faixa das nove às dez da manhã. Chega a ser, em média, três vezes maior o número de pessoas que ouvem rádio nesse horário do que os que assistem à televisão. Mesmo no decorrer do dia, o número de ouvintes supera o de telespectadores. Pesquisa do␣ Ibope, citada pelo Jornal do Brasil, mostra que no terceiro trimestre de 2003 os ouvintes foram 2.967.603, enquanto os telespectadores não passaram de 2.408.560, entre seis da manhã e sete da noite, no estado de São Paulo.

Não tenho dúvida de que, alertado pelo plantão da rádio jornalística da cidade, o ouvinte saiu à procura do primeiro aparelho de televisão que houvesse nas proximidades. Reação provocada em todo o cidadão que, por outros meios de comunicação, até mesmo o telefonema de um vizinho, teve acesso à notícia. Mas, ao encontrar os canais que reproduziam as imagens da CNN para o mundo, esse cidadão se deparou com âncoras, repórteres e comentaristas atuando como se estivessem no rádio.

Sem acesso à “cena do crime”, a solução foi voltar as câmeras para o local do atentado e, por telefone, conversar com pessoas que escaparam do prédio em chamas, acionar correspondentes internacionais, entrevistar especialistas, falar com autoridades políticas e policiais em uma linguagem muito próxima à do rádio. Os programas jornalísticos na televisão não têm humildade suficiente para aceitar o uso do telefone como meio de informação. Um repórter que esteja diante da notícia, mas sem uma câmera, terá dificuldade de convencer o editor de que o fato deve ser transmitido, apesar da falta de imagem. Foi com o surgimento das emissoras de notícias 24 horas, como Globonews e Bandnews, que esse formato passou a ser aceito na TV brasileira, apesar de ainda encontrar muitas restrições. Antes disso, repórter ou entrevistado falando por telefone era␣cena rara na televisão. Por mais fascinante que seja a TV, fenômeno de massa de enorme impacto na sociedade, a imagem por si só não informa. É perigosa a idéia de que a câmera aberta diz tudo. De que o cidadão não carece de um intermediário para explicar o que vê. Precisa, sim. A reflexão, o questionamento e a apuração dos fatos são imprescindíveis para que o processo de comunicação se complete. Jornalistas e público não podem se tornar reféns da imagem.

O rádio contou para as pessoas o que acontecia no 11 de setembro e elas foram ver na televisão. Encontraram seus apresentadores favoritos fazendo rádio, apesar da imagem. E que imagem.


Leia o restante do texto, no livro Jornalismo de Rádio

Mundo Corporativo: Fui contratado, e agora?

 

Um apaixonado pela leitura. Foi assim que o consultor de empresas Gutenberg de Macêdo se apresentou nesta entrevista no Mundo Corporativo, na qual falou sobre os primeiros momentos de um profissional na empresa ou em um novo cargo. Gutenberg também respondeu a perguntas de ouvintes-internautas interessados em entender qual a melhor estratégia para acertar no “primeiro minuto de jogo” e como encarar aqueles colegas que sonhavam ocupar o seu lugar.

Aproveito para reproduzir aqui alguns dos livros citados por Gutenberg durante a entrevista que foi ao ar no site da CBN, atendendo a pedidos feitos por ouvintes-internautas. Anote aí, boa leitura e, se tiver mais sugestões, compatilhe com os leitores do Blog registrando na área dos comentários:

Treinamento Gerencial de Paula J. Caproni

As 48 Leis do Poder de Robert Greene

Oráculo Manual ou A Arte da Prudência de Baltasar Gracian

Como Conquistar um Ótimo Emprego de Gerente a Executivo de Sharon

Fui Demitido! E Agora? De Gutemberg B. de Macedo

Fui Contratado! E Agora de Gutemberg B. de Macedo

O Mundo Assombrado pelos Demônios de Carl Sagan

O Principio da Sabedoria – Lições de Salomão para o bem Viver de Gutemberg B. de Macedo

Carreira: Que |Rumo Seguir de Gutemberg B. de Macedo

De auto-ajuda

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De auto-ajuda” na voz e sonorizado pela autora

Olá,

esta semana me fizeram uma pergunta que me levou a faxina em mim.

‘É só ser natural, não é?’ foi a pergunta.

Quando voltei para casa, à noite, continuava estacionada no conceito. Olhei bem para mim procurando o meu natural e, depois de algum tempo de senho franzido, ri aliviada. Não encontrei; vai ver não tenho um. Vai ver se foi com a placenta, na minha chegada. Vai ver ninguém tem.

O fato é que a pergunta desencadeou em mim mais um processo de limpeza de emoções – esta fica, esta vai, o que é que esta ainda está fazendo aqui? – e dei de cara com um evento, guardado na caixa de emoções, que era hora de transferir para a de lembranças. É bom fazer isso de tempo em tempo. Dá uma limpada boa. Melhora o desempenho da gente.

Encontrei ali um fato de anos atrás, quando fui ‘informada’ de que gente do meu grupo, da minha tribo, tinha dito que não entendia como alguém tão desequilibrado quanto eu tinha escrito um livro ‘de auto-ajuda’. Fiquei sentida porque, na época, andava ainda mais mergulhada do que hoje na ilusão de que somos o que o outro pensa que somos, e que se não somos amados incondicionalmente por aqueles que a gente ama, somos infelizes.

Foquei, então, na limpeza das emoções guardadas e transferi esse evento para a caixa de lembranças. No processo, revendo a fala deles, percebi que, fora o fato de não terem dito aquilo para mim, eu só questionava o codinome ‘de auto-ajuda’, atrelado ao meu livro, porque sempre vivi, mesmo, muito mais em desequilíbrio do que no prumo. Questiono o subtítulo ‘de auto-ajuda’ aplicado a livros que falam de vida, emoção, questionamento, de por quês e porquês, e dos que dão dicas porque, afinal, de médico e louco cada um tem um pouco.

Por que não chamam de livros ‘de auto-ajuda’, os romances de Tolstoy? Por que as peças de Nelson Rodrigues não recebem o carimbo de teatro ‘de auto-ajuda’? Uma noite de música na Sala São Paulo, a disputa pelo campeonato, no estádio do time do teu coração? Por que o pãozinho com manteiga, na padaria, e um capuccino, tudo fresquinho, feito no capricho, não são chamados de café da manhã ‘de auto-ajuda’? O primeiro beijo de cada novo amor, o milésimo beijo do amor de sempre. Por que não é chamado de auto-ajuda, o fato dolorido, a situação embaraçosa?

Mas o que é auto-ajuda?

Veja, o prefixo auto- quer dizer que você pratica uma ação, e é ao mesmo tempo o alvo dela. Você é o sujeito e o objeto da ação. Você faz a coisa para você mesmo. Portanto, nenhum livro, nenhuma peça, nenhuma criação musical, nenhuma partida de futebol, nada, nadica de nada pode ser chamado de ‘de auto-ajuda’.

Se algo externo a você te provoca o desejo de se perceber, de usar a consciência pra ela não enferrujar, se te ajuda a chegar aonde quiser ou puder, como der, esse algo simplesmente para a ser uma ajuda, se você quiser se ajudar. Simples assim. Auto-ajuda é o esporte que a gente pratica quando não se boicota. E olha que já está de bom tamanho! Você não acha? Vale dar uma chegada no porão ou no sótão onde estão armazenadas emoções antigas, emboloradas, e meter a mão na massa.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapueta, professora de línguas estrangeiras e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

Nossa colega na mesa de Paulo Coelho

 

Paulo Coelho em Istambul

Amigos se reuniram com Paulo Coelho em Istambul, na Turquia, e compartilharam ideias e pensamentos, há alguns dias. Durante o encontro, o escultor Spinosa, além de colocar a conversa em dia, apresentou a Coelho o trabalho da nossa colega de blog Maria Lucia Solla. O livro De Bem Com a Vida Mesmo Que Doa aparece sobre a mesa do escritor brasileiro. Que faça muito bom proveito da sensibilidade da Maria Lucia, a qual você acompanha aqui no Blog, todos os domingos.