Preservar a imagem do traficante de drogas?

 

Por Carlos Magno Gibrail

O traficante retratado com o pseudônimo de Alex em “Meu nome não é Johnny” pelo escritor Guilherme Fiúza sentiu-se ultrajado em sua imagem. Moveu ação contra o autor e ganhou. Dois juízes do Tribunal de Justiça deram ganho de causa a Walter, o nome verdadeiro do traficante, ofendido inclusive porque Fiúza contou que é paraplégico.
Situação nada recomendável para um país como o nosso, pois o Código Civil em seu artigo 20 prevê que “a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou publicação, exposição ou utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas se lhe atingirem honra, boa fama ou respeitabilidade, ou se destinarem a fins comerciais”.
É por isso que Roberto Feith da Editora Objetiva diz que “o Brasil é o único país do mundo no qual uma pessoa pública pode proibir, sem explicar a razão, um pesquisador de escrever a verdade comprovada sobre ele”.

O Projeto de lei apresentado por Antonio Palocci, deputado, hoje Ministro da Casa Civil, foi arquivado no fim do ano passado. José Eduardo Cardozo então relator, hoje Ministro da Justiça, informa que será retomada a proposta de Palocci que impedirá a proibição das biografias.

Enquanto isso não ocorre, vários estragos já foram feitos.

“Gabriel e Olivetto na “Toca dos Leões”, obra que narra a história da WBRASIL depuseram ao escritor Fernando Morais que Ronaldo Caiado, em uma intervenção radical para o controle da natalidade, sugeriu: “esterilizar as mulheres nordestinas”. Caiado nega e processa Morais, Gabriel e a editora pedindo 500 mil , 1 milhão e 1 milhão, respectivamente, de cada um. Além do recolhimento dos livros e da proibição de Fernando detalhar o assunto.

O cantor Roberto Carlos conseguiu proibir e recolher o livro escrito por Paulo Cesar de Araújo “Roberto Carlos em detalhes”. Trabalho sério executado durante mais de 10 anos em que não há ofensa nenhuma ao biografado.

O livro “Estrela Solitária – Um Brasileiro Chamado Garrincha” escrito por Ruy Castro foi retirado de circulação durante um ano, em 1996, e o processo durou mais de 10 anos tendo a Companhia das Letras que arcar com grandes despesas.

Uma das ex-esposas do cantor Raul Seixas, sabendo da disposição em biografá-lo já ameaçou Edmundo Oliveira Leite Jr.

Os escritores Fernando Morais e Guilherme Fiúza alertaram na semana passada no programa Notícia em Foco da Rádio CBN que o Brasil corre sério risco de não ter mais história daqui para frente. Sem editoras e escritores dispostos a sofrer prejuízos financeiros e morais, só mesmo restarão os aplausos dos parlamentares da Comissão de Constituição e Justiça que ferrenhamente combateram Palocci PT – SP, o ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf PP – SP e o deputado Efraim Moraes Filho DEM – PB.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas, no Blog do Mílton Jung

27 comentários sobre “Preservar a imagem do traficante de drogas?

  1. Chi Qo, nestes casos temos dois grandes problemas. O primeiro é o evidente medo de alguns parlamentares da verdade sobre si. O segundo é a cabeça de alguns juízes.
    Enquanto isso, no mercado americano as biografias são sucesso absoluto no mundo editorial.
    Biografias autorizadas não são invariavelmente merecedoras de drédito.

  2. Prezado Carlos Magno,

    escrevi 13 ( treze) livros sobre o ex-presidente Jânio da Silva Quadros. Estou terminando o 14º livro para a minissérie e filme sobre o ex-presidente, com adaptação do ator e diretor Paulo Figueiredo e jamais a família do ex-presidente questionou-me a respeito. O neto do ex-presidente, Jânio Quadros Neto é meu co-autor neste último e derradeiro livro.

    Prezado Carlos Magno,
    Segundo relatório do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), divulgado nesta terça (15) em São Paulo, só na primeira metade de 2010, o Google foi obrigado por autoridades brasileiras a tirar do ar 398 textos jornalísticos. Foi recorde mundial do período, o dobro do segundo da lista, a Líbia. Nos últimos dias das eleições no Brasil, os juízes emitiram 21 ordens de censura, revela uma pesquisa do Centro Knight para o Jornalismo, do Texas (EUA). Esse quadro mostra que a censura e a autocensura, que vem junto, estão atingindo níveis muito sérios no Brasil.

    Abraços,

    Nelson Valente

  3. Prof. Nelson Valente, a questão da renuncia do ex-presidente Janio Quadros foi esclarecida pelo seu neto em artigo escrito pelo próprio. Comportamento exemplar.
    Lembremos que Janio Quadros não estava conseguindo governar , segundo sua visão, em função do Legislativo, que criava entraves . Na verdade , mal comparando, é a conhecida exigência que hoje chamamos de MENSALÃO.

  4. Prof. Nelson Valente, este autoritarismo demonstrado na cultura brasileira vem há tempos, como é de conhecimento de qualquer observador mais atento.
    Não é à tõa que fomos o ultimo país a abolir a escravatura.
    Além da legislação que permite tal abusos à democracia, ainda temos que encarar alguns julgamentos totalmente fora de proposito como este caso do MEU NOME NÃO É JOHNNY .

    Esta informação que nos traz sobre o CPJ é bastante significativa.

    Obrigado pela participação tão pertinente e esclarecedora.

  5. Carlos r Dr Nelson Valente
    O que mais me impressiona é que estamos em pleno século 21, o muro de Berlim foi abaixo e mesmo assim politicos com mentalidades retrógadas, atrazadas, ignorantes ainda insistem manter ideologias ultrapassadas, inexistentes.
    Aqui no Brasil não pega jamais.
    Por uma questão de raizes, de educação, moduns vivendi.
    Ainda mais com a internet escancarando tudo.
    Quem segura a internet?
    Teve um caso de um autor que foi proibido de publicar uma das suas obras e este simplesmente publicou em PDF na internet para quem quisesse ou quer baixar.
    O que adianta politicos taparem o sol com a peneira?
    Desde os primordios o pais é capitalista.
    Abraços
    Armando Italo

  6. Carlos Magno, o pior é que isso tbém poderá futuro inviabilizar de novos compositores de graverem musicas de compositores já falecidos. Conheço muitos musicos que muitas vezes querem gravar obras de compositores que já falecerem e que seus herdeiros acabam cobrando muito caro para liberar as obras ou simplesmente dizem que não querem liberar. Quando o compositor ainda está vivo é simples para gravar uma música dele. Como o compositor faz arte pela arte basta um telefonema e um acordo e vc consegue de repente gravar um album inteiro para homenagear seu idolo. Bom para ele, bom para a musica, bom para as novas gerações que conheceram as obras do compositor e bom para quem grava. Ou seja todos ganham. Se o compositor já faleceu, ai complica, muitas vezes vc vai negociar com um herdeiro que nem sequer sabe a diferença de Ré Maior para Ré menor e não tá nem ai para a cultura musical do País. Simplesmente diz "Eu quero x de grana e ponto final" ou não vou liberar a obra para vc regravar porque não fui com a sua cara. Aí já era. Tem que esperar 75 anos de aniversário de falecimento do compositor para cair rem Domínio Público e poder gravar a obra de um grande compositor da MPB. Com isso perde a música. Vi na coluna de Mônica Bergamo na Folha que familiares de CArmem Miranda estão processando um dono de um Bar da Vila Madalena porque esse fez uma homenagem a artista batizando os pratos da casa com nomes de musicas que CArmem gravou. É brincadeira.

  7. Prezado Carlos Magno,

    JÂNIO DA SILVA QUADROS: crônica de uma renúncia anunciada
    (*) Nelson Valente
    Jânio Quadros (1953) elegendo-se prefeito da Capital Paulista e, no cargo, há um momento em que ameaça renunciar. Quando Governador de São Paulo (1955), contrariado com as críticas e com a oposição que vinha sofrendo na Assembleia Legislativa, no cúmulo de sua irritação, chamou o seu secretário particular, Afrânio de Oliveira, e lhe entregou uma mensagem para ser divulgada à noite, pelos jornais, noticiando sua renúncia. De posse da mensagem, Afrânio de Oliveira reteve-a em seu poder, não dando ciência a ninguém. No dia seguinte, estranhando a falta de repercussão da notícia, indaga o Governador do seu Auxiliar onde se encontrava a mensagem:- "Comigo, no bolso."- "Rasgue-a" ? disse Jânio.Estava superada a crise da "renúncia".A renúncia de Jânio Quadros foi premeditada, ligando um fato a outro, as circunstâncias permitem acreditar que tinha o objetivo de controlar todo o governo e livrar-se de Carlos Lacerda e da influência do Congresso.A revista "Mundo Ilustrado" em seu número de 12 de agosto, treze dias antes da renúncia, publicava a reportagem: "Renúncia, arma secreta de Jânio".Prova cabal de que a renúncia não foi um gesto individual de um Presidente destemperado: a carta em que a decisão seria tornada pública estava desde 20 de agosto em poder de Horta. Ele mostrou a um grupo de conspiradores que se reuniu na casa de um industrial em Bertioga (SP). Entre os participantes do encontro estava o Presidente do Senado, Auro de Moura Andrade (PSD-SP), e o ministro da Guerra, Odílio Denys. Guevara foi convidado verbalmente a visitar o Brasil, o presidente Jânio Quadros, pelo chefe da delegação e ministro da Economia Clemente Mariani (consogro de Lacerda) No dia 19/8/61, o presidente Jânio Quadros condecorou Guevara com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, numa cerimônia improvisada no Palácio do Planalto. Ele ignorava que iria receber uma condecoração, mas também o caráter oficial do encontro. Ele não tinha como retribuir a condecoração, como é usual, e o discurso de Jânio foi breve. Preferiu Guevara retribuir com discurso breve, aceitando a distinção como entregue ao governo revolucionário e ao povo cubano, sem significado pessoal. Em 19 de agosto, Che Guevara é recebido por Jânio Quadros em Brasília, o qual aproveita a ocasião para atender um pedido do núncio apostólico, monsenhor Lombardi e do Papa João XXIII, para interferir na libertação de 20 padres espanhóis e do bispo de Havana, presos em Cuba. No caso dos padres, Guevara concorda com a libertação, avisando, entretanto que, dentro das regras cubanas, eles serão em seguida expulsos para a Espanha. Jânio manifesta sua opinião de que a expulsão é um assunto interno de Cuba, que só a ela cabe resolver. O Brasil defende a libertação e com esse ato considera o pedido satisfeito. Uma onda de descontentamento varreu o país e Jânio Quadros começou a descarregar sua fúria sobre o ministro da Fazenda,Clemente Mariani que, como sabemos, tinha relações de parentesco com o jornalista e dono de jornal Carlos Lacerda. Aliás, era o próprio genro do ministro, o jovem Sérgio Lacerda que estava dirigindo a Tribuna de Imprensa e lhe regulava o tom dos ataques. Essa mudança na direção do jornal se deu porque Carlos Lacerda, eleito governador no novo Estado da Guanabara, teve de se afastar do cargo. Começava-se a formar a teia na qual Jânio ia se embaraçando, cada vez mais.
    Uma onda de descontentamento varreu o país e Jânio Quadros começou a descarregar sua fúria sobre o ministro da Fazenda, Clemente Mariani que, como sabemos, tinha relações de parentesco com o jornalista e dono de jornal Carlos Lacerda. Aliás, era o próprio genro do ministro, o jovem Sérgio Lacerda que estava dirigindo a Tribuna de Imprensa e lhe regulava o tom dos ataques. Essa mudança na direção do jornal se deu porque Carlos Lacerda, eleito governador no novo Estado da Guanabara, teve de se afastar do cargo. Começava-se a formar a teia na qual Jânio ia se embaraçando, cada vez mais.
    Sobre rumores de crise ministerial, face a demissão do ministro Clemente Mariani, da Fazenda, Jânio Quadros dirigiu um bilhete ao seu secretário particular José Aparecido de Oliveira:
    "Aparecido:
    Leio num jornal que o Ministério está em crise…
    Veja se localiza para mim.
    Leio, também, que recebi, da Fazenda, um bilhete enérgico.
    Desminta. O Ministro é educado bastante, para não o escrever ao Presidente.
    E o Presidente não é educado bastante, para recebê-lo…
    Assinado – Jânio Quadros
    09/08/1961"
    A justificativa apresentada pelo Presidente Jânio Quadros sobre a sua renúncia à Presidência da República, tem uma característica interessantíssima: a de colecionar renúncias como chantagem.Em 1960, em entrevista exclusiva, após o episódio da renúncia, quando era candidato a candidato à Presidência da República, pela UDN, Jânio disse: – "Quando renunciei, tinha o firme propósito de voltar à vida privada, isto é, à advocacia, ao magistério e à família" (renunciou por duas vezes em 1960).Em 25 de agosto de 1961, o estilo da carta renúncia. Diz o texto: "Retorno agora ao meu trabalho de advogado e de professor."O que planejava Jânio Quadros?Ele planejava, com a renúncia divulgada em Brasília, aterrissar no aeroporto de Congonhas, onde o Viscount presidencial seria cercado pelas "massas" ? o que seria um pretexto para voltar ao poder "nos braços do povo".Jânio Quadros não queria sob nenhuma hipótese fechar o Congresso Nacional, pois, poderia fazê-lo com um cabo e três soldados. Ele pretendia o respaldo político e parlamentar mais amplo para suas reformas; Jânio Quadros nunca perdeu a chance de amaldiçoar os partidos políticos e o Congresso, e de tanto fazê-lo, acreditava piamente no que dizia.Jânio sempre demonstrou desprezo pelos partidos e pelo Poder Legislativo. Ao longo de sua carreira trocou de legenda sucessivamente. Renunciando a todos e no mesmo estilo de carta que imprimiu sua marca pessoal.O estilo agressivo e independente de Jânio reverberava como algo bem mais poderoso que uma vassoura: era a alavanca, o bisturi gigantesco e destemido de que o País precisava.- "A renúncia foi mais um gesto teatral, a que ele (Jânio Quadros) se habituara. Contava, certamente, repetir a cena que fizera quando da sua renúncia à sua candidatura à Presidência da República, aliás, por duas vezes e no mesmo estilo. Jânio era o golpe." Afirma marechal Teixeira Lott.Após a renúncia de Jânio Quadros, com a responsabilidade de ser um dos três detentores do Poder Civil durante umas poucas horas, o marechal Odílio Denys, Ministro da Guerra, recebeu a visita do Presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, para lhe dar ciência do ato da renúncia voluntária do Presidente da República, foi inquirido sobre a causa ou causas do estranho ato de Jânio Quadros.A resposta do marechal Denys ao deputado Ranieri Mazzilli foi a seguinte:- "Temperamento."Jânio Quadros tinha a obsessão da renúncia e foi um ato teatral. Oscar Pedroso Horta traiu Jânio Quadros, quando não rasgou ou pelo menos não retardou a entrega do documento da renúncia. Horta deveria ouvir os ministros, os Governadores amigos e os líderes da campanha janista. Que "razões próprias" deve ter tido o ministro da Justiça, Pedroso Horta para o açodamento da entrega do documento da renúncia?A bagagem de Jânio Quadros já estava pronta desde a véspera da renúncia, antes de saber da denúncia de Carlos Lacerda. Jânio Quadros, ao participar dos festejos do 25 de agosto, Dia do Soldado, em Brasília, estava com uma fisionomia alegre, na manhã do dia da renúncia. É semblante de quem antegozava uma grande travessura.Este depoimento é concludente, quando confessa Jânio Quadros ao seu ministro da Justiça, Oscar Pedroso Horta, que Jânio Quadros esteve diante de um Congresso que não atendia, que não obedecia. Horta tentou várias vezes uma aproximação entre o Presidente indócil e o indócil Congresso Nacional. Afinal de contas, Jânio quando Governador "renunciou" pelos mesmos motivos.A renúncia de Jânio Quadros foi uma espécie de chantagem com o Congresso, com os militares e com as forças políticas com quem ele estava em choque.
    De qualquer forma, à maneira de um canapé mal-requentado servido antes de lauta refeição, recomendo atenção a fundamentais e significativas revelações de José Dutra Ferreira neste “Um Mordomo em Brasília”.
    Poderão mudar a interpretação da História, como por exemplo o anúncio que Jânio Quadros fez à sua mãe, no palácio da Alvorada, em plena mesa de almoço, que iria renunciar à presidência da República. Porque a comunicação aconteceu no dia 13 de agosto de 1961, quando até agora se tem como certa a versão de que o singular presidente decidiu-se deixar o poder apenas a 24 daquele mês, um dia antes do tresloucado gesto que intentava a decretação de uma ditadura.
    Mil depoimentos dão conta até hoje de que Carlos Lacerda foi convidado por Jânio Quadros para hospedar-se no palácio da Alvorada e, depois de instalar-se, teve sua mala deixada na guarita e um recado para que fosse hospedar-se num hotel. Dutra contesta, relatando que ao saber que Lacerda estava no portão, o presidente teve um acesso de raiva, gritando “Não! Não e não!”
    Célebre debate entre Jânio e Montoro no debate da TV Bandeirantes, sob a âncora do jornalista Joelmir Beting. E é este, literalmente:
    Montoro – Eu gostaria que o presidente refutasse esta afirmação de Clemente Mariani ou negasse a afirmação de Clemente Mariani?
    Jânio – Eu não posso refutá-la nem negá-la. Onde se encontra escrita essa informação?
    – Está aqui o livro
    – Muito bem
    – Está aqui o livro. Página 304. Depoimento…
    – O livro, de quem é?
    – Depoimento de Carlos Lacerda…
    – Ah, sei. Está dispensado da citação.
    – Não, mas é…
    – Está dispensado da citação…
    – O fato ele cita…
    – … porque o senhor acaba de querer citar as escrituras valendo-se de Asmodeus ou de Satanás. Não quero ouvi-la.
    Mas ficou por aí…
    Jânio Quadros era irreproduzível de memória – para transcrever sua fala no papel, e fiz isso inúmeras vezes após entrevistas com ele, era obrigatório ouvir a fita, e ouvi-la de novo, reproduzindo-a com absoluta fidelidade.
    Nunca havia uma pausa, uma elipse, um conceito fora do lugar onde deveriam estar. Transcrita desse modo, a fala transformava-se num texto escrito, sem necessidade de reparo ou adaptação. A boutade sobre Asmodeus e Satanás é exemplo de sua genialidade. Nenhum político brasileiro seria capaz de um repente desses.

    Na intimidade, Jânio não suportava conversar sobre a renúncia, assunto explosivo se provocado em público ou em ambiente com muitas pessoas. Um dia, aos próprios amigos, que insistiam em fazê-lo confessar algo mais do que a explicação que dava, respondeu com surpreendente calma:
    – “A verdade sobre a renúncia vocês já sabem. Se quiserem ingressar na ficção, conversem com o Vladimir Toledo Piza, que tem mais de dezoito versões. Escolham uma delas.”

    (*) é professor universitário, jornalista e escritor

    Prezaddo Carlos Magno,

    caso queira conhecer os verdadeiros motivos se sua renúncia, envie-me , através de meu e-mail; nelsonvalenti@ig.com.br e lhe enviarei os reais motivos e não o que falam, dizem, pode ser, deve ser..

    Abraços,

    Nelson Valente

  8. Prof. Dr. Carlos Magno,

    sobre J.Quadros, prefiro acreditar que ele renunciou, porque a comida do palácio era muito ruim…rs rs rs . Quando J.Quadros faleceu, em 1992, antes internado na Clínica Presidente, não conseguia balbuciar seu próprio nome. Já no Hospital Albert Einstein, encontrava-se em coma.

    Abraços,

    Nelson Valente

  9. Armando Italo,comentário 9
    Mais do que encobrir a verdade, mais do que falar mentira, o que sobressai disso tudo é a farsa.
    A farsa que tem dominado a fala dos homens no poder.
    É a farsa que justifica o impedimentos das biografias.
    Aliás é a mesma que nos ultimos dias temos ouvido e lido na justificativa das isenções para a construção do ITAQUERÃO.
    Mais do que a farsa é um insulto à nossa inteligência.

  10. Daniel Lescano, tenho a impressão que se não fizerem nada para mudar teremos uma nação sem História, politica, social, econõmica, cultural , etc.
    Vamos torcer para que a emenda Palocci volte ao Congresso e que o Tiririca aprenda a votar,mesmo com o Maluf e o Efraim contra.

  11. Prof. Nelson Valente, a versão que me acompanha é que Jânio esperava que o documento da renúncia não fosse encaminhado naquele dia. Contava com o vice presidente João Goulart na China e com impedimento militar. Contava ainda com força popular e considerava a sua volta à Brasilia com poderes para convencer o Legislativo das suas propostas.
    O bom desta história é que a familia do ex presidente não interferiu em sua biografia.
    Seria uma perda irreparável.
    As caspas, a vassoura, a campanha de recuperação dos ônibus, o boné da CMTC, o algodão com álcool desinfetando a cadeira usada por FHC, o fi-lo porque qui-lo, são realmente de alguém que não seguia a politica, era a própria.

  12. Prezado Armando Italo,

    a mentira política tem uma trajetória tão longa quanto a história das civilizações e suas intrincadas relações. Tais interações implicam sempre a presença do elemento psicológico na arquitetura do Estado e, portanto, caracterizam a inseparabilidade, nessa organização social, dos fenômenos subjetivos que integram sua composição. A mentira vista assim não é simplesmente uma carta no jogo político usada bem ou mal pelo governante ao sabor das razões de Estado, mas uma função tanto do psiquismo humano quanto da política.

    Prezado Armando,

    “O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons.” ( Martin Luther King)

    Abraços,

    Nelson Valente

  13. Prezado Dr Nelson Valente.
    Referente ao psiquismo pelo senhor mencionado acima, vale dizer que:

    Assim como na iniciativa privada, politicos antes de candidatarem-se deveriam passar por avaliações psiquiagtricas.
    Por em quanto vamos ficando com a lanterna nas mãos a exemplo de Diogenes, na busca e na procura do homem verdadeiro e honesto.
    Nos meios politicos.
    Abraços
    Armando Italo
    Leiam no meu blog o artigo. VENEZA É AQUI
    http://www.blogdoaitalo,blogspot.com

  14. Prezado Carlos Magno,

    Prof. Nelson Valente, comentário 12
    Pelo que consta , renúncia era apenas um expediente habitual. Desta maneira pelo menos podemos concluir que a intenção não era deixar o poder.
    Certo ou errado?
    Certo. Ele queria amplos poderes, sem abrir os cofres do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal ao senhor Lacerda. Porque abriria um precedente perigoso para os demais políticos com S com barras verticais.

    Ele não contava com a presença de Ernesto “Che” Guevara ( levado pelo consogro de Lacerda, senhor Clemente Mariani, sem o conhecimento de J.Quadros). Um grande susto para os militares que lhe davam apoio. E o grande demolidor de presidentes, Carlos Lacerda, não teve dúvidas…

    Prof. Dr. Carlos Magno,

    enviei um pouco de material sobre J.Quadros em seu e-mail.

    Jânio Quadros: CABELOS DESALINHADOS E CASPA NOS OMBROS FORAM ALGUNS SÍMBOLOS CULTIVADOS POR JÂNIO EM SUA VIDA PÚBLICA

    Jânio costumava aparecer em público com os sapatos trocados. Nos palanques das campanhas eleitorais levava uma vassoura, com a qual iria “varrer” a corrupção do País. Esse símbolo o acompanhou durante toda a sua carreira política.

    Entre os discursos de campanha, comia sanduíches de mortadela e pão com banana, numa tentativa de identificar sua imagem com o eleitorado mais pobre.

    Jânio procurou sempre se diferenciar dos outros políticos. Vestia roupas surradas, usava cabelos compridos, deixava a barba por fazer, os ombros cheios de caspa e exibia caretas aos fotógrafos.

    Sua sintaxe era um caso à parte. Em seus discursos procurou sempre utilizar um vocabulário apurado, recheado por frases de efeito. É um enigma saber como conseguia se comunicar de forma eficiente com seus eleitores, a maioria sem instrução escolar.

    Chefe do Executivo fosse municipal, estadual ou federal, o autoritarismo e o carisma foram seus traços característicos. Seus bilhetinhos, com ordens a subordinados, se tornaram célebres.

    Segundo seus adversários, Jânio sempre demonstrou desprezo pelos partidos e pelo Poder Legislativo. Ao longo de sua carreira, trocou de legenda sucessivamente.

    Essas demonstrações de força aumentaram sua popularidade junto a diversos segmentos do eleitorado. Jânio parecia diferente dos outros políticos.

    Eleito pela Segunda vez prefeito de São Paulo, em 1985, seu primeiro ato ao tomar posse, em 1º de janeiro de 86, foi desinfetar a cadeira de seu gabinete. Alguns dias antes da eleição, seu adversário de campanha, Fernando Henrique Cardoso, candidato do PMDB, ocupou a cadeira para ser fotografado pela imprensa.

    Abraços,

    Nelson Valente

  15. Prof. Nelson Valente
    Obrigado pelos e-mails.
    Quanto ao Jânio, é isso aí.
    Falta lembrar o desconto de dias não trabalhados ao medalha olimpica Adhemar Ferreira da Silva.
    Os dias eram aqueles em que Adhemar estava competindo.
    Isso é que é MARKETING à moda antiga.

  16. Carlos.

    À moda de toda democracia desenvolvida, a nossa só tem a ganhar cada vez que forem jogadas luzes sobre o Legislativo. Sempre que ouço, Governo, logo me vem a cabeça a figura do presidente ou do governador quando na verdade deveria pensar também no pessoal do Congresso. Sobre eles tem que pesar o ganho ou as mazelas que nos assolam o cotidiano. Se ficamos sem História a pergunta e a fatura devem bater lhes a porta, como entendi, foi feito pela teu texto esta semana.
    Que diriam sobre este tema os nossos escritores de leis?
    Um abraço e bom fim de semana.

  17. Sérigio Mendes, a nossa formação cultural autoritária nos leva a focar o executivo.
    Melhor então que fosse a monarquia.
    Veja que o deputado mais votado nas ultimas eleições foi o TIRIRICA.
    Vamos e venhamos, deboche total. O se não foi, somos um país inconsequentes.
    Por que então estes eleitores do TIRIRICA quando precisarem de médico não procuram um exemplar TIRIRICA?

    Esta questão das biografias é sérissima, tanto quanto ao impedimento de possuirmos história quanto no aspecto da blindagem aos nobres politicos.

  18. Menezes, é isso mesmo, uma das piores situações que se prenunciam é de não mais termos história.

    Enquanto isso nos Estados Unidos um dos mercados mais promissores é o das biografias.

    As biografias não autorizadas da Coca Cola e da Disney foram das melhores hIstórias que já li.

  19. Atendendo a pedido de Palocci e Cardozo a deputada Manoela D´Avila – PC do B – reapresentou o projeto a respeito das biografias de pessoas notorias do ex deputado Palocci na Câmara como se fosse de sua autoria.
    Como o regimento da Câmara permite apenas que o autor original o reapresente, a ação de Manoela terá que tramitar desde o inicio como se fosse um novo projeto.
    Aguardemos então.

  20. Prezado Dr. Carlos Magno Gibrail,

    em tempo: " Um livro biográfico que nos dá a medida do retrocesso democrático brasileiro neste meio editorial é EU E O GOVERNADOR de Adelaide Carraro.
    Hoje ela seria trucidada pelos Robertos Carlos da vida." . Gostaria de informar-lhe, que o livro em questão não tem nada haver com o ex-Presidente Jânio da Silva Quadros. O governador é outro ! Não vou citar o nome por questão ética.

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