Foto-ouvinte: não ponha seu voto no lixo

 

 

A ação de integrantes do Movimento Anônimo alerta para a necessidade de ter consciência do voto que iremos dar aos candidatos, nesta eleição municipal. Réplicas de urnas eletrônicas foram colocadas em cima de lixeiras públicas chamando atenção para que os votos não sejam jogados fora. Por enquanto a intervenção foi em São Paulo mas a ideia do grupo é que outros movimentos se unam a ideia e passem a reproduzir o alerta.

Os urubus paulistanos vão pousar no cinema

 

Texto publicado originalmente no Blog Adote São Paulo, da revista Época São Paulo

 

Urubu

 

Poucos momentos são tão incômodos para mim quanto o que aguardamos, sentados na poltrona do avião, a torre de controle autorizar a decolagem. As portas já estão fechadas, o avião saiu do lugar, mas não partiu. A ordem de desligar o celular ou o tablet aborta qualquer chance de disfarçar a ansiedade com uma das operações mais arriscadas do vôo. Não sei se você sabe, mas boa parte dos acidentes acontece na aproximação dos aeroportos, quando o avião está subindo ou descendo. Não lembro nunca de pegar um livro de papel que seria a salvação nesta hora, e o digital está lá no iPad com suas páginas fechadas. Nem sempre gosto das revistas amassadas que estão disponíveis no encosto da poltrona da frente, mas acabo sempre recorrendo a estas depois que meu restrito elenco de orações se encerra.

 

Foi nesta situação, para disfaçar, que comecei a folhear a edição “TAM nas Nuvens” que tem o artista plástico Tunga na capa. Lá dentro me deparei com a reportagem com o cineasta Peter Greenaway, que participou recentemente do ciclo de palestras Fronteiras do Pensamento, em São Paulo. O inglês, que vem investindo em experimentos no cinema, conta à repórter Adriana Carvalho que tem em mente a ideia de fazer um filme de vampiro, tendo como cenário a cidade de São Paulo. Achei curiosa a inteção, pois a capital paulista não costuma ser protagonista de filmes estrangeiros e, mesmo que os vampiros estivessem à solta por nossas avenidas, seria boa oportunidade de mostrar São Paulo ao mundo. Foi, então, que descobri o que motivava Greenaway: “a inspiração veio de uma visita que fiz à cidade há cerca de dez anos. Fiquei hospedado em um hotel muito luxuoso e ao olhar pela janela do quarto, vi urubus e pensei nessas criaturas como vampiros”. O diretor explica que, para ele, os vampiros são as mulheres que não sugam o sangue, mas consomem a energia dos homens pelo sexo.

 

Fiz questão de olhar pela janelinha do avião e prestar atenção no entorno, pois sei que os urubus costumam ser um estorvo para os pilotos, e métodos rudimentares, como a explosão de foguetes, são usados pelos administradores para espantar os bichos que rondam o local. E se estão lá não é por se identificarem com os aviões, mas devido ao lixo acumulado nas áreas próximas, fonte de sua alimentação. Aliás, a população de urubu na capital não tem outro motivo a não ser a sujeira, restos de comida e carcaça de animal à vontade no ambiente urbano. É possível encontrá-los sobrevoando as árvores do Parque do Ibirapeura, por exemplo.

 

Soube por um administrador de um dos hospitais da zona Sul de São Paulo que ele foi obrigado a contratar pessoal especializado para espantar os bichanos do teto do prédio. Não que eles causassem algum risco à higiene mas todas as vezes que sobrevoavam diante da janela dos pacientes provocavam um tremendo constrangimento. Apesar de transmitirem imagem de mau-agouro, os urubus não trazem azar, ao contrário, ajudam a cidade ao limpar a sujeira que nós espalhamos.

 

Agora, só nos resta esperar os urubus paulistanos estrelarem no cinema internacional.

Foto-ouvinte: coleta seletiva e carro sem controle

 

Carro lixo

 

Sem coleta seletiva que atenda as necessidades de São Paulo, a prefeitura abre espaço para imagens como esta flagrada pelo ouvinte-internauta Jomar Silva, na avenida Santa Amaro, zona sul. Carros sem qualquer condição e colocando em risco a vida de todos, transportam enormes sacos com material reciclável. Jomar não entende é como um veículo desses pode rodar pelas ruas da capital neste estado: “passou pela Controlar?”.

Utilidade Pública

 

Por Juliana Furtado
Ouvinte-internauta, moradora do Itam Bibi


Era uma vez uma rua sem saída.
 


A moça bonita passa e joga uma bituca de cigarro, rosa como seu batom desbotado e cinza como seus pulmões.
 


O executivo ofegante joga um comprovante de pagamento, do bife à milanesa que aumentou em alguns pontos seu colesterol.
 


A loja ao lado joga uma caixa de produtos vazia, como o cérebro do seu dono.
 


Na caixa vazia o estudante joga um copo de café, que o manteve acordado na aula que não lhe interessa. 
 


Uma empresa joga um vaso com uma planta. Alguém leva o vaso e ali deixa a planta e a terra, mortas como aquela calçada, fazendo companhia para a bituca, o comprovante, a caixa e o copo de café.
 


E a entrada da rua vira um lixão.
 


Por muitos dias passei ali, com a esperança de que o ex-dono da planta a visse, que a prefeitura limpasse, que o lixeiro levasse. Mas nada aconteceu, nada ia acontecer.



Munidos de pá, vassoura e balde, destinamos um tempo do nosso feriado para limpar aquela sujeira que não era nossa, na rua que consideramos nossa.
 


Enchemos dois sacos grandes e uma caixa. Colocamos no porta-malas. Levamos a um lixo adequado. Esfregamos com água e sabão. Corremos o risco de uma leptospirose. Nos sentimos mais leves.
 


No dia seguinte, uma caixa. Hoje, talvez, novas bitucas e copos de café.
 


A cidade é suja como quem está nela. Porque tem diferença entre quem é da cidade e quem apenas está. Sem compromisso, sem consideração.
 


Quem fica sem saída somos nós.

 

Foto-ouvinte: Analfabetismo cidadão

 

Analfabetismo cidadão

“Apesar da simpatia do grafite, o descarte irregular de lixo ocorre naturalmente na calçada da Escola Estadual Professor Astrogildo Arruda, na Avenida Afonso Lopes Baião – Vila Jacuí, bairro de São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo”, escreveu Marcos Paulo Dias, colaborador do Blog do Mílton Jung. É o que dá não ir à escola, vira analfabeto cidadão.

A incrível atração do lixo

 

O novo sistema de varrição pública nas ruas de São Paulo, que impõe uma série de serviços às empresas vencedoras do processo de licitação, deve custar cerca de R$ 2,1 bilhões, em três anos. Enquanto lia reportagem sobre o assunto, recebi foto e mensagem de Devanir Amâncio, colaborador deste blog. E não foi difícil perceber a ironia do texto.

Atraídos pelo lixo , lixo desorganizado

“O lixo exerce irresistível atração e poder sobre a vida das pessoas. Um homem e uma mulher conseguem revirar e retirar objetos de uma lixeira – gaiola protegida com cadeado, na avenida São João, no centro de São Paulo.”

Tem razão, Devanir. o lixo é muito atrativo.

Por um banco de reciclagem na sua cidade

 

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP
Transporte reciclável

Quem são os candidatos à Prefeitura de São Paulo realmente comprometidos com a geração de renda que vem da reciclagem? […]

A reciclagem foi e ainda é vista por alguns setores da sociedade, como atividade – ganha pão – dos miseráveis.Talvez a visão curta de nossos gestores sobre sustentabilidade e desenvolvimento econômico explicaria a falta de uma política de reciclagem na cidade de São Paulo. Quem são os candidatos à Prefeitura de São Paulo realmente comprometidos com a geração de renda que vem da reciclagem ? , e não dos discursos, com frases de efeito sobre o tema ,elaborados por marqueteiros.

Banco de reciclagem

Se a reciclagem dá tão certo para milhares de pessoas , resultando numa importante movimentação financeira para São Paulo e o País, por que não adotá-la como política de prioridade?

Um prefeito ousado e comprometido com o meio ambiente e vida das pessoas criaria o Banco da Reciclagem na cidade de São Paulo […].

Foto-ouvinte: Lixo prejudica acesso

 

VILA INDEPENDENCIA 001

“Esta é a rua Forte de São Bartolomeu, travessa da Av. do Estado, que, neste trecho, se chama Av. Francisco Mesquita. É na Vila Independência, atrás do Central Plaza Shopping. Ali, regularmente são descarregados entulhos, que algumas vezes impedem o fluxo normal de veículos. A prefeitura leva alguns dias para retirar o lixo, portanto na maioria do tempo há problema de circulação. Parece que há necessidade de se instalar uma câmera para punir os caminhões que frequentemente descarregam suas cargas de lixo no local” – recado do nosso colunista e ouvinte-internauta Carlos Magno Gribrail

Sistema de coleta subterrânea de lixo já existe no Brasil

 

Faz pouco tempo, anunciamos no Jornal da CBN de que a coleta de resíduos sólidos nos Jardins, em São Paulo, seria mecanizada, em um projeto piloto proposto à prefeitura pela Loga, um das duas concessionárias responsáveis por recolher da frente de nossas casas o que nós chamamos popularmente de lixo. Um dos modelos a serem testados será com o uso de conteineres subterrâneos com maior capacidade de armazenamento e menor impacto ambiental.

Uma das empresas que desenvolvem equipamentos de coleta mecanizada para armazenar os resíduos no subsolo é a Sotkon que atua em Portugal, Espanha, França, Reino Unido, Angola e, desde 2010, no Brasil. O sistema é diferente daquele já tratado neste blog que conheci em visita a Estocolmo, na Suécia, no qual o recolhimento é feito a vácuo através de encanamento que “entrega” os resíduos em uma central de tratamento (leia aqui), eliminando completamente a circulação de caminhões, entre outras vantagens.

Mesmo assim, de acordo com a Sotkon, o sistema que já funciona em cidades brasileiras, tais como Paulínea e Barueri, traz redução de custo na coleta por permitir o depósito do material a ser coletado em pontos mais distantes, diminuindo o número de viagens, gasto com combustível e emissão de CO2. Do meu ponto de vista, a vantagem está mesmo no fato de que se evita a colocação dos sacos com resíduos sobre as calçadas o que costuma causar sérios danos com alagamentos, por exemplo.

Cálculos feitos pela Sotkon mostram que o investimento para a implementação deste sistema pode ser recuperado em aproximadamente 1 ano e meio. Abaixo reproduzo vídeo produzido pela empresa que encontrei no You Tube e msotra com funciona o processo de coleta.

Jardins ganhará coleta de lixo em contêiner

 

Lixo na porta do prédio

A cidade não terá os resíduos e material reciclável sugados por encanamento, como o sistema que funciona em cidades americanas e europeias, mostrado neste blog, semana passada. Pelo menos, não por enquanto. Mas um grupo de moradores passará por uma experiência que pode mudar a forma como encaramos a produção, coleta e sepração de lixo (ou o que teimamos chamar assim). Em no máximo três meses, prédios e casas da região dos Jardins receberão contêineres de plástico que serão usados para o depósito do lixo domiciliar, dentro de um projeto piloto a ser realizado pela Loga, uma das duas concessionárias que atuam em São Paulo.

Os resíduos sólidos serão depositados nestas “latas de plástico” que devem ter capacidade de até 1,2m³ em lugar dos malfadados sacos que se amontoam nas calçadas e costumam ser apontados como responsáveis pelo entupimento de bueiros e bocas de lobo, no período de chuva. Os contêineres ficarão sob responsabilidade dos moradores que receberão dois por unidade habitacional: um para resíduos secos e outro para orgânicos. Em alguns locais em que houver maior densidade populacional e espaço serão usados compactadores estacionários de 20m³. Caminhões da Loga retirarão o material através de sistema mecanizado.


Leia a informação completa no Blog Adote São Paulo, da Época SP