O que diz Bocelli, meu especialista, sobre pensão alimentícia para animais

 

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Ana e o marido viveram felizes enquanto foi possível. Não faz muito tempo entenderam que não se amavam o suficiente para continuarem juntos nem se odiavam a ponto de terem uma separação litigiosa. Além dos laços afrouxados que os distanciaram havia os gatos a aproximar o casal —- três gatos para ser mais preciso. E um cachorro, também.

 

Ficou a cargo dela manter os gatos Cristal, Lua, Frajola e o cão Frederico, na casa onde moravam, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. A cultura brasileira ainda tem dessas coisas. No momento da separação, por mais amigável que seja, os filhos ficam com a mulher, geralmente. O homem — nem todos, é lógico — pega as crianças em dias determinados para passear e se divertir; e terceiriza para a esposa, ou melhor, para a ex-esposa a educação, a disciplina e todas aquelas coisas chatas que precisamos fazer para criamos crianças saudáveis, justas e éticas. Pelo visto, o mesmo ocorre no caso dos filhos de pelo —- como recentemente passaram a chamar gatos e cães de estimação.

 

Sei que separação de casal, guarda compartilhada, divisão de responsabilidade sobre os filhos e até mesmo os pets já ocorreram aos montes e na maioria dos casos não mereceram uma só nota de rodapé no jornal nem uma crônica (?) neste blog. Mas a história do fim do relacionamento da Ana e do marido — que teve seu nome preservado e eu sei lá o motivo disso — ganhou o noticiário por uma curiosidade jurídica. Pela primeira vez, o tribunal determinou o pagamento de pensão alimentícia aos animais de estimação.

 

Segundo reportagem do G1, o acordo estabelecido entre os pais dos animais prevê que a mãe fique com os gatos e o cachorro e o pai pague o valor referente a 10,5% do salário mínimo, o que hoje equivale a R$104,79 por mês. Ele também tem direito a visitas e passeios.

 

A justiça brasileira já havia decretado a guarda compartilhada de animais anteriormente, mas não previa —- até agora —- pensão alimentícia. Ribeirão Preto parece faz história em defesa dos animais.

 

E se não pagar a pensão? Pergunta de gaiato. Acontece isso mesmo que você está pensando: vai para a cadeia. Sabe-se que se tem coisa que se leva a sério no Brasil é esse negócio de pensão. Sem dor nem perdão. Não pagou, prendeu — às vezes até de maneira injusta, como já tratamos neste blog.

 

Em casos como esse —- que me foi apresentado pelo Frederico, não o cachorro do ex-casal, mas o Goulart, âncora do CBN Primeira Notícias — prefiro recorrer a palavra de especialistas. Consultei o Bocelli, meu gato persa. Adianto-lhe que ele é um gato de poucas palavras, mas tive a impressão de que recebeu bem a notícia, pois sabe quanto custa manter um bichano, imagine três — ah, e o cachorro, também.

 

Bocelli ficou em dúvida apenas em relação ao valor. Achou pouco. Sabe que a lei fala apenas em custear comida mas deve ter pensado no preço da ração (especialmente a dele que é de primeira), que se soma ao da areia para a caixinha, às visitas ao veterinário e ao banho mensal —- apesar dele achar que isso tem muito mais a ver com cão do que com gato. De qualquer forma, acredita ser um bom início de conversa.

 

A incomodá-lo apenas a informação passada pela advogada Taís Roxo, responsável pelo caso, de que “tem no Congresso já em trâmite um projeto de lei nesse sentido (em favor da pensão alimentícia para animais)”. Logo lhe veio à mente, os gatos de rua do vizinho que vão começar a coagi-lo a participar de manifestações em favor do projeto de lei, além de os aproveitadores de protesto que envergarão suas faixas contra a reforma da Cãovidência, pelo fim do CCZ ou pela volta da Carrocinha.

 

Para acalmá-lo, sugeri que convidasse seus colegas de raça a se manifestarem através do aplicativo O Poder do Voto, onde podem pressionar deputados e senadores e expressar suas opiniões a favor ou contra os projetos de lei que estão no Congresso. Como Bocelli é gato moderno, adorou a ideia de se transformar em um militante digital.

 

Antes de encerrar nossa conversa, deixei claro que, a persistirem os sintomas, ele jamais precisará se preocupar com essas coisas de separação, guarda compartilhada e pensão alimentícia, ao menos enquanto ficar aqui em casa. Juro que ouvi um miado de satisfação.

Pai que deixa a educação dos filhos só com a mãe tem a cabeça no passado

 

 

No lançamento do livro “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos” (editora Best Seller), fui entrevistado pelo Jornal da Cultura — onde tive minha primeira oportunidade como âncora, nos anos de 1990. Na conversa ao vivo com a repórter Marcela Terra, que esteve na livraria Saraiva do Shopping Ibirapuera, falei sobre a proposta do livro e a participação de Miriam Leitão e Mário Sérgio Cortella, que escreveram o prefácio e a orelha, respectivamente.

 

Em tempo: minha passagem pela TV Cultura, ao longo de oito anos, foi fundamental na minha formação como jornalista, por isso fiquei muito contente em ter meu trabalho destacado na programação da emissora.

Conte Sua História de São Paulo – 464 anos: uma lembrança que não é minha

 

 

 
Por Anna Frank
Ouvinte da Rádio CBN

 

 

 

 

 

 

Entre 1970 e 1973, estudei no Ginásio Estadual de Vila Nova Friburgo, próximo do bairro de Interlagos. Foi nesse período que conheci uma amiga que estudou comigo os quatro anos. Ela morava no bairro de Veleiros, que ficava próximo da escola. Tinha um pai muito bravo e de pouco diálogo com os filhos. Nas disputas, sempre prevalecia a vontade dele. Lembro que minha amiga tinha muito medo do pai.

 

 

Naquela época, as crianças podiam voltar à pé da escola para casa e nós duas, sempre juntas, caminhávamos falando de nossos sonhos e pensando em nosso futuro, casamento, filhos … Nós adorávamos ouvir Renato e Seus Blues Caps, que era o máximo do rock brasileiro. Também gostávamos de um doce puxa-puxa, um tipo de melado que toda garotada comia. Havia o guaraná caçulinha, o bolo Pulman – que delícia! Inesquecível!

 

 

Ah, tinha a Jovem Guarda com suas guitarras e músicas barulhentas. Era moda usar calça boca de sino e blusa de seda com babado. Além da mini-saia, que minha amiga guardava na minha casa para vestir depois da escola sem que o pai dela soubesse.

 

 

Minha amiga gostava muito da mãe dela, que parecia uma pessoa muito doce e meiga, carinhosa com os filhos. Sempre tinha um sorriso e um beijo guardado no coração.

 

 

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Como nem tudo na vida é sonho, a mãe dela morreu de repente e a vida dessa amiga passou a ser um inferno. Além de sofrer a perda da mãe, tinha de suportar a tirania do pai. Sequer a morte da mãe podia chorar. O pai, numa atitude de desespero, trancou o quarto da mãe, proibindo para sempre que ela pudesse entrar lá. Com medo de perder todas as lembranças, essa amiga me incumbiu de guardar uma blusa que era da mãe dela. Disse que a pegaria mais tarde, quando as coisas estivessem mais calmas.

 

 

Nós estávamos no último ano do ginásio quando aconteceu essa tragédia. Eu fui para o Colégio Oswaldo Aranha fazer o colegial e perdi o contato com ela. Agora, após 30 anos, eu gostaria muito de poder devolver esse tesouro a essa amiga de infância, que guardo até hoje em memória de sua querida mãe.

 

 

Desculpe-me a falha de memória, mas infelizmente não lembro mais seu nome e também não sei se ela ainda lembra dessa triste história. Mas não gostaria de fazer minha transmutação sem cumprir esta missão tão importante que ela deixou em minha
vida.

 

 

Anna Frank é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha comemorar mais os 464 anos da nossa cidade: escreva seu texto para milton@cbn.com.br.

Joy, o nome do sucesso: depressivo

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“Joy O Nome do Sucesso”
Um filme de David O Russel
Gênero: Drama
País:USA

 

A história real de uma empreendedora de sucesso americana chamada Joy Mangano, mãe solteira que carrega o mundo em seus ombros e divide sua jornada de frustrações diárias com o sonho de ser uma mulher de sucesso e muitas invenções.

 

Por que ver:
Gente, me desculpem mas devo confessar que não gostei do filme. Apesar da interpretação da Jennifer Lawrence, achei o filme depressivo. Pois é…Foi esta sensação que me deu ao assistir…Fiquei angustiada, com um peso que não sei explicar…

 

Para quem gosta de crítica cinematográfica e é influenciado por ela, vai gostar do filme que recebeu muitas avaliações positivas.

 

Talvez tenha sido a mão pesada do diretor ao costurar o filme em uma aura pesada e pouco inspiracional. Pronto falei!

Como ver:
No cinema, ainda não tem em videolocadoras e TV on demand. Ou melhor, não perca seu tempo e dinheiro…Espere sair na TV.

 

Quando não ver:
Depressivo…porque se você estiver a beira de um abismo emocional, este filme será o empurrão derradeiro…

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos e agora está te desafiando, vai amarelar?

De aniversário de casamento

 

Por Maria Lucia Solla

 

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Hoje, 25 de janeiro de 2015, meus pais, Oswaldo Rocco Solla e Clélia Calò Solla, comemoram setenta anos de casamento, onde quer que estejam, já que se foram deste planeta sem comunicar seus destinos.

 

Como todos os que se vão daqui, imagino que nasçam em novo lugar, para nova vida, em dimensão e vibração muito diferentes das nossas. Mas quem é que sabe…

 

A gente não sabe o porquê nem para que veio, e vive na ignorância do que virá. Mas vive. O propósito é esse, e pronto. Dia a dia, dor a dor, riso a riso.

 

Me afasto do assunto.

 

Meus avós paternos, Pedro Rojo Sola, espanhol, e Deolinda D’ Assumpção Marcello, portuguesa, criaram a metade homem, muitíssimo bem assessorados pela Bisa Maria da Luz; e meus avós maternos, Vito Calò e Grazia Giannuzzi Calò, ambos italianos, a metade mulher.

 

Oswaldo – e dois irmãos – nasceu e cresceu pobre, numa família ‘esquentada’. Estudou pouco na formalidade das escolas, mas atingiu o doutorado na vida. Trabalhou quase sessenta anos na mesma empresa, desde os quatorze anos. Começou cedo, e atesto que isso não fez mal a ele. Ao contrário, ajudou a forjar sua auto-estima e o seu caráter. Recebeu muitos prêmios, construiu sua casa, comprou seus carros e, principalmente, assegurou-se de que seus filhos não cresceriam sem o melhor estudo e o melhor código de honra que ele pudesse oferecer. Agora, o que fez de melhor foi proteger a Clélia. Contra tudo e contra todos, fazia tudo por ela. Ela era a Rainha do Lar – dirigida pelo Rei, é óbvio! Bibelô… mas tudo tem seu preço.

 

Clélia – e dez irmãos – vivia bem nesta nova e promissora terra brasileira, até completar nove anos. Nove! Foi então que o vovô Vito resolveu nascer, ele também, para uma nova vida, deixando a família que protegia, alimentava e acarinhava – todos dizem que ele era carinho puro -, nas mãos de D’eus.

 

Imagina a situação da vovó Grazia? Vivia as vinte e quatro horas do dia cuidando da casa e da família e de repente se viu sozinha e responsável pelo sustento da casa. Doze bocas para alimentar, doze de tudo! Nem quero nem pensar.

 

Pois ela pensou, e bem rapidamente: foi trabalhar numa fábrica de charutos e deu conta do recado, muito bem.
Por que eu conto tudo isso? Porque que me orgulho da minha família. Me orgulho de ser um pedacinho dela. Fruto dela. Dos seus erros e dos seus acertos, das suas brigas e da sua paz. O seu não-estar estando para sempre.

 

Obrigada, mamãe, obrigada papai, pela minha vida.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. É colaboradora do Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: amor de mãe é Imortal

 

Chapecoense 1 x 2 Grêmio
Brasileiro – Arena Condá (SC)

 

 

O Domingo do Dia das Mães começou onde sempre começam meus domingos, na capela da Imaculada Conceição, tão próximo de onde moro que deixo para sair de casa quando o sino chama. Pequena para a quantidade de famílias que a procuram especialmente em datas importantes como essa, assisti ao início da cerimônia em pé e do lado de fora. Somente quando o padre José Bertoloni já iniciava sua dinâmica de conversar com os fiéis, exercício que faz para agregar e tornar mais confortável a presença de tantas pessoas no interior da capela, consegui um pequeno lugar para sentar e me proteger do frio que começa a tomar conta de São Paulo neste meio de Outono. Vê-lo no altar foi uma satisfação especial, pois soube que esteve incapacitado de rezar a missa devido a forte gripe que o deixou na cama, semana passada. Pela idade que apresenta e os sinas de uma doença incômoda, fico sempre torcendo, ou melhor, fico sempre rezando pela saúde dele e para que no domingo seguinte volte a encontrá-lo. Bertoloni, que já foi personagem desta coluna, é conterrâneo e gremista, mas nesta manhã, em nossa conversa de despedida, quando costumamos trocar rápidas palavras entre um cumprimento e outro, nosso coração estava muito mais voltado para a lembrança de nossas mães que já se foram do que do time que jogaria logo mais à tarde, no interior de Santa Catarina. Foi um cumprimento silencioso e cúmplice. Eu perdi minha mãe, a Ruth, muito cedo, morta por um câncer fulminante, mas convivi com ela tempo suficiente para muitas lições e ótimas memórias. Eu e meus irmãos, tenho dois, o Christian e a Jacque, e uma prima irmã, a Anelise, soubemos tocar a vida em frente, sempre contando com o apoio do nosso pai, o Milton, que você costuma ler às quintas-feiras aqui no Blog e se aproveitando das muitas coisas que ela nos ensinou. Dia desses, quase sem querer, encontrei sua última carteira de identidade, entre várias fotos dos meus tempos de atleta e alguns recortes de jornal, curiosamente na véspera do aniversário dela que é comemorado no dia 25 de março. Se viva, estaria hoje com 77 anos e, com certeza, orgulhosa do caminho que cada um dos filhos tomou e disposta a nos embalar no primeiro sinal de fraqueza, como sempre fez quando precisamos. Entre nós e conosco, realizou alguns desejos como oferecer à filha e à sobrinha/filha uma linda festa de debutantes; conseguiu nos manter em uma das melhores escolas da cidade, mesmo diante de dificuldades financeiras que enfrentamos; viu todos os filhos se formarem na faculdade, pois sabia como a educação era fundamental; e, pouco antes de morrer, abriu uma creche onde exerceu o sonhado papel de professora. Não preciso dizer que minha mãe também torcia pelo Grêmio, apenas não lembro se era fanática como o pai e seus filhos. Lembro, porém, que era capaz de entender o meu sofrimento diante de alguns resultados negativos e permitir que eu ficasse até mais tarde na cama em troca de atividades externas onde, certamente, iria me deparar com torcedores adversários.

 

Pode parecer curioso que dedico este espaço, por costume preenchido com os feitos gremistas e do futebol, a falar de minha mãe em lugar de exaltar os dois gols de Barcos nesta tarde, em Santa Catarina. O primeiro saiu após uma virada rápida quase na área pequena em bola que sobrou de cobrança de escanteio e o segundo foi com drible e conclusão precisa, após troca de passes entre ele, Dudu e Luan, que entrou apenas no segundo tempo. A vitória em um estádio lotado – que o pessoal teima em chamar de Arena – e campo acanhado já coloca o Grêmio em seu devido lugar, na disputa do título e de vaga na Libertadores. Ou seja, havia bons motivos para escrever sobre o Grêmio, mesmo considerando que este campeonato ainda não me empolgou como deveria, talvez pela interrupção que teremos devido a Copa do Mundo e as desclassificações recentes. Mas, convenhamos, o dia ficou mesmo tomado pela força da data comemorativa, já que depois da missa era momento de se preparar para o almoço com as mães que estão em nosso entorno: mulher, sogra e cunhada. Sem contar que no instante em que parei para assistir ao jogo, o locutor da televisão informou que a última partida entre Grêmio e Chapecoense havia se realizado em 1978 e lá fui em buscar na minha memória os bons momentos que vivia com a Dona Ruth, há 36 anos.

Conte Sua História de SP: a cidade foi minha segunda mãe

 

Por Vilma Mendes
Ouvinte-internauta da CBN

 

Segunda mãe!

 

 

Eu era apenas uma menina de 6 anos quando cheguei a São Paulo vinda de Vitória De Santo Antão, em Pernambuco. Éramos minha mãe e eu fugindo da desilusão do abandono de um marido e pai, e em busca da sobrevivência. Foram três dias em um ônibus onde a lembrança que tenho é de enjoos constantes pela viagem e tristeza por ter deixado meus avós e tios em Pernambuco.

 

Não foi um começo fácil, mas foi graças a coragem de minha mãe que aos seis anos fui apresentada ao vaso sanitário, à escova de dentes, à água encanada, à luz elétrica e à televisão em preto & branco onde eu passava meus dias em êxtase assistindo a “Vila Sésamo”, “Shazan, Xerife & Cia” entre outros, enquanto minha mãe passava os dias trabalhando em casas de família.

 

Graças a dedicação dela, apesar de semianalfabeta e trabalhando em subemprego, desde que chegamos a São Paulo nunca mais passamos fome. Estudei no SESI e em escolas estaduais, consegui me graduar, fazer uma especialização, cursar MBA e falar três idiomas. Hoje tenho emprego, casa, carro, lazer e posso proporcionar a meu filho, luxos que nunca tive.

 

Para mim, São Paulo foi uma grande segunda mãe. Apesar de sua aspereza, acolheu e sempre nos deu oportunidades reais. Para quem tem coragem e vontade de trabalhar São Paulo sempre abre seus braços. Apesar do meu “DNA” nordestino, me considero paulistana de coração.

 


Vilma Mendes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Marque uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net ou envie seu texto para milton@cbn.com.br.

De Mãe Natureza

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Mãe,
permite
que me sinta sempre acolhida no teu Reino.

 

Guia-me
para que possa te devolver o indizível bem que me faz, com o melhor reciprocar de que sou capaz.

 

Andando por ele sinto cada canto enfraquecido, preenchido por tua magia, por tua grandeza e pela música cantada por árvores e arbustos, a plenas folhas.

 

Orquestra meu coração para que vento, sol, chuva, trovão, furacão, expressem eles drama ou comédia, plantem em mim sempre o melhor sorriso.

 

Desperta
de mim a infância
sempre pronta para acordar e
embala
minha consciência no teu manto, para que se mantenha acordada e cante pelos caminhos de tuas artérias. Que assim seja!

 

Tua diversidade de cores e formas é cardápio inesgotável que
amortece
a dor, mesmo a do amor, que não
cura
ainda nenhum doutor. Na tua expressão ferida é cicatrizada e memória transformada em construção da história.

 

Mãe,
acolhe-me
sempre, com coelhos posando para foto, e bambi se chegando, curioso pra saber o que é que eu vim fazer. Também eu tenho me perguntado, mas pensando bem, eu vim mesmo só ficar
mais perto de você.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

De condicional

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Ah se eu pudesse…

 

…me consertaria todinha, voltaria a fita e desfaria os males que causei, mesmo aqueles dos quais nem conta me dei. De mim isso aliviaria o fardo, mesmo que fosse muito, muito difícil, eu o faria sorrindo e de bom grado.

 

Pediria desculpas a quem magoei, mas jamais engoliria as lágrimas que chorei. Choraria ainda mais, até que o engasgo desengasgasse, até que meu coração desafogasse.

 

Ah se eu pudesse…

 

…seria melhor mãe do que tenho sido, desataria os nós que atei, faria de novo, e faria bem, tudo aquilo em que falhei.

 

Beijaria mais, abraçaria abraços apaixonados, apertados e compridos, enxugaria as lágrimas dos sofridos e dos desesperançados, muito mais, mas muito mais do que até hoje enxuguei.

 

Ah se eu pudesse…

 

…confessaria meu amor sem pudor, acariciaria o corpo do homem amado com muito, mas muito amor, sem recato, e não mais aceitaria o vazio do abstrato.

 

Curaria as feridas dos corações dos meus filhos, uma a uma, sem medo nenhum de facilitar-lhes a vida, e recolheria cada pétala de cada dor por eles sentida.

 

Ah se eu pudesse…

 

…diria todos os dias, a todos os meus amigos, o quanto eu quero tê-los sempre comigo, lhes ofereceria abrigo, mesmo que seus queixumes não fizessem, para ninguém mais no mundo, nenhum sentido.

 

Continuaria a andar, feliz, pela estrada do sonho e por aquela da realidade, viajaria e cantaria, sem medo de desafinar. E mesmo não conhecendo os caminhos, para todo canto eu iria, pelo simples prazer de andar. Sem rumo, sem idade, para pôr minhas energias no prumo.

 

Ah se eu pudesse…

 

…não abandonaria jamais o banco da escola, daria aula de graça porque essa sempre foi minha cachaça.

 

Dançaria mais, muito, mas muito mais. Todo dia rodopiaria, de noite e de dia, num crescente espiral que me transportasse em transe e me colocasse frente a frente com o plano espiritual.

 

Ah se eu pudesse…

 

…adoçaria os corações amargos, desarmaria os armados, acalentaria os desesperados, animaria os desanimados, resgataria suas almas perdidas, cicatrizaria suas feridas, uma a uma, sem hesitação nenhuma.

 

Escreveria a história da minha vida e contaria ao mundo cada momento vivido, aqueles dos quais me orgulho e aqueles inverossímeis, dos quais mesmo eu duvido. Despiria meu êxtase, meus suspiros, meus gritos mais aflitos meus impulsos contidos, meus desejos proibidos. Um a um; não mascararia nenhum.

 

Ah se eu pudesse…

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Reminiscências – De minha mãe

 

Por Julio Tannus

 

… Aos 94 anos de idade:

 

Comecei a vida estudando e acabei estudando para viver.
Aquele que não sabe que não sabe: é um tolo, evita-o. Aquele que não sabe e sabe que não sabe é simples: ensina-lhe. Aquele que sabe e não sabe que sabe: está dormindo, acorda-o. Aquele que sabe e sabe que sabe: é sóbrio, segue-o.

 

Somos todos estudantes na escola da vida.

 

O sorriso custa menos que a eletricidade e dá mais luz.

 

A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas deve ser vivida olhando-se para frente.

 

A vida é como uma bicicleta, você cai se parar de pedalar.

 

Se você quiser algum lugar ao sol, precisa saber enfrentar algumas queimaduras.

 

Quem sabe muitas vezes não diz. E quem diz muitas vezes não sabe.

 

Somos feitos de carne, mas temos que viver como se fossemos de ferro.

 

Quem viaja na garupa não dirige a rédea.

 

Agir sem pensar é como atirar sem fazer pontaria.

 

Colha a alegria de agora para a saudade futura.

 

Hino à Paraty:
Paraty quanta saudade.
Paraíso a beira-mar.
Permita Deus que eu não morra, sem para lá eu voltar.

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung