Antes de ir à farmácia comprar dexametasona para tratar Covid-19, ouça isso (e não vá)

 

 

Se estiver com pressa, não leia o texto; só clique no primeiro arquivo de áudio
 

 

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Foto: Pixabay


 

 

O ministro da Saúde do Reino Unido, Matt Hancock, comemorou. O primeiro-ministro Boris Johnson, vibrou. E para a felicidade geral da nação, os cientistas da Universidade de Oxford estudaram os benefícios da primeira droga que, comprovadamente, reduz a mortalidade pela Covid-19 em pacientes graves. Doentes em situação grave, já internados e submetidos ao uso de ventiladores, ressalte-se, receberam o corticoide dexametasona: um em cada oito deles se salvou.
 

 

Corticoide é cortisona. E a gente já ouviu falar dele faz tempo. Minha avó com reumatismo, usava. A sua tia, também — possivelmente. É um potente anti-inflamatório e imunossupressor, resultado de um hormônio produzido pelo corpo humano nas glândulas suprarrenais que foi sintetizado em 1950. Ajuda no reumatismo e em mais um monte de outras doenças —- pelas notícias que chegam da Inglaterra ajuda até no combate à Covid-19.
 

 

Ah, é bom lembrar, que o uso da cortisona, ou do corticoide, ou do dexametasona — ou seja lá o nome que você quiser dar a essa droga —- pode causar atrofia da pele, diabete, osteoporose, glaucoma, hipertensão, ganho de peso, etc, etc, etc …
 

 

Ou seja, se usado na hora errada, na dose errada, no paciente errado ou prescrito por gente errada é claro que vai dar muito errado. Tão errado que o paciente vai morrer. E essa é a informação mais importante que você tem de colocar na cabeça neste momento em que estamos todos em busca de um milagre que nos permita voltar a viver com alguma liberdade e segurança.
 

 

A notícia que veio do Reino Unido não chega a ser novidade em hospitais brasileiros. O dexametasona, barato e acessível, já é diagnosticado por médicos no tratamento da Covid-19 nos casos mais graves —- e nunca esqueça disso, só nos casos mais graves. Porque se você acha que usando de forma preventiva vai se livrar do vírus, esqueça. Se acha que nos primeiros sintomas é só pegar a caixinha do remédio no armário da vó, não caia nesta tentação.
 

 

Hoje, no Jornal da CBN, o doutor Paulo Lotufo que assim como eu, você e toda a torcida brasileira, está a espera de que apareça uma solução efetiva para esta doença, fez um alerta importantíssimo seja para os riscos que o cidadão corre ao ouvir a palavra de políticos, populistas e desesperados, seja para aquele que ouve uma notícia é já sai correndo para a farmácia.
 

 

Antes de fazer isso, ouça (ou leia) o que ele nos disse. E não vá à farmácia:
 

 

“Eu sou obrigado a fazer uma advertência antes. A forma como foi feito pelo ministro da Saúde e pelo primeiro-ministro da Inglaterra tem um componente extremamente político interno. Foi uma das coisas mais lamentáveis que aconteceu na pandemia, que o país que é a pátria da saúde pública, que o Reino Unido —- só para ter uma ideia, a vacina surgiu no Reino Unido, a penicilina surgiu no Reino Unido, a ideia de saneamento básico é do Reino Unido, a contagem de mortes é no Reino Unido —- , lá eles bobearam, cometeram muitos erros e tiveram muitos casos e mortes em excesso. E agora eles estão pegando algumas notícias e dando a elas um destaque que para nós médicos não representa uma grande novidade.
 

 

O uso da dexametasona ou qualquer corticoide em casos graves é uma coisa que a gente já tem familiaridade há muito tempo, há décadas. O que ficou bom neste caso, nesta notícia, foi … e eu estou falando notícia … foi que está comprovado aparentemente para a Covid funciona e tem uma boa ação. Agora, eu falei notícia. Eles não liberaram ainda o artigo científico para que a gente faça uma análise mais detalhada.
 

 

Então, esse é um problema que nós temos hoje. Nós tivemos no início coisas terríveis como o presidente Trump lançando um remédio como se ele fosse um médico ou um cientista. E agora nós temos também o outro lado: algumas pessoas que pegam um dado científico e estão usando para melhorar a sua imagem perante o seu público.
 

 

Para a população, para o ouvintes, eu posso dizer o seguinte: para as pessoas que estão internadas e estado grave, esse medicamento auxilia e eu sei que em parte, parte dos médicos já estava utilizando ele fora das recomendações por causa do nosso conhecimento anterior. Agora, em termos práticos de quem está em casa, de quem está com um caso simples de Covid, em isolamento, não há porque usar o corticoide. O corticoide é um ótimo remédio na mão do médico. Saindo da mão do médico ele é muito ruim. Eu lembro os antigos devem lembrar do termo cortisona, que incha, que leva a diabetes, que leva a hipertensão. É disso que nós estamos falando. Estamos falando da cortisona. Ela é excelente no tratamento de algumas doenças mas utilizado sem controle, é muito ruim”.

Diante da seriedade do tema, também fomos escutar nosso especialista de plantão: o Dr Luis Fernando Correia, em Saúde em Foco — Especial Coronavírus. Ele disse que o dexametasona “só deve ser utilizado dentro do hospital”.
 

 

Ouça o comentário dele antes de ir à farmácia. E fique em casa:
 

 

Enquanto a vacina não vem, lave bem as mãos e ajude a combater a Covid-19

 

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Máscaras desaparecem das farmácias e passageiros já desfilam no metrô de São Paulo com a boca encoberta. Os estoques de álcool em gel são insuficientes para o tamanho da procura. Clientes suspendem compras (?) da China. Viajantes recém-chegados recebem olhares desconfiados. Um espirro exagerado assusta os mais próximos —- os descolados arriscam uma piada de mal gosto.

 

As agências de viagens atendem clientes inseguros e dispostos a adiar as férias no exterior, enquanto eventos estão sendo reavaliados e até se fala em cancelamento dos Jogos Olímpicos no Japão.

 

O surgimento do novo coronavírus há pouco mais de dois meses, na China, têm causado mudanças de comportamento, sustos e estragos de todo tipo: os mais graves são humanitários, com a morte de mais de 2,8 mil pessoas. Tem gente perdendo dinheiro, também. Investidores, na bolsa. Empreendedores, no bolso.

 

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Arte Hospital Albert Einstein

 

Por outro lado, laboratórios, farmacêuticas, médicos e cientistas estão em uma corrida pelo medicamento mais eficiente —- algo que funcione mais do que chá de erva doce, recomendado em uma dessas mensagens que contaminam a internet com velocidade maior do que a do próprio vírus.

 

A todo momento, surge a informação de testes e estudos que avançam no sentido de encontrar a vacina capaz de conter a disseminação da Covid-19.

 

A Novavax, com base na experiência com outros coronavírus, incluindo MERS e SARS, diz que concluiu com êxito as etapas preliminares para desenvolver candidatos viáveis à vacina.

 

A Moderna, concorrente no campo da biotecnologia, alardeia que em tempo recorde lançou o primeiro lote de mRNA-1273, vacina que entrará na fase 1 de testes, nos Estados Unidos.

 

É de lá também —- os Estados Unidos — que vêm informações de que um médico brasileiro —- gaúcho de Bagé, para ser mais preciso —- é o responsável pelo ensaio clínico que testa o remédio considerado de maior potencial para curar a Covid-19. Conforme o portal G1, o doutor André Kalil lidera uma equipe de profissionais, no centro médico da Universidade do Nebraska, que vai testar a eficácia da droga Remdesivir, antiviral da farmacêutica Gilead Sciences, desenvolvido para tratar a doença do vírus Ebola e infecções do vírus Marburg.

 

Abril, maio ou junho. Conforme a fonte da informação e o atrevimento do cientista, mudam os prazos para uma ou outra droga estar pronta. O certo é que quem conseguir oferecer o medicamento mais cedo e com maior precisão colocará à mão no dinheiro que empresas e governos estão dispostos a pagar para conter o avanço da Covid-19.

 

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Arte: Hospital Albert Einstein

 

Até aqui, gente bem conceituada aposta que o vírus veio para ficar. É o caso do chefe do Departamento de Epidemiologia da Universidade de Harvard, Marc Lipsitch. Calcula que entre 40% e 70% da população serão infectadas pelo novo coronavírus — o que não significa que todos morreremos. A maioria talvez nem saiba que esteve contaminada e outros tantos sentirão um mal-estar que mais se parecerá com uma “gripe”.

 

A propósito, o governo anunciou hoje que vai antecipar a campanha de vacinação contra a gripe e a expectativa é que, desta vez, a adesão seja altíssima —- devido ao coronavírus e não à gripe, que a maioria, erroneamente, ainda acha que é coisa pouca.

 

Hoje, também, uma rede de laboratórios, o Grupo Dasa, informou que coloca, nesta sexta-feira, 28, à disposição de seus clientes, o serviço de Atendimento Domiciliar para coleta do exame de diagnóstico coronavírus. “Temos mais de 800 unidades espalhadas pelo país, com grande circulação de idosos e pacientes com doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e câncer, que são grupos de risco. Para evitar a disseminação do vírus, disponibilizamos a coleta apenas via unidades hospitalares e Atendimento Domiciliar”, disse Emerson Gasparetto, vice-presidente da área médica da Dasa.

 

É preciso ter pedido médico e indicação clínica: febre acompanhada de sintomas respiratórios (tosse, espirros, aperto no peito, dificuldade para respirar, falta de ar), ter viajado para países com a epidemia instalada, como a China (nos 14 dias anteriores, período de incubação do vírus) ou ter tido contato com um caso suspeito ou confirmado do novo coronavírus.

 

Também tem de ter R$ 280,00 para pagar o exame.

 

 

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Arte: Hospital Albert Einstein

 

 

Diante desta “infodemia” — não me queira mal por usar a expressão, apenas repito o que ouvi o ministro da Saúde, Luis Henrique Mandetta, dizer em entrevista aos colegas jornalistas, em Brasília —-, faço o que me cabe: lavar bem a mão com água e sabão, cobrir meus espirros com o braço e cancelar por ora a roda de chimarrão.

Seu filho não é um viciado, está apenas empolgado com o videogame

 

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Imagem Pixabay

 

 

Minha experiência com eSport e videogame é caseira. Verdade que fui jogador eventual, mas sem pretensão nem talento. O que mais aprendi foi na convivência com meus guris. Eles se dedicam ao tema (e aos jogos). Divertem-se, estudam, testam estratégias, praticam à exaustão e um deles até se profissionalizou. De minha parte, hoje, leio o que posso, mesmo porque preciso entender o mundo em que eles vivem.

 

Nesta semana mesmo, conheci Will Partin, PHD em comunicação da Universidade da Carolina do Norte, através de artigo no qual explica o que chama de “árdua” e “intransigente” relação entre esportes tradicionais e eletrônicos. É um bem referendado texto que trata do tema na medida certa e se baseia no histórico prazer que a humanidade tem de competir.

 

Leia aqui o artigo “Esports is Dead! Long live  Esposrts!”

 

Essa discussão eterna se eSport pode ser considerado esporte é muitas vezes contaminada pelo preconceito que tem na origem a falta de conhecimento e, pior, de interesse em conhecer. Algo do tipo: não conheço, não quero conhecer e tenho raiva de quem conhece. Colabora com a divergência a distância que existe entre gerações: pais que nasceram na era pré-internet ou nos tempos da internet à carvão tentam reproduzir com os filhos a educação que lhes foi oferecida. E claro que a coisa não pode dar certo!

 

Sempre que comento sobre as atividades digitais de meus filhos e o tempo que eles destinam ao uso do computador, pais me olham desconfiados. Alguns confessam que já entraram em confronto com seus filhos na tentativa de limitar o uso dessas máquinas, outros questionam os riscos deles se transformarem em pessoas anti-sociais e os mais assustados trazem argumentos jamais comprovados de que as crianças ao jogarem jogos violentos tendem a ficar violentas. Coisa de louco!

 

Como sei que essa briga vai longe e o risco de a desinformação só piorar o embate dentro de casa – e nas minhas conversas com amigos -, aproveito o Blog para chamar atenção para a reportagem publicada pela BBC Brasil, nesta terça-feira, que, aliás, já está entre as 10 mais lidas de seu site.

 

“Pela primeira vez, vício em games é considerado distúrbio mental pela OMS”

 

Essa é a manchete da reportagem assinada por Jane Wakefield que nos informa que a 11a. Classificação Internacional de Doenças (CID), que será publicada neste ano, identificará esse vício como “distúrbio de games”. O problema é descrito como padrão de comportamento frequente ou persistente de vício em videogames, tão grave que leva “a preferir os jogos a qualquer outro interesse na vida”.

 

As pessoas diagnosticadas com essa doença não têm controle de frequência, intensidade e duração com que jogam videogame; e continuam ou aumentam ainda mais essa frequência, mesmo após ter tido consequências negativas desse hábito, relata a BBC.

 

Viu só, Mílton? Eu avisei!

 

Caro e raro amigo, antes de você me condenar e espalhar a informação rasa e incompleta nos seus grupos de WhatsApp, Facebook e afins, vamos aos detalhes da notícia.

 

Médicos ouvidos pela BBC, que entendem a importância de a OMS reconhecer o vício em videogame, pedem precaução aos pais.

 

“As pessoas acreditam que as crianças estão viciadas em tecnologia e nessas telas 24 horas por dia a ponto de abdicarem de outras atividades. Mas sabemos que não é o caso (…) Nossas descobertas mostram que a tecnologia tem sido usada em alguns casos para apoiar outras atividades, como tarefas de casa, por exemplo, e não excluindo essas atividades das vidas das crianças (…) Assim como nós, adultos, fazemos, as criança espalham o uso da tecnologia digital ao longo do dia, enquanto fazem outras coisas.

 

Killian Mullan, da Universidade de Oxford

 

 

 

“(A decisão da OMS) pode levar pais confusos a pensarem que seus filhos têm problemas, quando eles são apenas “empolgados” jogadores de videogame (…)”

 

Richard Graham, do Hospital Nightingale, de Londres

 

Anotou o recado?

 

Então, vamos combinar o seguinte: esteja atento aos hábitos de seus filhos, acompanhe suas atividades e faça suas recomendações. É papel dos pais. Mas, por favor, não seja intolerante e não use argumentos falsos para justificar suas ideias. Como disse Dr Grahan, seu filho muito provavelmente não é um viciado, está apenas empolgado! E saiba, por experiência própria, esta empolgação  pode ser o caminho para uma carreira, para novos negócios ou, pelo menos, para uma grande diversão da qual você pode participar.

A história do médico brasileiro que defendeu o “monopólio” do leite materno em favor da saúde dos bebês

 

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Dr Cesar Victora, em foto da UFPEL

 

Os bebês alimentados apenas com leite materno até os seis meses têm risco de morrer por diarreia 14 vezes menor do que as demais crianças. A possibilidade de morte por infecções respiratórias cai 3,6 vezes. A mortalidade infantil aumenta se os recém-nascidos receberam, além do leite materno, água, chás ou sucos.

 

Foi a partir de dados como esses que o médico Cesar Victora convenceu a Organização Mundial de Saúde, seus colegas de medicina e, especialmente, mães e pais da importância do “monopólio do leite materno” até os seis meses de vida.

 

O estudos dele se iniciaram nos anos de 1980, no Rio Grande do Sul, e, nesta semana, foram reconhecidos com o Prêmio Gairdner 2017, o principal prêmio científico do Canadá, o que o coloca em uma lista de profissionais de saúde de onde saíram centenas de indicações para o prêmio Nobel.

 

Orgulhoso pelo prêmio mas sem ilusão. Assim, Victora, que é professor emérito da Universidade Federal de Pelotas, se apresentou em entrevista que foi ao ar nesta manhã, Jornal da CBN, direto da Colombia, onde participa de congresso que estuda a relação entre saúde pública e redução da desigualdade social. Ele não acredita na possibilidade de conquistar o Nobel de Medicina por que “eu não inventei nada, o leite materno sempre existiu”.

 

Na conversa que tivemos, Victora contou que, em breve, apresentará dados de pesquisa que se estende por 30 anos, para provar os benefícios do leite materno na vida adulta, também. Segundo ele, já é possível identificar nesses bebês, agora trintões, que a amamentação materna exclusiva até os seis meses trouxe ganhos intelectuais relevantes a essas pessoas.

 

As pesquisas desenvolvidas por ele, que levaram outros médicos pelo mundo a estudar essa área, também, colaboraram para o aumento da licença maternidade para as mulheres em boa parte do mundo.

 

Na entrevista, Victoria fez um alerta sobre a amamentação materna diante do desafio das mulheres que têm bebês e precisam trabalhar: “o mais importante da amamentação é que ela não é uma responsabilidade somente da mulher, é uma responsabilidade de toda a sociedade”.

 

Ouça a entrevista completa com o professor e doutor Cesar Victora, no Jornal da CBN:

 

É penta … a vacina que pode combater o vírus zika

 

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O fim do ano passado foi promissor no anúncio de ações de combate a dengue, doença que contaminava o noticiário, antes de surgir a suspeita que o aumento no número de casos de microcefalia no Brasil pudesse estar relacionado ao zika, outro vírus que tem como mensageiro do mal o mosquito Aedes aegypti.

 

Na disputa por este importante mercado – o de combate a dengue – laboratórios daqui e de fora vinham investindo muito dinheiro no desenvolvimento da vacina e de fábricas capazes de colocá-las rapidamente no mercado.

 

A estimativa da OMS é de que cerca de 400 milhões de pessoas são contagiadas a cada ano, em mais de 128 países, e perto de 40% da população corre o risco de contrair a doença, o que equivale a 3,9 bilhões de pessoas.

 

O Brasil é um dos principais alvos deste mercado: por aqui mais de 1,5 milhão de pessoas tiveram dengue e mais de 800 morreram em decorrência do vírus, só no ano passado.

 

Analistas calcularam, em 2015, que a vacina da dengue poderia gerar até € 1 bilhão – cerca de R$ 4 bilhões – em vendas por ano.

 

O Sanofi-Pasteur saiu na frente com uma vacina que exige a aplicação de três doses, a cada seis meses, e de alto custo, o que afastou a possibilidade de o Governo Federal distribuí-la na rede pública.

 

Com isto, o Instituto Butantan, em São Paulo, transformou-se na principal esperança de uma população que, incapaz de eliminar os focos do mosquito, aposta em uma blindagem contra os vírus.

 

Nessa segunda-feira, a instituição iniciou a terceira e última fase de testes clínicos da vacina, quando será aplicada em até 17 mil voluntários de todo o Brasil. Apesar de o período de testes ser de cinco anos, o infectologista David Uip, secretário de saúde do Estado de São Paulo, disse em entrevista que fiz no Jornal da CBN, que um comitê fará o acompanhamento do trabalho e pode autorizar sua distribuição bem antes deste prazo, desde que os resultados revelem segurança à saúde da população.

 

Aposta-se que até o ano que vem a vacina contra a dengue estará disponível e aí sim com distribuição na rede pública.

 

O Governo Federal anunciou que pretende investir R$ 300 milhões durante esta fase final da vacina de dengue. Um terço sai do orçamento do Ministério da Saúde e o restante de convênios que ainda estão sendo negociados. A experiência com liberação de verbas públicas, mesmo em situações de emergência, não é muito positiva, no Brasil, portanto, é bom ter comedimento com os números.

 

A vacina da dengue pode trazer de carona uma solução para o zika.

 

Ouça a entrevista completa com David Uip, no Jornal da CBN

 

Cientistas estudam uma maneira de colocar o vírus da zika em um “invólucro” do vírus da dengue e acrescentar à vacina já em desenvolvimento. O estudo está em estágio inicial, mas se tiver sucesso a vacina tetravalente – contra os quatro vírus da dengue – se transformará em pentavalente – incluindo o da zika.

 

O médico David Uip entende que “quem tem expertise para pesquisar uma vacina como essa tem competência para pesquisar a vacina da zika”. Ele, porém, parece mais otimista com duas outras vias de pesquisas:

 

  1. a criação de um soro que seria um anticorpo contra o zika; e para esta pesquisa o Governo Federal já prometeu investir R$ 8,5 mi
  2. o desenvolvimento de um medicamento que mata o zika

 

A grande vantagem dessas opções que estão em estudo é acabar com o risco de que mulheres grávidas que tenham contraído o vírus da zika transmitam para os fetos, o que seria a causa da má-formação, cegueira e até morte dessas crianças, segundo investigações que estão sendo realizadas por cientistas.

 

O Brasil confirmou mais de 500 casos de microcefalia desde o início do surto de zika, no início do ano, e investiga outros 3.900 casos suspeitos.

 

Nos EUA, seu cão rende mais ao médico do que o ser humano

 

 

O doutor Evan Levine é cardiologista em Nova Iorque e vive no estado americano de Connecticut, onde tive oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. Algumas vezes, tenho oportunidade de receber, por e-mail, a coluna que escreve com o sugestivo nome de ”O que seu médico não vai(ou não pode) dizer”. Nesta semana, em seu texto, tenta mostrar como a medicina está mais viável para os médicos que atendem animais do que os que tentam curar o ser humano, ao menos nos Estados Unidos (no Brasil seria diferente?). A crítica tem um alvo: a remuneração proporcionada pelo sistema de saúde americano – algo que me lembra muito a situação enfrentada por profissionais brasileiros de medicina muito mal pagos pelas operadoras de plano de saúde e pelo próprio SUS.

 

Leveni começa o artigo lembrando episódio do seriado Seinfeld, no qual Kramer, o amigo alucinado, leva ao veterinário o cão de um conhecido, alegando que animal de estimação está doente. Ao chegar no consultório, descreve ao médico os sintomas dele e não do cachorro, calculando que seria indiretamente medicado e a um custo bem menor (o vídeo está acima). Do ponto de vista do humor, a estratégia estava correta, mas distante da realidade americana, segundo constata o dr. Levine:

 

“Nesta semana, um colega (cardiologista) contou-me a história de seu cão e os custos para tratá-lo. Infelizmente, seu melhor amigo morreu em consequência de insuficiência cardíaca congestiva, depois de ser submetido a um ecocardiograma que lhe custou US$800, pagamento feito no ato. O tratamento incluiu, ainda, uma ecografia abdominal, que me pareceu desnecessária, e foi realizada pelo veterinário que não é especialista em doenças do coração. A máquina utilizada para realizar o teste foi provavelmente um modelo mais antigo, usado antigamente em seres humanos, que custa uma fração dos equipamentos de eco existentes hoje nos consultórios de medicina. Se ele ou qualquer outro cardiologista tivesse realizado o mesmo tipo de ecocardiograma em um paciente, com uma máquina nova e muita mais cara, teria direito a receber US$250 através da seguradora dentro de um mês. A “eco” para cachorros custou-lhe mais do que o dobro do que ele receberia para a realização de um ecocardiograma em seres humanos! E ele teve que pagar em dinheiro, antecipadamente! Muitos cardiologistas, hoje em dia, têm que pedir autorização da seguradora do paciente e oferecer razões detalhadas para ter direito ao valor cobrado, preferindo arriscar e fazer o exame antes mesmo da instituição assumir este custo.”

 

Dr.Levine diz que gostaria de ser ressarcido pelas seguradoras da mesma forma que os veterinários estão sendo pagos pelos donos de cães. E faz um ótimo trocadilho com mais sentido em inglês do que em português: “I do hope that medicine is going to the dogs”. Brinca, assim, com a expressão “going to the dogs” que ao pé da letra seria “indo para os cachorros”, mas que, em português, significa “ir de mal a pior”.

Corrida pode causar lesões no quadril

 

Por Dora Estevam

 

Correr faz bem à saúde. E a prática tem se tornado cada vez mais comum. Exige, porém, muito cuidado devido a lesões que podem ser causadas por uma série de fatores – exercício mal-feito, equipamento impróprio, excesso de peso, entre outros. Hoje, vemos com frequência atletas – profissionais ou não – sendo submetidos a cirurgias de quadril para tratar doenças que surgiram no decorrer da vida esportiva. Recentemente, Pelé fez cirurgia para colocar uma prótese, pois sofria de artrose, uma das doenças mais comuns na região do quadril. Eu conversei com a ortopedista e traumatologista Dra. Rostanda Marti Meireles, especialista em quadril pela Universidade Federal de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Neste bate-papo, ela fala das doenças e dos tratamentos disponíveis, além de dar dicas de como prevenir estes problemas.

 

 

Quais as lesões comuns que acometem o quadril?

 

As lesões comuns no quadril e pelve são de origem degenerativa – osteoartrose coxofemoral, inflamatórias- bursites e tendinites e traumáticas- contusões e lesões musculotendíneas. De uma maneira geral a osteoartrose pode ser de etiologia degenerativa, traumática, inflamatória ou decorrente de síndromes específicas. As bursites e tendinites são causadas pela irritação dessas estruturas. As contusões e lesões musculotendíneas originam-se da prática esportiva na maioria das vezes.

 

Quais os tratamentos para essas lesões?

 

A osteoartrose, dependendo do grau de acometimento da articulação e do estado clínico do paciente, é de tratamento cirúrgico (artroplastia total de quadril). As bursites e tendinites respondem bem ao tratamento á base de repouso, crioterapia, antiinflamatórios e fisioterapia. No caso de bursite trocantérica a infiltração com corticóide também está indicada. As contusões e lesões musculotendíneas devem ser tratadas com repouso, crioterapia, aintiinflamatórios, fisioterapia, retorno gradual á prática esportiva dependendo do limiar da dor.

 

Com que idade iniciam os problemas no quadril?

 

Normalmente as lesões causadas pelo esporte acometem pacientes mais jovens e as degenerativas pacientes mais idosos.

 

Dores na região inguinal e glútea são sintomas de problemas no quadril?

 

Sim, a dor na região inguinal e glútea pode caracterizar patologia no quadril. Outro sintoma importante é a restrição dos movimentos, como dificuldade de colocar a meia e o sapato e cortar as unhas dos pés.

 

Quais os exames realizados para diagnosticar patologias no quadril?

 

Os exames realizados são radiografias, ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética dependendo da suspeita clínica.

 

Como podemos fortalecer os músculos do quadril?

 

O fortalecimento da musculatura do quadril – adutores, abdutores, flexores e rotadores do quadril é tão importante quanto o alongamento dos mesmos. A reabilitação visa ganho de força, flexibilidade e resistência muscular.

 

É um fato ou mito que a corrida pode causar lesões no quadril?

 

A corrida é uma atividade de impacto, dessa forma acomete principalmente as articulações de carga – quadris, joelhos e tornozelos.

 

A obesidade é um fator de risco para lesões do quadril?

 

Sim, a obesidade está relacionada à deterioração da cartilagem articular.

 

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

 

Celulares e smartphones, as drogas contemporâneas

Por Carlos Magno Gibrail

 


Campanha de vídeo da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego

 

Estes engenhos eletrônicos têm propiciado aos usuários benefícios e vícios. Tais quais as drogas proibidas, sensações e emoções com sequencias de auto-dependência e interferência danosa a terceiros.

 

Como novos elementos a fazer parte da vida atual, são embalados pela utilidade e pelo prazer que fornecem. Entretanto, a certeza futura do aumento de usuários e da intensidade de uso é preocupante. É hora de estabelecer algum ordenamento jurídico e social para que possam conviver civilizadamente em nosso meio.

 

Os fabricantes preveem que até o ano 2020 não existirão mais celulares. Eles serão substituídos pelos smartphones. Portanto, desconsideremos os inofensivos efeitos dos celulares, embora produzindo irritantes incômodos em salas de espera, aeroportos, elevadores e demais locais em que somos obrigados a ouvir intimidades de toda espécie, avançando em nosso direito de pensar, ler ou mesmo de não fazer nada. Vamos aceitar até mesmo a ilegal e perigosa fala ao dirigir veículos.

 

Os smartphones, estes sim, trazem um perigo multiplicado. De acordo com matéria publicada na revista Época sobre o tema, um estudo da Universidade Tecnológica da Virginia, EUA, dirigir falando ao telefone duplica a possibilidade de acidente. Entretanto ao teclar, o potencial de risco é multiplicado por 23. Além disso, diante de um simulador para medir a reação do motorista em diversos estados de atenção, constatou que ao digitar em redes sociais no smartphone o pesquisado teve a reação reduzida em 38%, enquanto quem fumava maconha ficou mais lento em 21% e quem bebeu de 2 a 3 latas de cerveja respondeu 12% mais demoradamente ao estímulo. Portanto, o Smartphone é 100% mais perigoso que o álcool, e 40% mais danoso que a maconha. Descoberta e tanta, digna do Freakconomics quando alertou que piscina mata mais criança do que revólver em casa.

 

Se considerarmos que o Smartphone além de prazer fornece utilidade e a imagem operacional não causa reprovação, seu potencial de uso comparativo com álcool e maconha é bem maior. Principalmente no trânsito caótico que vivemos.

 

É hora de cuidarmos do Smartphone. Antes talvez que nossa ultima frase esteja digitada no próprio, como o da garota americana de 18 anos. Taylor Sauer teclou: “Não posso discutir isso agora. Dirigir e escrever no Facebook não é seguro! Haha”. Bateu no veículo à frente que andava a 25km/h.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

A saúde pública que não está no horário eleitoral


Vítima de assalto descreve o atendimento médico recebido após o marido ter sido baleado e se envolvido em acidente de carro no qual a filha de apenas 20 dias foi ‘jogada’ pela janela do veículo. O CBN São Paulo, nesta segunda-feira, quer saber como um hospital municipal, gerenciado pela Universidade Federal de São Paulo e Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina, oferece ao cidadão este tipo de atendimento.

Registre-se o mérito da reportagem do Estadão que em lugar de reproduzir BO de delegacia foi ouvir a história de pessoas.

Agora o outro lado (publicado em 31.08/17:00)

A falha nos equipamentos e a dificuldade para o atendimento ao paciente foram negadas pela Secretaria Municipal de Saúde, em entrevista ao CBN São Paulo nesta terça-feira. O coordenador da gerência hospitalar da prefeitura Paulo Kron disse que o hospital municipal Vila Maria esta devidamente equipado, mas que os problemas relatados na reportagem seriam investigados.

Ouça a entrevista do representante da prefeitura, Paulo Kron