No calor dos debates e discussões que caracterizam a Cúpula da Amazônia, em Belém do Pará, Marina Silva, a ministra do Meio Ambiente, foi enfática sobre a importância das decisões técnicas do Ibama serem respeitadas no caso da exploração de petróleo na região do Foz do Rio Amazonas. Em entrevista ao Jornal da CBN, ela foi perguntada sobre o parecer da AGU — Advocacia Geral da União que pode abrir espaço para que o presidente Lula autorize as operações da Petrobras no local. Marina destacou que tais decisões levam em conta critérios ambientais e Lula jamais passaria por cima dessas avaliações:
“Às vezes as pessoas usam um termo equivocado: flexibilizar o licenciamento ambiental. Ninguém flexibiliza uma cirurgia do coração, uma cirurgia do rim, uma cirurgia do olho. Por que que o olho e o coração da natureza a gente quer flexibilizar?”
O desmatamento na Amazônia também foi abordado na entrevista, e Marina compartilhou dados promissores sobre a reversão da curva de crescimento do desmatamento no primeiro semestre. Ela ressaltou a importância do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia (PPCDAm), destacando seu papel na redução do desmatamento ao longo dos anos. No entanto, a Ministra também apontou para a necessidade de mudanças no modelo de desenvolvimento, promovendo setores como turismo, bioeconomia e agricultura de baixo carbono.
“A fabricação de um carro elétrico é mais limpa e tecnológica em comparação com os carros a combustão, o que contribui para a redução da poluição e permite produzir veículos não poluentes em maior escala.”
Marcelo Schneider, BYD
O Brasil é um país estratégico para as operações da BYD, especialmente devido à sua rica biodiversidade e ao papel fundamental na luta contra as mudanças climáticas. É o que diz Marcello Schneider, diretor empresa chinesa líder mundial em veículos elétricos e soluções sustentáveis, em entrevista ao Mundo Corporativo, especial ESG, da CBN. A BYD construirá três fábricas para a produção de automóveis eletrificados, caminhões e ônibus elétricos e baterias no município de Camaçari (BA). O investimento de R$ 3 bilhões deverá gerar 5 mil empregos diretos e indiretos, conforme anúncio feito em julho. A empresa acredita que o Brasil pode se tornar um líder global em sustentabilidade.
Veículos Elétricos e a Redução das Emissões
A BYD é pioneira em veículos elétricos e investe fortemente em soluções de mobilidade sustentável. Schneider ressalta que a frota de ônibus elétricos da BYD no Brasil já superou a marca de mil unidades, contribuindo significativamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Além disso, a empresa fornece veículos elétricos para uso urbano e de carga, impulsionando a eletrificação do transporte no país. Na entrevista, ele identifica os benefícios e os desafios na fabricação dos novos modelos de veículos:
“Vou dar o exemplo do ônibus. Uma bateria pode durar 15 anos junto com os ônibus. Após essa aplicação para rodar com os ônibus, nós retiramos essa bateria, ela é rebalanceada e ela pode ser usada por mais 10, 15 anos em outra aplicação que são sistemas estacionários de energia. Vamos imaginar grandes containers ou até pequenos containers onnde nós vamos gerar energia através da energia do sol e armazenar”
Energia Solar e Armazenamento de Energia
A empresa também é uma das principais fornecedoras de sistemas de energia solar e armazenamento de energia no Brasil. Schneider destaca que a energia solar tem experimentado um crescimento acelerado no país, impulsionado pela busca por fontes limpas e renováveis. De acordo com o diretor da fabricante chinesa, a BYD oferece soluções completas para geração, armazenamento e gestão de energia, permitindo aos consumidores a independência energética e a redução das contas de luz.
A Transformação do Mercado de Trabalho
Marcello Schneider aborda o impacto da BYD no mercado de trabalho brasileiro. Com a expansão das operações da empresa no país, a demanda por profissionais qualificados em tecnologias sustentáveis tem aumentado. A BYD acredita na importância de capacitar a mão de obra local, criando oportunidades de emprego e contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil.
“Nós temos já aprovados aqui pelo nosso chairman global eum investimento da ordem aí de 10 bilhões de reais até 2025, tanto para abertura de uma nova fábrica quanto também para outros projetos de expansão e desenvolvimento. Sem dúvida, a gente vai ter uma uma necessidade muito boa de contratação de mão de obra especializada e não especializada”.
Desafios e Perspectivas Futuras
O diretor da BYD compartilha os desafios enfrentados no processo de eletrificação do transporte e da adoção de energias renováveis no Brasil. Ele enfatiza a importância da parceria entre governo, empresas e sociedade civil para promover políticas públicas que incentivem a sustentabilidade e tornem viável a expansão das soluções limpas.
Marcello Schneider destaca que a BYD está comprometida em continuar inovando e oferecendo soluções sustentáveis para o Brasil e o mundo. A empresa acredita que a transição para um futuro sustentável é urgente e que cada passo dado em direção a essa transformação é fundamental para garantir um planeta mais limpo e saudável para as futuras gerações.
O Mundo Corporativo tem as participações de Renato Barcellos, Letícia Valente, Débora Gonçalves e Rafael Furugen
“A gente precisa saber para onde esse óleo lubrificante vai, a gente precisa entender que ele é um tema da pauta ESG, que deveria estar lá em cima. Se fala muito em ESG, mas a gente não tem falado sobre o óleo lubrificante usado”.
Roberta Colleta, Lwart
“Troca o óleo”. Você já deve ter feito este pedido inúmeras vezes ao chegar em um posto de combustível ou oficina mecânica. Fazer a troca é recomendável para a saúde do motor do seu carro. Os fabricantes sugerem que isso ocorra a cada 5 mil ou 10 mil quilômetros, conforme orientação do fabricante.
Agora, você parou para pensar o que acontece com o óleo que o profissional tira do motor? Se descartado no meio ambiente, esse produto é bastante prejudicial à sua saúde e ao meio ambiente.
O Mundo Corporativo, na série ESG, foi saber quais são as soluções desenvolvidas no Brasil para atender a rígida legislação ambiental do país. Nós entrevistamos Roberta Colleta, head de comunicação e marketing da Lwart Soluções Ambientais. A empresa trabalha com rerrefino do óleo lubrificante e é líder nesse mercado é a nossa entrevistada.
Impactos Ambientais e de Saúde do Óleo Lubrificante Usado
O óleo lubrificante usado é aquele líquido preto que sai do motor de carros, motos, ônibus e máquinas. O produto pode causar danos significativos ao meio ambiente quando descartado incorretamente. Ele possui potencial para contaminar a água, o solo e o ar, causando sérios problemas ambientais. Apenas um litro de óleo usado pode contaminar até um milhão de litros de água, tornando-se uma fonte poluidora poderosa:
“Na água, um litro de óleo usado, de óleo lubrificante usado, é capaz de contaminar um milhão de litros de água. No solo, ele permeia e pode ter prejuízos para a plantação, água etc. E no ar, quando ele é queimado, gera resíduos tóxicos, tanto para o ser humano quanto para a camada de ozônio. Então, é um tema que a gente precisa olhar com carinho”.
Rerrefino: A Solução Sustentável
A Lwart Soluções Ambientais é pioneira na técnica de rerrefino de óleo lubrificante usado no Brasil. Esse processo ocorre a partir do óleo básico extraído do petróleo, que é aditivado e se transforma em óleo lubrificante.
O óleo, após ser usado e extraído do motor do carro, é coletado pela empresa. que o refina novamente, eliminando contaminantes e transformando-o em óleo básico de alta qualidade. Esse processo leva a um ciclo completo, tornando-o uma solução ambientalmente correta e sustentável:
“Através de tecnologia, a gente consegue mudar a estrutura molecular desse óleo e transforma ele de novo em óleo básico. Então, perceba que é uma cadeia circular perfeita. Ele foi refinado. Ele foi usado. Ele foi rerrefinado. E ele volta para o mercado de novo depois de aditivado novamente como óleo lubrificante. E isso é infinito”.
A empresa faz a coleta em cerca de 4 mil municípios brasileiros e concentra o produto em 18 centros de coleta, que são unidades armazenadoras espalhadas em diversas partes do país. O material é levado para a fábrica da Lwart em Lençóis Paulistas, interior de São Paulo. Lá é feito o processo de rerrefino do óleo lubrificante. Por ano, são rerrefinados cerca de 240 milhões de litros, segundo dados oficiais da Lwart.
Quem é responsável pela gestão do óleo usado
A legislação brasileira é rigorosa em relação ao óleo lubrificante usado. A única destinação ambientalmente correta é a reciclagem por meio do rerrefino. Postos de combustível, concessionárias, oficinas e indústrias têm a obrigação legal de destinar corretamente o óleo usado para o refino.
“Os países de grandes extensões territoriais, como o Brasil, são grandes produtores de óleo lubrificante, e muitos deles também são grandes rerefinadores, mas outros países têm legislações diferentes. Então, posso citar para você, por exemplo, os Estados Unidos que permitem a queima do óleo lubrificante usado. O Brasil não permite, o que para nós é um uma grande conquista”.
Roberta explica que de cada 10 litros de óleo coletado, sete e meio são rerefinados e voltam ao mercado de máquinas e motores. Outra parte dos resíduos desse processo vai para a indústria da construção civil como impermeabilizante e manta asfáltica. A água usada na operação passa por uma estação de tratamento e volta à natureza, ou gera vapor e alimenta a própria fábrica.
Desafios e Conscientização
Apesar da legislação e dos avanços na reciclagem, ainda existem desafios. Um dos principais é conscientizar as pessoas sobre a importância de destinar corretamente o óleo lubrificante usado. Muitos ainda não têm a consciência dos riscos ambientais desse produto e precisam ser sensibilizados para contribuir com a preservação do meio ambiente.
Além do Óleo Lubrificante
A Lwart Soluções Ambientais não se limita à coleta e rerrefino de óleo lubrificante usado, conforme explica Roberta Colleta. Há 50 anos no mercado, a empresa expandiu suas atividades para outras soluções ambientais. Hoje faz a gestão de resíduos sólidos, incluindo plástico, metal, madeira, papelão e águas contaminadas. Além disso, a Lwart investe em inovação e tecnologia, buscando soluções que agreguem valor aos resíduos e enfrentem desafios futuros.
O tema da coleta e reciclagem do óleo lubrificante usado é de suma importância para a sustentabilidade ambiental. E os resultados no Brasil são bastante positivos. Para Roberta, no entanto, a conscientização e a colaboração de todos são fundamentais para que esse esforço da coleta seja ainda mais significativo. Ela destaca que devemos lembrar que, ao cuidar do descarte adequado do óleo lubrificante, estamos zelando pelo planeta e pelas gerações futuras.
Assista à entrevista completa com Roberta Colleta, head de comunicação e marketing da Lwart Soluções Ambientais. O Mundo Corporativo tem as participações de Renato Barcellos, Letícia Valente, Leandro Gouveia e Débora Gonçalves.
Seu Oseas e a jabuticabeira em foto de arquivo pessoal
Tenho 77 anos. Sou viúvo. Moro no condomínio Interclube, no Jardim Umuarama, no Campo Limpo, zona Sul da cidade. Cheguei em São Paulo em 1972. Cinco anos depois, eu e minha esposa ganhamos uma muda de jabuticaba. Eu plantei em um vaso e continuamos a regá-la durante 15 anos.
Quando chegou 2018, plantei a jabuticaba no pomar do condomínio que moro e já está dando frutos.
Fico muito alegre de ver os sabiás, os bem-te-vis, o casal de João de Barros, pardais que comem os frutos todos os dias. Minha felicidade é enorme ao ver que o plantar da árvore frutífera alimenta os pássaros. E a mim, também.
Gostaria mesmo que minha esposa estivesse aqui para ver a jabuticabeira, como está linda e como atrai os passarinhos do bairro.
Oseas Pereira Campos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história, envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade ouça o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
“A gente precisa como país se apropriar desse lugar. Realmente, entender que os negócios podem ser uma ferramenta para se colocar nessa posição de uma potência regenerativa mesmo”
O Brasil tem a possibilidade de se transformar em uma potência regenerativa, a partir de uma série de ações que valorizem seus principais biomas, aproveitando-se da riqueza que oferecem para desenvolver novos negócios sustentáveis. Essa não é apenas uma visão otimista do que podemos fazer no país, é realidade que se enxerga a partir de projetos que estão em andamento, alguns dos quais sob o olhar da empreendedora Julia Maggion, uma das fundadoras da Ateha, empresa criada para apoiar empreendedores com ideias de impacto para as soluções climáticas, em 2021.
Na entrevista ao programa Mundo Corporativo, Julia esbanjou entusiamo ao falar do empreendedorismo verde e das possibilidades que existem no Brasil. A existência de matas nativas e biomas diversificados — Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa, Pantanal e Bioma Marinho —permite ao país a liderança desse movimento de regeneração e o surgimento de fontes de renda para comunidades locais.
Após passagem em uma série de grandes empresas e no sistema bancário, nos quais aprendeu lições importantes na área corporativa, Julia descobriu-se em projetos de impacto social e ambiental. A ideia da Ateha surgiu nesse novo momento, quando então ela se juntou a parceiros de negócios no setor financeiro: Raymundo Magliano Neto, ex-CEO da Magliano Corretora e co-fundador da Expo Money e Humberto Matsuda, co-fundador da Performa Investimentos e fundador da Matsuda Invest. Uma combinação que para ela foi perfeita:
“A Ateha faz investimentos sementes nas empresas, mas a gente entra muito no negócio, botando a mão na massa. É o que eu gosto de fazer. Eu adoro pegar o negócio no começo, a ideia e desenvolver. E o nosso papel também é fazer a ponte com o universo do investimento, haja vista a experiência dos meus sócios”.
Os projetos de impacto ambiental e regenerativos tem inúmeros benefícios e permitem que se atue no âmbito local, entendendo os limites territoriais, as fronteiras de crescimento e as características próprias de cada população. Da mesma forma, exigem do empreendedor visão diferente daquela que costumamos ter nas grandes empresas, em que o lucro é a meta:
“Aprender com essa lógica (a da sustentabilidade) exige desconstruir muito do que a gente aprendeu no mundo convencional dos negócios, exige a criação de um arcabouço de novos valores e, principalmente, no sentido de a gente saber trabalhar conectado, entendendo os ritmos da natureza”.
Na nossa conversa, Julia destacou que um dos negócios que estão sendo fomentados pela Ateha é o Ekuia Food Lab, um laboratório que pretende valorizar a biodiversidade da Amazônia e regenerar florestas, impulsionando negócios e fortalecendo uma nova economia com a criação de produtos alimentícios. Também em desenvolvimento está a Ateha Escola do Clima que pretende disseminar conhecimento, formando mão de obra mais bem preparada e empreendedores que tenham a visão de negócios regenerativos.
Pensar em soluções ambientais não é função apenas para empreendedores verdes ou startups que nasceram com essa intenção. É responsabilidade, também, de todas as empresas e seus líderes que precisam entender quais são os mecanismos de impacto que podem ser desenvolvidos dentro de seu negócio. Uma preocupação posta por uma das nossas ouvintes no Mundo Corporativo foi quanto ao risco de o empreendedorismo verde em lugar de proteger se transformar em explorador do meio ambiente:
“A gente precisa criar os mecanismos justamente para que isso não aconteça. Isso tem a ver com políticas públicas, com associações de empresários e de empresas que têm esse pacto de não gerar o impacto negativo. Porque como eu falei, a empresa acaba muitas vezes fazendo um projetinho que está gerando um impacto positivo, mas na sua atividade principal gera um impacto negativo absurdo. Então, a sociedade, principalmente, tem que estar muito atenta”.
Um das formas de atuar para impedir esse desvio de conduta é ter informação e conhecer os instrumentos de fiscalização e proteção ambiental. No site da Ateha existem vários documentos e artigos, disponíveis de graça, que podem ajudar você a estar mais bem informado sobre o assunto.
Antes, assista à entrevista completa do Mundo Corporativo, com Julia Maggion, CEO e cofundadora da Ateha:
O Mundo Corporativo tem a participação de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.
Estávamos no início dos anos 80 —- se a memória não me faltar era 1981. Eu, aluna da Escola Estadual Oswaldo Aranha, na Avenida Portugal, no Brooklin Novo. Nós os alunos fomos surpreendidos com a notícia de que o terreno arborizado que ficava na lateral do prédio do colégio, no quadrilátero rua Pensilvânia, avenidas Portugal, Padre Antonio José dos Santos e Santo Amaro, teria suas árvores derrubadas para a construção de prédios.
O pessoal do centro acadêmico iniciou uma mobilização e convocou os estudantes para uma passeata e um abraço ao terreno. No dia marcado, os alunos de todos os períodos, professores e funcionários com cartazes e imbuídos do espírito de preservação daquela área arborizada saíram em caminhada entoando palavras de ordem pela preservação da área.
Alguns colegas subiram nas árvores e ao fim abraçamos o terreno — e olha que o quadrilátero é enorme!!!
A mobilização foi um sucesso. À época, o pessoal do centro acadêmico entrou em contato com a turma do jornal Gazeta de Santo Amaro para cobrir o evento. Foram enviados um jornalista e um fotógrafo e fizeram uma reportagem que chamou a atenção dos moradores, levando a um movimento de preservação incrível. A construção dos prédios foi desautorizada pela prefeitura de São Paulo — ordem mantida até 2004.
Naquele ano, uma construtora comprou o terreno para iniciar um empreendimento. Começou nova mobilização dos moradores que conseguiram reduzir os danos ambientais. Graças aos protestos ficou registrado em matrícula que dos 18 mil metros quadrados de Mata Atlântica ao menos 7 mil e seiscentos teriam de ser preservados e abertos para uso público.
Foi assim que nasceu o Bosque do Brooklin, um dos poucos espaços de Mata Atlântica mantidos na região do Brooklin Novo. Quando passo pelo local e me recordo desse momento na juventude, sinto uma enorme emoção, pois foi fundamental para construir na minha personalidade a consciência da preservação ambiental e do exercício da cidadania. Aquele bosque me traz a confiança de que temos de nos engajar na defesa do meio ambiente e fazermos a diferença para a construção de um mundo melhor. De uma cidade melhor.
Eliana Lucania é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar você também desta série especial em homenagem aos 469 anos da nossa cidade com textos sobre locais em que o verde e o meio ambiente foram preservados na capital paulista. Escreva agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. E vamos juntos comemorar mais um aniversário de São Paulo
“É fundamental dizer que o efeito da mudança climática já acontece hoje, e a ação precisa ser já”
Leandro Faria, CBA
A presença de empresas e indústrias tem aumentado nos debates sobre as mudanças climáticas da mesma forma que cresce a responsabilidade da iniciativa privada no cumprimento de metas e normas discutidas na conferência do clima —- como a COP27, que se inicia neste domingo, no Egito. Essa maior participação se dá porque o setor produtivo está convencido de que as mudanças são relevantes para a sustentabilidade dos negócios, de acordo com Leandro Faria, gerente geral de sustentabilidade da CBA — Companhia Brasileira de Alumínio, em entrevista ao Mundo Corporativo.
“O Fórum Econômico, por exemplo, posiciona a mudança do clima ou o combate aos efeitos de mudança climática como o principal risco na matriz de riscos global. Então, dito isso, é fundamental que empresas que na sua atividade influenciam a mudança do clima se preparem para contribuir”
A conferência do clima é o maior evento de negociações da pauta climática do mundo. As diretrizes e acordos negociados entre nações e organizações sociais e empresariais influenciam diretamente as tomadas de decisão das corporações. Para este ano, a expectativa é enorme porque será o primeiro encontro desde que se superou a pandemia da Covid 19 e, ao mesmo tempo, se enfrenta um crise energética provocada pela Guerra da Rússia na Ucrânia:
“Nós esperamos especialmente para esse ano da COP27 que mecanismos e métodos, do mercado de carbono e do sistema de financiamento de descarbonização, avancem”.
O processo de descarbonização deve acontecer através da redução das emissões de carbono, passando de uma economia baseada em combustível fóssil para combustível renovável; na implementação de tecnologias que removam da atmosfera carbono que já esteja presente; e através da adaptação daquelas regiões afetadas pelas mudanças climáticas:
“Por exemplo, há regiões onde ocorre a produção de alimentos que sofrem atualmente com a alteração do ciclo de chuva que cria condições difíceis ou reduze a produtividade. Será preciso, então, realizar a adaptação desse cenário para que os impactos que hoje nós já sentimos sejam mitigados ou eliminados ao longo dos próximos anos”.
De acordo com Leandro Farias, a descarbonização é um eixo central na estratégia da Companhia Brasileira de Alumínio e, atualmente, já se produz alumínio com impactos cinco vezes menores do que a média global. Isso significa dizer que a CBA emite 2,56 toneladas de CO2 por tonelada de alumínio produzido enquanto a média mundial no setor é de 12,8 toneladas. A meta da companhia é ainda reduzir em 40% as emissões, alinhando-se as ambições da COP de alcançar a neutralização no futuro.
O financiamento para que haja a transição para uma matriz energética mais renovável é fundamental, segundo Leandro. Será necessário encontrar uma solução a despeito das restrições orçamentárias, porque o custo das mudanças climáticas é muito maior — calcula-se que tenha atingido US$ 170 bilhões, em 2021. De forma prática, no primeiro semestre deste ano, a onda de calor na Europa causou preocupação em relação a dilatação dos trilhos ferroviários. Imagine o tamanho das perdas em caso de paralisação deste tipo de transporte no continente.
“(neste tema) é relevante a participação do alumínio, porque o alumínio está presente no painel solar, na pá eólica e na redução de peso de veículos que permitirá sua eletrificação. Então, é fundamental que mecanismos de financiamento criem um espaço para que a indústria possa buscar condição de reduzir ou de diversificar essa matriz energética”.
Assista à entrevista completa no Mundo Corporativo e saiba a opinião de Leandro Farias, gerente geral de sustentabilidade da CBA, sobre a importância do Brasil no combate às mudanças climáticas, as principais fontes de emissão de carbono e soluções que a companhia tem buscado para colaborar nesse enorme desafio que o mundo tem pela frente.
O Mundo Corporativo tem as colaborações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.
Corpus Christi se avizinha no instante em que somos informados da confirmação do assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Philips, em mais uma ironia que o calendário impõe aos brasileiros. Na véspera da data cristã em que se celebra o sacramento do corpo e do sangue de Jesus Cristo, dois dos suspeitos confessam à polícia que mataram, esquartejaram e queimaram os dois homens que se atreveram em defender o meio ambiente e proteger a dignidade dos indígenas. Serão mártires sem corpos pelo que se interpreta da brutalidade que os assassinos dizem ter cometido.
A Bruno e Dom não serão dados sequer o direito a velório e enterro, rituais de veneração e respeito que algumas religiões — dentre elas a católica —- oferecem a seus mortos. A consolar os que cultivarão a dor e a saudade, em especial suas famílias, o fato de se saber que ambos tinham na natureza seu lugar sagrado. Foi a mulher de Dom, Alessandra Sampaio, que, ao falar de sua espiritualidade, em entrevista ao jornalista André Trigueiro, domingo passado, comentou que o marido era reservado e costumava dizer que “Deus é a natureza”. Completou o pensamento: “se ele partiu ali, ele estava no meio do Deus que ele acreditava”.
Que sejam abraçados pelas divindades da terra, enquanto nós permaneceremos aqui escandalizados com o que vem acontecendo no Brasil. Um país marcado pela brutalidade que tem o patrocínio do presidente da República, que, desde o início de seu mandato, emite mensagens claras em favor daqueles que exploram ilegalmente a terra, e sustenta grupos criminosos com seu discurso e seus atos contrários à proteção dos territórios indígenas.
Jair Bolsonaro não apenas incentiva as ocupações como pune quem fiscaliza. Foi esse comportamento que levou ao afastamento de Bruno Pereira da Funai, fundação da qual é servidor público, no momento em que ele combatia grupos que atuam de maneira criminosa, na Floresta Amazônica.
Diante do desaparecimento de Bruno e Dom, Jair Bolsonaro foi incapaz de ser solidário. Primeiro, definiu a viagem dos dois como uma “aventura não recomendada”. O que o presidente chama de aventura — repito aqui o que disse em viva voz no Jornal da CBN —-, nós chamamos de jornalismo investigativo, que se expressa especialmente quando o Estado se ausenta e o crime organizado domina. Depois, inventou a história de que eles não tinham autorização da Funai para estarem no local em que atuavam na busca da verdade, quando se sabe que para andar onde andavam não haveria necessidade de qualquer aval da fundação. Não contente em mentir — exercício que pratica com maestria —, ofendeu a imagem do jornalista britânico ao dizer que “esse inglês era malvisto na região, porque fazia muita matéria contra garimpeiros, questão ambiental …”. Defender o meio ambiente é crime na visão distorcida do presidente.
Bolsonaro está tão ensimesmado em seu necrogoverno — característica que ficou exposta na gestão (?) da pandemia do coronavírus —, que é incapaz de enxergar quão contraditório é em suas declarações. Ao admitir que “lá tem pirata no rio, lá tem tudo que possa imaginar” ou seja a Amazônia é um território sem lei, confessa que o discurso em defesa da soberania nacional é apenas mais uma falácia.
Pior, muito pior do que isso, é perceber que a morte de Bruno e Dom servem à ideologia bolsonarista. O presidente pouco se importa com as críticas dos mais diversos setores, com os protestos de organismos internacionais e com a transformação do Brasil em pária do mundo. Culpar as vítimas é estratégia de um governo que governa pelo medo e pelo terror. A ele interessa manter a população acuada para oferecer mais falácia, agora no campo da segurança pública, com seu discurso armamentista. A ele interessa dar publicidade a esses crimes em uma tentativa de coagir aqueles que insistem em buscar a verdade.
Que os corpos vilipendiados de Bruno e Dom se transformem em adubo, e da terra onde foram desaparecidos, floresçam novos protagonistas na defesa da justiça e da dignidade humana.
“Sustentabilidade não é sobre o seu tamanho ou sobre sua capacidade de investimento; é muito mais sobre a sua intenção e o quanto o genuíno você está indo nessa direção”
Mauro Homem, Heineken
As empresas têm percebido que não alcançarão o sucesso que esperam sem terem relevância significativa nas áreas ambiental, social e de governança. A despeito de seu tamanho ou finalidade, cada uma cria sua própria estratégia para expressar esse compromisso, adaptando-a a seus processos de produção e ao segmento que representa. A Heineken, segunda maior cervejaria do mundo, por exemplo, definiu três blocos de atuação e, um deles, está diretamente ligado ao impacto que os produtos que leva ao mercado tem na saúde do consumidor. Assim, está entre suas prioridades desenvolver campanhas pelo consumo equilibrado e responsável de álcool.
Na estreia da série Mundo Corporativo ESG —- em que destacaremos nos próximos meses ações em favor da governança ambiental, social e corporativa —, Mauro Homem, vice-presidente de sustentabilidade e assuntos corporativos da Heineken, explicou como o tema evoluiu ao longo dos anos dentro da empresa, deixando de focar apenas nas questões ambientais:
“A gente sabe que uma empresa que produz cerveja naturalmente tem que lidar com questões relacionadas ao consumo de álcool. Isso é uma grande preocupação; e a Heineken é vanguardista nessas discussões de consumo equilibrado. Ainda mais agora, desde o advento da Heineken 0.0 e do portfólio de menor teor alcoólico, também”.
Na área social, o foco está na diversidade e inclusão com incentivo para a maior participação de mulheres e negros, em especial em postos de liderança. Além das quatro paredes, a Heineken também age no sentido de atender pessoas em situação de vulnerabilidade, através do Instituto Heineken Brasil. São três os públicos atendidos: os ambulantes. os catadores de material reciclável e os jovens.
“No caso dos jovens em posição de vulnerabilidade, temos dois grandes olhares: o primeiro, é a relação saudável e equilibrada com o álcool, para que esse jovem não vá para o consumo nocivo; e o segundo é a geração de empregos”.
Do ponto de vista ambiental, que faz parte do tripé estratégico da cervejaria, o impacto começa dentro da própria empresa, com implantação de sistemas mais eficientes de gestão hídrica, por exemplo. Em outro programa que se iniciou com bares e restaurantes e agora se estende ao cliente final, a Heineken criou uma plataforma que conecta geradores de energia limpa e os consumidores, oferecendo energia mais barata. Isso mesmo que você leu: ao se cadastrar no programa, além de consumir energia renovável, o custo da sua conta de luz vai diminuir.
Mauro explica que a geração distribuída é mais eficiente por ter menos perda técnica, e uma incidência de impostos diferenciada, podendo gerar redução de 15 a 20% no valor da conta de luz para os consumidores. O cadastro, de graça, deve ser feito no site Heineken Energia Verde. Infelizmente, nem todas as concessionárias de energia elétrica permitem essa substituição por fontes renováveis. Mas, já podem se beneficiar do programa, os moradores dos estados de Minas Gerais, Goiás, Paraná, Santa Catarina, algumas cidades do Rio Grande do Sul, Distrito Federal e São Paulo —- neste caso apenas nas cidades atendidas pela CPFL Paulista.
“O potencial é enorme. Nossa ambição e chegar em pelo menos 50% de todos os nossos bares e restaurantes, quase um milhão de pontos de venda no Brasil. E é um volume muito grande de clientes, também. Mas poderíamos chegar a pelo menos 50% até 2030”
A transformação que as empresas tiveram de encarar diante do conceito ESG — sigla de Environmental, Social and Governance (ambiental, social e governança) — provocou mudanças na forma de os profissionais atuarem, gerou novos desafios e abriu oportunidades. O próprio Mauro viu sua carreira ser influenciada por essa nova visão, quando a sustentabilidade deixou de ser apenas uma preocupação ambiental. Ele fez gestão ambiental na USP, em Piracicaba, interior de São Paulo —- em lugar de seguir a trilha mais consolidada da engenharia ou direito, como imaginavam pessoas próximas. Buscou outras formações na área de administração e iniciou-se na carreira profissional, na Danone. Lá atuou pela primeira vez na área ambiental e, depois, foi cuidar de relações governamentais.
A sustentabilidade —- já com essa visão mais ampla em que o social e a governança se alinhavam às preocupações ambientais —- voltou à carreira de Mauro na Heineken, para onde se transferiu há quatro anos. Antes da vice-presidência que ocupa, atuou com a comunicação corporativa:
“Eu acho que os profissionais precisam buscar cada vez mais essa conexão com os problemas do mundo exterior e traduzir isso em oportunidades também por um ambiente corporativo. Então, acho que é nesse sentido que os profissionais têm tido cada vez mais oportunidades. É nisso que eu vejo as carreiras mais próximas na área de sustentabilidade, também”.
Assista ao primeiro episódio da série Mundo Corporativo ESG com Mauro Homem, vice-presidente de sustentabilidade e assuntos corporativos da Heineken:
O Mundo Corporativo ESG tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.
Augmedics vision foi escolhida uma das 100 melhores invenções de 2020
O WHOW! Festival de Inovação registrou dentre seus tópicos de dezembro o estudo da TIMES. A revista americana anualmente seleciona os inventos que fazem o mundo melhor, mais inteligente e até mais divertido. Com esse objetivo levanta contribuições de seus editores ao redor do mundo, ao mesmo tempo que dispõe de um processo de inscrição online. Considerando a originalidade, a criatividade, a eficiência, a ambição e o impacto, relacionou 100 invenções. Nós escolhemos cinco para compartilhar com você:
Visão de Super-Heróis para médicos – Nissan Elimelech, CEO da Augmedics, inspirado provavelmente nos super-heróis imaginou como seria importante se os cirurgiões pudessem ter uma visão de Raio-X.
“O Xvision, um fone de ouvido que usa realidade aumentada para transformar a tomografia computadorizada em uma visualização 3-D pode sobrepor a imagem 3-D da coluna de um paciente sobre seu corpo, permitindo que os cirurgiões vejam o que está sob a pele sem desviar o olhar da mesa de operação”.
Aprovado pelo FDA Food and Drug Administration dos Estados Unidos , em dezembro de 2019, o dispositivo já está em uso nos hospitais americanos.
Solução auditiva confortável – parte dos deficientes auditivos não usam os aparelhos de amplificação que melhoram sua audição. O problema é que os altos e baixos tornam difícil acompanhar conversas e geram desconforto.
“O Earlens, um dispositivo, anula totalmente o amplificador, e usa uma lente minúscula que fica próxima ao tímpano. Um microfone alojado no processador auricular do dispositivo capta sons, que um algoritmo converte em vibrações que são transmitidas ao tímpano. Em vez de aumentar o som, o dispositivo Earlens recria o efeito das ondas sonoras”.
Por ora, para os mais abastados, pois o Earlens custa US$ 6.000, por ouvido.
Casa de abelhas inteligente – Segundo Einstein, sem as abelhas a terra se extinguiria em quatro anos. Sem a polinização não haveria plantas, animais e pessoas. Ainda assim, 40% das abelhas morrem anualmente por doenças, pesticidas e mudanças climáticas.
“A Beewise, uma colmeia movida a inteligência artificial, usando robótica de precisão, e visão computacional, pode defender as abelhas dos pesticidas, das mudanças climáticas e melhorar o desempenho na polinização, dobrando a produção de mel, e diminuindo a mortalidade — utilizando a tecnologia inteligente”.
Ao custo de US$15 mensais para cada casa de abelhas, hospedando 2 milhões de abelhas e monitorando os insetos 24hs diárias.
Hidratante em função do tipo climático – produtos para a pele em função do clima onde você mora. Ulli Haslacher dona da Pour Moi, ao mudar de Viena para o sul da California sentiu reação na pele e com base nessa experiência lançou produtos que atendem a diferenças climáticas.
“Eles se ajustam a fatores como umidade, temperatura e altitude”.
Tênis de corrida sustentável – A Allbirds desenvolveu o Tree Dasher, um tênis feito de eucalipto, lã merino, óleo de mamona e cana-de-açúcar, que melhora o desempenho e tem uma economia de carbono 1/3 menor do que o tênis comum. Ideal para quem se preocupa com o meio ambiente e não com o preço. Custa US$ 125.
Diante de tanta inovação, faço aqui meu destaque especial. Se o Covid-19 fez grandes estragos na saúde e na economia neste ano de 2020, ao menos os avanços na ciência e tecnologia compareceram de forma vital, principalmente na área de pesquisa que se apresentou agilmente nas vacinas desenvolvidas em tempo recorde.
Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.