Os assassinatos de Bruno e Dom servem à ideologia de Bolsonaro

Corpus Christi se avizinha no instante em que somos informados da confirmação do assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Philips, em mais uma ironia que o calendário impõe aos brasileiros. Na véspera da data cristã em que se celebra o sacramento do corpo e do sangue de Jesus Cristo, dois dos suspeitos confessam à polícia que mataram, esquartejaram e queimaram os dois homens que se atreveram em defender o meio ambiente e proteger a dignidade dos indígenas. Serão mártires sem corpos pelo que se interpreta da brutalidade que os assassinos dizem ter cometido. 

A Bruno e Dom não serão dados sequer o direito a velório e enterro, rituais de veneração e respeito que algumas religiões — dentre elas a católica —- oferecem a seus mortos. A consolar os que cultivarão a dor e a saudade, em especial suas famílias, o fato de se saber que ambos tinham na natureza seu lugar sagrado. Foi a mulher de Dom, Alessandra Sampaio, que, ao falar de sua espiritualidade, em entrevista ao jornalista André Trigueiro, domingo passado, comentou que o marido era reservado e costumava dizer que “Deus é a natureza”. Completou o pensamento: “se ele partiu ali, ele estava no meio do Deus que ele acreditava”.

Que sejam abraçados pelas divindades da terra, enquanto nós permaneceremos aqui escandalizados com o que vem acontecendo no Brasil. Um país marcado pela brutalidade que tem o patrocínio do presidente da República, que, desde o início de seu mandato, emite mensagens claras em favor daqueles que exploram ilegalmente a terra, e sustenta grupos criminosos com seu discurso e seus atos contrários à proteção dos territórios indígenas.

Jair Bolsonaro não apenas incentiva as ocupações como pune quem fiscaliza. Foi esse comportamento que levou ao afastamento de Bruno Pereira da Funai, fundação da qual é servidor público, no momento em que ele combatia grupos que atuam de maneira criminosa, na Floresta Amazônica.

Diante do desaparecimento de Bruno e Dom, Jair Bolsonaro foi incapaz de ser solidário. Primeiro, definiu a viagem dos dois como uma “aventura não recomendada”.  O que o presidente chama de aventura — repito aqui o que disse em viva voz no Jornal da CBN —-, nós chamamos de jornalismo investigativo, que se expressa especialmente quando o Estado se ausenta e o crime organizado domina. Depois, inventou a história de que eles não tinham autorização da Funai para estarem no local em que atuavam na busca da verdade, quando se sabe que para andar onde andavam não haveria necessidade de qualquer aval da fundação. Não contente em mentir — exercício que pratica com maestria —,  ofendeu a imagem do jornalista britânico ao dizer que “esse inglês era malvisto na região, porque fazia muita matéria contra garimpeiros, questão ambiental …”. Defender o meio ambiente é crime na visão distorcida do presidente.

Bolsonaro está tão ensimesmado em seu necrogoverno — característica que ficou exposta na gestão (?) da pandemia do coronavírus —, que é incapaz de enxergar quão contraditório é em suas declarações. Ao admitir  que “lá tem pirata no rio, lá tem tudo que possa imaginar” ou seja a Amazônia é um território sem lei, confessa que o discurso em defesa da soberania nacional é apenas mais uma falácia. 

Pior, muito pior do que isso, é perceber que a morte de Bruno e Dom servem à ideologia bolsonarista. O presidente pouco se importa com as críticas dos mais diversos setores, com os protestos de organismos internacionais e com a transformação do Brasil em pária do mundo. Culpar as vítimas é estratégia de um governo que governa pelo medo e pelo terror. A ele interessa manter a população acuada para oferecer mais falácia, agora no campo da segurança pública, com seu discurso armamentista. A ele interessa dar publicidade a esses crimes em uma tentativa de coagir aqueles que insistem em buscar a verdade.

Que os corpos vilipendiados de Bruno e Dom se transformem em adubo, e da terra onde foram desaparecidos, floresçam novos protagonistas na defesa da justiça e da dignidade humana. 

5 comentários sobre “Os assassinatos de Bruno e Dom servem à ideologia de Bolsonaro

  1. Parabéns Milton por expressar tão bem o sentimento de muitas pessoas diante de tanta brutalidade, descaso e total falta de empatia que tomou conta deste país nos últimos anos.

    Chega a ser cansativo ouvir tantas reportagens pesadas, destes dois defensores do meio ambiente, das pessoas assassinadas nas favelas no Rio de Janeiro e etc. Mas precisamos ser resilientes e mudar isso.

    Um obrigado aqui do seu ouvinte Ricardo.

    Abraços

  2. Boa noite Milton!
    Foi muita crueldade que fizeram com os dois defensores da floresta e da natureza.
    Esse governo tem culpa , não só pelas declarações sem um pingo de sentimento e humanidade, mas também por ser omisso no combate aos garimpeiros ilegais e ao desmatamento dos madeireiros.
    Que Deus conforte o coração de toda família e amigos! 😢

  3. Impossível ter dignidade e justiça, com um governo desse no poder! Ele odeia e destrói tudo que não satisfaz sua tirania. 😔😔😔 Realmente só o Corpo e o Sangue de Cristo, por nosso país. 👐⚘

  4. Temos hoje no Brasil, mais de 80 mil pessoas desaparecidas; e assassinatos por violências continuam em queda; perdemos pessoas queridas na pandemia; vacinas hoje sobram nos postos de saúde; e mesmo os vacinados com a 4ª dose da vacina também pegam Covid.
    ENTÃO DE QUEM É ESSA HERANÇA MALDITA?
    E PORQUE MUITAS OUTRAS PESSOAS FORAM ASSASSINADAS E OUTRAS MUITAS OUTRAS PESSOAS DESAPARECIDAS AINDA NÃO FORAM ENCONTRADAS?
    COMO SE ARRUMA UMA CASA EM POUCO TEMPO, CASA ESSA QUE FOI SE DEGRADANDO COM O TEMPO?
    Sim sou Bolsonaro, e sim; acredito muito em sua equipe de Ministros, e em sua política de ajustes para colocar o Brasil nos trilhos. Pois isso é que estamos vendo pouco a pouco e organizadamente acontecer aqui.
    Enquanto o governo de Jair Messias Bolsonaro, continua no rumo da reconstrução de todos os cantos sucateados no país; o ministro do “STF” fachin proibiu a PF de subir o morro no Rio, e também a agir na zona de grileiros e traficantes, estendendo-se a todo o território brasileiro. Mas, com ressalvas temos uma parte “BOA” nas cadeiras do congresso que não titubearam e deram o aval aos donos da terra do “AGRO” a se armarem e protegerem suas famílias e os seus negócios. Negócios esses que crescem cada vez mais e será com certeza, a garantia de supremacia brasileira. E a ideologia de Bolsonaro, aquela qual vemos acontecer desde o seu 1º dia de seu governo, é sim o melhor para o Brasil, e não mesquinha como tentam colar no presidente.
    A ideologia de Bolsonaro durante a epidemia segurou vários empregos com o BEm 2021 – Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, e o complementou a Bolsa Família com o Auxílio Emergencial, que se transformou depois em Auxilio Brasil.
    A ideologia de Bolsonaro está mudando sim os caminhos do Brasil, com a exaltação sempre a liberdade, família, religião, economia de livre mercado, com a certeza de segurança jurídica nos tratos e contratos; e não ter fronteiras, sem muros, muralhas ou oceanos; que possam truncar o crescimento e a corrida para um futuro melhor para o BRASIL.
    A ideologia de Bolsonaro, é recuperar o tempo perdido que por pouco não destruiu a sociedade brasileira, com as aberrações que passaram pelas cadeiras do setor executivo, legislativo e alguns que ainda são donos das cadeiras do setor judiciário e nem sabem sobre o que, e como se regem as leis desta nação.
    A ideologia de Bolsonaro é fazer um estado menor e independente, porém percebemos figurões da elite esquerdista brasileira junto com as aberrações que não se conformaram ainda de perderem as cadeiras e agora jogam contra o Brasil.
    Mas, isso é só por causa de BOLSONARO, e não por fatos ou realidades que foram de tempos em tempos culminando com a quase destruição do BRASIL.
    Portanto então a culpa é e será sempre de BOLSONARO, mesmo que; ELE NÃO.

    • Tanta coisa ruim no país sendo tomada como boa por alguns. É preciso saber distinguir a mentira das mudanças para favorecer a poucos, de uma verdadeira transformação em favor da nação brasileira que não acontece neste governo.

      Sem falar na tragédia ambiental que serve para favorecer interesses econômicos escusos de garimpeiros, grileiros, narcotraficantes e madeireiros – para ficar apenas nesses- não sei como um cidadão bem intencionado pode olhar por exemplo para a venda da Eletrobras e não enxergar a roubalheira que está sendo imposta ao país e sua população. O setor elétrico é 70% privado mas este governo vende os 30% que são do Brasil, fazendo com que o país perca um pouco do poder que ainda tem para proteger reservatórios e rios, e ainda interferir na formação das tarifas de energia eletrica. Estas tarifas como os preços dos derivados de petróleo forma os preços de quase tudo na economia brasileira e o governo atual pretende deixar tudo na mão dos interessados em apenas obter lucros. Energia não é mercadoria, mas uma commoditie estratégica para um país desigual e em desenvolvimento como o nosso.

      Não bastasse o erro estratégico, ainda se vê negociata digna de quadrilhas… Como pode uma empresa que vale R$130bilhoes ser vendida por apenas R$30bilhoes ?

      Como pode isso, se esta empresa lucrativa gerou quase estes $30bi nos últimos 4 anos ?

      Porque os novos donos da Eletrobras poderão receber 4 vezes mais por energia vendida de usinas descotisadas, fazendo com que os brasileiros venham a pagar por usinas que já foram já pagas (ou amortizadas) ?

      Por que esta nova receita não foi considerada no preço de venda da empresa ?

      Por que está sendo priorizada o uso de energia gerada por usinas termoelétricas no futuro, obrigando que o país construa tais usinas em lugares onde sequer existem tais usinas e nem ao menos linha de transmissão para seu transporte até os centros consumidores ?

      A resposta para isso é a desonestidade, a corrupção e a falta de patriotismo.

      Assim como esta negociata é evidente, muitas outras veem sendo implementadas durante este governo com o argumento de que serve para desmantelar um política de esquerda. Não é nada disso que pretendem. Desejam apenas encher os bolsos de poucos e manter seu poder político.

      Felizmente, muita gente abriu os olhos e mudará seu voto em outubro dizendo NÃO para essa política que despreza a vida e não combate o crime e a desigualdade que nos assola há tempos !

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