Governos, ministros e drogas nas notícias do meu dia

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Estou escrevendo,nesta terça-feira, o que vai ser publicado na quinta. Destaquei, em minha ótica,é claro, as notícias que considerei as mais auspiciosas divulgadas pela mídia hoje. A primeira diz respeito à decisão da Presidente de diminuir 10 ministérios dos 39 que compõem o seu rol de ministros,dos quais muitos o caro leitor nem sabia nome e função. Era um exagero,sem dúvida. Às vezes,porém,são tantos os interesses que a primeira mandatária,provavelmente,imaginasse que,de alguma maneira,fossem pessoas úteis ao seu governo. Como se percebe pela reviravolta que retirou essa turma da lista de Dona Dilma,a presença deles – ou delas – apenas depunha contra a atual situação econômica governamental.

 

Como se ficou sabendo – ou até já se sabia – a crise era maior do que a teimosia da Presidente em manter o seu timão ministerial. Ela reconheceu que errou. Pena que tenha demorado a descobrir que 39 ministros custam muitíssimo caro. Aliás,os rumores de que o homem das finanças do governo,Joaquim Levy,estaria ou,mais do que isso,estava disposto a pedir demissão do cargo pioraram a história. Sua provável decisão seria terrível. Será que exagero?

 

Inicialmente,foi espalhada a informação de que o ministro Levy viajara para os Estados Unidos,sem compromissos oficiais. Ele depois negou que fosse a Washington. Isso também foi desmentido. Disseram,então que Joaquim Levy fora ver a menina (sua filha) que iria morar na China. Com ou sem Levy,o reconhecimento de Dilma de que tinha de desfazer-se de 10 ministros era uma admissão da grandeza da crise econômica. Não esqueçam,por favor,que entrego esta coluna entre terça e quarta-feira. Digamos que,por enquanto,Levy é o ministro das finanças do governo de Dilma Rousseff.

 

Escrevi no início do meu texto que,dentre tantas notícias,havia outra que me chamara a atenção.Por falar em ministros,há dois,no momento,ambos atuando no campo da justiça,que tem pensamentos diferentes sobre a mesma questão. O ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Edson Fachin divulgou de que usará o prazo regimental para julgar o processo que discute se é crime ou não o porte de drogas para consumo próprio. Sua intenção,conforme a sua assessoria,é liberar a sua decisão até 31 de agosto. Já o ministro Gilmar Mendes vai votar a favor da descriminalização. Para ele,a pessoa tem direito de colocar em risco a sua própria saúde.

 

Está em discussão a constitucionalidade do artigo 28 da lei que define,como crime,adquirir,guardar ou portar drogas para si. Mesmo os leigos não deixam de ter suas ideias a respeito deste assunto de suma importância. Por isso,dou a minha opinião a favor do ministro Luiz Edson Fachin. Permitir o porte de drogas não garante que seja unicamente para uso próprio. Não se pode confiar em pessoas viciadas em drogas. E a luta contra os traficantes ficará muito mais difícil do que se sabe ser. Eu sei de um excelente jovem que se viciou em crack e,desesperado para arrumar dinheiro destinado a pagar traficantes que cobravam a dívida dele,acabou matando o seu pai que se negou a lhe dar para saldar seu compromisso.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

O rádio onde narrei minhas primeiras partidas de futebol

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Aldo,meu irmão, não faz muito,postou no Facebook a foto do rádio que substituiu o Wells na casa dos meus pais. Esse,produzido nos Estados Unidos,foi o primeiro receptor que conheci. Traz lembranças que,aos poucos,o tempo vai engolindo.

 

Christian, meu filho mais moço,guardou-o com muito carinho. Graças a ele,que adora lidar com antiguidades e coisas do tipo,do alto de uma prateleira,o Wells nos espia. Como funcionava com válvulas e ninguém,creio eu, possui para vender velharias do tipo destas, o rádio,hoje, é apenas motivo de curiosidade dos que visitam a casa na qual o velhíssimo aparelho dorme o sono dos inesquecíveis objetos colecionados pelo meu caprichoso caçula. Não fosse um rádio valvulado que, como já disse,era o que o fazia funcionar em ondas médias e curtas,falta-lhe somente um botão,cuja função não recordo.

 

O Wells Radio não era usado apenas para que se ouvisse música. Na mocidade, os meus avós, que moravam conosco -a vó Luiza e o vô Adolfo – usavam-no para realizar um trabalho interessante: eles controlavam – imagino que para a Rádio Farroupilha,mas posso estar enganado – os comerciais que a emissora punha no ar durante parte do dia. Se não fossem ao ar, os meus avós informavam à emissora, que não podia deixar de veiculá-los. Confesso que não sei quem os contratou, mas ponho a mão no fogo por eles: ouviam a rádio com muita atenção.

 

Já contei isso no blog do Mílton. Permitam-me repetir.A rua onde a gente morava – a 16 de Julho – à certa altura, se reunia com a Zamenhoff. A conjunção se dava bem na frente da casa paterna, por meio de uma pracinha. Bem antes de passar muito tempo ouvindo o Wells, jogávamos no triângulo que unia as duas ruas, todas as espécies de jogos. Bom era que nenhum dos vizinhos reclamava. Aproveitávamos também, ao ficar um pouco mais velhos,a brincar com as meninas,antes mal vistas. Houve até quem namorasse e, bem mais tarde, claro,acabasse casando com uma das moças. A preferida de todos os rapazinhos era a Valderez. Essa acabou casando com um piloto da Força Aérea, nosso vizinho. Ele veio a ser comandante do 5º Distrito da Aeronáutica,em Canoas.

 

Depois dessa digressão,volto ao assunto rádio. Após brincar de locutor nas quermesses da igreja que frequentávamos, na que chamávamos de Voz Alegre da Colina, porque ficava no alto de um morro que, no futuro, seria a nossa paróquia. Foi então que o menino que ouvia rádio desde pequeno, que fazia de conta que transmitia futebol narrando jogos de botão, após descobrir que podia falar por meio de um fone de ouvido acoplado ao Wells. Isso tudo era brincadeira de adolescente.

 

Tudo, porém, mudou rapidamente quando, ouvindo uma rádio nova, que chamava para testes com quem se achasse capaz de ser locutor, arrisquei-me e fiz o teste. Três passaram. Fui um deles. Não imaginava que trabalharia em rádio 60 anos. Talvez pensasse que me eternizaria como Correspondente Renner, narrador de esportes e várias outras funções que exerci durante este mundão de tempo.

 

Quando visito o Christian, não deixo de dar uma boa olhada no Wells Radio para agradecer-lhe por ter, de certa forma, me levado ao Rádio. Não posso esquecer também que minha primeira emissora foi a Canoas. Essa, depois de conseguir licença para instalar uma FM, mudou de nome e virou Rádio Clube Metrópole.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai e, pela história que conta, “culpado” por me fazer gostar tanto de rádio. Toda semana, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Comissão especial aprova redução da maioridade penal para crimes hediondos

 


Por Milton Ferretti Jung

 

Nossa Presidente e o PT, ultimamente, estão “levando uma fumada”por dia,como se dizia nas  antigas.  Agora, perderam, ao menos parcialmente, a guerra que faziam para evitar a vitória dos defensores na questão da maioridade penal. Unidos, o presidente da Câmara,Eduardo Cunha e o PMDB,conseguiram convencer os que ainda resistiam,querendo que somente dos 18 anos em diante o sujeito fosse considerado maior. Isso acontecerá para quem tiver 16 anos e cometer crimes hediondos (como latrocínio e estupro), homicídio doloso (intencional), lesão corporal grave, seguida ou não de morte, e roubo qualificado. Pelo texto aprovado em comissão especial da Câmara dos Deputados, jovens entre 16 e 18 anos cumprirão a pena em estabelecimento separado dos maiores de 18 anos e dos adolescentes menores de 16 anos. Decisões que ainda precisarão passar pelo plenário da Câmara e do Senado e serem sancionadas pela Presidente antes de virarem lei.

 

Se já estivesse em vigor a diminuição,nos moldes que foi aprovada em comissão, lembro o que vi na televisão nessa quarta-feira. O Datena,cujo programa na Band trata de escabrosos assuntos,pôs o foco nos assassinatos de jovens,em uma cidadezinha do interior de Terezina. As mocinhas, depois de estupradas,eram jogadas em uma pedreira. Uma delas, com ferimentos gravíssimos no rosto e em outras parte do corpo,não resistiu. Imaginem a dor dos familiares dessas mocinhas,principalmente o sofrimento do pai da jovem, que ele acompanhou no hospital até morrer. 

 

Não consigo pensar nas pessoas que defendem a permanência da maioridade penal em 18 anos e,para tal, são padrinhos dos “coitadinhos”,sem dar-se conta de que também podem,mais dia,menos dia,ficar à mercê dos facínoras mirins. Não só esses cometem os mesmos crimes praticados pelos adultos (os de 18 anos para cima),sem dó nem piedade,como descobriram que havia outros meios de ferir e matar. Os bailes “funks”,normalmente um divertimento para pessoas de todas as idades,em especial no interior dos estados,onde o policiamento é precário ou inexistente,transformaram-se em locais escolhidos pelos bandidinhos e os seus “professores”,mais velhos e espertos. Inúmeros desses bailes deixaram famílias órfãs ou pais de filhos que perderam os seus nas brigas pós bailes.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai – o que não significa que ele concorde com as minhas opiniões. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele – o que não significa que eu concorde com as suas opiniões)

Jovens que matam e morrem

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Aos dezesseis anos não vejo razão para que uma pessoa não responda pelo seu ato no caso de cometer um crime. Não estranhem que eu tenha me referido a uma pessoa ao defender a diminuição da idade penal. Recuso-me a chamar um bandido de menor,eis que isso visa somente ao desejo de quem pretende manter quem sabe muito bem o que é o bem e o mal. Não é justo que se aceite que,por exemplo,uma pessoa de dezesseis anos,ataque alguém e,conforme a circunstância,no afã de enfrentar o que vê como um inimigo capaz de reagir com violência,mate-o sem dó nem piedade. Ah,mas o criminoso foi um menor.

 

Durante muitíssimos anos fui locutor-apresentador de notícias na Rádio Guaíba. Irritava-me profundamente ser obrigado a taxar menores de18 anos com o politicamente correto “apreendido”. Por mim,sempre que esbarrava com essa expressão,bem que eu gostaria de dizer que um infrator com menos de 18 anos havia sido preso. Aliás,esta história do politicamente correto,usado hoje em dia em nosso país,na maioria dos casos,não passa de conversa para boi dormir.

 

Sinto-me à vontade para defender o meu ponto de vista,mesmo contra a opinião de sumidades.O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros,João Ricardo Costa,diz que falar em redução da maioridade é retrocesso. Como não poderia deixar de ser,a ex-ministra (gaúcha para mal dos pecados)Maria do Rosário,ex-ministra dos Direitos Humanos,provavelmente nunca foi assaltada em plena luz do dia por um infrator menor de 18 anos. Sugiro que ela dê uma chegadinha,à noite,no nosso Parque da Redenção. Os Estados Unidos é um bom e assustador exemplo para os delinquentes mirins:lá,a idade mínima para uma pessoa ir para a cadeia varia entre 6 e 12 anos. Os que não aceitam isso,deem uma lida na Zero Hora dessa quinta-feira para ver quais os países que estão a favor da maioridade para delinquentes menores de 18 anos.

 

Se me permitem,vou mudar da discussão sobre a idade penal para um assunto que já preencheu meus blogs muitas vezes,mas se repetem com mortal assiduidade:acidentes de trânsito especialmente quando ocorrem feriados prolongados em fins de semana. Nessa Páscoa,no mínimo,23 morreram nas estradas do Rio Grande do Sul. Vou citar o pior deles:quatro jovens perderam a vida em um carro que se desgovernou e bateu em uma árvore. Três deles tiveram os corpos carbonizados com o incêndio que se seguiu à colisão. Apenas um,arremessado para fora do automóvel,não foi velado em caixão lacrado. Eram jovens,cheios de vida,traídos provavelmente por aquaplanagem,porque estava chovendo.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve o que pensa no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Conte sua história do rádio

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Sou fã de carteirinha do Conte Sua História de São Paulo. Não se trata de corujice do pai do Mílton. Não perco os textos que ele posta com este nome no seu blog. Caxiense por nascimento e porto-alegrense por adoção,as pessoas de outros estados do Brasil e mesmo estrangeiros que desembarcam em SP,em geral,ainda crianças,têm sempre boas histórias para relatar dos seus primeiros anos na capital paulista.

 

Nestes tempos em que,por motivos para lá de importantes, as mídias de toda espécie estão voltadas para os escândalos protagonizados por políticos e/ou funcionários governamentais,meus textos pareceriam ter virado samba-de-uma-nota-só,contaminado pela fartura de notícias do mesmo tipo. O Mílton que me desculpe,mas me obriguei a dar um tempo nos textos das quintas-feiras que escrevo,normalmente,no blog por ele capitaneado.

 

Talvez meu débito com o Mílton,quem sabe o único leitor das páginas que posto neste blog,aumentaria consideravelmente,se eu não tivesse lido o mais recente episódio do Conte Sua História de SP. Encontrei analogias entre a chegada de Dina Gaspar – este o nome dela – e a minha infância, apesar de a menina assustada com os estranhos barulhos que ouvia ao ter de entrar naquela que seria sua segunda casa, ”agarrava-se fortemente ao pescoço da prima Ercília visando a não entrar no seu novo lar”.

 

Dina não deixava de ter razão. Os autores da barulhada sequer falavam a sua língua. Afinal,ela vinha de uma “pobre aldeia argentina”. E o barulho soava,contou,como perigo iminente. Mal sabia que estava – palavras dela – sendo apresentada ao rádio,”aquela caixa de madeira escura de uns 60cm x 40cm”. Adorei a frase de Dina Gaspar no seu texto:”No mundo infantil não existiam apenas vozes sem corpo”. Não deixava de estar certa.

 

Dina Gaspar,se a minha matemática não está errada, diz no belo texto que escreveu, ”que, dessa intensa e intrincada vivência, os 70 anos seguintes nos mudaria a ambas: a mim e a São Paulo!”.

 

Falei na minha analogia com Dina porque,apesar dos 10 anos de diferença entre nós,na casa paterna,em Porto Alegre,de certa forma descobrimos, ainda muito cedo, que o rádio não faz mal a ninguém. Bem pelo contrário. Ouvi rádio desde pequeno, depois já adolescente. Meus avós,que moravam conosco,eram pagos para controlar se,no rádio,os anúncios de determinadas firmas íam ao ar nos horários combinados. Foi em um serviço de rádio escuta desses que tomei conhecimento de que uma pequena emissora havia aberto testes para candidatos a locutor. Fui um dos três que passaram no teste na Rádio Canoas.

 

Muito mais longe de sua casa paterna foi o Mílton Jr. que,com uma feliz combinação entre nós,passou a ser conhecido com Mílton Jung. Mais corajoso que o pai,ele fez teste na TV Globo. E passou. Acho que a história dele em São Paulo bem que poderia ser contada pelo próprio.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Esta não é meme: Pizzolato está livre na Itália

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Vamos brincar de faz-de-conta? Não se espante. Os internautas conhecem muito bem o significado de uma palavra que,de tanto chamar a minha atenção,despertou a curiosidade deste veterano escriba. Passava os olhos pelo programa e era meme para cá, meme para lá. Só nesta terça-feira,porém,dia em que envio os meus textos para que o Mílton possa os postar na quinta-feira,resolvi informar-me sobre a palavrinha de duas vogais. Como pode existir ainda algumas pessoas distraídas que nem se deram conta de que surgia um novo nome no mundo da internet,apresso-me a usar mais este modismo que invade os nossos computadores,IPads etc.

 

O conceito de meme foi criado pelo zoólogo e escritor Richard Dawkins em 1978,ao escrever o livro “The Selfish Genre” (o Gene Egoísta). Tal como o o gene,o meme é uma unidade de informação com capacidade de se multiplicar,por meio de ideias e informações que se propagam de indivíduo para indivíduo. Os memes constituem vasto campo de estudo da Memética. Sua ideia pode ser resumida por tudo aquilo que é copiado ou imitado e que se espalha com rapidez entre as pessoas. Como a internet possui a capacidade de abranger milhares de pessoas em alguns instantes,os memes da internet são virais.

 

E já podemos,usando meme,ligá-lo ao que aconteceu com Aécio Neves,em Minas Gerais. O candidato teve de suportar memes que zombavam do resultado de,na terra dele,já haver perdido uma eleição para o rival Patrus Ananias,em 1992.Permitam-me comparar o que aconteceu agora no seu confronto com Dilma. Digamos que,em Minas Gerais,Aécio Neves imaginava poder imitar o Cruzeiro e que Dilma,mesmo contando com os votos dos nordestinos,cujos times são muito inferiores ao mineiro, líder do Brasileirão, perderia para ele. O Aécio-Cruzeiro chegou ao final da eleição superado pela atual Presidente por 500 mil votos. A partir de agora,pelo sim pelo não,o melhor é demonstrar respeito pelas Dilma-equipes do Nordeste. Muito cuidado,já que quem tentar diminuí-las,pode ser acusado de cometer crime racial.

 

Ao lado ou,no mínimo perto das notícias que li na internet antes de compor este texto,há uma outra,além do meme,que me deixou irritado: “Itália nega extradição e Pizzolato ganha liberdade”. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão. Pelo jeito, entretanto,Pizzolato vai,salvo melhor juízo(não leve isso como trocadilho)continuar na Itália. Trata-se de mais um ganacioso,incapaz de viver com o belo salário que o BB lhe pagava. Talvez consiga ficar na Itália porque está doente e não existem,no Brasil,presídios em condições de o receber.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Personagens da semana: gatos, gatunos e carrões

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Sempre que não encontro inspiração para escrever o texto das quintas-feiras,compromisso que venho mantendo de longa data com o Mílton,procuro assunto no jornal Zero Hora. E encontro. Já estava quebrando cabeça quando resolvi apelar para a ZH e fui virando as páginas do fim para o começo. É um velho hábito. O futebol,em primeiro lugar,para ver o que se passa com o Grêmio e,como não,com o Inter. Aqui, no Rio Grande amado,Grêmio e Inter fingem que se odeiam. Na verdade,porém,são bem mais do que coirmãos:um não vive sem o outro. Creio que não sobreviveriam se não fosse assim. Dificilmente,no entanto,descubro assunto nas páginas dedicadas aos esportes,apesar da maioria deles. Só deixo minhas opiniões sobre aquele que cheguei a chamar,idoso que sou,de “esporte bretão”.

 

Passo agora para as matérias que me chamaram a atenção na Zero Hora,começando por uma lida na segunda-feira,22 de setembro (que bom reencontrar a primavera). A manchete é uma pergunta,coisa rara: “Comércio de animais deveria ser proibido?”. Lê-se abaixo que “ativistas estão elaborando projeto de lei e recolhendo assinaturas para tentar proibição da venda de cães e gatos em lojas especializadas”. Quando topo com qualquer coisa que parte de “ativistas” – que me desculpem pela desconfiança com a qual encaro o termo – mas temo pelo resultado.Esses, poucas vezes são satisfatórios.

 

Eu começaria a tirar os gatos da parada. Tenho uma gata preta cujas fotos enfeitam,volta e meia,o meu Facebook. Micky,é o nome dela, esteve fadada a ser um animal sem dono.Era o que aconteceria se eu e Maria Helena,minha mulher,não a tivéssemos achado, ainda bem pequena,miando baixinho,debaixo de uma cerca viva. É nossa desde 2007. Gatos a cães sobrevivem mesmo que não tenham quem os cuide. Os bichanos,todavia,fazem apenas o que lhe dá na telha,ao contrário dos cães,bem mais dependentes do seus donos. Seja lá como for,eu me pergunto qual é o problema desses dois animais serem vendidos em lojas especializadas,onde são bem tratados para agradar aos que se interessam por os ter como “peta”. “O animal não existe para o uso”,afirma Lidvar Schulz,coordenador do grupo de libertação animal. Não sei o que esse senhor quer dizer com isso. Não tenho conhecimento de que cachorras sejam confinadas submetidas a cruzas forçadas,mas se isso ocorre,tem que ser combatido por quem de direito e não por essas ONGs sem eira nem beira.

 

Da ZH,igualmente,saiu o meu segundo assunto. Os exemplos de ganância que levaram quem sofre desse terrível mal a virar notícia nas páginas policiais dos jornais e da mídia,em geral,são inúmeros. Não fazem,entretanto,que os gananciosos se corrijam. Eles seguem em frente como se tivessem um escudo que os proteja de serem flagrados pelos agentes da lei. Um deles teve a sua foto postada nos jornais dessa terça-feira e é um gaúcho acusado de fraude milionária envolvendo ações da antiga CRT. Jamais imaginei que essas ações produzissem tanta grana.O doutor Maurício Dal Agnol que o diga.Preso em Passo Fundo,ele esperava poder fugir da Polícia Federal,mas acabou ao sair do seu escritório portando uma sacola repleta de dinheiro e um passaporte com visto dos Estados Unidos. Triste engano. Não bastasse ser ganancioso ao extremo,era um homem de maus bofes,eis que,além da fraude,sua prisão foi agravada por porte de armas,entre elas,um fuzil.

 

Bem mais amena e saudável é a notícia que a Zero Hora publicou,também nessa terça-feira,Porto Alegre deve passar com carros elétricos para alugar. Neste sábado,os engenheiros Cezar Reinbrecht e Lucas de Paris,em evento acerca de mobilidade urbana promovido pela UFRGS,em parceria com a ONG Net Impact Porto Alegre,essa sim uma Organização Não Governamental que vale a pena,vão apresentar o projeto Sivi – Sistema Veicular Inteligente. Sei que os meus filhos Mílton e Christian,são fãs de biciclestas,mas duvido que não venham a adorar os carros elétricos.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)