Minhocão, observando e sendo observado

 

“Milhares de veículos passam todos os dias pelo Elevado Costa e Silva, o Minhocão de São Paulo. Nesta pressa absurda imposta pela metrópole, os motoristas jamais percebem o que ocorre logo ao lado, às vezes a centímetros dali onde famílias vivem a observar os carros cruzando o seu quintal”

Foi com este olhar, que o colaborador do Blog do Mílton Jung, Luis Fernando Gallo, identificou detalhes do cotidiano no Minhocão, em uma noite de sábado e um amanhecer de domingo, quando o elevado é ocupado pelo pedestre.

Foto-ouvinte: Lixo do Minhocão

 

Entulho no elevado

Antes mesmo de o motorista deixar o Minhocão se depara com este amontoado de entulho que atrapalha e polui o caminho do paulistano, na região central de São Paulo. Esta pista é a saída para o Largo do Arouche e, conforme alerta o ouvinte-internauta Marcone Vinícius Moraes de Souza, a faixa para a passagem dos carros está cada vez mais estreita. “Sem contar a turma que usa o espaço para se drogar”, escreveu.

Foto-ouvinte: Uma casa no meio do caminho

 

Casa perigosa

Andarilhos usam às margens de uma pista de acesso do Elevado Costa e Silva, o Minhocão, em São Paulo, como moradia. De acordo com o ouvinte-internauta Rodrigo Campos a situação se agravou nos últimos dois meses com o aumento de moradores de rua nesta rampa próximo da rua Sebastião Pereira, ao lado do Largo do Arouche. Apesar de ser local de tráfego intenso e dele próprio ter encaminhado reclamação à Subprefeitura da Sé, até o momento ninguém tomou qualquer atitude, reclama Campos.

Foto-ouvinte: A televisão no lixo

 

TV é lixo

A enorme quantidade de tubos de TV foi encontrada pelo ouvinte-internauta Douglas Nascimento no pé do elevado Costa e Silva, um dia após a enchente que parou a cidade de São Paulo. O descarte foi feito em uma das saídas para o largo do Arouche. “Curioso é ninguém ver isso ser despejado ali”, escreveu Douglas. A imagem dele já foi enviada para o concurso “Revele o Lixo”, promovido pela ONG Educa SP que reunirá as imagens para uma exposição no mês que vem na Praça da Sé.

Parque suspenso de Manhattan é Minhocão civilizado

High Line conquistou nova-iorquinos desde a inauguração em junho

High Line conquistou nova-iorquinos desde a inauguração em junho

Uma estrada de ferro abandonada foi transformada em parque público na cidade de Nova Iorque com uma atração especial: o parque é elevado. Ainda que mal comparando, é como se o Minhocão em São Paulo estivesse desativado e fosse transformado em área para passeio e piquenique.

Desde a inauguração, em 9 de junho, os nova-iorquinos invadiram o High Line e o transformaram em local de descanso e bate-papo. Com os celulares nas mãos, fotografam ângulos ainda não vistos de Manhattan graças a nova construção que tem, até aqui, concluída apenas a primeira fase.

O trecho pronto do High Line começa próximo do Rio Hudson na Gansevoort Street e vai até a 20th. O prefeito Michael Bloomberg anunciou que a extensão até a 30th será entregue em 2010. Que o faça logo, haja vista o sucesso que o parque suspenso está provocando. Em bares na região de Chelsea, com U$ 15 você compra uma cesta de piquenique Hig Line com sanduíche, picles, batata chips, cookies e bebida.

Após ler reportagem do The New York Times, nesta quarta, vou pegar o trem para Manhattan e conhecer mais de perto esta nova atração.

Minhocão é rebatizado, em São Paulo

Minhocão é rebatizado
Útil para alguns, um trambolho urbano para outros, o Minhocão é famoso na cidade de São Paulo. Foi, aliás, uma das primeiras imagens que me marcaram na capital paulista, pois assim que desembarquei por aqui fui à sede da TV Globo que ficava na praça Marechal Deodoro. A cada governo surge a discussão: o Minhocão deve ser derrubado? Um concurso recente, promovido pela prefeitura de São Paulo, levou arquitetos a desenharem soluções para o elevado. Ficaram muito bonitas no papel, mas ninguém parece disposto a investir na mudança. Enquanto isso, “terroristas urbanos” decidiram rebatizar o elevado que leva o nome do nada saudoso presidente Artur da Costa e Silva, o segundo a assumir o poder durante a Ditadura Militar entre 1967 e 1969, e apontado como o comandante que deu início ao período mais violento do regime.

Quem desce a avenida Angélica, pouco antes de se deparar com o Minhocão, encontrará a placa que registrei, nessa terça-feira, com o nome “Torturador Costa e Silva”.  Não entendi a data que aparece sob o nome, pois Costa e Silva viveu de 1902 a 1969, e o Minhocão foi criado em 1970.