Fetiche e celulite na Louis Vuitton

 

Por Dora Estevam

Depois do caso Galliano, a semana de moda de Paris não poderia esperar mais nenhuma surpresa. Engano seu ! Sempre é possível ir além.

E quem virou notícia (de novo) foi Kate Moss, que desfilou para Louis Vuitton em coleção que marca o inverno 2011-2012 da grife.

Mais do que a entrada espetacular da moça, o que realmente marcou e acabou na boca das comadres foi a celulite dela. Isso mesmo, ce-lu-li-te com todas as sílabas e marcas. A modelo, que já passou dos 30, enfrentou os holofotes da moda sem pudor. O que ela não poderia imaginar é que a comparação seria instantânea. Num momento pós-Gisele isso jamais deveria acontecer. É encarado como uma depreciação do modelo feminino.

Kate Moss não foi á única veterana na passarela, mas foi a que marcou. Afinal, é uma iconoclasta polêmica.

Além de tudo, a moça desfilou fumando em contraponto ao Dia Sem Fumo.  Dizem que até aplaudiram. Não sei se apoio à ideia ou gosto pelo arrojo. De qualquer forma, o look casaco de pele, luvas pretas e botas fetichistas faziam parte do tema da marca.

Tema que o diretor de criação  Marc Jacobs desenvolveu após uma conversa com Bernard Arnault do grupo LVMH sobre a “inexplicável” obsessão que as mulheres têm por bolsas.

O fetiche às fetichistas.

A produção do cenário, realmente, estava maravilhosa, com quatro elevadores antigos, porteiros de uniforme e tudo mais. As modelos entraram na passarela com fortes referências a bellboys, copeiras e arrumadeiras. Uma delas, a italiana Mariacarla Boscono, tinha em mãos um enorme espanador de penas de avestruz … e nos pés uma sandália de salto fininho entrelaçada quase até o joelho.

Casacos também fizeram parte da coleção, foram 65 looks de todos os tipos: casacos-vestidos estruturados, mangas volumosas, botões grandes; colarinhos tipo Peter Pan e calças jodhpur. Radicais foram os comprimentos, com modelos que terminavam logo abaixo do joelho.

De todas as coleções que vi nesta temporada, sem dúvida, a que mais marcou foi a Louis Vuitton. Usar o tema fetiche foi uma grande sacada. Nós mulheres temos um desejo irracional em conquistar bolsas e acessórios, não poderia ser diferente. Ainda que nem falei das peles dos casacos. São detalhes que não decepcionam o público feminino. Só precisamos encher os bolsos e as  bolsas de dinheiro para ter tudo isso.

Nada como um pouco de fetiche para agradar as retinas das editoras de moda. Marc Jacobs provou ser um artista brilhante, fez tudo terminar em triunfo com um grande show, magistralmente orquestrado por ele, que está na sua melhor forma.

A sensação de rigor que conseguiu criar, o desejo, obsessão, fetiche tudo inspirado na coleção, estavam alinhados. O casting que escolheu foi apenas o creme do bolo. Modelos veteranas e muitas brasileiras: Naomi Campbell, Raquel Zimmermman, Izabel Goulart, Aline Weber, Isabeli Fontana e Bruna Tenório.

De volta a celulite.

O caso  bastou para a editora do site Tendances de Mode, Coco, relembrar que, depois de criticar a perda de peso do Crystal Renn no documentário “Picture Me” de Sarah Ziff, o mundo da moda nos mostra, mais uma vez, a sua atitude com o corpo da mulher que pode ser esquizofrênico. E que além de tolerar as ideias duvidosas, seria melhor ficar em casa do que enviar uma mensagem negativa às mulheres geneticamente programadas para desenvolver celulite.

Sara Ziff disse ainda que, ao invés de se perderem em discursos grandiosos sobre anorexia na moda urbana, seria melhor apontar o dedo para a deficiência das supermodelos que já passaram dos 30 e querem continuar no pódio.

A quem interessar possa, cenas de “Picture Me” de Sarah Ziff:

Nada disso compromete o desfile: a coleção e a produção estão deslumbrantes, KateMoss foi e sempre será polêmica. Mas se cabe uma sugestão: só não podemos imitá-la nem com cigarrinho, nem com celulite.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

A lição da Dior ou de Galliano

 

Por Carlos Magno Gibrail

Natalie Portman, estrela Dior, se ofende com 'amor' de Galliano por Hitler

Na festa do Oscar nenhuma estrela ousou se apresentar com um Galliano. A internet divulgou um vídeo no qual o estilista da Maison Dior declarou amor a Hitler, e ofendeu um casal com expressões anti-semitas. Tudo isso em Marais num bar parisiense freqüentado por vanguardistas.

O desastre prenunciado para a marca não se confirmou. A rápida decisão da LVMH Louis Vuitton-Moet-Hennessy de Bernard Arnault de demitir Galliano, apoiada certamente na prova do vídeo, a manutenção do desfile parisiense e a atitude da equipe Dior, foram essenciais para mais uma vez comprovar que situações críticas podem ser transformadas em créditos para as marcas que demonstrem ética acima de tudo. E agilidade estratégica, ao anunciar, ontem, a compra da Bulgari, numa operação de 6 bilhões de dólares, deixando encantados Paolo e Nicola Bulgari, novos sócios da LVMH  e a Bolsa de Paris.

Ao mesmo tempo é lembrado que Hitler e suas façanhas anti-humanidade ainda causam admiração, o que alerta para que o mundo não se iluda e fique atento.

John Galliano nasceu em Gibraltar em 1960, filho de um encanador inglês e de uma espanhola, cursou a famosa Saint Martin´s School of Art of London. Graduou-se em 1984 apresentando uma coleção baseada em Les Incroyables, simpatizantes da realeza francesa na época revolucionária. Em 1987 ganhou o prêmio de melhor estilista britânico.  Era fascinado pela história e atento as novidades quando levou a inspiração de Matrix às passarelas. Em 1993 mudou para Paris e em 1995 foi para a Givenchy. Assumiu a Dior, do mesmo grupo, em menos de dois anos. A partir de 99 assumiu todas as linhas femininas da Maison Dior e a imagem da marca, ao mesmo tempo em que criava a sua coleção, que também pertence à LVMH.

De intérprete aprofundado da história, que fizeram dos desfiles Dior verdadeiras obras artísticas com dramaticidade e com ênfase sexual, Galliano abrandou posteriormente e apresentou coleções mais acessíveis ao prêt-à-porter. Levou a Maison ao bilhão de dólares. E trouxe a ele fama, reconhecimento, fortuna. Como aficionado da história bem que poderia ter se detido no passado recente de estilistas famosos, que mesmo sem ter arroubos nazistas apresentaram problemas existenciais e pessoais, como Marc Jacobs, Calvin Klein, Alexander McQueen,Yves Saint Laurent e de seu colaborador falecido por parada cardíaca Steven Robinson.

Definitivamente neste caso não usou os fatos, pois a irmã de Christian Dior por ocasião da segunda guerra mundial foi deportada ao campo de concentração nazista de Buchenwald.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e, às quartas, escreve no Blog do Mílton Jung

Por dentro da moda: acessório masculino

 

Por Dora Estevam

Tão antenados como as mulheres, os homens não deixam nada a dever em termos de moda e tendência e, principalmente, quando se trata de moda de rua.

O street style masculino tem mostrado que eles não estão mais preocupados com o formalismo na hora de preencher uma vaga ou fechar contrato de trabalho.

Cool é o que se pode dizer dos homens de hoje. A preocupação em colocar uma bolsa grande, um guarda-chuva, um adereço na alça da mala, um tênis colorido, uma camisa social com detalhe no peito, tudo isso e muito mais são detalhes antes reservados às mulheres. Eles aprenderam e estão arrasando nas ruas de todo o mundo.

Seja dia ou noite a ordem é descontração e conforto. O colorido também se encaixa nesta nova temporada, tendência fortíssima para o inverno e já usada por eles.

Sem dúvida, a indústria da moda está mais voltada para este público que descobriu um novo estilo de se vestir.

Então, reinvente o seu estilo nesta temporada, e depois me conte qual o seu look favorito. Alguns dos visuais que eu amo estão nas fotos deste post. Ou aproveite a apresentação que preparei para você, a seguir:

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

A moda gay

 

 


Por Dora Estevam

Tenho visto muita moda masculina nos últimos tempos. Algumas fotos e vídeos de desfiles compartilhados aqui com você internauta. Muitas produções, looks e shapes que estão pipocando nas passarelas que certamente irão para as lojas para tentar vender. Só que também percebi que muito do que é mostrado não é exatamente a moda que um heterossexual usaria.

A moda masculina tem mostrado  modelos de roupas que os gays gostam de usar. Os cortes são mais ousados, as cores mais alegres. Não que todo gay saia por ai todo colorido, não é isso. Mas é fato que os gays se vestem super bem.

Tem muito gay discreto que respeita antes a profissão. Eu diria que é como um executivo ou um parlamentar que no exercício da função precisa usar costume, mas no fim de semana relaxa e veste bermuda e sandália para ficar a vontade. Normal. Como também tem gay danoninho, que se veste com regata, shorts e chinelinho.

Vamos relembrar alguns fatos do processo da moda masculina-gay.

Que o gay tem uma personalidade singular não se discute. Ele passeia pelo lado masculino e feminino com a maior facilidade. No passado, precisou se vestir de maneira mais viril para esconder a homossexualidade, mas para liberar o lado gay teria que assumir o jeito sem ser marginalizado, vestindo os coloridos e os acessórios da moda. Daí veio a onda “ eu sou gay e demonstro através do meu comportamento e pela minha roupa”. Foi uma verdadeira farra, reccorreram às roupas masculinas por falta de opção, valia de tudo para contrapor: brinco e tamancos.

Só para você se situar estamos falando da década de 70.

Com o surgimento da Aids as coisas tomaram outro rumo. Ser gay, magrinho, fininho, queimadinho do sol virou sinônimo de doença. Então os moços começaram a recorrer para as academias: a regra era tornar o corpo mais fortinho, comer mais e ficar com cara de mais saudável. Magreza e cara branquinha, pálidos, estavam fora das características de fragilidade que já estavam sendo confundidas com o aspecto de doença.

Mas a mudança se estendeu até a forma de se vestir, muitos preocupados com os comentários voltaram a se vestir com roupas masculinas, com isso a caricatura de mulher estava descartada.

Já nos anos 80 ninguém mais falava do gay mulherzinha, afeminado, ficou totalmente fora de moda.

Com os corpos definidos e a pele bronzeada, o visual ficou com cara de macho. Só que os amigos criativos deram um jeitinho de não serem tão durões assim. Na prática os tecidos eram estampados e listrados, na cartela de cores prevaleceram os tons sur tons.

Um estilo mais andrógino que para completar os nossos amigos passaram a usar bigodes.

Apesar de tudo isso temos que lembrar que os melhores estilistas nacionais e internacionais de moda são gays, eles tem um papel fundamental na moda. Com isso passaram a divulgar a moda gay em bairros como Village, ao Norte de Nova York. Daí para frente a moda homossexual foi se expandindo até virar em centenas de lojas que não só atendiam ao público gay mas também aos simpatizantes.

Ainda nesta década não posso deixar de relembrar que o gay começou a usar aquelas roupas de couro, lenços no pescoço, adereços como brincos…emfim tudo para se distanciar daquele gay dos anos 70.

Hoje mesmo o “rapaz alegre” procura se vestir de maneira mais simples: jeans e camiseta. Mas não dá para negar que a moda masculina hoje é sugerida para o homem gay.

O fato é que o gay vai sempre se diferenciar, seja num echarpe jogado no pescoço ou um brinco bacana.

Não que o brinco seja um adereço gay, mas uma forma de o homem brincar com a moda masculina.

Por fim, hoje até a publicidade é feita com casais gays, em situações rotineiras como comer um salgadinho a beira da piscina com seu amor.

Curtam o clip.


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

Existe Moda Brasileira?

 

Por Carlos Magno Gibrail

Álbum de figurinhas da moda brasileira

“Sim, a Moda Brasileira é aquela produzida no Brasil”.

Resposta dada por Alexandre Herchcovitch, um dos estilistas brasileiros com prestígio internacional num seminário há alguns anos.

A intenção da pergunta era evidentemente provocativa, no sentindo de questionar a importância dos criadores nacionais no âmbito global.

De lá até cá, o avanço dos estilistas e das marcas nacionais, que não foi pouco, não mudou a assertiva da resposta de Alexandre.

Sob o aspecto da criação de moda é inquietante, mas evidente que a ascensão mundial dos estilistas está ligada ao poder econômico do país de origem. Assim foi com os japoneses, que deslumbraram Paris na década de 80 com uma nova perspectiva, orientada pelas formas geométricas e linhas do tecido, contraponto ao ocidente, obsessivo em mostrar o corpo. Ainda nos anos 70, Kenzo foi o primeiro a abrir espaço em Paris, e na década seguinte surgiram Yohji Yamamoto, Issey Miyake e Rei Kawakubo (Comme dês Garçons).

De outro lado, as engrenagens do sistema econômico da moda não têm permitido ao Brasil desempenho equivalente ao da economia nacional. Menos pela existência de organizações e marcas competentes, que já são relevantes e mais pelas condições do comércio internacional, com youan desvalorizado e impostos nacionais excessivos.

É uma situação tão mais preocupante quanto se adentra aos reais benefícios do setor de confecção, altamente intensivo de mão de obra propiciando até mesmo trabalho domiciliar com inegável e invejável função social, ao mesmo tempo em que apresenta baixo investimento na criação de postos de trabalho.

O amadurecimento do SPFW e demais eventos de moda certamente contribuirão para as mudanças necessárias ao setor. O espaço aberto para a discussão da Moda precisa ser mantido para evitar que os chineses venham buscar aqui “negócios da China”.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

NB: Nas imagens da esquerda para a direita, de cima para baixo: Pedro Lourenço, Denner, Amir Slama, Walter Rodrigues, Glória Coelho, Alexandre Herchcovitch e Clodovil

Na moda, criatividade vale mais que dinheiro

 

O artigo de Carlos Magno Gibrail (Marketing e Futuro na Moda arrasam nop SPFW), nosso doutor em marketing de moda, trouxe importante colaboração para a reflexão sobre a exposição das marcas na 15a edição da São Paulo Fashion Week. Aproveito este sábado, sempre dedicado a moda e estilo de vida, graças as provocações da colunista Dora Estevam, para destacar um dos comentários publicados aqui no Blog, assinado pela leitora-internauta Louise Rossetti:

Eu concordo que este tipo de ação chame a atenção, cause mídia espontânea (inclusive a sua) e burburinho. Mas somente Promoção e Propaganda não criam posicionamento de marca. Acho raso, volátil, linkar a marca a celebridades, principalmente quando elas não tem absolutamente nada a ver com a identidade da marca.

Se a marca é pop, deve investir em ideias pop, não em marketing “barato” e óbvio. O consumidor não é mais inocente como nos anos 90. Não se aceita mais qualquer coisa. E apesar da mídia gerada, o produto é fraco, o posicionamento é dissonante e a ligação com o cliente fica prejudicada assim que se usa o produto, pois é quando a imagem do Ashton ou da Giselle se dissipam. (ou seja, deixa-se de atender o desejo do cliente).

Eu acredito em construir uma identidade de marca, com mais P’s fortes, além de promocao e propaganda. E isso se faz priorizando tbm os outros fatores.

“Falem mal, mas falem de mim” é pobre, dura pouco. Branding em que a criação não conversa com a comunicação, não é branding.

Acho a ideia da Ellus mais louvável, por exemplo. Uma marca que quer se posicionar como moderna, avant gard, que usou uma mídia nova, diferente.

Para pagar U$ 500.000 para uma celebridade, basta ter dinheiro. Para fazer algo bacana, e elevar a marca, definitivamente, precisa-se de criatividade.

O horizonte da moda masculina

 

Por Dora Estevam

Foi se o tempo em que os homens andavam todos iguais com calças, camisas, paletós e gravatas sem uma só dobrinha ou sinal de roupa amassada. Nos pés, então, nem se fala. Aqueles sapatos lustradíssimos com bico fino (tipo aqueles que o Maluf usava, também conhecidos por sapato pra matar barata nos cantos). Na paleta de cores, vermelho ou amarelo nem pensar.

Sem desvalorizar o que se passou, acredito que em matéria de vestimenta, hoje, a moda está muito mais funcional. Andar por ai com calças largas ou justas – sim, os homens também usam skinning – usar  calça saruel,  camisas e camisetas sobrepostas e pólos logadas. Nos pés a grande variedade de chinelos, sandálias, sapatos, tênis e botas.

Os mais clássicos aderiram as calças sociais com barras curtas, lenços echarpes e bolsas.

Nos acessórios não é diferente: viraram febre correntes de todas as espessuras, anéis nos mais variados formatos e desenhos – o mais cotado é o com desenho de caveira -, bonés e bermudas florais e xadrez, sem esquecer dos brincos, é claro.

Se avaliarmos os desfiles de moda masculina vamos encontrar na passarela verdadeiros concorrentes com os desfiles femininos. Não falta mais nada. Tem de tudo e para todos os gostos.

Nas ruas é que se vê toda esta transformação da moda homem.

E a moda foi tão longe que não tem mais aquele estilo “casual chic” calça caqui e camisa azul.

Separei  um trecho do final do desfile da Prada com as propostas para o verão 2011 – se eles usam os brasileiros se inspiram.

Um outro vídeo que eu gosto muito é do Ermanno Scervino. Ele mostrou uma coleção fresca e elegante, com tons de bege,  branco e caqui. Uma coleção bem versátil para qualquer tipo de homem. Destaque para as jaquetas estilo blazer.

É isso, estas são algumas das opções entre as novidades que você vai ver nesta temporada que promete.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre estilo e moda no Blog do Mílton Jung

Cocô de cachorro, quem pega ?

 

Por Dora Estevam

Passeando com Gisele

A cena é a seguinte: a babá leva o cachorro em lugar de um bebê, passeia lentamente, aos passos do cachorrinho, é claro. Cumprimenta as pessoas das lojas, o porteiro, alguém mais que não identifiquei. Enquanto isso o cachorro aproveita para dar uma cheiradinha na grama, que lhe parece familiar. Para e pumba: cocô na calçada.
 
Quem pega? É pegar ou largar.
 
A moça não pode fazer feio na frente do amiguinho, então recolhe a caca, põe num saquinho de plástico, amarra bem amarradinho e depois, e depois … tchan tchan … atira ao pé da primeira árvore que encontra pela frente.
 
Situação como esta que vi dia desses acontece diariamente por todas as ruas dos bairros residenciais  da cidade. O caso desta moça foi apenas um exemplo, são muitas as pessoas que passeiam com seus cães e não pegam a sujeira. Fica lá aquele cocô na calçada que você é obrigada a desviar para não se sujar. As calçadas com grama ficam  insuportáveis, tem que andar pela rua. Nas residenciais misturadas com comércio, então, é uma constante briga entre lojistas e passeadores de cães.
 
O problema é do dono do cachorro, e pronto!
 
Incrivelmente é do conhecimento de todos que o caso virou Lei e se não recolher o cocô e jogá-lo na lata de lixo é multa (na incerta).
 

Elegância de Sienna Miller

Tenho falado aqui na coluna sobre comportamento, moda, beleza e estilo de vida. Sempre na intenção de inspirar e não criticar. Mas eu não posso deixar de falar da falta de educação destas pessoas que continuam agindo de má fé.
 
Eu não posso acreditar que o dono ou a dona de um animal de estimação não tenha consciência  que o bicho também faz as necessidades  dele e estas não são feitas em privadas, mas em quintais e gramas, muitas do vizinho.
 
Da mesma maneira que você passa no Pet Shop para fazer compras para o seu doguinho deveria aproveitar para se informar qual a melhor saída na hora de recolher o que ele deixa pra trás.
 
A vergonha e falta de educação é você largar a sujeira na calçada achando que com a primeira chuva vai tudo embora. Ou colocar em saquinhos plásticos e abandoná-lo no pé da árvore. Quem vai pegar aquilo? A faxineira da loja ou do salão de beleza, é isso?

Sem contar que aquele saquinho deve demorar anos para se dissolver na natureza (outra questão que já foi tema de debate aqui neste blog) – ou seja, deixarão de herança uma montanha de plástico recheada de cocô de cachorro.

As fezes na rua podem trazer muitas doenças através das moscas que atraem. E você não vai querer que a sua família seja contaminada por isso, vai?
 
Para você que tem animal em casa, certifique-se de que a pessoa que esta saindo com ele recolhe a sujeira e a despeja no lixo da sua casa. Melhor ainda, dê você mesmo o exemplo e mostre qual o procedimento correto.
 
Seja um fiscal da sua calçada e se vir alguém cometendo esta falta de educação não deixe de alertá-la.  
 
Tenha um bom e elegante passeio com o seu dog!

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung

A beleza das negras e das asiáticas

 

Por Dora Estevam
 
Toda vez que começa a semana de moda brasileira vem à tona o assunto: modelos negras. Impressão que dá é que elas desaparecem assim que acaba a temporada. E com elas se vai o assunto. também.

Não sei o que acontece com as moças fora das temporadas. Este mês, por exemplo, a Vogue Brasil fez editorial dedicado às negras, com enfoque na brasilidade da mulher. Apenas confirma a regra: estamos em época de semana de moda, e depois?

Bem, as mulheres negras têm muito bom gosto, elas se vestem muito bem, sem contar a pele, o tipo físico e os famosos dentes. Realmente, são charmosas e atraentes.

E como todas as mulheres, arrasam nas ruas de São Paulo, Nova Iorque, Paris e Londres.

Acompanhe fotos de algumas dessas maravilhosas e super elegantes:


 

Outro tipo de mulher que dificilmente encontramos em passarelas ou editoriais são as orientais. Elas ficaram confinadas em bairros como Liberdade e Bom Retiro, em São Paulo. Mas, a forma e o estilo de como elas se vestem está muito longe dos típicos vestidos justos de cetim japoneses e chineses.

Estas mulheres arrasam no figurino, além do bom gosto nas combinações. Sem contar a cabeleira lindíssima. Aproveite algumas amigas fotografadas nas ruas que superam todo e qualquer preconceito:

Com estas belíssimas mulheres, tão exóticas e bem vestidas, não saia de casa sem antes das uma espiada, novamente, nas fotos. Vale a inspiração.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung

As imagens deste post são do site Stockholm StreetStyle.com

O poder da tatuagem

 

Por Dora Estevam
 
Elas aparecem espalhadas pelo corpo ou mais timidamente por trás dos cabelos, na nuca; também estão discretamente nos tornozelos e punhos; as mensagens são inúmeras; o desenho, ora incrível ora estranho, dependendo o ponto de vista. Frases apaixonadas e dedicadas aos namorados, amores, filhos, maridos e religião. Enfim, cada tatuagem tem seu motivo.

Esta moça da foto é tão apaixonada pela Chanel que resolveu fazer o desenho do logo na pele. Esta é de verdade.  
 
É que na coleção Primavera/Verão 2010 as tatuagens fake da Chanel viraram febre. Bastava pressionar o desenho na pele, e pronto.
 
Dizem que Karl Largerfeld  teria se inspirado no livro de Lee Tulloch, Nobodies Fabulous, de 1989, no qual a personagem principal, Reality Nirvana Tuttle (uma espécie de Carrie Bradshaw dos anos 80), tem tatuagens Chanel em seus pulsos e nas coxas. Curiosamente o livro vai virar filme em breve e foi escrito depois que a autora foi demitida da Harper’s Bazaar australiana. A expectativa é que o filme tenha um figurino maravilhoso, já que a heroína do livro é tão louca por moda que dá até nome para suas roupas.
 
 

A palavra tatuagem origina-se do inglês tattoo. O pai da palavra “tattoo” foi o capitão James Cook , que escreveu em seu diário a palavra “tattow”, também conhecida como “tatau”, uma onomatopéia do som feito durante a execução da tatuagem, em que se utilizavam ossos finos como agulhas, no qual batiam com uma espécie de martelinho de madeira para introduzir a tinta na pele. A partir de 1920 a tatuagem foi ficando mais  comercial, tornando-se mais popular entre americanos e europeus. Surgindo uma gama de tatuadores que eram artisticamente ambiciosos. Eles acharam muitos clientes nas décadas de 1950 e 1960. Durante muito tempo, nos Estados Unidos, a tatuagem esteve associada a classes sócio-econômicas mais baixas, aos militares, aos marinheiros, às prostitutas e aos criminosos.

 
  
De acordo com os historiadores, não havia um aborígene que não estivesse tatuado. A tatuagem percorreu mares e Américas e até hoje é cultuada em todo o mundo. Particularmente, não tenho um risco na pele, mas é muito difícil encontrar alguém que não tenha feito uma por inteiro.
 
A “arte na pele” já foi muito marginalizada, mas hoje está na pele de pessoas de todos os níveis sociais.
  
As celebridades aparecem nas entregas dos grandes prêmios sem nenhum pudor. Vestidos que deixam  ombros e costas a mostra para apresentar o desenho no corpo.  

Ano passado, os  tatuadores e fãs se reuniram em uma convenção internacional na capital tailandesa, Bangkok. O evento de três dias trouxe profissionais da Ásia, Europa e América e mostrou técnicas e estilos de arte corporal em diferentes culturas.

Entre os tatuadores que participaram do evento estava Arian Noo, o artista tailandês que teve o prazer de tatuar a atriz Angelina Jolie.

Muitos concursos também são realizados na conferência, incluindo melhor desenho do dia, melhor tatuagem oriental e melhores obras de frente e nas costas.
 
As convenções sobre tatuagens acontecem no mundo inteiro.
 
No entanto, é preciso tomar algum cuidado na hora de fazer a sua arte na pele. Procure um lugar seguro, limpo, conhecido. Espere até completar a idade adulta para ter certeza de que é essa a sua escolha. Pesquise bem antes de entregar a sua pele às agulhas.

Você se lembra do caso daquela menina de 18 anos da Bélgica que dormiu durante a tatuagem e acordou com o rosto cheio de estrelas? Depois se arrependeu.

Converse com o especialista para saber qual a melhor forma de começar. Homens e mulheres têm preferências diferenciadas: homens gostam de fazer o braço inteiro, já mulheres partes das costas, lombares e nucas.

De acordo com os dermatologistas, a maioria das pessoas que tentam removê-las é mulher. Elas até gostam do desenho, mas se sentem pressionadas com as críticas e comentários maldosos a respeito.
  
Se você faz parte desta legião de fãs das tatuagens aproveite para ver algumas fotos de pessoas que foram clicadas nas ruas da Europa e EUA.


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung