Maserati e Zegna combinam elegância e dinamismo em moda e automobilismo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Ermenegildo Zegna e Maserati criaram uma coleção especial de acessórios de moda em homenagem ao lançamento da participação da empresa italiana de alta-costura no interior de novos modelos do fabricante de carros, o Maserati Ghibli e o Quattroporte. A coleção inclui casacos em couro, tênis de edição especial, lenços de seda, itens de marroquinaria e óculos de sol dobráveis.

 

Mestres artesãos de Zegna criaram um tecido de seda pura com um impacto visual extremamente elevado para o cockpit e assentos dos dois modelos que unem estilo e exclusividade. O tecido combina a sensação de suavidade suave com a aparência elegantemente técnica para entregar dinamismo e um toque contemporâneo, encontrado nos modelos mais emblemáticos da Maserati.

 

No mercado do luxo, é comum o uso do co-branding, estratégia usada por Zegna e Maserati há alguns anos e agora em novos modelos também. A prática consiste no desenvolvimento de um projeto unindo duas marcas com o objetivo de valorizá-las e fortalecê-las ainda mais.

 

O co-branding é uma das ferramentas mais importantes para posicionar a imagem de uma empresa que atue no luxo. Tem sido explorado com frequência no cenário competitivo global, em que cada vez é mais difícil diferenciar-se diante de consumidores extremamente exigentes.

 

A união parece mais do que perfeita: de um lado um dos ícones da moda de luxo no mundo e de outro um ícone do design automotivo de alto luxo. Parceria perfeita! Que visa reforçar valores, herança, história e tradição – algumas das premissas das marcas de luxo.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em “arketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Uma boa imagem vale mil palavras?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Tadeu Schmidt domingo no Fantástico fez referência à “elegância” do técnico do Atlético Paranaense Milton Mendes, que, à beira do gramado e usando traje social composto de paletó, calça de alfaiataria e gravata, não suava. Apesar do sol do meio dia e do calor da disputa contra o Palmeiras. Além de evidenciar o cuidado e a preocupação de Milton com a roupa, talvez indicando sua inadequação ao momento.

 

Tive dúvida se Tadeu concordava com a clássica imagem transmitida pelo técnico atleticano. E esta abordagem lembrou-me que a BOVESPA Bolsa de Valores de São Paulo contratou Bia Kawasaki para orientar seus profissionais a se apresentarem sem gravata num esforço para uma imagem mais contemporânea. É claro que ao comparar os dois episódios não pude deixar de saborear o pitoresco da situação.

 

O fato é que a imagem pessoal teve um espaço mais que merecido por parte do Mundo Corporativo da CBN ao entrevistar a Consultora de Moda Bia Kawasaki.

 

Bia, além de contar casos como o da BOVESPA, elucidou dúvidas básicas sobre a vestimenta como que as mulheres evitem no trabalho transparências, decotes, minissaias, e os homens se cuidem do cabelo, da barba, combinem meias e nunca usem as brancas. Ressaltou principalmente que as pesquisas indicam que para o sucesso é preciso experiência em primeiro lugar e boa imagem em segundo. A imagem vem antes do conhecimento. É a importância da forma e do conteúdo. Nesta ordem.

 

Vale lembrar que a roupa é parte integrante e importante para a imagem pessoal. É por isso que no recém-lançado livro de Mílton Jung e Leny Kyrillos, “Comunicar para liderar” encontramos referência ao uso adequado da moda. Ela tanto pode ajudar como prejudicar. Dentre outros, vamos encontrar o caso de Lula no ultimo debate com Serra, quando obteve, com a assinatura do estilista Ricardo Almeida, uma supremacia visual. E o de Sarah Palin, candidata republicana conservadora, cujos assessores tentaram imprimir uma imagem contemporânea que não foi absorvida pelos eleitores.

 

Uma boa imagem pessoal pode até não valer mil palavras, mas que ajuda, ajuda.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Facetas: na prática a teoria é a mesma

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Logo ao entrar para a universidade, uma das questões que entendi foi que o preconceito popular contra a teoria não tinha fundamento. Ora, se para uma prática chegar a teoria é preciso comprová-la através da metodologia científica, então podemos afirmar que a teoria é uma prática comprovada.

 

De posse dessa descoberta que teoria e prática caminham juntas, e não se opõem, abracei ambas e cheguei até a decisão do tema da dissertação de mestrado. Escolhi a indústria de moda, onde atuava, para aplicar a teoria aprendida e a prática vivida.

 

Após a graduação no mestrado de Administração, decidi que já tinha as condições para lecionar. Comecei então a dar aulas em cursos de pós-graduação na área de moda.

 

Em 2013, quando completava 40 anos de trabalho, resolvi que estava apto para escrever um livro. “Marketing de Moda” foi o tema. Fui ao SENAC, que era a editora mais indicada, mas o “Marketing & Moda” estava no prelo e, embora a semelhança fosse apenas ao título, tive que procurar editoras não especializadas. Não deu certo.

 

Finalmente, no início deste ano, José Marton, designer de produtos, cenários e lojas, um dos profissionais com quem mais tenho conectado a teoria e a prática da arquitetura do varejo de moda, convidou-me para biografar a sua obra de Arquitetura. Patrocinado pelo Banco TOYOTA, com apoio do Ministério da Cultura, Marton obteve capital para lançar o livro “FACETAS – A arte e o design na obra de JOSÉ MARTON”. Em quatro volumes, Arte, Arquitetura, Cenografia e Design.

 

Em Arquitetura foram inúmeros trabalhos, com destaque para a Arquitetura de Varejo. A loja é o fim da cadeia produtiva dos produtos, e o inicio da batalha no Marketing do consumo. Cabe à arquitetura representar todo espectro tangível e intangível das marcas para atrair o consumidor alvo. Nestes projetos, Marton não abriu mão dos recursos existentes na arte, arquitetura, design, comunicação, pesquisa de mercado, comportamento, e, sobretudo, teoria e prática conjugadas com emoção e talento. Biografar neste contexto foi puro prazer.

 

Nota do editor: o lançamento do livro é nesta terça, dia 25 de novembro, na Galeria Vermelho, rua Minas Gerais, 350, em São Paulo. Carlos Magno estará lá ao lado de Marton.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

#PinkPonyPromise: luxo sustentável e saudável

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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O estilista Ralph Lauren há alguns anos participa ativamente em campanhas de prevenção ao câncer de mama com a criação de peças exclusivas de sua coleção Pink Pony. Parte das vendas é destinada à Pink Pony Foundation, entidade criada por ele, que cuida de mulheres que sofrem dessa doença.

 

Neste Outubro Rosa, mês em que diferentes instituições promovem ações contra o câncer de mama, Lauren foi além. Aproveita suas redes sociais para estimular seguidores e clientes a engajarem-se nessa causa. As pessoas são convidadas a escrever em cartazes como pretendem apoiar o combate ao câncer, mensagens que podem ser o compromisso de parar de fumar ou um alerta para que as mulheres façam o exame de mama. Para cada foto postada no Instagram (@raulphlauren), Twitter (@ralphlauren) ou no próprio site RalphLauren.com/pinkyponypromise, com a hashtag #PinkPonyPromise, a grife americana doará 10 dólares para pesquisa e tratamento do câncer, em promoção que pode alcançar até USD 1 milhão.

 

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Ícone da moda e do luxo no mundo, Ralph Lauren sabe melhor do que ninguém unir bom gosto e sofisticação e dar o seu toque pessoal à gestão da marca. Nesse caso, mais do que isso, mostrar que é possível e vale a pena lutar por causas nobres com um gesto simples e sem custo algum aos clientes.

 

Ao abraçar a causa, Ralph Lauren se mostra não apenas uma grife de luxo com amplo mix de produtos e serviços, mas se diferencia com seu empenho em contribuir e mobilizar às pessoas em torno de um comportamento consciente de prevenção e filantropia.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Minimalismo de boteco

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

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Dias atrás, deparo-me na Veja SP com reportagem sobre botecos onde a palavra minimalismo é usada indevidamente. “O conceito é minimalista, poucos metros quadrados e pequena quantidade de mesas”. É a frase que inicia o artigo “Boteco para os íntimos”.

 

Na verdade o texto não tem nenhuma intimidade com o minimalismo. Como sabemos, minimalismo é o significado de um movimento ocorrido nas artes, na decoração, na moda e, no estilo de vida, na busca do requinte, em que o menos é o mais. No sentido de qualidade e singularidade. Nada a ver com tamanho.

 

O maltrato a uma expressão tão cara a quem milita em área em que a palavra minimalismo é técnica, gerou de minha parte um e-mail ao editor da Veja, e uma ratificação do valor do tecnicismo vocabular. Tão criticado por muitos.

 

É fato que em algumas áreas como a Medicina e a Economia realmente há exageros, gerando os pejorativos medicinês e economês. Entretanto, por mais que se critique a comunicação técnica, não há como fugir em determinadas ocasiões de palavras que representam significados específicos.

 

Culposo e doloso, por exemplo, são termos jurídicos que podem confundir, mas não podem ser evitados. Culposo, como se sabe significa a culpa sem intenção, enquanto doloso representa a culpa intencional. Na Administração, organograma que é a representação gráfica da estrutura hierárquica, e o fluxograma o desenho dos processos, são muitas vezes confundidos ou trocados.

 

O caminho para evitar dissonâncias é a naturalidade. Aos técnicos deve caber o uso sem abuso dos termos restritos ao entendimento de leigos. Aos leigos recomenda-se não entrar em área desconhecida, mesmo que aparentemente palavras como minimalismo possa indicar tamanho reduzido.

 

O melhor mesmo é ser minimalista, comunicando-se através de palavras comuns, sem excessos, articuladas com simplicidade e objetividade.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Preço baixo na moda é custeado pelo mais fraco

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Por Carlos Magno Gibrail
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A entrada da FOREVER 21 no Brasil suscita mais uma vez a questão dos preços baixos. Esse fato aparentemente alvissareiro encontra um mercado brasileiro de moda mais crítico. O sucesso na abertura das duas primeiras lojas Forever, com filas de consumidores ávidos por seus produtos não tem iludido observadores atentos. E já apontam ganhos e perdas.
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A moda, um setor que até a pouco tempo não era levado a sério, tanto pelo jornalismo que via apenas o lado fashion, quanto pelo mundo econômico que o ignorava, evoluiu. Por isso, ficou claro que não há milagre nem novidade na operação do sul-coreano Chang.
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Um pouco de fama, um salário de fome, uma ágil espionagem, uma concessão especial dos shoppings, outro tanto de dumping e um tantão de pouca qualidade na matéria prima e na mão de obra, resultam nos atrativos preços apresentados. Esta é a realidade, lida com a expertise do ramo da moda brasileiro. Entendendo que Chang, idealizador e executor deste jovem império, quando diz que não gasta com marketing nem com classe executiva nas viagens aos seus diretores, está falando a verdade, mas justificando falsamente a causa do baixo preço.
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Prova é que ,segundo o jornalista Álvaro Leme, em matéria da VEJA, o Ministério do Trabalho americano tem acusações a Chang por pagar aquém do salário mínimo e submeter os funcionários a precárias condições de trabalho. Registra também que há mais de 50 ações de pirataria contra a Forever 21 por copiar modelos de outras marcas que estão sendo vendidos em suas lojas.
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A sagacidade que emana da operação de Chang deve ter prevenido-o das ameaças e oportunidades de nosso mercado. Alta tributação e consumidores intensos exigirão a agilidade e esperteza que tem caracterizado a Forever 21. Welcome!
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Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Ralph Lauren recruta executiva para gestão global de produtos de luxo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

Ralph Lauren Corporation anunciou esta semana a nomeação de Valérie Hermann para Presidente da Ralph Lauren Luxury Collections. Com passagem em empresas renomadas como Reed Krakoff, Yves Saint Laurent e LVMH, neste cargo recém-criado, Hermann será responsável pela estratégia, merchandising, distribuição e expansão dos negócios globais de luxo do grupo, incluindo as marcas das coleções feminina e masculina em vestuário, RRL e acessórios, assim como relógios, jóias, óculos e perfumes. A nova executiva se reportará diretamente a Ralph Lauren, Presidente e Chief Executive Officer (CEO) da Ralph Lauren Corporation.

 

“Este é um momento muito emocionante para a nossa empresa”, disse Lauren. “O luxo sintetiza a estética aspiracional da marca Ralph Lauren, e sentimos que este era o momento de aproveitar o sucesso que temos alcançado, aproveitando os pontos fortes de nosso portfólio de luxo e colocando-os sob um único líder”.

 

O estilista Ralph Lauren sabe como ninguém atrair seu público-alvo com suas criações de extremo bom gosto. Dono de uma das marcas mais importantes do mercado de luxo mundial e famoso por suas pólos com o pequeno pony como seu principal símbolo, o designer atua há anos em outras linhas de produtos que vão muito além de suas clássicas pólos e camisas, como suas criações de jóias de coleção limitada, linha black label e outras, uma forma estratégica de manter sua exclusividade perante seu consumidor.

 

Ralph Lauren é uma das marcas do mercado de luxo intermediário mais desejadas do mundo, e possui uma gestão rigorosa e seletiva, tanto em sua distribuição, precificação e comunicação. Ralph Lauren aposta na sofisticação e personalização de suas criações, oferecendo a customização feita pelo próprio cliente, ou seja, o cliente define e escolhe detalhes como colocar as iniciais de seu nome na camisa, ao invés de ter as iniciais da marca. É uma forma de salientar a individualidade do cliente e preservar a exclusividade do produto legitimado por uma prestigiosa marca.

 

Agora nos resta continuar ansiosos no aguardo da volta da grife Ralph Lauren ao Brasil.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Com que roupa?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Se depender da opinião de Roberto Chadad, presidente da ABRAVEST Associação Brasileira do Vestuário, as roupas serão chinesas. Nestes dias em que a Tecelagem Renaux, pioneira em Brusque no ano de 1892, é notícia pela autofalência, o episódio vivido na FIESP há alguns anos, com a visita da Ministra Comercial da China veio à memória. Nessa ocasião, Chadad indagou como a China conseguia vender uma calça de jeans por US$ 7,50, ao que a ministra respondeu que era por causa dos impostos e, portanto, um problema para o Brasil, pois os tinha muito altos.

 

Na realidade, a verdade é mais ampla, pois em 1990 com a abertura no governo Collor foi estabelecida uma graduação de desagravo nas importações de têxteis e confecções. Não houve um entendimento ideal entre os agentes nacionais que fabricavam bens de capital, tecidos e roupas, como também não ocorreu a modernização necessária. Ao mesmo tempo os impostos subiram e os agravos de importação nos tecidos e nas roupas não inibiram a entrada no mercado brasileiro de tecidos e roupas importadas, enquanto o produto nativo brasileiro é hoje tributado de 38% a 41% na loja.

 

A partir daí começamos a entender o drama da Renaux, se incluir outras eventuais falhas de gestão, que certamente impediram de traçar estratégias de escape que funcionassem. Por exemplo, a da Hering ou da Santa Constância, com caminhos diferentes. Uma pela escala e posterior entrada no varejo, outra pela escolha de um nicho de moda.

 

Para chegar à verdade inteira é preciso considerar as condições oferecidas à mão de obra asiática comparativamente com a brasileira, bem como a tributação ao produto nacional. Vamos concluir que este é realmente um “negócio da China” como se dizia no tempo de Noel Rosa. Só que hoje o “negócio da China”, é para a China.

 

PS: Para ouvir a música de Noel Rosa cantada pelo próprio clique aqui. Para ouvir na voz de Nelson Rodrigues acesse por aqui.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Chapéu, moda que supera o tempo

 

Por Dora Estevam

 

 

Para proteger dos raios solares, para aquecer no frio ou, simplesmente, para valorizar a roupa que você veste. O chapéu é peça distinta no guarda-roupa e, embora muitos não percebam, as lojas seguem vendendo o produto, mesmo que poucas pessoas tenham o hábito de usá-lo na cidade. Cada estilo pede um modelo, assim como cada ocasião e época.

 

Nesta semana, encontrei dois amigos que estavam usando bonezinhos lindos. Um deles, o jornalista Marcelo Tas, vestia um boné na cor vinho todo em veludo, muito quentinho e gracioso. O outro foi o DJ Lalá Moreira que se apresentou com modelo xadrez em preto e branco, um clássico moderno. Os dois trajavam roupas casuais e os bonés deram um toque de graça e elegância no visual. Além da parte funcional: aquecer a cabeça.

 

Aproveitando a aparência dos amigos, fui até a loja mais antiga de chapéus da cidade, a Chapelaria Paulista, na Rua Quintino Bocaiúva, centro de São Paulo, fundada em 1914. Além de fotografar alguns modelos, aproveitei para vestir um bem estiloso, anos 1930. A loja vende chapéus em diversas opções de tecido. Se não tiver o tamanho certo, eles encomendam, fazem sob medida.

 

 

Se o leitor não gosta da moda vintage e prefere algo mais moderno, a opção fica por conta da loja que encontrei no shopping Market Place, a UV Line, um quiosque que vende lindos chapéus. As estilistas se preocuparam em usar cores marcantes, tecidos leves, aliados à proteção contra os raios UV. Os modelos variam entre os de palha e os de tecido. A marca está sempre atenta às novidades e muito ligada aos esportes e à saúde.

 

O bom de tudo isso é que os chapéus, se comparados com roupas e sapatos, não são caros, além de durarem muito. De acordo com as meninas da UV, os de tecido devem ser lavados a mão e os de palha não podem ser molhados, deve-se passar um pano seco ou um lenço umedecido.

 

Para conhecer melhor esta história, encontrei vídeo produzido pelo repórter Rodrigo Leitão que entrevistou um dos donos da Chapelaria Paulista, Aldo Zucchi, hoje falecido, e descobriu muitas curiosidades sobre o acessório. Novelas, filmes, épocas, tudo influencia na venda do chapéu:

 

 

Informações:

 

Chapelaria Paulista
R Quintino Bocaiúva 94

(11) 3107-5803

 

UV.Line
www.uvline.com.br

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, no Blog do Mílton Jung

Moda & Trabalho: o inverso do espetáculo

 

Carlos Magno Gibrail

 

Sewing and cutting of cloth (all women), 1936

 

Em 1930, a cidade de New York, centro mundial da indústria de confecção, começou a receber os reflexos da nova tendência da moda, que passava a enfatizar o design e o comércio em sua cadeia operacional. A Produção perdia importância estratégica a ponto de poder se dissociar do contexto. Corte, costura e acabamento, poderiam estar em outros locais, mais apropriados para um setor industrial. E, a costura, etapa mais intensiva de mão de obra passou a exercer forte papel social.

 

Em 1987, com 23 anos de atuação no setor de confecção, três anos de mestrado em Administração, e um ano estudando e atuando na sobrevivência das Pequenas e Médias Empresas de Confecção Infantil, apresentei a minha dissertação de Mestrado à PUC SP. Era o primeiro trabalho acadêmico focando empresarialmente o setor de moda, e ressaltava, genericamente, a importância das confecções brasileiras no aspecto corporativo e, especificamente, o trabalho feminino domiciliar das costureiras, apontando a sua inigualável função social.

 

Hoje o trabalho domiciliar, imprescindível às populações carentes, foi reduzido em parte pela melhoria das condições trabalhistas, que exigem registro e cumprimento das leis, que impossibilitam às pequenas oficinas se manterem devido aos baixos valores que recebem. Ao mesmo tempo, do lado oposto surgem locais que, ao descumprirem tudo, se viabilizam.

 

Para as Pequenas e Médias Empresas, as mudanças foram drásticas, pois muitas não sobreviveram às variações de mercado, outras foram incorporadas por grupos financeiros. Poucas cresceram. Ao traçar hoje, um quadro de sobrevivência para as Pequenas, Médias e Grandes empresas nacionais de confecção, fico apreensivo com a questão do trabalho industrial terceirizado. Segunda-feira, o Estadão publicou matéria sobre o trabalho escravo. O “Domínio do fato” teoria de 1930, usada para condenar nazistas e também “Mensaleiros”, está sendo cogitada para punir na ponta marcas de moda. Preocupa-me, pois relegar as oficinas e condenar as marcas na ponta, atende à espetacularização.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.