Geração 4.0 trará produção de volta para os países onde se consome moda

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O pós-guerra na década de 1940 intensificou a indústria de confecção, que se desenvolveu dentro dos próprios mercados de consumo localizados nos países centrais. A seguir, os aumentos dos preços de locação e de mão de obra fizeram com que a produção de moda procurasse regiões de custos mais baixos.

 

Foi um movimento crescente, gerando uma nova geografia na industrialização das roupas. Surgiram alguns países periféricos ofertando mão de obra com salários abaixo da linha da pobreza. A ponto de despontar acusações, algumas comprovadas, outras não, de trabalho escravo.

 

A cadeia de confecção passou a desmembrar a produção das demais fases do processo de elaboração da moda: criação, desenvolvimento de produtos, marketing e comercialização. Paris, Milão, Londres e Nova York continuaram a ser os centros criadores de moda, mas a fabricação até hoje está concentrada na Ásia.

 

Na medida em que as regiões pobres se desenvolviam e demandavam salários maiores, surgiam novas zonas com mão de obra ofertada em níveis irrisórios. De outro lado, a tecnologia que avançava não encontrava nas roupas um produto que absorvesse seu custo.

 

Esse cenário que observamos há mais de 50 anos, entretanto, poderá finalmente vir a dar lugar a junção de toda a cadeia produtiva da moda. A produção voltando ao mercado onde será consumida. O trabalho escravo definitivamente seria extinto, não pelo aspecto social, mas porque o homem não mais o fará, pois este trabalho será executado pela Geração 4.0.

 

Isto significa que, se até então, as tecnologias isoladas não introduziram a cadeia da moda na era científica, seus recentes avanços e sua conexão poderão fazê-lo. A Geração 4.0 abrange, por exemplo, a robótica, o Big Data, a inteligência artificial, a automação, o comércio eletrônico, o omni-channel, a internet das coisas, as impressoras 3D, e as wearables.

 

Esse formidável conjunto irá melhorar a mais difícil das tarefas que é a Previsão de Vendas, fazendo com que as informações acionem um sistema produtivo assertivo e ágil. Reduzindo custos a ponto de poder estabelecer a produção junto ao mercado consumidor.

 

Esta é uma aposta certa, cuja incerteza é de quanto tempo precisaremos para realizá-la.

 

Leia também o artigo “Mais uma vez indústria têxtil é protagonista da Revolução Industrial”, de Renato Cunha.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.
 

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