Modos e modas para o varejo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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“Modos e modas” é o blog da jornalista Deise Sabbag, um dos ícones da mídia de moda nos anos 1980. Escreveu o primeiro livro de moda — A Moda dos anos 80 –, idealizou e criou o Todamoda — o pioneiro caderno exclusivo de moda no Shopping News, jornal de grande circulação aos domingos em SP –, editou o Todamoda Profissional, de circulação nacional, dirigido aos profissionais da área, e lançou edições diárias nos eventos de moda. Deise me procurou para uma entrevista a ser publicada no Modos e Modas na próxima semana. Atendi prazerosamente. E o resultado publico abaixo:

 

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Análise da situação atual do varejo

 

DS Internet ajuda ou prejudica?

 

CM — A internet é necessária, e hoje esta condição é facilmente demonstrável pelas marcas de varejo de sucesso que estão no mercado. Ou começaram com loja física e adotaram também a internet. Ou iniciaram na internet e posteriormente foram para o mundo físico. O OMNICHANEL que é a denominação do sistema que envolve todos os canais possíveis de aglutinação para uma marca de varejo, é condição obrigatória para atender as demandas dos consumidores atuais. Nos mercados contemporâneos de países desenvolvidos como o norte-americano e o asiático, não há mais a preocupação em identificar de onde vem o consumidor, pois o foco está em atendê-lo na forma e na condição em que ele o desejar. É oportuno registrar que esta nova exigência ao lojista facilitou muito ao consumidor e dificultou extraordinariamente a operação e o entendimento para o varejo físico, pois a internet ilude quanto a custos e expertise, afinal os custos são iguais e a expertise é diferente.

 

DS Desemprego – falta recursos e vontade para comprar?

 

CM — Recursos e vontade para comprar são efeitos e não causas. Afinal a lição de casa não está sendo feita. Ou seja, há erros primários gritantes nas operações, que se corrigidos poderiam gerar recursos e há também falta de percepção do comportamento atual dos consumidores, que, se identificados, motivariam a compra. Por exemplo, o atendimento ainda é um aspecto essencial no contexto do varejo e que carece em muitas lojas físicas. Outro exemplo é a miopia quanto ao propósito que o consumidor atual imprime à compra, elevando o rol de expectativas ao produto e serviço que deseja adquirir. É imprescindível obter medidas como o grau de satisfação dos clientes que a marca atende. Antigamente se difundia que um consumidor bem atendido propagava para uma ou duas pessoas o bom atendimento, mas o mal atendido difundia para 10 pessoas. Hoje, a difusão do mal atendimento vai além de 220 pessoas, graças a mídia social. Outro fator é o alto custo de obtenção de um novo cliente em relação ao custo de manutenção do cliente. Enfim, depois de medir a eficiência e eficácia operacional interna, fica mais fácil saber o quanto o mercado estagnado está refletindo no negócio e então cogitar de novas medidas estratégicas e operacionais.

 

DS Inverno curto e ameno precipitou liquidações de inverno?

 

CM — O inverno para o nosso país tropical é a estação que o setor de moda, por exemplo, precisa tratar com mais cautela. Pode ser o regulador do resultado anual ao contaminar o lucro do verão.Há aqui um grave efeito provocado pela predatória antecipação das coleções, a despeito de infrutíferas tentativas de padronizar o calendário. Hipótese efetivada apenas nos anos 60 através da Promostyl, quando coordenou cores, formas e calendário. Hoje a exigência é para abastecimentos semanais, coleções “cápsulas” eventuais, atentas às previsões climáticas. Por sinal, mais confiáveis a cada ano. O alongamento da venda de inverno decorrente da antecipação do lançamento diminui o resultado e aumenta o preço, por isso as quatro estações do ano precisam ser consideradas, mas não podem ser rigidamente determinantes. Agilidade e atualidade serão a competência a ser buscada.

 

DS Política de preços em desacordo com o poder aquisitivo brasileiro. Caminhos para contornar essa fase?

 

CM — A política de preços está refletindo as falhas estratégicas e operacionais das empresas que estão oferecendo produtos e serviços incompatíveis com o poder aquisitivo do seu público-alvo. É preciso considerar que o sistema foi alterado, concorrentes novos vieram de outros segmentos, concorrentes tradicionais de grande porte se fortaleceram, os custos subiram, os consumidores demandam novas exigências e diferentes desejos. A marca que quiser permanecer precisa se adequar e acompanhar tanta mudança. De forma específica, por exemplo, diferenciar dos grandes players, redesenhar o calendário, abastecer semanalmente, não aprofundar as grades, pesquisar constantemente a satisfação dos clientes, treinar a equipe, renegociar contratos de locação, eliminar lojas que estão abaixo do padrão. E, de forma geral seguir pelo menos alguns princípios de Vicente Falconi, guru de Abílio Diniz e Jorge Paulo Lemon:

 

– Liderar é bater metas
– Sem medição não há gestão
– Problema é a diferença entre a situação atual e a meta
– 3 a 5 metas para cada chefia
– Alta rotatividade é inaceitável
– Desculpas são patéticas

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

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