Avalanche Tricolor: gols, pipoca e rock and roll

 

Grêmio 3×2 Glória

Gaúcho – Arena do Grêmio

 

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Foi um fim de sábado intenso, que começou ali pelas cinco horas da tarde com a partida do Grêmio, na televisão, e se encerrou depois da meia-noite quando voltei a pé do Morumbi, após assistir ao show dos Rolling Stones.

 

Cheguei a titubear: ver o jogo do Grêmio até o fim e chegar em cima da hora para o show, arriscando ficar distante do palco? Não ver o jogo do Grêmio e garantir espaço nas primeiras filas da pista?

 

Não sei porque ainda encaro esses dilemas quando sei de antemão a resposta: assisto ao jogo do Grêmio, sempre (ou na maioria das vezes). Foi o que fiz e por pouco não me arrependi. Não que lá no estádio, pela hora que cheguei, não tenha conseguido uma boa visão do palco, muito beneficiada pelos incríveis telões que integravam a paisagem eletrônica.

 

O arrependimento bateu forte quando vi, já no segundo tempo, aquela escapada pelo corredor que havia no lado direito da nossa defesa, a bola cruzando toda a área para encontrar o atacante que entrava livre pelo nosso lado esquerdo.

 

Este show já havia assistido, nesta temporada. O Grêmio com muito mais futebol, chegando à defesa alheia com velocidade, chutando e desperdiçando oportunidade atrás de oportunidade. Consagrando o goleiro adversário. De repente, uma bobeada e tomamos o gol. Outra, e gol novamente. Ontem, corremos riscos mais duas ou três vezes. Ainda bem que nosso goleiro é sagrado.

 

Para ver espetáculo com o mesmo enredo, tivesse seguido mais cedo para o Morumbi, pensei cá com as listras tricolores da minha camisa. Lá estava com encontro marcado com velhos conhecidos: no palco estariam os mesmos astros e seus clássicos que curti em janeiro de 1995, no Pacaembu, e em abril de 1998, na pista de atletismo do Ibirapuera, apenas com uma roupagem diferente. Sim, eu estive com eles nas duas vezes anteriores e só não me meti entre os 1 milhão e 200 mil pessoas que assistiram à apresentação, em 2006, em Copacabana, porque casamento e filhos nos dão um certo senso de responsabilidade.

 

Gosto dos Stones e poucos são capazes de me emocionar como eles, especialmente quando somos milhares no mesmo espaço comungando o som que tocou minha geração. E, pela juventude que pulava ao meu lado, a de muitos outros, também.

 

Assim como das outras vezes, a expectativa era ouvi-los em “Jumpin’ jack flash”, “You can’t always get what you want” e “Satisfaction” – os sucessos de sempre. Já sabia que Mick Jagger conversaria com a gente em um esforçado português britânico, iria saracotear de uma lado para o outro e brincaria com a turma do palco.

 

Apesar da impressão de que tudo aquilo já havia sido visto anos atrás, mais uma vez assistir aos Stones seria único, grandioso e emocionante. Um espetáculo que queria ver de novo, e de novo, e mais uma vez se possível. Diferentemente daquele que o Grêmio apresentava na Arena, em Porto Alegre, e eu insistia em assistir até o fim, mesmo que isso pudesse atrapalhar meu compromisso mais tarde.

 

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Luan marca mais uma vez Foto Grêmio Oficial/Lucas Lebel

 

Quando o Grêmio joga, mesmo nos piores de seus dias, sempre quero acreditar que algo surpreendente possa acontecer. E estamos bem distante destes maus dias. O que ocorre hoje é apenas a necessidade de afinar melhor nossos instrumentos: o passe, a aproximação, o deslocamento, a marcação, o chute a gol e a confiança. Roger, que comanda a nossa banda, tem se esforçado neste sentido, pois conhece bem o potencial de cada um dos seus integrantes. Sabe que somos capazes de oferecer um espetáculo vitorioso. E que faremos isso, em breve.

 

A surpresa veio quando já havia trocado minha camisa tricolor pela que estampa a cara envelhecida dos Stones: minha insistência, e muito mais a de Roger e dos jogadores, foram premiadas com dois gols no fim da partida, com Henrique Almeida (que seja o primeiro de muitos) e Luan (mais um de muitos que já marcou) completando o que Giuliano e Geromel haviam iniciado. Uma goleada construída de maneira estranha, mas que foi muito mais realista ao que havia acontecido em campo.

 

Mesmo com o adiantado da hora, cheguei em tempo de entrar no gramado do Morumbi e me intrometer no meio da massa que ocupava quase todo o espaço disponível. Fiquei no centro do campo, diante do palco e com milhares de pessoas embevecidas pelo espetáculo que assistíamos desde o primeiro acorde. Emocionei-me de novo com Mick, Keith, Ron e Charlie. E fui surpreendido com algumas performances no palco, além da beleza de “She’s a rainbow” e o ineditismo de “All down the line”(ao menos nesta turnê). Assim como o Grêmio, os Stones sempre me surpreendem.

 

Na volta para casa, ainda entorpecido pelo som dos Stones, cruzei por um pipoqueiro na saída do estádio: “doce ou salgado?”, perguntou-me. Quero um grande com o sabor da alegria (e uma pitada de ironia, por favor).

Avalanche Tricolor: bela vitória e um ótimo show, mas não dá pra relaxar

 

Grêmio 3×1 Avaí
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Música e futebol voltaram a se misturar no meu fim de semana e acabei distante do Grêmio, sábado à noite, para acompanhar o penúltimo dia de shows no Rock In Rio, que comemorava 30 anos de edição. Eu havia estado por lá na primeira das grandes festas, em 1985, quando recém havia concluído a faculdade de jornalismo. Naquele tempo, nosso time já fazia parte da galeria dos maiores do mundo, com os títulos da Libertadores e do Mundial, anos antes. Foi também quando iniciamos a série do hexacampeonato gaúcho.

 

Dividi as apresentações, no Rio, com consultas ao meu celular, por onde recebia as informações do desempenho gremista, em Porto Alegre. Desta vez, o aglomerado de pessoas e, por conseguinte, de celulares estreitou a banda e impediu que eu conferisse o jogo pelo APP do Premier. Quando Giuliano abriu o placar, após mais uma boa troca de passes que se iniciou por Galhardo e Pedro Rocha, e praticamente selou a vitória com o segundo gol, com menos de meia hora de jogo, já havia curtido velhos ídolos de balada: Ultraje a Rigor e Erasmo, no palco Sunset, e Lulu Santos, que abriu os trabalhos no palco Mundo com um show dançante.

 

Lá de Porto Alegre, soube da façanha de outro velho ídolo: Andre Lima, que nunca nos fez morrer de paixão pelo talento, mas sempre se fez admirado pela maneira como se entregava pelo Grêmio. Em lugar de comemorar o único tento adversário, o que seria mais do que justificável, afinal está prestando serviços para outra camisa, preferiu homenagear o torcedor gremista sinalizando com as mãos o histórico placar de 5×0.

 

Os australianos do Sheppard não entusiasmaram nada na sequência das apresentações na Cidade do Rock, por mais que tenham se esforçado para ganhar o coração da galera. Em compensação, de Porto Alegre, sou avisado de que um outro estrangeiro acabara de dar um show com um chute incrível de perna esquerda: Maxi Rodriguez, que vinha devendo o bom futebol que se espera dele, pude conferir depois nos melhores momentos, fez a bola subir o suficiente para encobrir todos os jogadores que estavam dentro da área e descer o necessário para cair dentro do gol, fora do alcance do goleiro.

 

O Grêmio fez a lição de casa e deu mais um passo em sua paciente caminhada ao topo, e me deixou tranquilo para assistir às duas apresentações que realmente valiam o ingresso no Rock In Rio naquela noite: Sean Smith e Rihanna. Bem verdade que, quando o show estava no auge, passou ao meu lado um fã de Smith vestindo a camisa do Fluminense e logo me veio a cabeça a ideia de que por melhor que esteja a festa não dá pra relaxar.

Avalanche Tricolor: do Grêmio de Roger ao show de Rod Stewart

 

Palmeiras 3×2 Grêmio
Brasileiro – Pacaembú/SP

 

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As atenções estavam divididas, e não menos intensas, entre dois estádios paulistanos, na noite de sábado. Em um, o Grêmio levaria a campo as forças que lhe restaram até aqui, depois de longa maratona para sustentar-se entre os três primeiros colocados do Campeonato Brasileiro – privilégio de poucos, registre-se. Em outro, Rod Stewart elevaria-se no palco com a energia de quem resistiu a chegada dos 70 anos, mesmo após carreira em que hits e drogas foram produzidos e consumidos quase na mesma proporção.

 

Mesmo que a distância entre o Pacaembu e o Allianz Parque, ambos na zona Oeste de São Paulo, seja curta, seria logisticamente impossível assistir aos dois shows na mesma noite sem abrir mão de parte de um deles. Decidí-me por acompanhar o Grêmio, ouvindo a transmissão da CBN ou vendo alguns lances no APP do Premier, conforme permitisse o sinal da minha operadora de celular.

 

A Rod Stewart, dediquei o restante da noite, em uma cadeira da arquibancada superior da Arena que me dava o privilégio de ouvir mais do que ver. Um telão posicionado em um dos lados do palco oferecia imagens detalhadas do ídolo dos anos 70/80, que me fez perceber que o tempo deixou marcas, mas totalmente superadas pelo talento.

 

Lá no Pacaembu, as marcas do tempo eram claras na formação da equipe sem seis de seus principais jogadores, sendo três deles, Grohe, Geromel e Giuliano, insubstituíveis. Nessa lista de ausência, é sempre bom lembrar, havia ainda Maicon, o titular na frente da área, e Edinho, seu reserva direto. Galhardo também estava fora. Lesões e cartões pesaram neste jogo contra adversário que vem forte na competição e precisava da vitória para se manter vivo nela.

 

Mesmo diante de tantos desfalques, o Grêmio de Roger manteve-se fiel a sua forma de atuar, sem negar-se a jogar futebol de qualidade, mantendo o domínio da bola, apesar da dificuldade para fazê-la chegar ao gol, e marcando no campo ofensivo – foi assim que saiu o gol de empate. Contou ainda com o talento de Luan que fez os dois gols gremistas. Para ter sucesso, porém, o time de Roger necessitava de precisão na defesa, o setor que se mostrou mais fragilizado pelas ausências.

 

No Allianz Parque, Rod Stewart surpreendia com tanta disposição para repetir as músicas que marcaram diferentes etapas da nossa vida – da minha, com certeza. A voz rouca, que se temia ser perdida após cirurgia, estava de volta para embalar “Tonight’s the Night” e “It’s a Heartache”, e emocionar com “Have You Ever Seen the Rain?”, de Creedence Clearwater Revival, “Forever Young”, “Sailing” e “Da Ya Think I’m Sexy”. Havia, também, referências ao futebol com imagens do Celtics (ironicamente verde e branco) e bolas autografadas que o músico chutou para o público. Aliás, para um “senhor”de 70 anos, a força do chute também chamou atenção, apesar de as moças terem se entusiasmado mais com o rebolado.

 

Rod Stewart, no palco, mostra porque é eterno e nos emociona. Roger, no Grêmio, se lhe derem tempo, consolidará um estilo de futebol capaz de provocar muitas emoções ainda.

Whiplash: a música é para os fortes!

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“Whiplash”
Um filme de Damien Chazelle
Gênero: Drama
País: USA

 

Um rapaz de 19 anos busca a perfeição como músico. Um professor, mais insuportável do que inspirador, lhe provoca a ponto de enlouquecê-lo.

 

Por que ver:
O filme, apesar de não ter um final(ódio!), é fantástico. Não espere assistir a algo no estilo “Fame” ou algum musical mamão com açúcar, ok?! Este filme não é para fracos.

 

Como ver:
Está tristinho/a porque você tem um professor que pega no seu pezinho, tá? Então vai assistir e pare de ser coxinha, combinado?

 

Quando não ver:
Se você pretende seguir carreira na música e quer estudar nos EUA… Pode ser um tanto desanimador!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos.

Inezita Barroso , guardiã da música caipira e da cultura do interior do Brasil

 

 

Inezita Barroso morreu neste domingo, dia 8 de março, dias após completar 90 anos. Tímida, apesar de dominar com maestria o palco e o público, e de sorriso fácil, mesmo que insista em dizer que era um professora brava, ela foi uma mulher encantadora. Fui conhecê-la, ao vivo e em cores, nos bastidores da TV Cultura, onde já apresentava Viola Minha Viola, programa que esteve no ar por 35 anos. Mesmo próximo dela, eu mantinha meu silêncio em reverência a cultura e conhecimento que Inezita carregava consigo. Ficava só a espreita ouvindo os causos que contava. E poucas pessoas conheceram tantos quanto ela. Mais do que isso, sabiam contar como ela, com riqueza de detalhes e conhecimento de causa.

 

Fui conversar com Inezita mesmo, além de alguns cumprimentos envergonhados, quando já estava na CBN em entrevistas esporádicas e programas especiais. Um deles, quando no estúdio da CBN, comemoramos juntos os 80 anos de vida de Inezita – época em que lançava CD em homenagem aos 25 anos do programa Viola Minha Viola. Oportunidade em que ela se mostrou muito à vontade contando cada detalhes da sua rica vida artística e cultural. Uma riqueza que começou a ser construída ainda pequenina e em família. Nasceu na Lopes de Oliveira, no bairro da Barra Funda, e conviveu na casa do avô, na Conselheiro Brotero, em São Paulo. Família apaixonada pela cultura e pela música brasileiras que recebia alguns dos maiores intelectuais e artistas da época: Sérgio Buarque de Holanda, Antonio Cândido, Mário de Andrade – gente que ela viu, ouviu, mas conversou pouco pois se dizia envergonhada, humilde. Um contato, porém, que foi suficiente para ela se apaixonar pela leitura, a ponto de formar em bibliotecononia.

 

Foi no interior, em Matão, na fazenda dos parentes, que ela passou a ouvir a Moda de Viola e as músicas religiosas, que a marcaram para sempre. Curiosamente, ela aprendeu a gostar desta música em uma época que se fazia pouco caso do caipira. Mais ainda: em uma época que mulheres tocando este tipo de música não eram aceitas. Mas Inezita sempre foi muito forte para se entregar por tão pouco. Pegou a viola aos seis anos mas foi tocá-la de verdade lá pelos 18/19 anos. Antes de fazer sucesso com a música, esteve no palco do teatro, fez cinema, ganhou prêmios importantes como atriz. O primeiro disco saiu em 1953, quando Inezita foi ao Rio, com Paulo Vanzolini, gravar Marvada Pinga, uma das músicas que marcaram sua carreira. Era só um teste, não se pensava em colocar à venda. Como o disco tinha dois lados, precisava escolher outra música e Vanzolini ofereceu Ronda, que não era caipira, era samba (e samba de paulista). E um lado e o outro do disco fizeram um baita de um sucesso.

 

Inezita se transformou em guardiã da música caipira e da cultura do interior do Brasil, carregou esta bandeira e história por todo o país, preservou-a na televisão, com seu programa na TV Cultura, e na academia, onde foi professora por muitos anos. Rígida professora, pois não admitia aluno copiando texto errado da internet. Obrigava-os a pesquisar e conversar com quem fez a história. E assim aprender e tomar gosto pela cultura brasileira como ela. Inezita é daquelas pessoas para as quais o Brasil terá de, eternamente, fazer reverência. E pelas quais, a gente dá graças à Deus por ter tido oportunidade de conhecer.

 

O programa que realizamos no CBN São Paulo, em 2005, você ouve no arquivo acima.

Mesmo se nada der certo: filme com personagens e destinos improváveis

 


Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA:
“Mesmo Se Nada Der Certo”
Um filme de John Carney.
Gênero: Animação
País:USA

 

 

Uma cantora/compositora se muda para NY pois seu noivo assinou um contrato com uma gravadora e sua carreira está deslanchando. O relacionamento dos dois vai por água abaixo e quando ela está em um bar curtindo a dor de cotovelo seu talento é reconhecido por um produtor musical alcóolatra … E aí é que a história fica divertida. Em meio a uma trilha sonora irresistível, este filme é entretenimento garantido.

 

Por que ver: É um filme que simplesmente não entrega o que estamos esperando ver. A reação dos personagens e seus destinos são improváveis para qualquer ser humano com um pingo de juízo.

 

Como ver: Antes de sair para a balada; para se animar; naquele domingão que você terá que encarar um batizado…Formatura…Apresentação de balé…Vai ajudar com seu mau humor.

 

Quando não ver: não sei responder esta…O filme é muito gostoso.

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Às terças-ferias, escreve no Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de São Paulo: música para o nordestino trabalhador

 

A ouvinte-internauta Janina Zmitrowicz, que também atende por Janina Zmi, fez poesia e transformou em música sua experiência com centenas de nordestinos que vieram para São Paulo construir sua vida e ajudar na construção da nossa cidade.

 

Acompanhe a participação dela no Conte Sua História de São Paulo com o trabalho técnico do Cláudio Antonio:

 

JOSÉ FRANCISCO ANTÔNIO SEVERINO

 

Veio da terra seca
Bonita, sedenta, faminta e querida
E trouxe consigo
Seus pés, suas mãos, sua fé e coragem

 

Construiu essa cidade
Desejo, esperança, vontade e saudade
Prédio, ponte, viaduto
Asfalto, riqueza, grandiosidade

 

Fez o seu barrraco
Primeiro madeira
Depois veio o bloco

 

Amou, filho e filha ele fez
Criou de uma vez
Oito netos já tem

 

Bar, mulher e futebol
Aliviam a sua canseira
Pouco dinheiro no bolso
Mas felicidade é verdadeira

 

Vendeu e comprou seu cantinho
Pagou direitinho cada prestação
É simples, mas é honesto, sincero
E…vixe! Bonitão!

 

Hoje, com a mão calejada
A marca do tempo no rosto estampada
Remédio toma pra pressão
Aposentadoria, chegou ainda não!

 

Antônio, carpinteiro
Severino, encanador
José, civil pedreiro
E Francisco, carregador

 

Severino conserta tudo
José, mestre construtor
Francisco carrega o mundo
Antônio grande produtor

 

…e Deus foi seu professor…

 

Aproveite um pouco mais desta experiência ouvindo a versão completa da música:

 

Conte Sua História de SP: Alex Gurgel, mas pode me chamar de Michael

 

Alex Lima Guimarães Gurgel nasceu em Guadalupe, no Piauí. Passou a infância com os pais, em Mossoró. Rebelde e de convivência difícil, foi tentar a sorte no Rio de Janeiro. Voltou para as casas do pai, mas não ficou por muito tempo. Um dia, resolveu pegar a estrada, a caminho de São Paulo. Alex trabalha em obra, mas sonha mesmo é fazer sucesso com a música. Já cantou embaixo de viaduto com microfone de plástico e hoje arranha um violão. Diz que era bom mesmo, fazendo cover de Michael Jackson:

 

 

Alex Lima Guimarães Gurgel é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento foi gravado pelo Museu da Pessoa. Você também pode registrar suas memórias. Agente entrevista em vídeo pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou mande seu texto para mim, em milton@cbn.com.br.

Quem não ouviu Lupicínio, perdeu a mágica

 

Por Milton Ferretti Jung

Esses moços,pobres moços,
Ah,se soubessem o que eu sei,
Não amavam,
Não passavam aquilo que
Eu já passei…

 

Como de hábito,acordei cedo nesta terça-feira,dia em que já levanto pensando no que escreverei para o blog capitaneado pelo Mílton. Já na primeira edição do Jornal da CBN,fui alertado para um fato que começou a ser comentado desde muito cedo e que de maneira alguma eu não abordaria no texto que o meu filho posta na quinta-feira:neste 16 de setembro,um dos maiores sambistas deste país,o meu patrício Lupicínio Rodrigues estaria fazendo 100 anos. Fiquei muito satisfeito ao ouvir,durante o Jornal,elogiosas referências ao compositor,autor de inúmeras músicas que fizeram grande sucesso em uma época na qual o Lupi teve de concorrer com inúmeros sambistas altamente criativos. Afora o seu vasto repertório de músicas populares,Lupicínio Rodrigues só deixou de lado o samba para assinar o Hino do Grêmio. Reza a sua biografia que Lupe,como era chamado desde pequeno,cultivava três grande paixões:a música,o bar e as mulheres. Será que exagero se acrescentar uma quarta paixão às outras três? Lupicínio não comporia o Hino do Grêmio se não fosse torcedor do Imortal Tricolor. Se ele tivesse criado apenas esta música, eu seria seu fã.

 

Abri o meu texto desta quinta-feira lembrando o início daquele samba que ele chamou de “Esses Moços”,um dos meus preferido dentre o seu vasto repertório. E olhem que é difícil pinçar uma de suas criações no meio de tanta música inspirada. Criei-me em uma época de grandes sambistas e quando virei locutor de rádio,Lupicío Rodrigues,o velho Lupe,já encantava os ouvintes das duas únicas emissoras nas quais trabalhei,fora,é claro,a Voz Alegre das Colina,o serviço de alto-falante que rodava sambas de um compositor que inventou o termo dor-de-cotovelo ou,se fosse sob “a égide” da nova ortografia,sem hífen. Desculpem-me,mas já estou aproveitando ouvir no meu computador, para matar a saudade, os sambas de Lupe. Quem não ouviu Lupicínio,perdeu a mágica.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Pot-pourri de assuntos (a pedido do autor)

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Acostumei-me a escrever às quintas-feiras no blog do Mílton. Ao contrário do que ocorre comumente na vida das pessoas,o espaço que ocupo não passou de pai para filho,mas de filho para pai. O papel do meu rebento – era como a mãe de um atleta da Sogipa,equipe rival do Grêmio nos campeonatos de basquete,costumava chamar o meu filho pensando em provocá-lo – é,neste blog,criar título para as minhas colunas.Hoje,no entanto,vou pedir que ele me dê licença de intitular, nada mais,nada menos,do que um pot-pourri de assuntos. Trata-se de uma experiência.Quando comecei a atuar na radiofonia gaúcha,pot-pourri era uma palavra corriqueira na profissão. De vez em quando anunciávamos que os caros ouvintes acompanhariam uma seleta coletânea de músicas brasileiras ou estrangeiras. Isso agradava a quem estava na escuta porque as “páginas musicais” não eram interrompidas a todo instante por spots ou jingles. Desta vez,agora que os meus compromissos radiofônicos já deixaram de existir,aí vai um rápido pot-pourri de textos:

 

Porto Alegre declara guerras à sujeira

 

O Rio de Janeiro – não sei se São Paulo também – já conseguiu reduzir o lixo em 60 por cento – nas ruas da cidade. Com certeza, pensando,provavelmente,nos turistas que nos visitarão durante a Copa do Mundo,a Prefeitura de Porto Alegre, divulgou na última segunda-feira, o novo Código Municipal de Limpeza Urbana. O jornal Zero Hora postou,em manchete,que “Começa a caça a sujões”. Será? Os argentinos,quando tratam de normas legais,usam esta frase ”Hecha la ley,hecha la trampa”. Se no futebol as autoridades não conseguem reprimir da forma pretendida aqueles que são responsáveis por todos os tipos de desordens,proibindo-os de assistirem a jogos e obrigando-os a se apresentar em delegacias em dias de partidas,imaginem como não parece nada fácil punir os que sujam as ruas. A Prefeitura,o que vejo como boa ideia,pensa em fazer convênio com a Brigada Militar (a Polícia Militar dos gaúchos)para que os seus elementos acompanhem a fiscalização,eis que esses têm condições de tomar medidas oficiais penalizar os infratores.

 

Entendo,particularmente,que são necessárias campanhas na mídia a fim de conscientizar os barbados e,como não,as crianças,porque,desculpem-me pelo adágio comum,é de pequenino que se torce o pepino. A propósito, quero deixar os meus cumprimentos ao DMLU porto-alegrense pela rapidez com que providenciou a retirada de um colchão de casado que algum papeleiro sujão deixou cair de sua carroça na frente da minha casa. É necessário,no entanto,que os vizinhos não fiquem na moita quando se trata de telefonar para o numero 156,do Fala Porto Alegre,sempre que,em frentes às suas casas,existam galhos de árvores e capim impedindo a circulação pelas calçadas.

 

Anseios da juventude

 

David Coimbra,que escreve na Zero Hora texto de quase uma página sob o título de Código de David,intitulou o de domingo,6 de abril,de “Um tempo sem kiwi e sem heróis”. Jamais provei kiwi. Na minha infância – a infância vem antes da juventude – tinha,sim,alguns heróis. Afinal,eu lia – trepado na garagem da casa paterna,junto com o meu amigo Bruno – exemplares do Gibi e do Almanaque Globo-Juvenil, sempre recheados de personagens que me deslumbravam com as suas aventura. Dê-lhe Super-Homem,dê-lhe o Homem Aranha,dê-lhe Fantasma,dê-lhe Capitão Marvel e tantos outros. Enquanto,líamos às escondidas, aproveitávamos para aliviar as peras do vizinho.O David nasceu muito depois de mim. Percebi,ao ler sua página,que ele bem que gostaria de ganhar de Natal um autorama. Este só se tornou realidade para mim quando o Mílton nasceu – a Jacque,pouco mais velha,brincava com as suas bonecas – e eu dividia com ele os carrinhos velozes.Bicicleta,já contei isso,ganhei apenas ao passar em segunda época em matemática. Antes,só pedalava em bicicletas emprestadas (odeio os novos nomes que deram a esse simpático veículo. No meu tempo,a bola da zona tinha um dono.E não era eu. Jogávamos até a mãe dele chamar para a janta. Vejo,hoje,os meus netos brincam em computadores e lidarem com celulares como gente grande. Perdão,nós é que ficamos pequenos perto deles quando se trata desses dispositivos. Ah,eles já possuem coisa mais moderna que simples celulares. Sim,os andróides.

 

E o pot-pourri onde ficou?

 

Descobri que o pot-pourri de textos é bem diferente daquele da minha então incipiente carreira no rádio. Afinal,ele ficou somente nos dois títulos que,sem bancar o pessimista,talvez nem tenham sido lidos. Seja lá como for,meu propósito não é produzir textos do tamanho dos do David Coimbra nem os da mina sobrinha Cláudia Tajes,colunista do Caderno Donna. Ela escreveu na edição desse domingo e falou,meio braba,sobre a porcentagem de pessoas que acham mulher com pouca roupa merecer ataques sexuais. Não sei se a Claudinha ficou menos insatisfeita ao saber que não são 65%,mas 26% os maus-caracteres. Até o Ipea se engana.

 


Milton Ferretti Jung é radialista, jornalista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)