Mundo Corporativo: Tatiana Aloia e a integração entre tecnologia e cultura no mercado aeroespacial

Os bastidores da gravação do Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti

  “Nós temos diferentes culturas ao redor do mundo, mas o ser humano é o mesmo em todos os lugares.”

Tatiana Aloia, Aloia Aerospace

A liderança de uma empresa global exige mais do que estratégias de mercado, requer uma compreensão profunda das nuances culturais e a habilidade de integrar essas diferenças em um ambiente coeso. Essa foi uma das principais reflexões de Tatiana Aloia, cofundadora e CEO da Aloia Aerospace, em sua entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN. À frente de uma empresa que atua no setor de reposição de peças aeronáuticas em diversos países, Tatiana destacou a importância de equilibrar a agilidade nos negócios com o respeito às particularidades de cada cultura, sem perder de vista o que é comum a todos: a natureza humana. “Nós passamos muitas horas da nossa vida, praticamente um terço do nosso tempo, trabalhando. Então, tem que ser prazeroso, tem que trazer alegria e bem-estar para todos”, afirmou. 

O aprendizado no início de carreira

Tatiana Aloia iniciou sua trajetória profissional aos 15 anos, movida pela vontade de trabalhar e aprender. Atuando inicialmente no setor automobilístico, ela se especializou em engenharia mecânica e gestão empresarial, o que a preparou para os desafios futuros. Após anos de experiência e aprendizados, tanto com colegas quanto clientes, surgiu a oportunidade de realizar um sonho antigo: fundar sua própria empresa. Em 2015, junto com seu irmão Tobias, Tatiana criou a Aloia Aerospace, levando sua expertise em gestão e atendimento ao cliente, enquanto Tobias contribuía com sua vasta experiência na aviação. “Unimos nossas forças e experiências para construir uma empresa que tem o cliente como foco desde o início”, relembra.

O foco no cliente como diferencial competitivo

A Aloia Aerospace tem se destacado no mercado global de peças de reposição aeronáuticas, não apenas pela eficiência logística, mas também pelo foco no atendimento ao cliente, de acordo com sua fundadora. Tatiana enfatizou que o cliente deve ser a prioridade em qualquer circunstância. “Muitas vezes o fornecedor pode ter falhado, mas nossa missão é resolver o problema do cliente, sem importar o que aconteceu nos bastidores.” 

Esse compromisso, segundo Tatiana, vem se consolidando como um dos pilares da empresa, que tem operações em diversos continentes e atende clientes de diferentes culturas. Calcula-se que existam 600 empresas que integram esse mercado competitivo. Para ela, respeitar as diferenças culturais e, ao mesmo tempo, manter o foco em elementos universais do relacionamento humano — como respeito e feedback constante — é o segredo para garantir um atendimento de excelência. “Temos que respeitar as culturas, mas em todo lugar, resposta rápida e educação são fundamentais.”

Investimento em IA 

A Aloia Aerospace já está implementando o uso de inteligência artificial (IA) em seus processos para otimizar o atendimento ao cliente e melhorar a eficiência na busca por peças aeronáuticas. Tatiana explicou que a IA está sendo utilizada para rastrear, em tempo real, a disponibilidade de peças em todo o mundo, facilitando o trabalho da equipe e agilizando as entregas. “Nosso objetivo com a IA não é substituir pessoas, mas fornecer ferramentas que aumentem a capacidade de resposta e precisão no atendimento. A tecnologia permite que nossa equipe tenha acesso a informações detalhadas e rápidas, o que faz toda a diferença em um setor onde o tempo é crucial”, ressaltou.

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Mundo Corporativo: Matthias Schupp, CEO da Neodent, fala de cultura organizacional e inovação

Matthias Schupp na gravação do Mundo Corporativo

“A cultura da empresa nunca vai se adaptar a uma pessoa. É a pessoa que precisa se adaptar à cultura.”

Matthias Schupp, Neodent

Nos corredores de uma empresa global, a cultura organizacional não se molda pelas preferências individuais dos funcionários. Pelo contrário, quem ingressa deve se ajustar ao ambiente já estabelecido. Esse é um dos princípios que sustenta o sucesso da Neodent, líder brasileira em soluções odontológicas com presença em 95 países, de acordo com Matthias Schupp, CEO da companhia. Em entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN, ele afirmou que o compromisso com a cultura empresarial é o alicerce que impulsiona a inovação e fortalece a marca.

A cultura, segundo Matthias, prospera quando é constantemente reforçada. “Cada pessoa que se junta à Neodent tem que se adaptar a essa cultura”, disse o executivo. Esse princípio gera, segundo ele, um “processo automático” que assegura a consistência dos valores organizacionais.

Investimento em pesquisa e desenvolvimento

Na fábrica da Neodent, em Curitiba, a área de pesquisa e desenvolvimento desempenha um papel crucial no avanço da odontologia moderna. Matthias, destacou que a empresa lidera o mercado de implantes, e também investe em soluções digitais e personalizadas. “Hoje, oferecemos não só implantes, mas também alinhadores transparentes e outras tecnologias de ponta, todas desenvolvidas no Brasil”, explicou o CEO. Ele ressaltou o orgulho em manter um centro de pesquisa avançado, onde são testadas novas técnicas que depois são replicadas globalmente, em sinergia com o Grupo Straumann. Essa estrutura permite à Neodent exportar tecnologia e conhecimento, consolidando sua presença em 95 países.

Matthias, também destacou o impacto crescente da transformação digital na odontologia. “A transformação digital que estamos vivendo agora é apenas o começo”, afirmou, mencionando inovações como o uso de impressoras 3D para próteses dentárias em tempo real e o uso de robôs em cirurgias odontológicas nos Estados Unidos.

A inclusão como chave para o futuro

Entre os desafios abordados, Matthias, destacou a importância da diversidade na cultura corporativa. “Acredito que somente as empresas que oferecem as mesmas condições para mulheres e homens terão um futuro brilhante”, disse ele, reforçando que a inclusão é um pilar essencial para o crescimento sustentável. Na fábrica da Neodent, 49% dos funcionários são mulheres, o que reflete a realidade da prática da diversidade na empresa, segundo Matthias Schupp.

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Mundo Corporativo: com tecnologia de identidade racial, a Diversidade.io gera oportunidades a afroempreendedores, diz Marcelo Arruda

Marcelo Arruda nos bastidores do Mundo Corporativo. Foto: Letícia Valente

“A gente tem que falar a verdade, que vai ser mais difícil e isso faz parte da resiliência para quebrar padrões, para quebrar muros, mas é possível. E eu tenho certeza que o talento no final vai achar o seu espaço.”

Marcelo Arruda

Imagine um cenário onde 15 milhões de empresas de afroempreendedores representam uma massa de 60 milhões de brasileiros com uma demanda reprimida. Este é o mercado que a Diversidade.io, plataforma criada por Marcelo Arruda, busca explorar e conectar com grandes empresas interessadas em investir na diversidade e inclusão. 

Em entrevista ao Mundo Corporativo, Marcelo falou dos desafios que enfrentou em sua carreira como executivo e de como essas experiências o levaram a encontrar soluções que tornasse o mercado de trabalho mais acessível a diversos públicos.

“Para as pessoas que são de qualquer recorte da diversidade e que hoje às vezes podem se limitar, achando que por pertencer a um recorte, eles não vão ter oportunidades, eles vão sim”, afirmou Marcelo.

Diversidade como oportunidade de negócio

O executivo destacou que as empresas estão percebendo a diversidade não como um ato de caridade ou filantropia, mas como uma oportunidade de negócio. “Investindo em quem tem potencial, as empresas podem crescer suas vendas e suas margens,” explicou ele. Essa perspectiva reforça a importância de criar um ambiente de negócios inclusivo e diversificado, onde todos têm a oportunidade de prosperar.

Para isso, a Diversidade.io utiliza tecnologia avançada para conectar afroempreendedores a grandes empresas, facilitando o processo de inclusão e promovendo a equidade. A plataforma oferece uma solução escalonável que pode ser aplicada tanto em nível nacional quanto internacional, identificando fornecedores pela atividade que exercem e pelo local onde estão.

Tecnologia e reconhecimento racial

Um dos desafios mencionados por Marcelo é garantir que os processos de inclusão sejam justos e efetivos. Para enfrentar essa questão, a Diversidade.io desenvolveu uma ferramenta de machine learning para reconhecimento, que ajuda a validar a identidade racial dos empreendedores. “Nossa ferramenta trabalha com uma base de 70 mil fotos e oferece uma segurança na informação que passamos para quem nos contrata,” explicou Marcelo.

Essa inovação foi apresentada em Nova York e recebeu elogios por sua capacidade de garantir a diversidade real entre os fornecedores. “Estamos preparando um ambiente seguro para que o empreendedor da diversidade possa florescer,” acrescentou ele.

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Mundo Corporativo: Bruna Soares, da Moët Hennessy, fala de estratégias de luxo e liderança feminina

Bruna Soares no estúdio do Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti

“Onde você quer chegar? Que histórias você quer contar? Pelo que você quer que a sua marca seja lembrada?”

Bruna Soares, Moët Hennessy

Construir uma marca memorável requer estratégias específicas e uma conexão emocional profunda, especialmente em um mercado no qual a atenção do consumidor é o recurso mais valioso. Esse foi um dos assuntos da entrevista com Bruna Soares, gerente de marca da Moët Hennessy, no programa Mundo Corporativo. Bruna compartilhou suas experiências e ideias sobre como gerir uma marca de luxo, o papel da liderança feminina e os desafios e oportunidades no setor de bebidas premium.

“A gente ocupa uma posição de as pessoas olharem para as marcas e verem o que elas estão fazendo,” afirmou Bruna. “Nós temos muito esse papel e essa missão de ocupar esse lugar de privilégio para fomentar debates e discussões de temas importantes para a sociedade.”

O desafio de gerir uma marca de luxo

Bruna destacou que o principal ativo do consumidor de luxo é o tempo. “Proporcionar experiências que sejam memoráveis e criem uma conexão verdadeira é essencial,” disse. Ela enfatizou a importância de manter a autenticidade e a elegância, não apenas na aparência, mas também nas atitudes e no relacionamento com clientes e colaboradores.

A Moët Hennessy, com suas marcas icônicas como Moët & Chandon e Veuve Clicquot, busca estar presente nos momentos de celebração dos consumidores. Bruna destacou a relevância crescente do mercado brasileiro para a empresa, especialmente após a pandemia, quando os consumidores passaram a valorizar mais as pequenas celebrações do dia a dia.

“Quando a gente fala de marcas, a gente fala sobre como você se diferencia em um mundo super vasto de outras marcas,” observou Bruna. “É sobre ter um olhar estratégico claro sobre onde você quer chegar e que histórias você quer contar.”

Liderança feminina e fortalecimento

A trajetória de Madame Clicquot, fundadora da Veuve Clicquot, serve como uma grande inspiração para Bruna e muitas outras mulheres na empresa. “Ela foi uma mulher muito à frente do seu tempo, enfrentando inúmeras barreiras,” comentou Bruna. “Estar à frente dessa marca no Brasil é um privilégio e uma responsabilidade para fazer jus a esse legado.”

Bruna também abordou a importância de incentivar o empreendedorismo feminino através de projetos como Bold by Veuve Clicquot, que promove a visibilidade de mulheres empreendedoras. Em 2022, a casa de champanhe conduziu o “Barômetro do Empreendedorismo Feminino”, um estudo com foco nas empresárias brasileiras em que mais de 2 mil mulheres foram entrevistadas: “A principal barreira que aprendemos no estudo é o medo do julgamento e do risco,” explicou Bruna. “Isso já existe por uma questão cultural e é sobre você se desvencilhar dessas amarras e dessas barreiras psicológicas para ousar e correr atrás dos objetivos.”

Ela ressaltou a necessidade de criar redes de apoio e troca entre mulheres para que possam aprender e crescer juntas. “Eu vejo um futuro promissor e positivo para o empreendedorismo feminino, graças às mulheres que abriram caminho superando medos e barreiras.”

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Mundo Corporativo: Carolina Sevciuc, da PepsiCo, destaca a importância das pessoas na transformação digital

Carolina Secviuc entrevistada no estúdio do Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti

“Não existe transformação sem pessoas, porque a gente faz a transformação através de pessoas para pessoas.”

Carolina Sevciuc, PepsiCo

Inovação e transformação digital são temas recorrentes no ambiente corporativo, mas como realmente implementar essas mudanças de forma eficaz? Carolina Sevciuc, diretora sênior de Transformação Digital & Inovação da PepsiCo Brasil, destaca a importância de colocar as pessoas no centro desse processo. Para deixar clara essa visão, na entrevista ao programa Mundo Corporativo, ela brinca com o próprio nome do cargo que ocupa na empresa: “O nome digital está ali só por uma questão de a palavra passar para a gente uma maior agilidade, maior foco, velocidade, mas no fundo, a gente tem as pessoas no centro disso.”

Transformação digital: muito além da tecnologia

Carolina enfatiza que a transformação digital vai muito além da implementação de novas tecnologias. Trata-se de uma mudança cultural que deve ser abraçada por toda a organização. “Já faz um tempo que grandes empresas como a minha entenderam que a gente não faz nada sozinho. E que a gente precisa estar com esse pulso e estar com esse diálogo constante, seja com o consumidor, seja com a universidade, seja com um ecossistema de inovação de startups e scale-ups.”

A diretora chama atenção para a necessidade de se cercar de parceiros competentes e alinhados com os objetivos da empresa: “Não tem uma receita. Eu acho que você juntar pessoas altamente capacitadas que você consiga ter um diálogo, uma conversa que te provoque, e entender a sua situação, a situação da categoria ou da empresa que você está é extremamente importante.”

A inteligência artificial aplicada no negócio

A PepsiCo tem se destacado no campo da inovação e transformação digital através de iniciativas que abrangem desde o aumento da eficiência nas fábricas até o desenvolvimento de novos produtos, explica Carolina. A empresa utiliza inteligência artificial para prever e garantir a qualidade dos produtos em tempo real, como no caso do Cheetos, que é descartado automaticamente se não estiver dentro dos padrões. Além disso, a PepsiCo investe na criação de novos sabores e embalagens, usando seu vasto banco de dados global para acelerar o desenvolvimento e atender às demandas locais. 

De acordo com a diretora, a colaboração com startups e a promoção de uma cultura de inovação aberta são pilares fundamentais para manter a empresa na vanguarda do mercado, garantindo que novas ideias e tecnologias sejam incorporadas de maneira eficaz e sustentável.

“A gente cria fóruns para isso. A gente tem globalmente uma presença muito forte de PepsiCo dentro do ecossistema de startups e scale-ups onde as chamadas são abertas. Você entra no site da PepsiCo, vê o que a PepsiCo está procurando e, como startup ou scale-up, você aplica a sua solução.”

A Importância da diversidade da inovação

Para Carolina, a diversidade desempenha um papel crucial na inovação ao trazer diferentes perspectivas, experiências e habilidades para a mesa. Na PepsiCo, a valorização de um time diverso é vista como essencial para impulsionar a criatividade e resolver problemas de maneira mais eficaz. Ela acredita que a diversidade de opiniões e visões de mundo contribui para um ambiente mais dinâmico e inovador. “Transformação se faz como de pessoas para pessoas com opiniões diferentes convergindo para um objetivo maior e único.” A inclusão de colaboradores de diversas origens culturais, sociais e profissionais permite à PepsiCo identificar oportunidades únicas e desenvolver soluções mais abrangentes e eficazes, fortalecendo a capacidade da empresa de inovar em um mercado global competitivo.

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Mundo Corporativo: Marcus Teles revela estratégias da Livraria Leitura para prosperar em tempos de crise

Nos bastidores do Mundo Corporativo, foto de Pricisla Gubiotti

“A austeridade e a independência financeira são nossas maiores fortalezas.”

Marcus Teles, Livraria Leitura

Com a concorrência acirrada de gigantes do e-commerce e as crises econômicas que desafiaram o mercado nos últimos anos, manter uma rede de livrarias no Brasil parece uma tarefa gigantesca. E é mesmo. No entanto, a Livraria Leitura além de sobreviver, também prosperou nesse cenário desafiador. Este é o tema central da entrevista de Marcus Teles, CEO da Livraria Leitura, no programa Mundo Corporativo.

Marcus Teles compartilhou as estratégias que levaram a Livraria Leitura a se tornar a maior rede de livrarias do país. “Nós crescemos mais nas crises,” afirmou Teles, explicando que a empresa sempre optou por operar com capital próprio e sem dívidas. Essa abordagem permitiu que a Livraria Leitura enfrentasse turbulências econômicas com mais resiliência do que muitos concorrentes.

Concorrência e Adaptação

Uma das grandes lições de Teles é sobre como enfrentar a concorrência de grandes multinacionais. “Aquelas que quiseram brigar no preço e vender mais barato do que uma multinacional foram por um caminho de confronto difícil de vencer,” ressaltou. Ele destacou que a Livraria Leitura sempre priorizou a experiência do cliente e a formação de uma equipe bem treinada, capaz de oferecer recomendações personalizadas e atendimento de alta qualidade.

Para Teles, a chave do sucesso está na capacidade de adaptação e na austeridade. “Se a loja deu prejuízo no segundo ano, muitas vezes chegamos ao dono do imóvel ou ao shopping e negociamos uma redução de aluguel. Se isso não acontece, a loja é fechada,” contou ele, mostrando a firmeza nas decisões que ajudam a manter a saúde financeira da empresa.

O Crescimento da Leitura no Brasil

Teles trouxe uma perspectiva otimista sobre o hábito de leitura no Brasil, especialmente entre os jovens. “Nós esperávamos que, com a digitalização, os jovens fossem menos adeptos ao livro impresso. Na verdade, foi o contrário: eles leem muito hoje,” disse ele. A popularidade de séries e a influência de plataformas como o TikTok têm contribuído para esse crescimento.

Outro ponto destacado foi a importância das livrarias físicas. “A livraria é um contato de convivência,” explicou Teles. Ele acredita que, apesar do crescimento das vendas online, as livrarias oferecem uma experiência única que atrai leitores interessados em novidades e em um ambiente propício à descoberta de novos títulos.

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Mundo Corporativo: se você não se reinventa todo dia, você morre, diz Janyck Daudet, do Club Med

CEO do Club Med em entrevista ao Mundo Corporativo Foto de Priscila Gubiotti

“Hoje em dia, não é mais ‘management top down’. São eles embaixo que mandam. A gente ouve muito eles. Mas a exemplaridade é essencial neste tipo de trabalho”.

Janick Doudet, CEO Club Med na América do Sul

Freundlichkeit,, gentillesse ou kindness. Seja em qual for a língua, gentileza deve fazer parte do vocabulário dos funcionários que atuam nos 26 países em que existem unidades do Club Med. Os integrantes da equipe dos resorts, não por acaso, são chamados G.O — Gentis Organizadores. Para Janyck Daudet, CEO do Club Med para a América do Sul, entrevistado no Mundo Corporativo, da CBN, exercitar a gentileza é essencial para que se ofereça a melhor experiência possível aos clientes.

“(gentileza) é importante e faz parte dos valores do Club. Como todas as empresas, o Club Med tem vários valores: responsabilidade, pioneirismo, etc, etc, etc e gentileza. Porque no final, nosso cliente quer passar férias inesquecíveis”. 

No Brasil, Janyck está à frente das operações de três resorts: em Rio das Pedras (RJ), Trancoso (BA) e Mogi das Cruzes (SP). No ano que vem, será entregue uma quarta unidade, em Gramado, na serra do Rio Grande do Sul. A convivência harmônica e produtiva entre colaboradores de cerca de 25 nacionalidades diferentes é um dos desafios do executivo. Ele enfatiza a importância de criar um ambiente de trabalho que respeite e celebre essa diversidade cultural, criando uma “família” corporativa unida não por laços sanguíneos, mas por valores compartilhados e objetivos comuns.

“A noção de respeito para mim é muito importante. Quando você dirige uma empresa, você tem de respeitar a cultura de cada um e estar sempre ouvindo as pessoas.” 

Inovação constante: a chave para o futuro

Num mundo em constante transformação, onde a inteligência artificial e a globalização redesenham os contornos do mercado de trabalho e do lazer, Janyck traz luz sobre como liderar com sucesso em um setor tão dinâmico como o turismo. Em um trecho impactante de sua fala, este francês de nascença, que está na empresa há 40 anos e no Brasil, desde 1996, sem jamais perder o sotaque de origem alerta:

“Se você não se reinventa todo dia, você vai morrer, porque o mundo já passa muito rapidamente e a inteligência artificial, hoje, faz com que a coisa acelere ainda mais. Então, você tem de se reinventar todos os dias”. 

Essa necessidade de inovação constante é particularmente crítica no turismo, um setor altamente competitivo e afetado por mudanças rápidas em tecnologia e comportamento do consumidor. A pandemia do COVID-19, por exemplo, foi um lembrete brutal da fragilidade do mercado; apenas aqueles prontos para adaptar-se e inovar poderiam esperar sobreviver e prosperar. Para Janick, adaptar-se é mais do que uma estratégia; é uma filosofia de vida que ele instila em sua equipe, garantindo que o Club Med continue a ser um líder no setor de turismo global.

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Na entrevista, Janick Doudet também falou sobre o momento do turismo brasileiro, as barreiras para o crescimento do setor no Brasil, a sustentabilidade nos negócios, os novos projetos da empresa e o seu desenvolvimento na carreira:

Saiba quais os cuidados para investir em ‘franchising’, mesmo com o crescimento supreendente do setor, em 2023

Você já pensou em empreender, mas fica indeciso sobre qual caminho seguir? Talvez seja hora de explorar o mundo das franquias, um segmento que tem se destacado no cenário econômico brasileiro. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), o franchising surpreendeu as expectativas e registrou um crescimento significativo de 13,8% em 2023, atingindo um impressionante faturamento de R$ 240,661 bilhões.

Esse crescimento não é apenas uma estatística, mas sim o reflexo de uma tendência consolidada de mercado. Com mais de 1,7 milhão de empregos diretos gerados e um aumento de 7,1% nesse aspecto, as franquias se destacam como uma fonte sólida de oportunidades de negócios e crescimento profissional.

Dentre os diversos setores que compõem o universo das franquias, alguns se destacaram ainda mais no último ano. Segmentos como Alimentação – Food Service, Saúde, Beleza e Bem-Estar, e Hotelaria e Turismo registraram desempenhos excepcionais, com crescimentos que superaram os 15%. Isso evidencia a diversidade e a adaptabilidade do modelo de franquia a diferentes nichos de mercado.

Por trás desses números impressionantes, há uma série de fatores que impulsionaram esse crescimento. A melhora do cenário macroeconômico, a adoção de práticas mais eficientes e a digitalização dos negócios são apenas algumas das razões que contribuíram para o sucesso do setor, de acordo com os representantes da ABF. Além disso, a capacidade de adaptação das franquias, tanto em relação aos modelos de negócio quanto às demandas dos consumidores, demonstra a resiliência e a versatilidade desse modelo empresarial.

Entenda os desafios do “franchising’

No entanto, é importante destacar que, apesar das oportunidades promissoras, existem desafios a serem enfrentados. Questões como os impactos da pandemia, a pressão de custos e a complexidade do ambiente de negócios no Brasil ainda representam obstáculos para os empreendedores. É essencial estar preparado para enfrentar esses desafios e buscar soluções criativas e inovadoras para superá-los.

Para aqueles que estão considerando ingressar no mundo das franquias, é fundamental tomar precauções e realizar uma análise criteriosa antes de tomar qualquer decisão. Avaliar a marca, o modelo de negócio, o suporte oferecido pelo franqueador e o potencial de mercado são passos essenciais para garantir o sucesso do empreendimento.

Em uma entrevista que fiz no Mundo Corporativo com Sidney Kalaes, líder de um grupo que reúne marcas de franquia, é importante olhar para dentro de si antes de empreender. Não se trata apenas de seguir ordens, mas sim de seguir padrões. As franquias oferecem segurança aos empreendedores, mas é necessário estar preparado para colaborar e seguir os padrões estabelecidos.

É fundamental que os franqueados e os franqueadores trabalhem em parceria, como ressaltou Kalaes. Os franqueados têm ideias valiosas e os franqueadores precisam ter humildade para ouvi-los e aproveitar esse potencial. Essa parceria é essencial para garantir que o negócio alcance todo o seu potencial e proporcione o retorno esperado.

Leia essas dicas e faça um bom negócio

O nosso saudoso colega Carlos Magno Gibrail, em um dos artigos escritos neste blog, usou de sua experiência no setor e traçou dez dicas (e mais uma) para o sucesso da franquia: 

1.Reflexão – Se você já teve negócio próprio e quebrou, ou já ocupou alguma posição de Direção e tem bom nível de cumprimento de regras, tem as condições ideais.

2.Casamento de perfis – Você não tem que fazer o que gosta, mas tem que gostar do que faz.

3. Capacidade financeira – É preciso verificar o valor do investimento, o fluxo de caixa, o retorno, a sua necessidade mensal, para saber se possui o capital próprio. Não financie.

4. O Ponto Comercial – Depois da franquia em si, é o item mais importante do seu negócio. Atente para a localização e a contratação.

5. Concorrência – Analise os concorrentes mas considere que quanto à localização a existência de cluster pode ser positiva. Até mesmo multimarca não é ameaça, mas divulgação da marca, que você como franqueado sempre terá mais opções.

6. Franqueador – Procure saber os números financeiros, mercadológicos e operacionais, mas use o expediente do cliente misterioso.

7. Franqueados – Para conhecer é preciso desconsiderar os franqueados extremos. Os apaixonados e os indignados. Faça o cliente misterioso nas lojas.

8. Circular de Oferta e Contrato – Esqueça parentes, amigos e conhecidos, contrate um advogado especialista.

9. Decisão – A decisão tem que ser racional. Nunca por impulso.

10. Responsabilidade – Foque na sua responsabilidade. Não descumpra e nem extrapole. Ideias novas devem ser levadas ao franqueador. Steve Jobs seria um péssimo franqueado.

10+1 Perda do Ponto Comercial – Uma das causas é a não manifestação no prazo legal estabelecido no Contrato de Locação e/ou não renovação do seguro. Atente para este detalhe simples, mas causador de dissabores fatais.

E você, diante dos números e dos alertas, pensa em investir em franquia ou prefere partir para um negócio próprio?

Mundo Corporativo: a jornada de resiliência e autodescoberta de Leonardo Simão

Nos bastidores do Mundo Corporativo em foto de Priscila Gubiotti

“A gente não precisa controlar nada externo, basta a gente controlar a nossa reação” 

Leonardo Simão, empreendedor

No universo do empreendedorismo, a jornada de Leonardo Simão se destaca s pelo seu sucesso como empreendedor em série, mentor, investidor e autor, e também pela sua profunda compreensão da importância da resiliência mental e do autoconhecimento. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, Simão compartilha ideias valiosas sobre os desafios e estratégias para prosperar em um cenário de negócios altamente competitivo.

O autor do livro “Do zero ao Exit, um manual completo do mundo da criação e captação de recursos para startups” argumenta que o cerne do sucesso empresarial não reside na ideia ou na execução, mas na capacidade do empreendedor de lidar com adversidades.

“O maior fator do sucesso de qualquer empreendedor, de qualquer empresário, não está na execução apenas, não está na ideia, não está no negócio, está na sua resiliência mental, está na sua saúde mental para lidar com todos os desafios”.

A filosofia do estoicismo, que Simão adotou após um período de intensa reflexão e busca pessoal, tornou-se uma pedra angular em sua vida e negócios. Ao abraçar conceitos como a dicotomia do controle e a importância do julgamento individual na percepção de eventos, Simão encontrou um equilíbrio que lhe permitiu enfrentar as incertezas do mundo dos negócios com uma mente mais tranquila e focada.

“Quando a gente entende o mindset positivo, a gente vê que não tem nada bom nem ruim na nossa vida. As coisas simplesmente são. E o que torna elas boas ou ruins é o nosso julgamento. Então, a partir do momento que você começa a controlar o seu julgamento, controlar a forma como você, age, como você reage, tudo muda”.

Simão compartilha sua trajetória de altos e baixos, desde o apogeu com a Bebê Store, uma líder em e-commerce, até momentos de introspecção profunda que o levaram a questionar o verdadeiro significado da felicidade e do sucesso. Esta jornada o inspirou a desenvolver o método “Calma da Mente”, visando ajudar outros empreendedores a encontrar paz e clareza em meio às pressões do ambiente de negócios.

Ao discutir a aplicação prática da filosofia estoica no empreendedorismo, Simão destaca a importância de focar no que se pode controlar e adotar uma mentalidade positiva. Ele enfatiza que, ao mudar nossa reação às circunstâncias, podemos transformar desafios em oportunidades de crescimento e aprendizado.

“Foque sempre em você, nunca foque no que está tá fora de você”.

Além disso, Simão toca em um tema de crescente relevância: o impacto da saúde mental no desempenho e sustentabilidade dos negócios. Ele argumenta que a produtividade e o bem-estar da equipe estão intrinsecamente ligados à saúde mental dos líderes e colaboradores, fazendo um apelo por uma maior atenção a este aspecto essencial do ambiente de trabalho.

Assista à entrevista com Leonardo Simão

A entrevista com Leonardo Simão serve como um lembrete oportuno da complexidade do empreendedorismo e da importância de cultivar uma mente saudável e resiliente. Suas experiências e ideias oferecem valiosas lições para empreendedores que buscam não apenas o sucesso nos negócios, mas também uma vida mais equilibrada e significativa.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo; e está disponível no podcast do Mundo Corporativo. Colaboram com o programa Carlos Grecco, Letícia Valente, Débora Gonçalves, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: como fica o cliente diante da fusão que remodela o mercado da moda brasileira

Foto de cottonbro studio

“A ambição que está por trás (dessa fusão) é garantir no fundo perenidade e geração sustentável de valor do negócio”

Cecília Russo

Em um movimento sem precedentes no mercado da moda brasileira, a fusão entre os grupos Arezzo Co. e Soma promete redefinir o panorama nacional, unindo mais de 30 marcas sob um único “guarda-chuva”. Este evento foi o centro das atenções no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Jornal da CBN. A união destas gigantes não apenas sinaliza um novo capítulo para o setor, mas também levanta questões importantes sobre o futuro do branding, da perenidade dos negócios e, mais crucialmente, do impacto sobre o consumidor.

Cecília Russo destaca a magnitude deste acordo, citando a expectativa de que as receitas brutas da fusão vão ultrapassar ou chegar perto de 12 bilhões de reais: 

“Uma das falas dos líderes, o Alexandre Birmann, diz o seguinte: “nós tivemos diversas marcas e sempre crescemos, com a soma não será diferente”. As possibilidades de crescimento são ainda maiores”

A discussão levantada pelos comentaristas não se limita ao crescimento e às sinergias operacionais esperadas dessa fusão. Ela se aprofunda nas implicações para o consumidor, seja em termos de diversidade de escolha, qualidade dos produtos ou mesmo identidade das marcas envolvidas. 

Jaime Troiano expressou a preocupação pela ausência de falas sobre como ficará o cliente diante desta fusão. E foi buscar nas redes sociais a reação do público que variou desde o otimismo com a capacidade da união em “levar a moda brasileira para o mundo”, até preocupações sobre a perda de identidade das marcas e os possíveis impactos negativos de um mercado menos competitivo: 

“No fundo, fala-se muito de marcas serem ‘consumer centric’, que o consumidor tem de estar no centro dos planos de uma empresa; ou seja, guiadas por ele. Mas na hora de falar de um mega negócio que tem esse valor a partir da relação construída, fala-se muito pouco do consumidor”

Cecília Russo, por sua vez, enfatiza a importância de manter o consumidor no centro dessas transformações, argumentando que “só constrói marca forte quem entende de gente”. O que nos remete a ideia de que há a necessidade de uma abordagem mais humana e centrada no cliente em meio às estratégias corporativas.

A marca do Sua Marca

A essência desse comentário reside na importância de colocar o consumidor no centro das decisões empresariais, especialmente em meio a fusões e aquisições que têm o potencial de alterar drasticamente o mercado. A transparência, a comunicação eficaz e a manutenção da essência de cada marca sob a nova estrutura corporativa são cruciais para mitigar as preocupações e especulações dos consumidores.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo, que trazem análises profundas e debates sobre os mais recentes fatos no mundo do branding e do marketing. A sonorização é do Paschoal Júnior: