Do banco dos tribunais aos do ônibus (II)

 

Por Adamo Bazani

Advogado troca o terno e a gravata pela graxa das garagens de ônibus e se diz realizado, na segunda parte da história sobre o empresário Aroldo de Souza Neto, 32, de Mauá, no ABC Paulista.

Se na época, quando conseguiu comprar o primeiro ônibus, Aroldo pensou que acabara de vencer um grande desafio, não sabia o que o esperava. “Eu sempre gostei de ônibus e meu sonho era esse. Mas na prática, vi que atuar nesse ramo era muito mais difícil”.

Aroldo na garagemA manutenção foi o primeiro susto. Aroldo diz que manter um ônibus é muito caro e trabalhoso. Se num carro de passeio, itens como freio, suspensão, óleo de motor, etc são trocados a cada seis meses ou 15 mil quilômetros, nos ônibus isso deve ser feito praticamente toda a semana. Isso sem contar que os custos destas peças são bem maiores que em veículos convencionais.

“O diferencial, os freios e o preço dos pneus, que chegam a custar cerca de mil reais, quando radiais, me deram um baque, são um absurdo. Mas eu tinha contrariado tudo e a todos por este meu sonho. E por ele, deveria continuar”

Mais uma vez o velho empresário Osvaldo, que agregou o ônibus de Aroldo,  e outro empresário do setor, Carlos Roberto Gritz, dono da locadora GTZ, com o qual trabalhou, passaram outra lição importante: empresa de ônibus tem de ter estrutura de emergência, de manutenção. Existem peças de reposição que não podem faltar numa garagem e até mesmo dentro dos ônibus.

A lição é importante principalmente para pequenos empresários que, normalmente, não tem carros de reserva e compram no varejo, mais caro. Os passageiros, no caso clientes de fretamento, querem chegar ao seu destino, não querem saber de peça de ônibus.

Aroldo lembra de um episódio enfático, que representa bem isso. Em 2006, com seu O 371 R, ex-Firenze, foi fazer um fretamento para um grupo religioso, saindo do ABC para Ibiúna. Chegando lá, um dos pneus traseiro estourou.

“O susto foi grande, o ônibus balançou muito e fez um estrondo enorme”.

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Mais um depósito de ônibus abandonados

 

Depósito de ônibus

Uma antiga área da CMTC na avenida Guido Caloi, na capital paulista, abriga cerca de 600 ônibus em processo de sucateamento. Douglas Nascimento, do site São Paulo Abandonada, diz que é possível identificar trólebus fabricados entre 97 e 98 abandonados na enorme área do Jardim São Luiz, na zona sul. Pesquisando em sites e blogs de busólogos (você acha que só existe o Adamo Bazani) descobri que por lá ficam veículos que eram da companhia municipal ou usados por empresas clandestinas e apreendidos nos anos 90. Há modelos como os O 362, Veneza, Numbus e Condor Urbano. Douglas fez as fotos de alguns dos ônibus que apodrecem a céu aberto. Ao lado há uma garagem de ônibus que estão em operação.

Muro com pichação política e fretado com restrição

 

Uma quarta-feira de tirar o fôlego na Câmara Municipal de São Paulo que se encerrou apenas às dez da noite com a aprovação do projeto de lei que mantém restrições a circulação de ônibus fretados na capital. Durante o dia, porém, temas polêmicos também geraram debate em plenário e nas galerias. Um deles abre exceção à Lei Cidade Limpa para a propaganda eleitoral nos muros da cidade; e outro aumenta o teto salarial do funcionalismo.

Houve, também troca de acusações entre os vereadores Ítalo Cardoso do PT e Floriano Pesaro do PSDB. O plenário estava lotado de manifestantes da Guarda Civil Metropolitana, que pedem gratificação equivalente a paga pela Prefeitura aos policiais militares. A discussão começou quando tucanos e petistas passaram a debater que o governo atendeu mais reivindicações da categoria. Durante o bate-boca, a bancada do PT, que tinha aceitado votar a favor da lei que trata do teto salarial na Prefeitura de São Paulo, ameaçou deixar o plenário. A sessão foi suspensa duas vezes. Ao final, Ítalo Cardoso e Floriano Pesaro pediram desculpas um ao outro. Ninguém se desculpou para o pessoal da GCM.

A repórter Cristina Coghi esteve na Câmara Municipal de São Paulo:

Ouça reportagem sobre projeto que autoriza pichação política em muros da cidade

Ouça a reportagem sobre projeto de lei que restringe os fretados em São Paulo

Informe-se sobre a posição do seu vereador a propósito destes projetos e publique esta informação em blogs, envie para milton@cbn.com.br, ou apenas conte para o amigo mais próximo. O importante é fiscalizar a ação do parlamentar. Conheça a campanha Adote um Vereador.

Vereadores querem liberar fretado na Faria Lima

 

Três reportagens publicas ontem e hoje na Folha de São Paulo dizem muito sobre a restrição de fretados imposta pela prefeitura da capital:

“As medidas implantadas pela prefeitura para amenizar o impacto da circulação de fretados no trânsito da capital não obtiveram o resultado esperado nas regiões onde há pontos de embarque e desembarque de usuários. A reportagem visitou 24 dos 26 bolsões criados e constatou que só três deles têm acostamento para que os veículos não atrapalhem o tráfego”
(17/08/2009)

“A restrição à circulação de ônibus fretados em parte do centro expandido de São Paulo é rejeitada pela maioria dos moradores da cidade. De acordo com pesquisa do instituto Datafolha feita na semana passada, 52% dos paulistanos são contra a medida da gestão Gilberto Kassab (DEM). Outros 27% disseram ser a favor da restrição, 13% se declararam indiferentes e 9% não souberam responder”. (18/08/2009)

“A Câmara vai flexibilizar as restrições aos ônibus fretados impostas pela gestão Gilberto Kassab (DEM). Uma das propostas que devem ser incluídas no acordo para aprovação do projeto na Casa é a liberação do tráfego desses veículos na av. Brigadeiro Faria Lima. A proposta foi encampada pelo PSDB e pelos partidos de oposição -PT e PC do B- que, juntos, chegam a 26 votos. São necessários 28 para aprovar as mudanças.” (18/08/2009)

Você sabe como o seu vereador vai votar e se apresentou alguma proposta em relação a lei que restringe os fretados em regiões de São Paulo ?

Os vereadores de São Paulo e os ônibus fretados

 

Bolsão de Fretados na Cidade Jardim

Saber o que pensa o seu vereador é importante principalmente em relação aos grandes temas da cidade. Ou, aos mais polêmicos. Henrique Boney foi à internet e levantou a opinião dos parlamentares sobre a restrição aos ônibus fretados na capital, tema de projeto de lei aprovado em primeira votação. Ele comparou a opinião dos parlamentares publicada no site Rede Brasil Atual com o voto dos vereadores.

Projetos para serem transformados em lei, além de passarem por comissões temáticas (constituição, finanças, etc), precisam ser aprovados em dois turnos no plenário. É comum os vereadores apoiarem o projeto na primeira votação com o compromisso de que emendas (sugestões) serão apresentadas e discutidas antes da segunda votação.

Chamo atenção ainda para o trabalho do Boney (fonte do post sobre as ciclovias na capital) que usa as mesmas ferramentas que temos em mãos para levantar informação dos vereadores: a internet. Explorar este recurso em favor do cidadão é um dos pontos que norteiam o trabalho do Adote um Vereador.

Acompanhe a pesquisa de Henrique Boney sobre o que pensam alguns dos 55 vereadores da cidade de São Paulo sobre a restrição dos ônibus fretados. Se algum dos vereadores não citados neste levantamento tiver interesse em publicar sua informação, por favor use o espaço reservado aos comentários pois daremos publicidade, em seguida. Se alguma das informações publicadas não estiver de acordo com o que pensam, não se acanhem, também.

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Conte Sua História: Nariz de palhaço

 

Por Tony Marlon
Ouvinte-internauta

Ouça o texto de Tony Marlon sonorizado por Cláudio Antonio para o CBN SP

Quinta-feira. Ônibus Paraíso – Parque do Engenho. Caminho Avenida Paulista. Meu amor.

Depois de noite mal dormida, o primeiro banco vazio era um, antes da catraca. Ali mesmo me sentei. Próximo ao Shopping Eldorado entra uma menina. Eu tenho quase certeza que ela era uma princesa daquelas bem lindas que gostam de se disfarçar pra ver o que anda acontecendo no seu reino.

Entrou, e com o ônibus cheio, ofereci meu lugar. Sua mãe a pegou, e a colocou no trono. No banco. Encostei na porta do outro lado do ônibus, bem longe dela, séria. Muito séria. De repente, um restinho de olhar passou rápido por mim. Pensei: opa. Eu vi direito?

Ela olhou de novo. Tentou disfarçar, mas não deu tempo. No canto da boca um sorriso bem do arteiro. E eu entre jogadas de corpo e desvios de puro reflexo da porta que não parava de abrir, pensei: é agora. Os olhares se intensificaram. Os sorrisos também, praticamente num filme de Chaplin: tudo em silêncio em nossa relação.

De repente, a mãozinha acena para que eu atrevesse o ônibus. Atravesso; pedido dela é uma ordem.

– Qual é o seu nome?
– Tony.
– Ah. Toony?
– Isso. E o seu?
– Maria Eduarda.
– Que lindo nome, Maria Eduarda.
– É. Eu sei.
– Quantos anos você tem?

Neste momento desaparece o som. Quem fala agora é a mão: quatro dedinhos convictamente estendidos.

Me afasto. Volto pro meu lugar. Longe. Sem som. E as brincadeiras continuam. Ela e eu vivemos uma realidade que não é a mesma do restante do ônibus. Nela, eu sou motorista até mesmo sem colocar a mão no volante.

– Tony, deixa eu ver sua mão?
– Claro. Olha.
– Nossa. Sua mão parece de mulher. Olha a sua unha!
– Mas é bonita?
– É. Muito bonita.
– Então melhor assim, né?!
– É. Olha a minha.
– Linda também.
– É. Eu sei.

E tudo para de novo. Cada um pro seu canto. E vamos brincar de Chaplin; num silêncio cheio de coisas mágicas que somente ela e eu entendemos. E ela ri muito.

De repente meu nariz imaginário cai. Procuro desesperado naquele chão sujo do ônibus e não o encontro. A minha cara de preocupação e choro encontra o rostinho da Maria Eduarda, também preocupado. Deve estar pensando ela: como este menino perde o nariz dele assim? No meio do ônibus? Que desastrado.

Passa um senhor de cabelo longo em minha frente e eu, claro, desconfio que ele pode ter achado meu nariz. Procuro até dentro de seus cabelos e nada. Ela, igual a mim, também começa a ficar preocupada. E o rostinho dela fica realmente.

Achei! Achei! Estava ali, perto da lixeira. Como é que eu não vi ? Olho e ela está sorrindo lindamente com cara de aliviada. Comemoro o meu achado. Tanto que meu nariz acaba escapando da minha mão e caindo nas dela. Que menina cuidadosa, segurou firme. E um lindo sorriso de quem acaba de salvar o mundo surge no seu rosto.

Peço que me jogue o nariz. Afinal de contas, é imoral ficar andando por aí sem nariz, não é verdade Wellington? Ela se prepara e joga o nariz.

– (em slow) Nããããão!

Lá se vai meu nariz de novo. Alguém muito distraído esqueceu a janela do ônibus aberta. De dentro do ônibus eu vi meu nariz pingando como bolinha de borracha no chão da Avenida Rebouças.

Olho e ela está com uma carinha de preocupação que mal cabe em seus quatro anos. Deve pensar: o que eu fiz com o nariz do Tony, meu Deus? Serei presa e castigada por isso.

Como eu sou uma alma bondosa, além de muito vergonhosa pra ficar lá nu de nariz imaginário, digo em silêncio que vou resolver. Alguém lá em cima ouve, e o ônibus para em seguida para subida de um passageiro. Dou uma piscada pra ela. E enquanto o passageiro entra no ônibus, eu estico meu corpo pro lado de fora e…e…e…pego meu nariz! Volto eufórico, antes que a porta feche e eu perca também a parte de cima do corpo. Ela sorri aliviada! Um sorriso sincero e lindo!

Ficamos intermináveis horas de segundos comemorando meu ato heróico. E o sorriso da Maria Eduarda mal cabia nela mesma. Até ameaçar uma dança de comemoração ela ameaçou, mas os buracos da Avenida Rebouças mostraram que precisamos repensar sobre cinto de segurança nos ônibus.

E as brincadeiras seguiram, Wellington. Quase todas em silêncio. Próximo à Avenida Paulista, ela se vira totalmente pra mim. Depois olha pra mãe e diz:

– Ele é engraçado, né, Mãe?
– É, né?!
– É. Muito.

E assim, com espírito de quem vai contar o maior segredo do mundo, coloca as mãos em forma de concha. As alinha junto à boca. Assim, deve pensar ela, ninguém ouve o que vou dizer. Respira fundo. Olha pros lados. Olha pra mim. Com voz de sussuro, diz:

– Tony?
– O quê?
– Porque você não vira um palhaço?
– Virar um palhaço? Você acha que ia ser legal?
– Ia. Você é muito engraçado, sabia?
– Hum! Então eu vou virar um, tá?
– Tá.

As mãos se desfizeram do segredo. E o sorriso dela também por alguns instantes. Sua mãe a pegou, e a fez descer do banco. Pela porta dianteira, foram saindo. Maria Eduarda se virou. Me deu tchau. Com um sorriso lindo de quem aprontou uma daquelas.

– Dá tchau pro seu amigo, filha?
– Tchau, Tony.
– Tchau, Maria Eduarda. Foi um prazer te conhecer.
– Imagina. O prazer foi meu.

E foi se sumindo. Sumindo. E a Avenida Paulista, em meio ao caos, fez silêncio nascer. Somente para acompanhar esta história. Somente para acompanhar esta história.


Você pode participar do Conte Sua História de São Paulo enviando texto ou arquivo de áudio para contesuahistoria@cbn.com.br. O programa vai ao ar sábados, às 10 e meia da manhã, no CBN SP.

SPTrans responde sobre “cemitério de ônibus” da CMTC

 

A SPTrans diz que ônibus da extinta CMTC tem sido leiloados e não podem mais rodar, pois tem mais de 10 anos. Foi resposta ao post “Cemitério de ônibus enterra dinheiro público em São Paulo” publicado no Blog e assinado pelo busólogo e repórter Adamo Bazani.

Leia a nota divulgada pela SPTrans:

“Em relação ao comentário feito pelo apresentador Milton Jung sobre terreno na Barra Funda que abriga antigos ônibus da CMTC, a SPtrans informa que esses veículos ficaram retidos por muitos anos devido a pendências judiciais relativas à extinção da CMTC.

Na medida em que são liberados, os ônibus são leiloados. Todos eles têm mais de dez anos de idade e não podem mais operar no transporte público municipal.

A SPTrans realiza os leilões periodicamente. No ano passado foram 6 leilões, neste ano foram 3 e o próximo está programado para setembro. A maior parte dos ônibus é vendida como sucata e vai para desmanches. A SPTrans espera conseguir esvaziar todas as garagens de ônibus antigos até 2012.”

Cemitério de ônibus enterra dinheiro público

Por Adamo Bazani

CEMITÉRIO DE ÔNIBUS NA BARRA FUNDA

Cemitérios de ônibus infelizmente não são novidades. Mas a cada passo que se dá na cidade de São Paulo, cada vez mais terrenos com centenas de ônibus literalmente apodrecendo são encontrados.

Douglas Nascimento do site São Paulo Restaurada achou este terreno na Barra Funda. Lá, são encontrados veículos da extinta CMTC- Companhia Municipal de Transportes Coletivos.

De acordo com os integrantes do site, que lá estiveram em julho passado , são mais de 150 ônibus. Pelo menos 70 se fossem conservados poderiam ainda prestar algum tipo de serviço. Se não nas principais linhas, aproveitados por particulares, em empresas que têm menor itinerário ou como carros reservas.

A CMTC era pública, esses ônibus eram “nossos”, de nossa contribuição. Portanto, o que está apodrecendo lá na Barra Funda é dinheiro público. Se com o fim da Companhia Municipal, por questões burocráticas, os ônibus não pudessem ser utilizados por outras empresas, vendidos, logo após a extinção da CMTC, teriam rendido um bom retorno ao erário. Hoje, tem valor de sucata.

Além de veículos mais antigos, como Caio Amélia e Monoblocos O 364, dos anos 80, há carros do fim dos anos 90, como Caio Vitória, Monobloco O 371 e Caio Alpha, apodrecendo. O que mostra mais uma vez o total descaso de quem foi o responsável por encostar esses ônibus.

A CMTC deixou de existir entre 1994 e 1995, o que significa que ônibus com poucos meses de uso foram parar lá. Mesmo com defeitos mecânicos, eles poderiam ser consertados ou repassados para empresas que tivessem condições de assumi-los.

Renovação de frota é um direito do passageiro e um dever de empresários e poder público. Mas jogar ônibus em condições no lixo, literalmente, é queimar o dinheiro da população.

Para se ter uma idéia, na região do ABC Paulista, é necessária uma renovação da frota, o que vem ocorrendo aos poucos. Mas há veículos da mesma faixa etária destes que estão apodrecendo na Barra Funda que, conservados e com a manutenção em dia, servem muito bem a população e dão “inveja” a muitos outros mais novos.

Empresas como Viação ABC, Metra, São José, São Camilo, Expresso São Bernardo e Tucuruvi, entre outras, operam com carros Vitórias em condições que dão dignidade ao passageiro. Não estão perfeitos, afinal alguns têm mais de 15 anos nas costas (ou na carroceria), mas são símbolos de aproveitamento total, e com qualidade, da vida útil de um ônibus. Para se ter ideia, mesmo com os “Vitorinhas”, os mesmos que estão apodrecendo no terreno flagrado pelo pessoal do “São Paulo Restaurada”, a Viação Tucuruvi, que opera entre São Caetano do Sul, Santo André e São Paulo, foi considerada pela EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos – como a terceira melhor empresa entre as 40 que prestam serviços nas três regiões metropolitanas, no estado de São Paulo.

Isso significa que o dinheiro das passagens, pelo menos está sendo investido na manutenção do carro, até o fim de sua vida útil, e a posterior renovação da frota. Diferentemente do que ocorreu na transição CMTC / SPTrans.

E quando outros cemitérios aparecerem, eles devem ser denunciados.

Adamo Bazani é jornalista da CBN e busólogo

Irregularidades em ônibus de São Paulo

 

Por Adamo Bazani

Levantamento do TCM – Tribunal de Contas do Município de São Paulo – realizado em todo, entre os dias sete e 30 de julho, em quatro terminais da cidade, apontou mais de 10 irregularidades, algumas gravíssimas, no sistema de operação de ônibus na Capital Paulista.

Foram fiscalizadas as rotinas do serviço nos Terminais Santo Amaro, Pirituba, Cachoeirinha e Carrão.
As falhas impressionaram os técnicos do TCM. Além de atrasos e partidas previstas não realizadas, alguns problemas chamaram a atenção:

– Havia ônibus fantasmas: Veículos que não constam na relação da SPTrans e outros que estão nas planilhas mas que nunca foram vistos.
– Ônibus com pneus carecas
– Veículos sem o GPS ligado, o funcionamento do aparelho é obrigatório. Caso desligado, a fiscalização fica impossível por parte da SPTrans.
– Ônibus com licenciamento vencido.
– Motoristas com mais de 20 pontos por infração de trânsito na carteira, o que o impede de dirigir.
– Ônibus relacionados em uma linha para a SPTrans, mas, na prática, operando em outras linhas.

O Tribunal de Contas do Município de São Paulo suspeita ainda que os contratos com a Prefeitura não são cumpridos, principalmente no tocante ao número de ônibus e viagens por linhas e empresas. O órgão pediu ao Poder Público e às empresas mais de 20 documentos para também apurar possíveis sonegação tributária e para certificar-se sobre a propriedade dos ônibus, já que há suspeita da existência de veículos fantasmas.

O processo do TCM já está em andamento e o relatório será concluído até a SPtrans e as empresas darem uma explicação quanto às irregularidades. Os trabalhos do Tribunal começaram depois de denúncias recebidas pelo órgão.

A SPTrans afirma que a fiscalização é intensa e tem total controle sobre o sistema. Em relação às irregularidades, o órgão de gerenciamento público explica que tem feito autuações. Até junho deste ano, segundo a SPTrans, foram feitas 11.296 autuações por não cumprimento de partidas e que recolheu 217 veículos com pneus sem condições de operação. A São Paulo Transportes afirma que já foram instaurados 237 processos, alguns pedindo a exclusão dos operadores.

Para o TCM, as medidas não estão sendo suficientes, já que leigos percebem as irregularidades.
O Tribunal não descarta o aprofundamento das investigações.

Números:

Na capital paulista são realizadas cerca de 6 mil partidas por dia. A frota é de 14 mil 832 ônibus, microônibus e vans. A SPTrans conta com 574 fiscais

Adamo Bazani é jornalista, busólogo e escreve no Blog do Mílton Jung