Dez Por Cento Mais: Thaís Barbizan fala sobre o preço invisível de parecer bem o tempo todo

“Ser normal é ser você.”

Irritabilidade, alterações no sono, dificuldade de concentração, isolamento e a sensação de acordar cansado mesmo depois de descansar podem ser sinais de fadiga emocional. Para a psicóloga e neuropsicóloga Thaís Barbizan, esses sintomas podem aparecer quando os excessos do cotidiano se acumulam sem que a pessoa perceba. A exposição contínua às redes sociais, a busca por validação e a pressão para demonstrar produtividade, felicidade e equilíbrio fazem parte desse processo. O assunto foi tema de entrevista no programa Dez Por Cento Mais, apresentado pela jornalista e psicóloga Abigail Costa.

Thaís define a fadiga emocional como “uma exaustão psíquica que a gente pode ter de acordo com os excessos do dia a dia e que a gente não vai percebendo”. Segundo ela, um dos problemas é justamente a dificuldade de reconhecer que o limite foi ultrapassado. A pessoa continua trabalhando, cuidando da família, respondendo mensagens e cumprindo compromissos. Por fora, a rotina segue funcionando. Por dentro, porém, pode haver um desgaste crescente.

Entre os sinais citados pela psicóloga estão alterações no sono, maior irritabilidade, vontade de se afastar das relações sociais e cansaço persistente. “Existe aquela vontade de descansar, mas você acorda cansada”, afirma.

A necessidade de validação

As redes sociais não são apresentadas por Thaís como responsáveis isoladas pelo problema. Ela reconhece seu papel na comunicação, no trabalho e na circulação de informação. A questão está na forma e na intensidade com que são incorporadas ao cotidiano.

A psicóloga chama a atenção especialmente para a diferença entre compartilhar momentos da vida e depender da reação dos outros para avaliar a própria vida. “Quando você vive tendo o tempo todo que ser validado pelo outro, por uma curtida, por um encaminhamento, por quantas pessoas que te seguem, quem tem mais seguidores”, diz.

Essa lógica pode ser mais intensa para quem depende profissionalmente da exposição digital. Produzir vídeos, acompanhar o engajamento e permanecer disponível transforma o celular em instrumento de trabalho, mas também dificulta estabelecer uma fronteira entre vida profissional e pessoal. Para Thaís, essa fronteira merece atenção: “Até que ponto é o tempo que a pessoa só vai usar para ela e para o trabalho, onde fica o público e o privado?”

A psicóloga também chama a atenção para a comparação permanente. Nas redes, as pessoas normalmente encontram recortes da vida dos outros. Um vídeo de poucos minutos ou uma fotografia não revelam o conjunto da experiência de quem aparece na tela.

A comparação entre a vida cotidiana e essas imagens editadas pode afetar a autoestima. “Há um rebaixamento dessa autoestima, sim. Há tendência à depressão, há tendência a transtornos de ansiedade, a necessidade o tempo todo de pertencimento, de sentimento de inadequação, de vazio”, afirma.

O piloto automático e a anestesia emocional

Outro ponto abordado por Thaís é a dificuldade de perceber o próprio estado emocional. Quando trabalho, mensagens, compromissos e estímulos digitais se sucedem sem interrupção, a pessoa pode entrar no que ela descreve como “piloto automático”. Nesse processo, até distinguir bem-estar de mal-estar pode se tornar mais difícil.

“A partir do momento que você vive nesse piloto automático, você não sabe mais diferenciar o que é estar bem ou o que é não estar bem.”

Thaís relaciona essa situação a uma espécie de anestesia emocional. A pessoa cumpre suas obrigações, participa de atividades e mantém a rotina, mas pode não conseguir identificar claramente prazer, tristeza, cansaço ou insatisfação.

O problema, segundo ela, se agrava quando qualquer sensação de vazio precisa ser imediatamente preenchida. “Esse vazio que precisa existir, mas que não é olhado, porque precisa ser preenchido com estímulos, com vídeos, com engajamento, com curtidas e com validações.”

Reconhecer e nomear o que se sente passa, portanto, a ser parte importante do cuidado emocional. “Tudo que a gente dá nome, a gente consegue ajudar, a gente consegue se ajudar. O nomear é muito importante”, diz.

Descansar exige aprendizado

A pressão por produtividade pode alcançar até os momentos destinados ao descanso. Fazer nada passa a produzir culpa porque existe a sensação de que todo período disponível deveria ser preenchido por alguma atividade.

Thaís propõe questionar essa lógica. “O nada é uma arte”, afirma. Esse “nada” não significa necessariamente permanecer imóvel. Pode envolver ouvir música, ler ou simplesmente passar algum tempo sem a obrigação de produzir um resultado. A questão central é permitir que nem todas as atividades sejam avaliadas por produtividade, exposição ou aprovação externa.

A psicóloga também sugere observar a frequência com que aparece a expressão “ter que” na rotina: ter que responder, ter que produzir, ter que publicar, ter que demonstrar alguma coisa. “Sempre quando a gente tem que algo, a gente acaba saindo do ser”, diz.

A hora de prestar atenção

Não existe uma quantidade única de minutos ou horas nas redes sociais que determine quando o uso se tornou prejudicial. Thaís sugere olhar para as consequências. É preciso observar quanto tempo se passa nas redes, que tipo de conteúdo é consumido e, principalmente, o efeito desse uso sobre a vida cotidiana.

Problemas de sono, ansiedade, irritabilidade, perda de concentração, isolamento e prejuízos nos relacionamentos aparecem entre os sinais mencionados. A necessidade de curtidas e engajamento para se sentir bem também merece atenção.

“Até que ponto isso tá tomando a sua vida, o seu sono, as suas relações?”, questiona.

Na experiência clínica relatada por Thaís, muitas pessoas não procuram ajuda porque perceberam que estão usando demais as redes sociais. Elas chegam pelas consequências: estão mais irritadas, não conseguem conversar com a família, sentem necessidade de se isolar ou têm dificuldade para se desligar do celular.

Quando a exaustão e o sofrimento começam a interferir na vida profissional, familiar ou afetiva, a psicóloga recomenda buscar uma rede de apoio e ajuda especializada.

Ao fim da conversa, Thaís resume sua orientação pela busca de equilíbrio e pela preservação da própria identidade diante das pressões externas.

“Tá tudo bem você querer estar virtualmente, tá tudo bem você querer estar presencialmente, tá tudo bem não ter nenhuma rede social. Isso não é ser normal. Ser normal é ser você.”

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: por que cliques não bastam para construir uma marca forte

redes sociais
Foto de Tracy Le Blanc on Pexels.com

Estar entre os primeiros resultados de uma busca ou reunir milhares de curtidas pode gerar vendas, mas não garante que uma marca tenha conquistado um lugar na preferência do consumidor. O alerta em relação a obsessão pelaperformance nas plataformas digitais foi tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

O ponto de partida da conversa foi uma pergunta típica dos tempos atuais: o que acontece quando empresas passam a perseguir apenas indicadores de desempenho e deixam em segundo plano a construção de valor da marca? 

Para Jaime Troiano, esse comportamento revela uma distorção provocada pela busca incessante por resultados imediatos. “Vivemos a tirania da performance”, afirmou. Segundo ele, muitas organizações concentram seus investimentos em campanhas que geram vendas rápidas, mas deixam de fortalecer a imagem que sustentará o negócio no futuro.

Jaime observa que esse foco excessivo nos números faz com que profissionais percam a visão do conjunto. A comparação usada por ele ajuda a entender o problema: é como enxergar apenas a árvore e deixar de perceber a floresta. Nesse contexto, o marketing passa a perseguir métricas diárias, enquanto a marca deixa de construir vínculos duradouros com o público.

Para ilustrar essa ideia, ele citou o caso do Airbnb. A empresa reduziu investimentos em anúncios voltados exclusivamente para performance e voltou a apostar em campanhas de marca, baseadas em histórias e experiências. O resultado foi o aumento do tráfego direto e o fortalecimento da marca. 

Na avaliação de Jaime, depender apenas de plataformas de busca significa pagar continuamente pela atenção do público. “Se você só aparece quando paga para o Google ou hoje em dia também para IA generativa, você não tem uma marca propriamente, você tem um custo de aluguel de audiência.”

Outro ponto destacado foi a diferença entre comportamento e percepção. Os dados mostram o que as pessoas fizeram, mas não revelam, necessariamente, o que elas sentiram. Essa dimensão emocional explica por que curtidas e cliques não asseguram fidelidade. Um consumidor atraído apenas por uma promoção pode mudar de escolha assim que encontrar um desconto maior.

Cecília Russo ressaltou que isso não significa abandonar a tecnologia nem desprezar as informações produzidas pelos dados. Para ela, o desafio está em compreender o papel de cada elemento na estratégia. “O dado vai dar esse mapa, mas talvez a gente possa traduzir que a marca, numa linguagem metafórica, é a bússola.”

Essa distinção ajuda a entender um conceito importante do branding: o brand equity, expressão utilizada para definir o valor que uma marca ocupa na mente do consumidor. Em outras palavras, é a reputação construída ao longo do tempo, capaz de influenciar escolhas mesmo quando não há propaganda ou promoção diante do cliente.

Cecília lembrou que marcas como Natura, Granado e Boticário não dependem apenas dos algoritmos para vender. Elas acumulam uma reserva de reputação construída de forma consistente. O consumidor procura essas marcas porque já estabeleceu uma relação de confiança com elas.

Ela também chamou atenção para a diferença entre despertar um clique e despertar desejo. Quando uma empresa depende exclusivamente de impulsionamento para ser lembrada, torna-se refém desse investimento permanente. Em contrapartida, quando o consumidor digita espontaneamente o nome da marca na barra de busca, e não apenas o nome de um produto, existe um patrimônio construído que vai além da publicidade.

O resumo da conversa no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso veio na frase da Cecília: “os dados mostram o caminho, mas a gente tem que ir atrás do coração, da emoção”. Afinal, são as conexões emocionais que transformam uma compra ocasional em uma escolha recorrente.

A marca do Sua Marca

Os dados orientam decisões importantes, mas não substituem a construção de confiança, reputação e identificação com o consumidor. Performance gera resultados imediatos. Marca forte cria preferência duradoura e continua sendo escolhida mesmo quando o algoritmo aponta outras opções.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Dez Por Cento Mais: a importância da comunicação e da saúde mental na sexualidade masculina

Foto de Nathan Cowley

A sexualidade masculina, frequentemente associada a ideias de virilidade e constante disposição, esconde desafios significativos, principalmente relacionados à comunicação e saúde mental. A psiquiatra Ana Patrícia Brasil,, em entrevista ao programa “Dez Por Cento Mais” no YouTube, discutiu essas questões, revelando que muitos homens enfrentam dificuldades em expressar suas preocupações sexuais, mesmo em um contexto clínico.

Segundo a Dra. Brasil, os homens muitas vezes se sentem mais à vontade para discutir questões íntimas com uma profissional feminina, possivelmente devido à ausência de julgamento percebida e à facilidade em compartilhar tais assuntos com uma mulher. Ela ressaltou que a dificuldade em abordar esses temas está muitas vezes enraizada em estereótipos culturais de masculinidade, onde admitir vulnerabilidades sexuais pode ser visto como um sinal de fraqueza.

Comunicação aberta reduz problemas sexuais

A especialista enfatizou a importância da comunicação aberta e franca, tanto com profissionais de saúde quanto com parceiros(as), como meio de enfrentar e resolver problemas sexuais. Ela observou que o tabu em torno da sexualidade masculina e a pressão para se conformar a certos padrões muitas vezes mascaram problemas subjacentes, como ansiedade, estresse e baixa autoestima, que podem levar a disfunções sexuais.

Além disso, Dra. Brasil destacou o impacto da saúde mental na sexualidade. Problemas psicológicos, como depressão e ansiedade, podem influenciar significativamente o desejo e o desempenho sexual. A terapia e, em alguns casos, medicação, podem ser necessárias para abordar esses problemas subjacentes.

Cuidado com pornografia em excesso

A entrevista também abordou o uso problemático de pornografia e a forma como isso pode afetar a sexualidade, especialmente entre os jovens. A Dra. Brasil alertou sobre as consequências negativas do consumo excessivo de pornografia, incluindo a formação de padrões de excitação irrealistas e problemas na interação sexual real.

Dica Dez Por Cento Mais 

Comunicar-se sobre o que aflige, o que se espera do outro, ou até sobre dúvidas e inseguranças, pode não só fortalecer a relação, mas também aumentar a compreensão mútua e a intimidade, disse Dra Brasil na Dica Dez Por Cento Mais: 

“Não é uma fórmula complicada, e funciona na maioria dos casos de pessoas que estão em um relacionamento: conversar abertamente sobre o que te aflige, sobre o que você espera no outro. Isso já ajuda a sanar grande parte do problema que são todos esses pensamentos, dessa bagagem que a pessoa leva antes da relação. Se essa bagagem você abre, esse peso diminui, e as chances de você ter uma performance melhor, uma satisfação maior aumentam muito”.

Assista ao Dez Por Cento Mais

Toda quarta-feira, às oito da noite, você tem um novo episódio do Dez Por Cento Mais, no YouTube. Ao assistir ao vivo, você pode fazer perguntas aos entrevistados do programa:

Mundo Corporativo: esqueça a ideia que você é multitarefa e melhore o sua perfomance no trabalho

 

 

Quando as pessoas trazem mais foco para as atividades do dia-a-dia, conseguem aumentar sua performance. “Hoje as pessoas se autointitulam multitarefas. Dizem: ‘sou capaz de fazer quinze coisas ao mesmo tempo’. Mas não. Somos capazes de parar e começar coisas diferentes muito rápido, mas o ser humano não faz duas coisas ao mesmo tempo”. O alerta é do consultor de empresas e professor da FGV Luciano Salamacha, que falou sobre algumas mudanças de comportamento que podem aumentar o seu desempenho no trabalho.

 

Em entrevista ao jornalista Roberto Nonato, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Salamacha contou sobre o método stakehand, que aplica a neurociência como matriz para o aperfeiçoamento da carreira e negócios.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e domingo, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Causin, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: jeitinho brasileiro prejudica planejamento e performance, diz George Eich

 

 

“Eu digo que o jeitinho brasileiro é o nosso principal concorrente porque ele é que faz com que você não pense aonde você quer chegar e nem como vai chegar lá; você simplesmente sai correndo, sai caminhando, numa direção qualquer”. A constatação é de George Eich, sócio da CoBlue, que tem se dedicado a implantar a cultura do planejamento em empresas brasileiras desde que trouxe para o país metodologia que já havia sido implantada em organizações do setor de tecnologia como o Google e o Twitter. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo da rádio CBN, Eich explicou como funciona o OKR – Objectives and Key Results, que tem como meta melhorar o desempenho de projetos e empresas.

 

O Mundo Corporativo é apresentado às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar, aos sábado, no Jornal da CBN, ou domingo, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o Mundo Corporativo Juliana Causin, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: gestão baseada nas pessoas

 

“São as pessoas que geram resultados, nós temos números, mas quem faz os números são as pessoas, então, nós temos que ter as pessoas próximas, pessoas comuns tem de estar próximas dos líderes, e estes lideres trabalhando com essas pessoas levam ao resultado, desde que sigam uma certa trajetória”. A afirmação é do médico Joamel Bruno de Mello entrevistado pelo programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ao lado da especialista em Recursos Humanos Marlene Ortega, ele escreveu o livro “Práticas da Gestão Empresarial de Alta Performance Baseada em Pessoas”, no qual apresentam parte da experiência desenvolvida no gerenciamento de empresa do segmento de saúde.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, às quartas-feiras, no site da CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo twitter @jornaldacbn. Aos sábados, o programa é reproduzido no Jornal da CBN.