Conte Sua História de São Paulo: a primeira pizzaria da cidade

 

Por Elmira Pasquini

 

 

Nasci no Paraíso, em Janeiro  de 1927. Com  10 meses, meus pais mudaram para Itaquera, subúrbio da cidade de São Paulo, a apenas 45 minutos de trem. Naquele tempo, um lugar lindo e gostoso  de se viver.   As ruas eram de terra, não havia luz elétrica nem água encanada. Nossa água de poço era uma delícia, pura, leve e sempre geladinha, muito bem cuidada por papai que era caprichoso em tudo que fazia.  Nossa chácara era à esquerda  da ladeira que saía da estação do trem e terminava no alto onde havia uma igreja católica. Ficava no centro da segunda grande quadra,  sem vizinhos em volta, Tinha um belo jardim, uma gostosa casa, quintal todo cultivado, com horta, pomar e um grande galinheiro, onde até peru tínhamos. Havia muitas chácaras  espalhadas  e uma grande colônia de japoneses, que cultivavam e ainda cultivam flores.

 

Para irmos a cidade dependíamos da Maria Fumaça que descia a ladeira chegando de São Paulo, apitando lá em cima do morro: PIiiiiiiiiiiiiiiiiiiii  … anunciando que estava  pronta com seus vagões para deixar ou pegar passageiros na estação. Quando subia a pequena mas íngreme ladeira puxando o comboio, ia gemendo: “muito peso, pouca força, muito peso pouca força”… e mais lenha na caldeira era colocada.

 

Quando crianças, nossas idas à cidade eram raras, porém anualmente,  uma delas sempre foi marcante. Era na semana entre Natal e Ano Novo. Era um passeio muito aguardado. Papai trabalhava no jornal ” As Folhas” onde, após 36 anos, se aposentou. Quando o bonde que nos trazia da estação do Norte chegava no ponto final, papai já nos aguardava ao lado do relógio da Praça da Sé. Meus dois irmãos e eu vestidos para a ocasião especial, felizes ao lado de mamãe, o procuramos. Ele sempre estava lá, sempre elegante, feliz e sorridente. Por toda nossa vida, isso sempre nos deu muita segurança.
Toda essa expectativa era para, em família, saborearmos uma bela pizza na famosa Cantina do Papai, que era a primeira e única pizzaria de São Paulo na época. Nos acomodávamos, observando tudo ao nosso redor. Pessoas chegavam, saiam e o ambiente era sempre agradável.  Pizza só havia de mussarela,  com ou sem aliche. Estas eram um pouco maiores do que as grandes pizzas de hoje. Papai sempre pedia meio a meio. Era tão saborosa… Para beber, só havia Guaraná e Soda Limonada.

 

Era tão bom ver a família reunida, alegre e feliz. Saboreávamos sem pressa, pois sabíamos que papai voltaria no trem para casa conosco. A festa era completa por tê-lo conosco. Aliás, ele e  mamãe eram lindos e seus rostos transmitiam muita paz.

Avalanche Tricolor: um empate sem sabor nem definição

 

Passo Fundo 1 x 1 Grêmio
Gaúcho – Vermelhão da Serra (Passo Fundo)

 

Adriano tenta desarmar o adversário (Foto: Gremio.net)

 

Meia muzzarella, meia calabresa. De pizza mais pedida nos restaurantes paulistas, o prato passou a representar, também, fatos que não são bem definidos, coisas que acontecem e não vão mudar muito a vida de ninguém. Mais ou menos como a partida desta tarde, no lotado estádio de Passo Fundo, interior gaúcho.

 

O Grêmio não ia à cidade há 13 anos e levou para lá um time indefinido, com poucos titulares de fato, alguns reservas de luxo e jogadores que jamais deixarão saudades – havia, inclusive, os que integravam mais de uma dessas categorias. Pela quantidade de torcedores que aceitou assistir ao jogo nas condições precárias do estádio Vermelhão da Serra bem que os times, em especial o Grêmio, poderiam ter oferecido em campo um pouco mais do que vimos.

 

O desempenho gremista se explica, talvez, pelo próprio comportamento de seu treinador que fez modificações no atacado e sem muita lógica, no segundo tempo, quando a vitória ainda não estava garantida. Pagou caro ao ceder dois pontos e a liderança do grupo. Já havia me incomodado na entrevista antes de a partida se iniciar quando deu respostas desaforadas em uma demonstração de que está desconfortável com as cobranças que têm sido feitas. Negou que ao criticar a falta de empenho dos jogadores na partida anterior pelo Campeonato Gaúcho estava querendo “tirar o dele da reta” – perdão se uso esta expressão pouco recomendada em público, mas foi o que disse Luxemburgo. Diz que apenas estava sendo sincero. Não entendeu até agora – e pelo seu histórico jamais vai entender – que um time apenas existe quando há espírito de grupo, quando todos estão comprometidos com a mesma causa. Atirar nas costas dos comandados a responsabilidade pelos erros não me parece ser a atitude mais apropriada, em especial no momento em que ele fazia mudanças táticas no time, obrigando os jogadores a se acostumar ao novo esquema. Não entro aqui na discussão se as tentativas são válidas ou não, mas o treinador tem de ter a percepção de que a vitória e a derrota devem ser assumidas por todos, independentemente de quem for a responsabilidade. Esta história de que eu venço e eles perdem costuma não dar bons resultados. O grupo percebe.

 

Nossos próximos desafios não nos dão o direito a erros e indefinições. E o pior que pode acontecer é depois de todo o investimento feito até aqui a temporada terminar em pizza. E sem muzzarella nem calabresa.

Ótimas pizzas fora do eixo Jardins-Itaim

Por Ailin Aleixo 

No Epoca Sp na CBN 

Attrio

Bem perto do Largo Nossa Senhora do Bom Parto, onde se concentram alguns dos bares bacanas do Tatuapé, a pizzaria faz um gênero despojado, gostoso para bebericar um chope bem tirado ou tomar vinho (há bons exemplares na carta como o chileno Gran Reserva Tarapacá Cabernet Sauvignon). Tanto que já começa a ferver na happy hour, em ambiente super agradável, com mesa sob o teto retrátil. Nessa hora, faz sucesso os pães recheados (de queijo e de lingüiça) e os crostines. As pizzas seguem o padrão da massa fina, com borda crocante e coberturas saborosas, com uma pegada mais básica como a de pepperoni, de atum e de rúcula. Um das boas é napoli in calabria, combinação de calabresa com ricota e molho de tomate fresco.

R. Serra de Japi, 1275 – Tatuapé – São Paulo – SP  2673-2477

Gioia forneria

Um dos segredos para garantir a leveza e a textura crocante da pizza é o fermento. O pizzaiolo segura a mão, usa pouca quantidade e deixa a massa descansar de um dia para o outro. Outro truque? Uma pitada de açúcar, e a pizza ganha cor bronzeada. Essa é a receita do pizzaiolo Sinval Souza Ferreira, que comanda os dois fornos da bonita casa com pé-direito alto e salão iluminado por lanternas de papel de arroz. Para começar, há pão de calabresa. Mas quem faz mais sucesso é o petit-rolê, massa de pizza bem fininha, recheada com os ingredientes à escolha do freguês, enrolada feito rocambole. As coberturas mais pedidas são a paulistana gourmet (mussarela de búfala, presunto cru, coração de alcachofra e azeitonas pretas) e a napolitana vera (tomate cereja e mussarela de búfala salpicada com manjericão). Sabores tradicionais como mussarela e calabresa também são bons, assim como a de abobrinha com mussarela e queijo brie.

R. Viera de Moraes, 1008 – Campo Belo – São Paulo – SP 5531-5199

Pompéia pizza bar

Super descontraído, do tipo de bar que dá para ir de bermuda e chinelo. É nas noites de campeonato de futebol que a coisa pega de verdade: como a casa mantém um telão instalado, o salão interno fica tomado por torcedores. Nesses dias, a melhor opção para quem não está lá muito interessado no jogo são as mesinhas na calçada (cobertas). O barman faz tudo direitinho: dos drinks (que não fogem muito das tradicionais caipirinhas) ao chope, muito bem tirado e geladíssimo. A pizza parece de padaria – no melhor sentido desse conceito: massa fininha e crocante, molho bem temperado, tudo simples e certeiro. Uma das mais criativas do cardápio é a de abobrinha com polenguinho (ele mesmo, o queijo) gratinado. Parece comida da infância.

Av. Pompéia, 928 – Perdizes – São Paulo – SP

3675-9393