Podcast: comunicação como fator de liderança

 

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No BaruCast, podcast da especialista em comunicação corporativa Erika Barusco, tive oportunidade de falar sobre a importância da comunicação como fator de liderança, baseado no que escrevi no livro “Comunicar para liderar”, ao lado da amiga e fonoaudióloga Leny Kyrillos:

 

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Mílton, para ir direto ao assunto, comunicar é um fator decisivo para liderar?

 

De todas as competências necessárias para liderar uma empresa, um grupo de trabalho ou a sua própria carreira, considero a comunicação a mais importante, porque sem esta corre-se o risco de as demais não se expressarem em todo o seu potencial. Sabe-se que ter equilíbrio e flexibilidade, por exemplo, são fundamentais para quem assume posto de comando — especialmente diante do cenário crítico que estamos vivendo hoje. Agilidade e empatia colaboram, sem dúvida. No entanto, estarão restritas em suas dimensões se o líder não souber como se expressar. Apenas para ilustrar o que digo: como querer que a minha equipe atue com a velocidade de adaptação que o momento atual nos exige, se eu não estiver capacitando a transmitir ao meu time nossas possibilidades, de maneira simples, direta e objetiva — o que defendo há bastante tempo ser o mantra da boa comunicação? Ser simples, direto e objetivo me ajudará a guiar a equipe ou a demonstrar para o meu time até onde podemos chegar.

 

E o que envolve exatamente as competências de uma comunicação de liderança?

 

Consciência do desafio que enfrenta; conhecimento sobre o tema que vai tratar; compreensão sobre seus próprios limites — humildade para saber que eles existem; é preciso ainda exercitar a escuta, abrindo não apenas seu ouvido mas a sua mente para absorver o pensamento do outro e identificar suas necessidades ou restrições; somente assim será possível encontrar pontos em comuns que façam da comunicação uma ponte de aproximação de interesses e desejos. O líder comunicador sabe criar vínculos para fortalecer uma relação.

 

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O bate-papo completo você ouve, no Barucast, clicando aqui

 

 

Podcast: de sutilezas

 

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A conversa foi pré-Pandemia. E foi generosa. Recebi Paula Caubianco sem ter ideia até onde iria o nosso papo. Que assunto a interessava. E o que dizer sobre esses assuntos. O resultado está no MOMENTOCAST, que foi assim apresentado pela Paula a quem tive o prazer de conhecer:

Só de lembrar o dia que gravei esse episódio eu já fico emocionada… agitada. Eu fui muito ousada! Era manhã do dia foi 20 de fevereiro de 2020, quando eu saí da Mooca ( bairro na zona leste – onde eu moro) seguindo em direção à Marginal Pinheiros: eu tinha um grande encontro!… já era costume ouvir a rádio CBN no carro … mas aquele dia guardava um motivo especial. Eu fui ouvindo o Milton Jung, a Cássia Godoy e até o Dan Stubach noticiarem, com grande pesar, a morte ocorrida no dia anterior, do genial José Mojica Marins, conhecido como Zé do Caixão… o pai do terror brasileiro. Ele partiu aos 83 anos de idade… que perda irreparável…

 

Eu estava super ansiosa, mas ouvir as homenagens contando a trajetória e o estilo próprio do Zé do Caixão… foi me trazendo um alento… a sua irreverência me deu um ânimo extra: de certa forma, ele me dizia… Paula é preciso ter coragem para se conquistar o que se quer… vá e faça. Depois de 50 minutos lá estava eu… no saguão daquele edifício moderno… pegando minha credencial para subir até o andar da CBN… eu tinha uma hora marcada com o Milton Jung – e ele já me aguardava.

 

A maior satisfação que tenho em conceber e produzir o MOMENTOCAST é poder conversar sobre sutilezas com pessoas que admiro, respeito, e que sinto, que de alguma forma estão dispostas a compartilhar algum conteúdo de valor.

 

Convidei o Milton com minha cara e coragem, e recebi um saudoso sim! Nesse dia, minha palavra era ousadia. E a do Milton, sem dúvida alguma, generosidade! Espero que você goste desse episódio, nele eu compartilho com você o que ouvi e aprendi com esse grande ser humano que é o Milton Jung… e você, qual é a tua palavra?

 

Me conta sua experiência com o momentocast enviando um audio pelo link disponível no descritivo desse episódio. Assine o momentocast gratuitamente pelo seu spotify, deezer, apple podcasts, google podcasts e nos principais agregadores de áudio. Ou se preferir acesse anchor.fm/momentocast. Depois compartilhe esse episódio com seus amigos e familiAres, quanto mais gente escutar… melhor.

 

Interaja com o MOMENTOCAST nas redes sociais utilizando a hashtag #momentocasters e vamos acompanhar que palavras andam te definindo nesses tempos. Quando eu agradeci o MIlton por toda a generosidade em aceitar meu convite e me receber mesmo sem me conhecer… ele me disse: eu sei exatamente o que é estar no seu lugar… não se preocupe, só faça sempre um bom trabalho. E assim… eu venho seguindo… Obrigada por seu tempo, e até.


Ouça outros episódios e coloque o MOMENTOCAST entre os seus favoritos

Podcast: “Leituras de cabeceira” tem as dicas de livro que estou lendo, já li, vou ler e recomendo a leitura

 

 

 
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“Leituras de Cabeceira” é o podcast produzido pela Gabi Iannaccone que nos convida a falar de livros que estamos lendo, queremos ler e recomendamos ler. Convidado, fui lá e dei meus palpites:

O que estou lendo (estava até gravar):

 

“Ciência no Cotidiano — Viva a Razão, Abaixo a Ignorância!” de Natalia Pasternak e Carlos Orsi (Contexto)

 

O que li:

 

“Escravidão” de Laurentino Gomes (Globo Livros)

 

“Azul, pretos e brancos”, Léo Gerchmann, (L&PM)

 

O que vou (re)ler:

 

“Ensaio sobre a cegueira”, José Saramago (Companhia das Letras)

 

O que recomendo ler:

 

“A Regra do jogo”, do jornalista Cláudio Abramo (Companhia das Letras)

 

“A imprensa e o caos na ortografia”, Marcos de Castro (Record)

 

“Caderno H”, Mário Quintana (Objetiva)

Pra saber os motivos de um e outro, ouça o “Leituras de Cabeceira”:

 

Aqui tem o meu episódio.

 

Se não quiser perder tempo comigo, entre por aqui e ouça quanta gente boa fez sugestões no podcast da Gabi.

#Barucast: a comunicação como fator de liderança

 

BARUCAST

De todas as competências necessárias para liderar uma empresa, um grupo de trabalho ou a sua própria carreira, considero a comunicação a mais importante, porque sem esta corre-se o risco de as demais não se expressarem em todo o seu potencial. Sabe-se que ter equilíbrio e flexibilidade, por exemplo, são fundamentais para quem assume posto de comando — especialmente diante do cenário crítico que estamos vivendo hoje. Agilidade e empatia colaboram, sem dúvida. No entanto, estarão restritas em suas dimensões se o líder não souber como se expressar. Apenas para ilustrar o que digo: como querer que a minha equipe atue com a velocidade de adaptação que o momento atual nos exige, se eu não estiver capacitando a transmitir ao meu time nossas possibilidades, de maneira simples, direta e objetiva — o que defendo há bastante tempo ser o mantra da boa comunicação. Ser simples, direto e objetivo me ajudará a guiar a equipe ou a demonstrar para o meu time até onde podemos chegar.

Assim comecei a conversa com Erika Baruco, colega jornalista, especializada em comunicação empresarial, que comanda a agência de RP Baruco Comunicação Estratégica. Ela produz o BARUCAST, um podcast destinado a falar do poder da comunicação, e me deu a oportunidade de expressar mais uma vez a paixão que tenho pelo tema.

 

A base de nosso bate-papo foi o livro “Comunicar para liderar”, escrito com a fonoaudióloga Leny Kyrillos, e publicado pela Editora Contexto, em 2015.

 

No podcast fui provocado a tratar sobre liderança feminina, reputação e a presença dos gestores de empresas nas redes sociais.

 

Ouça aqui o podcast BARUCAST: COMUNICAÇÃO COMO FATOR DE LIDERANÇA

Maratona Piauí CBN de podcast: um novo modelo de negócio

 

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Adriana Salles Gomes, Ana Paula Wehba e Fernanda de Paula e eu em FOTO DE MARCELO SARAIVA

 

A reportagem a seguir foi publicada originalmente no site da Revista Piauí, onde você encontra a cobertura completa da Maratona Piauí CBN de podcast, que se realizou nesse sábado, dia 17 de agosto, em São Paulo:
 

Por que apostar em um podcast e como conseguir financiamento? Ao mesmo tempo, como democratizar o acesso aos podcasts? Foram essas algumas das questões discutidas na abertura da 2ª Maratona Piauí CBN de Podcast, que acontece neste sábado em São Paulo, no campus da ESPM na Vila Mariana. Adriana Salles Gomes, editora-chefe da Revista HSM Management e apresentadora do podcast CBN Professional, Ana Paula Wehba, diretora de eventos, projetos e negócios da revista Trip, e Fernanda de Paula, gerente de marketing de produtos do laboratório Boehringer Ingelheim, conversaram sobre estratégias de negócios para criar podcasts. A mediação foi do jornalista Milton Jung, da CBN. Na plateia e pelas redes, o público participou enviando perguntas para os participantes de mesa. A maratona tem apoio do Google News Iniciative.

 

A menstruação e suas dores motivaram a criação do podcast Seu Forte é Ser Mulher, parceria entre a Trip e o laboratório Boehringer Ingelheim, que fabrica os medicamentos Buscopan e Buscofem, usados contra cólicas menstruais. O podcast é uma ação típica de branded content, conteúdo de marca, quando a empresa financia o projeto.

 

“Toda mulher menstrua, e ainda assim o tema é um tabu. Resolvemos falar disso de forma muito autêntica. É um tema que conversa com a marca, nem preciso colocar o nome do produto”, afirmou Fernanda de Paula.

 

A partir de uma pergunta da plateia, as participantes discutiram o risco de o conteúdo patrocinado prejudicar a isenção jornalística e, por consequência, a qualidade do produto.

 

“Há um risco, claro, e não se pode transformar o programa em uma propaganda”, respondeu Wehba. “A gente queria trazer as dores reais das mulheres. Se a gente interferisse, ia prejudicar a naturalidade da vida real.”

 

Apresentadora do podcast CBN Professional, Salles Gomes disse que a HSM Management, uma plataforma de educação corporativa, viu nos podcasts uma chance de ampliar seu público e tornar a marca mais conhecida. O modelo de negócio é o patrocínio tradicional.

 

“O podcast permite manter a profundidade para abordar os assuntos, num tom mais leve e com participação do público”, afirmou Salles Gomes. Ela destacou, porém, a necessidade de uma boa interação entre os parceiros responsáveis pelo projeto. “A gente tem de abrir mão de uma coisa para ter outra coisa. Negociar, enfim.”

 

As três participantes defenderam a necessidade de democratizar o acesso aos podcasts. “Acho que a gente deve olhar para o podcast como uma ferramenta de democratização da informação”, afirmou Wehba. Ela criticou as dificuldades para localizar os podcasts nos tocadores. “Ainda precisamos de uma plataforma de distribuição na qual você consiga ver tudo que está sendo produzido de podcasts.”

 

“Não se pode tratar o áudio como se fosse um cidadão de segunda classe”, cobrou Jung. Para quem quer começar um podcast, as dicas da mesa foram: ouvir podcasts do Brasil e do exterior, escolher um tema “verdadeiro, legítimo”, ou seja, pelo qual a pessoa tenha interesse genuíno, e, por fim, ter o que dizer. A dica de Jung também foi precisa: falar com cada ouvinte individualmente, para que ele se sinta próximo. “É preciso chamar o ouvinte de você”, concluiu.

Comunicar para liderar foi destaque em Felicidade iLTDA

 

 

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A experiência de ser entrevistado nem sempre me deixa à vontade. Fui treinado para entrevistar pessoas. Quando se está do outro lado, sempre fica a apreensão de que seu desempenho poderia ser melhor. A resposta não foi tão clara quanto gostaria. Talvez tenha desperdiçado a oportunidade de contar algo mais produtivo para as pessoas. Dia desses tive de encarar esse desafio a convite de João Paulo Pacífico, empreendedor, inspirador e apresentador do programa Felicidade iLTDa, na Rádio Globo.

 

Verdade que a tarefa de ser entrevistado foi facilitada pela forma simpática e tranquila com que o Pacífico fez a mediação. Além de o fato de estar sentado à mesa com uma colega super competente e minha grande amiga: a Leny Kyrillos, com quem escrevi o livro “Comunicar para liderar” (Contexto). Ao lado dela, a conversa sempre se torna agradável e produtiva.

 

Falamos de comunicação e liderança, contamos curiosidades de nossas carreiras —- como o motivo que me levou a deixar o esporte pelo jornalismo — e apresentamos dicas para ajudar os profissionais a se relacionarem melhor com seus colegas, parceiros de negócios e clientes.

 

O programa —- como o próprio nome nos induz a pensar — é sobre felicidade no trabalho e se propõe a tratar de assuntos que mostrem como as empresas podem contribuir para um futuro melhor. Foi o que me fez lembrar do poder da palavra na comunicação e o cuidado que devemos ter ao nos dirigirmos às outras pessoas, especialmente quando estamos diante da necessidade de avaliar o seu comportamento ou o seu desempenho profissional:

 

“… uma palavra bem dita, muda e transforma a vida do outro; assim como a palavra mal dita, fere”.

 

Esse poder é ainda maior quando se aprende — como disse Leny Kyrillos — que a comunicação contagia e constrói imagens. A propósito, ao ser provocada a identificar os  pecados na comunicação dos líderes, Leny ressaltou que o mais grave deles é a falta de autenticidade:

 

“(a pessoa) se sente cobrada e pressionada por uma série de coisas e começa a acreditar que ela precisa desempenhar um papel que não é o dela, e muitas vezes perde sua essência”.

 

Espero ter sido autêntico na conversa com a Leny e com o João Paulo Pacífico — mesmo quando fui levado a contar uma piada em um dos quadros propostos pela produção do programa.

 

Ouça  muitas outras dicas e curiosidades no podcast de Felicitade iLTDA.

 

O áudio vai ser considerado cidadão de primeira-classe, diz Google

 

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Foi em um encontro na Campus Party Brasil, em 2015, que tive a primeira oportunidade de discutir a força do podcast em um painel que trazia a atrevida proposta de tratarmos da “futurologia do áudio”. Fui preparado para ouvir poucas e boas de produtores de podcast que fariam parte do debate, afinal era o único representante da “grande mídia” — nome que se dá, muitas vezes com viés negativo, aos veículos tradicionais de comunicação.

 

Saí surpreso com o que ouvi de meus colegas — sim, foi assim que passei a encará-los a partir daquele encontro. Eles se anteciparam na fala para mostrar que o fato de a CBN transformar seus principais produtos em podcast facilitava a vida dos produtores independentes, que manipulavam modelo de programa ainda pouco conhecido pela maioria do público. À medida que falávamos de podcast no ar, os ouvintes se familiarizavam com o tema — disseram eles.

 

Hoje temos em produção na CBN programas que são ouvidos exclusivamente no podcast — caso do CBN Professional, que tem o comando do Thiago Barbosa. E não se coloca no ar um novo quadro ou comentarista sem “traduzi-lo” para o podcast. Deixá-lo de fazer, é a senha para abrir uma caixa de reclamações de ouvintes.

 

Há quem veja o podcast como o substituto do rádio — e não faço parte deste time, pois a transmissão ao vivo e a atualização de notícias, em tempo real, ainda se fará necessária por longo tempo. Assim, ouvir rádio — seja no carro seja em casa seja a caminho do trabalho seja como for — ainda será útil para as pessoas.

 

Para mim, o podcast é outro modelo de rádio, no qual podem ser explorados novos formatos, que não têm mais espaço na grade tradicional de programação — seriados e documentários, por exemplo. E se é um modelo de rádio, as emissoras têm de investir nele, sob o risco de enfrentarem a mesma concorrência que a televisão foi obrigada a encarar com a chegada de serviços como o Netflix.

 

Tenho insistido neste blog, sobre a relevância do áudio, ideia que se reforça a cada novo fato que surge no cenário. Nesta semana, deparei com artigo publicado por Steve Pratt — um dos fundadores do Pacific Content, produtor de podcast — no qual reproduz as intenções do Google em tornar acessível a busca de áudio da mesma maneira que hoje conseguimos encontrar texto e vídeo na internet.

 

Apesar do avanço dos podcasts, encontrar conteúdo de áudio ainda exige busca mais apurada nem sempre disponível para o público em geral. Agora, o time do Google Podcasts, liderado por Zack Reneau-Wedeen, quer usar a expertise da empresa para organizar as informações em áudio e ajudar as pessoas a encontrá-las quando precisarem ou quando quiserem.

 

O trabalho do Google poderá ser útil especialmente para parcela do público que ainda não sabe o que é podcast — seguidamente recebemos perguntas neste sentido na CBN — ou não imagina como se inscrever, baixar os episódios e acompanhar suas atualizações nas plataformas disponíveis — como é o caso do iTunes.

 

Imagine que você vá procurar informação sobre “tecnologias exponenciais”.

 

Fiz esse exercício agora para testar: nove dos 10 primeiros links que o Google me ofereceu são textos; e o décimo é um vídeo. E já que você talvez não encontre podcast sobre o tema, ofereço este link para o último episódio do CBN Professional que reúne uma série de entrevistas e informações sobre o tema.

 

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O que quero dizer é que há excelente conteúdo à disposição em áudio sendo produzido no mundo todo, mas o acesso nem sempre é fácil ou conhecido pelo público. Se esses produtos aparecerem na busca que você faz na internet, mesmo que nunca tenha ouvido falar em podcast, lá estará o arquivo à disposição.

 

“Com os incríveis podcasts produzidos todos os dias, não há uma boa razão para que o áudio não seja considerado um cidadão de primeira classe”

 

É o que disse Zack Reneau-Wedeen em uma auto-crítica ao próprio tratamento que o Google tem dado até agora a esse recurso — afirmação que reforça o que tenho falado com frequência nos últimos tempos: o futuro está no áudio.

 

CBN Professional – podcast: “a gente é as relações que a gente constrói”, diz Ana Moisés, do Linkedin

 

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O algoritmo pauta negócios e relações. Programado, acelera decisões e torna boa parte das tarefas mais fáceis. Tem sido usado em diversas áreas e com funções que variam conforme a criatividade e conhecimento de cada setor. Dele, partimos para a inteligência artificial já aplicada em alguns mercados e prometendo revolucionar o que quer que você pense, pois, dizem, essa tecnologia poderá pensar ainda melhor.

 

É um avalanche de inovação que causa medo e provoca dilemas éticos, como escreveu Yuval Harari, nos livros Sapiens e Homo Deus, que estão em destaque na vitrine das livrarias da cidade. Mesmo sem desconsiderar essas verdades, Ana Moisés, executiva do Linkedin, recomenda, porém, que se continue investindo nos relacionamentos pessoais:

 

“Uma coisa que a nova geração deveria saber é que relacionamento é tudo nessa vida; as relações pessoais que você constrói na sua vida são a única coisa que realmente têm um valor que ultrapassa o tempo, e isso a gente deveria trazer para o profissional, também”

 

Ana tem 45 anos, um filho, é diretora de vendas para a América Latina, no setor de Marketing Solution do Linkedin, plataforma de networking que se transformou em fonte de conhecimento. Tive a oportunidade de conhecê-la na entrevista que fizemos por cerca de uma hora para o segundo episódio da série de podcast CBN Professional, parceria da CBN com a HSM Educação Executiva, com produção (e entrevistas) do Thiago Barbosa. Com o tema “Construindo carreiras contra a maré da automação”, ela falou do Linkedin, de sua carreira, das preocupações e dos desafios que tem pela frente:

 

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Ouça a entrevista completa no podcast da Rádio CBN.

 

 

A tecnologia, que pode fulminar o emprego e o negócio de qualquer um de nós, dependendo de onde e como estivermos colocados neste momento, não chega a causar sustos na executiva do Linkedin – até porque, vamos lembrar, essa é base do trabalho realizado pela empresa que conecta profissionais e negócios. Curiosamente, Ana tem medo é de perder o emprego:

 

“Toda às vezes que tenho minha discussão de carreira, eu digo que a única preocupação que eu tenho é que eu gostaria de garantir que eu pudesse ter emprego até pelo menos os 70 anos. A única coisa que tenho medo é ficar sem trabalhar, sem emprego, porque eu acho que deve ser muito frustrante você ser uma pessoa produtiva, ter muita coisa para oferecer e não ter oportunidade de trabalho”.

 

O medo não a paralisa. A faz buscar mais conhecimento, pois entende que este será o diferencial do profissional do futuro. Diz que todas as escolhas profissionais que faz têm como objetivo continuar aprendendo para que “aos 70 anos, eu ainda seja uma pessoa interessante, disputada e desejada por uma empresa”.

 

Por isso, recomenda: amplie seu repertório e isso deve ser feito, também, a partir dos relacionamentos que você construir na sua carreira, aprendendo com todas as pessoas, independentemente do cargo que ocupam e da situação que vivem:

“Em um mundo que é tudo etéreo, tudo desaparece muito rápido, as pessoas precisam cultivar relações de longo prazo e mais profundas … a gente é as relações que a gente constrói ao longo da vida”.

O desafio que a união do rádio com a internet impõe aos estudantes de jornalismo

 

 

O interesse de estudantes de jornalismo pelas novas tecnologias não me surpreende, mas chama atenção como tenho sido procurado para relacioná-las ao rádio, o que me entusiasma pois sempre acreditei na internet e nas demais ferramentas que surgiram, dentro dela ou a partir dela, como caminho para propagar o trabalho que realizamos. O que me deixa ainda mais satisfeito é que a CBN é a grande referência que esses jovens têm quando tratam do tema, resultado do investimento que se tem feito em inovação, desde o seu surgimento, em 1991.

 

Nesta semana, o estudante de jornalismo David Paulo e seu grupo, do 4º ano de jornalismo, da Uninorte, em Manaus (AM), que estão realizando trabalho sobre o livro “Jornalismo de Rádio”, que escrevi em 2004 e foi editado pela Contexto, me convidaram para, em vídeo, falar sobre a ideia de que a internet é o novo oxigênio do rádio, defendida por mim desde aquele tempo.

 

No vídeo que será apresentado pela turma e compartilho com você agora, falo do desafio que rádio, redes sociais, podcast e internet impõem aos jovens jornalistas que se preparam para atuar neste mercado da comunicação.

Ouça a CBN no seu videogame

 

O tweet acima caiu na minha timeline e logo despertou minha atenção. Há oito anos, em palestras para estudantes de jornalismo e algum tempo depois em “Jornalismo de Rádio” (Editora Contexto), apostava na internet como forma de oferecer nova dimensão para o rádio. Imaginava a intervenção do ouvinte-internauta muito além do tradicional “sugestões e reclamações”. Via nas ferramentas digitais a possibilidade dele se transformar em programador, por exemplo.

Com seu MP3 player em mãos – sim, o Ipod ainda era novidade – e computador programado, antes de sair de casa o ouvinte-internauta baixaria os comentários e programas favoritos, não apenas da minha rádio, mas de qualquer outra fonte disponível na rede. Escolheria a ordem e hora em que ouviria o material, pouco se lixando para a grade de programação que apresentamos pronta – e, na maioria das vezes, rígida.

É o que faz Micael Silva ao baixar podcast disponível na página da CBN. Seu “radinho de pilha” é um PlayStation Portable, fabricado pela Sony, muito mais conhecido pela sigla PSP – criado originalmente para a garotada brincar com seus jogos eletrônicos. Pelo que entendi ao ler os tweets seguintes, Micael estava se divertindo com as histórias contadas na série sobre os 15 anos da rádio.

Fico intrigado com aqueles que ainda questionam o uso desta ferramenta por entenderem que se está oferecendo de graça produto que custa caro para as emissoras de rádio. A história deste veículo se consagrou desta maneira. Produzimos programas – que custam caro, diga-se, pois exigem a presença de jornalistas – que são oferecidos ao público de graça pelas ondas do rádio. Por que não fazê-los pelos bytes da internet ?

Há quem discuta, ainda, se podcast é rádio na internet. Confesso, pouco me importa o nome disso. Uma emissora com capacidade de produzir programação em áudio (em vídeo, também) com qualidade não pode abrir mão deste potencial. Tem de dispor sua produção em formato MP3 possibilitando a distribuição para os ouvintes-internautas através de download e com permissão para que o usuário se inscreva no site que fornece ‘feeds’ RSS.

Em linguagem simples, direta e objetiva – como deve ser a boa comunicação: podcast é áudio à disposição do ouvinte-internauta, que faz o que bem entender com este material.

É o rádio feito para o ouvinte-internauta. Pelo ouvinte-internauta.