Vindo de terras distantes, alterosas
De um chão fértil e pedras preciosas
Para encontrar o louro da conquista
Um peregrino que a sorte arrisca
Sem pensar nunca, em ser oportunista
Nascer mineiro e depois virar paulista.
Do prédio, no chão a sombra vaporosa
O apressado caminhante em rua sinuosa
Atento a luz do semáforo quando pisca
O gari, o boy, o padre, o missivista
A multidão correndo, atravessando a pista
Só um sábio, esta cidade linda administra.
É do trabalho, a mão laboriosa
Desta terra assás, prodigiosa
Que o imigrante agrega de longa vista
A boa vinda, a saga otimista
Feliz quem mora aqui, ou é turista
Mas é comum, gostar de ser paulista.
Escrevi um livro, em curta prosa
Plantei arbusto, floriu, terra chuvosa
Uma família, uma casa, sou ativista
Sua guarida, agradeço, terra bendita
Seu fardo é doce, a destra pacifista
Sou filho seu também, ah… sou paulista.
que poetas já cantaram
cada um a sua
a seu tempo e a seu modo
à qual em engano
insisto em me dirigir
como se fosse ela fora ou dentro de mim
pois que ela sou eu mesma no meu tom
de harmonia perceptível
de brilho intenso indizível
na recusa e na oferta
no nascer e no morrer
no ir e vir
seja eu dura ou sensível
mistério de ser eu ela e ela ser eu mesma
o que até hoje ninguém entende
desafia minha mente que se tem tão potente
e que por um nada se rende
é aí que o ser estanca
desde o início de tudo
que em vez de ir à frente finca o pé na retranca
é aí que nos perdemos
no afã de encontrar aquilo que
desde sempre
temos
vamos pr’ali
voltamos pra cá
quando
piada humana
tudo que temos ou um dia teremos
somos nós
um mingau de ego e alma
de choro e riso
de tudo que tenho e daquilo
que penso que preciso
palavra demais
atitude de menos
crítica é lema
de tudo
do outro
de ação
de todo tipo de tema
olhar pra fora é fora de tempo
é estar atrasado nele
mas o vício
em cada dobra de mim
entranhado
me faz ainda uma vez e mais outra
copiar o outro
que cheio de certeza
se ocupa em culpar
em manter o dedo em riste
apontando defeito
pra esconder seu próprio não-feito
perdendo do minuto a beleza
e se mostrando
prepotente
que tristeza
Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung
é dentro de mim
onde melhor percebo
o mundo lá fora
em mim se confundem
sentimento e emoção
lá fora a vida
faz refrão
em mim dor
lá fora também
sem tirar nem pôr
O mundo lá fora é criado por nós, e não está fácil manter equilíbrio e serenidade. Mas há Anjos, de todas as Hierarquias, dando duro para nos ajudar a evoluir, para que nossa consciência se amplie. Você acredito nisso? Eu não. Eu sei isso!
A gente olha para um lado e encontra uma iraniana de nome difícil e de rosto bonito, ajoelhada no milho à porta da morte. Pode ser um anjo aprisionado pela loucura humana, mas também pode ser um demônio, criado pela mesma loucura humana. Quanta moça de rosto bonito já morreu, antes dela, acusada de amor. De amar! Do amor indivisível cantado em verso e prosa, -loucura!- elencam-se amores que se encaixam nos preconceitos de cada tribo, e se não se encaixam, sua sina é a morte por apedrejamento, forca, dor, melancolia, inanição; pouco importa.
A gente olha para o outro lado e vê o moço rico, famoso, bonito, matando a mocinha gostosa, dadivosa, gananciosa. Olha para trás e para frente e encontra pais que jogam filhas da janela, no rio, no lago, na rua, na boca do lixo, trocando ideia com outros que mantêm filhas em cativeiro e procriam com elas.
Aí penso: que pesos e medidas são os nossos que não aceitam o amor verdadeiro, que gera ordem, respeito, e mais, e mais amor?
Eu, aqui do meu ponto, ando limpando nas minhas bibliotecas: externa e interna. Quero continuar a renovar conceitos, a rever sonhos, a redirecionar meu coração e meu olhar. Quero sempre reavaliar minhas crenças, e decidir o que fica e o que vai.
Difícil !
A gente mede tudo com medida de preconceito, e vivemos a vida tentando nos ajustar a ela. Por isso tanta dor e tão pouco amor. A gente vive a vida com fome, alimentando pecados e virtudes que vão, descaradamente, contra a lei do amor
para sermos mais felizes
há que deixar de lado
preto e branco
há que experimentar matizes
rever cardápios
à luz do coração
deixar de lado a dura razão
e deixar que escape dos lábios
palavras doces
de amor e de compaixão
é preciso o soco com um beijo amortecer
um lindo poema de amor escrever
para o mundo
deixar de adoecer
guerra
dentro e fora de nós
nasce de dentro
de você
e de dentro de mim
Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung