Adote um Vereador: é preciso ir além das ideias!

 

AdoteUmVereador_Fotor_Collage

 

A menos de um ano das eleições municipais, a necessidade de nos comunicarmos mais e melhor no Adote um Vereador parece ter sido a tônica do encontro realizado neste sábado, no Pateo do Collegio, centro de São Paulo. A pretensão me pareceu estar nas linhas e entrelinhas que cada um dos participantes preencheu durante exercício provocado por Henrique Parra Parra, do Instituto Cidade Democrática, que nos visitou para apresentar o Concurso de Ideia Causas Comuns.

 

Vamos por partes:

 

O Henrique é velho batalhador, apesar de ainda novo de idade. Já esteve com a gente logo no início no Adote e participou, como faz até hoje, de diferentes iniciativas cidadãs. É inquieto. Está sempre inventando moda, como diria minha mãe. E tem uma incrível capacidade de engajar outras pessoas.

 

O Concurso de Ideias Causas Comuns é uma forma de promover a discussão de propostas em torno dos temas transparência, acesso à justiça e segurança e paz. Nesta primeira fase, o cidadão é convidado a pensar em uma ideia e publicá-la no site do Cidade Democrática para que outras pessoas colaborem com sugestões. Mesmo que você não tenha uma ideia nova, pode entrar lá e deixar sua colaboração às propostas já publicadas, assim como pode apontar um problema que precisa ser resolvido e provocar outras pessoas a oferecer uma solução. As 12 que receberem maior número de apoiadores receberão visibilidade nas redes sociais e serão levadas aos governos federal, estadual e municipal.

 

A ampliação do Adote um Vereador, ideia lançada em 2008 para incentivar o cidadão a se aproximar da política na sua cidade e controlar a ação dos vereadores, será inscrita no Concurso. A nossa intenção é encontrarmos novos adeptos, gente disposta a fiscalizar a câmara municipal, e uma estratégia que permita maior alcance do Adote. Em breve estaremos com nossa proposta na plataforma digital, antes disso, porém, recolhemos as sugestões por escrito de quem esteve no encontro deste sábado.

 

Organizar melhor as informações publicadas pelo Adote um Vereador em seus canais de comunicação, reproduzir vídeos com debate e com prestação de serviço a propósito do tema e melhorar a sinergia dos “adotadores” são, em resumo, as propostas apresentadas. Em outra frente, sugeriu-se, também, que o Adote convidasse, ano que vem, candidatos por região de São Paulo para participarem em debates públicos, nos quais apresentariam as ideias que defendem para a cidade.

 

O que ficou claro é que teremos muito trabalho pela frente e se realmente queremos que o Adote um Vereador sobreviva a mais uma eleição municipal, aqueles que acreditam terão de ir além das ideias, terão de partir para a ação.

 

É aí, vai encarar!?

Venha no Adote um Vereador e conheça o Concurso de Ideias Causas Comuns, neste sábado

 

adote um vereador traço 1

 

Neste sábado, 14 de novembro, o encontro do Adote um Vereador vai conhecer o Concurso de Ideias Causas Comuns, realizado pelo Instituto Cidade Democrática, que vai debater o ODS 16, dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Os ODS são o resultado de uma consulta e a construção de uma agenda para o desenvolvimento global para os próximos 15 anos, adotada por mais de 190 chefes de Estado. O Causas Comuns está aliado ao Objetivo 16, que tem como principal finalidade promover sociedades pacíficas para o desenvolvimento sustentável e promover o acesso à justiça a todos. Aberto a todos os cidadãos, o concurso quer ouvir a população para a criação de propostas que possam gerar agendas locais.

 

O concurso será realizado em duas fases. Na primeira, de Propostas, os participantes poderão lançar suas ideias, seguir e comentar em propostas e, com base nos comentários, construir colaborativamente e melhorar as ideias de outros usuários. Na segunda fase, de Aplauso, os participantes apoiarão as propostas que mais gostarem, a fim de torná-las ideias vencedoras.

 

O objetivo é debater boas propostas que possam fortalecer a participação popular acompanhando os mandatos dos vereadores e também propostas que facilitem este acompanhamento, que possam ser implementadas pela Câmara Municipal.

 

Todos os interessados são convidados a participar dos encontros livres do Adote um Vereador, em São Paulo, que se realizam no segundo sábado do mês, no café do Pateo do Collegio, no centro, das 14h às 16h. Convide um amigo e vá até lá para conversar com os participantes do Adote e conhecer o Concurso de Ideais Causas Comuns.

 

Eu estarei lá. E você?

Na reta final, o Zoneamento de Haddad é também discriminatório

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

18449192753_4c90b5a699_b

 

Em 15 de outubro foi encaminhada, por parte de moradores em zonas residenciais uma solicitação de reunião aos representantes da Câmara Municipal habilitados para este tema. Até hoje não houve resposta.

 

O documento é assinado por nove membros do Conselho Municipal de Política Urbana e 40 entidades representativas de moradores em áreas residenciais. A solicitação foi feita aos vereadores do PSDB Gilson Barreto, presidente da Comissão de Política Urbana, e do PTB Paulo Franges, relator do Projeto de Revisão da Lei do Zoneamento.

 

Neste interim, estes vereadores já atenderam entidades como a ACSP Associação Comercial SP e o Movimento Ame Seu Bairro, mas ignoraram o pedido deste grupo de entidades, que está bastante apreensivo com o destino que será dado ao que resta de áreas preservadas da cidade.

 

A preocupação das zonas exclusivamente residenciais é consistente, pois Haddad trouxe ao Zoneamento um retrocesso técnico e político.

 

Coube a Marta Suplicy, que conduziu com Jorge Wilheim o anterior Zoneamento, uma ilustrativa análise da atual proposição:

“Um dano irreparável serão as zonas estritamente residenciais (ZERs), que deveriam ser protegidas, mas estão ameaçadas pelo excesso de corredores comerciais com impacto devastador e algumas serão extintas”.

Ao mesmo tempo, no jornal Estado de São Paulo, encontramos a observação de um crescer político e classicista por parte da prefeitura. Uma tendência de luta entre o bem e o mal, o pobre e o rico, que não tem nada a ver com os aspectos técnicos que devem prevalecer nas análises do Zoneamento da cidade. Ainda mais que parte das ZERs é composta por moradores de classe média.

 

Às vésperas dos relatórios finais, e sem resposta, o grupo das entidades citadas procurou o vereador do PSDB Andrea Matarazzo. O apoio veio rápido na segunda-feira. Andrea reiterou a Barreto e Franges a necessidade do atendimento, e enfatizou que das 2500 pautas discutidas, 31% faziam referência a ZER, ZCOR e ZPR.

 

O grupo também nos procurou pela posição democrática do Blog, solicitando a divulgação de seu pleito. Estamos atendendo-os. A discussão ainda está aberta.

 

No site da Câmara Municipal de São Paulo você tem os documentos e discussões sobre a Revisão da Lei de Zoneamento.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Continuar lendo

Adote um Vereador estará na Virada Política; venha você, também!

 

adote um vereador traço 1

 

A experiência do Adote Um Vereador será apresentada na Virada Política, que se realizará nesse sábado, dia 7 de novembro, em São Paulo. Rafael Carvalho, que teve atuação importante no controle do trabalho dos vereadores e tem desenvolvido uma série de ações no campo da cidadania política, estará no encontro para descrever vitórias, frustrações e desafios que ideias como a do Adote enfrentam no cotidiano.

 

A Virada reunirá em um mesmo espaço pensadores, ativistas, artistas e simpatizantes com o objetivo de aprofundar projetos, conectar ações e inspirar pessoas. O evento está sendo organizado por um coletivo de cidadãos e de maneira colaborativa, sem nenhuma ligação partidária. Conforme os participantes da Virada, “estamos fazendo tudo na base da colaboração e da empolgação e isso a gente tem de sobra”.

 

A intenção é reunir projetos, movimentos e organizações que acreditam no potencial das pessoas em influenciar o destino da política na sua cidade, no seu Estado e no País. O encontro será na rua Simão Álvares, 788, em Pinheiros, zona oeste da capital paulista.

 

Rafael Carvalho apresentará suas impressões sobre o Adote um Vereador, a partir das 16 horas, ao lado do pessoal do Eu Voto Distrital e do Ocupe os Conselhos Municipais.

 

Todos os integrantes do Adote um Vereador, assim como você que lê este texto, são convidados a estarem por lá e colaborarem com sua experiência, opinião e provocação.

 

Inscreva-se, conheça e compartilhe outras informações sobre a Virada Política.

 

Participe! Seja cidadão!

Reforma eleitoral reforça a democracia

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

 

Congresso_Fotor

 

Com a proximidade de um pleito, algumas outras modificações importantes na legislação eleitoral merecem destaque.

 

Vejamos.

 

Num país com trinta e cinco partidos políticos, é absolutamente razoável instituir a filiação partidária seis meses antes do pleito.

 

A subtração de dez dias de propaganda eleitoral no rádio e na televisão foi um notável progresso.

 

Na forma como ficou redigida, a mudança de partido preservando o mandato eletivo resultou numa regra adequada. Outros países igualmente democráticos adotam-na com o mesmo formato.

 

Assegurar que as decisões dos tribunais regionais sobre cassações de mandatos e anulações de eleições sejam proferidas somente com a presença de todos os seus membros é medida que amplia o devido processo legal.

 

A determinação de novos pleitos, independentemente do número de votos anulados pela Justiça Eleitoral por corrupção, fraude ou outras causas similares, elimina a ciranda de segundos colocados assumindo postos para os quais não foram eleitos.

 

Limitar gastos de campanha a partir dos cargos em disputa é providência que estabelece alguma equidade entre candidatos e pode facilitar a fiscalização.

 

Essas são apenas algumas das mudanças introduzidas. Assim como a quase totalidade das demais que constam à Lei nº 13.165, de 29 de setembro de 2015, elas não eram apenas inerentes como necessárias. O resultado geral da obra, sem prejuízo de outras modificações que ainda se fazem necessárias, remete a Alfred Smith (1873-1944), para quem todos os males da democracia se podem curar com mais democracia.

 

Independentemente de críticas ou elogios, vetos ou sanções, mais uma vez se comprova que o processo legislativo é, por sua natureza e excelência, a ferramenta constitucional para a realização de ajustes periódicos na máquina democrática.

 

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Prefeitos de Porto Alegre – Cotidiano e Administração da Capital Gaúcha entre 1889 e 2012” (Editora Verbo Jurídico), “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico) e “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Escreve no Blog do Mílton Jung.

 

A imagem deste post é do álbum de Diego BIS, no Flickr

Adote um Vereador: a um ano das eleições, em busca da certeza de que não estaremos sozinhos

 

2015-10-10 15.51.12

 

Um encontro em meio ao feriado é sempre arriscado, pois tende a frustrar a intenção de quem espera o segundo sábado do mês para compartilhar experiências no trabalho que desenvolvemos no Adote um Vereador. Perceba que eu escrevi a intenção e não a expectativa, pois esta, confesso, não era grande diante exatamente da data em que nosso encontro caiu no calendário. De qualquer forma, lá estava eu logo cedo como sempre costumo fazer sentado à mesa do Pateo do Collegio, em São Paulo, e com uma xícara de café esfriando a espera dos comparsas (não me leve a mal, uso a expressão apenas de brincadeira).

 

Demorou pouco para receber a companhia dos dois primeiros: o Alecir e a Sílvia, ambos velhos companheiros de guerra (e aqui, mais uma vez, apenas uma expressão divertida, sem nenhuma conotação a idade dos colegas, menos ainda à minha). Cada um deles com sua preocupação e história a ser contada e compromissos e lutas agendados. O bate-papo às vezes soa indignado por causas não alcançadas mas logo migra para o entusiasmo da luta diária contra aqueles que fazem a má-política na nossa cidade.

 

Alguns assuntos entrecortados e desvios de tema depois, outros se aprochegaram à mesa. A camisa do Adote um Vereador vestida denunciava a presença nos encontros recentes, pois temos distribuído as camisetas com a nova marca do movimento há apenas dois meses. Entre os presentes, havia antigos parceiros, gente que já esteve conosco há dois ou mais anos e decidiu voltar nem que fosse só de passagem. Outros já tinham estado por lá para levar sua queixa e pedido de orientação. A cada um dedicamos alguns minutos de atenção para que todos se sintam atendidos.

 

Quando menos se percebe, café e água estão relegados a segundo plano, pois nos servimos mesmo é da conversalhada que toma conta da mesa. Um fala com o outro, o outro fala com dois e assim por diante, em um barulho que soa entusiasmado e nos faz esquecer do medo que tínhamos da solidão, lá no início da tarde.

 

As dicas vão desde procurar um vereador da região para ter a reivindicação atendida até uma reorganização na conversa que mantemos pelas redes sociais. Falou-se também da insegurança e das estratégias para atender ao ladrão de bairro, que costuma passar a mão no celular alheio. Fiquei impressionado com a criatividade de ambos: vítima e algoz. Esse se adapta à vida da cidade e usa bicicleta para bater-celular; o outro, esconde o aparelho bom na meia e deixa um “frio” no bolso, sem esquecer de carregá-lo com crédito para o ladrão não reclamar.

 

O Alecir, aquele que chegou lá no início da conversa, nos lembrou que seria interessante compararmos a Câmara eleita em 2012 e a atual formação, pois desconfiava que, hoje, tínhamos muitos suplentes na casa, gente que entrou na vaga de parlamentares que decidiram seguir outros rumos: ou concorreram nas eleições para Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados, em 2014, ou deixaram o cargo para assumir secretarias de Governo. Fiz as contas e salvo engano, dos 55 vereadores, 10 são suplentes, ou seja, pouco mais de 18%. Se é muito ou pouco? Talvez o que interessa mesmo é saber se são eficientes.

 

Havia tanta coisa para ser contada que até esqueci de destacar a todos que estamos a um ano das eleições municipais e talvez seja momento de olharmos com mais apuro o que cada um dos vereadores realizou em seu mandato.

 

Alguma sugestão? Registre aqui ou leve no nosso próximo encontro, assim ficamos com a certeza de que não estaremos sozinhos.

Adote um vereador: um tanto de gente no Pateo e mais um montão no Santa Maria

 

Adote_Set_Fotor

 

Chego cedo e sento na mesa menor. É uma forma de não criar falsas expectativas. Gosto da sensação de mudar para a mesa ao lado, na qual cabem mais cadeiras, a medida que as pessoas vão se aprochegando, pois tendo a acreditar que estamos contaminando mais pessoas com a ideia de participação na política local. Ir direto para a mesa grande e sair de lá com cadeiras vazias me causaria tremenda e indesejável frustração.

 

Nesse sábado, como em todos os segundos sábados do mês, quando os adeptos e simpatizantes do Adote Um Vereador se sentam para conversar no café do Pateo do Collegio, no centro histórico de São Paulo, sei lá por qual motivo, fui direto para a mesa maior, que fica quase no fim da área destinada ao café. Além do risco que assumia, ainda fui para o lugar mais frio dessa tarde muito fria na capital paulista.

 

A mudança no clima havia espantado os turistas que costumam frequentar o Pateo o que aumentou a impressão de isolamento naquela mesa grande. E ali, sozinho, permaneci por algum tempo. A temperatura baixa, próxima dos 15 graus, com sensação térmica ainda menor, graças ao vento no alto da cidade, mais os recados de alguns integrantes do Adote, que havia recebido desde o meio da semana, anunciando a ausência por diferentes e sempre justificáveis motivos, me fizeram temer que, finalmente, chegaria o dia em que eu seria o único participante do encontro.

 

As reuniões informais do Adote costumam ser momentos de relacionamento pessoal, oportunidades para contar alguma novidade, tirar dúvidas ou colocar a conversa em dia. Não temos organização, pauta a ser cumprida ou atas para se preencher. Nunca foi esse nosso objetivo, mesmo porque o Adote jamais se constituiu uma entidade, mantém-se, desde 2008, como uma ideia a inspirar cidadãos, de São Paulo e de outras cidades brasileiras.

 

Há alguns meses tenho me questionado sobre o que seria necessário para tornar essa ideia ainda mais inspiradora e reforçar o sentimento de cidadania nas pessoas. Tenho conversado com alguns ativistas mais experientes e muita gente ligada às novas tecnologias, pois acredito que este será o caminho para ampliarmos o alcance do nosso trabalho e, principalmente, impactarmos a ação dos vereadores (se você tiver sugestões mande para nós).

 

No frio e na mesa do café, a espera de alguém que aparecesse, pensei em saídas melhores para tornar o Adote mais influente em suas ações. Peguei o bloco de anotações para organizar o pensamento, porém mal havia começado a escrever e o primeiro parceiro apareceu, depois o segundo, o terceiro acompanhado, o quarto surgiu cheio de animação, o quinto estava com o filho a tiracolo e as cadeiras passaram a ficar ocupadas até precisarmos pegar assentos extras nas mesas ao lado… de repente, estávamos todos lá contando suas experiências, convencendo uns a fazer mais e tentando ajudar outros a encaminhar suas reivindicações.

 

A Sílvia, o Cláudio e o Marcos Paulo que andavam distantes, voltaram. O Moty trouxe companhia. E ainda convidou o Mário que nunca havia aparecido, que chegou de bicicleta acompanhado pelo filho pequeno. O Sandro também foi novidade e se mostrou entusiasmado em encarar a ideia de ficar de olho no que acontece na Câmara. A Lúcia e a Silma dificilmente faltam.

 

Foi, então, na conversa que tivemos que lembrei de registrar para “constar em ata” que naquele mesmo instante havia mais um monte de gente participando ativamente da política na cidade, motivada pelo Adote um Vereador. É que a Maria Cecília, professora do colégio Santa Maria, em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, tinha mandado e-mail informando que, no sábado, o projeto Câmara no Bairro estaria lá na escola.

 

O que isso tem a ver com o Adote? Muito, pois foi inspirada na nossa ideia que a Maria Cecília mobilizou os alunos do EJA – Educação de Jovens e Adultos e os fez mapear quem eram os vereadores da região, identificar que trabalho cada um deles fez ou deixou de fazer pela cidade e cobrar ações de melhoria para o cidadão. Segundo ela, os vereadores aceitaram a ideia de levar o programa do legislativo “devido ao enorme sucesso obtido no projeto desenvolvido, pelos alunos da Educação de Adultos, após aderirmos a sua ideia de ADOTARMOS UM VEREADOR”.

 

Naquela altura do encontro, o frio não era mais problema, o sentimento de solidão havia passado e se firmava a ideia de que, aos trancos e barrancos, seguimos em frente motivando mais e mais pessoas.

 

Agora, só falta você!

Porto Alegre entregue à violência me faz lembrar Chicago

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Violencia_Fotor_Collage

 

Porto Alegre já foi uma cidade relativamente tranquila. Não creio que tenha exagerado quando, num despretensioso texto para minha página no Facebook,a comparei com a velha Chicago que,se não me engano,era uma espécie de sede da máfia dos Estados Unidos e não somente nos filmes que nos acostumamos a ver essa famosa cidade. Ela não era fictícia,mas bem verdadeira. Já a cidade na qual moramos,especialmente nos últimos dias,sofreu uma transformação. Os bandidos locais estão ficando cada vez mais agressivos. A briga pelos pontos de venda do produto em que mergulharam com a cara e a coragem – os tóxicos de todos os tipos – torna-se muito mais violenta a cada dia que passa. O pior é que este recrudescimento não fica apenas nas vilas. Surge em um momento desastroso para a população: os funcionários públicos do governo gaúcho estão em greve. Encontram-se entre eles os que são responsáveis pela proteção do povo: os da Brigada Militar e Polícia Civil. A paralisação é mais do que justa. Os descontos nos salários,porém,não são. Mesmo os professores que não comparecem às escolas em que trabalham é pernicioso, com certeza,tanto para alunos e seus pais,mas não diz respeito à segurança,quem é que não sabe.

 

Quem acompanha a cobertura da mídia não desconhece o resultado trágico,inclusive,da perseguição empreendida pela Brigada Militar, na sexta-feira, que se estendeu por várias ruas e,uma bala perdida – quase sempre existe uma – atingiu um padeiro da Avenida Getúlio Vargas, no bairro Menino Deus, onde, aliás, vivi por muitos anos e meus filhos cresceram, sendo que um deles, o Christian, ainda mora lá. O padeiro, que morreu nesta terça-feira, levava para passear a cachorra da casa,antes que a sua família ocupasse os carros que os levaria ao litoral para aproveitar o feriado.

 

Com a manchete “Crimes e boatos elevam a sensação de insegurança ”a notícia da Zero Hora estampa a fotografia que acompanha o texto. Nessa,mostra o resultado da bomba explodida em Canoas,aliado a falsos alertas espalhados pelo WhatsApp. Até isso serve como uma espécie de arma para espalhar o terror por Porto Alegre e cidades vizinhas. “Assaltos ousados,arrastões,perseguições e arrombamentos,em apenas um dia em cinco agências bancárias pioraram ainda mais a sensação de insegurança como reflexo da paralisação da polícia no Estado.Essa parte do texto pertence ao atilado repórter policial Humberto Trezzi.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

‘House of Cards’: os personagens da série e os protagonistas da nossa política

 

 

FILME DA SEMANA:
“House of Cards”
Uma série de Beau Willimon
Gênero: Drama Político.
País:EUA

 

Desta vez falarei de uma série e não de um filme, pois o momento pede! Um político ambicioso e inescrupuloso circula por Washington aplicando sua influência por um objetivo claro: se tornar o homem mais poderoso do mundo.

 

Por que ver:
A série em si é maravilhosa, bem filmada, bem interpretada e com um roteiro espetacular. O momento político que vivemos a torna mais especial ainda…Podemos entender com clareza sobre o balé político que governa um país. Salvo as devidas proporções, podemos traçar um paralelo com a realidade brasileira…

 

Após ver Michel Temer na propaganda do PMDB, para mim ficou muito óbvio que ele se prepara para um eventual impeachment ou renúncia presidencial…Ele quer ocupar o cargo máximo do país assim como Frank Underwood o quis.

 

É um barato brincar de projetar a série na situação atual do pais…Eu e meu marido ficamos brincando de transpor os personagens da série para a nossa realidade e garantimos boas risadas com isto!

 

Como ver:
Depois da propaganda do PMDB.

 

Quando não ver:
VEJA! É sem dúvida uma das melhores séries de todos os tempos.

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos .

Rezemos, é o que resta

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Não há mais muitas coisas nem loisas neste mundo que me espantam. Só o que está acontecendo no Brasil já seria suficiente para me deixar em estado de alerta quando eu era mais novo.Pensei que tivesse lido tudo o que a mídia faz questão de divulgar,seja algo positivo ou negativo. E olhem bem tudo o que a TV, os jornais, as rádios e as redes sociais se desdobram para nos contar e, mesmo assim,há episódios que me enraivecem,me alegram,me entristecem ou me deixam indiferente.

 

Vou fazer uma confissão: um senhor idoso,do alto de seus 93 anos,surpreendeu-me. Seu nome é Hélio Bicudo. Duvido muito que os adultos se lembrem dele,embora o sobrenome chame a atenção por ser um tanto estranho.Tinha esquecido dele. Foi presidente do PT quando esse partido era muitíssimo mais sério do que hoje em dia.O Partido dos Trabalhadores representava um classe social respeitável,bem diferente dos que estão sendo presos pela operação Lava-Jato por força de suas falcatruas. O que fez esse cavalheiro,repito, de 93 anos,idade que não influiu no seu intelecto? Pode ter sido espantoso,mas Hélio Bicudo pretende que a Presidente Dilma seja destituída do seu cargo. Razões não lhe faltam. Basta ler a Zero Hora dessa terça-feira:

“Orçamento da União tem rombo de 30,5 bilhões e inclui aumentos de aliquotas sobre eletrônicos e bebidas para elevar receita. Salário mínimo previsto é de R$865,50.”

Enquanto isso,a maioria dos Estados está com sérios problemas,haja vista o que ocorre com o Rio Grande do Sul. Ivo Sartori viaja para Brasília a fim de tentar o desbloqueio das contas do Estado. Ao mesmo tempo,o Rio Grande talvez tenha de enfrentar greve até sexta-feira. Como escrevo na terça-feira visando a entregar o meu texto até quinta-feira,algumas coisas podem se alterar,tanto para melhor quanto para pior.A Brigada Militar e a Polícia Civil são categorias cuja greve,por óbvio, são as que mais preocupam a população. E não é somente o povo que se preocupa com os brigadianos em greve. Essa chegou também ao comandante-geral da Polícia Militar e a maior prova disso é o fato de o comandante ter resolvido dormir no quartel. O coronel Alfeu Freitas,às 6 da manhã,já estava reunido com os seus comandados. Na noite de terça-feira, Freitas, atendendo pedido do Secretário de Segurança, Wantuir Jacini esteve no QG a fim de saber a situação do policiamento e reconheceu que os atendimentos estavam reduzidos. Rezemos para que não ocorram desmandos na cidade para que a BB não seja chamada a intervir.