Avalanche Tricolor: Esperar contra toda esperança

 

Vitória 0 x 3 Grêmio
Brasileiro – Salvador


Esperar contra toda esperança. Ouvi a frase do padre Anderson agora há pouco, durante a homilia das seis da tarde. Com voz de locutor de rádio – ele o é -, repetiu duas, três vezes, fazendo ecoar esta ideia na minha cabeça. Os caros e raros leitores deste blog, em especial desta Avalanche, sabem que teimo em não misturar religião e futebol, pois creio que Ele tenha coisa mais importante para fazer em meio a tantas coisas que nós desfazemos aqui na Terra.

Mesmo levando em consideração o feliz momento de nosso time, não irei fugir desta regra que me impus. Mas achei apropriado reproduzir a frase, afinal a esperança é algo inato ao ser humano. Desistir dela é abrir mão do direito de viver. E quando dá o acaso de você torcer para um clube com uma história de imortalidade, isto tudo se torna muito claro.

Superando todas as expectativas, atropelando os prognósticos e adversários e surpreendendo até mesmo a esperança dos seus torcedores, o Grêmio sobe rapidamente na tabela de classificação. Começa a vislumbrar o topo, apesar de sabermos que nossas metas são bastante humildes. Já falei por aqui que temos de olhar, única e exclusivamente, o jogo seguinte, os próximos três pontos, independentemente do que estiver acontecendo ao nosso redor.

Contudo, quando a vitória ocorre da forma como a que assistimos neste sábado à tarde, é sinal de que alguma coisa está mudando. Não pela dificuldade de se vencer quatro jogos seguidos fora de casa. Nem mesmo porque fizemos uma partida fenomenal. Exatamente pelo contrário.

Em campo, havia apenas cinco titulares. Dos zagueiros aos volantes, todos estavam no banco na partida anterior. No meio de campo e no ataque, a vida não era mais simples. Renato fez malabarismo para escalar o time e, confesso, tive dificuldade de enxergar como eles se colocariam no gramado. Havia o sério risco de termos apenas um amontoado de jogadores.

As coisas tinham tudo para dar errado, mesmo após o primeiro gol de Maylson, outro que tem estado mais tempo na reserva do que no time titular. Quantas vezes neste campeonato, jogando muito melhor do que hoje, saíamos na frente para ceder o empate no fim, às vezes até mesmo tomar uma virada.

E não faltaram chances ao adversário. Mas sempre havia uma gremista no caminho. Muitos à frente de Vítor, quando este próprio não fazia das suas impedindo o gol adversário. O passe saía desconcertado, a bola não ficava em nossos pés, mas o “inevitável” gol de empate não acontecia.

O tempo passava, a marca dos 40 minutos do segundo tempo chegava. Momento crucial, hora ideal para que o destino voltasse a nos preparar mais um revés. Foi assim durante toda a primeira fase deste campeonato.

Pois não é que ao chegarem os acréscimos, fomos nós que ampliamos o placar. Mais uma vez o predestinado Diego – não por acaso – Clementino e Edílson levaram à vitória elástica.

Sem dúvida, tem muita coisa mudando no nosso destino neste Campeonato Brasileiro. Mas é melhor não pensar muito nisso, não. Fiquemos aqui, apenas a saborear cada pontinho conquistado, cada colocação alcançada, refletindo sobre o que nos falam e as mensagens que nos enviam.

É hora mantermos nossa santa humildade sem jamais esquecer, porém, da nossa Imortalidade.

Campanha eleitoral marcada pelos cavaletes

(atualizado às 8h55)

 

A propaganda eleitoral no rádio e na TV chega ao fim, oficialmente. A sexta e o sábado são os dias que a Justiça diz serem o momento da reflexão, instante no qual o eleitor poderá pensar sem a pressão dos candidatos e partidos. A publicidade nas ruas, porém, é permitida até amanhã.

Esta campanha foi marcada pela presença dos cavaletes que podem ser usados desde que retirados durante à noite e não estejam expostos em área verde ou atrapalhando o passeio na calçada. Há quem explore os muros com faixas e cartazes, outros penduram seus banners em árvores ou amarram o material nas grades de pontes e passarelas, infringindo a lei. Criatividade não falta, por exemplo, com cartazes circulando sobre bicicletas.

O Tribunal Regional Eleitoral e a prefeitura de São Paulo fecharam acordo para impedir os abusos. Dizem que recolheram milhares e milhares de material irregular e aplicaram uma centena de multas.

A melhor punição, porém, é do próprio eleitor que, se considerar abusiva a publicidade feita pelos candidatos, tem o direito de não votar nos “malandros”.

STF aboliu apenas um papel, não o título de eleitor

 

É uma pena que neste país nenhum movimento possa ser feito sem que alguém use sua própria régua para medir as intenções de quem se move.

A decisão do STF de permitir o voto apenas com um documento oficial que tenha fotografia deveria ser comemorada pela sociedade que pede insistentemente pela redução da burocracia. Bom fosse que com um só documento nos desvencilhássemos de todos os trâmites legais.

No entanto, como a medida foi solicitada pelo PT, que temia perda de eleitores nas urnas devido a exigência do RG e do título de eleitor, foi o suficiente para que todos aqueles que são contra o PT criticassem o STF.

Claro que a ação é casuística, mas daí a condenar o Supremo me parece desproposital.

Vergonha, absurdo, manobra foram palavras que surgiram nos textos, e-mails e twitters.

Alguns inclusive repetem com veemência frase do presidente do Supremo César Peluso que disse ter sido decretada a abolição do título eleitoral. Apenas uma frase de efeito, no que ele parece ser craque.

O que foi decretado é a abolição do uso de um papel que nós chamamos de título eleitoral. O título propriamente dito é o registro que somos obrigados a fazer – e continuaremos a ser – no tribunal eleitoral do Estado em que moramos. Sem este registro você pode apresentar o documento que bem entender na seção eleitoral, seu nome não aparecerá e, portanto, você não será autorizado a votar.

Ver na medida adotada pelo STF interferência política e favorecimento ao Governo Federal, é esquecer que Ellen Gracie, indicada ao cargo pelo ex-presidente Fernando Henrique, foi a primeira a dar seu voto a favor da apresentação de apenas um documento com foto.

Crítica comum de se ler nestas últimas horas, desde que o tema ganhou o noticiário com a decisão no STF, é que o sistema de votação está mais frágil, pela facilidade com que se falsificaria um documento de identidade, carteira de motorista ou passaporte. Como se o título de eleitor fosse mais difícil de ser falsificado.

O absurdo é o fato de a decisão ser tomada apenas a três dias da eleição quando milhares de cidadãos tiveram de encarar a fila e perder tempo para ter o título de eleitor em mãos. E neste caso, o STF não me parece responsável, pois só apreciou o tema por ter sido provocado pelo PT mesmo partido do presidente Lula que sancionou a minirreforma há um ano sem veto nem questionamento a esta questão.

Assim como é vergonhoso vermos que a preocupação da tal minirreforma de 2009 era apenas burocrática quando temos temas muitos mais relevantes para mexer na lei eleitoral como discutir financiamento público, voto facultativo e voto distrital entre outros pontos.

Eu só voto em candidato que …

 

Foi esta a provocação da quarta-feira aos internautas que acompanham o CBN-SP pelo Twitter. A intenção era fazê-los pensar sobre os critérios que os levam a escolher um candidato. Desde o comprometimento com questões temáticas até comportamentos ético e moral foram apontados como decisivos para que o eleitor decida seu voto, no dia 3 de outubro.

O Ficha Limpa foi o preferido da maioria que impõe este rótulo como prioridade na decisão. Aos mais exigentes, não basta ser, tem de estar cadastrado no site do Ficha Limpa, como afirma @massao. Para isto, o candidato teve de assumir o compromisso de atualizar semanalmente as contas da campanha, informando, inclusive, o nome dos seus financiadores. @AlecirMacedo, @ClovisMiura, @MarjorieLuz seguiram pelo mesmo caminho.

Ser contrário ao aborto é fundamental para @samuca_87; defender a causa das pessoas com deficiência, para @RobertoBelezza; ter a educação como prioridade, foi o que sinalizou @svllo; e @fftolentino entende que é preciso ter idoneidade.

Há os que sinalizam descrença, total como @angieso que completou a frase “Eu só voto em candidato que …” com um maiúsculo “…AINDA ESTÁ PARA NASCER”.

Leia alguns dos twitters que recebi durante o dia e completa a frase você também nos comentários deste post

O voto: show business ou show de horror?

 

Por Carlos Magno Gibrail

Candidatos estranhos

Analisando nos dias recentes, jornais, revistas, sites, blogs, rádios, TVs e demais meios de comunicação, o voto tem espaço e audiência, mas está mais para um show de horror e humor.

De um lado, extensas e intensas críticas aos debates pouco esclarecedores e divorciados do objetivo da eleição. De outro, a propaganda que ocupa o horário político obrigatório expressa mensagens ofensivas à inteligência dos eleitores.
Tudo coordenado e em nome do marketing político, que ignora a teoria do marketing empresarial, cuja eficiência é inquestionável.

Entretanto a explicação é simples, o mercado é o mesmo, mas as regras são diferentes. No mercado em que as pessoas escolhem produtos e serviços, elas não são obrigadas a consumir. No mercado em que são escolhidos os candidatos, os eleitores são punidos se não votarem.

Para que os produtos e serviços sejam escolhidos, eles precisam satisfazer necessidades e desejos do consumidor.

Na política nem tanto, pois o consumo é obrigatório.

Ao desobrigar o eleitor de votar, automaticamente haveria valorização do voto e evitaria os votos inconscientes e vendidos. Situação ao que tudo indica, não é a desejada pela maioria política. Pesquisa Vox Populi do ano passado indicou que apenas 51% votariam em caso da não obrigatoriedade.

Tiririca, a estrela da insensatez e da provocação ignorante à ignorância, certamente não teria o um milhão de votos previstos.

A espetacularização orquestrada pelo STF provavelmente não teria tanta importância, pois quem se dignasse votar facultativamente faria escolha em cima dos ficha-limpa.

Embora estejamos defasados globalmente, pois 90% dos países adotam o voto facultativo, incluindo aí os mais ricos e desenvolvidos, a mudança teria que ser aprovada pelos mesmos políticos que usufruem do voto compulsório.

O objetivo político da maioria dos políticos é a própria reeleição, tornando o que é meio em fim, donde se converge o interesse maior na obrigatoriedade do voto. Facilitadora da continuidade e estimuladora da falta de compromisso numa trama em que o ator desempenha o próprio papel buscando sempre o interesse pessoal e sinalizando à platéia exatamente o contrário.

É hora de escolhermos corretamente boas peças e bons atores.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung

Internet ajuda a escolher seu candidato

 

Antes de votar, vá a internet. Na rede, há uma enorme variedade de serviços que permitem acesso a informações sobre os candidatos. A maior parte ainda se refere aqueles que já ocupam cargo no legislativo, de qualquer forma os dados disponíveis podem ajudá-lo a não cometer um enorme engano ao escolher alguém que passou seus últimos quatro anos sem atender as exigências mínimas do cargo e agora volta para pedir seu voto com cara de bom moço.

No CBN São Paulo, pedi a colaboração dos ouvintes-internautas, mais uma vez, para que fosse possível reunir alguns desses endereços. Além de sites com a relação dos candidatos e o perfil, alguns lembraram também de serviços que trazem a “ficha corrida” dos parlamentares ou compromissos assumidos durante a campanha.

@luizrodriguez1 fez uma sugestão curiosa pelo Twitter: “use a busca, digite o nome do candidato+justiça+processo+improbidade; aparecerão notícias”. Imagino que se a relação dessas palavras aparecer na sua tela, é melhor pensar duas vezes antes de votar no candidato.

Por outro lado, @A_Mandel lembrou que apesar de haver muitos recursos tecnológicos “ainda deve-se reforçar grupos de discussão em todos os setores sociais”. E sugeriu “basicamente, candidatos novatos devem ser avaliados pela sua atuação pregressa; candidatos á reeleição pela linearidade de ações”

Acompanhe a lista abaixo e, se considerar válido, repasse para seus contatos na internet:

Transparência Brasil
 

No site, você encontra o Projeto Excelências com informações completas sobre os deputados estaduais e federais, muitos dos quais concorrem à reeleição. Projetos de lei, uso de verba indenizatória, denúncias que respondem na Justiça e notícias relacionadas ao candidato estão disponíveis.

(Dica: Valdo Linhares/ @VBichuetti/ )

Voto Consciente

Avaliação do trabalho dos deputados estaduais e vereadores que disputam cargo nesta eleição. Na lista, além das notas é possível ver o desempenho dos parlamentares nas sessões plenárias, nas comissões, na fiscalização do Executivo e outros itens.

(Dica: Renato Lopes/@massao/@rafascarvalho)

Voto Aberto

Este sistema tem por objetivo calcular a afinidade política de suas ideias com os deputados do Congresso Nacional. O cálculo de afinidade é baseado em modelos matemáticos, sendo isento de qualquer vínculo político ou partidário. Utilize estas informações como um recurso adicional na escolha dos seus candidatos nas próximas eleições 
 
(Dica: Renato Manfredini/Valdo Linhares/ elietesophia/lyejepo)

Quanto Vale Seu Candidato

Antes da campanha, todos os candidatos devem prestar contas de todos os seus bens para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O objetivo do site é reunir esses dados e mostrar estas informações de uma forma mais interessante.

(Dica: @brunobarreto)

Vote na Web

O Votenaweb foi desenvolvido com o objetivo de ajudar o cidadão a acompanhar de perto o trabalho dos parlamentares. Uma das possibilidades mais interessantes que a plataforma oferece é comparar os votos dos cidadãos com os votos dos parlamentares e analisar o nível de afinidade com aqueles que elegemos. É fácil verificar os projetos de lei que tiveram votações opostas entre usuários do site e os parlamentares. Essas comparações nos levam a pensar na questão da representatividade política e como a democracia funciona na prática.

(Dica: Renato Lopes)

Congresso Em Foco/Sinal Amarelo

Lista de candidatos para os quais o eleitor deve ter muita atenção antes de votar. É um site jornalístico que faz cobertura no Congresso Nacional e seu objetivo é auxiliar o eleitor a acompanhar o desempenho dos parlamentares, contribuindo assim para melhorar a qualidade da representação política no país.

(Dica: @AlmirViera, @Saffuan)

Eu Lembro

O eleitor se cadastra, procura o candidato que pretende votar e recebe informações que estão publicadas na rede. O site pretende, também, se transformar em espaço para que o voto seja memorizado, ajudando o eleitor a não esquecer em quem votou.

(Dica: Renato Lopes/@massao/@tcheregati)

Promessas de políticos

Reúne promessas feitas pelos principais candidatos à presidência da República e pode ser consultado após a eleição para cobrar do eleito os compromissos assumidos.

(dica: Renato Lopes/Valdo Linhares)

10 Perguntas

O 10 Perguntas é o primeiro fórum online no Brasil em que brasileiros podem enviar perguntas, priorizá-las e votar naquelas que querem respondidas pelos candidatos à presidência, exigindo dos políticos respostas profundas para a discussão e não apenas frases de efeito.

(Dica: Renato Lopes)

Político do Brasil

Dados sobre todos os candidatos de 2010 e de eleições anteriores

(Dica: Valdo Linhares/ Ricardo Granatowicz)

Ficha Limpa

Candidatos cadastrados no site se comprometeram a divulgar antecipadamente o nome dos doadores e prestar contas semanalmente sobre os gastos de campanha

(Dica: Valdo Linhares)

DIAP

O levantamento feito pela assessoria do DIAP identifica dentre os quase 6 mil candidatos a deputado federal, os que têm chance de vitória em 3 de outubro para as 513 cadeiras disponíveis na Câmara. A pesquisa abrange as 26 unidades da Federação e o DF. O trabalho leva em consideração aspectos quantitativos e qualitativos e não tem a pretensão de ser conclusivo.

(Dica: @arianef)

Questão Pública

O programa Questão Pública: Valores do Legislativo, Responsabilidade do Cidadão quer comparar as opiniões dos eleitores às dos candidatos ao Senado Federal com o propósito de lhes oferecer um painel de afinidade com os candidatos. Essa comparação é feita a partir de um questionário único, aplicado a candidatos e eleitores, que toma por base afirmações polêmicas sobre temas que estão em debate na sociedade civil.

(Dica: @massao)

Eleições 2010

Portal das Eleições 2010 no Brasil. Informações sobre todos os Candidatos a Presidente, Governador, Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual

(Dica: @Maricrisdias)

IG

O perfil dos candidatos das eleições 2010. A ferramenta permite pesquisar o candidatos mais ricos, mais velhos ou filtrar por grau de instrução, profissão e partido.

(Dica: @juniormelerio)

Como escolher um candidato a deputado

 

Com a mídia de olho na disputa para a presidência e quando é possível para o governo estadual, também, o espaço para discussão em relação ao trabalho legislativo fica reduzido. A própria legislação eleitoral dificulta a cobertura nas emissoras de rádio e televisão, pois exige tempos semelhantes a todos os concorrentes, o que inviabiliza qualquer debate entre candidatos a deputado estadual e federal.

As regras da propaganda eleitoral também não oferecem oportunidade para que os candidatos apareçam com mais frequência para o eleitor e os leva a realizar malabarismos para se destacar em um mundo de caras e bocas políticas que dizem a mesma coisa. Não por acaso, os partidos correm em busca de personalidades do mundo artístico e personagens exóticos capazes de chamar atenção do cidadão.

Deputados que concorrem à reeleição levam enorme vantagem, pois tiveram quatro anos para estabelecer vínculos com as comunidades e criar canais de comunicação que se transformam em uma preciosidade no período eleitoral.

Neste cenário, a responsabilidade do eleitor aumenta na mesma proporção que a dificuldade para a escolha certa. Por isso, é fundamental que nestes dias que antecedem o pleito o cidadão estabeleça critérios claros para a escolha do seu candidato à assembleia legislativa (ou Distrital, caso de Brasília) e o Congresso Nacional.

Nesta semana, o CBN São Paulo vai conversar com os ouvintes-internautas para saber qual a estratégia que usam para decidir seu voto para o parlamento. Caso você tenha sugestões de sites com informações sobre os candidatos que possam ajudar na escolha, não deixe de nos enviar.

Na edição desta segunda-feira, perguntei aos ouvintes-internautas se já haviam escolhido seu candidato e qual o critério que usam para a escolha.

Reproduzo a seguir algumas das mensagens que chegaram

Pelo Twitter

@k4rlosss pesquiso seus antepassados. Tds as emendas sugeridas e só depois vejo suas propostas futuras

@Màssao Uéhara  ninguém está escolhendo seu candidato pelo @fichalimpa ? Está tão fácil escolher pela quantidade de candidatos que se comprometeram serem #fichalimpa com transparência com quem está fazendo doações para a sua campanha

@AlmirVieira Olho sempre o candidato no Projeto Excelências e agora se ele tem #FICHALIMPA. Também analiso seus sites e onde atuam

@Zabarov Sigo de perto o meu eleito e, se merecer, mantenho o voto. Nesse pleito só votarei para DFed. O resto vou anular. Depois, adoto.

@MarcosTomazini Eu voto na legenda para que o partido, elegendo o Executivo, tenha cadeiras no parlamento

@bethgrampola procuro ver a trajetória política do candidato e quais suas propostas caso seja eleito

@rsbraun Candidato comprometido com educação. Porém como o voto é proporcional, deveríamos analisar toda a chapa da legenda.

@ antobastos Já e fiz a escolha baseada na bio do candidato, programa viável e comportamento parlamentar anterior

@ _nizer Já desisti de votar em duas candidatas depois de ver cavaletes de propaganda nas ruas

Pelo e-mail

Rodrigo Romero: Meu critério de escolha se baseia em um tripé: biografia política, realizações em mandatos (costumo não votar em estreantes) e trajetória partidária (se muda muito de partido). Acompanho todos os meus votos, durante os quatro anos de mandato. Para mim, são importantes a coerência e a competência e capacidade do candidato. Por isso, a maioria dos meus votos vão a candidatos experientes. Já escolhi todos os meus.

Cezar e Michel: Procuramos escolher nossos deputados, tanto Federal, quanto Estadual, verificando sua vida pregressa, honestidade e capacidade para o cargo.

Laércio Teodoro: A minha escolha é de acordo com a atuação do candidato, seja para primeiro mandato ou reeleição. Acompanho constantemente o candidato que  ajudei eleger, porém se vejo que ele não se compromete  com aquilo que se propôs, meu voto ele não recebe nunca mais e ainda faço campanha contra.

Fábio Boni: Não voto em quem já é deputado ou já foi. Renovação total.

Haja paciência, vereador !

 

“O exercício de um cargo público exige também o exercício da paciência”.

A frase abre artigo assinado pelo vereador Aurélio Miguel do PR que está publicado em jornal de bairro que circula em redutos eleitorais dele. Nada mais apropriado do que ele falar sobre o tema, afinal é um vereador que chegou a política impulsionado por seus feitos em esporte no qual a paciência é um mérito.

Surpreendeu-me, porém, o que li nas demais linhas de texto que tomou espaço considerável da publicação.

Aurélio Miguel não exercita a virtude da paciência para suportar a pressão de grupos econômicos poderosos que tentam – e conseguem – influenciar as decisões na Câmara. Ao menos não é sobre isto que o vereador escreve.

Como também não é sobre a necessidade de praticá-la com o intuito de obter sucesso nas negociações com forças políticas antagônicas dentro da Casa. Menos ainda a propósito do tempo para o convencimento de seus pares na aprovação de algum projeto de lei que, por ventura, tenha interesse em particular.

O que demanda muita paciência do vereador, está escrito, é o comportamento de instituições que “se auto-intitulam fiscais dos mais diversos poderes”.

Diz lá: “a crítica fácil, os julgamentos apressados e feitos sob critérios pouco claros, sem rigor técnico, baseados no ‘achismo’ de seus autores terminam publicados como verdades ‘verdadeiras’. Notas são dadas pelos desempenho dos legisladores e governantes”.

E reclama: “No caso da Câmara Municipal, boa parte dos avaliadores nunca sequer colocou os pés no Palácio Anchieta. Baseiam suas análises a partir de dados parciais, critérios subjetivos e sem nenhum conhecimento do trabalho legislativo”.

Aurélio Miguel não é original em seu pensamento, lamentavelmente.
Reproduz o que parte de seus pares diz nos gabinetes ou mesmo no plenário da Câmara. Ficam incomodados pela  vigilância do cidadão – organizado ou não. Preferem o eleitorado amorfo que se restringe ao ato de votar.

Mesmo tendo se consagrado pela coragem com que enfrentava seus adversários, no artigo Miguel preferiu não citar o nome das “organizações não governamentais (ongs) e outras instituições particulares”, apenas levantar suspeitas: “A questão está em saber quem as financia e quais os verdadeiros motivos que as movem”.

É uma pena, pois com isso vai me obrigar a partir para o ‘achismo’ que tanto exige de sua paciência.

Das instituições que fiscalizam o trabalho dos vereadores, conheço bem ao menos uma: o Voto Consciente. A esta, porém, não cabe a crítica de que seus integrantes desconhecem a ação parlamentar, pois os ‘fiscais’ assistem às reuniões das comissões, participam de audiências públicas e acompanham as sessões em plenário. Mais não controlam porque a própria Câmara impede.

Tampouco procede a reclamação sobre os critérios usados pelo Voto Consciente para a avaliação anual que faz dos vereadores. Estes são de conhecimento público, devidamente divulgado aos parlamentares e, em sua maioria, objetivos. Não se avalia, por exemplo, o comportamento de um determinado vereador quando tem seus interesses negados em uma determinada subprefeitura. É difícil de ver e mensurar tal atitude.

Dos cidadãos que expandem seu papel de eleitor ao cotidiano do legislativo, conheço alguns,  parte reunida em torno de uma ideia lançada no CBN SP, o Adote um Vereador. Mas a estes chega a ser risível a desconfiança sobre o interesse de seus financiadores e do que os move. Do cafezinho que pagam nas reuniões mensais a passagem de ônibus que usam para visitar a Câmara Municipal, o dinheiro tem origem conhecida: o trabalho de cada um.

A motivação ? A cidadania.

(“E o senhor acha pouco ?”, perguntaria o motorista Eriberto França.)

Sei lá se são estes grupos e pessoas que levaram Aurélio Miguel a desabafar. Tivesse sido mais transparente, facilitaria a vida deste leitor.

Mas que fique bem claro, aos incomodados e impacientes: o cidadão tem o direito – chego a dizer, o dever – de fiscalizar, monitorar e controlar o trabalho dos parlamentares, conheça ou não o que é feito dentro da Câmara Municipal, na Assembleia ou no Congresso Nacional.

E para fazer este trabalho é preciso mesmo, vereador, muita paciência !

Canto da Cátia: A vida na Real

 

Incêndio na favela Real Parque

O que sobrou foi para a viela. Do que sobrou, algo foi roubado.

No incêndio que destruiu 300 barracos na favela Real Parque, em zona rica de São Paulo, a repórter Cátia Toffoletto flagrou não apenas imagens mas histórias do cotidiano deste povo. Logo que chegou ao local, após trânsito e encrencas, entrou ao vivo. E ao vivo entrevistou uma moradora ainda impressionada com o ocorrido.

Incêndio na favela Real Parque

A senhora (tinha voz de senhora) disse que o fogo começou “nove e pouquinho” e ela só ouviu a gritaria dos vizinhos, acordou, e passou a mão na bolsa e em um dos filhos. Correu pra fora enquanto alguns poucos pertences foram retirados do barraco. “O microondas foi roubado”, disse para Cátia. Ao fundo, uma voz de menina se espantava: “Foi roubado ?”

Incêndio na favela Real ParqueEm meio ao desespero de quem tentava impedir mal maior, houve quem visse ali a oportunidade de levar daqueles que tem muito pouco. E este pouco ficou no caminho a espera de um lugar para ser abrigado.

Foi a Cátia quem lembrou também o esforço dos bombeiros para impedir que as chamas chegassem na mata que resistiu a ocupação do local e no Singapura, construído há anos pela prefeitura para maquiar um problema que nunca foi contido. Faltam mais de 600 mil habitações para os paulistanos ao mesmo tempo que milhares vivem nas condições precárias dos moradores da Real Parque.

Candidatos estiveram na favela este ano garantindo melhorias. Mas toda eleição é a mesma coisa. Vão até lá, prometem “fazer e acontecer” e voltam para casa. A única coisa que deixam para trás é a propaganda irregular pendurada no poste.


Ouça aqui a reportagem da Cátia Tofolletto