Conte Sua História: Lição no Largo São Francisco

 

FT_Cássia Navas

De um bairro para o outro da cidade, Cássia Navas Alves de Castro foi construindo histórias e relações. Nasceu no Bixiga, viveu no Brás, no Tucuruvi, no Jardim São Paulo e no Alto da Lapa, entre tantos lugares para os quais a família se mudou. Esteve na Espanha, também, de onde voltou apenas com parte do nome para estranhamento dos pais.

Cássia Navas estudou toda sua vida em escola pública, foi a única dos cinco irmãos que ainda teve esta oportunidade. Apesar de ter seguido caminho diferente do pai, advogado renomado, começou a vida universitária no Largo São Francisco, em 1977, época em que o embate político deixava marcas muito duras. É sobre este período que ela fala no Conte Sua História de São Paulo, resultado de um longo depoimento gravado pelo Museu da Pessoa:

Ouça o trecho do depoimento de Cássia Navas, sonorizado por Cláudio Antônio

Você pode participar, também, enviando texto ou marcando uma entrevista pelo telefone 2144-7150 ou no site do Museu da Pessoa.

Ação de ‘padrinho’ do Adote um Vereador em destaque

 

Conte Estadão

Em reportagem sobre o uso do Twitter pelos vereadores de São Paulo, motivada por levantamento feito pelo cidadão Cláudio Vieira, do Adote um Vereador e postado aqui no blog, o jornal O Estado de São Paulo destacou, na edição de hoje, duas ações relacionadas ao Adote um Vereador.

A primeira delas, com direito a foto e pose de galã mal-encarado (quem não te conhece, te compra – diria minha mãe), chama atenção para o trabalho realizado pelo Cláudio que mantém cinco blogs e três contas no Twitter, a principal delas @AlmirVieira. Com isto, não apenas fiscaliza o vereador Marco Aurélio Cunha (DEM) (veja o blog) como também publica mensagens não respondidas por agentes públicos (parlamentares, secretários, subprefeitos …). Consegue, ainda, fazer reivindicações e reclamações com sucesso em alguns casos.

Cláudio está no Adote um Vereador desde os primeiros minutos de jogo, comprou a ideia e passou a incentivar outras pessoas a seguirem os parlamentares. É dos mais frequentes nos encontros mensais que costumam ocorrer no Centro Cultural São Paulo. Assim como ele, há uma turma bastante efetiva que se mobiliza, se organiza, lança propostas e dá a cara para bater. Gente que acredita no papel de cidadão. Me orgulho de vê-los atuando.

Falei que o jornal trouxe duas das ações do Adote em destaque. Sobre a segunda, o site que organiza e torna claras as informações sobre prestação de contas dos gabinetes dos vereadores de São Paulo, vou postar em seguida.

Vereadores querem ser adotados em Campo Grande

 

adoteFoi pelo Twitter do @fangelico da Transparência Brasil que descobri a intenção de vereadores de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, de serem adotados por estudantes do ensino médio. A reportagem foi publicada no jornal eletrônico Capital News:

O presidente da Câmara de Vereadores de Campo Grande, Paulo Siufi (PMDB), propôs a ideia do “Adote um vereador”. O plano é que um aluno de ensino médio escolha um vereador para ajudar com propostas para a legislação.

Siufi acredita que, assim, as escolas públicas e particulares da Capital podem participar de forma mais forte no trabalho do Legislativo. Os alunos deverão ajudar o vereador “adotado” a realizar ações em prol de suas comunidades, colocando reivindicações pertinentes ao bem comum da população campo-grandense.

A sugestão foi feita durante a Sessão Comunitária realizada no colégio Avant Garde nesta terça-feira (19). A iniciativa propõe uma troca positiva de experiências entre alunos e vereadores.

Não comento pesquisas

 

Comento, sim.

Então, o porquê do título acima ? Apenas reproduzo o que disseram os dois principais candidatos – que chamamos burocraticamente de pré-candidatos -, Dilma e Serra, sobre o resultado da pesquisa CNI/Sensus, que demonstra empate técnico, apesar do percentual da petista ser maior do que o do tucano.

No Ceará, José Serra sacou do livrinho de bom comportamento a explicação de que manteria postura adotada desde o início, ou seja, não falaria sobre o resultado. No Rio, Dilma Roussef usou do lugar-ainda-mais-comum da política: “pesquisa é uma fotografia do momento”. Não fosse o sorriso maroto daquele que aparece com vantagem, talvez até pudéssemos acreditar neles.

A verdade é que cada novo número divulgado, mesmo que de institutos pouco confiáveis no mercado, provoca um reboliço no quartel general dos candidatos. Seja sob a desconfiança de quem está em baixa seja na satisfação de quem está por cima, os coordenadores de campanha traçam suas estratégias a partir das pesquisas. Trocam roteiros de viagens, remarcam entrevistas que haviam sido deixadas de lado, pedem socorro a conselheiros ou programam factóides para o dia seguinte.

Nas equipes têm especialistas para desmembrar os números e identificar de onde vem a preferência ou a rejeição do eleitorado. Encomendam pesquisas internas com diferentes temas e formatos para chegar a resposta do que o cidadão quer. Preocupam-se de tal maneira que exageram na dose e pasteurizam os discursos e os candidatos. Os programas de governo são a maior prova disso. Leia sem saber quem é o partido e perceberá o que digo.

Tornam-se tão iguais que até mesmo ao comentar as pesquisas assumem o mesmo comportamento: não comentam – ou quase não.

De minha parte, prefiro prestar atenção na linha do tempo bem mais do que o número publicado. Se este nos dá uma fotografia do momento, aquela nos oferece a radiografia do comportamento do eleitor. Por isso, o trabalho que o jornalista José Roberto de Toledo realiza no Estadão é bastante significativo ao combinar os levantamentos feitos pelos principais institutos de pesquisa e apresentar a média das intenções de votos que, após a inclusão dos dados de Sensus e Vox Populi, mostram que Dilma se aproxima de Serra.

Nos próximos dias tem Datafolha a pesar sobre a cabeça dos candidatos (e sobre o emprego de seus assessores) quando poderemos identificar melhor se Dilma chegou para ficar ou Serra assim que voltar à TV descola, mais uma vez.

Seja qual for o resultado, sem comentários – dirão os candidatos.

“Campanha está nas ruas”, diz ministro do TSE

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

O relator das resoluções do Tribunal Superior Eleitoral para o pleito deste ano, Ministro Arnaldo Versiani, afirmou na sexta-feira anterior (07.05.2010), considerar normal que a campanha eleitoral “já esteja nas ruas”, ainda que somente em julho esta ocorra “na forma da lei”. Segundo o magistrado, “A verdade é que a campanha já está nas ruas, até com a aparição de pré-candidatos. Eu, sinceramente, sou do ponto de vista de que a propaganda deveria ser permitida, e até ser estendida. O período eleitoral propriamente dito, após 5 de julho, talvez seja muito curto”, afirmou. Versiani também manifestou que “Quanto mais propaganda, quanto mais a gente pudesse conhecer os candidatos, melhor seria”.

O dedicado Ministro do TSE está absolutamente correto. A legislação pune com multa quem viola a lei, antes a partir de R$ 20.000,00, de outubro de 2009 para cá, a contar de R$ 5.000,00, podendo chegar a mais que isto. Todavia, diante de outras questões de maior relevância, isto se revela um absurdo, uma verdadeira anacronia. Uma maneira objetiva e racional para evitar deboches, inclusive por autoridades da República, seria antecipar a propaganda a partir da desincompatibilização de abril. Afinal, quem se desincompatibiliza (dos cargos), quer concorrer na eleição.

O mais contemporâneo, o mais sensato, o mais lógico, seria estabelecer ainda mais liberdade com relação ao tempo, pois os eleitores manifestam suas convicções colocando adesivos em seus carros, cedendo muros, fazendo eventos particulares, etc. Logo, estas punições que ocupam a maior parte do tempo dos Tribunais Eleitorais, inclusive do TSE, são líricas e descompassadas, não traduzindo a realidade democrática do país. Propagandas pessoais ou de mandatos não significam, necessariamente, propaganda eleitoral. A legislação eleitoral necessita ser atualizada e aperfeiçoada, arejada seria melhor. A legislação vigente é míope e hipócrita na medida em que estabelece um imenso rol de punições para propagandas tidas como extemporâneas (antes do prazo) mas não traz conceitos essenciais tais como de caixa 2 ou abuso de poder econômico.

Se a lei eleitoral, assim como as demais que vigoram no país, tem como finalidade “harmonizar relações sociais”, que esta que vigora atualmente sofra uma atualização para punir quem se elege comprando voto com distribuição de tijolos, camisinhas de vênus, de consultas médicas, fretes, promessas de empregos públicos para famílias inteiras, etc, ao invés de punir o Vereador que manda confeccionar tabelas de Copa do Mundo ou adesivos com o seu nome. Se a campanha (ou pré-campanha) está nas ruas em pleno mês de maio, se as pessoas comentam o que lêem sobre os pretendes dos cargos eletivos nos sites e jornais, isto é bom, salvo para aqueles “líderes políticos” (muitos com mandatos eletivos) que apreciam (alguns inclusive usando camisetas, bandeiras e sites) “modelos” de liberdade de expressão e comunicação como da Venezuela, Cuba, China e outros cafundós dominados por “libertários democratas”.

Eleição é hábito de povo livre e leis devem reproduzir esta situação.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

A moda na política

 

Por Dora Estevam

Candidatos

Agora é assim: a roupa da Dilma, a roupa do Serra, a roupa da Marina. Os três maiores candidatos à presidência do Brasil estão em destaque, e o país comenta a vestimenta. Uma por que usa roupa larga demais, a outra que deveria se vestir mais formalmente e o outro que não tem gosto pela gravata.

Já falamos aqui nesta coluna da liberdade de se vestir, do respeito ao tipo físico, do respeito ao gosto pessoal de cada um. Por que os políticos deveriam se vestir “melhor” do que já se vestem ou mudar seu estilo ?

Veja Michele Obama, a primeira dama dos EUA se destacou pelo diferencial, até o estilista de jóias que ela usa ficou famoso, e ninguém o conhecia, ou nem tanto.

Há algum tempo o presidente Lula disse que a ministra Dilma deveria se vestir com roupas mais , formais. Desculpe-me, presidente ! O senhor está dando corda para ela se enforcar. Em minha opinião, Dilma tem de se vestir do mesmo jeito que sempre se vestiu. A mudança de visual acontece gradativamente na vida das pessoas, não é porque ela é candidata que vai mudar o estilo. A vestimenta está ligada a personalidade. Se você muda algo repentinamente ninguém vai entender nada. E a própria pessoa não vai se sentir à vontade.

Além do que todos os três já são bem velhinhos para determinar mudança de personalidade.

A candidata Marina Silva é um outro exemplo. A mulher tem lá o estilo dela toda natural, com toque clássico antigo, naquelas pantalonas com um ar natural realçado nos colares feitos na Amazônia, ou seja, vai mudar pra quê? Ela me parece se sentir confortável nas peças.

E o Serra? Há quanto tempo ele está na política e há quanto tempo ele se veste desta maneira sem afetar ninguém. Não tem que exagerar em gravata colorida para agradar as pessoas. Escolher gravata não é uma tarefa fácil para nenhum homem. E além do mais o que há de mal em uma camisa azul e uma calça bege? É só dar uma voltinha pelos shoppings de SP que você vai encontrar centenas deles.

Em entrevista esta semana, um estilista comentou sobre os ombros do Serra. Disse que são pequenos e parece que se der um vento ele vai cair. Para com isso, só falta agora querer que o homem faça musculação ou lute boxe.

Ele sempre teve este tipo físico e não há registro de tombo por ai.

Essa mania de querer mudar já era, não dá certo. Ninguém está elegendo princesa, muito menos rainha, nem tão pouco um príncipe. Estamos escolhendo um presidente para governar um País. Deixa fluir, não mexe não.

Quer saber, essa coisa de querer mudar o jeito da pessoa é bem cafona. Estão querendo transformar uma ex-guerrilheira e uma ex-seringueira em Costanza Pascolato; e o um eterno político em Reinaldo Gianecchini. Esquece. Elas (e ele) merecem se produzir, ficarem deslumbrantes, mas na maneira deles.

Agora, o que pode ser feito – e o que sempre acontece nestas ocasiões – é na hora da posse e nas relações futuras, contratar um estilista que entenda a personalidade da pessoa e apresente propostas coerentes com o estilo dela para escolher os tecidos, cores, dar um acabamento melhor na roupa, mas não mudar a personalidade. Isso, definitivamente, está fora da moda.

E o povo quer solução, não ilusão.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

Adote um Vereador se reúne neste sábado

 

adoteOs vereadores Adolfo Quintas (PSDB) e Juliana Cardoso (PT) estão dando muito trabalho para a ouvinte-internauta Geralda, que aceitou nosso convite e adotou os parlamentares paulistanos. Quintas não participou de nenhuma das audiências públicas em que ela esteve na Câmara e não foi encontrado no gabinete nas vezes em que Dona Geralda foi procurá-lo. Juliana também não a recebeu e os assessores dela “fogem de mim como o diabo da cruz”, escreveu. Ao menos a vereadora esteve em algumas audiências realizadas na região de Sapopemba, informa nossa ouvinte.

Dona Geralda não mantém blog para informar o que ocorre com os seus adotados, mas exerce seu papel de cidadã em busca de respeito e avanços para a região em que mora. Muitos outros paulistanos tem realizado esta função, cada um ao seu modo.

Neste sábado, um grupo de “padrinhos” voltará a se encontrar para mais um bate-papo informal no qual trocam informações, combinam atitudes e contam como está a fiscalização do trabalho do seu vereador. A reunião que ocorre mensalmente no segundo sábado do mês será, às duas da tarde, na lanchonete do Centro Cultural São Paulo, na rua Vergueiro, 1000, bairro do Paraíso.

Para mais informações sobre o Adote um Vereador visite o site do Adote um Vereador

As coligações, os arranjos e o poder

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

Os horários de propaganda eleitoral no rádio e na televisão a serem veiculados apenas nos 45 dias anteriores à eleição decorrem de algo bem objetivo e específico: o resultado obtido pelos partidos políticos nas eleições para a Câmara dos Deputados. Quanto mais deputados federais eleitos, maior será o horário do partido nas eleições seguintes. Antes, quando não vigorava a fidelidade partidária, predominava a composição das bancadas à época da posse, agora vale aquela da eleição.

É por esta singela razão que (a) as coligações estaduais e mesmo a presidencial demoram a acontecer e são entabuladas ou armadas como se tudo não passasse de um grande jogo nu e cru e (b) os partidos maiores resistem a formar coligações para disputas proporcionais, vez que correm o risco das siglas menores, uma vez coligadas, elegerem alguém naquela vaga.

Ante o visível enfraquecimento, senão desaparecimento dos comícios tradicionais e o crescente desinteresse do povo pela política, o que vale agora é ter espaço na propaganda eleitoral gratuita. Com isto, dane-se a coerência ou as afinidades entre os partidos, o que vale mesmo são os preciosos minutos de mídia e ponto. Aliás, saiba o eleitor que não existe regra jurídica no Brasil que obrigue as coligações a buscarem afinidade programática para se associarem na disputa de pleitos.

Contudo, é justamente este aspecto de promiscuidade e interesse eleitoreiro que vitaliza o embrião das corrupções eleitorais e administrativas: aquelas por conta de negociações de duvidosa probidade acerca dos horários de propaganda gratuita para a campanha eleitoral; estas outras pelo loteamento de cargos públicos nas administrações.

Vejamos de outra forma:

O que é eleição proporcional?

É a disputa entre candidatos a deputado estadual e federal. Cada partido terá direito a um número de cadeiras conforme seu desempenho eleitoral. Quanto maior a votação total da sigla, maior será o número de vagas. A distribuição de forças decorre de um cálculo proporcional (quociente) e os lugares são preenchidos pelos mais votados.

O que é a coligação na proporcional?

Esta aliança ocorre quando duas ou mais legendas se unem formalmente (após as coligações assim deliberarem) para fazer propaganda eleitoral e disputar cadeiras legislativas. Os votos dos partidos são computados conjuntamente (todos os partidos formam um só) para calcular a porção de cadeiras destinada à coligação.

Quando essa aliança pode ser vantajosa?

Tema complexo.

Partidos pequenos – Sozinhas, siglas com estrutura limitada não disporiam de nomes para preencher integralmente as nominatas, tampouco votos suficientes para garantir vagas na hora do rateio. Com a aliança, somam forças para obter uma votação maior. Ficam com os lugares conquistados os candidatos que tiverem maior votação individual.


Partidos grandes – Tendo candidatos fortes, podem ampliar o seu número de eleitos (número de cadeiras). Isso porque a aliança garante uma maior fatia de vagas à coligação, mas a maior parte das cadeiras fica para a legenda que tiver os nomes com maior votação individual.

Quando essa aliança pode ser desvantajosa?

Tema também complexo.

Partidos grandes – Mesmo dotada de nominata completa e nomes fortes, experimentados e com amplos apoios consolidados, um partido corre o risco de a outra legenda coligada surpreender no momento da contagem de votos e ter candidatos com votação individual maior, que levariam mais cadeiras.

Partidos pequenos – Coligada a um partido grande, uma legenda menor ou pequena contribui para ampliar o total de cadeiras, mas pode ver a maior parte delas migrar para o partido maior, com candidatos de maior
votação.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Vereadores arquivam cassação de prefeito de Guarulhos

 

CBN SPPizza em Guarulhos – Comissão especial da Câmara Municipal de Guarulhos decidiu pelo arquivamento do pedido de cassação do prefeito Sebastião Almeida (PT), suspeito de ter usado verba pública para beneficiar a ONG Água e Vida. O relatório será votado provavelmente até sexta-feira e a tendência é que os parlamentares mantenham o arquivamento já que apenas quatro dos 34 vereadores que integram a casa não fazem parte da base governista. Desde ontem, manifestantes estão acorrentados nas dependências internas da Câmara para agilizar o processo de cassação. O repórter João Vito Cinquepalmi acompanhou a votação.

Acompanhe outros destaques da pauta #cbnsp de 28.04.2010:

Cães ameaçados – O canil da USP que mantém cerca de 100 cães abandonados está ameaçado de ser fechado por decisão da coordenadoria da Cidade Universitária, a mesma que tenta impedir uso de bicicleta e quer cadastrar as pessoas que entram e saem deste local que já foi público e área de lazer na cidade. A denúncia foi feita por um dos professores-voluntários que atuam no cuidado e adoção destes animais, Tibor Raboczkay. Apesar de atuar há cerca de 10 anos no local, ele reclama que a medida está para ser anunciada pela USP sem que tenha havido qualquer conversa prévia com os coordenadores do canil.

Bibliotecas de Paraisópolis – Uma das maiores favelas de São Paulo com cerca de 100 mil moradores já tem 15 bibliotecas – cinco delas fora do ambiente escolar, espalhadas pela comunidade e mantidas por ela. Para incentivar os moradores a frequentarem estes locais, se inicia hoje a III Semana Cultural das Bibliotecas de Paraisópolis com uma série de atividades. O presidente da Associação de Moradores de Paraisópolis, Gilson Rodrigues, falou sobre a iniciativa.

Urbanismo no STJ – O esqueleto de um prédio embargado em 1996 no bairro City Lapa pode mudar a história do urbanismo de São Paulo. A associação de moradores da região e o Defenda São Paulo foram à justiça para pedir que a construção seja derrubada, pois está acima da altura permitida nas escrituras iniciais da Cia City que loteou o bairro na década de 1950. A construtora alega ter autorização da prefeitura. O caso está para ser decidido pelo STJ e se a conclusão do prédio for permitida promoverá forte pressão do mercado imobiliário em bairros protegidos como Pacaembu e Jardins, alertou o professor das Faculdades de Arqutitetura e Urbanismo da USP e da Universidade Mackenzie João Sette Whitaker.

Época SP na CBN – A francesa Laetitia Sadier é o principal destaque musical desta terça-feira, em São Paulo. Tem também um grupo curitibano que faz sucesso cantando em inglês e uma boa dica de restaurante na cidade. Acompanhe a conversa com Rodrigo Pereira.

Esquina do Esporte – As chances de Corinthians e São Paulo na Libertadores na noite desta quarta-feira, foi o tema da conversa com Marcelo Gomes, que está em Lima, no Peru, e Jesse Nascimento, no Rio de Janeiro.

O discurso do TSE e a eleição com Ficha Limpa

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

O discurso de posse do Ministro Ricardo Lewandowski na Presidência do Tribunal Superior Eleitoral, nesta semana que passou, exprime diversos movimentos daquela Corte. Foi uma manifestação erudita e direta que uma vez decodificada, permitirá ao (e)leitor verificar algumas filigranas e o próprio tom do processo eleitoral deste ano.

Neste contexto, é importante lembrar que embora estejamos em abril e a eleição ocorrerá somente em outubro, os pré-candidatos, todos eles, para qualquer cargo em disputa, já estão submetidos à legislação eleitoral, seus limites e penalidades. Pesquisa eleitoral, por exemplo, só pode ser divulgada e referida, em qualquer veículo de comunicação, se estiver registrada com 5 dias de antecedência na Justiça Eleitoral. Caso contrário, pode ocorrer infração, crime, multa e proibição. No horário da propaganda partidária, aquele onde não se pede voto mas onde são apresentadas as lideranças e prováveis candidatos, dependendo da infração, há multa e os programas são retirados do ar. Muitos pré-candidatos – a maioria – já se desincompatibilizou. Traduzindo: deixou o exercício dos cargos públicos. Vale dizer: deixou o poder.

Retornando ao discurso de posse do Presidente do TSE, na passagem onde refere que “A legitimidade dos representantes do povo radica em eleições, cuja base é o sufrágio geral, igual, direto e secreto, que não pode sofrer qualquer restrição em termos de sexo, raça, rendimento, instrução ou ideologia”, o Ministro ressalta duas questões. A primeira, que votar é a maneira pela qual o cidadão pode, de alguma forma, alterar a situação vigente. A outra está na priorização, pela Justiça Eleitoral, do direito de voto pelos presos provisórios. O tema é delicado porque os locais de votação – presídios – são obviamente inseguros. Além disso, não se vislumbra praticidade na medida que, embora discutível, é de índole constitucional (direito de voto por aquele que não tem uma decisão condenatória definitiva pelo Judiciário).

Já a referência de que “O voto há ter também imediatidade, isto é, deve defluir diretamente da vontade do eleitor, sem intermediação de quem quer que seja, e mostrar-se livre de pressões de qualquer espécie”, reforça a tendência de que os processos movidos por compra de voto podem resultar na cassação do acusado quando ficar provado que o mesmo, embora não tenha agido pessoalmente (o que, convenhamos, seria difícil de ocorrer e muito mais de provar), concordou que alguém – assessor, colaborador, militante – comprasse votos em seu benefício eleitoral. Caso recente do TSE cassou um deputado que comprava voto mediante a troca de frete de mudanças mas em juízo alegou desconhecer que da frente do seu comitê partia um caminhão. O relator foi … o Ministro Lewandowski.

Adiante, quando manifesta, quanto ao voto, a “pessoalidade de seu exercício, como também a ausência de qualquer possibilidade de identificação do eleitor” e também que se faz necessária “assegurar a alternância dos representantes no poder”, o novo Presidente do TSE dá coro a duas realidades: a implementação definitiva do sistema biométrico de inscrição eleitoral e às diversas e freqüentes manifestações do Tribunal posicionando-se contrário à reeleição para cargos do Poder Executivo. O TSE sempre, desde o início, expressou contrariedade à reeleição, sendo que diversos foram os seus Ministros que a criticaram e mesmo repudiaram.

Ou seja: os candidatos que partem para a reeleição (especialmente governadores e vices) devem ter cuidados dobrados em suas condutas simultâneas enquanto pretendes a um novo mandato e gestores públicos. Esta tarefa é difícil e vigiada pelo preconceito.

Quando enfatiza que “A missão fundamental que a nossa Constituição comete à Justiça Eleitoral é a de garantir que a vontade popular possa expressar-se da forma mais livre possível. Para isso ela conta com sofisticados mecanismos de coleta e apuração dos votos, a exemplo da urna eletrônica e da identificação biométrica dos eleitores, que dentro em breve será estendida a todos os votantes”, sua Excelência manifesta a autoridade da Justiça Eleitoral nos processos e eventuais cassações bem como a de expectativa de banimento das práticas de eleitores votarem uns pelos outros, sobretudo naqueles colégios eleitorais mais afastados dos centros urbanos, onde predomina o analfabetismo e a troca de favores pelos votos.

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