A moda na política

 

Por Dora Estevam

Candidatos

Agora é assim: a roupa da Dilma, a roupa do Serra, a roupa da Marina. Os três maiores candidatos à presidência do Brasil estão em destaque, e o país comenta a vestimenta. Uma por que usa roupa larga demais, a outra que deveria se vestir mais formalmente e o outro que não tem gosto pela gravata.

Já falamos aqui nesta coluna da liberdade de se vestir, do respeito ao tipo físico, do respeito ao gosto pessoal de cada um. Por que os políticos deveriam se vestir “melhor” do que já se vestem ou mudar seu estilo ?

Veja Michele Obama, a primeira dama dos EUA se destacou pelo diferencial, até o estilista de jóias que ela usa ficou famoso, e ninguém o conhecia, ou nem tanto.

Há algum tempo o presidente Lula disse que a ministra Dilma deveria se vestir com roupas mais , formais. Desculpe-me, presidente ! O senhor está dando corda para ela se enforcar. Em minha opinião, Dilma tem de se vestir do mesmo jeito que sempre se vestiu. A mudança de visual acontece gradativamente na vida das pessoas, não é porque ela é candidata que vai mudar o estilo. A vestimenta está ligada a personalidade. Se você muda algo repentinamente ninguém vai entender nada. E a própria pessoa não vai se sentir à vontade.

Além do que todos os três já são bem velhinhos para determinar mudança de personalidade.

A candidata Marina Silva é um outro exemplo. A mulher tem lá o estilo dela toda natural, com toque clássico antigo, naquelas pantalonas com um ar natural realçado nos colares feitos na Amazônia, ou seja, vai mudar pra quê? Ela me parece se sentir confortável nas peças.

E o Serra? Há quanto tempo ele está na política e há quanto tempo ele se veste desta maneira sem afetar ninguém. Não tem que exagerar em gravata colorida para agradar as pessoas. Escolher gravata não é uma tarefa fácil para nenhum homem. E além do mais o que há de mal em uma camisa azul e uma calça bege? É só dar uma voltinha pelos shoppings de SP que você vai encontrar centenas deles.

Em entrevista esta semana, um estilista comentou sobre os ombros do Serra. Disse que são pequenos e parece que se der um vento ele vai cair. Para com isso, só falta agora querer que o homem faça musculação ou lute boxe.

Ele sempre teve este tipo físico e não há registro de tombo por ai.

Essa mania de querer mudar já era, não dá certo. Ninguém está elegendo princesa, muito menos rainha, nem tão pouco um príncipe. Estamos escolhendo um presidente para governar um País. Deixa fluir, não mexe não.

Quer saber, essa coisa de querer mudar o jeito da pessoa é bem cafona. Estão querendo transformar uma ex-guerrilheira e uma ex-seringueira em Costanza Pascolato; e o um eterno político em Reinaldo Gianecchini. Esquece. Elas (e ele) merecem se produzir, ficarem deslumbrantes, mas na maneira deles.

Agora, o que pode ser feito – e o que sempre acontece nestas ocasiões – é na hora da posse e nas relações futuras, contratar um estilista que entenda a personalidade da pessoa e apresente propostas coerentes com o estilo dela para escolher os tecidos, cores, dar um acabamento melhor na roupa, mas não mudar a personalidade. Isso, definitivamente, está fora da moda.

E o povo quer solução, não ilusão.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

10 comentários sobre “A moda na política

  1. Sarah Palin,candidata nas ultimas eleições norte-americanas à vice-presidência dos Estados Unidos, é a prova mais recente de que a mudança de estilo no vestir, para manipular o eleitorado , não compensa.
    De estilo clássico, sua assessoria tentou o estilo contemporâneo na escolha das roupas. Além disso foram investidos altas somas para a produção da candidata.
    Foi um desastre.
    No caso brasileiro de agora, a deselegância é preferível do que a tentativa de manipulação.
    Ontem na CBN o Brunoro disse que ao entrevistar Luxemburgo, de cabelo power e colar de ouro à mostra na camisa aberta, aconselhou-o a mudança. Era melhor que Luxemburgo mantivesse a autenticidade, pois vê-lo à beira do gramado debaixo de 40 graus com terno Armani é bem pior. .

    • O problema do Luxemburgo não é a qualidade do terno ou quanto brega eram as roupas dele antes do Palmeiras. É o quanto inapropriado são as roupas dele para o ambiente em que está. E, por favor, não queiram comparar com técnicos europeus, pois estamos em um país tropical. Em relação a política, mudar a personalidade pela roupa é como colocar a carcaça da Ferrari no chassi do fusca.

  2. Ola Dora
    Confessadamente, em se tratando de moda, considero-me “semi analfabeto”
    Porém, em quando politicos estão extremamente preocupados com os seus visuais, “com que roupa eu vou”, qual o estilista a ser escolhido, qual loja da moda, etc, nós o povão estamos a cada dia ficando sem dinheiro para comprar roupas, sapatos, e se continuarmos assim, vamos andar pelados.

    Bom final de semana e ao Exelentíssimo esposo.

  3. Dora,

    Na campanha para presidente, o Collor fazia um esforço tremendo para parecer um homem de vestimenta simples. O Quércia quando esta em campanha, usa camisa social com mangas arregaçadas.

    Agora, o monocromático lilás da camisa e gravata do ex-deputado Roberto Jeferson, combinando com o olho roxo, até o vermelho Valentino deve ter tido inveja.

  4. Olá, Dora.

    Quanto ao modo de um político se vestir diariamente me é indiferente, o que me importa são seu passado e propostas eleitoreiras ufanistas .
    Por outro lado, após eleito concordo que ele deva vestir-se de modo adequado para cada ocasião. Afinal é o representante da nação.
    Sob meu ponto de vista todo representante de uma Nação deve não cometer gafes protocolares, de modo a não fazer com que o País por ele representado seja lembrado por suas gafes, vale como exemplo o Berlusconi, atrasar um cerimonial por estar falando ao celular.
    Pior ainda é um Presidente fazer vistas grossas e “permitir” que assessores diretos, familiares se envolvam em propinas, corrupção, escândalos financeiros que denigram a imagem do país.
    Abraço.
    Walnice

  5. Dora, dear!
    Adoro seu jeito direto de ser e de dizer!!!
    É isso aí, mesmo! Nada de trocar de roupa para agradar aos outros. A nossa roupa tem que ser a nossa cara, não é?
    Além do quê, político não precisa se vestir bem. Político precisa governar bem, legislar bem, falar bem e cuidar bem – MUITO BEM – do seu eleitorado. Pena que a maioria deles só está preocupada com a aparência – principalmente com a aparência recheada dos seus próprios bolsos……..
    Beijos
    Mônica

  6. Oi Italo, há muitas opções por ai e não são caras.
    Boas confecções não precisam necessariamente ser de marca famosa.
    Abraço e coloque muita roupa esta semana porque o frio chegou.
    Dora

  7. Valnice, eles precisam se voltar para os problemas da população com certeza. A roupa tem quem cuida disso. E de fato, se não for uma aberração fará com que a imagem do político só melhore com a aparência discreta e correta.
    Beijos
    Dora

  8. Oi Beto, eu nunca achei o Collor simples, nem mesmo de camiseta. O Quércia faz tipo homem do interior , isso sim. E o Jefferson depois que emagreceu resolveu dar um de garotão moderno. Bem, simples mesmo é a Soninha.
    O que você acha?
    Abraço
    Dora

  9. Querida Mônica, adorei a visita.
    A preocupação deve ser escolher roupas e acessórios que tenham bastante bolso para caber bem o recheio. Deve ser isso.
    Beijos.
    Dora

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