De ‘politicamente correto’

 


Por Maria Lucia Solla

 

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Título não é aval de importância, competência ou caráter. É sugestão de excelência.

 

Título é circunstância. Hoje você é miss, amanhã não é mais. Um dia estudante, no outro delinquente.

 

Tem vezes em que o sujeito se encaixa na função com tanta harmonia, que enobrece o título. Noutras o rebaixa.

 

Sujeito? Nós, ora!

 

Somos nós que enobrecemos ou conspurcamos o cargo que ocupamos. Onde quer que seja. Nós que o levamos às alturas, ou o lançamos na lama, como têm feito os políticos brasileiros.

 

Quando digo ‘nós’, me refiro ao ‘nós’ tradicional, que quer dizer inclusão de cada ser humano vivente, e quiçá os não tão viventes assim. O ‘nós’ de antes do advento do ‘politicamente correto’, um arroubo autoritário, preconceituoso e burro, na minha humilde opinião. Quem é que não concorda que favela dá samba e comunidade esconde a verdade?

 

Estou certa de que não sou a única a encarar metamorfose atrás de metamorfose nestes tempos difíceis de dificuldades financeiras, emocionais e que-tais.

 

Não somos nunca o eu de ontem.

 

E por falar em ontem, enfrentei a cozinha e o fogão. Uma varrida, um pano passado com o rodo… não limpa! Aí tem que atacar de jeito o que pedia para ser atacado. Balde, vassoura, rodo, escova, sabão, água sanitária, amaciante para atenuar o perfume do coquetel, um par de luvas que ganhei da Rose, e encaro a tarefa. Aprendo no percurso. Reinvento a roda.

 

Que falta faz uma empregada doméstica! Saudade de quem salvou o funcionamento da minha casa para eu poder trabalhar. Naquele tempo, empregada doméstica dava título à pessoa capaz de realizar os serviços domésticos, como cozinhar, lavar, passar, varrer, esfregar o chão, esticar um olho nas crianças e emprestar ouvidos aos queixumes e à confidência de cada morador da casa incluindo cachorro e papagaio.

 

O título era ‘Empregada Doméstica’ porque a pessoa era empregada por uma família, não por uma empresa. Descrição perfeita. Alguém que contava com a confiança dos moradores da casa, como se fosse da família. Do túnel do tempo!

 

E, já que falamos delas, vivam as empregadas domésticas!, especialmente as que são mães. Negras, brancas, amarelas, gordas, magras, altas, baixas, que deixam seus filhos em casa ou na creche, para dar atenção aos nossos. Que fazem o que não sabemos ou não podemos fazer.

 

Né?
Levanta teu brinde, e até a semana que vem.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

De Transmutação Mental ou Fisicultura do Pensamento

 

Por Maria Lucia Solla

 

“A Mente, tão bem quanto os metais e os elementos, pode ser transmutada de estado em estado, de grau em grau, de condição em condição, de polo em polo, de vibração em vibração.

 

A verdadeira transmutação hermética é uma Arte Mental”

O CAIBALION – Estudo da Filosofia Hermética do Antigo Egito e da Grécia.

 

Olá,

 

tem pensamento que nos envenena, amarga a boca e faz o plexo solar vibrar em sinal de alerta, não tem? E tem outro que infla a nossa alma como balão de gás. O bom é malhar esse e reformatar aquele, mudando o foco da atenção, até que se dê a Alquimia Verdadeira. Acreditamos literalmente que alquimia seja a arte de transformar qualquer metal em ouro, mas não nos damos conta da metáfora porque ouro tem sido o supremo poder nesta dimensão. Alquimia Verdadeira não é a arte de transformar metal em ouro, é a arte de controlar as forças mentais, não os elementos materiais, para evitar que elas nos controlem, e para quebrar a resistência de vícios mentais que nos subjugam através da certeza, do medo, do eu-primeiro, da birra, da soberba, da manipulação, da ganância, da agressividade, da reatividade…

 

Garanto que, assim como a Meditação Transcendental, o exercício de burilar os pensamentos gera coerência, se é que ainda nos lembramos do que seja. É só mu-dar o primeiro pensamento. Depois, um pensamento depois do outro, e seguir aliviando peso de dor, de desilusão, preconceito, incompreensão, radicalismo e falta de flexibilidade que aciona artrite e artrose também no corpo físico.

 

Este mundo é mental; não material, e não sou eu quem afirma. É um dos Preceitos Herméticos que datam de pelo menos 2700 AC, ofertados a seus discípulos pelo Mestre egípcio Hermes Trismegisto. Dizem que Abraão também bebeu de sua fonte filosófica, e que Hermes Trismegisto foi considerado Mestre dos Mestres, Três vezes Mestre, reconhecido pelos egípcios como Thoth, o Mensageiro de Deus, pelos gregos antigos como Hermes, deus da Sabedoria, e pelos romanos como Mercúrio.

 

O exercício é fácil: Está sol? Não reclamar. Chove? Não reclamar. O marido não se comportou direitinho? Não infernizar. Você adoeceu? Não desesperar. Mudar o que pode ser mudado e aceitar e contornar o que não pode ser, em vez de querer mudar o curso da vida e daqueles que nos rodeiam.

 

Bora exercitar? Ou não, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Novos prefeitos e velhas farsas

 

Por Carlos Magno Gibrail

O politicamente correto tem invadido as falas sociais apontando para a defesa das minorias, gerando uma tomada de posição dos setores menos radicais num processo positivo de debates.
Até mesmo o exagero do humorismo mais agressivo e grosseiro tem recebido providenciais puxões de orelha.

 

É de espantar, mas não surpreendente, o espetáculo politicamente incorreto que vários prefeitos das capitais demonstraram em suas falas de posse. Passaram das promessas em recursos e investimentos na campanha e apresentaram planos de cortes de despesas na posse. As palavras de campanha prometendo maravilhas em serviços e obras foram substituídas por “suspensão de todos os pagamentos”, “corte de gastos”, “contenção de salários”, “solicitação aos governos estadual e federal de recursos”, etc.

 

No Rio, Eduardo Paes do alto da reeleição com 64,6% dos votos, sem poder culpar o antecessor fez uma autocrítica e anunciou um “pacote de austeridade carioca”. Em Salvador, ACM Neto, em Manaus, Arthur Virgilio, em São Paulo, Fernando Haddad, em Recife, Geraldo Julio, assim como em Florianópolis, Campo Grande, etc, o mote foi a falta de recursos e o recurso do corte. Tudo muito diferente da campanha. Certamente é hora de mudar este status quo, buscando entender a formação e a evolução deste animal político para efetivar sua melhoria.

 

Danilo Gentili, o humorista politicamente incorreto, diz que o aluno ruim ou vira roqueiro ou vira humorista, e quem nunca foi aluno vira pagodeiro. Não há certeza de como se origina o político, mas temos convicção que através de um processo evolutivo darwiniano poderemos chegar a um padrão mais ético. Sabemos que Darwin concluiu que a evolução das espécies vem através de adaptações às novas condições ambientais, quando os mais aptos às mudanças sobrevivem, distanciando-se dos estados primitivos.

 

Ora, se mudarmos o tamanho do mercado eleitoral, isto é, restringirmos os eleitores àqueles que desejam votar, acabando portanto com o voto obrigatório, os candidatos terão que se entender provavelmente com menos consumidores/eleitores, embora mais envolvidos e mais conhecedores de política. Como na teoria de Darwin, quem ficará não serão nem os mais fortes nem os mais espertos. Apenas os mais aptos permanecerão enquanto os menos preparados serão excluídos.
Tudo indica que vale apostar e apoiar o voto facultativo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras