50 debates para o Brasil: fim das saidinhas divide opiniões sobre segurança e ressocialização

Cerca de 4% a 5% dos presos autorizados a sair temporariamente apresentam alguma irregularidade no retorno ao sistema prisional. O significado desses números e os efeitos da proibição das visitas familiares foram discutidos na série 50 Debates para o Brasil, do Jornal da CBN.

Participaram do debate César Dario Mariano da Silva, procurador de Justiça do Ministério Público de São Paulo e professor de Direito Penal e Processual Penal, e Renato Vieira, mestre e doutor em Direito Processual Penal e ex-presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais.

A saída temporária foi incorporada à legislação brasileira em 1977 e organizada pela Lei de Execução Penal, de 1984. Destinava-se a presos do regime semiaberto e permitia, mediante autorização judicial, visitas à família, frequência a cursos e participação em atividades de reintegração social.

Em 2024, o Congresso derrubou vetos presidenciais e proibiu as saídas para visitas familiares e atividades de retorno ao convívio social. A legislação manteve a autorização relacionada aos estudos. O debate, portanto, é sobre preservar essa restrição ou recuperar o instrumento com novos critérios.

Evasões e riscos para a população

César Dario afirmou que trabalhou por mais de 15 anos na área de execução penal e citou um índice de evasão próximo de 4%. Segundo ele, diante da liberação de aproximadamente 30 mil presos em cada período, o percentual representava cerca de 1.200 pessoas que não retornavam.

“Se nós tivermos mais presos na rua e a grande maioria deles sem a devida fiscalização, nós teremos o aumento da prática de crime”, afirmou.

O procurador também criticou a forma ampla como o benefício era concedido e a falta de fiscalização. Sua posição, porém, não é favorável a uma proibição sem exceções. Ele defendeu a possibilidade de saída para presos sem periculosidade, condenados por crimes sem violência ou grave ameaça, com bom comportamento, exame criminológico e monitoramento eletrônico.

Para César Dario, restringir as visitas familiares não elimina a individualização da pena, porque o condenado ainda pode progredir do regime fechado para o semiaberto e, depois, para o aberto. Ele também lembrou que a pena não tem apenas a função de ressocializar, mas procura desestimular a prática de novos crimes.

Fiscalização e retorno à sociedade

Renato Vieira reconheceu que os dados oficiais indicam irregularidades no retorno de 4% a 5% dos beneficiados. Ressalvou, contudo, que esse grupo inclui presos que voltaram com atraso. Portanto, o número não pode ser apresentado automaticamente como percentual de fugitivos ou de autores de novos crimes.

Para ele, falhas de fiscalização exigem uma resposta do Estado, e não a eliminação de um instrumento destinado a pessoas que já cumprem pena no regime semiaberto e se aproximam da liberdade.

“Quando nós cassamos esse benefício, nós estamos tirando a possibilidade de uma progressão do regime como manda a Constituição, que é a individualização da pena”, afirmou.

Renato defendeu o monitoramento dos presos e lembrou que o atraso ou o descumprimento das condições da saída pode ser considerado falta grave, com a regressão para um regime mais rigoroso. Na avaliação dele, impedir o contato familiar aproxima o regime semiaberto do fechado e pode prejudicar a preparação para a liberdade.

O confronto entre os dois argumentos expõe o centro da discussão. A saída temporária precisa proteger a sociedade, prever critérios rigorosos e permitir fiscalização. Ao mesmo tempo, o sistema penal terá de decidir como preparar o preso para voltar ao convívio social. Afinal, para a maioria dos condenados, a porta da prisão um dia será aberta de forma definitiva.

“50 Debates para o Brasil” tem a produção de Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas vão ao ar, de segunda a sexta, logo após às 8h30 da manhã, no Jornal da CBN.

De palestras

 

Por Maria Lucia Solla

 

image

 

Eu não sei você, mas do ponto onde estou vejo um número estratosférico de pessoas cada dia mais tristes, mais abatidas no âmago de sua essência humana, desesperançadas, e muitas, mas muitas outras, enfrentando situações inomináveis.

 

Vivemos tempos difíceis, e acredito que a causa disso tudo tem sido a falta de higiene social, moral e cívica (que deveria voltar ao programa de ensino em nossas…, como dizer, ah, escolas).

 

A falta de higiene nessas áreas cultivou, em nossa sociedade, um enorme furúnculo de proporções jamais vistas desde a Idade Média, e que está prestes a  se romper para expulsar suas entranhas apodrecidas, para serem amorosamente consumidas e transformadas pela mãe terra.

 

Esse e outros temas foram tratados em duas palestras animadíssimas das quais participei, ontem à tarde.

 

Conversas acaloradas, pendiam para o mesmo lado. Sem oposição. Na mesma sintonia, na mesma vibração. Discutimos a redução da maioridade dos seres humanos, para fins punitivos, e passamos longo tempo analisando o funcionamento básico de nossas prisões. Fomos unânimes quanto à obrigatoriedade do trabalho a todos os presidiários, para que possam arcar, provando o gostinho da dignidade humana, com o próprio sustento e o da sua família.

 

Imprescindíveis os cursos profissionalizantes a quem não tiver qualificação profissional. Nesse ponto eu pulei dizendo que propunha parcerias com Senai, Sesi, Sesc e quem mais quisesse participar, entre aqueles que já estão carecas de saber como e o quê fazer.

 

Hoje, a polícia prende o vagabundo, forma um delinquente e dá diploma, mestrado e tempo livre para que o facínora possa se aperfeiçoar, ao longo da vida. E nós pagamos por isso, dobrado, quando não com a própria vida, com a vida de um ser amado.

 

Educação foi outro tema acalorado que dividiu o pódio com a obrigatoriedade do trabalho em todas as prisões, tenham elas a nomenclatura que tiverem. Éramos um grupo de diferentes classes sociais, diferentes níveis de escolaridade, pretos, brancos e amarelos. Faltou um representante dos vermelhos. Quem sabe um dia destes. Havia empregados e desempregados, na faixa etária entre 20 e 75 anos, e alcançamos unanimidade em todos os pontos discutidos.

 

‘O esquadrão da educação tem que entrar em ação, antes que seja tarde demais’, foi a sentença de consenso, formulada antes que eu deixasse o recinto. Nessa área houve uma enxurrada de depoimentos que fortaleceram nossa crença. Cada um discorreu sobre a forma de educação, liberdade e repressão, adotada por sua família. Rimos muito, lembrando de chinelada, tapa no traseiro, e da história de uma senhora cuja mãe tinha uma varinha de marmelo atrás da porta da cozinha. Sim, ela ama e admira sua mãe.

 

Chegada a hora de deixar o grupo, coração e mente satisfeitos, com um largo sorriso e um aceno aos meus companheiros que ainda tinham um bom percurso a seguir, desci do ônibus, com o dia já se vestindo de noite.

 

No trecho de caminhada que ainda tinha pela frente, dei passos largos e decididos, senti o vento no rosto e vim sorrindo, pensando nos projetos desenhados por mim e meus companheiros de viagem, e dizendo para mim mesma: É possível!

 

Não é?

 

Pense nisso, ou não, bom domingo, e que a semana seja repleta de esperança, de vontade de agir, onde e como pudermos, para melhorarmos o que for possível.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

Presos usam "Super Mário" pra transportar celular

 

Pipa do Super Mário

 

Dia desses contei aqui no Blog sobre a tentativa de presos usarem pombas para transportar telefone celular e droga, hoje soube pela assessoria de comunicação da Secretaria de Assuntos Penitenciários de São Paulo que foi descoberta outra estratégia. Uma pipa com a imagem do Super Mário, herói dos videogames, de aproximadamente 90cm X 85cm, foi apreendida com telefone celular desmontado, bateria e carregador colados. Os agentes penitenciários desconfiam que crianças que estavam do lado externo tenha sido usadas para soltar a pipa que foi encontrada nos fundos do Centro de Progressão Penitenciária de Hortolândia, no interior paulista.

Presos usam pombas para receber celular e droga

A imaginação não tem limites. Presos e visitantes foram flagrados tentando usar pombos para transportar droga e celulares para dentro da prisão, durante o feriado de Páscoa. A descoberta foi feita por agentes do Centro de Detenção Penitenciária de Mauá, região metropolitana de São Paulo, após receberem informações de como funcionaria a estratégia. Os pombos, com pequenas bolsas adaptadas para transportar drogas e celulares, seriam levados para a área externa pelos visitantes; do lado de fora, os produtos seriam colocados na bolsa e, em seguida, as pombas seriam soltas, devendo voar de volta ao local de origem. No dia 29, uma pomba-teste foi vista pelos guardas pousando em uma das ventanas de ventilação das celas de inclusão. Na bolsa que carregava havia restos de papel alumínio que simulavam em tamanho e peso aparelhos de celular. Nos dias seguintes, foram encontrados de posse de visitantes dois pombos que seriam usados para o transporte. As informações são da Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo.