Avalanche Tricolor: Mérito para quem luta

 

Grêmio 2 x 2 Atlético GO
Brasileiro – Olímpico Monumental

Foi um fim de semana especial. E antecipo que não me refiro ao futebol, sobre este falem os entendidos. Prefiro escrever de metas, sonhos e conquistas alcançados na sala de aula, onde não chegava a ser um aluno exemplar, mas deixei boa impressão, sem falsa modéstia, tendo tido participação na política e no esporte do colégio em que estudei boa parte de minha juventude, em Porto Alegre. Além de ter sido presidente do grêmio estudantil e jogado em algumas das equipes principais de basquete do Colégio Rosário, também construí excelentes amizades com professores que conseguiam entender minha personalidade. Minhas notas não eram suficientes para me colocar no topo da lista dos melhores alunos, no entanto me garantiam no ano seguinte – exceção à sétima série, do primeiro grau – rebatizado ensino fundamental -, quando tomei bomba e fui obrigado a repetir. Mesmo esta experiência trágica me proporcionou momentos importantes e situações que guardo na memória até hoje.

Quando o boletim recheado de notas vermelhas (nunca me dei bem com esta cor) chegou em casa o pai estava viajando para transmitir uma partida de futebol pela rádio, o que me deu tempo para em uma tentativa desesperada negociar com a mãe uma forma de impedir que ele soubesse do resultado. Evidentemente que ela não aceitou, nem haveria como evitar a situação, e me convenceu de que o melhor mesmo seria eu contar a ele o que havia acontecido. Sem coragem de encará-lo prorroguei ao máximo o momento da verdade e tenho dúvidas se teria conseguido não fosse a intervenção de meu padrinho e técnico Ênio Andrade, que na época treinava o Grêmio. Em uma jogada combinada com o pai que, lógico, estava inteirado do meu infortúnio, Seu Ênio me convidou a passear pelo pátio do Estádio Olímpico e com a mão sobre meus ombros fez algumas perguntas do cotidiano até chegar ao ponto crucial: o desempenho escolar. Em seguida, quis saber por que não tinha coragem de contar ao pai, afinal ele era meu companheiro e seria mais fácil enfrentar aquele momento de angústia. Ele e minha mãe tinham razão, assim que falei, o sofrimento foi amenizado apesar de ter ouvido justificáveis reprimendas.

Lembrei desta história, no fim de semana, depois que voltei da escola de meus filhos com o boletim deles em mãos. Ao mostrar a avaliação para o mais novo, recebi um comovido abraço seguido de lágrimas para as quais fiquei sem palavras. Me coube retribuir com um lento cafuné deixando o tempo passar e a emoção, também. Meu pequeno não chorava notas ruins nem a necessidade de realizar provas de recuperação, muito antes pelo contrário. Este havia sido um ano no qual teve pequenos tropeços, nada de anormal, e, talvez, não conseguisse passar por média pela primeira vez. Neste último trimestre, ele se dedicou muito, esteve mais atento e foi preciso nas lições de casa, além de ter mantido o bom hábito de participar das discussões na sala de aula. Em praticamente todas as matérias melhorou seu desempenho e teve seu esforço reconhecido pelos professores no Conselho de Classe. Chorou de alegria pela conquista alcançada em uma satisfação que me encheu de orgulho. Ele sai deste ano com mais uma lição aprendida e a certeza de que mereceu o prêmio recebido.

O mérito da vitória não existe para aqueles que não lutaram por ela. Ele lutou e nós vibramos muito com isso. Não posso dizer o mesmo do meu time.

É preciso um plano estadual de educação, diz mestre

 

O sistema público de educação no Brasil está reduzido a atividade escolar, quando deveria contemplar diferentes agentes da sociedade como a família e os próprios meios de comunicação. A opinião é do professor da Faculdade de Educação USP, especialista em gestão democrática e políticas públicas, Elie Ghanem, entrevistado pelo CBN São Paulo. Nossa conversa faz parte da série que pretende levantar temas para pautar as entrevistas com os candidatos ao Governo do Estado, que começam no dia 8 de setembro, próxima quarta-feira.

De acordo com Ghanem, os governantes devem ser mobilizados a pensar nas práticas educacional e transformar em permanente o debate sobre o ensino público. “São Paulo precisa criar uma Plano Estadual de Educação”, sugeriu.

Questionado sobre a progressão continuada que se transformou em uma espécie de bode expiatório para os maus resultados no desempenho dos alunos, Ghanem lembrou que o sistema foi implantado sem uma discussão e preparação dos professores. “Há uma tradição de desconsiderar o magistério no debate sobre educação pública”, reclamou.

Ouça a entrevista com Elie Ghanem, ao CBN SP, e dê sua sugestão sobre o tema

Veja aqui o calendário das entrevistas com os candidatos ao Governo do Estado de São Paulo

Enem: professor é a solução

 

O Enem 2009 retrata bem a qualidade do ensino no Brasil, incapaz de preparar os alunos para chegar ao mercado de trabalho, e mostra a importância de se melhorar a formação dos professores. A opinião é da educadora Guiomar Namo de Mello com quem conversamos durante o CBN São Paulo para comentar os dados do Exame, divulgados nesta segunda-feira. Segundo ela, o problema é que o País não tem tempo para esperar a melhoria do ensino do magistério e ações imediatas precisam ser adotadas para apoiar os professores na sala de aula.

Ouça a entrevista com a educadora Guiomar Namo de Mello.

Uma das mensagens enviadas ao programa, logo após a entrevista, foi da professora Cleuds Savino que há cinco anos dá aula e diz estar cansada de ouvir que a sua categoria é a responsável pela baixa qualidade do ensino, principalmente, o público. Registro a opinião dela neste espaço porque entendo ser importante ouvir a entrevista da educadora Guiomar Namo de Mello de outra maneira.

Ao se falar que é necessário qualificar o magistério não se tenta jogar nas costas dos professores a responsabilidade por tudo que ocorre (de mal) na sala de aula. Ao contrário, quer se mostrar que o professor é a solução para a melhoria do ensino. Envolvido e compromissado com a escola, os resultados no desempenho dos alunos tendem a avançar, lembrou Guiomar. E para que isto ocorra é preciso, por exemplo, que estes professores possam ficar mais tempo na mesma escola, sem a necessidade de correr de um lado para o outro para melhorar seus vencimentos.

Eles não usam Black-tie

 

Por Carlos Magno Gibrail

Filme1981 & Greve2010

Do sucesso teatral da peça “Eles não usam black-tie” em 1958, passando pela consagração cinematográfica em 1981 numa interpretação da realidade brasileira pós-64, encontramos nessa sexta feira atuação real do mesmo cenário, sem encenação. Do ABC para o Morumbi. E ainda mais algumas diferenças nos protagonistas, que de operários e ditadura, passaram a professores e democracia.

Entretanto, não conseguimos a elucidativa análise de Gustavo Wagner do El Porteño sobre “Eles não usam black-tie” como película, então, internacionalmente aclamada: “Surpreendente a forma com que Hirszman concretiza a tão buscada síntese entre o intelectual e o popular, entre a ideologia e a arte”.

Algumas certezas, porém, afloram no mundo real, pois o salário inicial de um professor em São Paulo é de R$ 1.830,00 para 40hs/aula, enquanto outras profissões embaladas e embasadas por forte corporativismo e lastreadas em áreas do poder judiciário e legislativo chegam a R$ 18.000,00.

Sabemos que Educação, Saúde e Habitação são fundamentais para o efetivo desenvolvimento de uma nação, mas não soubemos até hoje implantar plenamente este trinômio da cidadania.

O Brasil, 8ª economia do mundo, é pela UNESCO a 88ª em educação. Algo está errado! Dos US$ 1,6 trilhões do PIB em 2008, investimos 3,5%, quando 5% seriam o mínimo. São Paulo, do orçamento de R$ 126 bilhões para 2010 alocou 16 bilhões para a Secretaria da Educação, fora os investimentos do Governo Federal. Ainda assim não são suficientes às demandas de instalações, operações e recursos humanos.

O movimento grevista encabeçado pelo APEOESP – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, através da liderança de Maria Izabel Noronha, em matéria ontem na Folha, reivindicou melhoria das condições de trabalho, piso salarial e fim da avaliação dos professores.

Paulo Renato Souza, secretário da Educação, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, defendeu a avaliação, que propõe resolver os desejos dos professores, aumentando eficiência, ganhos e consequentes condições de trabalho. Segundo ele, na medida em que assiduidades, tempo de permanência e provas são levadas em conta, e a análise é em função da diferenciação na própria escola e não no resultado absoluto, o índice obtido é real e imparcial.

Os professores Cesar Minto da USP e Neide Barbosa Laisi da PUC, entrevistados do Mílton Jung, criticam a avaliação porque os alunos são diferentes, assim como as condições de trabalho. Faltam bibliotecas, laboratórios, materiais, etc. E, o ponto de partida será sempre diferente para cada avaliação.

Os deputados Carlos Gianasi do PSOL e Milton Flávio do PSDB mantiveram opinião na rádio CBN, respectivamente, a favor e contra a tese dos professores. Gianasi acusa a existência de 75 escolas de lata, de um sistema de avaliação ruim, que o professor é responsável e não quer greve, que o governo não negocia e não dá atenção, e que as premiações com comissões e bonificações excluem o salário base e os aposentados. Milton Flavio defende a avaliação e os bônus que atingem 33% dos 210.000 professores e pode corresponder a três salários a mais, e que os totais dos recursos na educação podem chegar a 30% do orçamento.

Num período de predominância de administração PSDBista, onde surgiram percalços dos professores com Mário Covas, Franco Montoro e agora com José Serra, é nítido que Covas e Montoro, embora respectivamente com tapas e grades palacianas derrubadas, altivamente enfrentaram, confrontaram e resolveram com atenção direta os grevistas. Serra e seu Secretário, ainda que protegidos pela lei que impede manifestações nas imediações da sede do governo, não se apresentaram. Professores e governantes ofereceram, então, um espetáculo cujos papéis fugiram do script civilizado e reproduziram o que se viu no cinema.

Peça importante para explicação desta volta à cena do cenário da ditadura em plena democracia, Gabriel Chalita secretário da Educação do governo Alckmin, hoje no PSB, concedeu-me entrevista onde solicitei que explicasse por que em tão pouco tempo este destempero do professorado. E Chalita acredita que as reivindicações, que as considera corretas, poderiam ser administradas através de negociação pela autoridade, capacidade e boa vontade de Serra e de Paulo Renato. Até o confronto com os policiais poderia ter sido evitado.

Cunho político e avaliação predominam nesta composição de antagonismos. A atribuição política aos atos dos professores é tão evidente, mas camuflada quanto à resposta de João Havelange ao Presidente João Goulart, citado ao jornalista Roberto Kaz para a revista Serafina: “Não trabalho com política”. Ora, sabemos que Havelange fez e faz política a vida inteira.

Quanto à avaliação, boa lição está contida no best-seller Freakonomics, do economista Steven Levitt e do jornalista Stephen Dubner, no qual afirmam que os sistemas de incentivos devem tomar cuidado com as doses e com os trapaceiros.

Uma escola de Israel tinha problema com atraso de pais para retirada dos filhos e resolveu multá-los. O pequeno valor estabelecido incentivou os atrasos, pois compensava financeira e moralmente. As escolas de Chicago estabeleceram provões para avaliar os alunos em testes de múltipla escolha, cujos resultados poderiam premiar ou punir os professores. Salvo uma descuidada professora que escreveu as respostas no quadro da sala de aula, e alunas adolescentes alegremente contaram em casa que o provão tinha sido um sucesso, os demais professores trapacearam respondendo eles mesmos as questões. Foram pegos por algoritmo que descobriu sequências impossíveis de acontecer, como todas as perguntas difíceis corretas e as fáceis erradas.

Como se vê, a situação não é simples nem fácil, mas na Educação é conveniente que em casa de ferreiro o espeto seja de ferro. Educação se resolve com Educação.

Carlos Magno Gibrail, doutor em marketing de moda, escreve no Blog do Mílton Jung às quartas-feiras e nunca deixa de fazer a lição de casa.

Pauta do dia no #cbnsp

 

Greve dos professores, no Masp Foto Marcos Paulo Dias, ouvinte-internauta

A morte do cartunista Glauco e a greve dos professores no Estado de São Paulo foram destaques na edição desta sexta-feira do CBN SP.

Violência – Glauco e o filho foram assassinados de madrugada na cidade de Osasco, na Grande de São Paulo. A família diz que eles foram vítimas em um assalto na casa em que moram, enquanto o Boletim de Ocorrência fala em execução. Polícia já tem foto e nome do suspeito pelo crime. Atualize aqui as informações sobre a morte do cartunista e o filho dele.

Greve dos professores
– Haverá assembleia e passeata dos professores estaduais em greve desde a semana passada, em São Paulo. A dificuldade de acordo ficou evidente nas entrevistas que realizamos com a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha, e com o secretário adjunto da Educação do Estado de São Paulo Guilherme Bueno.

Lixo – A Ecourbis, uma das concessionárias que trabalham na coleta do lixo na cidade de São Paulo, anuncia que tem prejuízo de R$ 3,5 mi por mês, em média, e terá dificuldade para continuar prestando serviço na capital. A entrevista foi com o presidente da empresa Ricardo Acar.

Meio Ambiente – Os jovens dizem que o nível de informação sobre as questões ambientais é bom na escola e dão nota 7, segundo estudo da Unicef em comunidades de São Paulo. Por outro lado, os líderes comunitários identificam que os moradores ainda não cuidam do meio ambiente como deveriam e dão nota 3. Para analisar esta relação das pessoas com o ambiente urbano entrevistamos Tida Cavalcante, agente ambiental da zona leste e da Associação de Amigos da Pedro Nunes.

Menos criança, melhor professor e jornalismo de qualidade

Imagem reproduzida do NYT

Provocado pelo secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, fui ler no site do New York Times reportagem sobre o aumento do número de alunos nas salas de aula, em Nova Iorque. O debate que se espalha nos Estados Unidos se reforça com a constatação de que nas classes nova-iorquinas tem de 10 a 60 por cento mais estudantes do que nas cidades vizinhas e isto estaria provocando a saída de algumas famílias que temem a queda na qualidade de ensino.

O prefeito Michael Bloomberg disse que se a escolha é por classes menores ou por melhores professores, ele prefere com os melhores professores. E, assim, o investimento na educação tem sido neste sentido.

Apesar da indignação das famílias, diz o NYT: “As reduções no número de estudantes na sala frequentemente tem pouco efeito na performance dos alunos”.

O debate se desenvolve há décadas e existem alguns consensos como o fato de que o tamanho da classe tem maior influência entre os mais jovens e o efeito é mais profundo quando existem menos de 20 estudantes na sala de aula.

A indicação da reportagem foi motivada pela conversa que tivemos sobre a qualidade da cobertura jornalística em especial na área de educação. Alexandre Schneider entende que, mesmo críticas e necessariamente críticas, as reportagens poderiam se basear em estudos científicos para termos um debate mais qualificado. No que concordo plenamente.

Tenho como exemplo, a discussão do sistema de progressão continuada, apontado como motivo do mau desempenho dos alunos na rede pública de ensino. Todo trabalho realizado até aqui foi incapaz de demonstrar que a forma padrão – “como era no meu tempo”, costumam  dizer alguns pais – com ciclos de apenas um ano seja melhor que a progressão continuada. Comparado, o desempenho de cada um dos sistemas é bastante semelhante. No entanto, se acompanharmos as notícias sobre o tema a tendência é de mostrar a incompetência do formato atual com ciclos de três ou quatro anos.

A revista Carta Capital promoveu esta discussão em uma de suas edições recentes.

De volta ao tema do NYT e de olho no que acontece por aqui.

No ensino infantil e fundamental, na cidade de São Paulo, o número médio de crianças nas salas de aula varia de 30 a 33, de acordo com o estágio de ensino, segundo dados de 1º. de março. Alexandre Schneider justifica que a quantidade de estudantes por classe tem diminuído nos últimos anos, mesmo com o fim do “turno da fome”, turmas que tinham de estudar das 11 da manhã às três da tarde.

Há determinação da Secretaria para limitar a 32 alunos as salas da primeira série e a 35 as demais, porém quem for ao extremo da capital encontrará classes com até 39 crianças. Situação que se complica a medida que ocorre nos locais mais pobres – Capela do Socorro, M’Boi Mirim, Itaim Paulista, e Perus -, onde a estrutura familiar também tende a ser precária.

Que professores mais bem qualificados poderiam superar esta demanda na rede pública de ensino, não tenho dúvida. Aqui ou em Nova Iorque. Aliás, jornalistas mais bem preparados para o debate, também.

Exame que “reprovou” professores será desconsiderado

Atendendo decisão judicial, a Secretaria Estadual da Educação não vai levar em consideração o desempenho dos professores temporários no exame aplicado no ano passado. De acordo com o órgão, o critério para atribuição de aulas será o mesmo do ano passado, por tempo de serviço e títulos. A medida tem o objetivo de garantir que as aulas comecem em 16 de fevereiro. A liminar que impede o uso do resultado das provas foi obtida pela Apeoesp, sindicato que reúne os professores da rede pública de ensino.

O desempenho no exame chamou atenção pelo baixo rendimento de grande parcela dos professores a medida que dos  241 mil que participaram da prova 3 mil tiveram nota zero e metade dos que realizaram o teste tiraram menos de cinco. Apenas 111 tiraram 10.

O resultado provocou uma série de mensagens ao CBN São Paulo de professores que estivaram no exame e de pais de alunos da rede pública. Ouça aqui o que disse sobre o tema o comentarista Gilberto Dimenstein, no Mais São Paulo.

Para a Apeoesp, o desempenho dos professores não pode ser avaliado pelo exame, pois alguns sequer teriam participado da prova e aparecem na lista com a nota zero.