Eles não usam Black-tie

 

Por Carlos Magno Gibrail

Filme1981 & Greve2010

Do sucesso teatral da peça “Eles não usam black-tie” em 1958, passando pela consagração cinematográfica em 1981 numa interpretação da realidade brasileira pós-64, encontramos nessa sexta feira atuação real do mesmo cenário, sem encenação. Do ABC para o Morumbi. E ainda mais algumas diferenças nos protagonistas, que de operários e ditadura, passaram a professores e democracia.

Entretanto, não conseguimos a elucidativa análise de Gustavo Wagner do El Porteño sobre “Eles não usam black-tie” como película, então, internacionalmente aclamada: “Surpreendente a forma com que Hirszman concretiza a tão buscada síntese entre o intelectual e o popular, entre a ideologia e a arte”.

Algumas certezas, porém, afloram no mundo real, pois o salário inicial de um professor em São Paulo é de R$ 1.830,00 para 40hs/aula, enquanto outras profissões embaladas e embasadas por forte corporativismo e lastreadas em áreas do poder judiciário e legislativo chegam a R$ 18.000,00.

Sabemos que Educação, Saúde e Habitação são fundamentais para o efetivo desenvolvimento de uma nação, mas não soubemos até hoje implantar plenamente este trinômio da cidadania.

O Brasil, 8ª economia do mundo, é pela UNESCO a 88ª em educação. Algo está errado! Dos US$ 1,6 trilhões do PIB em 2008, investimos 3,5%, quando 5% seriam o mínimo. São Paulo, do orçamento de R$ 126 bilhões para 2010 alocou 16 bilhões para a Secretaria da Educação, fora os investimentos do Governo Federal. Ainda assim não são suficientes às demandas de instalações, operações e recursos humanos.

O movimento grevista encabeçado pelo APEOESP – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, através da liderança de Maria Izabel Noronha, em matéria ontem na Folha, reivindicou melhoria das condições de trabalho, piso salarial e fim da avaliação dos professores.

Paulo Renato Souza, secretário da Educação, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, defendeu a avaliação, que propõe resolver os desejos dos professores, aumentando eficiência, ganhos e consequentes condições de trabalho. Segundo ele, na medida em que assiduidades, tempo de permanência e provas são levadas em conta, e a análise é em função da diferenciação na própria escola e não no resultado absoluto, o índice obtido é real e imparcial.

Os professores Cesar Minto da USP e Neide Barbosa Laisi da PUC, entrevistados do Mílton Jung, criticam a avaliação porque os alunos são diferentes, assim como as condições de trabalho. Faltam bibliotecas, laboratórios, materiais, etc. E, o ponto de partida será sempre diferente para cada avaliação.

Os deputados Carlos Gianasi do PSOL e Milton Flávio do PSDB mantiveram opinião na rádio CBN, respectivamente, a favor e contra a tese dos professores. Gianasi acusa a existência de 75 escolas de lata, de um sistema de avaliação ruim, que o professor é responsável e não quer greve, que o governo não negocia e não dá atenção, e que as premiações com comissões e bonificações excluem o salário base e os aposentados. Milton Flavio defende a avaliação e os bônus que atingem 33% dos 210.000 professores e pode corresponder a três salários a mais, e que os totais dos recursos na educação podem chegar a 30% do orçamento.

Num período de predominância de administração PSDBista, onde surgiram percalços dos professores com Mário Covas, Franco Montoro e agora com José Serra, é nítido que Covas e Montoro, embora respectivamente com tapas e grades palacianas derrubadas, altivamente enfrentaram, confrontaram e resolveram com atenção direta os grevistas. Serra e seu Secretário, ainda que protegidos pela lei que impede manifestações nas imediações da sede do governo, não se apresentaram. Professores e governantes ofereceram, então, um espetáculo cujos papéis fugiram do script civilizado e reproduziram o que se viu no cinema.

Peça importante para explicação desta volta à cena do cenário da ditadura em plena democracia, Gabriel Chalita secretário da Educação do governo Alckmin, hoje no PSB, concedeu-me entrevista onde solicitei que explicasse por que em tão pouco tempo este destempero do professorado. E Chalita acredita que as reivindicações, que as considera corretas, poderiam ser administradas através de negociação pela autoridade, capacidade e boa vontade de Serra e de Paulo Renato. Até o confronto com os policiais poderia ter sido evitado.

Cunho político e avaliação predominam nesta composição de antagonismos. A atribuição política aos atos dos professores é tão evidente, mas camuflada quanto à resposta de João Havelange ao Presidente João Goulart, citado ao jornalista Roberto Kaz para a revista Serafina: “Não trabalho com política”. Ora, sabemos que Havelange fez e faz política a vida inteira.

Quanto à avaliação, boa lição está contida no best-seller Freakonomics, do economista Steven Levitt e do jornalista Stephen Dubner, no qual afirmam que os sistemas de incentivos devem tomar cuidado com as doses e com os trapaceiros.

Uma escola de Israel tinha problema com atraso de pais para retirada dos filhos e resolveu multá-los. O pequeno valor estabelecido incentivou os atrasos, pois compensava financeira e moralmente. As escolas de Chicago estabeleceram provões para avaliar os alunos em testes de múltipla escolha, cujos resultados poderiam premiar ou punir os professores. Salvo uma descuidada professora que escreveu as respostas no quadro da sala de aula, e alunas adolescentes alegremente contaram em casa que o provão tinha sido um sucesso, os demais professores trapacearam respondendo eles mesmos as questões. Foram pegos por algoritmo que descobriu sequências impossíveis de acontecer, como todas as perguntas difíceis corretas e as fáceis erradas.

Como se vê, a situação não é simples nem fácil, mas na Educação é conveniente que em casa de ferreiro o espeto seja de ferro. Educação se resolve com Educação.

Carlos Magno Gibrail, doutor em marketing de moda, escreve no Blog do Mílton Jung às quartas-feiras e nunca deixa de fazer a lição de casa.

21 comentários sobre “Eles não usam Black-tie

  1. Milton, lhe conheço desde o tempo da TV Cultura e é a primeira vez que me comunico com você. Tenho-lhe admiração pela eqüidade e consciência dos seus comentários. O texto abaixo é em função do comentário feito pelo Gilberto Dimenstein em seu programa na segunda-feira (29/03/10). Com cópia à diversos colegas seus da CBN. POR FAVOR, VOEM MAIS BAIXO

    Se for possível mergulhem no meio em que vocês julgam conhecer melhor, aterrem e olhem melhor. Não meçam o mundo ao seu redor com as vossas trenas, pois, se nem o sistema métrico é seguido com rigor, não será a sociedade que brasileira que obedecerá a um padrão idealizado, imaginado ou vislumbrado por vocês! Ainda mais quando aqueles que deveriam nos manter atualizado sobre o que há no mundo nos revoltam e nos deixam indignados pela superficialidade exposta com ares de coisa profunda, líquida e certa, baseados naquilo que eles acham, mas não têm certeza ou não se importam em tela!

    Pobre da sociedade que é obrigada a vigiar suas sentinelas e se danam pelas informações errôneas recebidas dessas!

    Não Sr. Dimenstein, os professores não são baderneiros. Não ensinam baderna aqueles enfrentaram os policiais. Talvez, os que mostraram as marcas de balas de borracha nas costas (ninguém ataca de costas) ensinem o que é um governo arrogante, que não quer diálogo e se acha senhor da verdade; que se precisa de extremos para serem ouvidos, que se precisa de extremos para aparecerem na vossa mídia pois quando as manifestações ainda eram “pacíficas” a vossa mídia preferiu dar atenção ao caso Nardoni e outras notícias mais “atrativas”!

    Você jubilou-se pela constatação de que alunos bem formados oriundos de ensino público estão encontrando facilidade para o primeiro emprego, com salários que os encaixariam na classe mais abastada. Você por acaso, ao contrário desses, sabe quanto ganha um professor da rede pública? Sabe ou acha que sabe?

    Você sabe os porquês da greve ou acha que sabe?

    Eu vigio as sentinelas e não via até hoje cobertura, reportagens especiais sobre a deficiência do ensino e muito menos da situação dos professores da rede pública: apenas notas rápidas.
    A mídia não critica o professor vingança, nosso governador Serra. Será que é medo de perderem privilégios, perderem a concessão quando ele se eleger presidente (e é que vá se eleger). Se for medo é melhor parar de criticar o Chaves!! Será que ele é tão perfeito e irrepreensível? Cadê as críticas objetivas??

    Será que vocês conhecem de perto a burrada que ele está insistindo em fazer com a educação ?

    A reivindicação dos professores não é só salarial. Desde a minha longínqua juventude que percebíamos professores efetivos, no alto da sua magistral posição, fazendo o que queriam com as nossas aulas, ameaçando-nos com provas orais, com “apertos” da matéria e “com-que-se-danes afins. Uns do lado da antiga ditadura outros nos escrachando pela nossa “ingenuidade” em relação à ela. As benesses propaladas pelo Sr. Serra só beneficiarão essa minoria de imbecis que continuam até hoje nas escolas pelo mérito de uma nota em concurso mas que nas salas de aula não sabem lecionar, não sabem ensinar, não sabem educar. Geralmente são os que menos precisam. É óbvio que sabemos que existe uma minoria dentro dessa que realmente merecem, mas também a maioria dos que não passaram em concurso não deixam de merecer. A avaliação na prática, seja pela opinião de alunos, coordenadores, ou diretores não tem relevância e muito menos os anos de janela, de experiência adquirida.Além do que, os que passarem bem nesse tipo de avaliação, independente de serem ou não bons professores, o que receberão a mais será como premiações mas não terão esse valor incorporado ao salário!
    Você por acaso já fez um estudo “in loco” da educação aqui mesmo na Grande São Paulo, para constatar que são mesmo baderneiros?

    Já que você critica com tanta sabedoria, mostrando que sabe do riscado, que olha do alto e vê coisas que os “imbecis” (que me desculpem a ironia) dos professores não vem, que o movimento é político, pois então de nome aos bois e apresente soluções para os dois lados para o bem da educação das nossas crianças!!

    Como você se sentiria se fosse um professor, tivesse que ser testado todo ano, (como se você todo ano perdesse a capacidade adquirida) e se por motivos justos deixasse de ser aprovado, visse alunos do curso superior e bacharéis sem licenciatura escolhendo aulas antes de você professor?? (olhem eles voltando novamente!)

    Por acaso você já investigou quem é que produz as questões desse concurso? Que tipo de questões são ministradas nesses concursos? Se tem utilidade na prática ou se é para descobrir qual o QI dos professores? São provas para professores do 2º grau ou para catedráticos de universidades?

    O Dr. Vingança não pagou, no primeiro mês do ano letivo, as gratificações de praxe para que os endividados professores sentirem-se mais fracos na possibilidade de uma greve. Por acaso você sabia disso??

    Saiba que é triste, muito triste, você não ser efetivado por um único ponto, por não dispor de tempo hábil para estudar de acordo com o necessário, por não ter recursos para pagar um curso preparatório e ver depois outros que não sabem nem ensinar aos próprios filhos recebendo aulas na sua frente e se indispondo com os alunos o ano inteiro. Um único ponto determinar se você é ou não competente em detrimento dos 15 anos de bons serviços prestados, sem caber recurso e como se fosse essa única madeira de medir a capacidade de uma pessoa…
    É triste você não saber se no ano seguinte terá salário ou não e se resolver declinar, ser desestimulado pela noção de que não há um FGTS para servir de respaldo, de que o mercado de trabalho terá muita dificuldade em absorvê-lo e a aposentadoria ainda está distante.

    Nós vigiamos as sentinelas, mas nem sempre dá para gastar tempo precioso das nossas vidas puxando-lhes as orelhas. A nossa trena é bem menor do que a de vocês e o nosso tempo também. Tenham consciência de que, nós que andamos no limite de uma sobrevivência digna não temos muito tempo para ficar mostrando o que vocês já deveriam ter visto.

    A minha esposa, Sr. Dimenstein, não é baderneira. É uma pessoa doce e uma excelente professora, daquelas que você (e nós) admirava na sua juventude. Não condene um movimento por uma suposta minoria. Por favor, seja mais justo no uso do poder da sua mensagem.

    São Bernardo, 31/03/2010.

    ROBERTO CORRÊA DE ANDRADE
    Carpinteiro bem educado e esposo consciente

  2. Bom dia Carlos
    A inversão de valores sobre vários aspectos, o descaso, existentes em todo o funcionalismo publico bvrasileiro são fatores claros, óbivos e notorios.
    Porém, em se tratando de professores, policiais, pessoal da saude publica “a coisa vai muito mais além das nossas imaginações”!
    A impressão que tenho é a de que os poderes publicos brasileiros, principalmente o do estado de São paulo, não gostam de professores, aqui abordado neste seu artigo de hoje.
    Um caso a parte!
    Será que os governantes não querem uma população culta, estudada, com conhecimentos gerais?
    a situação do professor estadual é lamentável, lastimável, trabalham em condições precárias, em escolas precárias, em mau estado de conservação, tem que ministrar suas aulas em salas com mais de cincoenta alunos, aumentos reais de salários inexistem ha muito, somente recebem gratificações que não são incorporadas em seus salarios, escolas de lata, uma troca constante de diritores nas escolas, nos feriados, finais de semana professores tem que permanecer em suas casas trrabalhando na correção de provas, na preparação das aulas da semana que virá, uns receberam x de bonus, outros sem explicações por parte do governo receberam x+y+z!?
    Conversando com um profissional de saude que trabalha no hospital do servidor publico estadual, este disse-me que no setor de psiquiatria, os professores são os que mais frequentam este setor, depois policiais.
    Porquê será?
    Um exemplo de descaso e de desânimo que os professores passam.
    A escola Martim Francisco, onde fui um dos primeiros alunos, localizada no elegante bairro da vila Nova conceição, que deveria ser tombada pelo patrimonio hisstorico, obra de arte da arquitetura da década de cincoenta, simplesmente está sendo aos poucos abandonada, com tetos, beirais para desabar, na parede do portão principal da escola existe uma placa informando que foi destinada verba proxima a cinco mil reais(!!) para reforma, revitalização, manutenção desta linda escola e noto que até hoje nada foi feito.
    O beiral da entrada da escola justamente onde os alunos, funcionários, pais de alunos, tem que passar para entrar no recisnto está desabando, isalado com fitas e cones desde o final do ano de 2009.
    Na hora que cair um pedaço do beiral sobre um aluno, professor, pai de aluno, de alguem quem sabe, talvez um dia farão os reparos necessários.
    Imensos jardins, compostos por arvores nativas e em extinção abandonados também.
    Acima meus caros, somente um exemplo.
    Ai pergunto como ex aluno de escola publica(outros tempos)
    Que animo, vontade, disposição poderá ter um professor para exercer seu sacerdócio dignamente e com respeito?
    Abraços
    Armando Italo

  3. Em tempo, antes que me esqueça
    Mais um detalhe a ser arguido aos nossos dirigentes da educação do Estado de São Paulo
    vamos lá então:

    Qual ou quais os motivos pelos quais, alguns professores, que ganham acima de determinada quantia, não recebem o, como diz o governo, auxilio alimentação.
    E os que o recebem, é tão somente R$4,00
    Isso mesmo que disse acima
    Somente quatro reais.

    Respondam aos professores, cidadãos, eleitores por gentileza.

    Ou então, no entender do governo estadual, o professor que não recebe “auxilio alimentação” não come, não precisa alimentar-se, porque assim deduzem o governo que quem não recebe o auzilio alimentação é porquê “ganham muitíssimo bem”!!!!!!

    Quem ganha bem no entender do governo é quem ganha por mês por volta de R$1800,00 a R$2000,00 por mês.

    E para quer isso aconteça, muitos professores precisam dar aulas e três escolas diariamente.

    Jesus me abana!

  4. Roberto Corrêa de Andrade,
    A vantagem da internet é a interatividade, que você acaba de inaugurar no BLOG DO MILTON JUNG.
    Sentimos realizados quando informados que mais um ouvinte internauta entra no processo.
    Quanto à questão dos professores o que mais me intriga é a posição do Brasil na Economia, oitavo lugar, e na Educação 88.

  5. Armando Italo, comentário 2.
    Talvez uma das razões é que os politicos, executivo,judiciário e legislativo tenham outros interesses que não o do discernimento da população, pois quanto mais cultura e informação menos chance de votar em homens despreparados.

  6. Armando Italo,comentário 3
    O salário inicial no ensino médio para professor concursado é de 1800 reais com 40 horas aula.
    Para aumentos, há 3 critérios de avaliação, ou seja, assiduidade, evolução da escola e da classe e prova aplicada ao professor.
    Estas informações foram dadas na entrevista com Milton Jung, pelo Secretario atual da Educação, Paulo Renato e confirmadas pelo ex, atual vereador Chalita em entrevista que me concedeu.

  7. Os professores se tornaram uma classe trabalhadora tão fraca que, os espertinhos sindicalistas e políticos “de esquerda”, se aproveitam de sua fragilidade e abandono e os usam como massa de manobra com fins políticos. O enfraquecimento dos professores, se da pela falta de apoio de quem mais necessita deles: A sociedade.

    As pessoas inseridas em todas as classes sociais -incluo jornalistas- desprezam o professor da rede pública e privada, como se eles não fossem necessários. Tanto pobre como o rico, necessita do professor seja ele de que escola for. Em um país sem educação todos sofrem. Pessoas mal educadas tanto na periferia quanto em bairros nobres, no mínimo não respeitam a lei do psiu! Que o diga Carlos Magno Gibrail. Se a educação fosse encarada como prioridade em nossa sociedade, nossos muros seriam mais baixos e Joana Jatobá não necessitaria de trator blindado para cuidar de seus orgânicos.

    Ao invés de lamentar por poucos terem oportunidade de boa educação e consequentemente bons empregos, Gilberto Dimenstein – na escola, usava “case” ao invés de estojo- comenta o sucesso de alunos de boas escolas, com tom de coisa bonitinha. (risos) Se julga cidadão exemplar com direito de julgar com voz potencializada por um “subwoofer”.

    Governantes e assessores que não estão dispostos ao diálogo, também não é estratégia de campanha eleitoral?

    AO MESTRE COM CARINHO, é um belo filme. PORRADA NO MESTRE SEM CARINHO, dispenso!

  8. Beto,comentário 7
    A dura verdade é que existe um ciclo vicioso. O baixo ganho dos professores o coloca numa posição de inferioridade num regime capitalista que usa o dinheiro como medida padrão para hierarquizar as relações de poder e respeito na sociedade. A começar pelos alunos que cada vez mais cobram antes de dar.
    Eles não tem Black-tie.Que comecem alugando-os.

  9. Milton e amigos,

    Acho que é muito fácil nos dispersar em um assunto delicado como este mas, a pergunta que TODA greve nos trás é a seguinte: porque?

    E ESSA greve especificamente já respondeu: é política. E só. E é lamentável que a classe dos professores estejam sendo vítimas disso tudo. Estão banalizando um instrumento totalmente legítimo de pressão popular para obter ganhos políticos.

    É ISSO que condeno nessa greve pois, no final, quem irá perder é a população e a classe dos professores ficará desmoralizada.

    Politizar de tal maneira um assunto tão importante e mal-tratado no Brasil é nada mais que infantilizá-lo e todos nós iremos perder com isso.

    Ressaltando: acho toda greve válida desde que seja para melhorias da classe a reclamar e não é isso que está acontecendo NESTA “greve”.

  10. Luiz Henrique,comentário 9.
    Na verdade toda greve é política,mas entendo sua colocação, pois percebo que você está condenando o oportunismo e talvez o dirigismo que ocorre neste caso.
    Entretanto, quando vemos o pouco de atenção que a classe dos professores tem tido, oitava economia do mundo e 88 em educação,é de considerar que qualquer momento é tempo de cuidar dos professores.

  11. O nosso caríssimo Beto citou o filme “Ao mestre com carinho” com Sidney Poitier”
    Esse carinho deveria antes de tudo partir dos governantes, para dar exemplo, principalmente os do estado de São Paulo, e muitos politicos que “fazem vistas grossas” para os mestres, também são professores, porquê agora que estão no “pudê” que se danem os professores, pois o dêles $$$ ja está garantido, assim como aposentadforia precoce, uma infinidade de mordomias e beneficios patrocinados pelo erário publico assim por diante no caso aqui apresentado,professores de que explodam nas escolas, nas salas de aula, com os baixos e miseráveis salarios, com as suas saudes físicas e mentais, com as suas familias, filhos, etc de todas as formas
    Por outro lado, não podemos deixar de mencionar, alunos, os “dimenor” fazem o que bem entendem nas salas de aula, chegando ao ponto de agredir fisicamente e seriamente professores, pois assim lhes é permitido graças ao furado ítem penal constante no ECA.
    Extensivo aos profissionais de saude, policiais que são os que tem os piores salários, falta de qualidade sobre vários aspectos quando estão atuando,
    Professores, pessoal da saude, policiais, e outros funcionários publicos, estes tem o meu total apoio, admiração, respeito.
    Gente abençoada!
    Politicos o que dizem?
    Acho que a greve é legal sim, teores politicos como disse acima o Carlos, sempre teve e terá.
    Pelo menos professores, não estão destruindo patrimonio publico, privado por movimentos de criação duvidosa e realmente política, numa tentativa inutil de aterrorizar o país, como infelizmente assistimos em Brasilia, Rio Grande do sul e outros lugares pelo Brasil afora.
    Agora pergunto:
    Esses supostos líderes da chamada minoria, os pobres e necessitados, que atuam covardemente nos bastidores politicos, “ajudando e protegendo” os descamisados, sem isso e sem aquilo, procurem saber como moram e como vivem!
    Em verdadeiras mansões, alguns até possuem fazendas, carros de luxo, aeronaves, iates, frequentam melhores lugares da moda e por ai vai.
    Conversa pra boi dormir isso sim.

  12. Não sou professora, mas tenho amigos professores e fico cada vez mais inconformada em ver a “cobertura” midiática da/s greve/s do funcionalismo público paulista. O comentário de Roberto Corrêa, que emociona, é uma luz sobre essa escuridão perversa, proposital, orquestrada pela mídia+governo tucanodemo. Roberto, todas as vezes que leio algum absurdo nos jornais e na internet, sobre o assunto, preciso correr pro computador, protestar, contestar a fala dessa mídia – veja você, me formei em jornalismo! – “de rabo preso com o governo.” Dá um cansaço, sabe? Mas, a gente, que não é dona de veículo de comunicação, precisa usar o meio que pode, esclarecer a sociedade (a qual também não se interessa em ir atrás da verdade) que, através da grande mídia, só sabe que professor é baderneiro, que grevista merece apanhar, por interromper o trânsito da Paulista (e, falem a verdade: trânsito na Paulista só acontece em dias de greve?) e deixar alunos sem aula. O Estadão disse que fez uma pesquisa com 1000 pessoas, na cidade de SP e o resultado: uma dentre dez reprovava a greve. A quem interessa a pesquisa do Estadão? Quando há conflito entre grevistas e policiais, sangue, balas de borracha etc., aí sim, interessa à mídia divulgar. Na despedida de José Serra do seu “governo popular” (palavras do próprio, juro!), ele discursou que seu governo nunca conviveu com o malfeito, a roubalheira, escândalos. Na área fiscal, frisou a importância do planejamento, a austeridade, cortar desperdícios, reduzir custos: “O governo tem de fazer isso mesmo, botar o Estado para funcionar, no lugar de nomeações e cabides de emprego.” Pelo visto, não é só o governo federal que tem telhado de vidro. Serra falou bonito, mas, ou não sabe ou esquece que, no governo estadual, o que mais se cultiva são o desperdício, as nomeações, os cabides de emprego, em que os que se encontram no topo da hierarquia, com maiores salários, evidente, se esbaldam em gastos públicos, que vão de assinaturas de jornais e revistas, telefones celulares, IPods e outras bugigangas tecnológicas. E o que dizer do desperdício com papel, copos de plástico, impressões e xerox inúteis? Desse jeito, fica fácil alegar impossibilidade de reajuste salarial e do vale-refeição para quem não faz parte do topo da hierarquia.

  13. Vitta,comentário 12
    Você percebe claramente que a imprensa de forma geral não cedeu espaço condizente com a importância do movimento dos professores.
    Salvo o primeiro momento em que em sua maioria a cobertura foi no sentido de espetacularizar a ação dos grevistas, ressaltando os confrontos com a policia.
    As reinvidicações foram pouco abordadas pelos articulistas.
    Ao mesmo tempo fica aí um aspecto para os professores analisarem, se vale a pena o discurso mais agressivo e também o enfrentamento corporal com a tropa de choque.Mesmo que a intenção seja ganhar a atenção da população.

    A interatividade da internet é uma benção , e parabéns pelo seu comentário.

  14. Me desculpem a “ignorância”
    O que se pode esperar de governo que manda baixar a borracha em seus funcionários, reinvidicando melhores condições e humanas para exercerem os seus sacerdócios, professores, medicos, enfermeiros, pessoal da saude em geral, policiais?
    Governantes que jogam colegas de trabalho, profissionais do mesmo time uns contra os outros e depois tiram rapidinho “ois seus da reta” e tchau mesmo!
    Vou para Brasilia!!!!!
    Assim imaginam.
    Só tenho certesa de uma coisa:
    Resumindo:
    Estes supostos politicos em geral, aproveitadores de assalariados, menos abastados, os que possuem menores indices de intelectualidade, por “pura falta de oportunidade governamental”, ou melhor por pura falta de interesse governamental, obviamente não terão o meu voto jamais!
    Se forem para Brasilia, por favor fiquem por lá, curtindo as suas mansões no, velejando, esquiando, andando em suas possantes e carísimas lanchas off shore no lago paranoá;
    E os que estão em BSB, salvo raríssimas excessões, sejam de que partido, facção pertençam, por favor fiquem por ai, pois não sentimos as suas faltas em SP.

    Sei lá em quem votar nesse país.

  15. Armando Italo,comentário 15
    Isso é realmente tarefa dificil.
    Aproveitando a oportunidade temos sugerido, com apoio do Beto e do Claudio Vieira, inclusive com assessoria do Claudio, que você possa adotar um dos principais candidatos, Dilma ou Serra.
    Que tal?

  16. Mestre,

    De oitava economia do mundo para octagésima oitava posição na educação! Lamentável!

    EDUCAÇÃO É TUDO!

    Quem usa muito essa frase é o Vereador e professor Cláudio Fonseca e ela traduz aquilo que eu penso e a maioria dos nossos representantes ignoram!

    Vamos ter que trocar muitos políticos ainda, através do VOTO, para alcançarmos aqueles que sabem interpretar esses números e mudar esse país!

  17. Cláudio Vieira,comentário 19
    A distorção é tão grande que parece algo surreal.
    Hoje parte da juventude está se interessando por cargos públicos, menos evidentemente por carreira no magistério, pois os salários são desconcertantes.
    Além do que as empresas privadas estão admitindo sob prestação de serviços.
    Fica então uma situação bem estranha, pois a carreira pública é mais atraente excluindo para os professores.
    Se continuarmos assim esta desproporção dos 8 para os 88 não vai mudar. A não ser que mudemos os polliticos.
    Voto neles.

  18. Fala ai grande claudio

    Conversando om um caça executivos que trabalha para uma agencia de empregos tradicional de SP, o tal do head hunte, se assim que escreve, nas corporações, as exigências, o excesso de cobranças para resultados muitas veses inatingiveis, entre outros, está espantando o jovem para o serviço publico, sem esquecer que o jovem também esta encontrando muitas dificuldades para ingressar ou depois que perde o seu emprego em reingressar no mercado de trabalho, colocação.
    Agora imagine então o que passa uma pessoa que atingiu os 50, 60 anos de idade, não importa o grau de conhecimento, de cultura, de vivencias, de conhecimento, de titulos, diplomas?
    Vejo por amigos nesta faixa de idade a via crucis que tem que enfrentar para poder trabalhar dignamente e de alguma forma poder viver com um pouco de dignidade.
    Até conseguirem, se conseguirem aposentar-se com uma aposentadoria compativel.
    Isto é:
    Se conseguirem viver com a aposentadoria obviamente.
    Aí só politico consegue fácil, fácil
    Sou dos da turma dos “velhinhos.com” que passei por isso quando me desliguei da aviação por razões familares e retornei para a arquitetura e design de interiores e até “consegui ruma certa estabilização neste segmento” vc pode imaginar.
    além de paralelamente eu ministrar aulas particulares de voo por instrumentos IFR e assim entra mais uns dins dins rs rs rs
    Mas o pior vem agora:
    Leia esta materia no G1
    http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL1554249-9356,00-ESPECIALISTAS+DAO+DICAS+A+QUEM+TERA+QUE+AJUDAR+FINANCEIRAMENTE+OS+PAIS.html
    Depois de ter lido esta matéria, ainda encontramos perversidades de filhos maiores de idade, “estudantes” alegam porque estudam e não podem trabalhar, a todo custo querem que pai lhes de dinheiro, querem ser sustentados e o pai na maioria das veses já é “idoso, desempregado, muitos doentes” ou então vivem de uma pequena renda da aposentadoria, ou imovel alugado
    E se o pai negar a grana a este tipo imbecil de filho o filhote de anta, do capeta, de forma perversa ira executar o pai na justiça com ameaça de prisão coercitiva se não pagar a pensão alimenticia.
    Já contei um caso semelhante que me revolta ate hoje e não me conformo.
    Tomara que alguma autoridade jurídica, juiz, advogado consciente, politico, leia este artigo e o que acabei de digitar.
    Essa lei de pensão alimenticia tem que ser mudada.
    O pai tem sim que ajudar os seus filhos em todos os momentos e vice e versa.
    Mas sem perversidade, maldade, algum tipo de vingança, etc
    Se fugi um pouco do tema, me desculpem por favor ok.
    Grande abraço
    Armando Italo

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