Precisar ser visto, considerado, acolhido – sim, a palavra é ‘precisar’, porque isso é uma biológica necessidade humana.
Especialmente quando não estamos nos sentindo bem – tristes, ansiosos, com raiva, perceber que a outra pessoa está notando nosso sofrimento e se sensibilizando com nossa situação nos dá uma sensação de segurança e respeito. E essa é a base para que possamos voltar ao nosso equilíbrio emocional e mental e encontrar forças para levantar e seguir em frente.
O cenário contrário faz um estrago – perceber que o outro não nota nossa dor, não leva em consideração “nosso lado na história”, gera revolta, preocupação, um incômodo intenso. Fugir dali, se esconder, partir pra cima e brigar, falar poucas e boas… tudo isso passa pela cabeça quando uma pessoa se sente invalidada. Em resumo, a invalidação é uma arma que causa profundos machucados e gera reações muito ruins nas pessoas.
Com esta dualidade exposta, te convido a refletir: você já foi invalidado? Se sim, como se sentiu? Uma outra reflexão, essa mais desafiadora: você já invalidou alguém? Já reparou se é uma pessoa que faz isso com outras… se é raro ou frequente…?
A mágica da validação é a essência do entendimento entre as pessoas, da solução de problemas, da sensação de segurança e bem-estar. A mágica da validação sustenta a ajuda mútua entre os seres humanos e, vamos combinar… ajuda mútua facilita tudo!
Vamos começar a treinar essa mágica? Pessoas validantes servem de porto-seguro e de exemplo para outras – é um clássico “ganha-ganha”!
Vamos validar e, assim, fluir e viver mais leve!
A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.
Te assusta? Te incentiva? Como isso ressoa em você?
“Um passo pode mudar tudo.”
Se esse ‘tudo’ for bom – se o lugar onde você está agora te agrada muito – essa frase gera muito medo: de perder algo precioso e não encontrar nada que seja melhor que isso que já se tem.
Se esse ‘tudo’ for ruim – se o lugar onde você está é frio ou doloroso – essa frase gera esperança: de conquistar uma experiência de mais luz, colorido, satisfação!
A angústia de dar um passo é a angústia da decisão – nossa, como é desafiador. A mente fica num vai e vem: “E se der errado? E se eu sentir falta de tal coisa? Se eu perder tal pessoa? Mas eu quero tanto conseguir aquilo… vai que dá?! Mas… e se não der?!”
Decisão – um passo, dois passos, caminhar… é assim que a vida acontece, não é?! Existe vida sem movimento? Existem novos acontecimentos, novas oportunidades, novas sensações e conquistas… sem dar um passo, sem sair do lugar onde se está?!
Água estagnada apodrece, corpo parado adoece, vida sem movimento… é vida morta.
Assusta, incentiva… e dá medo e dá desejo…
“Um passo pode mudar tudo.”
Te desejo passos, mudanças.
Te desejo vida viva!
A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.
Fui surpreendido recentemente com a fala de alguns alunos de uma turma de psicologia que alegaram não conhecer o ChatGPT. Não é que nunca tenham usado. Não sabiam o que era! Menos ainda tinham ideia do potencial desta ferramenta de Inteligência Artificial. Fui rasteiro na minha “pesquisa” e, portanto, não sei com clareza os motivos que levam esses futuros profissionais a desdenhar esse conhecimento. Com o devido cuidado para não ser tomado pelo Efeito Bolha, me impressiona que pessoas que já estejam no ensino superior ainda não tenham tido contato com essa revolução tecnológica que estamos assistindo desde a popularização da IA, há pouco mais de um ano.
Se ainda temos uma camada considerável da população sem acesso ao acessível ChatGPT e seus primos-irmãos, imagino que boa parte de nós — os da Bolha — ainda use os recursos de IA de forma infantil. A quantidade de possibilidades que essas ferramentas nos oferecempara elaboração de texto, análise de pesquisa, desenvolvimento de projetos ou criação de produtos e procedimentos é inalcançável. Todo dia, você que tenha um pouco de interesse no assunto, encontrará uma nova solução de IA.
Dos riscos que corremos, assim como acontece com todas as demais tecnologias à disposição, um deles é o deslumbramento e a hiper-dependência. As IAs generativas facilitam uma série de atividades como a elaboração de um texto sobre qualquer assunto que você se propuser a escrever (ou copiar). Porém, se você, refém desse nosso cérebro que está sempre em busca de atalhos para facilitar a sua vida, entregar apenas à IA essa tarefa, sem interferência e referências, corre perigo enorme de ver sua criatividade definhar, com a perda da capacidade de refletir e desenvolver pensamento crítico, que são as habilidades que nos oferecem vantagens competitivas.
Colaboradores de quatro empresas, duas na Europa e duas nos Estados Unidos, foram divididos em equipes para enfrentar desafios empresariais específicos. Alguns grupos contaram com a assistência do ChatGPT, enquanto outros abordaram os problemas sem qualquer apoio da IA. O objetivo? Avaliar o impacto prático da IA generativa na geração de ideias e solução de problemas em equipe.
Os resultados, porém, foram modestos. Enquanto as equipes assistidas pela IA demonstraram um aumento significativo na confiança em suas habilidades de resolução de problemas – um salto de 21% –, as ideias geradas, em média, superaram apenas ligeiramente aquelas criadas pelos grupos de controle, com um modesto aumento de 8% no volume de ideias. Mais intrigante ainda foi o fato de que, embora as ideias geradas com a ajuda da IA tendessem a ser menos ruins, elas não eram necessariamente mais inovadoras ou criativas.
O foco aqui, segundo Gohar, não reside na capacidade da tecnologia, mas na abordagem e utilização desta tecnologia. A experiência demonstrou que a incorporação eficaz da IA em processos criativos requer uma redefinição do fluxo de trabalho e o desenvolvimento de novas competências. As equipes que se saíram melhor foram aquelas que trataram a IA não como um oráculo infalível, mas como um parceiro numa conversa contínua, explorando e aprofundando as ideias através de interações com a ferramenta.
Dentre as recomendações para maximizar o potencial da IA, destacam-se a necessidade de definir com precisão o problema a ser resolvido, dedicar tempo à discussão de ideias antes de consultar a IA, e treinar rigorosamente a ferramenta com informações detalhadas e específicas do contexto em questão. Além disso, a importância de manter um diálogo crítico e construtivo com a IA, desafiando-a e refinando as sugestões oferecidas, foi uma lição valiosa.
Joe Riesberg, vice-presidente sênior da EMC Insurance, uma das organizações participantes, reforça essa visão, destacando a importância de questionar e desafiar a IA para extrair respostas mais criativas e úteis. Sua experiência pessoal reflete um aprendizado crucial: a interação eficaz com a IA requer uma postura ativa, questionadora e, por vezes, crítica.
De volta a surpresa pelo desconhecimento de parcela dos estudantes de psicologia: volto a eles para lembrar que, enquanto muitos não se interessaram por essa tecnologia disruptiva, outros tantos engatinham ao explorá-la, e alguns se preocupam com a perda de autonomia ou criatividade, já temos profissionais bastante avançados nesse mercado.
Um dos usos frequentes entre os “vanguardistas do divã” é a combinação do ChatGPT com ferramentas de análise de linguagem. A partir de textos escritos por pacientes, revelam-se aspectos significativos do estado emocional ou de processos cognitivos do paciente, auxiliando na formulação de abordagens terapêuticas mais direcionadas.
É possível ainda criar cenários detalhados e realistas que podem ser utilizados em terapias baseadas em simulação. Isso é particularmente útil em abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), onde a exposição simulada a certas situações pode ajudar os pacientes a desenvolver estratégias de enfrentamento mais eficazes.
Entre riscos e possibilidades, minha sugestão: desdenhar das oportunidades em virtude dos perigos ou do medo do desconhecido é muito mais nocivo à sua formação profissional. Nessa encruzilhada entre a inovação tecnológica e o genuíno potencial humano, está a chave para uma nova era de descobertas e crescimento profissional: não é a ferramenta que define nosso futuro, mas a maneira como escolhemos usá-la. E a inteligência artificial será tão melhor quanto for a inteligência humana.
Já parou para pensar que nossas emoções são como as estações do ano… épocas estamos alegres e cheios de anseios, épocas, introspectivos e com medo, encantados ou nostálgicos.
Outono, estação de transição entre o calor e o frio, período de colheita, tempo de mudança, cores vividas e momento de preparação para dias frios/difíceis. No outono, nos sentimos em transformação, cheios de esperança advindas do ano novo e ressabiados em relação ao frio que virá.
Inverno, estação de noites mais longas e dias mais curtos. Estação onde as plantas adormecem, época de recolhimento, introspecção, conservação das energias e esperança de renovação. Comparo aos períodos de melancolia e tristeza, necessários para o crescimento e fortalecimento.
Primavera, minha estação preferida. Estação que as cores voltam a aparecer, céu azul, sol e brisa fresca. Período de renovação, as flores começam a florescem. Estação do romance, da esperança, da felicidade e da ansiedade pelo o que está por vir. Dias primaveris acordamos alegres, com capacidade de criar; os pensamentos fluem de forma livre e a resiliência se reforça.
Verão, a estação das estações, o momento de excitação pelos dias longos e quentes. Período do desejo, da satisfação, de empatia e de esperança. A vontade de fazer acontecer. O sentimento de encantamento com o novo, criança descobrindo um novo sabor de sorvete.
As estações do ano acontecem por períodos e nossos sentimentos são diários, mas metaforizar nos permite entender que dias coloridos, nos transformam; dias tristes existem, passam e nos fortalecem; dias românticos nos permitem desejar e dias quentes consentem a descoberta.
Não se aflija com raiva, tristeza, alegria, medo, nojo, ansiedade, tédio, vergonha, inveja, surpresa, felicidade, excitação, anseio, diversão, estranhamento, desejo, temor, horror, calma, empatia, duvida, encantamento, nostalgia, satisfação, adoração, admiração, apreço, inveja, romance, tristeza, surpresa, simpatia, triunfo, interesse … todas as emoções são necessárias para seu viver.
Procure conhecer suas estações, assim você não correrá o risco de necessitar de adubos tóxicos … não sofrerá com medo da incerteza ou ausência … e sim, se tornará em um indivíduo resiliente, descobridor … um ser desejante e desejado.
Juliana Leonel, psicóloga pela Universidade Paulista, mestre em Psiquiatria e Psicologia Médica pela Universidade Federal de São Paulo e professora universitária em tempo integral. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung
É mesmo difícil de resistir. Descansar é mais fácil, não arriscar é mais “seguro”, evitar o conflito dá menos medo.
Mas um padrão de desânimo com a vida e de desconfiança em si mesmo contamina por completo quando isso vira a regra dos seus dias – prometer e não cumprir.
Quando você promete algo a si mesmo e não cumpre, está executando um crime – o assassinato da sua autoestima.
O seu compromisso não é de obedecer às outras pessoas – é de honrar a si mesmo; você é seu próprio chefe e, se fizer o que precisa ser feito, o lucro é seu!
Ter a disciplina de ao menos tentar concluir suas metas e seus objetivos é o que construirá seu sentimento de que você é capaz e confiável, uma pessoa digna de admiração.
Escolha se tratar com o respeito que deseja que os outros te tratem.
Não mate seu amor próprio.
Faça, fale, resolva.
Alimente e fortaleça, todos os dias, em cada tarefa realizada, o orgulho de ser quem você é.
Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.
O que é conhecer uma pessoa? Como sabemos quem, realmente, ela é?
Cada um de nós tem conceitos sobre si mesmo – “Sou atencioso”; “Sou irritado”; “Gosto de rotina”; “Trânsito me tira do sério”; “Sou um amigo leal”… Ao longo da vida, vamos formando ideias sobre como somos e, dessa forma, nos apresentamos para as pessoas, falamos de nós mesmo para elas.
E entre falar e agir… você vê diferenças?
Posso falar que sou atencioso, mas na rotina, esquecer dos compromissos ou não lembrar de perguntar como meu familiar está. Posso dizer que sou irritado, mas ter bastante paciência com uma situação difícil no trabalho que vem acontecendo há anos…
Na verdade, conhecemos um ser humano (inclusive, nós mesmos) quando ele age. É observando cada atitude diária – nas relações com as pessoas (as fáceis e as difíceis), nas situações de conflito e de imprevisto, nos momentos de alegria e de dor – que a essência se manifesta.
Palavras são leves, soltas, manipuláveis…
Comportamentos são concretos, visíveis, fatos da realidade.
Portanto, para conhecer alguém, precisamos observar. Em silêncio, repare. Perceba as atitudes, a forma como reage às consequências de suas atitudes, as escolhas que faz perante os desafios da vida.
E observe por um tempo. Para conhecer, é necessário olhar atento, paciência e perseverança na observação.
Não se iluda nem se engane com palavras, rótulos e conceitos. Queira, verdadeiramente, conhecer – a si mesmo e aos outros.
Nós lidamos com pessoas reais. Precisamos saber com quem estamos lidando.
E você? Sabe quem é você? Sabe quem são as pessoas à sua volta?
Observe. Conheça. Saia da ilusão.
A vida acontece é na realidade.
ADra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung
O cérebro não suporta o “muito” por longos períodos ou com muita frequência.
Independentemente se o sentimento é positivo ou negativo, o “muito” cansa os neurônios, mata sinapses, fadiga o cérebro.
Comece a treinar a satisfação na temperança.
Moderação, tendência ao equilíbrio…
Percebeu os excessos?
Pondere. Puxe de volta para o centro e encontre a alegria de estar na sobriedade e no desapego.
Quem comanda é você. Não são as emoções que te dominam – é você que decide como agir.
Mostre quem manda. Ponha ordem na casa. Eduque seu cérebro como se educa uma criança que não tem limites, que vive tudo no “muito”.
Qual a recompensa?
Felicidade. Aquela sensação duradoura de um bem-estar que ninguém te rouba…
A intensidade é insuportável – não se sustenta.
Queira a felicidade.
E a felicidade mora na serenidade.
A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung
Quem sabe tirar um tempo para um café e um doce? Foto de Ea Ehn
“Pensar que a velocidade não é o único caminho de atender as necessidades dos consumidores, há também o desejo pelo devagar, na hora certa, de forma oportuna, e bem feito”
Cecília Russo
Em um mundo onde a instantaneidade digital dita o ritmo é essencial que se explore a influência dessa velocidade sobre as marcas, bem como a tendência crescente de desaceleração e contemplação — dois movimentos em sentido opostos. Foi o que fizemos na conversa com Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, quando buscamos identificar como a forma acelerada com que vivemos está pautando a estratégia de serviços, produtos e negócios.
A sociedade da velocidade e o impacto nas marcas
Cecilia e Jaime discutiram como as marcas respondem à “Sociedade do Cansaço”, termo popularizado pelo filósofo sul-coreano Byung-Chul-Han, que deu nome a um dos seus livros. Nessa sociedade, onde a produtividade e a positividade são exaltadas, a velocidade se torna um ritmo usual, impactando não apenas a saúde física e mental, mas também a maneira como as marcas se posicionam.
Exemplos clássicos incluem Kodak e Polaroid, que evoluíram para atender às demandas por resultados imediatos. A mudança da Kodak para o digital e o retorno nostálgico das Polaroids ilustram essa adaptação. Da mesma forma, empresas como McDonald’s e Domino’s Pizza capitalizaram na promessa de velocidade, redefinindo o conceito de fast-food e entrega rápida.
A ascensão do movimento lento
Por outro lado, Jaime e Cecília destacaram um movimento crescente em direção à desaceleração, como uma resposta compensatória à velocidade frenética da sociedade moderna. A busca por equilíbrio, ou “homeostase”, como Jaime mencionou, está gerando uma demanda por marcas que promovem lentidão, contemplação e o “viver o momento”.
Eles citaram exemplos como o crescimento de escolas de yoga, clubes de leitura promovidos por livrarias, e redes de café que oferecem um espaço para pausar e refletir. Aplicativos como Calm e Insight Timer são testemunhos do desejo crescente das pessoas por ferramentas que ajudem na meditação e no sono.
A Lição Sueca de Equilíbrio: Fika
Interessantemente, Jaime trouxe à tona o conceito sueco de “fika” – uma pausa para café e um doce, enfatizando a importância de pequenos momentos de descanso e socialização no meio do dia de trabalho. Esta prática sugere que, mesmo em culturas focadas em eficiência, há um reconhecimento crescente da necessidade de equilíbrio
“Quanto mais as marcas, e antes disso, a sociedade nos empurra para produzir e acelerar, mais haverá demanda interna na direção contrária e, dessa forma, espaço para marcas trazerem propostas de “lentidão”, contemplação, curtir o momento, desacelerar”
Jaime Troiano
Velocidade e lentidão como caminhos para o sucesso
A discussão no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso revela uma verdade fundamental do branding contemporâneo: o sucesso não reside apenas na capacidade de uma marca em acelerar, mas também na sua habilidade de oferecer pausas e momentos de reflexão. As marcas que reconhecem o valor da desaceleração têm tanto a ganhar quanto aquelas que capitalizam na rapidez.
Este equilíbrio entre velocidade e lentidão, conforme destacado por Jaime e Cecília, é o que define as marcas de sucesso na era atual. Como eles concluem, o segredo está em atender às necessidades do consumidor – seja rapidamente ou devagar, mas sempre de forma oportuna e bem executada.
Ouça aqui o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo e vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, logo após às 7h50 da manhã.
O número de divórcios ultrapassou a marca de um milhão, em junho de 2023, refletindo uma tendência preocupante de separações conjugais. O psicólogo Juliemerson Garcia, em entrevista ao programa Dez Por Cento Mais, enfatizou que muitos casais não se separam porque deixaram de se amar, mas sim porque deixaram de se entender. A falta de entendimento mútuo leva, em muitos casos, ao caminho mais fácil, que é a separação.
Especialista em conflitos conjugais, Juliemerson também mencionou a influência da cultura familiar na formação dos conflitos. Cada pessoa traz consigo sua história de vida, crenças, valores e regras aprendidas em sua família de origem. Quando esses aspectos não são compreendidos e discutidos de forma clara no relacionamento, os conflitos tendem a surgir com o tempo.
A influência na criação dos filhos
Na entrevista a Abigail Costa e Simone Domingues, o psicólogo fez uma observação interessante sobre como a diferença na criação de filhas e filhos pode prejudicar os relacionamentos. Ele destacou que, muitas vezes, as mães tendem a catapultar suas filhas, incentivando-as a buscar autonomia e independência desde cedo. Enquanto isso, com os filhos, as mães costumam adotar um papel de acolhimento constante. Essa diferença na criação pode levar a desequilíbrios nas relações futuras, com os homens buscando o acolhimento constante das parceiras.
Outro ponto abordado foi a divisão de tarefas domésticas. As mulheres têm enfrentado desafios relacionados à sobrecarga de trabalho, tanto no mercado profissional quanto nas responsabilidades domésticas. Muitas vezes, a falta de colaboração por parte dos parceiros gera conflitos, deixando as mulheres com a sensação de estarem sobrecarregadas mentalmente e fisicamente.
Invista na qualidade da comunicação
A má gestão financeira também foi apontada como uma causa comum de conflitos nos relacionamentos. A falta de diálogo sobre questões financeiras, aliada à falta de cooperação na administração das finanças, pode levar a desentendimentos significativos.
A falta de comunicação tem se mostrado um dos fatores mais relevantes na origem dos conflitos conjugais, como evidenciado por Juliemerson. Ele destacou a importância da comunicação eficaz entre casais e como a ausência dessa habilidade pode levar a desentendimentos e problemas nos relacionamentos.
O psicólogo apontou que a comunicação assertiva é uma habilidade que muitas vezes precisa ser desenvolvida ao longo do tempo. Garcia enfatizou que ser assertivo envolve a capacidade de expressar pensamentos, sentimentos e preocupações de maneira clara e empática, em vez de responder com monossílabos ou silêncio quando confrontados com um problema.
“A assertividade não é uma habilidade inata, mas algo que precisamos desenvolver. É a capacidade de comunicar aos outros com empatia o que estamos pensando e sentindo”
Evite o jogo de adivinhação
Um dos principais obstáculos à comunicação eficaz é a tendência de muitas pessoas em tentar adivinhar o que seus parceiros estão pensando, em vez de realmente expressar seus próprios sentimentos e preocupações. A leitura da mente é uma armadilha comum que pode levar a mal-entendidos e conflitos.
É importante que casais reconheçam a necessidade de aprimorar suas habilidades de comunicação, desenvolvendo a capacidade de se expressar de maneira clara, empática e oportuna. À medida que a comunicação melhora, os casais têm a oportunidade de fortalecer seus relacionamentos e enfrentar os desafios juntos, construindo uma base sólida para um futuro mais harmonioso. Afinal, como enfatizou Julie Emerson Garcia, a comunicação é a chave para uma relação saudável e feliz.
Dica Dez Por Cento Mais
Ao fim da entrevista, Juliemerson Garcia destacou a importância de se conhecer a linguagem do amor, ao deixar sua Dica Dez Por Cento Mais:
“Uma coisa fundamental é que os casais, cada vez mais, não importa quanto tempo tenha transcorrido já desde o início dessa relação, procurem compreender a linguagem de amor, como diria Gary Chapman, que um e o outro fala. Existe uma linguagem de amor. Muitas vezes velada, muitas vezes não abordada, não conversada. Se interesse pela pela história de vida do seu cônjuge desde antes de estarem juntos: o que aconteceu? o que você passou? Para entender que em determinado momento, às vezes, um elogio é tão importante para aquele cônjuge, um reconhecimento é tão fundamental, palavras de incentivo são tão fundamentais. Então, conheçam a linguagem de amor um do outro”.
Assista ao Dez Por Cento Mais
O programa Dez Por Cento Mais pode ser assistido, ao vivo, toda quarta-feira, às oito da noite, no YouTube, com apresentação de Abigail Costa e Simone Domingues. A entrevista completa também está disponível em podcast no SPotify:
Queremos comer açúcar e não inflamar nosso corpo nem engordar.
Queremos usar celular o tempo todo e não ter ansiedade.
Queremos estimular o cérebro até tarde da noite e dormir bem.
Esses são só alguns exemplos da nossa prepotência enquanto espécie humana.
Nós nos julgamos muito inteligentes, espertos, tecnológicos, avançados… e ficamos brigando com quem manda – a natureza.
Epidemias, catástrofes naturais, a parte sombria do ser humano que leva a ofensas, fome, guerras… isso tudo prova que quem manda não somos nós – “os grandes pensadores”, “a espécie especial”.
Temos sim algum poder de escolha das nossas atitudes; no entanto, a lei de causa e efeito é certeira e nos obrigará a sentir e viver as consequências de cada ato realizado.
E, para além do que nossa razão é capaz de compreender, existem fatores que não têm “explicação”, são “injustos”, mas ocorrem mesmo assim.
Então, perante essa clara realidade…
Até quando?
Até quando vamos nos desencaixar do que a natureza desenhou pra gente, insistir em fazer coisas fora do adequado e esperar um resultado “nada menos que perfeito”?
Coerência. Falta muito, pra nós, humanos dos tempos de hoje (talvez tenha faltado desde sempre). Não há colheita boa sem plantio de boas sementes, sem cuidado no cultivo, sem obedecer às leis universais.
Eu faço essa reflexão aqui dentro de mim e me pego nessa prepotência diversas vezes – faço um esforço (já que não é nada natural nem prazeroso) pra me corrigir.
Te convido a trabalhar a coerência, se encaixar no fluxo da natureza, agir de acordo com os resultados que deseja obter… Te convido a ser verdadeiramente esperto e estratégico ao caminhar pela vida e, assim, ser verdadeiramente dono de si e feliz.
A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreva a convite do Blog do Mílton Jung