Charge do @jornaldacbn: “a essência do debate político brasileiro”

 

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Deputados bateram boca e trocaram acusação; funcionários públicos invadiram sala, gritaram e ameaçaram. Essas foram algumas das cenas que marcaram a sessão da comissão especial que aprovou o texto principal da Reforma da Previdência, nessa quarta-feira. O que se assistiu (ou ouviu)  revelou a essência do debate político brasileiro na atualidade em que ninguém tenta entender o argumento contrário e, no grito, busca impor seu pensamento. Ao menos, serviu para inspirar a charge de encerramento do Jornal da CBN produzida pelo Luiz Nascimento, Paschoal Jr e Cláudio Antonio:

 

CBN Debate: sem a Reforma, vai faltar dinheiro para pagar os aposentados?

 

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A Reforma da Previdência tende a passar na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, mas ainda precisa de esforço redobrado do Governo Temer para alcançar os 308 votos necessários no plenário. É emenda à Constituição por isso são necessários três quintos do total de deputados.

 

Nesta altura da discussão ainda há muitos pontos divergentes, e alguns intransponíveis, pois há quem entenda que a reforma é desnecessária, que não há déficit na Previdência e, portanto, dá pra manter tudo como está. Além disso, questionam a legitimidade do atual Governo para promover esse debate.

 

Hoje, o Jornal da CBN, convidou dois dois deputados que fazem parte da comissão especial da reforma para entender seus pontos de vista. O CBN Debates, que teve as presenças de Ivan Valente PSOL-SP e Darcísio Perondi PMDB-RS, se iniciou com pergunta feita por um dos ouvintes: José Luiz, de São Paulo, disse que estava preocupado com a discussão sobre a Reforma e queria saber se havia algum risco de faltar dinheiro para os aposentados, caso não sejam aprovadas as mudanças propostas pelo Governo.

 

O debate completo você ouve aqui.

 

 

 

Conte Sua História de SP: desembarquei no Glicério, no 1º de maio

 

Por Paulo Afonso Pacheco
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

As afinidades com a cidade começam com o meu nome e aniversário: sou Paulo Afonso Pacheco, nascido aos 25 de janeiro de 1961, em Guidoval, Minas Gerais, no dia do aniversário de São Paulo.

 

Cheguei aqui em 1º de maio de 1979, um dia marcado por manifestações de trabalhadores metalúrgicos, desembarquei na extinta Rodoviária do Glicério, começando minha Via Crucis por esta metrópole.

 

Morei em Itaquera, Arthur Alvim, Cidade Patriarca, Vila Guilhermina, Penha, Tatuapé, Mooca e agora no Centro Velho descobri meu lugar definitivo.

 

A cidade sempre me fascinou muito, prova disso é que cheguei a morar nos Estados Unidos, mas o amor pela minha São Paulo já não permitia me separar dela.

 

À São Paulo, eu devo o que tenho e o que sou, diria que até muito mais do que sou.

 

São Paulo me deu família e me deu amores.
São Paulo me deu um casal de filhos. Filhos lindos!

 

A cidade que se tornou violenta pelo seu trânsito, ceifou a vida de minha filha Mariana aos 17 anos, em 2013, em um bárbaro acidente.

 

Já que viver é preciso, me coloquei de pé e continuo vivendo, lutando por uma cidade menos violenta, e me apaixonando cada dia mais por esta cidade a qual chamo de maravilhosa sem desmerecer àquela que é dona do título.

 

São Paulo dos meus encantos e dos meus amores, obrigado pela oportunidade que tenho de desfrutar cada dia mais um pouquinho de você!
Obrigado São Paulo porque você existe.

 

Paulo Afonso Pacheco é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte outros capítulos da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo – Nova Geração: “o jovem não quer ter, quer experimentar”, diz Otávio Juliato, do Omelete

 

 

“O jovem está mudando seu hábito de consumo, não quer mais ter coisas, quer experimentar coisas: ele prefere ir a um show ou visitar um amigo na Itália do que guardar dinheiro para ter a casa ou o automóvel; o conceito de propriedade vem mudando”. A constatação é de Otavio Juliato, diretor comercial do Omelete, maior empresa de entretenimento e cultura pop do Brasil, a partir de pesquisas realizadas com as novas gerações. Em entrevista a Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, Juliato falou de estratégias e cuidados que as empresas e marcas devem ter para se comunicar com esse público.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN, ou domingo, 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Causin, Luiza Silvestrini e Débora Gonçalves.

Charge do @jornaldacbn: “vista a roupa meu bem”

 

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Em meio a tensão do debate da Reforma Trabalhista, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se envolveu em discussão com o deputado Assis Melo (PCdoB-RS) por causa da roupa vestida pelo parlamentar.

 

Melo entrou no plenário da Câmara como se fosse um metalúrgico, com uma roupa branca, avental, luvas e máscara de proteção. Teve o pedido da palavra negado por Maia sob a justificativa que no parlamento só se fala com terno e gravata.

 

O deputado trocou de roupa, falou, reclamou e a discussão dele com Mais inspirou a equipe do Jornal da CBN:

 

Entrevista: juiz do trabalho tira dúvidas sobre mudanças aprovadas na Reforma Trabalhista

 

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A Reforma Trabalhista foi aprovada pela Câmara dos Deputados e traz mudanças importantes na relação das empresas com os trabalhadores. Para tirar dúvidas dos ouvintes, o Jornal da CBN convidou o juiz do trabalho Marlos Augusto Melek, que participou da redação do texto que vai ser encaminhado agora para o Senado.

 

Melek defende a ideia que a reforma não retira direito dos trabalhadores. Independentemente do que você pense sobre o tema, é bom estar preparado e bem informado sobre as mudanças que vêm aí.

 

Ouça a entrevista completa com o juiz Melek:

 

Reforma: campeão ou não, o Brasil bate um “bolão” quando o tema é ação trabalhista

 

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A Reforma Trabalhista está em discussão na Câmara dos Deputados e o governo aposta que conseguirá aprovar o relatório com as mudanças na CLT ainda nesta terça-feira. Há controvérsias … aliás, muitas controvérsias.

 

A proposta defendida pelo governo vai acabar com os diretos trabalhistas?

 

Empresas poderão reduzir salários dos trabalhadores?

 

Todo mundo vai ser terceirizado?

 

Essas são algumas das perguntas que os trabalhadores (e os desempregados, também) fazem neste momento. Por isso, o Jornal da CBN, nesta terça-feira, ouviu alguns dos seus comentaristas sobre o tema e foi além: convidou a Agência Lupa para checar informações usadas pelo presidente Michel Temer em defesa da Reforma Trabalhista e promoveu debate com participação de dois deputados que integram a comissão que vai votar as mudanças.

 

Por curiosidade, os deputados Vitor Lippi (PSDB-SP) e Chico Alencar (PSOL-RJ) divergiram sobre os motivos que levam o Brasil ao título de campeão mundial de ações trabalhistas. Para Lippi, é sinal da falta de garantia que os empregadores têm com as regras atuais. Para Alencar, prova da má-fé de empregadores.

 

A afirmação de que o Brasil é campeão mundial de ações trabalhistas também é repetida pelo presidente Michel Temer em suas entrevistas em defesa da Reforma Trabalhista, porém não há dados oficiais que mostrem esta “distinção”  brasileira no cenário, conforme apurou a Agência Lupa.

 

Em entrevista que foi ao ar pouco antes do debate, Cristina Tardáglia, diretora executiva da Agência, disse que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) informou não ter “conhecimento da existência de dados que comparem o número de ações trabalhistas em diferentes países” e que a “comparação não é possível” uma vez que existem “enormes diferenças entre leis trabalhistas, sistemas jurídicos e disponibilidade de estatísticas” nos diversos países do mundo.

 

A Agência consultou o  Tribunal Superior do Trabalho (TST).  Em nota o TST destacou que “não tem dados para verificar tal hipótese” e que, apesar de vários países terem leis trabalhistas, muitos não tem Justiça do Trabalho.

 

Foi o sociólogo José Pastore quem fez  estudo sobre ações trabalhistas e publicou artigos comparando a situação do Brasil com a de Estados Unidos, França e Japão. Neste universo, o Brasil está na frente no número de ações trabalhistas.

 

Dizer que o Brasil é campeão mundial talvez não seja o mais preciso, mas não há como negar que no quesito “ações trabalhistas” estamos batendo um bolão:

 

Acompanhe o debate entre os deputados Vitor Lippi e Chico Alencar:

 

 

Ouça a entrevista com Cristina Tardáglia, da Agência Lupa, e a checagem de outras afirmações feitas pelo presidente Michel Temer sobre reforma trabalhista e terceirização:

 

Conte Sua História de SP: atravessava a rua sonhando estar a caminho da escola

 

Por Rosmari Ghellery

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto da ouvinte-internauta Rosmari Ghellery:

 

Cheguei em São Paulo aos quatro anos de idade e desci na estação da Luz.

 

Minha primeira recordação é do Jardim da Luz com suas árvores imensas e suas alamedas sombreadas.

 

Fomos morar na Vila Esperança, em frente a uma escola primária que abrigava meus sonhos de aprender. Ficava próxima a estrada São Miguel, na época apenas uma rua comprida e asfaltada, onda havia um guarda de nome Senhor Luis, que era o encarregado de atravessar as crianças da escola, na perigosa travessia da estrada.

 

Recordo-me com carinho quando, de tanta insistência de minha parte, ele também me atravessa para lá e para cá, acolhendo meu sonho de menina de ser igual as outras crianças que frequentavam a escola.

 

Mudamos para o bairro da Penha e, finalmente, pude ser matriculada na escola estadual Santos Dumont. Foram quatro anos de magia do aprendizado.

 

Consegui bolsa para estudar no Liceu Santo Afonso, onde concluí o secundário. E de lá para o Ateneu Rui Barbosa, para a formação no científico.

 

Na época, as escolas participavam dos desfiles cívicos com fanfarra e porta bandeira, deixando em todos os alunos a sensação de orgulho por serem todos brasileiros.

 

Bairro bom e generoso, com suas ladeiras, suas festas religiosas, e as procissões em louvor a Nossa Senhora da Penha.

 

Aos 15 anos, consegui meu primeiro emprego … quanta alegria ao receber o primeiro pagamento e entregar para mamãe. A sensação foi tão boa que nunca mais parei de trabalhar.

 

Aprendi a tomar ônibus e saí para conquistar São Paulo.

 

Que cidade linda, movimentada, pujante! Rua Direita, viaduto do Chá, praça da República … quanta beleza e alegria no ir e vir das pessoas.

 

Havia a linha de ônibus Penha/Lapa, que cruzava São Paulo e atendia a maioria das pessoas. Ônibus lotado, com horário certo para a saída, confiável para quem precisava trabalhar.

 

Recordo-me do bar Brahma, do som de piano, acompanhando o chope sempre bem tirado; da Liberdade com sua diversidade cultural; da Paulista, centro febril de desenvolvimento financeiro.

 

São Paulo com seus lindos prédios, inúmeras possibilidades de emprego, capaz de abrigar todos os sonhos … e que abrigou e acolheu os meus!

 

 
Rosmari Ghellery é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade: escreva para milton@cbn.com.br.
 
 

Charge do @jornaldacbn: e depois da Lava Jato, relaxa e goza!

 

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O rosto ele tentou esconder com uma pasta quando apareceu para fazer a delação premiada. Na premiação, porém, não teve receio em declarar o que pretende fazer depois de ser descoberto como o diretor do departamento de propina da Odebrecht.

 

O ex-executivo da empreiteira Hilberto Mascarenhas disse que quer ‘curtir a vida’ quando tirar a tornozeleira eletrônica que o acompanha desde que foi flagrado no comando do departamento de falcatruas da empresa.

 

Na deleção, ele também confessou que para esconder provas, jogou o computador no mar, em Miami. A fala dele, você ouve aqui; agora se quiser, curtir a charge eletrônica do Jornal da CBN, clique aí embaixo:

 

Conte Sua História de SP: na rua da viração, minha pensão tocava fado

 

Por Agnes Fátima Cavalheiro Gati
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Guardei, em segredo, essa lembrança de quase 40 e poucos anos de minha chegada a São Paulo, em 1970. A interiorana de Piraju, cidade que em guarani significa peixe dourado. Saí de lá para morar e estudar na capital. Na época, o interior parecia estar adormecido, esperando na janela as muitas mudanças prometidas. Estudar e fazer faculdade eram o sonho de todos os adolescentes, mas era preciso vir para São Paulo.

 

Lembro-me da minha chegada de ônibus, sozinha, vendo o dia amanhecer. Da parte bem alta da rodovia Raposo Tavares, comecei a avistar a terra sonhada. Tive a mesma sensação de quando, aos sete anos, pisei pela primeira vez nesta terra incrível. A mesma imagem, inesquecível! Uma  imagem que guardei e que avistei de novo para sempre a  imensidão  sem  fim  de  prédios.  Ajeite-me na poltrona,  procurando sossegar o corpo, que se agitava ao se deparar com aquele imenso horizonte acinzentado, mas cheio de magia e esperança!

 

O ônibus parecia seguir o caminho sonhado em meus muitos sonhos acordados. Sempre quis morar na capital. Meu pai não se conformava, pois achava um absurdo viver em uma cidade louca como São Paulo.

 

– Essa Vermelhinha, sempre dando trabalho. Por que São Paulo?

 

Vermelhinha era o meu apimentado apelido.

 

A chegada à rodoviária foi assustadora. Muitos medos foram colocados em minha cabeça, para que eu desistisse. Os meus olhos se agitavam por todos os lados. Sentia, como diz a música caipira, “o sangue ferver”. De repente, uma pitadinha de desespero começou a tomar conta de mim, a começar pelo cenário macabro da rodoviária, da Estação da Luz. Parecia que estava vivendo um filme de terror, desses bem hollywoodianos, com todos os possíveis truques e efeitos sonoros  e visuais. Pela primeira vez me deparava com pessoas muito maltrapilhas. Era assim que referíamos às pessoas pobres e mal vestidas,  um cenário que aliás, se repete nos tempos de hoje em qualquer canto da cidade e do Brasil.

 

O primeiro susto passou e eu passei a driblar os muitos outros medos que toda hora pareciam me pegar.

 

O segundo susto veio a galope, meu Deus! Cheguei ao pensionato para “Moças”, na pensão da Dona Lourdes, uma portuguesa incrível, lá do bairro de Santa Cecília.

 

A indicação foi dada por um ex-aluno de minha mãe, com a maior das boas intenções. Obviamente, não conhecíamos nada e muito menos sobre a rua em que eu iria morar. Ah, mas essa rua tinha muitas, mas muitas histórias. Hoje entendo o porquê da famosa rua que nada mais era que um “local de viração”: era a famosa “boca do luxo”, a rua Major Sertório, onde ficava a boate “La Licórnia”.  

 

Entretanto, como eu era do interior e mal conhecia a cidade, como haveria de conhecer tal rua e ainda essa boate?  Só passei a perceber quando dava o meu endereço a alguém e aí sim via uma certa reação das pessoas que, visivelmente, estranhavam o lugar onde eu morava.  Ainda com os resquícios   de   espírito   interiorano,   bem   inocente,   não   percebia   nada.  Achava   que   morava   hiper bem,   principalmente   por   ser   pertíssimo   do   meu cursinho,  o   Equipe.   Hoje entendo   o   porquê   de   Carlos,  hoje   meu  marido,  e namorado na época, fazia um esforço sobre-humano para me visitar todos os dias.

 

Comecei a sentir uma pressão anormal, não podia sair sozinha nunca, um paparico incomum, e ainda por cima, a única que não tinha a chave daquela pensão. Dona Lourdes, era maravilhosa, me tratava com todo cuidado e dizia que estava atendendo as recomendações dos meus pais. Quanta delicadeza e quanto carinho! Quantas noites passamos, no terracinho gostoso e aconchegante daquele sobradinho da Major Sertório, quase esquina com a Rua Maria Antonia, conversando, cantando e ouvindo violão…ela e Carlos davam um show todas as vezes que ali ficávamos. E os fados invadiam noites a dentro.

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