Conte Sua História de SP: a lição de meu avô que foi prefeito de São Paulo

 

Por Maria de Lourdes Figueiredo Silo
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Tive um tio avô revolucionário. Foi prefeito de São Paulo, em 1932, e, apesar de ser engenheiro, um dos fundadores da Escola Politécnica, era um grande filósofo! Por isso custei muito a entendê-lo, achava suas conversas cifradas, num código que não dominava e ouvia-o mais pelo agradável que era como pessoa do que pelo que dizia. Seu nome era Henrique Jorge Guedes.

 

Como todo bom paulista da época, era anti-getulista, morava na Avenida Higienópolis e ainda plantava café em sua fazenda São Pedro perto de Pinhal. Havia mesmo, é claro, participado da Revolução Constitucionalista de 32, fato que, naquele tempo, não admitia releituras; orgulhava-se disso!

 

Porque lembro do tio Henrique hoje é o que tento me explicar.

 

Talvez só agora, ao lembrá-lo, entenda muito de seus sábios pensamentos!  Lá pelos anos 1950 visitei-o pelas últimas vezes, vizinha quase que era dele, pois havia ido estudar em São Paulo e morava em um pensionato na rua Maranhão. Já com mais de 80 anos, uma cabeça branquinha, mas muito inquieta, percorria comigo o mundo, talvez para testar meus parcos conhecimentos e informações, não sei.  Sua voz ainda era linda! Grave e forte como de um moço; sabia usá-la de maneiras diferente, imprimindo emoção adequada a cada palavra. Foi nesta época que recitou-me um verso que teimosamente recordo agora:

 

 

“Saudade, triste saudade

único bem que me resta.

Por toda parte que vou

eu sinto cheiro de festa,

e sei que a festa acabou…”

 

 

Lembro que ao ouvi-lo, senti em sua voz uma grande nostalgia do passado, do qual era agora passivo observador….

 

Acredito que este pensamento se dê aos poucos, devagar, quase imperceptivelmente. Uma manhã, não encontramos nenhum conhecido na rua, no outro não recebemos convite para a festa, certa noite está muito vento para sairmos, e aos poucos vamos ficando à margem desta grande festa que é a vida.  Festa com dia marcado para começar e acabar. Preparam-nos tanto para ela, mas não para o final, quando tudo se resume no “cheiro de festa” que termina. Entramos nela carregados de supérfluos, aos poucos vamos nos desvencilhando dos enfeites, bijuterias, presilhas, laços e terminamos limpos, como nascemos.

 

Valemos nela, quase sempre, pelo que temos, ostentamos, acumulamos, pelo que “carregamos” e pouco pelo que somos. E tudo isso pesa, incomoda, não permite que, soltos, dancemos a valsa, provemos as iguarias, escutemos a música, percebamos o perfume das flores que enfeitam o salão e muito menos o clarão da lua. E cada vez queremos mais, porque é isso que vale, é isso que conta nesta festa, onde cada um aproveita como pode, já que todos são convidados e, obrigatoriamente, devem estar presentes….

 

Diz a sabedoria popular que quando o passado se torna muito presente, é sinal que a “festa está no fim”. Será?

 

Maria de Lourdes Figueiredo Sioli é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte mais um capitulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br.

Moda e carne

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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desfile de moda em foto do site oficial da SPFW2017

 

Terminada a SPFW, procurava analisar o motivo pelo qual o setor de Moda nacional ainda não tinha conseguido destaque internacional em produtos e materiais que teria condições de liderar.

 

Até agora inúmeros esforços já foram realizados por estilistas, confeccionistas e entidades representativas e governamentais.

 

Outros ramos em condições naturais privilegiadas também têm encontrado dificuldades para atingir algum destaque no mercado global.

 

O café, por exemplo, com o maior volume disparado de produção mundial, não consegue até hoje um reconhecimento de qualidade. O futebol, com um plantel invejável de garotos de talento, viveu anos gloriosos, mas perdeu a hegemonia e a liderança.

 

O Agronegócio é uma exceção e o caminho que seguiu de resiliência e competência poderia ser o exemplo a ser espelhado. A qualidade mundialmente reconhecida é, ou era, atestada pelos mercados mais exigentes.

 

Essa linha de raciocínio sobre Moda foi interrompida na sexta-feira, diante das informações divulgadas pela “Carne Fraca”, pois escancaravam um rol de informações fortíssimas e espetaculares, misturando datas e números incompatíveis, bem como fraudes em composturas e misturas, deixando indagações cruciais.

 

Um pacote que poderia levar a explosão do setor de melhor desempenho nacional. Mesmo já tendo passado por maus momentos como o da febre aftosa e da vaca louca. Afinal, trata-se de um ambiente altamente competitivo e punitivo.

 

Ouvindo ontem de manhã o comentário de Sardenberg, gravado para o programa de Mílton Jung, “in loco”, pois falava de Santa Catarina, uma das regiões produtoras de carne de alta qualidade, surgiu uma esperança de tranquilidade, ultrapassando e neutralizando a “Carne Fraca”. Provavelmente um exagero, que torcemos, seja passageiro.

 

 

Esperamos que a Carne volte a ser forte e setores como o de Moda possam usá-la como inspiração.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Entrevista: Deltan Dallagnol diz que perdoar Caixa 2 é “anistiar corrupção”

 

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Deltan Dallagnol em foto publicada no site CBN

 

As 10 medidas de combate à corrupção tiveram as mais de 1,7 milhão de assinaturas conferidas na Câmara dos Deputados, atendendo pedido do STF, e voltam a tramitar na Casa. Com a conferência, o texto será encaminhado pelo presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, ao Senado.

 

O andamento das medidas ocorre no instante que deputados, senadores e partidos estão apreensivos com os resultados das investigações da Operação Lava Jato e ameaçam mudar leis que podem levar a anistiar o Caixa 2.

 

Este foi um dos temas da entrevista com Deltan Dallagnol, Procurador da República e coordenador da força-tarefa da Lava Jato, no Ministério Público Federal, ao Jornal da CBN. Para ele, perdoar Caixa 2 é “anistiar a corrupção”.

 

Dallagnol falou também da pressão no Congresso para se aprovar lei de abuso de autoridade, discussão que surgiu depois de uma série de ações da Lava Jato e voltou à tona após a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal.

 

Entrevista: entenda como funciona o uso de substâncias para conservar a carne e quando há risco à saúde

 

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A denúncia da Polícia Federal que abalou o mercado de carnes no Brasil e deixou o consumidor em estado de alerta trouxe à público o uso de algumas substâncias que a maioria dos mortais jamais imaginou que poderiam ser usadas no produto.

 

Dentre algumas das informações desencontradas durante a divulgação da Operação Carne Fraca, soube-se pelo despacho do juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, que o frigorífico Peccin estaria utilizando ácido ascórbico (vitamina C) para maquiar a qualidade do produto. Na reprodução de um diálogo da empresa, gravado pela Polícia Federal e reproduzido no despacho, é citada outra substância: o ácido sórbico.

 

Seja ascórbico ou seja sórbico, qual a irregularidade constatada?

 

Para começo de conversa é preciso entender que as duas substâncias são usadas como conservantes em carnes processadas e embutidas, dentro de limites determinados pela legislação brasileira, conforme me explicou Elke Stedefeldt, doutora em Alimentos e Nutrição pela Unicamp e nutricionista-docente da Unifesp.

 

Em entrevista ao Jornal da CBN, a especialista alertou, porém, que ao se adicionar ácido sórdido em uma carne em putrefação o produtor voltar a ter a cor avermelhada e o cheiro é disfarçado. Portanto, o problema, nesse caso, não é o ácido utilizado mas a carne que, fraudada, está imprópria para o consumo.

 

Ou seja, se a carne estiver mais avermelhada que o normal, desconfie.

 

Para entender melhor a função dos ácidos ascórbico e sórbico na conservação da carne, seus efeitos na saúde humana e os cuidados que devemos ter, ouça a entrevista da doutora Elke Stedefeldt, ao Jornal da CBN.

 

 

Conte Sua História de SP: meu pai lavava o fusca na cachoeirinha da vila

 

Por Ivan Miranda
ouvinte-internauta da CBN

 

 

Tenho 58 anos e moro no Bairro do Limão. Sou paulistano da gema, nascido na maternidade São Paulo, coração da cidade. Minha infância foi passada na Vila Santa Maria, uma das muitas vilas que se formaram ao longo da Avenida Deputado Emílio Carlos, uma estrada asfaltada, como poucas existiam no começo dos anos 1960, que ia do Largo do Limão até Largo do Japonês, passando por uma pequena cachoeira.

 

Aos fins de semana meu pai nos levava até a cachoeirinha para lavarmos o nosso amado fusquinha. Era o lava-rápido da época.   As pessoas encostavam os carros, pegavam seus panos, baldes e produtos de limpeza e aguardavam a sua vez, enquanto o restante da família trazia sanduíches e garrafas de refrigerantes em vidro de 1 litro.  Fazíamos um piquenique improvisado e era sempre uma alegria.

 

Com o progresso chegando, os bairros que outrora pareciam cidades do interior foram crescendo, empurrando a periferia para cada vez mais longe; a paisagem foi se modificando, sempre com mais asfalto e concreto e menos verde. Hoje, onde existia a cachoeirinha e sobre o córrego Cabuçu que desagua no Rio Tietê, passa a Avenida Inajar de Souza que vai até o Terminal de ônibus de região.

 

O que resta da saudosa cachoeira é o nome do bairro: Vila Nova Cachoeirinha. E, claro, a memória de momentos felizes de minha infância.

 

Ivan Miranda é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: “decidimos com o coração do cérebro” diz consultor Humberto Pandolpho Jr.

 

 

“Não adianta querer explicar todas as decisões dentro de cada um de nós, mas em geral 85% dessas decisões são claramente emocionais … decidimos as compras com o coração do cérebro”. A afirmação é do consultor Humberto Pandolpho Jr, do Banco de Pontos Fidelidade, feita em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Pandolpho diz que entender como essas decisões ocorrem é fundamental para as empresas e para o seu negócio: “lembre que tudo que acontece está em função de você levar o consumidor para uma situação agradável, satisfação, uma experiência que seja muito boa naquele lugar que você está”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN e tem a colaboração de Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Vozes da Operação Lava Jato: você reconhece esses personagens da história do Brasil

 

 

A Operação Lava Jato completa 3 anos.

 

Depois de 38 fases, a Operação prendeu 198 pessoas e recuperou mais de R$ 10 bilhões de reais, entre multas, indenizações e recursos mantidos no exterior.

 

Em bens bloqueados pela Justiça são de mais de R$ 3 bilhões.

 

O juiz Sérgio Moro, responsável pelo processo em primeira instância, já condenou 89 pessoas.

 

Alguns vozes passaram a fazer parte desta história do Brasil, outras já eram de velhos conhecidos do Brasil. A produção do Jornal da CBN fez um clipe com algumas frases que marcaram esses 3 anos.

 

Você reconhece todas elas?

Geraldo Alckmin diz que Caixa 2 é diferente de corrupção mas é crime, e é contra anistia a partidos e políticos

 

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Crédito: amauri Nehn/Brazil Photo Press/Agência O Globo no site CBN

 

 

Foi o ex-presidente Fernando Henrique quem escreveu recentemente:”Há uma diferença entre quem recebeu recursos de Caixa 2 para financiamento de atividades político-eleitorais, erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção”. E foi baseado nestas afirmações que perguntei ao governador de São Paulo Geraldo Alckmin, também do PSDB, a opinião dele sobre Caixa 2, anistia a este tipo de crime e casos de corrupção.

 

 

A entrevista de Alckmin foi ao âncora Roberto Nonato, do Jornal da CBN 2a Edição, e teve a participação de jornalistas e comentaristas da rádio CBN.

 

 

Pelo tempo que tinha, fiz duas perguntas em uma:

1. O senhor concorda com o ex-presidente Fernando Henrique que Caixa 2 para financiar partido e político é erro; mas não é crime. Crime é embolsar dinheiro pra enriquecer de forma ilegal?

 

 

2. Diante do acontecido até aqui, o senhor é a favor de projeto de lei que anistia o Caixa 2; zera tudo e começa de novo sob nova lei?

O que respondeu o governador, considerado uma dos principais pré-candidatos do PSDB para a eleição presidencial de 2018:

 

 

 

 

Aqui você ouve a entrevista completa.

Conte Sua História de São Paulo:

 

Por Neivia Justa
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

Era 1984 e eu passava férias na cidade de São Paulo, pela primeira vez, na casa de amigos dos meus pais. O Brasil fervilhava com o comício das Diretas Já na Praça da Sé.  Fiquei fascinada pelo astral e o mundo de possibilidade da terra da garoa.

 

Foi nessa época que também caí de amores pelos sabores do Almanara, o friozinho e os morangos de Atibaia, e a maestria do Fagundes encenando Morte Acidental de um Anarquista.

 

Política, comida, diversão e arte.

 

Tive a certeza de que São Paulo era o meu lugar no mundo, apesar da inexistência de qualquer vínculo ou passado que nos unisse. Não nasci aqui. Meus amigos de infância, adolescência e faculdade não são daqui. Sou do Nordeste, do Ceará, de Fortaleza, Santa Quitéria, João Pessoa, Natal, Recife, Garanhuns, Maceió.  Minhas lembranças dessa fase têm cheiro e sabor de maresia, dunas de areia branca, sol, brisa, cores fortes, música, alegria e uma família gigante.

 

São Paulo foi a minha escolha de vida adulta. Minha alma paulistana falou mais alto que qualquer raiz. Aqui eu construi minha carreira e minha família.  Sou completamente apaixonada por essa cidade, onde tudo é possível.

 

Um extrato do mundo. Uma megalópole que nunca me intimidou. Ao contrário, me desafia e me seduz um pouco mais a cada dia. Há quase 24 anos. Apesar dos pesares. Do cinza. Do céu sem estrelas. Do trânsito caótico. Da violência urbana.

 

Adoro a diversidade cultural, intelectual, religiosa, gastronômica, espiritual, sensorial, profissional que a cidade oferece. Sempre me emociono com a beleza das árvores, do pôr do sol e das noites de lua cheia que vejo e vivo por aqui.

 

Morro de orgulho das minhas filhas paulistanas.

 

Neivia Justa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para milton@cbn.com.br. A narração é de Mílton Jung e a sonorização de Cláudio Antonio.

Como saber se você tem dinheiro para sacar em conta inativa do FGTS

 

 

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Qual a forma mais segura de saber quanto e se tenho direito a sacar o dinheiro de contas inativas do FGTS?

 

 

Não tenho cartão do trabalhador, posso sacar o dinheiro apenas com o documento de identidade?

 

 

Pedi demissão da empresa, antes de dezembro de 2015, porém minha conta no FGTS ainda aparece como ativa: como devo proceder?

 

 

Tenho ações da Petrobras e Vale, compradas com dinheiro do FGTS: se fizer o resgate, este dinheiro volta para a conta que estava inativa; ou para conta atual que ainda está ativa?

 

 

Essas foram algumas das perguntas respondidas pelo diretor de Fundos da Caixa Econômica Federal, Valter Nunes, ao vivo, no Jornal da CBN, em entrevista que você pode ouvir aqui: