Entrevista: “Odebrecht foi mais importante que a embaixada do Brasil em Angola”, diz jornalista

 

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“Odebrecht foi mais importante que a embaixada do Brasil em Angola”, diz jornalista Fábio Zanini, em entrevista ao Jornal da CBN.

 

O editor de Poder da ‘Folha de S. Paulo’ e mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Londres lançou este ano o livro ‘Euforia e Fracasso do Brasil Grande’ (Editora Contexto).

 

Zanini descreve a forma como as empreiteiras, e não somente a Odebrecht, expandiram suas ações por países da África e da América do Sul impulsionadas pelos interesses geopolíticos do Governo Lula.

 

Que fique claro, fazer com que empresas brasileiras atuem fora das nossas fronteiras com incentivo do Governo Federal é política a ser considerada, pois fortalece a nossa economia, também. O problema é que junto com as empreiteiras foram, também, as práticas de corrupção reveladas pela Operação Lava Jato.

 

Ouça a entrevista completa de Fábio Zanini:

 

Aposentadoria: você concorda com a ideia de igualar a idade mínima para homens e mulheres?

 

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Temer a caminho do discurso no Dia Internacional da Mulher (foto Palácio do Planalto)

 

 

O presidente Michel Temer ao discursar em cerimônia pelo Dia Internacional da Mulher se referiu ao papel da mulher na família e no lar. Disse também que, com as perspectivas de recuperação econômica, as mulheres terão mais oportunidades de emprego, além de cuidar dos “afazeres domésticos”. Em outro trecho, chamou atenção para o fato de somente as mulheres serem capazes de indicar os desajustes de preços nos supermercados.

 

Com essa sequência de afirmações, Temer deu a entender que cabe a mulher a função de cuidar dos filhos, trabalhar em casa e fazer as compras. Muita gente ouviu nas palavras presidenciais a reprodução de preconceito que há algum tempo a sociedade moderna busca eliminar.

 

A turma do Palácio se esforçou para desfazer o mal-entendido e justificou que Temer estava apenas constatando uma realidade brasileira, na qual às mulheres cabe o cuidado dos filhos e da casa, mesmo que já esteja trabalhando. O pessoal da assessoria lembrou que foi dele a iniciativa de abrir a primeira delegacia da mulher, na época em que era secretário de Segurança do Estado de São Paulo.

 

Os assessores palacianos poderiam ter lembrado uma outra iniciativa do presidente na busca da igualdade de direitos. No texto da Reforma da Previdência, em discussão no Congresso, o Governo Federal propõe que mulheres e homens se aposentem com a mesma idade, no caso 65 anos. Atualmente, a aposentadoria é por tempo de contribuição, sendo 30 anos para as mulheres e 35 para os homens.

 

Opa, mas aí talvez o tema ficasse ainda mais cabeludo. Afinal, a medida não é unanimidade nem mesmo entre as mulheres.

 

Ainda nesta quarta-feira, o Jornal da CBN promoveu debate para entender as diferentes visões que existem entre os que defendem e os que criticam essa equiparação da idade mínima entre os gêneros.

 

A economista e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Instituto de Estudos Avançados de Berlim, Lena Lavinas, disse que medidas que tendem a homogeneizar padrões em sociedades desiguais têm consequências. Já a sócia-diretora da Better Governance, Sandra Guerra, entende que processos desiguais não levarão à igualdade que se almeja.

 

Caso você não tenha acompanhado ao vivo o Debate CBN, reproduzo a seguir os argumentos completos de cada uma das convidadas do Jornal para que você mesmo tire suas conclusões: homens e mulheres devem ter a mesma idade mínima para se aposentar?

 

O que o ouvinte da CBN faz quando está no carro

 

 

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O carro ainda é extensão de nossas vidas e dentro dele passamos parte do dia em deslocamento nas cidades, mesmo que uma série de inovações e campanhas por mudanças de hábito estejam em andamento. Interessada em descobrir o que costumamos fazer enquanto dirigimos – e dedicamos parcela importante do nosso dia nesta tarefa – a Citroen realizou estudo mundial no ano passado e pretende usar este conhecimento para direcionar o desenvolvimento interior dos seus novos modelos.

 

 

Apesar de a pesquisa ter sido divulgada em setembro de 2016, sites brasileiros voltaram a tratar do tema nesta semana e o assunto foi motivo de conversa, nesta terça-feira, no Hora de Expediente, quadro que apresento com Dan Stulbach, José Godoy e Luis Gustavo Medina, no Jornal da CBN. Além de uma bate papo divertido, o assunto mexeu com os ouvintes da rádio que compartilharam conosco o que costumam fazer enquanto estão no trânsito.

 

 

Conforme a pesquisa da montadora, os brasileiros são os que mais tempo ficam dentro dos veículos ao longo da vida: 4 anos e 11 meses. E refém desta situação, a maioria passa o tempo cantando suas músicas favoritas, o que não surpreende. Como o resultado é baseado em respostas de motoristas e caronas, talvez seja motivo de melhor investigação a informação que a segunda atividade que mais realizamos enquanto dirigimos é agradecer a outros motoristas. Você acredita nessa? Em terceiro lugar no ranking nacional, muito mais crível, apareceu o hábito de falar sozinho. Quem não faz isso?

 

 

Se você quer o resultado completo do trabalho realizado pela Citroen, pode acessar este link. Mas, antes, siga até o fim do texto porque vou apresentar agora o resultado da enquete que realmente nos interessa, que foi realizada com os nossos ouvintes e da qual participaram 141 pessoas.

 

 

E como são nossos ouvintes o que mais eles poderiam dizer que costumam fazer enquanto dirigem: ouvem a CBN, lógico. Que baita orgulho, hein! Com variações sobre o mesmo tema, 36% disseram que acompanham nossa programação como atividade preferencial:

 

 

“Amo conversar com o rádio, principalmente com vc Milton e com a CBN. Participo de todas as entrevistas, dou opinião, sugiro o que tem que ser feito, porém, é uma pena que não sou ouvida …. rsrs” – Adriana Natale Cera

 

“Acho muito bom quando você o Dan, o Luiz Gustavo e José Godoy se reúnem! O humor sarcástico de seus convidados me diverte muito! Respondendo sua pergunta, é disparado que o que mais faço quando estou em meu carro de manhã é ouvi-los aí na CBN e conversar com vocês ao mesmo tempo, ainda que não saibam disso. Já, no período da tarde, é escutar música, xingando ao mesmo tempo a “cambada” de mal educados no trânsito aqui de Goiânia. Que stress, viu!” – Raquel Canella

 

Os motoristas cantores também apareceram em destaque na enquete, ficando em segundo lugar com 14% das preferências.

 

“Além de cantar muito e alto, eu toco vários instrumentos imaginários, principalmente bateria e guitarra!” – Victor Triverio

 

“Eu danço sertanejo, então eu pego batidas com as mãos e com as viradas de cabeça….isto é viciante kkkkk” –  Felipe Mattos

 

Em terceiro um empate entre respostas politicamente corretas e outras nem tanto: 10% dos ouvintes disseram que quando estão no carro apenas dirigem e ficam atento ao trânsito em função dos muitos riscos que enfrentam; já outros 10% garantem que o melhor a se fazer é “limpar o salão” – se é que você me entende. Isso mesmo, ficam cutucando o nariz. Só não explicaram onde a sujeira vai parar. Será que as montadoras tem uma solução para este hábito?

 

“Sem dúvida, cutucar o nariz, tirar meleca e fazer bolinhas” Cláudio Santana

 

Falar sozinho que pode ser tão estranho quanto cantar apareceu em quinto lugar na nossa classificação com 8,5% da preferência dos motoristas:

“Vou falando o trajeto tipo GPS humano” – Rita Loureiro

 

“Geralmente eu tento conversar com meu marido, mas ele fala pouco então é meio que estressante…” – Daniele

 

No elenco de respostas encontramos ainda ouvintes religiosos que passam o tempo no trânsito rezando ou conversando com Deus; os vaidosos que lixam as unhas e passam o rímel; os apaixonados, que aproveitam para beijar; os irritados que xingam motoristas que consideram mal-educados; e as celebridades:

 

“Tiro selfies ! – Deylor Pires

 

Aliás, está é uma curiosidade: apesar de sabermos que hoje é comum assistirmos aos motoristas consultando o celular ao mesmo tempo que rodam na cidade, exceção a um ouvinte ninguém mais se entregou cometendo esta irregularidade.

 

No estudo de comportamento da Citroen, o hábito também não apareceu, porque a montadora francesa preferiu deixar a resposta fora da pesquisa com a intenção de não incentivar um costume extremamente perigoso.

 

Uma coisa que descobri ao ler atentamente cada uma das mensagens enviadas ao Jornal da CBN foi que alguns motoristas – no caso, algumas motoristas – aproveitam para “dar uma cantada”.

 

Depois de ouvir que o Dan Stulbach, enquanto dirige, gosta de dar beijos, hábito que aparece entre os cinco mais comuns entre os motoristas brasileiros, leia o que escreveu a Cynthia:

 

O Dan quer uma carona? – Cynthia Santos

 

Beijos a vocês todos que aceitaram participar desta brincadeira no Jornal.

 

Amanhã tem mais!

Mundo Corporativo: Vera Martins diz o que é preciso para desenvolver sua inteligência emocional

 

 

A pessoa inteligente emocionalmente, diante de uma situação difícil, não fica focada no problema, foca na solução; a pessoa que não é assertiva, foca no problema para se desculpar de tudo que está enfrentando. Essa diferença de comportamento define na maior parte das vezes o sucesso frente aos desafios que o profissional encara no mercado de trabalho, segundo a educadora e coach Vera Martins. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Martins elenca aspectos importantes que nos ajudam a desenvolver a inteligência emocional, tais como resiliência, atitude e auto-percepção. Vera Martins é autora do livro “O emocional inteligente – como usar a razão para equilibrar a emoção” (Auta Books Editora).

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a colaboração de Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo: a coleta de lixo no Ipiranga era em carroças puxadas por burros

 

Por Wilson Jesus Thomaz Dutra
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Infância querida em São Paulo!

 

Estamos em 1958. Eu com seis anos, morador em uma pequena rua sem asfalto no bairro do Ipiranga, zona Sul de São Paulo. Recordo que nossas brincadeiras eram de escorregar no barro quando chovia, e isso provocava grandes “gargalhadas” de nossas mães quando viam nossas roupas sujas de barro; subir em goiabeira, ameixeira, pitangueiras e outras árvores frutíferas – saboreávamos aqueles frutos com néctar dos deuses!

 

A lembrança que mais me deixa saudoso é a da coleta do lixo. Era realizada por um carroção puxado a 4 ou 6 burros que pareciam ensinados, já que a qualquer assovio dos homens que recolhiam o lixo, os animais paravam ou andavam. Para nós moleques aquilo era uma festa! Em todas as datas comemorativas como Páscoa, Natal e Ano Novo saíamos correndo atrás daqueles homens para darmos a eles algum dinheirinho reservado por nossas mães em agradecimento pelo trabalho que realizavam.

 

Bem diferente dos dias atuais!

 

Wilson Jesus Thomaz Dutra é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Aldo Bergamasco, da ZRG, diz quem é o executivo que as empresas buscam no mercado

 

 

 

 

“Aqueles que conseguem ter um visão de alguns anos a frente de tendência de mercado e executar o dia a dia de uma forma muito cuidadosa e precisa, esses são aqueles executivos e grupos de executivos que estão trazendo os melhores resultados para as empresas”. A opinião é de Aldo Bergamasco, da ZRG Partner Brasil, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Bergamasco é especializado na seleção e busca de executivos de alta perfomance e conta que tipo de líder as empresas procuram para comandar suas equipes e como você pode se preparar melhor para encarar este desafio.

 

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, quartas-feiras, 11 horas, no site na página da rádio CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Colaboram com o Mundo Corporativo Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo: o sabor do bauru no Largo da Santa Ifigênia

 

Por Mário Tobias
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

Nasci em 1961, na Zona Norte de São Paulo, na Vila Ede, próximo a Vila Gustavo. Uma família de muitos tios e tias: eu tinha um tio, Manoel, que foi mascate a vida inteira. Ele ia à pé e de ônibus da Vila Gustavo até a Rua 25 de Março comprar armarinhos e outras miudezas para revender nas lojas de bairros e para as costureiras, que eram muitas na época.

 

Várias dessas vezes, ele me levava. E eu, menino de 7 ou 8 anos, ia todo feliz, andar de ônibus e passear pelo centro de São Paulo. Na volta, ele parava num bar no Largo Santa Ifigênia, para comermos um bauru e tomarmos um refrigerante.

 

Quando conto isso, o sabor do lanche e do refrigerante, vêm à minha memória.

 

Mudei-me para o interior quando adulto, mas vinha sempre a São Paulo para reuniões na empresa, que ficava muito próxima do Largo Sta. Ifigênia.

 

Certa vez cheguei ao hotel, já tarde da noite, para uma reunião no dia seguinte, e como estava próximo, fui tomar um lanche no mesmo lugar de tantos anos atrás.

 

Lógico que as lembranças de tão doce período, vieram à tona.

 

Conversei com o dono da lanchonete e contei a história de mais de 40 anos atrás. Foi, então, que ele me disse:

 

Essa lanchonete era do meu avó, passou para o meu pai e eu hoje sou o proprietário. E já ouvi muitas histórias de doces lembranças como a sua.

 

O Conte Sua História de São Paulo tem a sonorização do Cláudio Antonio e a locução de Mílton Jung. O quadro vai ao ar aos sábados, logo após às 10h30, no CBN SP.

Mundo Corporativo: José Carlos Teixeira Moreira sugere que você invista no óbvio

 

 

“Eu jamais ficaria focado no cliente, eu ficaria com o foco do cliente … focar no cliente, é imaginar que o cliente, que é neófito naquilo que ele está comprando, seja capaz de me ensinar o que eu deva fazer quando a sociedade me pagou para eu mergulhar naquele negócio que eu estou fazendo”. A opinião é do consultor José Carlos Teixeira Moreira, presidente do Instituto e da Escola de Marketing Industrial, entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

Moreira diz que existem algumas coisas que são óbvias no nosso negócio, muitas delas deixamos de lado e, assim, desperdiçamos belas oportunidades. Por isso, ele defende a ideia de que para desenvolvermos nossa empresa, serviço ou carreira é fundamental que se dê brilho ao óbvio.

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, quartas-feiras, 11 horas, no site e no Facebook da radio CBN. O programa é reproduzido aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN. E tem a colaboração de Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

No gravador de Enon, a essência do rádio

 

Por Christian Müller Jung
reproduzido do LinkedIn

 

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Formei-me publicitário. Mesmo sendo filho, irmão, sobrinho, primo de jornalistas, a veia criativa sempre esteve presente em minha vida. Muito disso por influência da mãe que era uma pessoa super inspirada.

 

Mas, enfim, o que me traz aqui hoje é curiosamente essa tarefa instigante de levar a informação para todos os cantos do planeta: o jornalismo.

 

Tive a oportunidade de conviver desde a infância com essa turma que carrega gravadores nas mãos para não perder uma palavra que tenha sido pronunciada ou alguma mensagem que seja de interesse da população.

 

Cresci dentro da Rádio Guaíba, de Porto Alegre, em virtude do pai que por lá circulou mais de 50 anos, como locutor comercial e de notícias, narrador esportivo, comentarista e, claro, jornalista. Quando digo o pai, refiro-me a Milton Ferretti Jung.

 

Assistia ao trabalho dele e dos colegas nos campos de futebol e, por vezes, presenciei os repórteres chegando da rua prontos para editar as suas matérias.

 

Muitas vezes, apesar do Christian no nome, fui e sou chamado de “Miltinho”, seja porque o pai é Milton seja porque meu irmão também é Milton, o Júnior (e, também, jornalista). Nada que me afete porque afinal de contas tenho orgulho dessas referências; assim a troca de nome mais do que uma simples confusão, é uma deferência.

 

Apesar de ser publicitário, fui parar na tribuna do Palácio Piratini como Mestre de Cerimônia. Se a gente não herda uma coisa herda outra. Se não virei jornalista como o pai, fiquei com o padrão vocal do velho Milton e isso me ajudou na obtenção do registro de locutor e apresentador.

 

O Palácio e as atividades pelo Rio Grande como Mestre de Cerimônia me permitiram acompanhar de perto as coberturas jornalísticas, especialmente nas solenidades do Governo, e me aproximaram desse pessoal: os jornalistas de rádio.

 

Alguns são da velha guarda, são do gravador da National e da fita K-7 – um trambolho que exigia o uso das duas mãos, uma para apoiar e a outra para apertar o botão REC.

 

Junto a eles, tem a turma bem mais nova que se recicla a cada dia chegando com toda a tecnologia disponível para facilitar e arquivar a informação. Tanto de áudio como de vídeo.

 

Nessa atividade que exerço no governo gaúcho, desloco-me por várias cidades do interior e foi numa destas, mais precisamente em Tapes, no centro sul do Estado, que encontrei o radialista, o jornalista e o dono da Rádio Tapense, Enon Cardoso.

 

Na solenidade anterior em cidade bem próxima, Sentinela do Sul, já o tinha visto trabalhando, porém foi em Tapes, após escutar a minha apresentação, que ele quis saber como eu me chamava. Logicamente que pelo tipo de voz e o sobrenome, Jung, ele me perguntou o que eu seria do Milton Ferretti Jung. Disse que era o filho mais novo e de cara ele abriu um sorriso lembrando-se de um acontecimento que tinha marcado a vida dele, há muito tempo.

 

Em certa oportunidade, muito antes das grandes redes de rádio, Enon veio a Porto Alegre para saber se teria autorização para reproduzir na emissora dele o Correspondente Renner, que era lido pelo Milton, na Guaíba. Falou com o pai que era só o locutor no noticiário e não tinha esse poder de decisão. Depois, falou com Flávio Alcaraz Gomes, amigo dele e um dos jornalistas mais influentes da emissora. Precisou, porém, muita insistência para chegar à direção da Guaíba quando, então, recebeu o aval inédito para retransmitir o Renner. Havia apenas uma condição: ele não poderia dizer o nome da rádio dele durante a locução.

 

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Quando vejo um senhor como o Enon, de cabelos brancos, sentado em uma cadeira, próximo ao palco da cerimônia, em frente a caixa de som e com o gravador na mão, em pleno 2017, parece que voltei no tempo. A maneira improvisada de cobrir os assuntos como forma de superar a falta de dinheiro e condições de trabalho, me remete à época em que cada um tinha de fazer das tripas coração para emendar fios, montar um transmissor, levantar enormes e pesadas antenas e torcer para que o trabalho todo fosse ao ar.

 

A história de Eron por si só já é ótima, mas o que quero destacar mesmo, nisso tudo que relato até aqui, é a essência da coisa. É nela que se cria a verdadeira escola da informação. Muito mais que a tecnologia, está a vontade de retransmitir e compartilhar os fatos da forma mais imediata possível com a audiência.

 

Ainda que os telefones celulares e toda a tecnologia desenvolvida facilitem tanto a vida dos profissionais, quando faço essas solenidades percebo que a necessidade de levar a informação para o ar ainda exige algum tipo de improviso para não que se perca nenhuma sílaba do que foi dito.

 

Os gravadores mudaram de tamanho e de analógicos se transformaram em digitais, mas a turma ainda precisa correr, instalar antenas de wi-fi, conectar notebook, tablet ou qualquer outra traquitana nova. Sai de uma solenidade para a outra, tem pressa para chegar e para transmitir a mensagem ao seu público.

 

Se antigamente era preciso colar o gravador e o microfone no rosto de quem falava ou se tinha de se subir na tribuna para captar tudo, hoje basta se aproximar da caixa de som ou ligar o equipamento direto na mesa montada pelos técnicos.

 

Se antes o material coletado tinha de viajar de carro ou ônibus para chegar à emissora, hoje é editado na mesma hora, viaja pela nuvem ou é transmitido ao vivo e com sinal digital.

 

Mas nada disso muda a razão maior que move todos os jornalistas desde quando comecei a conviver nesse mundo da notícia. Velhos ou novos profissionais, todos buscam cumprir sua missão.

 

Bem lá atrás ou aqui na frente da linha do tempo, o que interessa no fim do dia é se a bendita da informação chegou ao público.

 

Naquele dia em Tapes, com seu gravador em punho, Enon mais uma vez cumpriu sua missão.

Conte Sua História de São Paulo: a namorada que eu levava ao Playcenter

 

 

Por Humberto Bernardino de Andrade

 

 

 

 

Cheguei à metrópole no fim da década de 1990. O primeiro lugar onde morei foi em Santana, na zona Norte. Nunca havia andado sozinho de metrô. E ao chegar ao terminal do bairro, vindo da rodoviária do Tietê, um amigo, que me recebera em uma república de colegas da minha cidade, me esperava para que eu não me perdesse.

 

 

Quando eu era criança e morava no interior, sempre ouvia os mais velhos dizerem: “─Jamais moraria em São Paulo… aquela loucura, trânsito, violência, poluição…”. Fiquei com aquilo na cabeça. O tempo passou e cá estava eu, recém-saído da faculdade de engenharia, cursada lá no interior.

 

 

Meu primeiro emprego aqui foi em uma obra na Av Luis Carlos Berrini, na zona Oeste: prédios modernos, muita gente bonita. Aquilo me impressionava.

 

 

Cruzava a cidade de ônibus pra trabalhar, pois tinha medo de ir de carro. Só tomei coragem de me arriscar no trânsito quase um ano depois.

 

 

A cidade não era mais da garoa como nos tempos em que fazia excursão ao Playcenter, nos anos de 1980. Era a terra dos temporais, que alagavam tudo castigando a cidade. Minha mãe quando via aquilo na TV nos programas da tarde, ligava preocupada pra saber se eu não tinha ficado sitiado em alguma enchente.

 

 

Apesar daquela resistência com a cidade, provocada pela ideia dos conterrâneos de que “jamais moraria em São Paulo”, uma coisa que sempre me deixava curioso, era saber como seria assistir a um jogo do meu time de coração, ao vivo, num estádio.

 

 

Tomei coragem: ao sair do trabalho, decidi ir ao Pacaembu. Era uma terça-feira à noite. Ao chegar lá, os holofotes estavam acesos, a arquibancada ainda tinha poucas pessoas – o suficiente para ficar com aquela imagem marcada na memória. Assisti, naquela noite, à vitória do Corinthians diante do Juventus, time tradicional da cidade. Foi um a zero. E simbólico para quem naquela altura já estava apaixonado pela cidade.

 

 

Ao mesmo tempo que, na agitação do dia-a-dia, pensava que tudo aquilo era provisório, que logo, logo arrumaria um emprego no interior e voltaria, nas horas de lazer, diante de inúmeras opções, imaginava que não havia como abandonar mais tudo aquilo e retornar.

 

 

Depois de Santana, morei em vários lugares: Vila Mariana, Saúde, Centro, Vila Prudente  … e até andei cometendo infidelidades: morei em Santo André, Osasco e Barueri. Mas sempre trabalhei em São Paulo.

 

 

Hoje estou de volta. E moro na Barra Funda, na zona Oeste, bem próximo do terreno, onde estacionava o ônibus que trazia a mim, minha namorada e meus amigos de adolescência para o Playcenter. O terreno está vazio, em compensação a namorada virou minha esposa.

 

 

É curioso porque nas minhas andanças pela cidade, ouço paulistanos da gema dizerem que “isso aqui é uma loucura, já não aguento mais, trânsito, enchente, violência… quando me aposentar, quero ir morar no litoral ou no interior.”.
 

 

Eu, que já me rendo à paixão pela cidade, como paulistano naturalizado penso logo que “, quando me aposentar, quero mesmo é morar em São Paulo”.
 

 

Humberto Bernardino de Andrade é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar desta história: envie seu texto para milton@cbn.com.br.