Conte Sua História de SP: já vivi tantas loucuras na cidade

 

Por Ari Lopes
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Já vivi tantas loucuras na cidade
Quero contar para você
Vi carro mergulhando
Nas águas do Rio Tietê
No rio Pinheiros não foi diferente

 

Ouça o que estou te contando
Vi um corpo
Naquelas águas estava boiando

 

Flagrei uma cena
Que achei muito chata
Um homem e o cachorro
Comendo no mesmo prato

 

Imagina o que aconteceu um dia
Nesse caso fiquei muito assustado
Um homem tirou toda a roupa
Dentro do meu carro ficou pelado

 

Ir atrás de carro suspeito
Até isso eu consegui
A esposa pegou em flagrante
Seu marido com um travesti

 

Em São Paulo já vi de tudo
Até o que não quis
Um corpo cai despedaçado
Na calçada da Avenida São Luis

 

No incêndio do Joelma
Eu estava lá perto vendo
Depois de muitos anos
Só agora isso eu estou escrevendo

 

No edifício do Andraus
Vi tudo acontecer
Gente se jogando por causa do fogo
Sabendo que ia morrer

 

São Paulo que todo dia tem problema
Correria é de rotina
Peço sempre para todos
Que tenham proteção divina

 

No túnel do Anhangabaú
Já vi água até o teto
Vários carros um em cima do outro
Antes não fechou, o túnel estava aberto

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10h30 da manhã, no programa CBN SP, tem narração de Mílton Jung e sonorização de Cláudio Antonio

Mundo Corporativo: Gilberto Cavicchioli ensina a melhorar o atendimento ao cliente

 

 

“É muito fácil colocar um anúncio na parede, dizendo nosso foco é o cliente. isso é muito fácil de fazer, mas é difícil, ou é desafiador cumprir … eu costumo dizer: a crítica, a reclamação, na empresa moderna, ela é vista como meio mais barato de você aperfeiçoar os procedimentos e os processos internos”. O alerta é do consultor e especialista em gestão de pessoas Gilberto Cavicchioli, entrevistado por Mílton Jung, no Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

Cavicchioli é autor do livro “Cartórios e gestão de pessoas – um desafio autenticado” , no qual descreve a experiência que tem desenvolvido para qualificar o atendimento aos clientes e melhorar a performance destes serviços.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, quarta-feira, 11 horas, no site cbn.com.br. O quadro tem a colaboração de Alessandra Dias, Douglas Matos e Debora Gonçalves.

Quintanares: Contigo fiz, ainda em menininho

 

 

Poesia de Mário Quintana
Publicado em A Rua dos Cataventos
Narração de Milton Ferretti Jung

 

Contigo fiz, ainda em menininho,
Todo o meu Curso d′Alma… E desde cedo
Aprendi a sofrer devagarinho,
A guardar meu amor como um segredo…

 

Nas minhas chagas vinhas pôr o dedo
E eu era o Triste, o Doído, o Pobrezinho!
Amava, à noite, as Luas de bruxedo,
Chamava o Pôr-do-sol de Meu Padrinho…

 

Anto querido, esse teu livro “Só”
Encheu de luar a minha infância triste.
E ninguém mais há de ficar tão só:

 

Sofreste a nossa dor, como Jesus…
E nesta Costa d′África surgiste
Para ajudar-nos a levar a Cruz!…

 

O programa Quintanares foi ao ar, originalmente, na Rádio Guaíba de Porto Alegre

Conte Sua História de SP: meu encontro com D. Eva em Moema

 

Por Marina Zarvos Ramos de Oliveira
Ouvinte da CBN

 

 

Olá D.Eva!

 

Espero que minha carta a encontre cheia de vida como quando a conheci. Nossas vidas se cruzaram dias atrás. Foi no cruzamento de duas movimentadas avenidas de nosso bairro, Moema. Preparava-me para atravessar quando a vi do outro lado ensaiando o mesmo. Se tudo desse certo, iríamos nos encontrar no cruzamento das ruas. Se tudo desse certo…

 

Num “flash”um temor me assola: suas frágeis pernas e braços, carregando um carrinho de feira abarrotado de suprimentos, fardos de água em uma mão e uma garrafa na outra, teriam a agilidade necessária para a empreitada? Movida pelo medo de que algum carro a atingisse, saí em sua direção o mais rápido que pude. Postei-me ao seu lado para juntas atravessarmos. Ofereci ajuda e a senhora, um tanto ofegante, agradeceu-me e aceitou. Apenas para ajudar na travessia, não me permitiu segurar o carrinho.

 

Sãs e salvas após atravessarmos, comento sobre o peso que carregava, reitero meu pedido para puxar o carrinho e acompanhá-la até seu destino. A senhora aceita, mas me entrega apenas a garrafa de água.

 

Percebo um forte sotaque e ponho-me a conversar. Caminhamos juntas dois quarteirões, suficientes para saber que D.Eva, com 90 anos e um 1,5 metro de altura, imigrante romena, esta mesmo é preocupada comigo: ”cuidado esquina mais perigosa que a anterior”, alertava-me.

 

D.Eva, como me esquecer de seu olhar atento para os dois lados? E de sua voz? Ecoa até agora ao me dizer certeira: “vamos,vamos”. E fomos em direção ao seu prédio. Naqueles últimos metros, outra revelação bombástica.

 

– “Morei cinco anos debaixo da terra”, disse D.Eva.
– “Debaixo da terra? Como assim?”
“Sim, saía apenas para procurar comida à noite.Tempos difíceis os da Segunda Guerra”!

 

Paro minha caminhada para recuperar o fôlego e enxugar as lágrimas. Dona Eva prossegue e já sinaliza ao porteiro sua chegada…

 

“Por favor, D. Eva, deixe-me levar até o elevador”, pedi a ela.

 

Neste instante, percebo que meu desafio maior aproximava-se. A entrada escolhida pela senhora foi a da garagem com uma longa e íngreme rampa. A senhora, tal qual uma jovem e habilidosa “skatista”, desliza em direção à garagem, enquanto prendo minha respiração. Não esquecerei o sorriso largo da senhora ao voltar-se para trás e olhar-me com ar de vitória absoluta e total.

 

Despedimos-nos no térreo, não sem antes receber inúmeras, incontáveis e maravilhosas bênçãos.

 

Perdi a direção, o rumo e o motivo pelo qual sai naquela manhã. Nada mais importava, mediante a beleza da lição de força e de vida que recebi. Perguntava-me como não a havia visto antes? Somos vizinhas próximas e há mais de 20 anos! São Paulo nos acolheu generosamente. Minha família emigrada da Grécia, fugindo da mesma guerra e a senhora da Romênia.

 

D.Eva, que benção tê-la encontrado naquele dia! Nossas ruas se cruzado! Nossas vidas se encontrado aqui em São Paulo!

 

PS: Eva tem origem no hebraico :”Hawwá”,que quer dizer ” Cheia de vida”.

Tomando um cafezinho com meu poeta preferido, Mário Quintana

 

Por Milton Ferretti Jung

 

IMG_2617 (1)

 

Mílton,meu filho e âncora deste blog,que aos domingos vem publicando post cujo nome – Quintanares – foi uma homenagem prestada pela Rádio Guaíba ao poeta Mário Quintana. Modéstia à parte,atrevo-me a dizer que,tanto eu quanto o Mílton,adorávamos Quintana e até hoje,quem visita a casa do meu filho,vê a imagem do poeta em uma parede a ele dedicada.

 

Na Rádio,deram-me a honra de declamar as suas poesias. Ainda bem que o Christian,meu filho mais moço,que se dá ao trabalho de guardar o que o seu pai, descuidadamente, esquece de fazer,toma tal providência.Os áudios usados no blog fazem parte deste acervo mantido por ele.

 

Conheci de perto o poeta.

 

Nos sábados,o fechamento do jornal Correio do Povo de domingo era acompanhado bem mais cedo do que durante a semana. Mário aparecia na redação e lá ficava por bom tempo.

 

Ah,claro,ele ia entregar um dos seus poemas ao Tito Tajes. Esse,era casado com minha irmã,a Mirian,e responsável pelo fechamento, sem erros, das notícias dominicais. Eu apresentava as duas últimas edições do Correspondente Renner e,entre uma e outra leitura,visitava o Tito,sempre um bom papo. Junto com esse,já lá estava Mário Quintana.

 

Sabem o que ele fazia? Tratava de preencher as palavras cruzadas do Correio do Povo de domingo. Lembro-me que ali mesmo,sentado na redação do jornal,ele “matava a charada” com incrível rapidez e sem precisar,como eu, de dicionário.

 

Eu costumava levar os meus três filhos – a Jacque,o Mílton Júnior e o Christian para me acompanhar aos sábados. O Tito,por sua vez,levava minha sobrinha, a Claudia,hoje roteirista da Globo e que também é colunista da revista Donna. Como se viu,ela não atendeu ao desejo paterno: Tito não queria que ela fosse jornalista…

 

Dos meus,o Mílton foi um dos que mais se divertiram ao visitar a Rádio Guaíba. Os operadores,mal o Mílton chegava,tratavam de fazer uma bola com muito papel e guarnecida com fita isolante para aguentar os chutes que ele dava no corredor da Guaíba.

 

Ao conhecer o Christian,então com crespos cabelos louros,Mário Quintana,que também encontrava o meu caçula na redação do Correio do Povo,aos sábados,tratou de apelidar o garotinho de “Anjinho”.

 

Já os meus contatos com o poeta se davam quando,eventualmente,ele me ouvia declamando uma de suas poesias,as que seriam acompanhas pelos ouvintes da Guaíba ao irem ao ar. Eu ficava imaginando o que ele estaria pensando do seu “declamador”.

 

Não esqueço que ele fez um elogio ao Lauro Quadros -meu colega de rádio na época-, dizendo que gostava muito de vê-lo na televisão, não para ouvi-lo,mas porque achava muita graça na maneira como ele se sacudia.

 

Quem costumava almoçar no bar da rádio Guaíba,o que muitos faziam praticamente todos os dias, sempre podia aproximar-se de Mário Quintana,que tomava café preto e,invariavelmente,fumava um “cigarrinho”.

 

Mário Quintana não foi somente um poeta que,a meu juízo e do Mílton,foi o melhor de todos. Ele foi um jornalista dos melhores que eu cheguei a conhecer quando ainda vivo e atuando na Livraria do Globo.

 

Ah,que saudade do tempo em que tínhamos um grande poeta com quem se podia conversar e,no meu caso,ter o prazer de ser o seu intérprete no Quintanares.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Quintanares: “leio velhos jornais”

 

 

Poesia de Mário Quintana
Publicado em Porta Giratória
Narração Milton Ferretti Jung

 

Pesquisa

 

Na gostosa penumbra da Biblioteca Municipal
leio velhos jornais
e
dos anúncios prescritos
das novidades caducas
dos poetas mortos há tanto tempo que parecem de novo estreantes
das ferocíssimas batalhas políticas do ano de 1910
– brotam como balões meus sábados azuis
as horas bebidas aos goles
(num copo azul)
e as ruas de poeira e sol onde bailam sozinhos
os meus sapatos de colegial.

Conte Sua História de SP: moça, me dá seis médias!

 

Por Rita Sita
Ouvinte da Rádio CBN

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, a ouvinte-internauta Rita Sita, natural de Santos, no litoral, compartilha uma das muitas passagens curiosas que enfrentou ao chegar na Capital:

 

Vim trabalhar em São Paulo, em 1992, na avenida Paulista, que era muito chique para uma santista.

 

Já estava por aqui há pelo menos um mês quando fui a uma padaria comprar pão para comermos no lanche da tarde com os colegas, na empresa em que trabalhava.

 

Assim que cheguei pedi seis médias:

 

  • Para viagem ?!?! perguntou a moça do balcão.
  • Sim, vou levar!
  • Vai levar como?
  • Ué, respondi sem entender a pergunta, no saco, é lógico.
  • Moça, no saco não dá não, respondeu em tom de graça.

 

Foi quando lembrei que estava em São Paulo onde média é xícara grande de café com leite; enquanto em Santos, é pão francês.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, após às 10h30, no CBN SP

Mundo Corporativo: João Cordeiro ensina a eliminar de vez as desculpas e melhorar a perfomance

 

 

A habilidade de colocar a responsabilidade dos problemas nas outras pessoas ou acontecimentos é muito mais comum do que você imagina. Aliás, pesquisas mostram que o nosso cérebro é mais conectado para culpar do que para dar crédito ou perdoar os outros. Portanto, podemos até dizer que essa é uma habilidade natural. Apesar disso, precisa ser combatida, alerta o coach João Cordeiro, entrevistado do jornalista Mílton Jung, no quadro Mundo Corporativo, da Rádio CBN. Autor do livro “Desculpability – elimine de vez as desculpas e entregue resultados excepcionais”(Editora Évora), Cordeiro mostra quais são os passos necessários para mudar esse comportamento que contamina as relações e o ambiente organizacional.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site cbn.com.br e você pode participar com perguntas para mundocorporativo@cbn.com.br. O quadro tem as colaborações de Paulo Rodolfo, Douglas Matos e Debora Gonçalves.

Conte Sua História de SP: navegava curioso pela Paulista

 

Por Fábio Henrique de Carvalho

 

 

Falar de São Paulo talvez seja mais fácil do que se apaixonar definitivamente pela cidade. Nos meus 40 anos, nasci distante da metrópole, mas desde pequeno tive a oportunidade do convívio com esse lugarzinho cheio de tudo.

 

Na infância, com os tios morando em um prédio na rua Cubatão, em visitas frequentes aos queridos parentes, foi que comecei a me deparar com a grandiosidade do lugar.

 

Navegava curioso pela Paulista, tendo no curso da nau cinemas com filmes que jamais veria em outros cantos. O Vão do MASP era indecifrável naquela infância. Como se sustentava? Livrarias enormes. Gente de outro mundo com a face fechada cruzava meu caminho. Os olhares nunca se cruzavam (até hoje é assim!).

 

E garoava! E mesmo assim ninguém se intimidava. A avenida permanecia movimentada. Capuzes e blusas de cores sortidas decoravam as faixas de pedestres. Os passos não mudavam pela garoa. Eram apressados em qualquer dia e estação do ano. Menos os meus. Os meus eram passos curtos de uma criança. Escutava no caminho sotaques diferentes. Muitos deles eram engraçados. Eu imitava baixinho aqueles tons. Queria guardar só para mim cada detalhe daquele mundo novo.

 

Do chão das calçadas saia vento através de grades que cobriam fossas profundas. Que seria aquilo? Me assustava… E no segundo seguinte já estava me divertindo com a descoberta.

 

Hoje, continuo navegando por São Paulo. Os passos já não são tão lentos quanto os de um menino. Mas ainda busco pelos olhares que tocam o chão e o infinito.

Conte Sua História de SP: os parques que me levaram ao escotismo

 

Por Emerson Beraldo

 

 

Minha mãe tinha casa no Butantã, no Jardim João XXIII, onde crescemos e descobrimos a vida. Meu pai trabalhava no comércio e não tinha muito tempo para dar atenção aos filhos, mas nos domingos de folga sempre nos levava para passear nos parques da cidade que só víamos no horizonte.

 

Zoológico, nossa! Como era longe! Eram duas horas de ônibus até lá. Hoje não gasto mais de 30 minutos.

 

No Parque do Ibirapuera tinham o lago, a Bienal, a Prefeitura (sim ela ficava no parque, onde hoje é o prédio da PRODAN), lá podia subir nas árvores, no monumento às Bandeiras, onde tinha uma placa com os nomes dos Bandeirantes que desbravaram nosso Estado, e ficávamos fascinados com o tamanho do Obelisco.

 

Para pegar o ônibus de volta, passava por uma praça, ao lado do Obelisco, chamada “Escoteiro Aldo Chioratto”, naquela época eu só conhecia escoteiros pela TV e pensava: “um dia vou ser escoteiro”.

 

Já no Parque da Previdência tinha um bosque que em nossa imaginação de criança, se transformava em uma floresta assustadora como nos filmes de terror.

 

Adorávamos subir na antiga caixa d’água em forma de Cúpula, de onde avistávamos a cidade. Sentados nos bancos ao lado da administração víamos o Estádio do Morumbi. Dava até para ouvir o barulho das torcidas em dias de jogos.

 

Em 1986, durante um destes passeios pelo Parque da Previdência, logo ao chegar cruzei com um garoto muito bem uniformizado. Foi a hora, eu e meus irmãos corremos para perto de minha mão e dissemos:

 

– Aqui têm escoteiros! Queremos participar!

 

Foram meses de espera pelo chamado que enfim veio, e no sábado, 28 de março de 1987, estávamos lá, prontos para começar, não tinha ideia que aquilo mudaria para sempre nossas vidas.