Rebobinar, cair a ficha e virar o disco: expressões que ficaram no tempo

 

A Bel Pesce, com seu papo serelepe, logo pela manhã, no Jornal da CBN, propôs que você aproveitasse o fim do expediente para rebobinar a fita e refletir sobre as coisas que aprendeu e sentiu durante o dia. É uma maneira muito legal de reviver tudo o que passou, não esquecer bons momentos e, se algum assunto estiver pendente, quem sabe tentar uma solução ou enviar um e-mail. O desafio proposto por ela acabou provocando outras memórias, a medida que lembrei, no nosso bate-papo, que a expressão rebobinar, apesar de apropriada, não fizesse mais parte da vida de muitas pessoas. Comum na época em que alugávamos fitas de vídeo e éramos obrigados a rebobiná-la sob o risco de sermos multados pela locadora, a expressão surgiu muito antes: está relacionada às fitas de rolo que eram usadas em estúdios de gravação e emissoras de rádio, como, aliás, citaram alguns ouvintes em mensagens enviadas ao programa.

 

Pelo e-mail, Twitter e WhatsApp surgiram muitas outras expressões datadas, algumas que persistem apesar de parecerem sem sentido para novas gerações, outras que ficaram para trás. Aproveito a participação dos ouvintes-intenautas para fazer uma relação destes termos:

 

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Caiu a ficha, usado quando você entendeu ou percebeu algo, e tem relação ao fato de os telefones públicos, no passado, usarem fichas que caíam quando a ligação era completada. Com o sucesso dos celulares, em breve, talvez nem tenhamos mais telefones públicos ou orelhões.

 

Disca pra mim era um convite para que a pessoa telefonasse para você, em uma época na qual os aparelhos telefônicos (que eram fixos) em lugar de teclas tinham um disco. O telefone discado enviava pulsos elétricos através do giro do número correspondente em um painel em formato de disco. Hoje, apesar de muitos apostarem na aposentadoria dos telefones fixos ainda tem serviço de entrega que usa o termo “disque” ou “disk” (pra ficar mais chic), mesmo que os pedidos cheguem pela internet.

 

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Tá tudo Magiclick significa que está tudo ótimo, deu tudo certo; e nasceu de jargão publicitário de um tipo de acendedor automático de forno e fogão que substituía com maestria (esta palavra é mais antiga ainda) os fósforos. O acendedor da marca Magiclick, foi criado pelo argentino Hugo Kogan, em 1963, e facilitava a vida das donas de casa – sim, naquela época só elas tinham o direito de atuar na cozinha – pois acendia o fogo apenas com um clique no equipamento. Alguns tinham chama própria e outros apenas geravam uma faísca que, em contato com o gás, produzia a chama. Nos anúncios, o fabricante garantia que o Magiclik tinha capacidade de funcionar de forma autônoma por até 104 anos. Ou seja, ainda tem muito tempo pela frente.

 

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Deu tilt entrega a idade, também; principalmente se você usar o termo para dizer que alguma coisa deu errado. A expressão se popularizou com as máquinas de fliperama ou pinball que nasceram na pré-história dos jogos eletrônicos. Para a bola de metal correr na mesa por mais tempo, somando pontos na partida, usávamos duas palhetas e, às vezes, em jogadas mais bruscas, sacudíamos a máquina a ponto de incliná-la. Quando isso ocorria éramos punidos e a palavra tilt surgia na tela. Tilt é palavra em inglês que pode ser usada como verbo ou substantivo e significa, em português, inclinar ou inclinação.

 

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Pegar o bonde andando acontece sempre que você entra em uma reunião de trabalho sem saber quais os assuntos que foram discutidos antes ou quando pega uma conversa no meio do caminho. Tinha a ver com os passageiros que subiam no bonde quando ainda estava em movimento, o que, apesar de perigoso, era possível pela velocidade com que andava pelas ruas. Vai me dizer que nunca ouviu falar em bonde? Era um tipo de transporte público comum que começou a rodar entre nós no século 19. Circulava sobre trilhos e era movido à eletricidade (chegou a ter tração animal e por meio de vapor), ou seja muito mais amigável do meio ambiente do que os ônibus à diesel que os substituíram. Algumas cidades ainda mantém este tipo de transporte. Eu só andei em um, aqui no Brasil, quando minha mãe me levou para fazer a última viagem de um bonde, em Porto Alegre.

 

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Vira o disco é o que costumávamos pedir para aquele colega que insistia em falar do mesmo assunto e, claro, a expressão está ligada aos tempos do vinil que tinha faixas musicais dos dois lados. Como ouvir disco em eletrola virou cult, a expressão vai perdurar – até porque gente chata que não troca de assunto está cheia nestes tempos de rede social. E como não quero estar nesta lista, termino a conversa por aqui lembrando apenas mais algumas expressões que me foram enviadas: chato de galocha, fazer a caveira da pessoa, tirar o chapéu, tirar o cavalo da chuva, beber na fonte, dar nó em pingo d’água, a casa caiu e tomei um pifão.

 

Fiquem à vontade para colaborar com esta lista.

Conte Sua História de SP: a bicicleta do meu pai

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto de ouvinte-internauta Ademir Silva:

 

 

Nestes tempos em que se fala em mobilidade quero contribuir com a história (verídica) que vivi. No ano de 1958, nos mudamos do Tatuapé para a Vila Carrão, porém eu continuava estuando no Educandário Espírito Santo – colégio de freiras no Tatuapé, zona leste. Meu pai, Antonio Pinheiro da Silva, me levava ao colégio de bicicleta e depois seguia para o trabalho, pois ele era mestre de obra.

 

Lembro-me que durante mais ou menos oito meses, ele seguia do Tatuapé até o largo de Pinheiros de bicicleta, pois para custear meus estudos e sustento isso se fazia necessário. Ele sempre comentava que a maior dificuldade era a subida da rua da Consolação.

 

Nunca escutei qualquer reclamação por parte dele, e olhe que não existiam as grandes avenidas tais como Radial Leste e 23 de Maio. Nem mesmo as tais ciclovias.

 


Ademir Silva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe com as suas histórias da cidade de São Paulo enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Entrevista: o rádio, o jornalismo e o jornalista na era da internet

 

O rádio e o jornalismo na era da internet foi tema da entrevista que concedi para a agência de comunicação Printer Press, na qual realizei palestra destacando as novidades neste veículo e os novos caminhos da notícia.

 

Na primeira parte da conversa com a jornalista Daniella De Caprio, falamos sobre a forma como o veículo se adaptou às novas tecnologias e a relação dos profissionais de rádio com as assessorias de comunicação:

 

 

Na segunda parte da entrevista, tratamos de demandas do novo jornalismo e como estudantes que estão querendo investir neste mercado e profissionais que se iniciam na carreira podem se preparar melhor para encarar os desafios da profissão:

 

Conte Sua História de SP: As toalhas de dona Maria Elisa

 

Maria Elisa Martins da Costa Câmara nasceu em Açu, no Rio Grande do Norte. Passou a infância na cidade mineira de Nova Era. Foi aluna interna no Rio e voltou para Minas após concluir o curso. Na capital, Belo Horizonte, conheceu o marido com quem veio para São Paulo onde, juntos, montaram uma empresa de alumínio. Daqui e do passado, Dona Maria Elisa tem muitas histórias para contar. No depoimento ao Museu da Pessoa, fala de quando o presidente Getulio Vargas visitou a fazenda do avô, no interior do Rio Grande do Norte. Curiosamente, a primeira lembrança que Maria Elisa tem da cidade de São Paulo é da avenida 9 de Julho, inaugurada em 1941, por Prestes Maia, e assim batizada em homenagem a dada do início da Revolução Constitucionalista, quando milhares de paulistas se rebelaram contra o governo Getulio Vargas, em 1932. Quando ela chegou por aqui, era uma avenida imponente e com vários casarões recém-construído, cercados de belos jardins. Com o marido e mais um casal, foram morar em um apartamento da Barão de Limeira, de onde saia para passear e tomar chá no Mappin:

 

 

Maria Elisa Martins da Costa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio e o depoimento foi registrado pelo Museu da Pessoa. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade. Marque uma entrevista em vídeo pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou mande sua história para mim: milton@cbn.com.br. Se você quiser ouvir outros textos, visite meu blog miltonjung.com.br

Mundo Corporativo: Jaime Szulc, presidente da Goodyear, fala de inovação e gestão de pessoas

 

 

A tendência mundial no mercado de pneus é fabricar produtos com maior durabilidade, que reduzam o impacto no meio ambiente e gerem redução de custos para os clientes, pois estamos diante de consumidores mais conscientes e bem informados. A opinião é do presidente da Googyear para a América Latina, Jaime Szulc, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ele explica que atualmente a indústria já é capaz de colocar no mercado um pneu que dure 20% a mais do que há alguns anos, porém o consumidor vai exigir ainda mais. Em conversa com o jornalista Mílton Jung, Szulc comenta sobre o grande desafio da carreira dele que foi assumir o comando de uma empresa centenária e tradicional, como é o caso da Goodyear, e modernizar seus processos desde a fabricação dos produtos até a gestão de pessoas. “A felicidade (do colaborador) é tanto maior quanto mais você trabalha naquilo que tem paixão, esta é a chave na gestão de pessoas”, explica.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br e você participa com perguntas para mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN e tem a participação do Paulo Rodolfo, do Douglas Mattos e do Ernesto Foschi​

No jornalismo, você procura ouvir quem sabe mais do que você, ensina Zuenir Ventura

 

Zuenir Ventura na Bienal

 

A eleição de Zuenir Ventura para a Academia Brasileira de Letras, semana passada, me permitiu duas alegrias. A primeira de ver um dos meus escritores favoritos elevado à condição de imortal. De 1968:o ano que não terminou à Cidade Partida, passando por Sagrada Família e Inveja:Mal Secreto, todos seus livros me conquistaram não apenas pela história contada, mas pela forma como os fatos são descritos, a precisão na informação e a riqueza do texto. Gosto entre tantas outras coisas da definição divertida que tem para jornalista – um cara que não sabe nada do que fala, mas conhece quem sabe. Não é bem esta frase, mas a ideia é a mesma. Se quiser copiá-la ipsis litteris não deixe de ler Inveja:Mal Secreto, livro que integra a coleção sobre os sete pecados capitais. Aproveite e compre Gula:O Clube dos Anjos, de Luis Fernando Veríssimo, que é da mesma série. São deliciosos. Coincidentemente (ou não), ambos são jornalistas.

 

Antes que me perca pelo deslumbramento com o autor, vou logo à segunda alegria: a possibilidade de entrevistá-lo, no quadro Time das Oito – Sexta Especial, do Jornal da CBN. Na véspera, Zuenir havia enfrentado uma maratona de cumprimentos que mexeu com seu coração a ponto de obrigá-lo a fazer exames à noite em um hospital, quando descobriu que estava firme e forte para encarar a imortalidade recebida aos 83 anos. Um susto que acabou em pizza e vinho em um restaurante carioca, segundo nos contou. Na sexta-feira pela manhã, atendeu nossa ligação pouco antes de sair para a caminhada matinal na praia e se prontificou a atrasar sua programação para conversar conosco no ar. Zuenir é daqueles entrevistados que deixa o entrevistador à vontade, apesar de seu alto saber. Quem ouve, pensa que são amigos conversando, quando, na realidade, minha intimidade com ele se dá pelos livros que guardo carinhosamente na biblioteca.

 

Dos muitos assuntos que o pouco tempo me permitia abordar, tive a curiosidade de saber a opinião dele sobre o texto jornalístico, preocupação que tenho especialmente quando se refere ao que escrevemos para ser lido no rádio. Zuenir, claro, se ateve mais ao texto impresso, pois esta é a sua origem, e alertou para o que chama de processo perigoso que estamos enfrentando devido a influência muito grande da narrativa da internet, que muda a forma de as pessoas se expressarem devido a velocidade da escrita, que faz desaparecer vogais e provoca uma redução da linguagem. Apesar do medo de que isso contamine o texto, ressalta que nunca se leu nem se escreveu tanto como agora: “e você só aprende a escrever, escrevendo”.

 

Como todo entrevistado inteligente, não se resume a pergunta do entrevistador, pois sabe conduzir a conversa para os temas que entende ser interessante ao público. Assim, ao terminar de falar da influência da internet no texto jornalístico, fez a ponte para a influência da internet no jornalismo. Para ele, as pessoas hoje registram um fato e o publicam em blogs e redes sociais acreditando que estão, assim, praticando o jornalismo. “Jornalismo é apuração, investigação, é usar o saber do outro (…) no jornalismo você estuda. Quando você faz uma matéria tem uma hierarquia do saber, você se informa sobre a matéria, procura ouvir quem sabe mais do que você”.

 

Poucos sabem tanto sobre jornalismo quanto Zuenir Ventura, o imortal.

 


Ouça a entrevista com Zuenir Ventura, que foi ao ar no Jornal da CBN, no dia 31 de outubro de 2014

 


A foto deste post é do álbum de Julio César Mulatinho, no Flickr

Conte Sua História de SP: Alex Gurgel, mas pode me chamar de Michael

 

Alex Lima Guimarães Gurgel nasceu em Guadalupe, no Piauí. Passou a infância com os pais, em Mossoró. Rebelde e de convivência difícil, foi tentar a sorte no Rio de Janeiro. Voltou para as casas do pai, mas não ficou por muito tempo. Um dia, resolveu pegar a estrada, a caminho de São Paulo. Alex trabalha em obra, mas sonha mesmo é fazer sucesso com a música. Já cantou embaixo de viaduto com microfone de plástico e hoje arranha um violão. Diz que era bom mesmo, fazendo cover de Michael Jackson:

 

 

Alex Lima Guimarães Gurgel é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento foi gravado pelo Museu da Pessoa. Você também pode registrar suas memórias. Agente entrevista em vídeo pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou mande seu texto para mim, em milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: na placa tinha meu nome e o caminho para o trabalho

 

Carlos Sereno nasceu em Santo André, SP, em 1947. Filho de pais espanhóis é fruto do segundo casamento de seu pai. Cresceu no bairro Vila Metalúrgica, onde brincava de jogar futebol com os amigos nos terrenos baldios. Passou por vários empregos e, depois de casado, voltou a estudar, terminando a faculdade de Educação Artística. Começou a trabalhar como voluntário na Associação “Viva e Deixe Viver”, contando histórias para crianças em hospitais de São Paulo. É professor de artes no ensino fundamental.

 

Em depoimento ao Museu da Pessoa, Carlos lembra como o pai o ajudou a encontrar o primeiro emprego na empresa de engenharia e arquitetura na qual ele já trabalhava. Carlinhos tinha apenas 12 anos:

 

 

Carlos Sereno é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento foi gravado pelo Museu da Pessoa, onde você também pode deixar registrada a sua memória. Marque entrevista em áudio e vídeo pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.com.br. Ou mande suas lembranças da nossa cidade em texto para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: queria comprar um sapato novo

 

No Conte Sua História de São Paulo, você acompanha o depoimento de Hilário Burri ao Museu da Pessoa. Hilário nasceu em Dois Córregos, interior de São Paulo, em 1924. Veio para a capital, depois que um irmão conseguiu alugar a casa para os pais, no bairro do Sacomã. Da casinha no Sacomã, o pai conseguiu outra no Alto do Ipiranga, época em que seu Hilário já era ajudante de pedreiro na empresa Elevadores Atlas. No caminho não havia calçada, apenas barro, o que o obrigava a levar um sapato extra na sacola. Para sair de lá, só havia uma linha de ônibus. Seu Hilário conta que todo o dinheiro que ele e os irmão ganhavam tinha de ser entregue para o pai. Até que ele resolveu mudar a ordem das coisas

 

 

Hilário Burri é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento foi gravado pelo Museu da Pessoa. Você também pode registrar, em áudio e vídeo, suas memórias. Agende entrevista pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Se quiser, escreve um texto e envie para mim: milton@cbn.com.br

Em novo livro, Ferraretto diz que o rádio “sintonizado com o presente, prepara-se para o futuro”

 

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Além de ter nascido no Rio Grande do Sul, compartilho com o professor Ferraretto o mesmo gosto pelo rádio. Ele, porém, vai muito além, pois é profundo pesquisador do veículo e autor de várias obras sobre o tema. Está lançando Rádio – Teoria e prática (Editora Summus) que, com certeza, contribuirá para entendermos mais sobre as estratégias necessárias para manter este meio de comunicação atualizado com as demandas da sociedade. Por confiar no que ele faz e compartilhar de muitas de suas ideias, reproduzo a seguir o material de divulgação do livro e espero ter, em breve, o prazer da leitura de mais este trabalho com a assinatura do mestre Ferraretto:

 

O professor e jornalista Luiz Artur Ferraretto apresenta no livro Rádio – Teoria e prática os principais padrões para a produção de conteúdo em um meio que se adapta às novas tecnologias. Do que é o rádio hoje, passando por uma detalhada explanação a respeito da linguagem do meio, ao planejamento da programação e à produção de conteúdos, a obra aborda temas como locução, sonoplastia, redação jornalística, produção de conteúdo, reportagens e entrevistas.

 

O rádio é o meio de comunicação mais popular do Brasil. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), está presente em 88% dos domicílios brasileiros. Além disso, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações, 267 milhões de aparelhos celulares constituem um receptor em potencial e 36% dos internautas brasileiros ouvem rádio em tempo real enquanto estão conectados, segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil. Mas como produzir conteúdo de qualidade para esse meio numa era de transformações tecnológicas cada vez mais velozes? No livro Rádio – Teoria e prática (272 p., R$ 78,10), lançamento da Summus Editorial, o professor universitário e jornalista Luiz Artur Ferraretto reúne anos de pesquisa e de atuação profissional voltada para o rádio. Dicas de redação, gráficos e ilustrações tornam a obra especial para jornalistas, radialistas, publicitários, profissionais de áreas afins e estudantes desses campos.

 

Trata-se da mais completa e atualizada obra produzida no país a respeito de rádio. Sem descuidar dos conceitos básicos e das transformações provocadas, em especial, pela internet e pela telefonia celular, o autor apresenta em linguagem clara e didática as principais informações para que o profissional – seja ele recém-formado ou não – enfrente o cotidiano de uma emissora de rádio. “Neste século 21 de tantas tecnologias e, por vezes, de poucas humanidades, o rádio constitui-se por natureza, e cada vez mais, em um instrumento de diálogo, atento às demandas do público e cioso por dizer o que as pessoas necessitam e desejam ouvir em seu dia a dia. Tudo de forma muito simples, clara, direta e objetiva”, diz o professor.

 

Partindo do funcionamento das emissoras nos dias de hoje e passando por uma detalhada explanação a respeito da linguagem utilizada no meio, o livro aborda ainda o planejamento da programação e a produção de conteúdos para que o profissional possa enfrentar o cotidiano de uma emissora de rádio, considerando ainda novos protagonistas, como web rádios e podcasters. É uma ferramenta de trabalho com informações sobre apresentação e locução, sonoplastia, redação jornalística, produção de conteúdo falado ou musical, reportagens, entrevistas, opinião, cobertura esportiva, documentários, programas especiais, spots, jingles e muito mais.

 

“É uma obra para acompanhar estudantes e profissionais em seu dia a dia, aliás, como o próprio rádio faz em relação aos ouvintes”, diz o autor. Em sua avalição, as novas tecnologias, abordagens conceituais e demandas do público surgidas e/ou consolidadas na primeira década deste século fizeram que o rádio se modificasse em alguns aspectos, embora suas características básicas tenham sido mantidas. Porém, o cenário de atuação profissional de fato se alterou e as técnicas empregadas evoluíram.

 

Sem perder de vista a ímpar e rica trajetória das emissoras brasileiras, Ferraretto parte do pressuposto de que o rádio segue tendo importância e vigor nessa nova era. Adaptado aos tempos modernos, o meio ocupa um espaço valioso no cotidiano e no imaginário de milhões de ouvintes, que têm nele um insubstituível companheiro. “A era do rádio continua sendo a de cada minuto em que ocorre a transmissão”, complementa.

 

Com o objetivo de ensinar novas gerações de profissionais, é exatamente sobre isso de que trata o livro. “Do bom rádio, aquele que, seja no velho aparelhinho transistorizado, na internet ou no celular, acompanha o ouvinte, fornece-lhe informação, proporciona entretenimento, conversa. Do rádio que se adapta, se renova e segue ocupando um lugar especial. E que, sintonizado com o presente, prepara-se para o futuro”, conclui Ferraretto.

 

O autor

 

Luiz Artur Ferraretto é professor da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre. Formado em Jornalismo pela mesma instituição, onde também concluiu o mestrado e o doutorado, integra o Grupo de Rádio e Mídia Sonora da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). Com a jornalista Elisa Kopplin Ferraretto, escreveu Assessoria de imprensa – Teoria e prática (Summus, 2009). Autor de diversos livros e colaborador de inúmeras antologias, publica artigos em revistas científicas da área. Concentra suas pesquisas na história e no futuro dos meios de comunicação, em especial analisando a indústria de radiodifusão sonora.