Mundo Corporativo: Rogério Boeira fala de aprendizado contínuo e desenvolvimento profissional

 

 

O aprendizado contínuo é a chave para o desenvolvimento profissional mas é preciso ter disponibilidade para aprender, não só de tempo; emocional e moral, também. Quem ensina é o professor Rogério Lodero Boeira, da Escola de Aprendizagem Contínua Cultman, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Para se criar estas condições, explica Lodero, é necessário “saber que você não sabe tudo e partir do princípio de que eu tenho de aprender sempre”.

 

O programa Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br Os ouvintes participam enviando e-mails para mundocorporativo@cbn.com.br ou para os Twitters @jornaldacbn e @miltonjung. O Mundo Corporativo é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: Reinaldo Varela tem a receita para o sucesso da Divino Fogão

 

 

Apenas a marca não é suficiente para o sucesso de uma franquia no setor de alimentação. O aviso é do empresário Reinaldo Varela, fundador da Divino Fogão, que se iniciou com uma loja de rua, há 30 anos, e hoje está em 190 pontos localizados em shopping centers das capitais brasileiras e algumas das principais cidades do interior, no Brasil. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Varela conta que de cada três restaurantes que abrem apenas um permanece aberto. Ele explica que muitos franqueados se entusiasmam com a grife mas esquecem de que o investimento precisa ser feito em negócios com os quais tenham identificação.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN. E o programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. ​

Conte Sua História de SP: saudade de comer bisnaguinha com Diamante Negro

 

Por Giuseppe Carlo Tudisco

 

Após morar 40 anos na cidade de São Paulo, Zeppa Tudisco foi para Ribeirão Preto, no interior paulista, onde já vive há 12 anos e preserva sua saudade pela capital, como é possível perceber no texto enviado ao Conte Sua História de São Paulo:

 

 

Saudade das luzes azuis fritando as moscas nos bares bem menos freqüentados. Saudade de acabar a madrugada acabado no Sujinho. Dos jantares sociais completos. Dos amigos, sempre amigos e que sempre serão.

 

Saudade de meu pai me ensinando a comer bisnaguinha com diamante negro na padaria. Das cenas noturnas que apaixonam e assustam. Das cenas de cinema que escapavam da tela do Belas Artes e enchiam minha imaginação.

 

Saudade do dia que encontrei meu grande amor. Das horas de amor. Das batatas assadas na lareira. De ver meus filhos nascerem. Daquele cara do algodão doce do Ibirapuera. De minhas mãos soltando a bicicleta para o primeiro grande ato de liberdade independente de meus filhos.

 

Saudade de cada manhã de domingo. De cada gota de garoa que descia pelo vidro da janela. De cada riso, de cada lagrima, de cada espanto, de todo canto. Saudade de meu primeiro emprego, segundo, terceiro, quarto. Saudade do primeiro job.

 

Saudade do momento da nossa decisão de sair de São Paulo. De nossa partida pela estrada. Saudade de cada esquina, de cada encontro, de cada desencontro. Saudade de quase tudo dessa cidade. Cidade onde nasci duas vezes. Cidade que em mim sempre revive. 

 

Eita saudade de São Paulo.
Às vezes te difamo. Mas daqui sempre, sempre, sempre, te amo.

 

Zeppa Tudisco é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: envie o texto para milton@cbn.com.br

Conte Sua História de São Paulo: música para o nordestino trabalhador

 

A ouvinte-internauta Janina Zmitrowicz, que também atende por Janina Zmi, fez poesia e transformou em música sua experiência com centenas de nordestinos que vieram para São Paulo construir sua vida e ajudar na construção da nossa cidade.

 

Acompanhe a participação dela no Conte Sua História de São Paulo com o trabalho técnico do Cláudio Antonio:

 

JOSÉ FRANCISCO ANTÔNIO SEVERINO

 

Veio da terra seca
Bonita, sedenta, faminta e querida
E trouxe consigo
Seus pés, suas mãos, sua fé e coragem

 

Construiu essa cidade
Desejo, esperança, vontade e saudade
Prédio, ponte, viaduto
Asfalto, riqueza, grandiosidade

 

Fez o seu barrraco
Primeiro madeira
Depois veio o bloco

 

Amou, filho e filha ele fez
Criou de uma vez
Oito netos já tem

 

Bar, mulher e futebol
Aliviam a sua canseira
Pouco dinheiro no bolso
Mas felicidade é verdadeira

 

Vendeu e comprou seu cantinho
Pagou direitinho cada prestação
É simples, mas é honesto, sincero
E…vixe! Bonitão!

 

Hoje, com a mão calejada
A marca do tempo no rosto estampada
Remédio toma pra pressão
Aposentadoria, chegou ainda não!

 

Antônio, carpinteiro
Severino, encanador
José, civil pedreiro
E Francisco, carregador

 

Severino conserta tudo
José, mestre construtor
Francisco carrega o mundo
Antônio grande produtor

 

…e Deus foi seu professor…

 

Aproveite um pouco mais desta experiência ouvindo a versão completa da música:

 

Conte Sua História de SP: poema da cidade

 


Por Dryca Lys
Ouvinte-internauta da rádio CBN
(reprodução de texto publicado em abril de 2014, neste blog)

 

 

Eu nasci e cresci nesta cidade maravilhosa chamada São Paulo. E com seus mistérios e sua fantástica frieza aconchegante. São Paulo é uma experiência de vida, é uma chance única de encontrar vários países em um único lugar.

 

Você pode conhecer a cultura alemã, entrar em contato com a cultura indígena, se sentir no Japão, conhecer a cultura coreana, judaica entre várias e várias culturas sem sair de São Paulo. Graças a magia que existe aqui, você pode se inspirar e difundir arte. Para o aniversário da minha São Paulo, envio este poema. É o que sinto e o que vejo nesta metrópole que chamo de lar

 


Este poema é parte integrante do livro Clube de Autores

 

São Paulo

 

Existem lugares que te fazem sonhar
outros fazem você se sentir mal
mas existe um lugar que te enfeitiça
um lugar que acende seus desejos, atiça
sua vontade de estar ali presente
um lugar único que te faz voar…

 

Mesmo caminhando nos becos escuros
as ruas brilhando como diamante
a música se espalhando e de repente
as estrelas caem e você anda pela poeira sideral
todos os cantos desse lugar parecem seguros
nem sempre… Mas um tapete brilhante

 

se estende aos seus pés, você chora
sozinho, canta em meio a multidão
nos dias de chuva, a brisa aquece
seus anseios, a noite vem, incandesce
seus desejos, a noite se esconde, vai embora
nos dias de sol você vê a sua solidão…

 

Você pode estar em vários lugares, sem sair
de dentro dela, mas não há nada
melhor do que estar lá, faça
o que for, corra, vá e volte, você pode ir
mas ela esta dentro de você, a saudade
te queimará inteiro, você sempre volta para esta cidade.

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às dez e meia da manhã, no programa CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode participar deste quadro enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou agendando entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: pensei ouvir a voz de amigos do Tatuapé

 

Por Maria Dulce Brito Gomes
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Em 1967, chegamos a São Paulo vindos de Araraquara. Meu pai, gerente do Banco de São Paulo, fora transferido para exercer um cargo de direção. E nós, quatro irmãos e mamãe, nunca imaginávamos morar na capital. Lá no interior, vivíamos em prédio do próprio banco – grande edifício dos anos 1950 com sacadas nas janelas do segundo andar e um quarto para cada filho. Tinha sala de jantar, de visitas e cozinha. Um luxo. Aqui a vida não seria mais a mesma; e se transformou radicalmente.

 

Meu pai alugara um sobradinho na Rua Bento Gonçalves, no Tatuapé, zona Leste, e para cá viemos assustados com a cidade grande. Dois quartos apenas, uma salinha e uma cozinha. Mas um quintal que nos afagava as lembranças de grandes espaços. A rua era uma descida de terra que chegava à Marechal Barbacena tão esburacada que o lixeiro recolhia o conteúdo dos nossos latões fazendo malabarismos com a carroça puxada a cavalo.

 

De manhã vinha o verdureiro. Era um alemão muito vermelho que manobrava o carroção atrelado a um enorme burro. Sr João, o verdureiro, trazia imensos caixotes de madeira repletos de couves, nabos, rabanetes, alface, limões e tudo o que ele mesmo plantava em uma das muitas chácaras da Rua Itapeti. Não havia ainda arruamento e, quando íamos ver as chácaras, era uma delícia percorrer as alamedas de brócolis, repolhos e almeirão – sem cercas, sem portões. Sr. João tinha mãos enormes, e nós, crianças, corríamos atrás da carroça pedindo ora uma banana, ora uma laranja. Ele, conduzindo o carroção, estancava o burro em frente a uma casa e distribuía as bananas despencadas ou as laranjas. Era nossa felicidade. Enchíamos os bolsos e lá íamos saborear as frutas na pracinha da Barão do Cerro Largo.

 

Certa vez, asfaltaram a Rua Bento Gonçalves. O Serviço de Águas e Esgotos implantou a rede coletora e abriu crateras imensas que demoraram a ser fechadas. Com o asfalto vieram as disputas de rua. Aos domingos, meus irmãos competiam com os amigos e os carrinhos de rolimã, fabricados, em casa mesmo, com uma tábua de caixote e uma trava horizontal. As rodas de rolimã sulcavam a frenética descida do negrume até o fim da rua e o breque era o próprio calçado que voltava irreconhecível. Eles subiam lentamente a Bento Gonçalves arrastando a geringonça para depois começarem a louca descida. Quantos arranhões, tombos, unhas despedaçadas! Nada que os impedisse de no próximo domingo estar de novo com a molecada.

 

Nos feriados, o barato era caçar passarinhos no “Matão”, como era chamado o bairro Anália Franco. Nenhuma casa ou edifício, apenas uma matinha densa repleta de pássaros: coleirinha, tico-tico, canários da terra. Era armar a arapuca e engaiolar os pobres para que cantassem no nosso quintal.

 

À tarde de domingo, nos reuníamos na sala para assistirmos à luta–livre no Canal 9. Ted Boy Marino, Fantomas, Índio, e tantos outros nos faziam gritar até à rouquidão numa torcida pelo “bonzinho” para que massacrasse o “mau”. Custamos a crer que o “sangue” era apenas groselha, como desmarcarava a farsa, meu Tio Benedito.

 

Hoje passei pela Praça Sílvio Romero, subi a Tuiuti e cheguei ao bairro Anália Franco. Só o Colégio Ascendino Reis, onde estudamos todo o ginásio e o colegial continua por lá, além da Padaria Lisboa. Antes, grandes glebas distantes, hoje, edifícios, muito progresso e luxo. Antes, o ruído das brincadeiras infantis e a presença daqueles amigos queridos: Nilson, Terezinha, Jer, Pepino, Cabeção, Batata, Camula e tantos outros. Voltei com a sensação de que ainda poderia ouvir aquelas vozes, encontrei apenas lembranças, pois algumas se calaram para sempre.

 

Maria Dulce Brito Gomes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Já você é nosso convidado para comemorar os 461 anos de São Paulo. Envie agora seu texto para milton@cbn.com.br e participe da programação especial que está sendo organizada pela rádio CBN.

Conte Sua História de SP: a grega que adorava os cinemas da cidade, mas era proibida de ver cenas de beijo

 

Melpomene Perides Lawand nasceu em São Paulo, em 1 de agosto de 1928, apesar do cartório insistir em registrá-la no dia 9. O nome foi o pai que escolheu, Seu Nicolau Miguel Perides, que adorava a mitologia grega. Ele, ao lado da mulher Maria Perides, trocou a Turquia pelo Brasil para escapar da guerra entre turcos e gregos, em 1923. Sempre viveram em casarões na capital paulista. O primeiro era um palacete do Barão de Mauá, na Brigadeiro Tobias. Os pais mudaram depois para próximo da São Caetano, onde mantinham loja de malas. E foram morar na rua Mauá, onde Melpomene nasceu e cresceu. Em depoimento ao Museu da Pessoa, ela lembra das caminhadas no centro, as compras na feira e as visitas aos cinemas. Dona Melpomene sempre foi incentivada a apreciar a arte e a cultura, especialmente pelo pai que fazia questão de levar as filhas nas salas que inaguravam, mas com todos os cuidados para impedir as más influências da tela:

 

 

Melpomene Perides Lawand é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento foi feito ao Museu da Pessoa. Você também pode registrar sua memória, basta marcar entrevista pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou então mande suas lembranças de SP para milton@cbn.com.br.

Boas férias, depois de prêmios, micos e muito trabalho

 

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A semana que antecede as férias é sempre de muito trabalho, seja no trabalho seja fora dele. Tudo aquilo que você não fez no ano inteiro tem de ser realizado nos dias finais para que nada atrapalhe seu descanso. A reforma em casa, o documento a ser renovado, o pagamento adiado, o texto que ainda não foi entregue e o exame pedido pelo médico são apenas algumas das muitas tarefas pendentes. No caso do rádio, tem ainda as que precisam ser feitas agora para serem usadas enquanto você está descansado: na CBN, por exemplo, tiveram as gravações para o programa Mundo Corporativo e os textos para o Conte Sua História de São Paulo. É preciso lembrar que se a gente para, a programação, não.

 

Bem verdade que não posso reclamar muitos destes últimos dias de trabalho, cheios de boas notícias. Até mesmo o que parecia ser um grande mico se transformou em diversão. Refiro-me ao pagamento da aposta à turma do Hora de Expediente – Dan, Zé e Teco – que me fizeram colocar na cabeça uma bandana semelhante a usada por Renato Gaúcho. Tudo porque acreditei que Felipão seria capaz de nos levar à Libertadores no ano que vem. Não fosse aquele segundo tempo contra o Cruzeiro, eu teria escapado da brincadeira.

 

Na intensidade da semana, um momento muito especial foi ter recebido a informação da escolha para o prêmio especial do júri na categoria rádio pela Associação Paulista de Críticos de Arte. O Prêmio APCA é dos mais tradicionais e prestigiados no país, e ter meu nome entre os selecionados me enche de satisfação. Essa é uma premiação especial pois leva ao palco gente do teatro, do cinema e das artes, além da turma do rádio e da TV. Durante muitos anos, assisti à entrega do prêmio a jornalistas e programas de rádio que sempre respeitei muito, portanto estar entre eles agora é a confirmação de que vale a pena se esforçar todas as manhãs para entregar o melhor que se consegue no Jornal da CBN. Sem falsa modéstia, esse prêmio é resultado do trabalho desenvolvido por uma equipe de profissionais competente, diversificada, divertida e comprometida com a busca da verdade. Não por acaso, nesta mesma semana, a Rádio CBN aparece pela 15a. edição seguida como a emissora de maior reputação do Brasil, conforme pesquisa “Veículos Mais Admirados: Índice de Prestígio das Marcas”, do Grupo Troiano de Branding e do jornal Meio & Mensagem.

 

Se me permite, caro e raro leitor deste Blog, compartilho ainda uma alegria muito pessoal (e familiar) desta semana: além de ver meu filho mais novo, o Lorenzo, alcançar notas que lhe permitem passar por média para o segundo ano do ensino médio – repetindo desempenho dos anos anteriores -, tive o prazer de assistir ao meu mais velho, o Gregório, se inscrever no curso de jornalismo da ESPM_SP. É a segunda faculdade para a qual se capacita, sem contar os resultados positivos alcançados no ENEM e FUVEST, neste ano. Evitei ao máximo influenciar na escolha do curso a seguir (eu juro) e entendo que a decisão de agora, por jovem que é, pode ser mudada na próxima esquina. Saber, porém, que ele, em algum momento, considerou seguir a mesma carreira que o pai e a mãe, a Abigail, sinaliza consideração e respeito pelo trabalho que nós desenvolvemos até aqui. Foi, sem dúvida, o mais importante reconhecimento que nós poderíamos buscar. E a certeza de que os próximos dias de férias serão muito bem aproveitados para comemorar todas estas conquistas.

 

Volto à programação da CBN na última semana do ano, mas estarei por aqui, no Blog, quase que diariamente contando com a sua participação e a colaboração dos nossos sempre fieis comentaristas.

Conte Sua História de SP: uma carta imaginária para a Vó Tutinha

 

A ouvinte-internauta Suely Schraner está de volta ao Conte Sua História de São Paulo em carta imaginária escrita à vó Tutinha, na qual compara passado e presente do nosso cotidiano:

 

 

Querida vó Tutinha,

 

A senhora me pediu para escrever amiúde. Não deu. Andei atarantada por aí. As voltas que o mundo dá. Sabe o ferro que era de ferro, que a gente punha um prego atravessado para ele não abrir? Agora é a vapor. Muito leve e ainda assim se chama ferro. Estira bem sem ser pesado. Fogão a lenha, só se for luxo. Usamos a gás. Perigoso é. De tempos em tempos explode algum por descuido do dono e vai tudo pelos ares.

 

Lembra que a gente esfriava mamadeira das crianças no rego d’água? Geladeiras são comuns. Com degelo automático. Nem dá trabalho pra descongelar. E as panelas então? Já vem tudo areada, de inox e até de vidro. Tanto progresso que só vendo.

 

As moças, vó, não usam mais casar. Só usam. E ninguém acha sem-vergonhice não. Aquilo que a senhora achava um pecado cabeludo, hoje é uma atividade normal. Assim como respirar, andar ou beber água. Engravidar? Tem perigo não. Tem remédio pra tudo. E até uma tal de pílula do dia seguinte caso dê azar. Ruim é a tal da AIDS. Muita gente que pegou. Pega no contato sexual e em transfusão de sangue também. Lembra que o pai tinha sífilis e que eu quase nasci cega? Que meu olho por dois anos era só pus? Não fosse Santa Luzia… Pois é, essa doença de quatro letras é muito pior e ainda não tem cura. Por ora a indústria de remédios é que vai lucrando.

 

A grande devoção é a uma entidade chamada Mercado. É comum a gente ouvir: “o mercado está nervoso”, “o mercado tá em crise”, “o mercado oscilou” e por aí vai.

 

Bar é oratório. Fiéis perfilam-se diante de prateleiras cheias, iluminadas com todas os matizes de cores. Lá permanecem até o amanhecer, afogando as mágoas.

 

É comum ver gente falando sozinha nas ruas, nos pontos, nos ônibus e dentro dos carros, que a senhora chamava de “máquinas”. Tão loucos não, vó. É um aparelhinho chamado celular que inventaram para a comunicação com as pessoas. Funciona como um brinco, já que ninguém o tira da orelha. É sucesso absoluto e ninguém mais escreve cartas.

 

A cidade de São Paulo é um colosso. Somos pra mais onze milhões de habitantes e a sexta maior aglomeração urbana do mundo. Cada arranha céu mais bonito do que o outro. A gente pobre espirra para os arrabaldes, se amontoando como dá. Tanta favela! Chamam “comunidade” e vivem se incendiando por aqui.

 

Especulação imobiliária é fogo.

 

A senhora reclamava dos botequins que só serviam para desencaminhar os moços. Outro dia, num boteco, ouvi perguntarem para um freguês porque ele batia na mulher. “É para ela deixar de ser feia”, ele respondeu. Tem jeito, vó?

 

Cidade grande tem de tudo. Gente boa e gente ruim. Mas, a maldade tá solta. Dizem que a violência cresce porque as pessoas não se conhecem, não se gostam e não se tocam. Solidão na multidão.

 

Um ósculo e um amplexo, da neta que muito a estima.

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, 10 e meia da manhã, no programa CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio. E você participa com textos enviados para milton@cbn.com.br

Conte Sua História de SP: minha quitinete na capital

 

Maria Luiza Guião Bastos nasceu em Ribeirão Preto, em 1940, ilha de pais professores: seu pai foi diretor do Instituto de Educação Otoniel Mota em Ribeirão. Lá ela cursou o antigo Normal e diz que odiava a escola da época. O autoritarismo do pai e a submissão da mãe, a fez fugir da cidade pela primeira vez, aos 18 anos, quando decidiu viajar para São Paulo. No depoimento gravado pelo Museu da Pessoa ela recorda como era difícil conseguir uma ligação telefônica para falar com os pais, e se arrepende de um dia ter decido voltar para o interior. Retornou à capital paulista aos 25 anos e morou em uma quitinete,e na rua da Santa Casa, Cesário Mota Júnior, no que ela identificou ser o prédio ‘balança mas não cai’.

 

 


Maria Luiza Guião Bastos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. O depoimento foi para o Museu da Pessoa. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade. Ou manda um texto para milton@cbn.com.br ou marca entrevista no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.