Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a relevância dos mascotes

O cachorro ‘linguiça’ da Cofap é um dos mascotes de sucesso Foto: divulgação

“Se têm coisas que as marcas precisam hoje em dia é isso: memória, afeto e relacionamento”

Cecília Russo

Os mascotes, uma estratégia clássica no marketing, ainda são eficazes em um mundo digital ou se tornaram obsoletos? Jaime Troiano e Cecília Russo trouxeram essa discussão para o”Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, no Jornal da CBN. Oportunidade em que lembraram de alguns mascotes que entraram para a história das marcas.

Cecília Russo destaca a controvérsia do tema: “Há quem diga que em tempos digitais, em que a comunicação de marcas e consumidores se faz de forma direta, a presença de mascotes como intermediários desse diálogo se tornou dispensável.” Ela não concorda com essa tese. E argumenta que mascotes, quando bem criados e usados, proporcionam uma interação única, gerando “memória, afeto e relacionamento”.

Russo relembra personagens icônicos como o cachorrinho da Cofap e o Ronald McDonald, que conseguiram criar uma conexão emocional duradoura com os consumidores. Há outros tantos que devem estar na memória do leitor: o Zé Gotinha, como ‘garoto-propaganda’ da vacina, o Lequetreque, o galinho da Sadia, os Mamíferos da Parmalat, e o Assolino, da marca Assolan, também são referências importantes.

Jaime Troiano reforça o ponto de vista, afirmando que a criação de mascotes pela própria marca oferece um controle maior sobre a imagem e a mensagem transmitida. Quando se prefere adotar um personagem que já existe e, por tanto, tem de passar pelo processo de licenciamento, tem-se a vantagem dele ser conhecido pelo público, porém reduz-se a autonomia da marca sobre o mascote. 

Um bom exemplo da flexibilidade que a marca tem sobre o próprio mascote é a mudança feita pelas Casas Bahia. Inicialmente, a rede de lojas  mantinha um personagens com características nordestinas. Depois de a figura já estar consagrada, decidiu redesenhá-la com linhas mais próximas de um adolescente moderno, chamado CB, refletindo a necessidade de atualização e alinhamento com os tempos atuais.

A marca do Sua Marca

O comentário destaca que, bem utilizados, os mascotes podem reforçar o posicionamento de uma marca e criar um vínculo duradouro com os consumidores. O importante é estar alinhado com o posicionamento da marca e ter coerência em sua utilização. 

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Alana Leguth, da KondZilla, reforça o valor da autenticidade na comunicação

Alana Leguth em entrevista ao Mundo Corportivo Foto: Letícia Valente

“Se você não fizer o seu produto se destacar de alguma forma, ele vai ser só mais um lá na estante e a estante é bem grande.”

Alana Leguth, Kondzilla

No cenário do funk e nas comunidades das favelas brasileiras, o desafio de comunicar-se com diversos públicos é enorme, mas essencial. Alana Leguth, cofundadora da KondZilla, holding de entretenimento de renome mundial, partilhou sua experiência e estratégias no programa Mundo Corporativo, da CBN. A entrevista revela a trajetória de uma empresa que começou em um quarto no litoral paulista e se transformou em uma potência global de entretenimento.

A KondZilla, que conta com mais de 67 milhões de inscritos no YouTube, ilustra como identificar e abraçar oportunidades, mesmo sem conhecimento prévio, pode levar ao sucesso. “Conforme foram aparecendo as demandas, a gente foi aproveitando as oportunidades, mesmo que a gente não soubesse fazer. A gente aprendia a fazer”, explica Alana. Esse espírito empreendedor permitiu que a empresa se expandisse e se consolidasse no mercado.

Alana e seu marido, Konrad Dantas, criaram a KondZilla em 2011, quando ainda moravam no Guarujá, litoral paulista. Ela formou-se em farmácia, mas não seguiu carreira, pois decidiu apoiar Konrad desde o início do empreendimento.

A autenticidade na comunicação

A autenticidade é um elemento central na estratégia de comunicação da KondZilla. Alana destaca que a conexão verdadeira com o público é essencial: “Se você não souber se comunicar com esse público pode soar forçado, pode soar de forma pejorativa.” A KondZilla se estabeleceu como uma autoridade no meio por entender e respeitar a cultura da favela, comunicando-se de maneira natural e autêntica.

A força dessa comunicação se manifesta em diversas áreas. No mundo da moda, por exemplo, as tendências muitas vezes nascem nas favelas. Segundo Alana, um caso típico desse fenômeno são os chinelos Kenner, populares entre os jovens de favela do Rio de Janeiro e que influenciam a moda mainstream. Essa conexão com o público jovem de classes C e D mostra o potencial econômico que muitas vezes é subestimado.

Dar voz às mulheres do funk

Alana também é a criadora do selo HERvolution, um projeto dedicado a fortalecer a voz feminina na indústria musical. A iniciativa surgiu de uma percepção de desigualdade: “A mesma atenção que era dada aos artistas homens não era dada às artistas mulheres.” O HERvolution oferece oportunidades para artistas mulheres gravarem e distribuírem suas músicas, sem necessidade de contrato de agenciamento.

A trajetória da KondZilla e de Alana Leguth é uma inspiração de como a inovação, autenticidade e capacidade de aproveitar oportunidades podem transformar desafios em grandes sucessos. A experiência dela e de sua equipe oferece valiosas lições para empresas e indivíduos que desejam se destacar no mercado e se comunicar eficazmente com diversos públicos.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: meus joelhos têm as marcas da Vila Sabrina

Denise Moraes

Ouvinte CBN

Vista aérea da Vila Sabrina Foto: divulgação

Olhei-me no espelho do elevador e reparei nos meus joelhos: não tão bonitos quanto minha mãe queria. Lembrei dela falando desde bem pequena — uns seis anos?: “Menina, não seja tão moleque! Cuidado com os joelhos, depois ficam todo marcados…”  

Não adiantou nada, eu sei.  Os tenho cheios de marcas. Algumas adquiri depois de adulta mesmo, em minhas trilhas e passeios, em pedras e galhos. E quer saber? Me orgulho delas. Quanto as marcas de infância, amo mais ainda, porque são dos bons tempos em que eu sumia na rua em que morava, sempre descobrindo os lugares mais incríveis para brincar. 

Por um tempo, era no campinho, perto do largo da Vila Sabrina, onde havia um enorme terreno vazio, sem casas, sem nada. Mas um trator ficara remanejando a terra por muitos meses, uma bendita terra preta que minha mãe odiava, porque grudava de um jeito na roupa!! E eu, no meio dos meninos, acho que eu era a única menina, subia nas montanhas de terra que afundava um pouco quando a gente pisava. Lá de cima rolávamos e gargalhávamos. 

Em outro tempo, passávamos horas brincando dentro de um depósito de materiais de construção, subíamos nas prateleiras que armazenavam madeira e de lá pulávamos sobre os montes de areia. Minha mãe tinha a melhor das intenções, pois ela temia pelos machucados. Mas que tempo bom!

Vila Sabrina era uma vila distante de tudo, lá para os lados da Vila Maria, terra do Jânio Quadros. Cheguei a ver meus primos nadarem no rio Cabuçú, sob a vigilância do meu pai. Ele me carregava nos ombros. Eu com uns três ou quatro anos. Não me deixava colocar o pé no chão que estava encoberto de água, devido ao transbordamento desse riozinho, depois de uma forte e longa chuva de verão. 

As chuvas de verão eram muito bem-vindas. As enchentes não atingiam casas nem causavam os estragos de hoje em dia. Havia muito terreno permeável, muito mato, as pessoas, sabiamente, não construíam próximo de rios. Hoje, esse riozinho, na melhor das hipóteses, deve ter sido canalizado, pois a última vez que vi, era um esgoto a céu aberto.

Uma pena que nossos governantes provavelmente não acreditavam e não acreditam em Deus, pois a natureza, manifestação divina, jamais poderia ter sido desprezada e morta pelas mãos do homem. Quem sabe um dia, se ainda der tempo, nós, paulistanos, sobreviventes dos desmandos políticos, saibamos decidir por uma cidade melhor.

Denise Esperança deveria ser meu nome.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Denise Moraes, por que não, Denise Esperança é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: as marcas mais recomendadas do Brasil

Photo by Tim Mossholder on Pexels.com

A capacidade de uma marca conquistar recomendações é crucial para seu sucesso. Recentemente, uma auditoria identificou quais marcas se destacam nesse critério no Brasil. O trabalho tem como base uma métrica que pode ser aplicada pelos gestores, independentemente da dimensão da sua marca, como explicaram Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN.

A Opinion Box, especializada em pesquisas de mercado online, realizou o estudo auditando, ao longo de um ano, o NPS de marcas em 50 segmentos diferentes, como varejo, vestuário, automóveis, tecnologia e alimentação. NPS é a sigla para Net Promoter Score, uma medida de recomendação amplamente utilizada, segundo Cecília Russo.

Como medir o NPS da sua marca

“O NPS é uma medida puramente de recomendação de uma marca ou serviço,” destaca Jaime Troiano. O resultado é alcançado a partir de uma pergunta que os consumidores brasileiros estão acostumados a responder e, talvez, não tenham ideia de como pode ser importante para as estratégias de desenvolvimento das marcas: “De 0 a 10, o quanto você recomendaria esse produto ou serviço para um amigo?”.

As respostas são classificadas conforme a nota dada pelo consumidor. Os que avaliam como sendo de 0 a 6 são identificados como detratores da marca; os que dão notas 7 e 8 são os neutros; e os que dão 9 e 10 são os promotores da marca. O índice NPS é calculado subtraindo-se o percentual de detratores do percentual de promotores, resultando em um valor que pode variar de -100 a 100.

“Isso é muito relevante porque o NPS acaba sendo uma medida que gera o grau de satisfação, e satisfação gera, também, a fidelização desse cliente,” justifica Cecília.

As marcas mais recomendadas

A classificação feita pela Opinion Box, publicada com exclusividade pelo Meio e Mensagem, revelou que a marca mais recomendada do Brasil é a Lindt. O NPS da fabricante suíça de chocolate é de 89. Em seguida, aparecem Apple, The North Face e Honda, cada uma com um NPS de 84.

“Marcas que possuem um NPS alto são as que conseguem produzir encantamento no cliente,” ressalta Jaime. Ele observa que apenas marcas que oferecem uma experiência excepcional são recomendadas por consumidores satisfeitos.

A marca do Sua Marca

O NPS reflete a qualidade e a estratégia de uma marca. Empresas com altos NPS demonstram um cuidado especial com o consumidor, oferecendo produtos e experiências que deixam uma impressão duradoura e positiva. Como exemplificam Cecília e Jaime, essas marcas trabalham continuamente para que cada ponto de contato com o cliente seja positivo, gerando um “gostinho de quero mais” e incentivando a recomendação.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo, e a sonorização é de Paschoal Júnior.

Mundo Corporativo: Leandro Jasiocha, da Electrolux, propõe uma transformação centrada no consumidor

Jasiocha é entrevistado pelo Mundo Corporativo. Foto: Letícia Valente

“Colocar o consumidor no centro é baixar os muros que existem dentro de uma empresa e passar a olhar as soluções sem a visão de departamento.”

Leandro Jasiocha, Electrolux

A transformação no relacionamento entre empresas e consumidores é um processo contínuo e sem fim, segundo Leandro Jasiocha, CEO da Electrolux para a América Latina. Em entrevista ao Mundo Corporativo, ele destaca que a chave para esse processo é colocar o consumidor no centro de todas as decisões da organização. 

Leandro falou sobre a necessidade de uma mudança de mentalidade dentro das empresas para atender às novas demandas dos consumidores: “é um processo de transformação bastante grande que tem que começar obviamente do topo da organização e é um processo que toma tempo e não tem fim”. O discurso em favor da mudança constantes e da inovação chama ainda mais atenção por ter com mensageira uma fabricante de eletrodoméstico que está prestes a completar 100 anos no Brasil. Fundada na Suécia, chegou ao país em 2026 e, atualmente, tem quatro fábricas, duas delas em Curitiba, onde a marca mantém um centro de tecnologia e inovação.

A liderança Inclusiva e a sustentabilidade

Durante a entrevista, Leandro enfatizou a importância de uma liderança que considera todos os colaboradores. “Nós estamos num processo de transformação de liderança muito grande, fazendo com que os nossos líderes sejam cada vez mais inclusivos e tenham um olhar para todos da empresa,” disse ele. 

Outro ponto crucial abordado foi a sustentabilidade. Leandro mencionou que, na América Latina, a sustentabilidade é um tema relevante e os consumidores já estão dispostos a pagar um pouco mais por soluções sustentáveis. “O consumidor está cada vez mais consciente para o tema da sustentabilidade e isso se reflete na disposição de pagar mais por produtos que tenham esse compromisso,” explicou.

A jornada do consumidor

A jornada do consumidor foi outro tópico destacado por Leandro Jasiocha. Ele descreveu essa jornada como não linear e complexa, o que requer flexibilidade por parte das empresas para atender às diversas formas de interação dos consumidores.

A Electrolux, de acordo com seu principal executivo na América Latina, tem investido em diversas frentes para melhorar a experiência do consumidor, incluindo o uso de inteligência artificial. Um exemplo prático é o uso dessa tecnologia em refrigeradores, que aprendem a rotina de uso do consumidor e ajustam o funcionamento para otimizar a eficiência energética e prolongar a vida dos alimentos.

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Conte Sua História de São Paulo: os paradoxos da metrópole

Por Paulo Bregantin

Ouvinte da CBN

Montanhas, vales e planícies. Assim era um amontoado de terra e um punhado de pessoas que há 470 anos começaram a escrever uma história boa, ruim, interessante, diferente. As montanhas transformaram-se em arranha céus, os vales tornaram-se formigueiros de casas e comércios, as planícies em estradas, as avenidas e ruas cortando cada centímetro de uma terra que atrai felicidade e ganância, paz e tormento, tranquilidade e insegurança. Paradoxo de uma metrópole.

As pessoas, mestiças em sua maioria, não tiveram medo dos desafios, descobriram que a terra da pequena cidadezinha poderia ser as bênçãos de Deus para suas vidas e, com esse objetivo, várias outras pessoas desembarcaram naquela que seria a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo.

Tudo aconteceu tão de repente que não dá para entender, pois a metrópole invadiu o mundo, fincou seus alicerces no meio da humanidade, implantou seu telhado por entre as plantações que existiam na época. O mundo nunca mais foi o mesmo, os transportes mudaram. Antes carro de boi, depois trens, ônibus, táxis, metrôs, lotações. As fazendas deram lugar aos condomínios, outra parte transformaram-se em fábricas, da noite para o dia transformaram-se em shoppings.

As pessoas simples e pacatas que passeavam pelas ruas da metrópole se enredando entre os bondes com seus chapéus. Hoje, piercing no nariz, cabelos vermelhos, roupas curtas, longas. Assim uma metrópole se transforma. Quem pode impedir o crescimento de São Paulo? Quem é louco para dizer que eladeve parar de crescer?

Os paradoxos de uma metrópole são algo sagaz e encantador. Observamos o bairro do Morumbi com suas mansões e prédios, rodeados por favelas de madeira e papelão. Os carros importados se confundem com os catadores de latas e seus carrinhos. O verde do Trianon com o cimento dos arranhas céus da Paulista. O cemitério da Vila Nova Cachoeirinha, muro áamuro com a maternidade Cachoeirinha. O maior índice de doentes com o maior hospital da América Latina. O maior número de carros por metro quadrado e o maior trânsito de todo o Brasil. Um mundo de policiais e uma multidão de ladrões. Quem entende?

O amor a São Paulo nasce a cada manhã, pois com chuva ou sol ,a cidade se parece com as ondas do mar. Nunca se sabe o que a “maré poderá trazer”. O coração bate forte quando se enxerga a marginal lotada, e o alívio é rápido quando o fluxo se esvai. O corre-corre do centro é adrenalina pura, mata alguns e outros ficam milhões de reais muito mais ricos.

O amor a São Paulo transforma as pessoas de corações frios em labareda. Com a agitação do dia a dia não existe mau tempo. Toda hora é hora de uma cervejinha ou happy hour no bar da esquina. O coração fica quente de qualquer jeito. Eita terra boa que tudo dá.

São Paulo é assim. Uma metrópole sem fim. Cresce e cresce; desenvolve e desenvolve. Nunca para, nunca fica muda. Sempre em movimento, falante e altiva. São Paulo é maravilha. Pulsam corações de milhões de apaixonados a cada metro dessa que é nossa metrópole. 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Paulo Bregantin é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Conte Sua História de São Paulo: a fazenda que faz jus ao nome Biacica

Arnaldo Bispo do Rosário

Ouvinte da CBN

Fazenda Biacica em foto de arquivo

Neste final de semana ensolarado, com o fim de contrariar o ditado “santo de casa não faz milagres”, levantei disposto a conhecer a lendária “Fazenda Biacica”, nascedouro dos bairros Vila Curuçá, Itaim Paulista e Jardim Helena, na zona leste de Sampa. Eu moro a 15 minutos de carro deste lugar. 

Embora estivesse disposto a ir mesmo caso não encontrasse quem comigo fosse, como a vida deve ser uma festa de pão e vinho a ser compartilhada, tive a ventura de ligar para meu amigo Izau que, por ser professor de história, de plano aceitou. Assim, como os irmãos Vilas-Boas, porém desbravadores urbanos do próprio quintal, rumamos ao local. Em lá chegando, ficamos fascinados com o que vimos e nos certificamos que tudo ali faz jus ao nome Biacica, derivado do tupi “imbeicica” que significa “cipó resistente”. 

Posso afirmar isso porque, entre 1610 e 1611, a título de sesmaria, aquelas terras da região do Boi Sentado, localizadas na margem esquerda da várzea do Rio Tietê, estiveram sob o controle do bandeirante Domingos de Góes.  Em 1621, passou ao domínio dos padres carmelitas. Foi quando deram início à construção da capela com estilo português, considerada um marco da colonização da região e denominada “Nossa Senhora da Biacica”. Tanto é que por muito tempo a região do Itaim Paulista, Vila Curuçá e a parte leste do Jardim Helena, era chamada de “imbeicica”. 

A capela passou às mãos da família Fontoura, que a adaptou para um casarão de veraneio, já que às margens do Tietê. Apesar de algumas alterações, dá para notar as características sacras da construção. A família fez novos cômodos ao redor e uma varanda na frente da capela, com dois painéis de azulejos, datados de 1952. Os painéis retratam a chegada dos portugueses a São Paulo, em 1532, e a catequização de jesuítas, em 1554. 

O casarão foi tombado pelo patrimônio histórico, nos anos de 1990, medida que já havia sido sugerida pelo escritor modernista Mário de Andrade, em 1937, quando a visitou como diretor do IPHAN em São Paulo. 

E o que é melhor? É que tudo isso está protegido pelo “Núcleo Itaim Biacica”, parque inaugurado, em 2018, na várzea do Tietê, que além de preservar a natureza, com suas alamedas arborizadas, ainda protege parte da várzea. Se o Egito é uma dádiva do Nilo, nossa Sampa é uma dádiva do Tietê. 

Pois bem, o espaço público de lazer e atividades esportivas, conta com 140 mil m², e parte dele com equipamentos de lazer e esporte, quadras poliesportivas, playground, campo de futebol, quiosques com churrasqueiras, academia ao ar livre e espaços de convivência, que podem ser usados pela população. 

O oásis de que falo ganha maior relevância porque localizado no Distrito Jardim Helena, com 136 mil habitantes e um dos menores IDH da cidade.

Por estas bandas, há muito o que se fazer do que ensinou o Cristo, inclusive dar pão a quem tem fome, o que fizemos logo depois da expedição, quando comemos um baião de dois, acompanhado de uma deliciosa tilápia frita, regada a algumas doses de salinas, na Vila Nair, ao lado do Tietê, em São Miguel Paulista, porque nem só de pesquisa vive o homem. 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Arnaldo Bispo do Rosário é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também um personagem da nossa cidade. Envie agora o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: inovação e adaptação são o caminho do sucesso para o consórcio, diz Tatiana Reichmann, da Ademicon

Tatiana Reichmann no estúdio de gravação do Mundo Corporativo Foto: Letícia Valente

“Nós vendemos um produto que tem 60 anos, mas que é super moderno.”

Tatiana Reichmann, Ademicon

A liderança no mercado de consórcios requer inovação constante e adaptação às mudanças. Tatiana Schuchovsky Reichmann, CEO da Ademicon, sabe bem disso. À frente de uma das maiores empresas do segmento no Brasil, ele enfatiza a importância de estar sempre atualizada e aberta a novas ideias. Na entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN, a empresária lembra que o produto que comercializa, apesar de ter 60 anos, é movido por conceitos bastante atuais: “(consórcio) é compartilhar, coisa que recentemente começou a ser feita”.

Transformando a tradição em inovação

Tatiana ressalta que a atualização e o pensamento aberto são cruciais para a evolução no mercado de consórcios. “A gente não pode estar estacionado, a gente tem que estar sempre atualizado, aceitar que as mudanças nos fazem evoluir”, afirma. Com cerca de 200 lojas licenciadas espalhadas pelo Brasil, a Ademicon investe fortemente em treinamento e capacitação de seus consultores, preparando-os para atender de forma eficaz e moderna as necessidades dos clientes.

A CEO também destaca a importância do consórcio como uma ferramenta de investimento, indo além da simples aquisição de bens. “Nós trouxemos a palavra conhecimento para o consórcio e fomos pioneiros em falar de consórcio como investimento”, explica Tatiana, ressaltando que isso ampliou o público-alvo e as possibilidades de uso do consórcio.

Expansão e licenciamento

A expansão da Ademicon tem sido orgânica e Tatiana explica que o licenciamento de lojas é uma estratégia que permite um crescimento sustentável e abrangente. “Nós devemos abrir mais 250 lojas nos próximos cinco anos”, revela. Esse modelo permite que consultores se tornem empresários locais, criando um vínculo mais forte com a marca e oferecendo um atendimento personalizado aos clientes.

Sobre a importância da liderança feminina, Tatiana diz que “me orgulho muito de conseguir ser referência para muitas mulheres e eu busco isto cada vez mais para mostrar que é possível, que é só a gente se dedicar.”

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: as lições aprendidas na parceira entre Havaianas e Dolce & Gabbana 

A recente parceria entre duas marcas de origens e públicos distintos, Havaianas e Dolce & Gabbana, ilustra bem como essa estratégia pode ser explorada com resultados bastante positivos. Para Jaime Troiano e Cecília Russo, o acerto da colaboração ou da ‘collab’, nesse caso, pode ser medido pela forma como os consumidores aderiram à ideia e pelo sucesso de vendas.

No Sua Marca Vai Ser um sucesso, Cecília destacou que os quatro modelos criados pelas duas marcas esgotaram no mesmo dia, mesmo diante de um preço alto, se considerarmos que estamos falando de uma sandália de borracha — o par de Havaianas com a assinatura da Dolce & Gabbana custava em torno de R$ 350,00.

O fato é que a fusão do despojamento brasileiro com o luxo italiano criou um produto cobiçado, demonstrando o poder das alianças estratégicas no mercado. Para Cecília, dois motivos podem ter sido fundamentais para esse resultado: o primeiro, a possibilidade de consumidores que não costumam comprar produtos de luxo terem acesso a marca Dolce & Gabbana. O segundo, se relaciona ao que se considera “bem posicional”: 

“A (collab) Havaianas e Dolce & Gabbana me posicionam no mundo de um jeito diferente, como alguém que tem acesso a coisas que poucos têm”, comentou Cecília. 

O efeito do “eu consegui”

Jaime destaca que essa também “é uma forma das marcas criarem um fato novo no mundo sedento por novidades.”. Além disso, com a sedução das redes sociais, hoje, mais do que comprar, as pessoas querem mostrar. E uma sandália Havaiana com a marca Dolce & Gabbana tem forte apelo neste sentido. Quanto mais difícil for para obter o produto, mas os consumidores têm o desejo de dizer, publicamente, que “eu consegui”

A Marca do Sua Marca

A principal marca do “Sua Marca” foi a análise da força das colaborações para ampliar o alcance e o desejo dos consumidores. A união de marcas tão distintas mostra que, ao combinar suas essências, podem gerar produtos que transcendem suas identidades originais, capturando a imaginação do público. Uma experiência que pode suscitar as mais diversas parcerias, como lembra Jaime Troiano: “pode ser um ingresso para um show disputadíssimo, conseguir a reserva de uma mesa na Casa do Porco, em São Paulo, ou um par de sandálias da Havaianas/Dolce &Gabbana. 

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso**

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Mundo Corporativo: Bruna Soares, da Moët Hennessy, fala de estratégias de luxo e liderança feminina

Bruna Soares no estúdio do Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti

“Onde você quer chegar? Que histórias você quer contar? Pelo que você quer que a sua marca seja lembrada?”

Bruna Soares, Moët Hennessy

Construir uma marca memorável requer estratégias específicas e uma conexão emocional profunda, especialmente em um mercado no qual a atenção do consumidor é o recurso mais valioso. Esse foi um dos assuntos da entrevista com Bruna Soares, gerente de marca da Moët Hennessy, no programa Mundo Corporativo. Bruna compartilhou suas experiências e ideias sobre como gerir uma marca de luxo, o papel da liderança feminina e os desafios e oportunidades no setor de bebidas premium.

“A gente ocupa uma posição de as pessoas olharem para as marcas e verem o que elas estão fazendo,” afirmou Bruna. “Nós temos muito esse papel e essa missão de ocupar esse lugar de privilégio para fomentar debates e discussões de temas importantes para a sociedade.”

O desafio de gerir uma marca de luxo

Bruna destacou que o principal ativo do consumidor de luxo é o tempo. “Proporcionar experiências que sejam memoráveis e criem uma conexão verdadeira é essencial,” disse. Ela enfatizou a importância de manter a autenticidade e a elegância, não apenas na aparência, mas também nas atitudes e no relacionamento com clientes e colaboradores.

A Moët Hennessy, com suas marcas icônicas como Moët & Chandon e Veuve Clicquot, busca estar presente nos momentos de celebração dos consumidores. Bruna destacou a relevância crescente do mercado brasileiro para a empresa, especialmente após a pandemia, quando os consumidores passaram a valorizar mais as pequenas celebrações do dia a dia.

“Quando a gente fala de marcas, a gente fala sobre como você se diferencia em um mundo super vasto de outras marcas,” observou Bruna. “É sobre ter um olhar estratégico claro sobre onde você quer chegar e que histórias você quer contar.”

Liderança feminina e fortalecimento

A trajetória de Madame Clicquot, fundadora da Veuve Clicquot, serve como uma grande inspiração para Bruna e muitas outras mulheres na empresa. “Ela foi uma mulher muito à frente do seu tempo, enfrentando inúmeras barreiras,” comentou Bruna. “Estar à frente dessa marca no Brasil é um privilégio e uma responsabilidade para fazer jus a esse legado.”

Bruna também abordou a importância de incentivar o empreendedorismo feminino através de projetos como Bold by Veuve Clicquot, que promove a visibilidade de mulheres empreendedoras. Em 2022, a casa de champanhe conduziu o “Barômetro do Empreendedorismo Feminino”, um estudo com foco nas empresárias brasileiras em que mais de 2 mil mulheres foram entrevistadas: “A principal barreira que aprendemos no estudo é o medo do julgamento e do risco,” explicou Bruna. “Isso já existe por uma questão cultural e é sobre você se desvencilhar dessas amarras e dessas barreiras psicológicas para ousar e correr atrás dos objetivos.”

Ela ressaltou a necessidade de criar redes de apoio e troca entre mulheres para que possam aprender e crescer juntas. “Eu vejo um futuro promissor e positivo para o empreendedorismo feminino, graças às mulheres que abriram caminho superando medos e barreiras.”

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