Conte Sua História de São Paulo: brincadeiras nos paralelepípedos da minha cidade

Gláucia Rosa

Ouvinte da CBN

Imagem criada no Dall-E

Nasci no Hospital Nove de Julho, na época em que meus pais moravam na Vila Mariana. Vivemos na rua Dona Avelina até os meus 5 anos de idade.

Os muros das casas eram baixos, bem como seus portões. Acreditávamos que o “velho do saco” levava, em seus enormes sacos apoiados em suas costas, crianças desobedientes. Sim, éramos constantemente ameaçados de sermos carregados pelo “velho do saco”. Mas, imagine você, aos quatro anos de vida, a menina travessa, com muita energia, corria e brincava na rua.  Rua de paralelepípedo. 

Será que os nascidos no século XXI sabem ou já pisaram numa rua assim?  Eu não só pisei como me ralei algumas vezes.

Digo sempre que estreei meus joelhos nos paralelepípedos da Vila Mariana. O primeiro tombo, inesquecível! Mesmo porque foi curado com mertiolate — o que arde, cura!. 

O progresso e as melhorias da pavimentação chegaram e, nos meus cinco anos de idade, mudamos da Vila Mariana para o Planalto Paulista. Sensacional! Ladeiras lisas. As ruas já com asfalto pareciam um escorregador. Brincávamos de pega-pega, esconde-esconde, queimada, pula-corda e os meninos mais velhos e descolados ousavam se arriscar, ladeira a baixo na “pilotagem” de um carrinho de rolimã “made in home”.

Que época interessante. Nós, crianças até a década de 1970, amávamos quando, à noite, a luz do interior de nossas casas e das ruas era, repentinamente, cortada, e não chovia. Claro, era a combinação perfeita para deixarmos de fazer nossas tarefas escolares, buscar as lanternas e correr para a rua, onde encontraríamos com nossos amigos e amigas e as brincadeiras começavam.

Nossos pais, com olhos a postos, nos vigiavam atentamente sobre os baixos muros, pois, a escuridão era algo assustador… Era mesmo?

Assim que a luz voltava, se antes das dez da noite, ok, poderíamos seguir mas, se já passasse meia hora que fosse, “stop”, parem tudo, vamos entrar e dormir. Amanhã é dia de aula e vocês têm que acordar cedo!

Esta história é uma pequena recordação de uma infância paulistana, vivenciada nas décadas de 60 e 70, que se passava, literalmente, na rua que tinha casas com portas abertas ou destrancadas. Época em que se podia encontrar cadeiras nas calçadas, sobretudo, no verão, ocupadas pelas moradoras das vizinhança, para aquele bate-papo.

Pensar que Sampa um dia já foi vivida com pouco ou quase nenhum medo nas suas ruas que, majoritariamente, eram palcos de brincadeiras e felicidade.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Glaucia Rosa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: encarando a concorrência com sarcasmo e diversão

Reprodução de anúncio que compara o Gordini com o Fusca

 “Pelos códigos do CONAR, a propaganda comparativa é legal desde que: seja realizada de forma objetiva com o intuito de esclarecimento ao consumidor”

Jaime Troiano

A estratégia de colocar marcas frente a frente não é nova, mas sua adoção no Brasil, tradicionalmente conservador neste aspecto, vem marcando uma mudança significativa no cenário publicitário. Jaime Troiano e Cecília Russo comentaram no “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, da CBN, que por muito tempo se evitou o confronto direto entre marcas por uma questão cultural, de cortesia e de temor ao conflito. Agora, porém, se testemunha uma evolução em suas práticas publicitárias, alinhando-se a tendências globais onde a comparação explícita entre competidores é comum e bem-vista.

“No Brasil, até uns 10 anos atrás, essa era uma prática bem pouco adotada, ao contrário do que a gente vê em mercados como o dos Estados Unidos, onde isso é bastante comum”

Cecília Russo

Segundo Cecília, a resistência nacional pode estar ligada a uma cultura que favorece a empatia pelo ‘underdog’, ou seja, aquele que está em desvantagem. No entanto, a mudança de ventos sugere que as marcas brasileiras estão cada vez mais dispostas a assumir uma postura assertiva, utilizando o duelo direto como uma estratégia de demonstração de superioridade. 

“É interessante notar que para se adaptar a nossa cultura, essa propaganda comparativa usa um tom de sarcasmo, às vezes de reverência ou até um jeito mais divertido de falar, trazendo um caráter mais amigável que deixa essa comparação um pouco mais disfarçada, como se na brincadeira estivesse valendo”

Cecília Russo

No passado, em um dos raros confrontos diretos das marcas na publicidade, assistiu-se a concorrência entre os carros Fusca e o Gordini — alguns dos anúncios, você ouve no áudio que está ao fim desse texto. Atualmente, é possível perceber essa estratégia mais explícita no confronto de marcas do mesmo segmento como Mc Donalds e Burger King, Pepsi e Coca, Duracell e Energizer, Toddy e Nescau, Uber e 99. 

Assista aqui a um vídeo que conta concorrência entre o Fuscas e o Gordini

Jaime Troiano traz à discussão a regulação desse tipo de propaganda pelo CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária),  aqui no Brasil. Ele enfatiza a legalidade da propaganda comparativa desde que cumpra critérios específicos como objetividade, comprovação e respeito à imagem da marca concorrente. Jaime ainda revela dados intrigantes sobre o CONAR, mencionando que em 2023, foram abertos 270 processos, dos quais 186 anúncios foram reprovados.

“A maioria das queixas era de marcas que mostram em suas propagandas qualidades que não eram comprovadas”.

Jaime Troiano

Outro indicador interessante é que do total de processos no CONAR, 81% vinham de veiculações no ambiente digital, o que mostra que as marcas e anunciantes são mais lenientes quando usam esses espaços.  

A marca do “Sua Marca”

Este comentário ilumina a crescente aceitação da propaganda comparativa no Brasil, refletindo uma adaptação cultural diante do “capitalismo mais feroz”. Ainda assim, os especialistas alertam para o uso equilibrado dessa estratégia

“Mesmo que hoje em dia seja uma prática mais usual, ainda há algum receio dos consumidores em relação à comparação de marcas, portanto, use com moderação e amparado, sempre, em comparações que possam ser comprovadas”

Cecília Russo

Ouça o “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo, trazendo sempre temas atuais e relevantes sobre o mundo das marcas e da publicidade. A sonorização é do Paschoal Júnior

Mundo Corporativo: para Paulo Antunes, da Fogo de Chão, “deixa comigo” é valor a ser preservado

Paulo Antunes entrevistado no Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti

“Um bom líder cuida de pessoas, e essas pessoas cuidam dos clientes e dos resultados.” 

Paulo Antunes, Fogo de Chão

Para que se faça um bom churrasco tem de entender de carne, de fibra, de gordura, de como espetar, de como fazer o fogo e de como cortar. Para se fazer uma boa churrascaria, tem de entender de gente — além de tudo aquilo que está descrito na frase que abre este parágrafo. É o que se aprende ouvindo Paulo Antunes, country manager do Fogo de Chão no Brasil, uma das maiores redes de churrascarias do país. 

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo da CBN, o executivo comenta que se não bastassem todos esses desafios para entregar excelência, no caso das churrascarias ainda há um outro complicador: cada garçom é um chefe de cozinha, ao menos no modelo de atendimento mantido nas lojas da Fogo de Chão 

“Na Fogo de Chão, você tem a figura do chefe nas 20 pessoas que te servem no salão. Então, cada um que vem com um corte específico é o chefe daquele corte”

Preparar essa equipe de cozinheiros exige investimento, treinamento e tempo. Paulo Antunes diz que o ideal é desenvolver profissionais que tenham perfil de uma persona que ele define como “Gaúcho” — alguém que entende muito bem de churrasco, atendimento e trabalho: 

“(O Gaúcho) personaliza uma atitude. Então, nós temos valores na Fogo de Chão de excelência, de excelência operacional, de trabalho em equipe e, principalmente, um valor que eu gosto muito que é o “deixa comigo”.” 

“Deixa comigo” transcende ser apenas um lema; é uma essência profundamente enraizada na cultura gaúcha que Paulo Antunes destaca. Essa expressão simboliza a propriedade completa e o comprometimento do indivíduo com sua função, seja na gestão dos recursos ou na satisfação do cliente. Tal responsabilidade não emerge instantaneamente, mas é forjada com tempo e dedicação.

Duas curiosidades: apesar de a empresa ter sido criada no Rio Grande do Sul, atualmente não mantém nenhuma loja no estado, e apenas 30% dos garçons são realmente gaúchos. Paulo Antunes comenta que os outros “gaúchos” são dos demais estados brasileiros. 

Diante de todos esses desafios o sucesso deste negócio se constrói a partir da gestão eficaz das equipes, diz Paulo Antunes :

 “Eu tenho que ser um líder servidor. Preciso inspirar as pessoas, preciso viver pelos valores”.

A Fórmula do Sucesso 

Em suas reflexões sobre estar sempre preparado para superar obstáculos além do esperado, Paulo Antunes enfatiza a necessidade de uma prontidão para enfrentar adversidades maiores do que as antecipadas. Esta abordagem não somente equipou o Fogo de Chão para navegar por tempestades significativas, como a crise provocada pela COVID-19, mas também permitiu à empresa ressurgir com ainda mais força, traçando caminhos para a expansão e a inovação. 

A liderança eficaz e a perspectiva empreendedora são fundamentos dessa capacidade de superação. Antunes reconhece esses atributos em si e na sua equipe, propondo que “o verdadeiro executivo de sucesso é perenemente munido de um espírito empreendedor”, ressaltando a vital importância de antever as demandas e identificar as oportunidades que residem nos desafios.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: 10 frases para comemorar 10 anos de programa

Bastidor do “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” em foto de Priscila Gubiotti

“Praticar branding é trabalhar um plano de ações contínuas. Sem isso a gente não tem marca forte” 

Cecília Russo

No mundo do branding, a constante evolução e a capacidade de refletir a verdadeira essência de uma empresa são elementos-chave para o sucesso. Diante da transformação digital e da mudança nos padrões de consumo, compreender o verdadeiro significado e o impacto da gestão de marcas nunca foi tão crucial. Este é o tema central do comentário no quadro “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, do Jornal da CBN, que celebra seus 10 anos de contribuição ao mundo do marketing e do branding. Jaime Troiano e Cecília Russo aproveitaram a data para lembrar dez frases que foram apresentadas ao longo dessa década de programa e têm muito ensinamento a oferecer. 

Cecília começou a lista com “branding é verbo” para lembrar a natureza dinâmica da gestão de marcas.  Jaime resgatou uma frase que podemos considerar um clássico nas nossas conversar: “marca não é um tapume”, enfatizando a transparência e a verdade como pilares fundamentais.

A interação com o consumidor também foi tema de discussão, com o destaque para uma das muitas lições que aprendemos ao longo deste tempo: “o consumidor não faz o que pensa, mas faz o que sente”. Esta percepção aprofunda a compreensão das motivações reais por trás das escolhas dos consumidores, indo além das justificativas superficiais.

Entre as dez frases emblemáticas destacadas, algumas refletem diretamente os desafios e as oportunidades no campo do branding. Por exemplo, a analogia “noiva não se escolhe no altar” ilustra a importância de construir relacionamentos duradouros e significativos com os consumidores muito antes do ponto de venda.

As 10 frases do branding

  1. Branding é verbo
  2. Marca não é tapume
  3. O consumidor diz o que pensa mas faz o que sente
  4. Marca é aquilo que falamos de você quando você sai da sala
  5. Não jogue fora o bebê junto com a água do banho
  6. Noiva não se escolhe no altar
  7. The fruits are in the roots
  8. Pedra que rola não cria limo
  9. Não há uma segunda chance de se causar uma boa impressão
  10. Marca sem propósito é marca sem alma

Para entender o significado de cada uma dessas frases, ouça o áudio disponível logo abaixo

A marca do Sua Marca

Ao celebrar 10 anos de existência, o “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” se consolida como um farol de inovação, estratégia e originalidade no mundo do branding. Este marco não apenas comemora uma trajetória de sucessos e aprendizados mas também reafirma o compromisso do programa em iluminar o caminho para marcas que buscam fazer a diferença no mercado. 

“Nosso propósito, nossa razão de ser que é poder disseminar essa cultura de branding como uma ferramenta fundamental para desenvolver negócios gerar emprego nas empresas deixar as pessoas mais felizes” 

Jaime Troiano

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo, duas vozes que têm orientado, com maestria, a jornada de inúmeras marcas rumo ao sucesso. Através de suas análises profundas e abordagens inovadoras, eles continuam a inspirar gestores e empreendedores a explorar o verdadeiro potencial de suas marcas. A sonorização é do Paschoal Júnior:

Mundo Corporativo: a visão de Valter Patriani sobre inovação e cliente

Valter Patriani entrevistado no estúdio da CBN em foto de Priscila Gubiotti

“Então, você veja que a perspectiva do cliente é toda diferente, você precisa ter muita humildade para ouvi-lo, você aprende e transforma esse aprendizado em um bem maior.” 

Valter Patriani, empresário

Em um universo corporativo que exige constante inovação e adaptabilidade, a trajetória de Valter Patriani se destaca por uma visão diferenciada sobre a importância do cliente e da equipe no sucesso empresarial. Fundador da Construtora Patriani, Valter compartilhou, no programa Mundo Corporativo da CBN, ideias valiosas sobre como criar uma empresa vencedora. Este é um relato que vai além da construção de imóveis, adentrando o terreno da construção de relações sólidas com clientes e colaboradores.

O cliente no centro de tudo

Valter Patriani não é um nome estranho ao sucesso. Após uma carreira notável na CVC, uma das maiores operadoras de turismo do país, ele se aventurou no ramo da construção civil com um olhar inovador:

“E a gente vai tentando pegar o nosso cliente e entendendo quais são os momentos da vida dele para fazer imóveis para os diferentes momentos da sua vida, mas precisa ter muita atenção ao cliente, precisa entender de gente,” 

Essa percepção acerca da importância de colocar o cliente no centro das decisões empresariais é um dos pilares de sua estratégia. Fez assim no turismo, quando percebeu que apenas os mais ricos conseguiam viajar de férias, e buscou soluções para permitir que a família dos trabalhadores também aproveitassem os principais destinos do Brasil. Fez na construção civil, ao planejar apartamentos que oferecem funcionalidades e benefícios demandados pelos moradores.

Patriani destaca que ouvir o cliente não é apenas uma parte do processo, mas a essência para a inovação e adaptação. As necessidades e desejos do cliente direcionam desde a concepção dos projetos até as práticas de sustentabilidade e tecnologia empregadas na construção. Placas solares para economia de energia, janelas automatizadas para maior conforto e infraestrutura preparada para carros elétricos são apenas algumas das inovações mencionadas por Patriani, sempre com o foco na experiência do cliente.

Pensa nos detalhes: na janela diante da pia onde se lava pratos ou no nicho para produtos de banho ao lado do chuveiro; se todos os prédios já oferecem gerador de energia nas áreas comuns, o empresário amplia o atendimento a pontos essenciais dentro do apartamento, como a tomada para o celular não descarregar e a que mantém a geladeira funcionando.

Liderança e colaboração: pilares para o sucesso

A visão de Patriani sobre a importância do trabalho em equipe é igualmente reveladora. 

“Tudo nasce dentro da companhia, dentro do time. O que os funcionários de obra estão executando hoje foi pensado a um ano e meio, dois anos antes. E quem é que pensa? O time. Nenhum de nós é melhor do que todos nós juntos”.

Essa filosofia ressalta o valor da colaboração interna e da liderança participativa. Patriani sublinha a importância de conhecer e conversar com os clientes e colaboradores, uma prática que permite uma troca constante de aprendizados e experiências.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves, Priscila Gubiotti e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: vamos vestir a cidade de flores

Amaryllis Schloenbach

Ouvinte da CBN

Imagem da poetisa Colombina, a Cigarra do Planalto

O meu amor por esta encantada cidade brotou desde a mais tenra infância. Era bem pequena e ouvia meus pais enaltecerem louvores aos inúmeros atributos de São Paulo. Tenho gravado na memória a ideia de que meu pai nadava em um límpido Rio Tietê e minha mãe transportava para a tela as paisagens bucólicas que se estendiam pelo planalto.

Eu nasci no Bixiga, onde voltei a residir quando adulta, e onde moro no mesmo endereço, desde 1981. Aqui aguardo o momento de partir para o mundo das estrelas. 

Foi para essa decantada região histórica e turística que dediquei o meu poema “Postal do Bixiga”. Apesar dessa relação amorosa com o bairro e arredores, minha infância se desenvolveu, nos idos da década de 1940, em Pinheiros, lugar pelo qual tenho amáveis lembranças. 

Muitas vezes fui levada a respirar o delicioso ar do bosque de eucaliptos, a pescar com peneira os peixinhos do rio que leva seu nome. Naquela época, meninas e meninos felizes, coleguinhas do grupo escolar, brincávamos tranquilamente na rua, jogávamos bola, trocávamos figurinhas, e brigávamos, também, só pelo prazer de fazer as pazes. Ao anoitecer, as mães nos chamavam da janela das casas para o banho, imprescindível graças ao barro e aos arranhões que acumulávamos no decorrer das tardes.

Era hábito, aos domingos após o almoço, junto com os primos, sermos levados ao Parque Trianon, para a diversão de observar as árvores, os animais que lá eram mantidos bem cuidados e, acima de tudo, apreciar a incrível performance do bicho-preguiça.

Outro passeio que sempre lembro com saudades era ao Viaduto do Chá, nos fins de tardes, para acompanhar o chilrear de incontáveis pássaros, que se recolhiam nas frondosas copas das árvores, plantadas próximas as escadarias, nas imediações do Teatro Municipal.

Saudosa, também, das visitas que fazia a minha tia-avó, a consagrada poetisa Colombina, a Cigarra do Planalto, que então morava em um apartamento no Largo do Arouche, onde no espaçoso terraço escreveu vários livros, deixando versos imortalizados como os de “As Árvores da Praça da República”.

Aproveito a conclusão desse relato e faço apelo aos meus conterrâneos. 

Antes devo contar para aqueles que não conhecem o passado de nossa cidade que, no fim da década de 1950, o jornal “A Gazeta”, que gozou de grande prestígio até sua extinção, promoveu campanha com uma série de 50 reportagens sob o título “Vamos Vestir São Paulo de Flores”. A promoção foi levada a cabo pela redatora Maria Thereza Cavalheiro.

A jornalista, também poeta e ecologista de primeira hora, escreveu livros de poesia, contos e trovas. Antes de seu passamento, que ocorreu na primavera de 2018, escreveu o livro “Consciência Ecológica na Educação”, que ainda não chegou a ser editado. 

A escritora, minha saudosa prima e querida mestra, está por merecer a homenagem póstuma que espero lhe seja prestada pelos amantes do verde. Quanto a nós que aqui estamos, peço que cada um se encarregue do modo que lhe for possível, por amor à vida e à natureza, tornar realidade, o lindo sonho de “Vestir São Paulo de Flores”!

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Amaryllis Schloenbach é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: os segredos de marcas centenárias, no Brasil

Uma das fábricas da Suzano que completou 100 anos Foto: divulgação

“Marcas não chegam aos 100 anos por acaso. Há muito compromisso e suor por trás da história”

Cecília Russo

Em um mercado no qual poucas alcançam, a Suzano celebra um século de atividade, em 2024. Esse feito é mais do que um número, é uma lição sobre sustentabilidade, qualidade e propósito. A história da indústria de papel e celulose, criada pelo imigrante ucraniano Leon Feffer, foi a referência usada por Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN, na busca de lições para explicar o que torna uma marca não apenas sobrevivente, mas vigorosa e relevante após 100 anos.

Cecília pondera sobre a possibilidade de outras empresas e ouvintes atingirem essa marca, ressaltando o orgulho que o país deve ter de abrigar marcas centenárias. Além da própria Suzano, lembrou a Tramontina, que de uma pequena ferraria fundada por Valentin e Elisa Tramontina, em 1911, no Rio Grande do Sul, deu origem a um grupo que hoje conta com nove fábricas no Brasil. 

“Eu acho que o que está por trás dessa longevidade da Suzano são os princípios da marca. É um compromisso autêntico com sustentabilidade que faz ela ser tão admirada”

Cecília Russo

A preocupação com a continuidade, característica de empresas familiares, é, para Cecília, um dos ingredientes para essa durabilidade. 

“As empresas familiares tendem a ter menos rupturas, menos quebras numa linha mestra da gestão, diferentemente de empresas com executivos que muitas vezes sentam por pouco tempo nas cadeiras e cada um direciona a empresa para um lado”.

Cecília Russo

Jaime identifica mais três aspectos para explicar a permanência dessas empresas por tanto tempo. A começar pela ideia de que “marca forte não resiste a produto medíocre”:

“Suzano e Tramontina, por exemplo, são muito comprometidas com entregas de qualidade. Tudo parte de uma qualificação de produto, sem isso as marcas são promessas vazias”. 

Jaime Troiano

Ele  também destaca a comunicação como vital para o sucesso de longo prazo, pois manter um diálogo constante com a sociedade é fundamental. Lembra não apenas a presença nas mídias como rádio, jornal e TV mas o fato de a marca entender que existem outros meios para criar conexão como os patrocínios esportivos — caso específico da Tramontina que mantém  o time de futsal da cidade gaúcha de Carlos Barbosa.

A terceira característica, citada por Jaime, é ser fiel a um propósito:

“Há uma razão de ser. E aqui a Suzano é mestre, faz um trabalho belíssimo trazendo a questão da sustentabilidade não como um discurso vazio, retórica apenas, mas como prática reconhecida mundialmente”. 

Jaime Troiano

A marca do ‘Sua Marca’

A lição que essas empresas centenárias ensinam é clara: atingir um século de existência exige mais do que sorte; exige dedicação constante e uma genuína conexão com os valores corporativos e sociais. As novas marcas podem olhar para Suzano e Tramontina e ver modelos de compromisso e adaptação, fundamentais para quem aspira a uma história tão rica e duradoura.

Ouça o “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”

O “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo e a sonorização é do Paschoal Júnior:

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o que faz uma marca ser inesquecível para você?

“Há marcas que são importantes em nossas vidas porque mostram aquilo que o dia a dia não tem. Outras, que são importantes porque são leais parceiros de viagem”.

Jaime Troiano 

Existem marcas que transcendem o efêmero, esta característica de muitas das relações que mantemos na vida diante da velocidade com que as coisas acontecem. Entender o que as tornam inesquecíveis foi parte da nossa conversa em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com Jaime Troiano e Cecília Russo.

A partir de suas próprias lembranças, Jaime e Cecília ressaltam que se manter viva na memória das pessoas é algo que vai além da própria qualidade ou do serviço oferecido pela marca. Tem a ver com a capacidade de conectar-se emocionalmente com os indivíduos. 

Ouça o Sua Marca e o áudio de comerciais de marcas inesquecíveis

Jaime recorre à infância. Lembra dos doces Confiança, marca que aparecia em destaque e em letras cursivas no furgão verde que estacionava na rua da Consolação, próximo de onde morou em São Paulo. 

“Confiança era um break na minha alimentação caseira, que apesar de muito bem feita, era repetitiva”.

Jaime Troiano

Dentre tantas coisas boas que Jaime vivenciou na infância Confiança tornou-se inesquecível porque marcas fortes quebram a rotina e mostram cenários novos. O inverso é verdadeiro, como prova outra referência que acompanhou os primeiros passos de Jaime, nas idas e vindas da escola: os sapatos Vulcabras:

“Ao contrário de Confiança que quebrava a rotina, Vulcabras era expressão de segurança, de saber que ele me levaria e traria de volta”

Jaime Troiano

Memórias afetivas tornam marcas inesquecíveis

Cecília Russo, por sua vez, enfatiza a conexão emocional e afetiva que algumas marcas estabelecem com seus consumidores. Lembra do Lanche Mirabel que dividia com o irmão na escola, um carinho servido pela mãe:

“Tinha um conteúdo afetivo que transcendia o próprio sabor. Já comi e continuo comendo muita coisa gostosa depois disso. Mas são gostosas em si, sem esse laço maternal”.

Cecília Russo

Da adolescência, Cecília traz na memória as visitas com as colegas de escola ao Jack in The Box, uma das primeiras lanchonetes “fast food”, de São Paulo. Era para lá que ela corria nos intervalos das aulas, algumas vezes durante o período da própria aula: 

“.. porque era uma deliciosa transgressão, um ato de pura rebeldia, que nossos pais não queriam que fizéssemos”.

Cecília Russo

 A marca do Sua Marca

A memória afetiva e as experiências pessoais influenciam a percepção das marcas, tornando-as inesquecíveis. As marcas que quebram a rotina ou fornecem um senso de continuidade, como ilustrado por Jaime, ou aquelas que carregam um significado emocional profundo, exemplificado por Cecília, revelam o verdadeiro poder do branding: criar conexões profundas e duradouras.

Este comentário sublinha que, mais do que simplesmente reconhecer uma marca, as lembranças afetivas associadas a ela são o que verdadeiramente definem sua eternidade.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é do Paschoal Júnior:

Mundo Corporativo: Vinícius Mendes, da Besouro, prega a transformação social por meio do empreendedorismo

Vinicius Mendes em foto de Priscila Gubiotti

“Não bastava trabalhar, não bastava ter boa vontade de correr e ter uma boa ideia; e, sim, também, de educação.”

Vinícius Mendes, Besouro de Fomento Social

Imagine começar um negócio do zero antes mesmo de ter uma ideia do que você pode oferecer ou criar. Esse é o desafio que Vinícius Mendes lança às pessoas que vivem nas comunidades mais carentes do país, a partir do trabalho que realiza na Besouro de Fomento Social, empresa que reúne um instituto sem fins lucrativos e uma agência que busca o lucro, criada, em Porto Alegre, em 2009. No programa Mundo Corporativo da CBN, ele compartilha como transcendeu as dificuldades iniciais para impulsionar outros a empreender, revelando que o sucesso vai além da mera inovação ou esforço – é fundamentalmente ancorado na educação.

A educação como alicerce para o empreendedorismo

Vinícius Mendes enfatiza que, para realmente prosperar e transformar uma ideia em um empreendimento de sucesso, é essencial possuir não apenas a visão ou o ímpeto, mas uma sólida compreensão dos fundamentos de negócios e uma educação empreendedora.

“O empreendedor tem muita chance de dar certo, tem riscos, mas tem muita chance mais rápido de dar certo”. 

Ele ilustra essa perspectiva com sua trajetória, desde as primeiras experiências vendendo crepes na frente de escolas, passando pela criação de uma empresa de eventos, até a fundação da Besouro de Fomento Social. Sua história é um testemunho da transformação que a educação empreendedora pode engendrar, especialmente em comunidades vulneráveis.

O empreendedorismo como vetor de transformação social

A atuação da Besouro no campo da educação empreendedora visa, sobretudo, capacitar indivíduos em situação de vulnerabilidade social, oferecendo-lhes as ferramentas necessárias para identificar oportunidades de mercado e transformá-las em negócios sustentáveis. A pesquisa realizada por Mendes, tanto na Rocinha quanto em favelas da Argentina, revelou que o conhecimento específico em gestão de negócios e estratégias de mercado é crucial para o sucesso empreendedor, mesmo (ou especialmente) em contextos de recursos limitados.

“Não tenho dúvida de que o empreendedorismo já faz a diferença no nosso país e fará ainda mais quando estas pessoas compreenderem o poder que têm delas serem empresárias e empreendedoras”. 

A Besouro de Fomento Social desenvolveu uma metodologia que considera as particularidades de cada indivíduo e comunidade, focando na criação de oportunidades reais de negócios que podem gerar renda sustentável e, consequentemente, promover o desenvolvimento local.

A abordagem da Besouro, ao capacitar pessoas a partir de suas próprias casas e realidades, demonstra que o empreendedorismo pode ser um caminho viável para a autonomia financeira e o empoderamento. Vinícius reflete sobre o impacto dessa capacitação na vida das pessoas, destacando que a educação empreendedora não apenas alimenta sonhos, mas os torna tangíveis e realizáveis.

“O empreendedor tem muita chance de dar certo, tem riscos, mas tem muita chance mais rápido de dar certo. Quando a gente expõe isso para quem precisa o hiperfoco toma conta e a chance de dar certo é enorme”. 

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você ouve, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves, Priscila Gubiotti e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: teu povo deseja andar

Marcia Lourenço

Ouvinte da CBN

Photo by Toni Ferreira on Pexels.com

Minha querida São Paulo,

Tens o porte de nação.

De grandeza, imponente!!

És o Gigante em ação.

O cintilar de tuas luzes,

Fazendo adorno ao luar,

Quando anoitece parece

Um mar imenso a brilhar.

Na tua história, firmeza,

De um povo que se supera.

O passado te fez forte.

Hoje, avança e prospera.

O descanso não conheces,

De uma jornada constante.

O trabalho te espera,

Vai sempre… segue adiante.

Tens recebido a muitos

Que respeitam esse chão,

Fazem parte integrante

Desse grande coração.

Alicerçado em justiça,

Teu povo deseja andar.

Com fé em Deus e trabalho,

Assim, essa Terra honrar.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Márcia Lourenço é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.