Conte Sua História de São Paulo: os caminhos que me levaram a entrar na vida adulta

Por Sergio Damião

Ouvinte da CBN

Foto de Mert Kaya

Sou profissional da área comercial há mais de 40 anos, 63 de vida. Autor do livro “Se Vira! Você não é quadrado! Surpreenda, atenda bem, venda mais”

(Livraria Books). Sou paulista de Santo André, descendente de nordestinos. Apaixonado loucamente por São Paulo.

Minhas maiores lembranças de Sampa vêm do tempo do meu início de trabalho, aos 18 anos, quando me formei em técnico em artes gráficas, na Escola Senai Theobaldo de Nigris, na rua Bresser.

Traço um paralelo direto com o clima. Como era bom saber que passaríamos três meses seguidos em um outono, com neblina — a verdadeira São Paulo da Garoa. Minha mãe, Dona Toca, acordava cedo para fazer o café e preparar minha marmita. Ela sempre recomendava:

– Serginho, não esquece da blusa, do guarda chuva. É outono!

Eu pegava o busão da CMTC azul e creme, às 5 horas, daqueles monoblocos com  motor atrás, que quando lotava dava até para sentar sobre ele, escondido do motorista e do cobrador. Fazia o trajeto  São Matheus-Praca da Sé entre cochilos e conversa com os Dinos, um grupo de amigos que conhecemos desde de 1965 e até hoje nos encontramos.

Eu atravessava da Praca da Sé, via rua Direita, viaduto do Chá, 24 de maio, cruzando o Teatro Municipal, o Mappin, a Peter, a Casa Los Angeles e aquelas vitrines bonitas. De chamar atenção. Estar com aquela gente madrugadora toda manhã era o primeiro sinal de que entrara na vida adulta.

Em um primeiro momento de estágio e depois contratado, com carteira assinada, eu seguia até o Largo Paissandu  e embarcava em outro busão, em direção a Rua do Bosque. Passava a Avenida Celestino Bourroul e a rua do Estadão, no bairro do Limão. Esse  trajeto, ida e volta, fiz durante dois anos, tempo que me fez apaixonar ainda mais pelo centro da cidade e no qual testemunhava aquela febre diária das pessoas se movimentando seja no início seja no fim do dia.

Nesse período assisti às manifestações dos bancários, à presença da Polícia Militar e seus cavalos cruzando as ruas e avenidas, aos camelôs e vendedores de calças Lee, Levis, Gledson e Soft Machine

Dar um giro no Mappin, comer um cachorro quente com salsicha viena no Largo do Café, ir no segundo MC Donalds da Libero Badaró, me deliciar com o sanduíche grego. Momentos que jamais sairão da minha memória afetiva.

Após tantos anos mudei de empresa, trabalhei com grupos de outros estados, migrei para área comercial, tive novas oportunidades para conhecer a capital e o interior. Há 20 anos, estou em uma empresa de Campo Bom, no Rio Grande do Sul, a Box Print. 

Há alguns dias, vindo fazer uma visita no centro, na Brigadeiro Luiz Antonio, cruzei a Praca Duque de Caxias, a avenida Rio Branco, a Ipiranga, a  São Luis e, com saudade e tristeza, senti o que todos devem sentir ao encontrarem essa região degradada pelo crack: um enorme pesar, além de uma nostalgia do tempo que cruzávamos esses caminhos com segurança e não como hoje vendo o “avesso do avesso”, que Caetano canta no clássico Sampa.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Sérgio Damião é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Juliano Fonseca. Conte você também a sua história: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a nova fronteira do “naming rights”

Foto de Denys Volpe

Naming right é tanto melhor quanto mais a marca tiver conexão com aquele espaço”

Jaime Troiano

É o fim da era dos Pereirão, Frasqueirão e Itaquerão? Ainda não! O futebol tem muito estádio espalhado Brasil a fora com nomes que serão eternamente folclóricos. Com certeza, porém, há mudanças evidentes nas oportunidades comerciais que o esporte oferece e a estratégia de naming rights chegou aos clubes e arenas movimentando valores até bilionários. Assim como também embarcou em estações de trem e metrô ou nas casas de evento. 

Considerando que a visibilidade e o reconhecimento da marca se tornam cada vez mais valiosos, o conceito de direitos de nome, emerge como uma estratégia de marketing inovadora e potencialmente lucrativa. Nesse contexto, Jaime Troiano e Cecília Russo, em “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, do Jornal da CBN, mergulham nesse tema, elucidando como a prática reforça a presença da marca no mercado e, também, estabelece uma conexão mais profunda com o público. 

“Aqui no Brasil, essa é uma tendência que começou a acelerar. Não é novidade, mas tem sido muito mais aproveitada recentemente”

Jaime Troiano 

A prática de renomear espaços públicos com marcas corporativas é um dos caminhos usados com sucesso. Um exemplo é a Estação Higienópolis-Mackenzie, da Linha 4 do Metrô, em São Paulo, que agrega o nome de um dos bairros servidos pelo modal e a faculdade que tem sede na região.  A Linha Vermelha do metrô paulistano, por sua vez, tem uma estação denominada Carrão Assaí Atacadista, que agrega o nome da popular rede de atacarejo. Para Jaime é evidente o ganho mútuo para as instituições e o público: 

“Não há dúvida de que essa nova identidade beneficia todos”

Jaime Troiano

Cecília rememora experiências nos Estados Unidos, onde a associação de estádios e arenas a marcas é uma prática comum e lucrativa, sugerindo uma crescente adoção dessa estratégia no Brasil. Um exemplo de sucesso por aqui é o Allianz Parque, arena do Palmeiras que ganhou esse nome ainda quando estava em construção pela WTorres. Um negócio de cerca de R$ 300 milhões por um período de 20 anos, assinado pela empresa alemã de seguros que já explorava essa estratégia em outras partes do mundo. 

O mais recente caso de naming rigths do futebol brasileiro foi o negócio fechado entre o São Paulo e a Mondelez, detentora da marca Bis. O tradicional estádio do bairro do Morumbi teve seu nome adaptado para MorumBis, fruto de contrato que renderá ao clube R$ 75 milhões por três anos, devendo ser renovado ainda antes do seu prazo final. 

O desafio das empresas que fazem o investimento para conectar suas marcas a uma arena esportiva é levar a opinião pública a adotar esse nome. Veja o exemplo da Arena do Corinthians, conhecida popularmente como Itaquerão, em referência ao nome do bairro em que foi construído. Apesar de ter sido entregue para a Copa do Mundo do Brasil somente há pouco mais de três anos fechou contrato de naming rights e foi rebatizado Neo Quimica Arena. O laboratório farmacêutico teria pago de R$ 300 milhões a R$ 350 milhões por 20 anos de contrato. Os meios de comunicação desde o início adotaram o novo nome. Quanto tempo será necessário para que o apelido Itaquerão caia no ostracismo?

Estratégia ainda mais apurada terá de ser a do Mercado Livre que pagará R$ 1 bilhão para explorar, por 30 anos, o nome do estádio do Pacaembu, um dos mais tradicionais do futebol brasileiro. O nome oficial será Mercado Livre Arena. Haverá necessidade de ações de marketing agressivas para que, especialmente os paulistanos, deixem de chamar o estádio que será reinaugurado em breve de Pacaembu.

“Então, eu diria o seguinte: como profissionais de branding, naming rights é um caminho muito promissor. É bem-vindo ao mercado! Mas não é só estampar a marca. Também tem de ter gestão.  Também tem que saber construir a marca”

Cecília Russo

A marca do Sua Marca

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso sinaliza três pontos cruciais na adoção dos direitos de nomeação: a importância da conexão da marca com a cidade e o espaço onde ela se insere; a necessidade de uma gestão cuidadosa e estratégica da marca; e, por fim, a observação de que estamos apenas no início de uma tendência que promete remodelar o panorama do branding e marketing nos próximos anos.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

Não perca a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos sobre as últimas tendências em branding e marketing. “O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN, com a apresentação de Jaime Troiano e Cecília Russo. Acompanhe esses e outros temas relevantes para manter sua marca sempre à frente no mercado.

Mundo Corporativo: Eduardo Carvalho, da Equinix, prevê mudanças na forma de liderar na Era da Inteligência Artificial

Bastidores da gravação do Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti

“A liderança hoje se faz pela influência, não pelo poder.” 

Eduardo Carvalho, Equinix

O papel dos líderes se destaca por sua profundidade e relevância, nesta era dominada pela tecnologia. Está é uma das reflexões de Eduardo Carvalho, presidente da Equinix para a América Latina, entrevistado no programa Mundo Corporativo, da CBN. Ele compartilha reflexões sobre como a inteligência artificial e o desenvolvimento digital estão remodelando o mundo e as relações, transformando a essência da liderança.

Eduardo Carvalho ilumina o cenário atual dos negócios, onde os data centers e a interconexão desempenham papéis cruciais. Ele destaca a importância da hospedagem dos principais players do mercado pela Equinix, a maior empresa global do setor: 

“Tudo que está no seu celular, todos os aplicativos, eles rodam, direta ou indiretamente, dentro da Equinix”

Esta capacidade tecnológica, segundo ele, tem um impacto direto na experiência do usuário final, colocando em perspectiva a responsabilidade e a influência das decisões empresariais.

O novo papel dos líderes

No coração da discussão, Eduardo enfoca o papel evolutivo dos líderes em um ambiente influenciado pela IA. Com o declínio do poder monocrático, surge uma nova forma de liderança baseada na negociação, colaboração e, acima de tudo, influência. 

“O líder moderno não toma mais decisões isoladamente. As decisões precisam do consenso e da colaboração das diversas áreas da empresa.” 

Essa mudança de paradigma reflete a necessidade de adaptar-se, não apenas às demandas tecnológicas, mas também às humanas, promovendo um ambiente onde o capital humano e a tecnologia coexistam harmoniosamente.

Inteligência Artificial e Liderança

A influência da IA na liderança é um tema central na visão do CEO da Equinix. Ele argumenta que a inteligência artificial oferece uma base de dados e análises profundas que podem auxiliar os líderes em suas decisões. 

“A inteligência artificial tem uma colaboração fundamental em tornar os processos mais eficientes e em fornecer insights que anteriormente poderiam não ser evidentes.” 

No entanto, Carvalho enfatiza que a IA não substitui a necessidade de uma liderança humana empática, intuitiva e adaptável. Pelo contrário, ela serve como um complemento que potencializa a capacidade de liderar com mais informação e precisão.

A importância da requalificação

Outro ponto crítico abordado por Eduardo Carvalho é a requalificação dos colaboradores em face das mudanças tecnológicas. Ele destaca a importância de preparar as equipes para trabalhar com novas ferramentas e processos, um desafio que os líderes devem enfrentar. 

“A requalificação é essencial não apenas para a eficiência operacional, mas também para a satisfação e o engajamento dos colaboradores.” 

Essa perspectiva sublinha a visão de Eduardo de que os líderes devem ser facilitadores da adaptação e do crescimento, tanto tecnológico quanto pessoal.

“A inteligência artificial tem uma colaboração fundamental, mas o futuro é híbrido e diverso.”

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quintas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e também fica disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Esta entrevista com Eduardo Carvalho não apenas ilumina o caminho para o futuro dos negócios digitais e a importância do capital humano nesse processo, mas também reitera a necessidade de uma liderança que abrace a diversidade, a inclusão e a inovação. À medida que o mundo corporativo continua a evoluir, as palavras de Eduardo servem como um lembrete da força que reside na combinação da tecnologia com uma gestão humana e inovadora.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o grande impacto dos pequenos gestos

Foto de Kampus Production

“… qualquer contato do consumidor com uma marca é um momento em que ela se prova de um jeito ou de outro, a favor ou contra.”

Cecília Russo

“O diabo mora nos detalhes” é ditado antigo e pertinente, que existe para nos alertar que é naquelas coisas que parecem ser simples que tendemos a falhar. E se falhas em situações que poderiam ser consideradas insignificantes são cruciais, porque não pensar o inverso: é nos detalhes que se leva o cliente ao paraíso (ou quase lá). Foi o que  nos chamaram atenção, com outras palavras, Jaime Troiano e Cecília Russo, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, da CBN.

Cecília alerta para a importância de não se  subestimar o impacto dos pequenos gestos e ações na construção da percepção de uma marca. Lembrou de reunião em que participou com Jaime na sede da Grant Thornton, empresa de auditoria, quando encontrou sobre a mesa e diante de cada um dos convidados, uma garrafa de água personalizada. O rótulo destacava o nome da própria empresa: 

“Claro que teve um investimento, mas ao lado do investimento, mostra o cuidado de uma empresa em receber as pessoas, em atender bem, em passar uma primeira boa impressão”. 

Cecília Russo

Essas interações, por mais triviais que pareçam, podem reforçar a identidade e os valores da marca de maneira significativa. Jaime trouxe para o programa o impacto que uma dessas ações teve com um colega que foi a um laboratório de análises clínicas e saiu encantado com o fato de a filha dele ter ganhado brindes como capas de fantasia e bolinha para brincar. Em outra situação, um amigo se disse fã da Nintendo porque sempre recebeu cartões de felicidades no dia do aniversário dele. Assim como aconteceu com uma parente que ao receber uma entrega da Shopee no dia de seu aniversário ganhou um brigadeiro da marca:

“Fazer um momento da entrega como um ponto de prova para mostrar que você é importante para eles não custa quase nada”.

Jaime Troiano

Os exemplos trazidos à discussão ilustram como iniciativas simples podem gerar uma impressão duradoura e positiva nos consumidores. Esses gestos demonstram cuidado e atenção aos detalhes, criando uma experiência memorável que vai além do produto ou serviço ofertado.

A marca do “Sua Marca”

A lição principal do comentário é que o poder de encantar e fidelizar clientes muitas vezes reside nas pequenas ações, que, embora demandem baixo investimento, têm o potencial de transmitir grandes valores. Marcas de todos os tamanhos podem construir relações sólidas e significativas com seu público ao cultivar esses momentos de prova, reforçando seu compromisso não apenas com a qualidade dos seus produtos ou serviços, mas também com a experiência do consumidor. 

“Todas as marcas, independente do porte, podem pensar em pequenas iniciativas que constroem valor e fidelizam. Como nos ensinou a Sherazade, a das 1001 noites”

Cecília Russo

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo:

Conte Sua História de São Paulo: no centro que era referência dos paulistanos

Alvaro Gullo

Ouvinte da CBN

Do alto da Catedral da Sé Foto: Mílton Jung

Se minha memória não estiver falhando, aos 85 anos, era um prazer muito agradável andar pelo centro de São Paulo. 

O passeio começava na catedral da Praça da Sé com uma caminhada em direção a rua Direita. Passava na confeitaria Vienense e chegava a Praça do Patriarca onde está a igreja de Santo Antonio.

A caminhada seguia pelo Viaduto do Chá para encontrar a loja Mappin, com seu famoso chá da tarde, no topo do prédio, bem em frente ao Teatro Municipal, onde assistíamos o que havia de melhor em espetáculos teatrais.

O percurso costumava seguir pela Barão de Itapetininga tendo como destino a Praça da República com seus lagos e chafarizes. Ficava ali o Instituto de Educação Caetano de Campos, onde estudei desde o jardim da infância, passando pelo primário e o  ginásio.

Do outro lado começavam os inúmeros cinemas. Era a Cinelândia que se estendia pela São João e arredores: Cine República, Marabá, Ipiranga, Ritz, Ópera, Marrocos, Windsor, Metrópole … por eles passamos nossa juventude no cotidiano de um centro da cidade que era referência para todos os paulistanos.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Álvaro Gullo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Rebeca Toyama, da ACI, diz que líder sustentável preserva a saúde da empresa e dos colaboradores

Rebeca Toyama em entrevista ao Mundo Corporativo. Foto: Pricila Gubiotti

“Para ser sustentável, você tem que construir uma carreira saudável.”

Rebeca Toyama, empresária

A necessidade de lideranças sustentáveis e carreiras saudáveis nunca foi tão evidente, considerando que estamos em um mundo onde o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal se torna cada vez mais desafiador. Esta foi a tônica da conversa com Rebeca Toyama, fundadora da ACI – Academia de Competência Integrativa e autora do livro “Carreira Saudável: a realização de se tornar um líder sustentável”, no programa Mundo Corporativo da CBN. A especialista trouxe à tona uma reflexão profunda sobre como as lideranças podem cultivar um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo, sem perder de vista o bem-estar e a autenticidade.

Cuidado para não ser um líder carrasco

“O líder tem que estar bem consigo mesmo para transbordar sustentabilidade e gerar resultados”

Rebeca destacou a importância de uma liderança que se preocupa não apenas com os resultados empresariais, mas também com o bem-estar da equipe e o próprio equilíbrio. Ela argumenta que muitos líderes acabam se esquecendo de si mesmos no processo, tornando-se “líderes carrascos” que prejudicam tanto a si quanto aos que os cercam.

A empresária ressaltou a necessidade de desmistificar a ideia de que sustentabilidade se refere apenas à consciência ambiental, apontando que “ninguém doente ou cansado vai conseguir pensar na equipe ou no meio ambiente”. Para ela, a sustentabilidade deve partir de dentro, baseada em autenticidade e bem-estar.

O desafio das carreiras saudáveis

A CEO da ACI chamou atenção para os alarmantes indicadores de burnout e suicídio, tanto dentro quanto fora do ambiente corporativo, evidenciando a urgência de repensar a carreira como uma fonte de bem-estar e não de estresse. 

“A carreira tem que ser saudável, senão os resultados não vão valer a pena”, enfatizou”

Para Rebeca é necessário mudar as práticas corporativas, onde o foco excessivo em produtividade muitas vezes esquece o elemento humano essencial para qualquer processo.

Rebeca Toyama, com sua visão inovadora e humanizada, trouxe luz a um tema crítico na atualidade corporativa, reforçando a necessidade de uma liderança que valorize o equilíbrio e a saúde não apenas da organização, mas também das pessoas que a compõem. A busca por uma carreira saudável e uma liderança sustentável emerge não apenas como um diferencial competitivo, mas como um imperativo para o bem-estar coletivo no mundo corporativo.

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O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quintas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e também fica disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: como fica o cliente diante da fusão que remodela o mercado da moda brasileira

Foto de cottonbro studio

“A ambição que está por trás (dessa fusão) é garantir no fundo perenidade e geração sustentável de valor do negócio”

Cecília Russo

Em um movimento sem precedentes no mercado da moda brasileira, a fusão entre os grupos Arezzo Co. e Soma promete redefinir o panorama nacional, unindo mais de 30 marcas sob um único “guarda-chuva”. Este evento foi o centro das atenções no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Jornal da CBN. A união destas gigantes não apenas sinaliza um novo capítulo para o setor, mas também levanta questões importantes sobre o futuro do branding, da perenidade dos negócios e, mais crucialmente, do impacto sobre o consumidor.

Cecília Russo destaca a magnitude deste acordo, citando a expectativa de que as receitas brutas da fusão vão ultrapassar ou chegar perto de 12 bilhões de reais: 

“Uma das falas dos líderes, o Alexandre Birmann, diz o seguinte: “nós tivemos diversas marcas e sempre crescemos, com a soma não será diferente”. As possibilidades de crescimento são ainda maiores”

A discussão levantada pelos comentaristas não se limita ao crescimento e às sinergias operacionais esperadas dessa fusão. Ela se aprofunda nas implicações para o consumidor, seja em termos de diversidade de escolha, qualidade dos produtos ou mesmo identidade das marcas envolvidas. 

Jaime Troiano expressou a preocupação pela ausência de falas sobre como ficará o cliente diante desta fusão. E foi buscar nas redes sociais a reação do público que variou desde o otimismo com a capacidade da união em “levar a moda brasileira para o mundo”, até preocupações sobre a perda de identidade das marcas e os possíveis impactos negativos de um mercado menos competitivo: 

“No fundo, fala-se muito de marcas serem ‘consumer centric’, que o consumidor tem de estar no centro dos planos de uma empresa; ou seja, guiadas por ele. Mas na hora de falar de um mega negócio que tem esse valor a partir da relação construída, fala-se muito pouco do consumidor”

Cecília Russo, por sua vez, enfatiza a importância de manter o consumidor no centro dessas transformações, argumentando que “só constrói marca forte quem entende de gente”. O que nos remete a ideia de que há a necessidade de uma abordagem mais humana e centrada no cliente em meio às estratégias corporativas.

A marca do Sua Marca

A essência desse comentário reside na importância de colocar o consumidor no centro das decisões empresariais, especialmente em meio a fusões e aquisições que têm o potencial de alterar drasticamente o mercado. A transparência, a comunicação eficaz e a manutenção da essência de cada marca sob a nova estrutura corporativa são cruciais para mitigar as preocupações e especulações dos consumidores.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo, que trazem análises profundas e debates sobre os mais recentes fatos no mundo do branding e do marketing. A sonorização é do Paschoal Júnior:

Conte Sua História de São Paulo: Belenzinho, o bairro que não cabia no letreiro do ônibus

Júlio Araujo

Ouvinte da CBN

Bairro do Belenzinho em foto da Wikipedia

Belenzinho ou Belém? Onde começa um e termina o outro? Faço a confusão  geográfica desses bairros tal como ainda fico confuso  com a localização do  Bixiga e da Bela Vista. 

Embora ainda persista em mim  a dúvida geográfica, pesquisei a origem do bairro e encontrei a definição curiosa no livro Bairros Paulistanos de A a Z de Levino Ponciano: 

“1899 – Belenzinho-Belém: O bonde 24 que servia a toda a região trazia estampado somente Belém e não Belenzinho. Esse uso caiu no agrado do povo: virou mais um distrito da capital e o Belenzinho ficou sendo um pequeno bairro”  (Livro Bairros Paulistanos de A a Z – Levino Ponciano – Editora Senac – São Paulo)

Com efeito, Belém era Belenzinho que detinha a condição de titularidade distrital. Hoje, Belenzinho pertence ao distrito do Belém, assim como a Vila Maria Zélia, o Catumbi e a Quarta Parada.

Um local  do bairro que sempre temi quando moleque, e toda a molecada do meu tempo também temia, era o Juizado de Menores, na Celso Garcia. Os adultos quando nos repreendiam diziam que nos mandariam para lá. O prédio abrigou também a Febem e, posteriormente, deu lugar à Fábrica de Cultura Parque Belém.

Do bairro trago recordações de quem passeava e trabalhou nele.  

Minha primeira lembrança de estar em solo belenense, ainda criança,  foi quando  visitávamos a casa de avós paternos, em Sapopemba. A impressão foi que o Belenzinho era chique para quem estava num bairro distante do centro. Lembro do  meu avô com sua malinha na mão, onde guardava a marmita, esperando a sua condução. 

Mais tarde, já adolescente, fui trabalhar no bairro no escritório de  uma empresa de ferro e aço na Rua Júlio de Castilhos. Foi no ano de 1966. Meu trabalho seria no escritório mas na prática eu embalava rolos de fios de cobre o dia inteiro e fazia o controle do estoque. Era divertido. 

Não muito longe da firma, no Largo do Belém, no horário de almoço, eu gostava de estar por lá e me juntava aos engraxates buscando me enturmar. Muitos jovens, na maioria de famílias abastadas, que só estudavam, se reuniam para tocar e cantar músicas daquele tempo. Eu adorava. OI patrão não gostava muito dos atrasos constantes e tive de sair da empresa, fui convidado a sair.  

Continuei frequentando o bairro. No carnaval era montado um enorme tablado no Largo com apresentações de cordões e escolas de samba. O patrocinador era uma loja de departamentos de nome Sangia, famosa por promover shows artísticos. Roberto Carlos esteve muitas vezes presente nesses shows. 

Lembrança também tenho do Salão de Forró do Pedro Sertanejo, compositor, cantor, e dono de gravadora, a Cantagalo. Ele também foi o descobridor do famoso sanfoneiro Dominguinhos. O salão ficava na  Catumbí, e foi, por sinal, o pioneiro do forró, em São Paulo. Eu com amigos íamos mais para tirar uma onda e como paulistanos achávamos graça do ritmo e da dança, desconhecidos até então. Mal sabíamos que seriam eternizados e amados pelos paulistas e em todo o Brasil  a ponto  de receber uma variação paulistana sob o nome  de Forro Universitário.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Júlio Araújo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Esse texto do Julio foi adaptado para você ouvir aqui no rádio. Escreva o seu e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br  ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Marcela Argollo prega a liderança regenerativa para transformar as organizações 

Marcela Argollo em entrevista ao Mundo Corporativo

“O modelo de negócio do futuro não é sobre lucro, é sobre propósito. Então, a partir do momento que você tem um propósito muito claro o lucro vem por consequência”.

Marcela Argollo, mentora

A figura do líder regenerativo emerge como uma força catalisadora para mudanças profundas e sustentáveis dentro das organizações. Este conceito, explorado por Marcela Argollo, professora e mentora de cultura generativa, destaca-se como um elemento crucial para o desenvolvimento de negócios que não apenas prosperam, mas também contribuem positivamente para a sociedade e o meio ambiente. 

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, Marcela discutiu a importância de recriar a cultura empresarial com base em valores éticos e morais, apontando para o seu método “Alinhar-se” como um caminho inovador para alcançar a liderança regenerativa.

“Para que a gente possa criar e gerar um novo modelo de negócio, precisamos primeiro regenerar, renascer a nossa cultura e o nosso ser com mais ética, moral e conformidade”. 

Marcela enfatiza a necessidade de uma tomada de decisão empresarial holística e sistêmica, voltada para o bem-estar do todo, desafiando a tradicional abordagem de comando e controle em favor de uma governança que valoriza a congruência com princípios organizacionais e a expansão da consciência.

Autora do livro “A arte do equilíbrio – alinhar-se é o melhor caminho para a Liderança Regenerativa”, Marcela ressalta a transformação do conceito de compliance de um enfoque regulatório para um foco nas pessoas, propondo a educação corporativa como a chave para desenvolver indivíduos éticos e conscientes. 

“Compliance não é regulatório; compliance é sobre pessoas”

O autoconhecimento na busca do equilíbrio interno

Introduzindo o método “Alinhar-se”, Marcela oferece uma estrutura composta por 26 pilares, começando com o autoconhecimento. A professora defende que o equilíbrio interno, alcançado pela harmonia das energias feminina e masculina, reflete-se externamente, permitindo que as organizações atinjam um estado de equilíbrio que favorece a prosperidade e a abundância.  Ela também aborda a importância de enfrentar os “demônios internos”, como o medo de errar, enfatizando a necessidade de experimentação e aceitação do fracasso como parte do processo de inovação.

“Se a gente expande a consciência e a gente eleva, a gente começa a olhar com muito mais profundidade e  clareza o problema, o desafio como um todo, e a gente enxerga as oportunidades dentro de um cenário mais amplo. A partir do momento que a gente tá dentro do caos a gente não consegue enxergar nada”. 

A entrevista destaca o papel essencial da geração mais nova no mercado de trabalho, trazendo uma nova visão e exigindo mudanças nas práticas empresariais para alinhar-se com valores de propósito e sustentabilidade. Argollo conclui com um conselho para aqueles que entram no mercado de trabalho ou empreendem, enfatizando a importância das relações humanas e a adoção gradual de práticas de governança social e ambiental (ESG) para o desenvolvimento sustentável dos negócios.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quintas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e também fica disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: estratégias bem-sucedidas para aproveitar o Carnaval

Foto Pexels

 “Nós sempre dizemos que só constrói marca forte quem entende de gente.  Por isso, entender como se faz a conexão entre Carnaval e marcas, depende essencialmente de compreender o que é essa verdadeira catarse na vida dos consumidores”.

Jaime Troiano

O Carnaval, uma das festividades mais aguardadas e emblemáticas do calendário brasileiro, não apenas celebra a cultura e a alegria inerente ao povo do Brasil, mas também se apresenta como um período estratégico e crucial para o marketing e a identificação de oportunidades pelas marcas. No programa “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, na CBN, o foco se volta para como as marcas podem aproveitar a efervescência do Carnaval para fortalecer sua conexão com o público.

Cecília Russo ressalta a singularidade do Carnaval brasileiro em comparação com outras festas globais, destacando a expectativa do público e a receptividade às marcas que se fazem presentes neste período.

“Carnaval é uma das datas mais esperadas e importantes… um habitat natural para marcas, especialmente as de cerveja, que encontram nesse espaço a perfeita combinação de descontração, alegria e celebração.”

Jaime Troiano, por sua vez, oferece uma perspectiva histórica e cultural, referenciando o sociólogo Roberto da Matta para ilustrar como o Carnaval desafia as normas sociais, permitindo uma liberdade de expressão única.

“Carnaval é o momento de romper os limites…”

Muito além da cerveja

O programa também enfatiza a importância de uma conexão autêntica entre marcas e consumidores durante o Carnaval. Cecília Russo e Jaime Troiano concordam que, além da presença tradicional de marcas de bebidas, categorias como beleza e saúde encontram no Carnaval uma oportunidade para atender às necessidades específicas dos consumidores, como maquiagem e cuidados para quem exagera na festa. 

Uma estratégia bem-sucedida no Carnaval, segundo os apresentadores, depende do entendimento profundo do que representa essa festa para o público e de como as marcas podem genuinamente agregar valor a essa experiência. A recomendação de Cecília é clara: 

“Descubra se há uma autêntica conexão entre a necessidade que o consumidor tem nessa época e se a sua marca pode de fato atender”

A marca do Sua Marca 

Como em qualquer outro período do ano, não permita que sua marca seja uma  oportunista. Para ela entrar, na avenida ou na folia do Carnaval descubra se há uma autêntica conexão entre alguma necessidade que o consumidor tenha nessa época e ela possa atender. 

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.