Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: estratégias bem-sucedidas para aproveitar o Carnaval

Foto Pexels

 “Nós sempre dizemos que só constrói marca forte quem entende de gente.  Por isso, entender como se faz a conexão entre Carnaval e marcas, depende essencialmente de compreender o que é essa verdadeira catarse na vida dos consumidores”.

Jaime Troiano

O Carnaval, uma das festividades mais aguardadas e emblemáticas do calendário brasileiro, não apenas celebra a cultura e a alegria inerente ao povo do Brasil, mas também se apresenta como um período estratégico e crucial para o marketing e a identificação de oportunidades pelas marcas. No programa “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, na CBN, o foco se volta para como as marcas podem aproveitar a efervescência do Carnaval para fortalecer sua conexão com o público.

Cecília Russo ressalta a singularidade do Carnaval brasileiro em comparação com outras festas globais, destacando a expectativa do público e a receptividade às marcas que se fazem presentes neste período.

“Carnaval é uma das datas mais esperadas e importantes… um habitat natural para marcas, especialmente as de cerveja, que encontram nesse espaço a perfeita combinação de descontração, alegria e celebração.”

Jaime Troiano, por sua vez, oferece uma perspectiva histórica e cultural, referenciando o sociólogo Roberto da Matta para ilustrar como o Carnaval desafia as normas sociais, permitindo uma liberdade de expressão única.

“Carnaval é o momento de romper os limites…”

Muito além da cerveja

O programa também enfatiza a importância de uma conexão autêntica entre marcas e consumidores durante o Carnaval. Cecília Russo e Jaime Troiano concordam que, além da presença tradicional de marcas de bebidas, categorias como beleza e saúde encontram no Carnaval uma oportunidade para atender às necessidades específicas dos consumidores, como maquiagem e cuidados para quem exagera na festa. 

Uma estratégia bem-sucedida no Carnaval, segundo os apresentadores, depende do entendimento profundo do que representa essa festa para o público e de como as marcas podem genuinamente agregar valor a essa experiência. A recomendação de Cecília é clara: 

“Descubra se há uma autêntica conexão entre a necessidade que o consumidor tem nessa época e se a sua marca pode de fato atender”

A marca do Sua Marca 

Como em qualquer outro período do ano, não permita que sua marca seja uma  oportunista. Para ela entrar, na avenida ou na folia do Carnaval descubra se há uma autêntica conexão entre alguma necessidade que o consumidor tenha nessa época e ela possa atender. 

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. 

Conte Sua História de São Paulo: dos sabiás aos antigos vizinhos, minhas lembranças do Jardim Hípico

Mário Curcio

Ouvinte da CBN

O sabiá que canta no Jardim Hípico em foto do portal Pensamento Verde

Estou de volta ao Jardim Hípico, uma pequena vila residencial encaixada entre a Granja Julieta e o Clube Hípico de Santo Amaro. Retornei para a casa de meus pais 20 anos após ter saído daqui para casar e construir uma família.

Fui obrigado a vir sozinho para cuidar de meu pai, hoje dependente de ajuda por sua dificuldade de caminhar e de enxergar. Minha mãe também é viva, mas mora numa casa de repouso por causa do Alzheimer.

Nasci aqui há 54 anos e foi no Jardim Hípico que fiz meus primeiros amigos, que aprendi a andar de bicicleta, que cresci e virei gente. Nossa casa fica na antiga Visconde de Ouro Preto, rebatizada há 30 anos como Vito Rolim de Freitas.

A vila é muito arborizada e cheia de pássaros. Sabiás, bem-te-vis, andorinhas e pardais são os mais comuns. Todas as manhãs, a gente também vê por aqui uma grande família de saguis
passeando pelos fios.

Vez ou outra aparecem saruês, que vêm do clube ou do Parque Severo Gomes. Eles se assemelham a ratões, mas têm o focinho e a cauda sem pelos e um jeito desengonçado de caminhar. São mais ágeis nas árvores do que no chão.

Dos vizinhos antigos, só a dona Ondina e a filha Cláudia continuam por aqui. Os outros já partiram dessa para uma melhor, como a dona Úrsula, a dona Suzana, dona Anita e o marido Antônio, um habilidoso ferreiro que trabalhou no clube.

Dos meus velhos amigos permanecem o José Carlos e o Arizão. O Zé é filho de um imigrante austríaco que veio para o Brasil após a Segunda Guerra. E os pais do Ari nasceram em Itapecerica da Serra.

Os meus se conheceram na cidade paulista de Rio Claro, casaram e se mudaram para Santo Amaro na metade dos anos 1950. 

É difícil não criar raízes por aqui. 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Mário Curcio é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Gustavo Ferraz e Daniel Mesquista. Conheça outras histórias contadas pelo Mário que estão publicadas no meu blog miltonjung.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, assine, de graça, o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Mundo Corporativo: Joildo Santos, da Cria Brasil, revela o potencial das favelas

Joildo Santos grava o Mundo Corporativo. Foto de Priscila Gubiotti

“Quando a gente investe em desenvolver as favelas a gente está investindo na na sociedade inteira, não é só uma questão de marketing ou de publicidade para a empresa que está envolvida”

Joildo Santos, Cria Brasil

O potencial econômico das favelas e periferias do Brasil, estimado em cerca de 200 bilhões de reais e envolvendo aproximadamente 20 milhões de pessoas, representa uma fonte significativa de oportunidades empreendedoras e de consumo. Esta revelação é de Joildo Santos, CEO da Cria Brasil, agência de comunicação dedicada às periferias. 

O Consumo Diversificado nas Favelas

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Joildo destacou o papel fundamental das comunidades na economia. Ele ressaltou que, apesar dos estereótipos, os moradores das favelas consomem uma vasta gama de produtos, desafiando a visão limitada que muitas vezes é projetada sobre eles. “As pessoas consomem de tudo”, afirmou, indicando a diversidade de necessidades e interesses presentes nestas áreas.

“Só com a convivência é que a gente vai diminuir as distâncias. Eu não posso querer mudar a vida das favelas só com as favelas, só com as lideranças que estão ali. Eu preciso que a sociedade como um todo se envolva com isso. Eu preciso que os empresários vejam o potencial econômico ali; que o poder público faça intervenções que possam ajudar a população”

A trajetória da Cria Brasil, iniciada com a publicação do jornal “Espaço do Povo”, em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, em 2007, ilustra um esforço contínuo para redefinir a narrativa em torno das favelas, promovendo uma imagem mais complexa e positiva que vai além das questões de violência e calamidade frequentemente associadas a esses locais. A agência se desenvolveu ao longo dos anos, expandindo suas operações para além da comunicação comunitária, englobando a produção de conteúdo e a prestação de serviços para clientes dentro e fora das favelas. Esta evolução culminou na mudança de nome para Cria Brasil em 2020, refletindo uma visão ampliada de seu papel e alcance.

Exemplos de Empreendedorismo Transformador

Joildo criticou a representação estereotipada das favelas na mídia e na publicidade, argumentando que tais imagens não capturam a rica diversidade e o dinamismo dessas comunidades. Ele citou exemplos de inovação e empreendedorismo que surgiram das favelas, como a Favela Brasil Express, uma iniciativa de logística de última milha criada em Paraisópolis para melhorar o acesso dos moradores ao e-commerce. “Isso leva a renda para o entregador que conhece o território e também traz cidadania”, explicou, destacando o impacto positivo dessas iniciativas na vida cotidiana dos moradores das favelas.

Além de discutir os desafios enfrentados na ampliação de suas operações e na luta contra preconceitos, Joildo abordou a importância de ações sociais bem planejadas e sustentáveis pelas empresas, criticando as abordagens superficiais que buscam mais benefícios de imagem do que impactos reais nas comunidades. Ele também compartilhou ideias sobre o engajamento da Cria Brasil em projetos específicos, como a produção de conteúdo para grandes empresas, e enfatizou a necessidade de colaboração entre as favelas, o setor privado e o governo para promover mudanças sociais significativas.

A entrevista de Joildo Santos ao Mundo Corporativo oferece uma perspectiva valiosa sobre o potencial inexplorado das favelas e periferias do Brasil, desafiando as narrativas convencionais e destacando o papel crucial dessas comunidades na inovação, no empreendedorismo e no desenvolvimento econômico.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo, e em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Letícia Valente, Débora Gonçalves e Rafael Furugen. 

Mundo Corporativo: Sérgio Zimerman, da Petz, revela as transformações e o futuro do mercado pet no Brasil

Séregio Zimerman em entrevista ao Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti

“Se alguém acha que isso é uma onda, está absolutamente equivocado. Isso aqui, na verdade, é o início de uma grande mudança em como tratar o pet”

Sérgio Zimerman, PETZ

O mercado pet no Brasil é um universo em constante expansão, representando um dos cinco maiores do mundo. E o que explica esse poder é o amor que os brasileiros têm pelos animais de estimação, na opinião de Sérgio Zimerman, CEO e fundador da Petz. À frente da maior rede de lojas do setor no país, ele destacou ainda a tendência crescente da humanização desses animais, que hoje são vistos como membros da família.

Em entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN, Sérgio Zimerman compartilhou sua jornada de empresário e falou da importância de se adaptar às mudanças do mercado e às necessidades dos consumidores. Ao refletir sobre a evolução do setor nos últimos 20 anos, Sérgio lembra que as pessoas passaram a entender que o cachorro não era mais o animal para ficar no quintal latindo e espantando as pessoas que se atrevessem a chegar perto. Os pets começaram a frequentar outras dependências da casa e estão na cama do quarto. 

“As crianças que nasceram nos últimos 10, 20 anos são crianças que estão vendo a naturalidade do pet indo para o restaurante, indo para o hotel, sendo tratado com todos os cuidados veterinários e cuidados de higiene. Essas crianças vão casar, vão ter filhos e, seguramente, essa memória afetiva vai retroalimentar esse movimento da humanização do pet”. 

O empresário lembra da primeira experiência profissional quando teve um fusca roubado e com o cheque do seguro decidiu comprar uma fantasia de palhaço para ele e para a namorada. Foi quando começou a trabalhar com animador de festas infantis. Depois do personagem divertido se aventurou nas barraquinhas de cachorro quente, pipoca e algodão doce, trabalhou em uma adega e no setor de atacado de alimentos e perfumaria. Foi, então, que teve o “privilégio de falir”:

“Eu digo o privilégio no sentido do aprendizado. É privilégio porque eu escolhi que fosse um privilégio ver aquele insucesso se transformado numa fonte de aprendizado, numa fonte de reflexões para que no próximo negócio eu pudesse usar. E esse próximo negócio veio ,foi justamente o mercado pet”.

Hoje, a Rede Petz tem cerca de 250 lojas no Brasil e 40% das suas vendas são online, modelo que cresceu de forma exponencial durante a pandemia e segue se expandindo. O mercado de produtos para cachorros ainda é o maior, porém o de gatos tem se destacado de forma considerável, constatou Sérgio Zimerman. 

Dentre os pontos cruciais para o sucesso da rede de lojas, o empresário fala da importância de se saber contratar profissionais de qualidade:

“Um dos grandes aprendizados de vida empresarial que eu tive foi que para crescer e tornar o que a Petz ficou, eu precisei ter a clareza de contratar gente muito melhor que eu,”

Falando sobre a evolução do negócio, Sérgio comenta sobre a necessidade de adaptar-se às demandas do consumidor. Ele observa que a indústria pet tem evoluído com alimentos de melhor qualidade, refletindo o cuidado dos tutores com a longevidade e a saúde de seus animais. 

“Hoje, os pets vivem notoriamente melhor e mais”

Sobre o desafio de gerenciar diferentes aspectos do negócio pet, Zimmerman destaca a importância de ter uma equipe competente e diversificada

“Eu tive algum mérito nessa história [foi] saber contratar pessoas que flagrantemente eram melhores do que eu no que se propunham a fazer,” explica ele.

A entrevista também aborda os desafios enfrentados pelo setor pet e pelo varejo em geral, incluindo questões tributárias e a concorrência com plataformas internacionais. Sérgio destaca a importância de políticas que apoiem empresas locais, em vez de favorecerem importações que não geram empregos ou impostos no Brasil.

Finalizando, o empresário oferece um conselho valioso para aspirantes a empreendedores no setor pet: 

“Se você pensar em ter um negócio, primeiro responda a seguinte pergunta: por que eu, como consumidor, compraria no seu comércio ou no nosso prestador de serviço? Se você não conseguir dar uma boa resposta para isso, não gaste o seu dinheiro.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, todas às quartas-feiras, às 11 horas da manhã, no canal da CBN no You Tube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, domingo, às dez noite, em horário alternativo, e está disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen. 

Conte Sua História de São Paulo: diálogos que nascem no Trianon e passeiam pela Paulista

Wagner Nobrega Gimenez

Ouvinte da CBN

Foto do perfil no Instagram de @poemesenmachine

Tarde de domingo. Caminho sozinho. Faz muito frio. 

Vou até um evento do ‘Poèmes en Machine’ no Trianon. As conversas dos passantes com os artistas geram poemas datilografados na hora. “Não somos capitalistas. Escrevemos e não cobramos!”, falam com orgulho os poetas. 

Ouço a senhora nordestina: “Nossa, nunca ninguém fez uma poesia para mim. O que eu fazia antes de me aposentar? Era costureira em uma fábrica de guarda-chuvas, lá na Penha, onde moro.” 

Saio do parque. Na Paulista, por acaso cruzo com um gaúcho conhecido. Muito alto, com cara de alemão. Está com uma garota. Baixa. Ele fala, gesticula, enquanto anda. Não consigo ouvir o que  diz. 

Na banquinha, peço bolo de bacalhau e um suco. O recolhedor de latas reclama com o outro, seu concorrente: “Vamos combinar: eu não atrapalho a sua vida e você não se mete comigo, tá bom?” 

Um rapaz, nervoso, para o outro: “agora acabou tudo, ela está grávida.” 

Sigo. As garotas lésbicas em grupo alertam: “atenção, gente, vamos tirar uma self nossa!” 

O rapaz moreno, alto, no megafone sobre o palanque de sindicato: ”… então, a solução agora é a convocação de novas eleições para Presidente. Temos aqui um abaixo-assinado…”.

Pessoas estão paradas ouvindo uma banda tocar “Light My Fire”. É da década de 1960. Recordo meus 13 anos quando namorava com a Veridiana. Uma vez, no cine Universo nos beijamos. Qual era mesmo o filme? Não lembro mais. 

O som agora é outro:  “Camon baby light my fire…”.

Cruzo a avenida. Ouço ciclistas, skatistas, caminhantes, passantes, casais hetero e homo, crianças encapotadas, passeadores com cachorros, pessoas das mais variadas. A Paulista é uma festa urbana! Mas está na hora voltar. E é o som do metrô que me acompanha até em casa, no Belenzinho.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Wagner Nobrega Gimenez é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Esta história é inspirada no texto que ele enviou para contesuahistoria@cbn.com.br . A sonorização é do Daniel Mesquita. Venha participar você também e ouça outros capítulos da nossa cidade no meu blog miltonjung.com.br ou no podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o que se aprende diante da cancela de trem

“Nas estradas de ferro do interior, havia sempre um aviso antes de cruzar os trilhos: pare, olhe, escute” 

Cecília Russo

A construção de uma marca não é apenas uma questão de criatividade ou sorte; ela envolve uma série de estratégias e práticas fundamentais. Os ensinamentos para que a empresa, o produto ou o serviço que essa marca representa trilhem um caminho de sucesso podem ser encontrados em diversos lugares. Até mesmo diante da cancela de um trilho de trem, como destacaram Jaime Troiano e Cecília Russo, no comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, da CBN.

Jaime e Cecília se inspiraram nos três alertas que estão na placa de segurança que costuma fazer parte deste cenário: pare, olhe e escute. São três atitudes essenciais, baseadas em palavras simples que ajudam no processo de construção e ajuste de marca eficaz.  

“Vamos lembrar que pare, olhe, escute é sempre o verbo conjugado no imperativo. Tem o sentido assertivo de algo a fazer”.

Jaime Troiano


Os três sinais de alerta

O “pare” representa uma atitude de cautela e reflexão. Nessa fase, é crucial evitar julgamentos precipitados e estar aberto a novas ideias, uma prática especialmente valiosa para marcas em fase inicial. Este momento de pausa permite absorver informações, sem a interferência do orgulho ou preconceitos.

A segunda fase, “olhe”, é descrita como um período de observação e análise. Aqui, a marca deve absorver as impressões recebidas anteriormente e começar a formar uma visão analítica. Esta etapa envolve olhar tanto para o mundo externo quanto para o interno da marca, garantindo que as estratégias façam sentido para ambos os lados. Esta fase ativa no processo de branding é crucial para construir os alicerces da marca.

Por fim, “escute” é a etapa onde as reações e feedbacks do público são recebidos. Troiano enfatiza a importância da humildade e atenção nesta fase, pois as reações negativas podem ser desafiadoras, mas são essenciais para o refinamento da marca. A eficácia das fases anteriores de “parar” e “olhar” se reflete aqui, pois uma abordagem dedicada e honesta tende a minimizar reações adversas.

“Uma regra é sempre verdadeira: as reações serão menos negativas na fase do escute quanto mais você tiver sido dedicado e honesto consigo mesmo no pare e olhe”.

Jaime Troiano

Além dessas estratégias, é importante reconhecer que, mesmo seguindo essas etapas cuidadosamente, o sucesso não é garantido. No mundo dinâmico do branding, a agilidade e a capacidade de adaptação são fundamentais. 

“Mesmo com todos esses cuidados, não existe segurança total nesses  processos de branding. Tem sempre um trem passando sobre o Pica-Pau – lembra dos desenhos animados?”

Cecília Russo

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

Jaime Troiano e Cecília Russo, com sua experiência no campo do branding, oferecem uma perspectiva prática e realista, essencial para qualquer pessoa envolvida na criação ou gestão de marcas. A aplicação dessas estratégias pode ser a chave para cruzar a linha do trem do mercado com segurança e sucesso. O comentário vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A sonorização é do Paschoal Júnior:

Conte Sua História de São Paulo: o reencontro com Ramos de Azevedo

Percival Tirapeli

Ouvinte da CBN

Inauguração do Monumento a Ramos de Azevedo, em 1934. Foto: Wikipedia

Os monumentos de São Paulo sempre me fascinaram. Em especial aqueles do Vale do Anhangabau. A primeira vez que passei por baixo do Viaduto do Chá foi ainda em 1958. Tinha apenas seis anos de idade. Seguia em romaria para Aparecida em um pau de arara. Da rodovia Anhanguera para a Dutra, os carros passavam pelo Vale, não havia as marginais. De um lado o Edifício Matarazzo e do outro as imensas palmeiras imperiais emoldurando o grandioso Theatro Municipal. Pouco adiante, o edifício altíssimo, o prédio Martinelli. Tudo era novidade para um menino do interior. Era a Pauliceia Desvairada de Mário de Andrade.

Seguimos para os lados da Estação da Luz, na avenida Tiradentes. Uma garoa tornava aquele edifício uma paisagem inglesa. Em frente à Pinacoteca estava o monumento em homenagem a Ramos de Azevedo. A movimentação de trens e carros era uma surpresa para mim. Um casal, muito bem-vestido, a dama com luvas, chapéu, sequer olhou para nós. Da avenida Tiradentes, recordo as grandiosas tamareiras.

Mudei para a São Paulo em janeiro de 1970. Na então Praça Roosevelt, que seria inaugurada no aniversário da capital, meus irmãos e eu fizemos nossa primeira refeição: compramos um bolo Pullman, aquele que tinha faquinha de plástico. Era o que nosso dinheiro dava para comprar.

Logo fui trabalhar como desenhista em um escritório na esquina da São João com Ipiranga. Da janela podia observar as manifestações contra a ditadura militar. Eu, para colaborar, jogava rolhas no asfalto só para ver os cavalos e militares caírem.

Fui estudar no prédio da Pinacoteca; mal sabia que depois lá atuaria por 10 anos no Educativo. Continuando os estudos, cursei a Universidade de São Paulo.

Para minha surpresa, lá estava o monumento a Ramos de Azevedo, na Cidade Universitária, aquele que eu tanto via 20 anos antes.

Decidi então pesquisar os monumentos de São Paulo e escrevi um livro sobre eles. Vieram à minha mente aqueles do Vale do Anhangabau, iluminados naquela noite das manifestações das Diretas Já, em 1984.

O Anhangabau se transformava. Antes pagava-se pedágio para passar pela propriedade do Barão de Itapetininga para se locomover do centro antigo para o novo, onde estava a Praça dos Touros, atual República. Depois, uma estrutura de ferro que passava sobre as casas das chácaras onde se plantava o chá. Em seguida veio o elegante Viaduto do Chá dando acesso ao Theatro Municipal e à loja Mappin.

O parque do Vale, desenhado pelo famoso urbanista francês Joseh Bouvard, ia desaparecendo. Fizeram o buraco do Adhemar no cruzamento com a Avenida São João. Depois o grande túnel que já desembocava defronte ao edifício dos Correios. O centro velho teve seus momentos de glória, de recuperação.

No século 21 a grande reforma foi paralisada nos tempos sombrios da Covid-19. Acompanhei a obra por meses, pois naquele período expunha minhas pinturas, sobre os monumentos da cidade, no salão de arte do prédio central dos Correios. Via entristecido que as árvores desapareciam e até esculturas eram roubadas.

Em minha memória ficava o Vale como o centro nervoso da cidade, para onde tudo confluía, como imaginara Prestes Maia. O progresso foi afundando cada vez mais o riacho do Anhangabau e os túneis ocultando de nossas vistas a bela paisagem dos edifícios ecléticos e modernos. Quando foi inaugurado o novo visual do Vale, em 2021, nada restara para comemorar. Apenas concreto e um imenso vazio, enterrando um espaço de tantas memórias.

Ouça aqui o Conte Sua História de São Paulo

Percival Tirapeli é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Daniel Mesquita. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capitulos, visite agora o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo. 

Conte Sua História de São Paulo 470: a revolução das estudantes do Maria Imaculada

Maria Elisabete Fonseca Marun

Ouvinte da CBN

Loja Sears em foto publicado no site Os Anos 50

Eu morava na rua Amâncio de Carvalho, perto do ponto final do ônibus 48, linha Paraíso-Anhangabaú. Estudava no Colégio Maria Imaculada bem perto da Praça Osvaldo Cruz.

É na praça que começa a avenida mais famosa de São Paulo: a Paulista. Alguns saudosos podem contestar porque a Avenida São João também é um local muito admirado pelos paulistanos até em música.

A Osvaldo Cruz era uma linda praça onde havia a escultura de um índio com sua lança, pronto para pescar algum peixe do pequeno lago que ali existia. Muitas vezes, após as aulas, eu e minhas colegas chegávamos até perto da água para nos refrescar.

A grande novidade naquela região foi a inauguração da loja Sears Roebuck, onde hoje funciona o Shopping Paulista. Seu slogan era impactante: “satisfação garantida ou seu dinheiro de volta”. Sensacional! Tendo chegado em 1949, a Sears revolucionou o varejo na cidade.

O acontecimento gerou uma revolução na disciplina do Colégio Maria Imaculada. As alunas cabulavam as aulas para visitarem a Sears. No térreo, o cheiro de amendoim torrado e açucarado, rescendia pela loja.  Nenhuma de nós resistia a um pacote.

No andar inferior onde se vendia discos havia uma pequena cabine na qual se ouvia as novidades do Rock and Rool. Logo, as irmãs da escola proibiram que ouvíssemos aquele ritmo. As freiras nos seguiam e éramos obrigadas a ouvir reprimendas em plena loja. Assim que elas apareciam, era um correria só para fugir da punição que seria certa.

O Maria Imaculada ainda está lá. Hoje atende meninas e meninos. A Sears, o cheirinho de amendoim, os produtos que ficavam a mostra e a música dos discos  permanecem na minha memória.

Ouça aqui o Conte Sua História de São Paulo

Bete Marum é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Juliano Fonseca. Escreva a sua história de São Paulo e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o novo site da CBN – cbn.com.br —, o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Conte Sua História de São Paulo 470: lições de meu pai pelas ruas da cidade

Álvaro Gomes Severino

Ouvinte da CBN

Foto de Kaique Rocha

Em novembro de 1978, nasci em Jacareí, embora meus pais vivessem na capital paulista. Cresci no Ipiranga, ouvindo histórias do meu pai, um “menino de rua, sozinho no mundo”, como ele dizia. Cuja vida por São Paulo inspirou meu amor pela cidade.

Minha infância foi marcada por travessuras a caminho da escola na Praça Pinheiro da Cunha. No trajeto, andava por cima do muro mesmo sob a reprimenda de minha mãe.

Aos sete anos, iniciei a escola Teotônio Alves Pereira, lembrando sempre da tia Helenice, minha primeira professora.

Brincadeiras de rua, carrinho de rolimã e passeios de bicicleta pelo parque da independência faziam parte do meu dia-a-dia.

Na pré-adolescência, trabalhei com meu pai, entregando encomendas pela cidade, o que fortaleceu meu amor por São Paulo. Aprendi a navegar pela metrópole com um guia detalhado, antes da era do GPS. Os fins de semana eram reservados para os bailinhos, onde a moda era calça baggy, blaser com ombreiras e tênis.

Com a mudança dos meus pais para o sul de Minas nos anos 90, fiquei a 190km de São Paulo. Hoje, como marceneiro, visito a cidade frequentemente, relembrando os lugares da minha infância com carinho e nostalgia. Para mim, São Paulo não é apenas uma cidade, é o lugar que definiu minha felicidade e orgulho, a capital do meu coração.

Ouça aqui o Conte Sua História de São Paulo

Álvaro Gomes Severino é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Juliano Fonseca. Esse texto foi inspirado na história contada pelo Álvaro. Agora, eu quero ouvir a sua história de São Paulo. Escreva e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o novo site da CBN – cbn.com.br —, o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Conte Sua História de São Paulo 470: o Ipiranga que nos uniu

Alex Albergaria 

Ouvinte da CBN

Foto de Manoel Junior

Essa história começou em São Paulo e muitos anos depois atravessou o mundo e promoveu um encontro improvável. Nasci numa maternidade no Ipiranga e desde criança morei na região. O recém reformado Museu do Ipiranga foi parte da minha infância. Aos fins de semana, eu e meus amigos fazíamos corrida de carrinho de rolimã na descida que liga os dois extremos do parque, brincávamos de pega-pega por entre as árvores que cercam a Casa do Grito e pelos jardins de estilo francês, que sempre atraíram turistas. 

Aos 18 anos, me mudei a trabalho para o Japão. Foi onde passei a praticar snowboard. Um dia, convidado por um amigo, me juntei a um grupo para visitar a uma pista de esqui famosa a umas quatro horas de carro de onde morávamos. No grupo uma garota chamou minha atenção. Apesar de ser a primeira vez que eu a via, tive a sensação de que a conhecia. Nas conversas descobri que ela também era brasileira. Descobri que éramos de São Paulo. Havíamos morado no Ipiranga e nascidos na mesma maternidade.

O destino nos uniu no Japão. Nos casamos. E voltamos para o Brasil. Perdi a conta de quantas vezes estive com nossos três filhos no Parque da Independência: andamos de skate, jogamos bola, escorregamos nos corrimãos gigantescos de mármore, observamos os macacos e pássaros que moram na mata, ao fundo do Museu. 

Hoje, estamos novamente no Japão. As crianças já não são tão crianças. Têm uma vida bem diferente aqui em Yokohama. Mas cresceram com as memórias do parque e do museu do Ipiranga que seguem  vivas em suas mentes.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Alex Albergaria é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Juliano Fonseca. Venha participar das comemorações dos 470 anos da nossa cidade. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br , acesse o novo site da cbn CBN.com.br, e ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.