Conte Sua História de São Paulo: uma torrada e uma batida de coco

Por Mauricio Pereira

Ouvinte da CBN

Corria o mês de julho de 1978. Eu e mais dois colegas de farda, oriundos da Base Aérea de Santa Maria, no Rio Grando do Sul, embarcamos em uma jornada que já começou turbulenta. Perdemos o translado aéreo e tivemos que enfrentar uma viagem de trem até Porto Alegre, marcada por solavancos e atrasos. De lá, seguimos em um voo pinga-pinga até Curitiba, onde pernoitamos, antes de finalmente chegar à grandiosa Rodoviária da Luz, em São Paulo. Para olhos matutos como os nossos, o tamanho e o movimento daquele lugar eram impressionantes.

Famintos, com aquela fome típica de soldados, decidimos buscar algo para comer. Com os parcos recursos que nos restavam, compramos as passagens para Guaratinguetá, nosso destino final, e seguimos para uma lancheria próxima. Lá, ao analisar o cardápio, deparei-me com uma variedade de “batidas” e, curioso, pedi:


— Uma torrada e uma batida de coco, por favor!

Veio como pedi, mas não era o que eu esperava. No Sul, “torrada” significava misto-quente, e “batida” era o termo usado para se referir a vitaminas. O que recebi foi um pão de forma torrado e uma bebida alcoólica de coco! Apesar da surpresa, paguei pelo pedido, mas só consegui comer o pão torrado.

Essa experiência foi apenas uma das tantas aprendizagens que tive ao longo daquele período. Aos poucos, fui me adaptando à metrópole que me acolheria definitivamente dois anos depois, em 1980, após a formatura no curso de Controle de Voos. Trabalhei nos aeroportos de Congonhas, Campo de Marte e Guarulhos, cidade onde resido até hoje.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Mauricio “Tchedatorre” Mello Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo. 

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: estudo aponta o fim das gerações

O conceito de gerações, amplamente utilizado para categorizar comportamentos, consumo e comunicação, pode estar com os dias contados. Essa é a provocação trazida pelo comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com base em um estudo realizado pela TroianoBranding em parceria com a consultoria Dezon. O levantamento questiona a relevância de dividir as pessoas em “caixinhas geracionais” em uma sociedade cada vez mais fluida e inclusiva.

Cecília Russo destacou que o uso das gerações se tornou uma “muleta” para justificar quase tudo, desde campanhas publicitárias até memes nas redes sociais. Porém, a pesquisa mostrou que, mais do que diferenças, o que une as gerações são os temas estruturantes da vida humana, como identidade, laços afetivos, comunidade, crescimento e bem-estar. “O que muda é a forma como cada tema é traduzido, a depender do contexto social ou da idade de cada pessoa”, explicou Cecília. 

Os cinco elementos estruturantes da pesquisa

  1. Identidade
    Refere-se à forma como as pessoas se percebem e se definem em relação ao mundo ao seu redor. Abrange aspectos como personalidade, valores e autocompreensão, que guiam suas escolhas e ações, independentemente da geração.
  2. Laços Afetivos
    Trata-se das conexões emocionais que as pessoas constroem ao longo da vida. Inclui relações familiares, amizades e vínculos afetivos que dão sentido à existência e influenciam comportamentos de consumo e interações sociais.
  3. Comunidade
    Diz respeito ao senso de pertencimento e à busca por coletivos que compartilhem valores e objetivos. Essa necessidade de se sentir parte de algo maior transcende gerações, ainda que os meios para formar essas conexões possam variar.
  4. Crescimento
    Representa o desejo humano de evolução, aprendizado e autodesenvolvimento. Pessoas de todas as idades compartilham essa busca, seja em aspectos profissionais, pessoais ou espirituais, mas o modo como perseguem o crescimento pode diferir.
  5. Bem-Estar
    Focado no equilíbrio físico, mental e emocional. Embora a forma de buscar o bem-estar varie, como práticas esportivas ou consumo de conteúdos relacionados à saúde, o objetivo de alcançar qualidade de vida é comum a todos.

Conteúdo universal e comunicação transversal

Jaime Troiano reforçou essa ideia ao falar do impacto para as marcas: “Existem mais similaridades do que diferenças entre as gerações, seja de mentalidade, seja no consumo de marcas.” Ele citou exemplos de marcas como O Boticário, Nike e Samsung, que conseguem se comunicar de forma transversal com diferentes públicos, usando os temas estruturantes como base. Para Jaime, a capacidade de criar conteúdos universais, adaptados para diferentes canais, é o que torna essas marcas relevantes para todas as faixas etárias.

O estudo também propõe que abandonar os rótulos geracionais é uma forma de inclusão, pois permite às marcas explorar temas humanos profundos sem a limitação de padrões tradicionais. Cecília Russo destacou que essa abordagem permite prever comportamentos de forma mais rica e abrangente, deixando de lado classificações que já não refletem a realidade atual.

A marca do Sua Marca

A principal mensagem do comentário é clara: ultrapassar a superfície das classificações geracionais é essencial para compreender as pessoas em sua profundidade. “É o fim das gerações, ou as gerações sem fim?”, questionou Jaime Troiano, ao concluir que os marcos geracionais podem, muitas vezes, aprisionar nossa visão. A verdadeira lição é pensar “fora da caixinha” e adotar uma abordagem mais inclusiva e universal, tanto na vida quanto nos negócios.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Tatiane Tieme, do GPTW, fala de liderança humanizada

Tatiane Tieme conversou on-line com o Mundo Corporativo

“O líder que quebra o estereótipo do super-herói e humaniza as relações do dia a dia alcança resultados superiores.”

Tatiane Tieme, GPTW

Diante das transformações no ambiente de trabalho, a figura do líder evolui para lidar com equipes cada vez mais diversas e demandas organizacionais mais complexas. Seja na convivência entre gerações ou na adaptação a modelos híbridos e remotos, os líderes enfrentam desafios que exigem habilidades técnicas e uma capacidade singular de criar conexões humanas. Foi o que destacou Tatiane Tieme, CEO do Great Place To Work Brasil, durante sua entrevista ao programa Mundo Corporativo.

A executiva trouxe à tona questões fundamentais sobre como a confiança, a coerência e a consistência podem impactar diretamente o sucesso das organizações, tornando ambientes mais produtivos e saudáveis para todos os envolvidos.

A confiança como pilar da liderança

“A felicidade resultante desse modelo de confiança impacta diretamente o sucesso do negócio”, afirmou Tatiane. Segundo ela, o papel do líder hoje não se limita à gestão de tarefas. É preciso estabelecer uma relação de confiança com as equipes, criando um espaço onde a vulnerabilidade seja permitida e a colaboração, incentivada.

A diversidade também aparece como um dos grandes desafios. Equipes que incluem diferentes gerações e perspectivas têm o potencial de ser mais criativas e produtivas. Entretanto, sem políticas inclusivas e uma liderança humanizada, essa diversidade pode se transformar em conflito.

“As empresas precisam ir além de contratar grupos diversos; elas devem incluir essas pessoas no dia a dia, escutando suas necessidades e promovendo uma cultura de respeito e reconhecimento”, explicou Tatiane.

Tecnologia e humanização: o equilíbrio necessário

Com a crescente adoção de tecnologias e da inteligência artificial no ambiente corporativo, muitos profissionais se preocupam com o impacto dessas ferramentas em suas funções. Para Tatiane, o papel do líder neste contexto é essencial:

“Essa disrupção digital só aumenta a importância de construirmos relações de proximidade e confiança. É necessário garantir que as pessoas tenham espaço para expressar seus receios e buscar caminhos de desenvolvimento, adaptando-se às novas possibilidades que a tecnologia traz.”

Ela ainda destacou que o modelo de comando e controle — característico de uma era passada — não tem mais lugar nas organizações que querem prosperar. “A gestão deve ser baseada em engajamento e cooperação, não em controle. Isso gera não apenas mais produtividade, mas também uma equipe que inova e cria com mais liberdade.”

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O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: venha que sou da Penha!

Por Samir Rodrigues de Faria

Ouvinte da CBN

Trem na Penha
Estação do metrô Penha Foto:Marcos Paulo Dias

Nasci e fui criado no bairro da Penha, na zona leste da capital. Minhas primeiras impressões foram diante da riqueza do comércio local, do Mercadão da Penha e das construções que encontrava em um dos bairros mais antigos da cidade., que teria sido criado em 1660.  

Morei na Avenida Penha de França e estudei nos colégios Santos Dumont e Padre Antão.  Meu caminho diário atravessava o Largo do Rosário onde fica a  Igreja de Nossa Senhora da Penha dos Homens Pretos. Seguia adiante até encontrar a Basílica de Nossa Senhora da Penha. 

Nesse passeio, encantava-me com prédios como o da mansão do Comendador Cantinho, que virou o Colégio Ateneu Rui Barbosa, hoje demolido. Da primeira padaria do bairro, na Avenida Gabriel Mistral, que também não existe mais. Gostava dos cinemas e fliperamas antigos; das lojas Garbo, Mappin e Jumbo Eletro. Meu capital intelectual acumulei na  Biblioteca da Penha, hoje Centro Cultural, ao lado do Largo do Rosário. 

Vivenciei belos momentos deste bairro tão querido e sinto muita saudade de como era! Como dizem por aqui: venha que sou da Penha!

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Samir Rodrigues de Faria é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, viste o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo. 

Conte Sua História de São Paulo: uma viagem pelo interior de um edifício histórico da cidade

Ivani Dantas

Ouvinte da CBN

São Paulo pulsa.

Cheia de vida se renova e encanta, ainda que o trabalho seja a sua principal característica. Foi há  20 anos que a cidade completou os seus 450 de existência. A importância do momento merecia um registro à altura.  Assim foi feito e assim tive a alegria de participar desse trabalho.

Na empresa estatal onde eu trabalhava, os preparativos para as comemorações incluíam uma pesquisa sobre o edifício sede, personagem importante no desenvolvimento do Estado de São Paulo. Começamos o trabalho do topo, no 25º andar.  Um mirante com 360º de uma vista de tirar o fôlego convidava a pousar os olhos na cidade que se traduz em força, trabalho e paixão. Foi Incrível vê-la daquele alto.  

Bem no coração da metrópole, o edifício foi construído na década de 1950, pelo escritório de arquitetura Ramos de Azevedo — aquele mesmo que construiu o Teatro Municipal, o prédio dos Correios, a Pinacoteca e tantas maravilhas mais que nos trazem orgulho. 

A ideia de compartilhar com o mundo aquela sensação ainda me toca. Lá estava eu, na companhia de um jornalista e historiador e outros profissionais, com a tarefa de deixar marcada na História de São Paulo a comemoração dos 450 anos. 

Marcas ficaram em mim e nos tantos que participaram desse registro.

De lá do mirante, descendo pelos andares, ouvi histórias dos tempos do descobrimento, e de como evoluiu a metrópole iniciada no Pátio do Colégio, sob o comando dos jesuítas. Dos rios e riachos, hoje escondidos por avenidas, até os tropeiros que cruzavam as estradas trazendo mercadorias, ouvi histórias do passado contadas de forma tão saborosa que para lá me transportei, imaginando como seria a vida naqueles tempos. 

Nesse clima de aventura cruzamos os painéis artísticos e afrescos feitos por encomenda ao artista italiano Gaetano Miani e outras obras de arte, até chegarmos ao subsolo para mais histórias que viriam a enriquecer meu repertório.

Um belíssimo cartão postal, uma atração à parte: o cofre! A porta impressiona pelo brilho do aço e pelas dimensões. Redonda, algumas toneladas de peso, uma fortaleza com trancas e respiros que remetiam à autoridade ali representada! Um sistema de segurança praticamente indevassável. Senhor absoluto na responsabilidade de proteger as riquezas depositadas. Fabricado na Alemanha chegou de navio para ser instalado envolto em um metro e meio de concreto, que o torna à prova de terremotos — mas, não temos terremotos !?

 Aqui chegou antes que se erguesse o prédio, com muitas histórias pra encantar, antes que lendas (ou verdades) povoassem sua presença no edifício. Aberta, a porta revela um novo desafio à imaginação:  cofres de aluguel, lacrados em sua maioria, encerram histórias, riquezas, quem sabe armas, cartas de amor, segredos de quem nem mais habita nosso mundo, e que levou consigo as chaves e os sonhos de muitos que por aqui ficaram. 

Sim, um pedaço de eternidade que pude visitar, para nunca mais talvez.

Naquele momento, e ainda hoje, penso no presente que a população ganharia com sua abertura à visitação. A cidade merece conhecer e se apropriar desse tesouro.  Com certeza olhinhos brilhariam de orgulho e curiosidade em saber mais sobre o mundo mágico que ali ficou escondido. Um espaço tão pouco conhecido e tão rico.

Que sorte a minha estar naquela hora, naquele lugar. 

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Ivani Dantas  é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, viste o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Pedro Rio explica como startups podem transformar o mercado de energia

Pedro Rio na gravação do Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“A principal dica para quem está começando é escolher uma indústria que brilha seus olhos, que seja grande e tenha problemas a resolver.”

Pedro Rio, CEO da Clarke Energia

A energia elétrica no Brasil pode parecer um tema técnico e distante para muitos, mas o mercado está no centro de transformações significativas que prometem impactar diretamente o bolso e o meio ambiente. Pedro Rio, CEO da Clarke Energia, acredita que a inovação no setor de energia não é apenas uma oportunidade de negócio, é também um caminho para construir um futuro mais sustentável. Ele explica que “quanto maior a indústria e mais problemas ela tiver, maior é a chance de se capturar valor e encontrar soluções”. Essa abordagem empreendedora foi tema de sua entrevista no programa Mundo Corporativo.

O caminho para transformar uma indústria

A Clarke Energia, fundada em 2018, nasceu com o propósito de empoderar os consumidores no mercado de energia renovável, um setor historicamente burocrático e analógico no Brasil. Rio explica que se inspirou em mercados internacionais para desenvolver a ideia por aqui. Em países do Reino Unido compra-se energia como se compra passagem aérea no Brasil, com os consumidores tendo acesso a marketplaces que permitem comparar preços e fornecedores em tempo real. Segundo ele, “o mercado de energia brasileiro ainda exige muita educação por parte dos consumidores, o que representa um desafio, mas também uma oportunidade”.

Ao longo da conversa, Rio destacou os avanços do mercado livre de energia no Brasil, onde grandes consumidores já podem optar por fornecedores de energia renovável, alcançando economias de até 50% na conta de luz. Ele acredita que, até 2030, o mesmo será possível para residências. “O Brasil é um dos países mais eficientes em termos de geração de energia. Em breve, todos os consumidores poderão fazer suas comparações e escolher fornecedores.”

Além disso, Rio ressaltou que o crescimento da Clarke Energia se deve, em grande parte, ao compromisso da empresa com a sustentabilidade e a inovação tecnológica. A recente aquisição de 70% da startup pela Energisa, um dos principais grupos do setor elétrico, é vista como uma parceria estratégica para expansão, sem perder o foco em atender os clientes de forma personalizada. “A inovação para dar certo em grandes empresas precisa de autonomia. Nossa cultura e DNA são pilares fundamentais para o sucesso da Clarke.”

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Conte Sua História de São Paulo: só quem te conhece te enfrenta e te aguenta. 

Por Eduardo Engracio da Silva

Ouvinte da CBN

São Paulo, minha querida cidade. 

São Paulo terra da garoa, da chuva, do frio e do calor 

Terra de gente de boa e honesta que trabalha com muito ardor

 

Aqui tem bastante trabalho, de tarde, de noite e de dia 

A cidade que não para, onde tudo acontece sem monotonia. 

Aqui tem metrô, trem, taxi e busão 

Pra cima e pra baixo, nunca para não 

Helicóptero, carrinho de rolimã e avião 

Patinete, bicicleta e skate pra andar no chão. 

Aqui tem rap, tem samba, tem rock e funk 

Tem mina, tem mano, tem brother e punk 

Vários ritmos, várias culturas em uma mistura peculiar 

Muita música, agitação, gastronomia de arrasar.

Na 25 de março, você encontra de tudo e mais um pouco 

Gritaria, empurra-empurra, se brincar você fica louco 

No centro, a história da cidade você pode contemplar 

Igrejas, prédios antigos é muito bom observar. 

Como pode ter crescido tão rapidamente? 

Como tanta gente pode aqui viver tão triste e também sorridente? 

Tanta desigualdade nas ruas podemos ver 

Muitos ricos, muitos pobres você pode crer. 

Oh, minha São Paulo querida de tantas dificuldades e tormentas 

Só quem te conhece te enfrenta e te aguenta. 

Tem enchente, tem tragédia, tem trânsito insuportável 

Tem muita gente, tem comédia, tem que ter animo maleável. 

A vida aqui é dura, corrida e cansativa 

Despertador logo cedo te acorda e te ativa 

Lá fora ainda está escuro…friaca, garoa… 

Mas é preciso ganhar o pão, com garra, de boa. 

Mesmo com tantos defeitos e problemas 

Com todos os seus feitos e dilemas 

Esta cidade continua contagiante e fantástica 

Viva, São Paulo, irradiante e bombástica. 

Viva, minha bela cidade que tanto quero bem 

Igual a ti, certeza que lugar do mundo não tem 

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Eduardo Engracio é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, viste o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo. 

Mundo Corporativo: José Renato Gonçalves e o desafio de liderar localmente uma empresa global

José Renato da NEC no estúdio do Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti

“A comunicação e a relação com as pessoas são o que realmente importam no final do dia.”

José Renato Gonçalves, NEC

No mundo corporativo globalizado, encontrar o equilíbrio entre autonomia local e diretrizes globais é um desafio que exige habilidade e estratégia. Essa realidade é vivida diariamente por José Renato Gonçalves, presidente da NEC no Brasil, que lidera uma empresa com mais de 125 anos de história e presença em diferentes continentes. Ele conversou sobre o tema no programa Mundo Corporativo.

“A globalização está muito ligada à competitividade”, afirmou José Renato. Ele explicou que operar globalmente permite maior escala e alcance, mas a integração de processos e decisões entre os países requer um “jogo de cintura”. Essa necessidade de adaptação é parte do cotidiano da NEC, que busca alinhar eficiência global com a capacidade de atender às demandas locais.

Tecnologia, inteligência artificial e cidades inteligentes

Sob a liderança de José Renato, a NEC tem avançado em dois grandes blocos de atuação: infraestrutura de tecnologia e soluções para cidades inteligentes. No Brasil, a empresa é responsável por projetos como redes 5G e sistemas automatizados de manutenção. “Hoje, usamos inteligência artificial para automatizar processos e prever falhas, o que traz eficiência para as redes e garante estabilidade.”

Nas cidades inteligentes, as soluções desenvolvidas incluem monitoramento de segurança pública, iluminação pública eficiente e sistemas integrados para gestão urbana. Ele destacou um exemplo relevante: “Nosso software orquestrador conecta diferentes sistemas municipais, como defesa civil, segurança pública e serviços de saúde, permitindo respostas rápidas e integradas.”

Vacinas em 100 dias: a meta da NEC com inteligência artificial

Além das inovações em infraestrutura e cidades inteligentes, a NEC tem apostado na inteligência artificial para transformar a área da saúde. Um dos projetos mais ambiciosos da empresa é o desenvolvimento de vacinas em parceria com grandes laboratórios japoneses. “Nosso objetivo é criar novas vacinas em apenas 100 dias, reduzindo drasticamente o tempo de resposta a uma nova pandemia”, revelou José Renato. Ele explicou que a tecnologia permite não apenas acelerar os processos, mas também personalizar tratamentos com base em características individuais. “Estamos avançando para um futuro em que será possível criar medicamentos sob medida, como remédios que atendam a dosagens específicas para cada paciente.”

Gestão humanizada em um ambiente global

Além da tecnologia, José Renato reforçou a importância de uma liderança focada em pessoas. Para ele, o relacionamento com equipes, clientes e parceiros é essencial. “Romper barreiras hierárquicas, escutar as pessoas e entender suas necessidades é o que permite uma gestão mais eficiente.”

Ele também abordou o impacto de operar em uma estrutura globalizada, onde decisões locais são submetidas a diretrizes internacionais. “Precisamos mostrar a importância de adaptar o que é necessário para atender nossos objetivos locais, mesmo em uma estrutura centralizada.”

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

CBN Sustentabilidade: uma conversa sobre a urgência climática e o protagonismo brasileiro na sustentabilidade

No estúdio do CBN Sustentabilidade em Belém Foto: Caroline Papazian/CBN

O voo atrasou como têm atrasado os voos no Brasil, assim como o calor me acolheu como acolhe a todos os que chegam em Belém. Na minha ida a capital do Pará, há cerca de uma semana, a novidade  eram as máquinas e homens em placas publicitárias e em canteiros de obras, esboço do que a cidade pretende apresentar na COP 30, no ano que vem. Fui a convite da CBN que me propôs apresentar uma edição especial do CBN Sustentabilidade, programa que tem minha colega e amiga Rosana Jatobá como titular.

O caro e cada vez mais raro leitor deste blog sabe que me sinto mais confortável diante do noticiário factual do Jornal a CBN e das discussões estratégicas do Mundo Corporativo. Embora o foco em sustentabilidade tenha me levado a um território diferente dos meus programas habituais, posso dizer agora que a transição foi natural.  A pauta ambiental faz parte tanto do noticiário do dia — especialmente em meio a tragédias e emergências climáticas — quanto das conversas estratégicas com líderes de empresas, onde a sustentabilidade assume um papel cada vez mais determinante.

O programa teve como pano de fundo a Conferência Internacional Amazônia e Novas Economias, uma das muitas prévias dos debates que a COP 30 — que será realizada em Belém — levará ao cenário global. Isabela Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente, e Raul Jungmann, diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), foram os meus entrevistados, recebidos em um estúdio de podcast, cercado de vidros, que chamava atenção dos conferencistas que se deslocavam de um painel e outro de discussão.  

Experientes, Isabela e Jungmann trouxeram perspectivas que resumem o momento delicado e ao mesmo tempo promissor que vivemos. Segundo a ex-ministra, a vitória de líderes com visões opostas à pauta ambiental, como Donald Trump, é um desafio, mas também uma oportunidade para realinhamentos geopolíticos. O Brasil, sendo um dos poucos países capazes de oferecer alternativas econômicas que não dependem de combustíveis fósseis, assume um papel estratégico em fóruns internacionais como o G20, que começa semana que vem no Rio. Esse cenário coloca o país na vanguarda de um movimento global que olha a natureza como uma aliada essencial no desenvolvimento econômico e na preservação ambiental.

Raul Jungmann, por sua vez, reforçou que a sustentabilidade não é apenas uma pauta dos ambientalistas, mas uma questão de sobrevivência econômica e social. Ele destacou a importância de definir um preço para o carbono como forma de inibir as energias fósseis e de financiar uma transição para uma economia limpa. A Amazônia, neste contexto, é central não apenas por sua biodiversidade, mas por representar um modelo de desenvolvimento sustentável que o Brasil ainda precisa consolidar. Segundo Jungmann, essa transição exige um projeto robusto para a região, que inclua emprego e renda para os 29 milhões de brasileiros que vivem ali, muitos em condições de extrema vulnerabilidade.

Belém, ao se tornar sede da COP 30, representa simbolicamente a “COP da Floresta”, ou, como os próprios convidados enfatizaram, a “COP da Esperança”. É o momento em que o Brasil pode liderar um movimento global, mostrando que é possível alinhar desenvolvimento econômico e proteção ambiental. Isabela Teixeira ressaltou que, enquanto avançamos lentamente em políticas incrementais, a crise climática já está em um “elevador”, movendo-se rápido e exigindo respostas mais eficazes e globais.

Com isso, saí deste programa especial com uma visão ainda mais clara de que a sustentabilidade precisa deixar de ser uma agenda à parte para se tornar parte integrante de todas as esferas do debate público e privado, com impacto profundo no futuro do Brasil e do planeta.

Assista ao CBN Sustentabilidade

Na entrevista com Isabela Teixeira e Raul Jungmann falamos da importância do setor privado na garantia de que as pautas ambientais sejam permanentes e fortalecidas; dos cuidados a serem adotados para que se realize uma transição energética sustentável no Brasil; e das expectativas de avanços na COP 30. O CBN Sustentabilidade teve as participações de Carlos Grecco, Priscila Gubiotti e Renato Barcellos.

Conte Sua História de São Paulo: a cidade vista através dos relatos de uma amiga


Muita gente diz que São Paulo é uma cidade fria, onde relacionamentos duradouros são raros. Meu filho reclama que amigos de infância, escola ou trabalho estão longe – em outras cidades, países ou até em bairros distantes. Ele mantém contato com alguns pela internet, mas sabe que não é o mesmo que estar junto. E repete uma queixa comum: os amigos que temos são mais “meus” que “dele”. Isso é algo que ouço frequentemente, até em revistas e jornais. Parece ser uma reclamação geral: conversamos mais pelo celular do que pessoalmente.

Será São Paulo mesmo uma cidade fria?

Em certos aspectos, talvez, mas há cenas tão humanas que podem passar despercebidas por quem vive com pressa ou simplesmente alheio ao que acontece ao redor.

Minha amiga Lígia sempre volta para casa com histórias para me contar, já que pouco saio. Em uma ocasião, alguém parou para lhe dar uma informação; em outra, uma senhora ofereceu carona depois de descobrir que moravam perto. Há ainda o caso do motoboy que devolveu a bolsa de uma amiga que ela havia perdido no estacionamento. A vida segue, cheia desses momentos.

Esta semana, Lígia me contou duas histórias que achei especialmente bonitas.

Em um dia, ela subiu em um ônibus lotado. Os assentos para deficientes e idosos estavam ocupados, então ela se segurou pacientemente. Mas uma jovem se levantou e lhe ofereceu o lugar. Lígia agradeceu e disse:

– Por favor, não se levante. Você deve estar cansada depois do trabalho. Eu passei o dia inteiro descansando.

A moça insistiu, e Lígia, observadora como é, notou que ela conversava com um rapaz sobre “nossa mãe”. Aproveitando a liberdade de seus 83 anos e cabelos brancos, perguntou:

– Vocês são casados?

– Não, somos irmãos – responderam, rindo. Só então ela percebeu a semelhança nos traços e a cumplicidade entre eles.

– Vocês se amam? – perguntou ela.

– Muito! – responderam. E a moça ainda acrescentou:

– Eu sempre digo a ele que quero partir antes, porque não suportaria ficar sozinha.

Lígia sentiu um aperto e comentou:

– Eu dizia o mesmo ao meu irmão, mas ele se foi há um ano e meio.

Uma lágrima escorreu de seus olhos. Quando olhou para eles, viu que também estavam emocionados. Em silêncio, trocaram um olhar de compreensão. Pouco depois, eles se despediram, dizendo:

– Boa semana!

– Foi um prazer conhecê-la – disse o rapaz, com um sorriso e o apoio da irmã.

Cidade fria?

Mais tarde, Lígia foi para o metrô. Sentou-se no banco da estação e notou que o único lugar vago era ao seu lado. Um jovem, de uns 14 ou 15 anos, aproximou-se, com cabelos compridos, roupas simples e uma mochila nas costas, segurando a mão de uma garotinha de uns cinco anos, com trancinhas e vestida de modo simples como ele. Ele a colocou no banco e ficou de cócoras ao lado dela. Mas a menina preferiu sentar-se entre as pernas do rapaz, ao invés do banco. Ele, sorrindo, sentou-se no chão, cruzando as pernas na posição de lótus, como vemos nos filmes.

Ela, radiante, acomodou-se em seu colo, e então ele tirou um livro infantil da mochila e começou a ler para ela, que escutava, atenta.

– Que beleza, irmãos tão jovens e unidos! – comentei.

– Não, pai e filha – corrigiu Lígia. – Ele parecia muito jovem, mas, observando melhor, vi que talvez fosse estudante da USP. Um pai dedicado.

Fiquei em silêncio, absorvendo a beleza dessas cenas.

São Paulo, uma cidade fria? Às vezes sim, outras vezes acolhedora. É uma cidade de mil ou milhões de facetas. Basta saber olhar.

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Edith Suli é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.